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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/artigos.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><font size="3"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <p align="center"><font size=5><b>Por tr&aacute;s do microsc&oacute;pio</b></font></p>     <p align="center"><font size="3">Maria de F&aacute;tima Leite</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><font size=5><B>M</b></font>uito se fala sobre as pesquisas que v&ecirc;m sendo desenvolvidas na &aacute;rea da sa&uacute;de por diversos centros e universidades em todo o mundo. Quando o tema &eacute; c&acirc;ncer as expectativas s&atilde;o enormes sobre o que h&aacute; de novo em termos de tratamento, em como aumentar a qualidade de vida dos pacientes, e a pergunta que automaticamente surge &eacute;: encontraram a cura? Desde a d&eacute;cada de 1990 os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos em termos de recursos diagn&oacute;sticos, abordagens cir&uacute;rgicas menos agressivas, associa&ccedil;&otilde;es quimioter&aacute;picas com vistas &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de efeitos colaterais e toxicidade, assim como equipamentos de radioterapia mais eficientes contribu&iacute;ram para o sucesso no tratamento da maioria dos tumores e, consequentemente, aumentando a sobrevida global.</font></P>     <p><font size="3">No Brasil, alguns centros de tratamento contam com algumas dessas tecnologias, como o PET&#45;CT, equipamento que permite a identifica&ccedil;&atilde;o de tumores em &oacute;rg&atilde;os, atrav&eacute;s de radiof&aacute;rmacos (imagem funcional), associado a um equipamento de tomografia computadorizada (imagem anat&ocirc;mica), bem como equipamentos de radioterapia por intensidade modulada de feixe, otimizando a entrega de radia&ccedil;&atilde;o no volume tumoral, enquanto permite a redu&ccedil;&atilde;o de doses em tecidos normais. Al&eacute;m disso, institutos e universidades brasileiras est&atilde;o desenvolvendo pesquisas sobre o c&acirc;ncer, com as mais variadas abordagens. O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de possui programas de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de como o programa de vigil&acirc;ncia de fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o para doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas por inqu&eacute;rito telef&ocirc;nico (Vigitel), cujo foco principal &eacute; a identifica&ccedil;&atilde;o e monitoramento das principais doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas nas regi&otilde;es brasileiras, o que permite a cria&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que permitam o desenvolvimento de planos de enfrentamento de doen&ccedil;as. Uma dessas a&ccedil;&otilde;es para o enfrentamento do c&acirc;ncer ginecol&oacute;gico &eacute; baseada em um estudo que descreve as tend&ecirc;ncias de cobertura dos exames preventivos de c&acirc;ncer de colo e &uacute;tero e mamografia nas capitais brasileiras.</font></P>     <p><font size="3">Por ser uma doen&ccedil;a de etiologia multivariada, com comportamento complexo, o c&acirc;ncer demanda v&aacute;rios estudos para a melhor compreens&atilde;o dos mecanismos envolvidos na sua progress&atilde;o, dentre eles, a produ&ccedil;&atilde;o de radicais livres. A inter&#45;rela&ccedil;&atilde;o do estresse oxidativo com a epigen&eacute;tica tamb&eacute;m &eacute; de grande interesse, j&aacute; que ambos encontram&#45;se intimamente conectados com processos de progress&atilde;o tumoral e j&aacute; se sabe que in&uacute;meras vias de sinaliza&ccedil;&otilde;es intracelulares ligadas ao c&acirc;ncer s&atilde;o reguladas por essas esp&eacute;cies reativas, mas ainda pouco se sabe como evitar os danos causados pelo seu excesso. A investiga&ccedil;&atilde;o do comportamento da c&eacute;lula tumoral constitui um dos principais pilares para o entendimento de como a doen&ccedil;a evolui. A sinaliza&ccedil;&atilde;o celular em c&acirc;ncer permite conhecer melhor como altera&ccedil;&otilde;es em determinados genes promovem sua prolifera&ccedil;&atilde;o descontrolada, sua resist&ecirc;ncia a mecanismos de morte celular e como alguns tumores, com capacidade metast&aacute;tica, invadem outros s&iacute;tios. As principais universidades brasileiras e o Instituto Nacional do C&acirc;ncer t&ecirc;m v&aacute;rias linhas de pesquisa em biologia celular e molecular, voltadas para o melhor entendimento do comportamento da c&eacute;lula tumoral que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, melhora o direcionamento do tratamento e, em especial, a sinaliza&ccedil;&atilde;o celular em c&acirc;ncer colorretal.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a10img01.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A busca por novos potenciais alvos terap&ecirc;uticos avan&ccedil;a no Brasil abrangendo v&aacute;rios segmentos. A biodiversidade brasileira permite a prospec&ccedil;&atilde;o de compostos de origem vegetal, bem como pept&iacute;deos extra&iacute;dos de venenos de animais pe&ccedil;onhentos. Outra corrente trabalha com associa&ccedil;&atilde;o da radioterapia com a terapia g&ecirc;nica envolvendo sinaliza&ccedil;&atilde;o intranuclear do &iacute;on c&aacute;lcio e ainda a nanomedicina avan&ccedil;a a passos largos para melhorar a quimioterapia.</font></P>     <p><font size="3">A escolha do tratamento ideal para um tipo de c&acirc;ncer geralmente se baseia em ensaios cl&iacute;nicos com uma grande popula&ccedil;&atilde;o de pacientes, os quais apontam o melhor esquema terap&ecirc;utico a ser utilizado. No Brasil, v&aacute;rios <I>clinical trials</I> est&atilde;o em curso, envolvendo universidades e centros de oncologia, p&uacute;blicos e/ou privados. A pesquisa cl&iacute;nica vem se fortalecendo nos &uacute;ltimos anos e est&aacute; em grande ascens&atilde;o e &eacute; neste cen&aacute;rio que a qualidade destas pesquisas, em andamento, deve garantir os preceitos regulamentados pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa), bem como princ&iacute;pios &eacute;ticos universais. Estudos como a an&aacute;lise cr&iacute;tica da qualidade dos centros de estudos cl&iacute;nicos de Belo Horizonte, incentivam outros da mesma natureza e podem permitir o interesse de patrocinadores e investidores em pesquisa, atraindo novos estudos e formando polos de investiga&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica de excel&ecirc;ncia no pa&iacute;s.</font></P>     <p><font size="3">As pesquisas, no Brasil, contam com apoio financeiro de ag&ecirc;ncias de fomento em n&iacute;vel estadual, as chamadas FAPs, funda&ccedil;&otilde;es de amparo &agrave; pesquisa e em n&iacute;vel nacional, como o Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico (CNPq), Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes) e, em n&iacute;vel internacional, recebem o apoio de ag&ecirc;ncias como Fogarty/NIH e Howard Hughes Medical Institute (EUA). Al&eacute;m disso, bolsas de estudo, fornecidas por estas ag&ecirc;ncias e, tamb&eacute;m, pela Capes, mant&ecirc;m v&aacute;rios estudantes de mestrado e doutorado trabalhando em pesquisa com c&acirc;ncer. H&aacute; v&aacute;rios diret&oacute;rios de pesquisa em todo o territ&oacute;rio nacional, cadastrados no CNPq, atuando em diversos segmentos como radioterapia, oncologia cl&iacute;nica, oncogen&eacute;tica, c&acirc;ncer da cavidade oral, cuidados paliativos, oncologia pedi&aacute;trica, leucemias, c&acirc;nceres ginecol&oacute;gicos, c&acirc;ncer masculino, terapia celular no c&acirc;ncer, terapia fotodin&acirc;mica e biof&aacute;rmacos em c&eacute;lulas animais, entre tantos outros.</font></P>     <p><font size="3">Por tr&aacute;s do microsc&oacute;pio, h&aacute; o esfor&ccedil;o conjunto de estudantes, pesquisadores, ag&ecirc;ncias de fomento, pacientes volunt&aacute;rios e institui&ccedil;&otilde;es, cujo objetivo comum &eacute; responder &agrave; pergunta: "Encontraram a cura?". Apesar da resposta ainda n&atilde;o poder ser um completo sim, pelo menos os resultados desses esfor&ccedil;os sinalizam para que esse objetivo seja alcan&ccedil;ado em breve. Este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico apresenta aos leitores um recorte de algumas pesquisas, bem como revis&otilde;es sistem&aacute;ticas na &aacute;rea que v&ecirc;m sendo desenvolvidas por grupos de pesquisas brasileiros e que, certamente, contribuir&atilde;o para um maior entendimento sobre o c&acirc;ncer.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Maria de F&aacute;tima Leite</b> &eacute; farmac&ecirc;utica pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), doutora pela University of Chicago e Escola Paulista de Medicina e p&oacute;s&#45;doutora pela Yale Univesity School of Medicine. &Eacute; professora associada do Departamento de Fisiologia e Biof&iacute;sica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Coordena o Laborat&oacute;rio de Sinaliza&ccedil;&atilde;o de C&aacute;lcio. Membro da Howard Hughes Medical Institute Fellow (2007&#45;2011) e atualmente pesquisadora 1C do CNPq. Desenvolve v&aacute;rios projetos visando novos alvos terap&ecirc;uticos para tratamento de c&acirc;ncer.</i></font> </p>      ]]></body>
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