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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/artigos.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>Sinaliza&ccedil;&atilde;o celular     em c&acirc;ncer</b></font></p>     <P><font size="3">Waldemir Fernandes de Souza<br />   Wallace Martins de Ara&uacute;jo<br />   J&uacute;lio Cesar Madureira de&#45;Freitas&#45;Junior<br />   Jos&eacute; Andr&eacute;s Morgado&#45;D&iacute;az</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>O</b></font><font size="3">rganismos pluricelulares complexos (como os seres humanos) s&atilde;o constitu&iacute;dos por um conjunto de &oacute;rg&atilde;os, formados por tecidos, os quais re&uacute;nem um conjunto de c&eacute;lulas especializadas para desempenharem fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. O desenvolvimento desses organismos e a manuten&ccedil;&atilde;o de suas fun&ccedil;&otilde;es vitais dependem de uma coopera&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas que os constituem, na medida em que os processos realizados por essas c&eacute;lulas t&ecirc;m que ser desempenhados de maneira coordenada. Para que isso ocorra, as c&eacute;lulas necessitam se comunicar umas com as outras e, a partir desta comunica&ccedil;&atilde;o, coordenar as fun&ccedil;&otilde;es desempenhadas por cada tipo celular. Esse &eacute; o princ&iacute;pio da sinaliza&ccedil;&atilde;o celular, onde c&eacute;lulas se comunicam atrav&eacute;s de mol&eacute;culas&#45;sinal, secretadas ou expostas em sua superf&iacute;cie.</font></P>     <p><font size="3">As mol&eacute;culas&#45;sinal s&atilde;o reconhecidas por receptores, geralmente prote&iacute;nas que podem estar expostas na superf&iacute;cie celular ou presentes no interior das c&eacute;lulas. Esses receptores, ap&oacute;s se ligarem &agrave;s mol&eacute;culas&#45;sinal, transmitem a informa&ccedil;&atilde;o para outras prote&iacute;nas presentes no interior da c&eacute;lula, mecanismo conhecido como transdu&ccedil;&atilde;o de sinal. Esse mecanismo pode desencadear diferentes respostas, como altera&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o de uma prote&iacute;na (resposta r&aacute;pida e passageira) ou modifica&ccedil;&atilde;o de express&atilde;o g&ecirc;nica, levando a uma altera&ccedil;&atilde;o na quantidade de prote&iacute;na dentro da c&eacute;lula (resposta lenta e mais prolongada). Essas modifica&ccedil;&otilde;es levam a altera&ccedil;&otilde;es no comportamento da c&eacute;lula, visto que as prote&iacute;nas s&atilde;o as respons&aacute;veis por dirigir as fun&ccedil;&otilde;es celulares (<a href="#fig01">Figura 1</a>).</font></P>     <p><a name="fig01"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a13fig01.jpg" /></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A transdu&ccedil;&atilde;o de sinal ocorre atrav&eacute;s de vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o, as quais geralmente s&atilde;o constitu&iacute;das por prote&iacute;nas comprometidas com a regula&ccedil;&atilde;o de eventos da fisiologia celular, como prolifera&ccedil;&atilde;o, migra&ccedil;&atilde;o, diferencia&ccedil;&atilde;o celular etc. A maior parte das prote&iacute;nas que participam das vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o enzimas, biocatalizadores que atuam na acelera&ccedil;&atilde;o das rea&ccedil;&otilde;es bioqu&iacute;micas que ocorrem dentro da c&eacute;lula. Dentre elas encontram&#45;se as quinases, que constituem uma das principais fam&iacute;lias de prote&iacute;nas em mam&iacute;feros. Elas s&atilde;o enzimas que catalisam a transfer&ecirc;ncia de grupos fosfatos de mol&eacute;culas do nucleot&iacute;deo adenosina trifosfato (ATP) para outras mol&eacute;culas org&acirc;nicas, como lip&iacute;deos e prote&iacute;nas.  Como exemplo, podemos citar as quinases reguladas por sinal extracelular 1/2 (ERK1/2, Extracellular Signal&#45;Regulated Kinase 1/2), prote&iacute;nas serina/treonina quinase que atuam na fosforila&ccedil;&atilde;o de amino&aacute;cidos serina e treonina presentes em seus alvos proteicos; e a fosfatidilinositol 3&#45;quinase (PI3K, PhosphatidylInositide 3&#45;Kinase), que atua na fosforila&ccedil;&atilde;o do fosfolip&iacute;dio fosfatidilinositol presente nas membranas celulares. Outras prote&iacute;nas com grande participa&ccedil;&atilde;o em vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as que compreendem a fam&iacute;lia das GTPases, enzimas que quando ativas atuam na hidr&oacute;lise da mol&eacute;cula do nucleot&iacute;deo guanosina trifosfato (GTP), gerando como produto guanosina difosfato (GDP) e fosfato inorg&acirc;nico. As GTPases s&atilde;o enzimas que ciclam entre um estado ativo ligado &agrave; GTP e um estado inativo ligado &agrave; GDP, mecanismo controlado por prote&iacute;nas regulat&oacute;rias. Quando ativadas, as GTPases podem se associar a prote&iacute;nas efetoras regulando sua atividade. Como exemplo de GTPases podemos citar dois membros da superfam&iacute;lia Ras de pequenas GTPases: a Ras que atua na ativa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o, como aquelas relacionadas &agrave;s prote&iacute;nas ERK1/2 e PI3K; e a Rho, relacionada com a ativa&ccedil;&atilde;o de mol&eacute;culas efetoras como a Rho quinase (ROCK, Rho Kinase) (1;2). A desregula&ccedil;&atilde;o das vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o celular, causada geralmente por aumento/diminui&ccedil;&atilde;o da atividade ou express&atilde;o de seus constituintes proteicos, pode levar ao descontrole de eventos fisiol&oacute;gicos e desencadear variados tipos de doen&ccedil;as, incluindo o c&acirc;ncer.</font></P>     <p><font size="3">C&acirc;ncer &eacute; um termo gen&eacute;rico usado para designar um grande grupo de doen&ccedil;as que pode afetar diferentes partes do organismo. Apesar da sua diversidade, o c&acirc;ncer apresenta caracter&iacute;sticas comuns: c&eacute;lulas cancer&iacute;genas (ou tumorais) apresentam desregula&ccedil;&atilde;o nos mecanismos de controle do crescimento e prolifera&ccedil;&atilde;o, permitindo a forma&ccedil;&atilde;o de um agregado de c&eacute;lulas anormais (tumor) (3;4). Esse descontrole normalmente est&aacute; associado a altera&ccedil;&otilde;es no material gen&eacute;tico das c&eacute;lulas, o &aacute;cido desoxirribonucleico (DNA, DeoxyriboNucleic Acid), podendo levar &agrave; desregula&ccedil;&atilde;o da express&atilde;o de genes, os quais cont&ecirc;m informa&ccedil;&atilde;o para a s&iacute;ntese de prote&iacute;nas encontradas nas c&eacute;lulas. Dessa forma, as altera&ccedil;&otilde;es podem ser passadas para c&eacute;lulas filhas, atrav&eacute;s da divis&atilde;o celular, gerando v&aacute;rias c&eacute;lulas anormais que formar&atilde;o o tumor. As principais causas do c&acirc;ncer est&atilde;o relacionadas &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o a agentes externos, os chamados carcin&oacute;genos. Eles podem ser de origem f&iacute;sica (como os raios ultravioleta da radia&ccedil;&atilde;o solar), qu&iacute;mica (como os componentes do cigarro de tabaco) ou biol&oacute;gica (como a infec&ccedil;&atilde;o de certos v&iacute;rus). </font></P>     <p><font size="3">Durante o desenvolvimento do tumor, v&aacute;rios eventos celulares podem ser desregulados. Dentre eles podemos citar o aumento do crescimento e prolifera&ccedil;&atilde;o, uma maior resist&ecirc;ncia ao mecanismo de morte celular e maior suscetibilidade a instabilidade gen&ocirc;mica e muta&ccedil;&otilde;es, possibilitando &agrave;s c&eacute;lulas tumorais acumular altera&ccedil;&otilde;es em seu DNA (5). Essa desregula&ccedil;&atilde;o &eacute; um reflexo principalmente de altera&ccedil;&otilde;es na atividade ou express&atilde;o das prote&iacute;nas constituintes das vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o celular. Dessa forma, um melhor entendimento da participa&ccedil;&atilde;o das vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o celular na progress&atilde;o do c&acirc;ncer &eacute; um passo primordial para o desenvolvimento de metodologias terap&ecirc;uticas e de diagn&oacute;stico para essa doen&ccedil;a, em particular do c&acirc;ncer colorretal, que ocupa o terceiro lugar em &iacute;ndice de incid&ecirc;ncia na popula&ccedil;&atilde;o brasileira (6). </font></P>     <p><font size="3"><b>VIAS  DE SINALIZA&Ccedil;&Atilde;O CELULAR QUE REGULAM A PROGRESS&Atilde;O DO C&Acirc;NCER COLORRETAL </b>O c&acirc;ncer colorretal (CCR) se desenvolve atrav&eacute;s de uma acumula&ccedil;&atilde;o gradual de altera&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas que conduzem &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o do epit&eacute;lio normal col&ocirc;nico para o fen&oacute;tipo maligno e invasivo. Essas altera&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas no epit&eacute;lio intestinal podem causar mudan&ccedil;as histol&oacute;gicas e moleculares que levam a uma defini&ccedil;&atilde;o da sequ&ecirc;ncia chamada de sequ&ecirc;ncia adenoma&#45;carcinoma (7). O est&aacute;gio inicial da sequ&ecirc;ncia adenoma&#45;carcinoma &eacute; caracterizado por les&otilde;es aberrantes e displasias no epit&eacute;lio col&ocirc;nico, podendo levar &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de p&oacute;lipos vis&iacute;veis macroscopicamente. Esses p&oacute;lipos constituem uma les&atilde;o precursora que inicia a forma&ccedil;&atilde;o do adenoma, o qual &eacute; caracterizado pela morfologia displ&aacute;sica e pela presen&ccedil;a de altera&ccedil;&otilde;es na diferencia&ccedil;&atilde;o epitelial. A transi&ccedil;&atilde;o de um tumor benigno (adenoma) para um tumor maligno (carcinoma) deve&#45;se ao ac&uacute;mulo de muta&ccedil;&otilde;es ao longo do estadiamento do tumor. As muta&ccedil;&otilde;es no gene supressor tumoral APC s&atilde;o encontradas nos est&aacute;gios iniciais da sequ&ecirc;ncia adenoma&#45;carcinoma e tamb&eacute;m em c&acirc;ncer heredit&aacute;rio, como a polipose adenomatosa familiar (FAP, Familial Adenomatous Polyposis) (8). Essas altera&ccedil;&otilde;es no gene APC levam &agrave; perda de fun&ccedil;&atilde;o da prote&iacute;na APC, com uma consequente redu&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o da prote&iacute;na </font><font>&#946;</font><font size="3">&#45;catenina, de modo a elevar seus n&iacute;veis citoplasm&aacute;tico e nuclear nas c&eacute;lulas tumorais, conduzindo a uma desregula&ccedil;&atilde;o da via de sinaliza&ccedil;&atilde;o Wnt/</font><font>&#946;</font><font size="3">&#45;catenina. A estabiliza&ccedil;&atilde;o nuclear da prote&iacute;na </font><font>&#946;</font><font size="3">&#45;catenina &eacute; o principal mecanismo de ativa&ccedil;&atilde;o desta via, a qual &eacute; respons&aacute;vel pela altera&ccedil;&atilde;o na express&atilde;o de genes alvos que conduzem a um aumento da prolifera&ccedil;&atilde;o e invas&atilde;o celular (9).</font></P>     <p><font size="3">A via Wnt/ </font><font>&#946;</font><font size="3">&#45;catenina foi a primeira associada com o desenvolvimento do CCR, sendo encontrada permanentemente ativada em pacientes com FAP e em outras formas de c&acirc;nceres espor&aacute;dicos (10). Aproximadamente 90% do CCR espor&aacute;dico mostram uma sinaliza&ccedil;&atilde;o aberrante para a via Wnt, resultado de muta&ccedil;&otilde;es frequentes em APC e tamb&eacute;m em outros genes que codificam prote&iacute;nas desta via de sinaliza&ccedil;&atilde;o, como </font><font>&#946;</font><font size="3">&#45;catenina e axina. Essas muta&ccedil;&otilde;es induzem ao ac&uacute;mulo de </font><font>&#946;</font><font size="3">&#45;catenina no citoplasma e sua transloca&ccedil;&atilde;o para o n&uacute;cleo, onde interage com o fator celular&#45;T/fator intensificador linf&oacute;ide (TCF/LEF, T&#45;Cell Factor/Lymphoid Enhancer Factor), fatores transcricionais que regulam a atividade de genes como C&#45;MYC e MMP9, os quais est&atilde;o associados a eventos da progress&atilde;o tumoral, como prolifera&ccedil;&atilde;o e invas&atilde;o. Essa ativa&ccedil;&atilde;o aberrante &eacute; considerada o evento inicial para a tumorig&ecirc;nese colorretal, levando &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas do epit&eacute;lio intestinal em c&eacute;lulas com capacidade proliferativa exacerbada, que culmina na forma&ccedil;&atilde;o de adenomas. Essas c&eacute;lulas podem adquirir novas muta&ccedil;&otilde;es, as quais permitiriam a forma&ccedil;&atilde;o da met&aacute;stase (11) .</font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m da sinaliza&ccedil;&atilde;o aberrante Wnt/</font><font>&#946;</font><font size="3">&#45;catenina, outro evento importante no desenvolvimento do CCR &eacute; a ativa&ccedil;&atilde;o constitutiva do oncogene KRAS (Kirsten Rat Sarcoma viral oncogene homologue). Em CCR, essa forma mutante hiperativa &eacute; a segunda mais frequente em adenomas e carcinomas (12). K&#45;RAS,  um dos membros da superfam&iacute;lia RAS de pequenas GTPases, &eacute; respons&aacute;vel por mediar a transdu&ccedil;&atilde;o de sinais desencadeados pela ativa&ccedil;&atilde;o de receptores tirosina quinase presentes na superf&iacute;cie celular. A sinaliza&ccedil;&atilde;o acontece quando mol&eacute;culas&#45;sinal extracelulares, como o fator de crescimento epid&eacute;rmico (EGF, Epidermal Growth Factor), o fator de crescimento de hepat&oacute;cito (HGF, Hepatocyte Growth Factor), e o fator de crescimento derivado de plaqueta (PDGF, Platelet&#45;Derived Growth Factor), se ligam a seus receptores desencadeando sua dimeriza&ccedil;&atilde;o e/ou autofosforila&ccedil;&atilde;o em res&iacute;duos de tirosina nos seus dom&iacute;nios citoplasm&aacute;ticos. O sinal frequentemente &eacute; repassado para a oncoprote&iacute;na K&#45;RAS, localizada na membrana celular, que em seguida pode ativar por fosforila&ccedil;&atilde;o a via ERK1/2, causando um aumento da prolifera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da indu&ccedil;&atilde;o da express&atilde;o de ciclina D1 (13). Al&eacute;m disso, K&#45;RAS tamb&eacute;m pode enviar sinais para via PI3K/Akt, que est&aacute; relacionada ao aumento de sobreviv&ecirc;ncia celular.</font></P>     <p><font size="3">A PI3K constitui uma fam&iacute;lia de quinase lip&iacute;dica intracelular que fosforila o grupo 3'&#45; hidroxil de fosfatidilinositol das membranas celulares. A ativa&ccedil;&atilde;o consiste em catalisar a forma&ccedil;&atilde;o de fosfatidilinositol&#45;3,4,5&#45;trifosfato (PIP<SUB>3</SUB>, PhosphatidylInositol (3,4,5)&#45;triPhosphate) a partir de fosfatidilinositol&#45;4,5&#45;bifosfato (PIP<SUB>2</SUB>, PhosphatidylInositol (4,5)&#45;bisPhosphate), produto que transduz um sinal por intera&ccedil;&atilde;o com prote&iacute;nas de dom&iacute;nio hom&oacute;logo a pleclestrina (PH, Pleckstrin Homology). A serina&#45;treonina quinase Akt (tamb&eacute;m conhecida como PKB) &eacute; uma prote&iacute;na efetora central do PIP<SUB>3</SUB>. A Akt &eacute; ativada por um duplo mecanismo regulat&oacute;rio que requer a transloca&ccedil;&atilde;o e ancoramento na membrana plasm&aacute;tica atrav&eacute;s do dom&iacute;nio PH sendo, logo em seguida, fosforilada em seus amino&aacute;cidos treonina 308 e serina 473 pelas quinases prote&iacute;na dependente de 3&#45;fosfoinos&iacute;deo quinase&#45;1 (PDK&#45;1, 3&#45;Phosphoinositide Dependent protein Kinase&#45;1) e prote&iacute;na reguladora de mam&iacute;fero para rapamicina C2 (mTORC2, mammalian Target Of RapamyCin 2) respectivamente (14). A fosfatase hom&oacute;loga &agrave; tensina deletada no cromossomo 10 (PTEN, Phosphatase and TENsin homologue deleted on chromosome 10) &eacute; um fosfatase lip&iacute;dica que atua na desfosforila&ccedil;&atilde;o de PIP<SUB>3</SUB>, regulando negativamente a a&ccedil;&atilde;o de PI3K, portanto assumindo um papel de supressor tumoral. A presen&ccedil;a de PTEN mant&eacute;m os n&iacute;veis de PIP<SUB>3</SUB> baixo, enquanto que sua aus&ecirc;ncia aumenta a concentra&ccedil;&atilde;o de PIP<SUB>3</SUB>, elevando a atividade de Akt. Nessa perspectiva, a ativa&ccedil;&atilde;o de PI3K por sinaliza&ccedil;&atilde;o dependente de fatores de crescimento, acarreta a s&iacute;ntese de PIP<SUB>3</SUB>, que &eacute; desfosforilado por PTEN a PIP<SUB>2</SUB>. Na aus&ecirc;ncia de PTEN, Akt torna&#45;se constantemente fosforilada e, portanto, mais ativa, podendo mediar a ativa&ccedil;&atilde;o de diversas prote&iacute;nas que regulam a sobreviv&ecirc;ncia e o crescimento tumoral (15).</font></P>     <p><font size="3">Outro grupo de prote&iacute;nas que participam ativamente da progress&atilde;o do CCR &eacute; o das Rho GTPases, as quais est&atilde;o relacionadas com a sinaliza&ccedil;&atilde;o que regula a reorganiza&ccedil;&atilde;o do citoesqueleto de actina (16). As formas ativas de Rho adquirem uma mudan&ccedil;a conformacional que permite interagir com prote&iacute;nas efetoras, que na verdade desempenham a fun&ccedil;&atilde;o de Rho propriamente dita. A primeira prote&iacute;na efetora de Rho identificada foi a ROCK, a qual atua na indu&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o de fibras de estresse e ades&atilde;o focal, atrav&eacute;s das prote&iacute;nas que organizam o citoesqueleto de actina, al&eacute;m do controle da contratilidade celular pela miosina. Conforme j&aacute; mencionado, as Rho GTPases modulam o citoesqueleto de actina, causando proje&ccedil;&otilde;es de membrana que aumentam o potencial migrat&oacute;rio, invasivo e metast&aacute;tico das c&eacute;lulas tumorais. </font></P>     <p><font size="3">Nosso grupo de pesquisa no Instituto Nacional de C&acirc;ncer (INCa) tem trabalhado ativamente para melhor caracterizar as vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o celular que regulam a progress&atilde;o do CCR. Em trabalhos recentes, relatamos a participa&ccedil;&atilde;o das vias da PI3K/Akt, ERK1/2 e Rho GTPases regulando eventos da progress&atilde;o deste tipo de c&acirc;ncer (17&#45;19). Um resumo de nossos resultados  est&aacute; esquematizado na <a href="#fig02">figura 2</a>.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig02"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a13fig02.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>Sinaliza&ccedil;&atilde;o na terapia do c&acirc;ncer: o tratamento racional </b>As estrat&eacute;gias terap&ecirc;uticas tradicionais utilizadas no tratamento do c&acirc;ncer empregam a cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A escolha do tratamento ideal para um tipo de c&acirc;ncer geralmente se baseia em ensaios cl&iacute;nicos com uma grande popula&ccedil;&atilde;o de pacientes, os quais apontam o melhor esquema terap&ecirc;utico a ser utilizado. Contudo, durantes os ensaios cl&iacute;nicos podemos encontrar uma grande varia&ccedil;&atilde;o de resposta entre os pacientes, indicando que uma melhor estratifica&ccedil;&atilde;o em subgrupos poderia apontar diferentes n&iacute;veis de resposta a um esquema terap&ecirc;utico empregado (20). A identifica&ccedil;&atilde;o de um subgrupo de pacientes com c&acirc;ncer que respondem melhor a um dado esquema terap&ecirc;utico pode refletir na diminui&ccedil;&atilde;o dos custos do tratamento e aumentar os benef&iacute;cios para o bem&#45;estar dos pacientes, na medida em que se diminuem os efeitos colaterais. Nesse sentido, os estudos que visam caracterizar os biomarcadores envolvidos na progress&atilde;o do c&acirc;ncer e os processos por eles regulados ajudam no melhor direcionamento do tratamento, na medida em que s&atilde;o utilizados como base para o desenvolvimento de ferramentas para o bloqueio molecular desses processos. Dentre essas ferramentas destacamos o uso dos anticorpos monoclonais e os inibidores farmacol&oacute;gicos, ambos atuando na inibi&ccedil;&atilde;o da atividade de prote&iacute;nas espec&iacute;ficas presentes em vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Os anticorpos monoclonais s&atilde;o biomol&eacute;culas que se ligam a alvos espec&iacute;ficos, geralmente receptores proteicos presentes na superf&iacute;cie celular, evitando a ativa&ccedil;&atilde;o ou reconhecimento desses receptores por outras mol&eacute;culas. Como exemplo, podemos citar alguns dos anticorpos monoclonais aprovados pelo FDA (Federal Drug Administration), &oacute;rg&atilde;o de vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria dos Estados Unidos, para tratamento do CCR metast&aacute;tico: o Cetuximab e o Panitumumab, ambos tendo como alvo o receptor do fator de crescimento epid&eacute;rmico (EGFR, Epidermal Growth Factor Receptor). A combina&ccedil;&atilde;o desses anticorpos anti&#45;EGFR com esquemas terap&ecirc;uticos tradicionais, que atuam no DNA das c&eacute;lulas, tem gerado bons resultados. Por&eacute;m, os melhores benef&iacute;cios s&atilde;o alcan&ccedil;ados por uma pr&eacute;via investiga&ccedil;&atilde;o acerca do status mutacional do gene <I>KRAS</I>, o qual codifica a prote&iacute;na K&#45;RAS, uma das efetoras ativadas pelo EGFR: caso a prote&iacute;na K&#45;RAS esteja ativada de forma constitutiva, devido &agrave; muta&ccedil;&atilde;o em seu gene, a ativa&ccedil;&atilde;o da via de sinaliza&ccedil;&atilde;o efetora continuar&aacute; mesmo ap&oacute;s a liga&ccedil;&atilde;o do anticorpo ao EGFR. Assim, os principais &oacute;rg&atilde;os de vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria no mundo t&ecirc;m recomendado a investiga&ccedil;&atilde;o de muta&ccedil;&atilde;o em <I>KRAS</I> antes do emprego da terapia com anticorpos anti&#45;EGFR em pacientes com c&acirc;ncer colorretal metast&aacute;tico (21;22).</font></P>     <p><font size="3">Devido &agrave; import&acirc;ncia das prote&iacute;nas intracelulares participantes das vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o, o emprego de inibidores farmacol&oacute;gicos destas tem sido utilizado em ensaios cl&iacute;nicos. Os inibidores farmacol&oacute;gicos s&atilde;o mol&eacute;culas purificadas de compostos naturais ou sintetizadas em laborat&oacute;rios que impedem a atividade de prote&iacute;nas por alterar sua conforma&ccedil;&atilde;o ou competir por um substrato. A inibi&ccedil;&atilde;o da prote&iacute;na quinase MEK (Mitogen&#45;activated protein Kinase), pelo inibidor GSK1120212, tem contribu&iacute;do para estabiliza&ccedil;&atilde;o da s&iacute;ndrome mielodispl&aacute;sica em aproximadamente 54% dos pacientes tratados, os quais apresentavam muta&ccedil;&otilde;es nos genes <I>KRAS</I> ou <I>NRAS</I> (23). Al&eacute;m disso, estudos em laborat&oacute;rio t&ecirc;m mostrado recentemente que o inibidor TIC10, o qual inibe ambas as vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o Akt e ERK1/2, atua como potente agente antitumoral, sendo uma mol&eacute;cula promissora para an&aacute;lise em futuros ensaios cl&iacute;nicos (24). Poucos estudos t&ecirc;m relacionado a inibi&ccedil;&atilde;o da via de sinaliza&ccedil;&atilde;o regulada pela Rho GTPase com o tratamento antitumoral. Por&eacute;m, o inibidor de ROCK, Fasudil, tem sido usado no tratamento de pacientes com vasoespamos no c&eacute;rebro sem causar s&eacute;rios efeitos colaterais. Em estudos no laborat&oacute;rio, c&eacute;lulas tratadas com Fasudil apresentaram redu&ccedil;&atilde;o na sua migra&ccedil;&atilde;o e na capacidade de formar col&ocirc;nias n&atilde;o aderidas ao substrato, caracter&iacute;sticas indicativas de redu&ccedil;&atilde;o do potencial maligno dessas c&eacute;lulas, sugerindo que este inibidor pode ser uma ferramenta potencial para o tratamento antitumoral (2). </font></P>     <p><font size="3">Esse conjunto de dados aponta a import&acirc;ncia da caracteriza&ccedil;&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es moleculares no tumor para um melhor direcionamento do tratamento. Nesse sentido, o emprego de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise em larga escala, como o microarranjo de DNA, permite avaliar altera&ccedil;&otilde;es na express&atilde;o g&ecirc;nica de um grande n&uacute;mero de amostras. Apesar de ainda apresentar um alto custo, essa ferramenta permite a identifica&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis biomarcadores. A partir dessa identifica&ccedil;&atilde;o, podemos direcionar melhor o tratamento do c&acirc;ncer, utilizando, por exemplo, anticorpos monoclonais e/ou inibidores farmacol&oacute;gicos para alvos proteicos espec&iacute;ficos, os quais podem ser combinados com os esquemas terap&ecirc;uticos tradicionais, objetivando uma maior efic&aacute;cia do tratamento e diminuindo os efeitos colaterais. Estudos que buscam caracterizar as principais vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o que regulam a progress&atilde;o de um tipo de c&acirc;ncer podem, no futuro, reduzir os custos para utiliza&ccedil;&atilde;o das an&aacute;lises em larga escala, na medida em que buscam uma determina&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de genes que precisar&atilde;o ser testados. Isso pode contribuir para um tratamento mais personalizado e menos agressivo para os pacientes.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Waldemir Fernandes de Souza</b> &eacute; bi&oacute;logo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), doutor em oncologia pelo Instituto Nacional de C&acirc;ncer (INCa) e atualmente &eacute; p&oacute;s&#45;doutorando do Grupo de Biologia Estrutural do Centro de Pesquisas do INCa.<br />   <b>Wallace Martins de Araujo</b> &eacute; bi&oacute;logo pela UFRJ, doutor em ci&ecirc;ncias morfol&oacute;gicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e atualmente &eacute; p&oacute;s&#45;doutorando do Grupo de Biologia Estrutural do Centro de Pesquisas do INCa.<br />   <b>Julio Cesar Madureira de&#45;Freitas&#45;Junior</b> &eacute; bi&oacute;logo pela UERJ, doutor em ci&ecirc;ncias pela UERJ e atualmente &eacute; p&oacute;s&#45;doutorando do Grupo de Biologia Estrutural do Centro de Pesquisas do INCa.<br />   <b>Jos&eacute; Andr&eacute;s Morgado&#45;D&iacute;az</b> &eacute; bi&oacute;logo pela Universidad Nacional de Trujillo, Peru, doutor em bioqu&iacute;mica pela UFRJ, com p&oacute;s&#45;doutorado pela Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo National Institute of Health (NIH), EUA. Atualmente &eacute; pesquisador titular do Centro de Pesquisas do INCa, onde lidera o Grupo de Biologia Estrutural, e pesquisador n&iacute;vel 1D do CNPq.</i></font></P>     ]]></body>
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