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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/ensaios.jpg" /></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>Sobre O TDAH: Transtorno ou inven&ccedil;&atilde;o?</b></font></P>     <p><font size="3"><I>Joseph Knobel Freud<br /> Traduzido por Milagros Varguez Ram&iacute;rez</I></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O transtorno de d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o com hiperatividade (TDAH) tem sido um diagn&oacute;stico muito frequente hoje nos consult&oacute;rios. Se considerarmos as estat&iacute;sticas, estar&iacute;amos diante de uma verdadeira epidemia. Mas, na minha opini&atilde;o, esse transtorno n&atilde;o existe. O que existem s&atilde;o crian&ccedil;as muito agitadas. E &eacute; verdade que h&aacute; mais crian&ccedil;as agitadas do que antes, mas a primeira coisa que se faz, hoje, &eacute; diagnostic&aacute;&#45;las de um jeito n&atilde;o v&aacute;lido, com um "d&eacute;ficit de vida", pelo qual s&atilde;o medicadas, na tentativa de modificar a sua conduta.</font></P>     <p><font size="3">Assim, se marca, se estigmatiza, reduzindo a complexidade da vida ps&iacute;quica infantil a um paradigma simplificador. Em vez de um psiquismo em estrutura&ccedil;&atilde;o, em crescimento cont&iacute;nuo, no qual o conflito &eacute; fundamental e no qual todo efeito &eacute; complexo, presume&#45;se, exclusivamente, um "d&eacute;ficit" neurol&oacute;gico.</font></P>     <p><font size="3">Mas essas crian&ccedil;as n&atilde;o sofrem de transtorno de d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o com hiperatividade tal como &eacute; definido. Elas est&atilde;o sendo tratadas como se fossem portadoras de um transtorno de origem neurol&oacute;gica que deve ser enfrentado com medica&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Os sintomas centrais desse suposto transtorno s&atilde;o, segundo aqueles que defendem a sua exist&ecirc;ncia, a falta de aten&ccedil;&atilde;o, a incapacidade para terminar tarefas, o nervosismo.</font></P>     <p><font size="3">Existe um teste conhecido como "Question&aacute;rio de conduta de Conners para pais", que consiste em uma s&eacute;rie de itens que os pais devem avaliar, sobre o comportamento de seus filhos,  marcando nas op&ccedil;&otilde;es: «nada», «pouco», «bastante» ou «muito». E, com as respostas, &eacute; calculado um &iacute;ndice de hiperatividade. Estes s&atilde;o os itens: 1. Ele &eacute; impulsivo, irrit&aacute;vel; 2. Chora muito 3. &Eacute; mais agitado do que o normal; 4. N&atilde;o pode ficar quieto/a; 5. &Eacute; destruidor (roupas, brinquedos, outros objetos); 6. N&atilde;o acaba as coisas que come&ccedil;a; 7. Se distrai facilmente, tem pouca aten&ccedil;&atilde;o; 8. Muda, bruscamente seu estado de &acirc;nimo; 9. Seus esfor&ccedil;os s&atilde;o facilmente frustrados; e 10. Frequentemente costuma perturbar outras crian&ccedil;as.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Responder «bastante» ou «muito» a v&aacute;rias dessas perguntas (que uma crian&ccedil;a seja agitada, que uma crian&ccedil;a seja dispersa, que para uma crian&ccedil;a seja dif&iacute;cil prestar aten&ccedil;&atilde;o...) n&atilde;o &eacute; um crit&eacute;rio para diagnosticar esse suposto transtorno... praticamente &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia! Sobretudo no caso das crian&ccedil;as mais novas. E h&aacute; condutas que s&atilde;o caracter&iacute;sticas da inf&acirc;ncia: que uma crian&ccedil;a n&atilde;o termine o que come&ccedil;a, que se distrai facilmente... Por sinal, h&aacute; um question&aacute;rio muito semelhante para os professores. Mas nem os pais nem os professores podem fazer tais diagn&oacute;sticos pois n&atilde;o est&atilde;o treinados para isso, e nem podem faz&ecirc;&#45;lo porque s&atilde;o observadores implicados com essas crian&ccedil;as. Al&eacute;m disso temos que considerar a afirma&ccedil;&atilde;o que todo observador est&aacute; comprometido com o que observa e que isso acaba interferindo na pr&oacute;pria observa&ccedil;&atilde;o,  e os pais e professores est&atilde;o particularmente envolvidos na problem&aacute;tica da crian&ccedil;a, pelo que n&atilde;o podem ser "objetivos"(1). Ao mesmo tempo o question&aacute;rio utilizado, geralmente, est&aacute; cheio de termos vagos e imprecisos (por exemplo, o que &eacute; "inquieto" para algu&eacute;m pode n&atilde;o ser para o outro). Isso indica que &eacute; imposs&iacute;vel realizar um diagn&oacute;stico de um jeito r&aacute;pido e sem levar em conta a produ&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a nas entrevistas.</font></P>     <p><font size="3">Realmente nos surpreende que as crian&ccedil;as de tr&ecirc;s ou quatro anos sejam agitadas ou que n&atilde;o queiram terminar muitas tarefas? Como elas deveriam ser? &Eacute; bom que uma crian&ccedil;a nessa idade seja inquieta, que fique absorto nas suas coisas, que proteste se n&atilde;o quiser fazer algo, que esteja experimentando, que esteja procurando seus limites... Desde quando uma crian&ccedil;a que n&atilde;o presta aten&ccedil;&atilde;o tem uma doen&ccedil;a neurol&oacute;gica?</font></P>     <p><font size="3"><B>DOEN&Ccedil;A FICT&Iacute;CIA? </b>Como eu disse, acredito que o TDAH n&atilde;o existe como tal. E n&atilde;o s&oacute; eu,  mas  muitos profissionais da sa&uacute;de mental tamb&eacute;m pensam assim. Agora se sabe que o psiquiatra Leon Eisenberg, que descobriu o transtorno de d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o e hiperatividade, confessou, sete meses antes de sua morte em 2009, que trata&#45;se de "uma doen&ccedil;a fict&iacute;cia".</font></P>     <p><font size="3">A grande maioria das crian&ccedil;as, por defini&ccedil;&atilde;o, &eacute; agitada, luta para terminar uma tarefa porque elas se distraem com outras, querem fazer o que lhes apetecer ... Mas se diz que n&atilde;o, que essas crian&ccedil;as sofrem de TDAH,  sendo tratadas como se tivessem um transtorno neurol&oacute;gico de origem gen&eacute;tica. &Eacute; dito que a causa fundamental do transtorno est&aacute; na biologia (embora tamb&eacute;m se fale de fatores ambientais), em altera&ccedil;&otilde;es cerebrais e, consequentemente, s&atilde;o vendidos comprimidos para combat&ecirc;&#45;lo.</font></P>     <p><font size="3">Esses comprimidos cont&ecirc;m, como ingredientes ativos, metilfenidato ou atomoxetina. Ambos s&atilde;o tipos de anfetaminas, porque estas, apesar de serem psicoestimulantes, t&ecirc;m o efeito paradoxal de acalmar as crian&ccedil;as. Como eu vejo nas minhas consultas, as crian&ccedil;as diagnosticadas com TDAH que tomam medicamentos, muitas vezes est&atilde;o sonolentas e t&ecirc;m problemas em mostrar interesse pelas coisas.</font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, como tenho assinalado, n&atilde;o &eacute; verdade que a raz&atilde;o pela qual as crian&ccedil;as s&atilde;o especialmente agitadas ou dispersas esteja em altera&ccedil;&otilde;es cerebrais. Devemos estar cientes de que os medicamentos prescritos para o TDAH podem ter graves efeitos colaterais. Por exemplo, de acordo com a Ag&ecirc;ncia Espanhola de Medicamentos e Produtos de Sanit&aacute;rios, o uso de medicamentos cujo ingrediente ativo &eacute; o metilfenidato "pode estar associado a altera&ccedil;&otilde;es cardiovasculares e psiqui&aacute;tricas".</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a19img01.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>MEDICAMENTOS DE ALTO RISCO </b>Sobre as anfetaminas em geral, foram proibidas em alguns pa&iacute;ses (como no Canad&aacute;), al&eacute;m de serem conhecidas pelo seu potencial de depend&ecirc;ncia.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em diferentes trabalhos, com respeito ao metilfenidato, afirma&#45;se que n&atilde;o pode ser dado a crian&ccedil;as com menos de seis anos; n&atilde;o &eacute; recomendado no caso de crian&ccedil;as com tiques (S&iacute;ndrome de Tourette); &eacute; arriscado no caso de crian&ccedil;as psic&oacute;ticas, porque aumentam os sintomas; deriva com o tempo em retardo do crescimento; pode causar ins&ocirc;nia e anorexia; pode diminuir o umbral convulsivo em pacientes com hist&oacute;ria de convuls&otilde;es ou com EEG anormal sem ataques.</font></P>     <p><font size="3">Com rela&ccedil;&atilde;o aos dados sobre atomoxetina, pode produzir mudan&ccedil;as clinicamente importantes na press&atilde;o arterial e na frequ&ecirc;ncia card&iacute;aca. Al&eacute;m disso, pode causar perda de peso e resultar em crescimento atrofiado, s&iacute;ndromes gripais, v&ocirc;mitos e perda de apetite.</font></P>     <p><font size="3">Tamb&eacute;m, &eacute; importante perguntar se a medica&ccedil;&atilde;o administrada para produzir efeitos de modo imediato (de forma m&aacute;gica, sem elabora&ccedil;&atilde;o pelo sujeito), sendo necess&aacute;ria por um longo tempo, n&atilde;o provoca depend&ecirc;ncia ps&iacute;quica. Uma p&iacute;lula que modifica atitudes vitais gera apenas um "bom desempenho"?</font></P>     <p><font size="3">As empresas farmac&ecirc;uticas realizam uma s&eacute;rie de estrat&eacute;gias inteligentes para vender seus produtos. Uma delas &eacute; a <I>diseasemongering </I>(promo&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as), que cria condi&ccedil;&otilde;es adequadas para seus alvos comerciais. H&aacute; equipes das ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas que v&atilde;o &agrave;s escolas para falar sobre supostas doen&ccedil;as, como o TDAH, e h&aacute; um empenho para que sejam publicados apenas os estudos cl&iacute;nicos que suportam os seus interesses. Outras vezes, os dados s&atilde;o distorcidos e m&eacute;dicos eminentes defendem os benef&iacute;cios de determinados medicamentos... Tudo &eacute; feito com o objetivo de vender medicamentos que, muitas vezes, s&atilde;o, no m&iacute;nimo, desnecess&aacute;rios.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a19img02.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>CRIAN&Ccedil;AS HIPERESTIMULADAS </b>Claro que existem crian&ccedil;as que s&atilde;o mais agitadas, dispersas e impulsivas (os tr&ecirc;s principais sintomas do suposto TDAH) do que outras. Crian&ccedil;as que, para sua idade, j&aacute; teriam que estar um pouco mais tranquilas e deveriam se concentrar melhor. Insisto, &eacute; normal que uma crian&ccedil;a de tr&ecirc;s ou quatro anos seja agitada, impulsiva, dispersa. E, &eacute; verdade, que as crian&ccedil;as com mais de cinco ou seis anos j&aacute; n&atilde;o teriam que ser t&atilde;o impulsivas e deveriam se concentrar nas tarefas que realizam. Mas o problema n&atilde;o tem uma origem cerebral. S&atilde;o agitadas, dispersas e impulsivas porque vivemos numa sociedade agitada, dispersa e impulsiva. Uma sociedade de ritmo acelerado onde as crian&ccedil;as levam uma vida agitada e est&atilde;o hiperestimuladas (televis&atilde;o, internet, jogos eletr&ocirc;nicos) e onde muitos pais n&atilde;o colocam limites adequados para os seus filhos. Estes s&atilde;o os fatores que explicam porque, cada vez mais, existem crian&ccedil;as agitadas.</font></P>     <p><font size="3">Pais sem limites, pais deprimidos, professores sobrecarregados pelas demandas, um ambiente em que a palavra tem perdido o valor e no qual as regras, de modo geral, s&atilde;o confusas. Tudo isso n&atilde;o aumenta a dificuldade em prestar aten&ccedil;&atilde;o na aula, por exemplo?</font></P>     <p><font size="3">Tamb&eacute;m &eacute; preciso que seja considerada a grande contradi&ccedil;&atilde;o que se origina entre uma realidade de est&iacute;mulos, de tempos breves e r&aacute;pidos da televis&atilde;o e do computador, aos quais as crian&ccedil;as s&atilde;o acostumadas desde cedo, onde as mensagens geralmente duram poucos segundos e onde predomina o campo visual, e os tempos mais longos do ensino, centrados na leitura e na escrita, aos quais as crian&ccedil;as n&atilde;o est&atilde;o acostumadas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Para mim (e para muitos profissionais da sa&uacute;de mental) o TDAH n&atilde;o existe. Portanto, n&atilde;o recomendo, obviamente, medicar as crian&ccedil;as que s&atilde;o diagnosticadas com essa suposta doen&ccedil;a. Assim, talvez o melhor que se possa fazer &eacute; ir a um psic&oacute;logo cl&iacute;nico ou psicanalista e aprender a estabelecer limites.</font></P>     <p><font size="3">As crian&ccedil;as agitadas podem ser assim por diferentes motivos. O principal, como eu disse, &eacute; a falta de limites. Mas pode haver outros motivos, como o enfrentamento de ass&eacute;dio escolar, e por isso elas ficam muito nervosas. Ou que a m&atilde;e (ou a pessoa que realiza a fun&ccedil;&atilde;o materna) esteja deprimida e a crian&ccedil;a precisa se movimentar para coloc&aacute;&#45;la em movimento.</font></P>     <p><font size="3">Um caso muito t&iacute;pico &eacute; o da crian&ccedil;a que vive perturbada porque seus pais est&atilde;o prestes a se separar. A crian&ccedil;a est&aacute; nervosa, teme o que poder&aacute; acontecer e tem dificuldade de se concentrar, est&aacute; mais irrit&aacute;vel, fica brava com outras crian&ccedil;as. E &eacute; f&aacute;cil de ser diagnosticado como TDAH. Outro caso t&iacute;pico &eacute; o da crian&ccedil;a muito agitada que est&aacute; procurando chamar a aten&ccedil;&atilde;o porque sente que seus pais n&atilde;o lhe dedicam aten&ccedil;&atilde;o suficiente. Ou a crian&ccedil;a que tem p&acirc;nico de se separar de seus pais e, portanto, est&aacute; frequentemente nervosa. Como se pode dar derivados de anfetaminas a essas crian&ccedil;as? Onde vamos parar? Uma crian&ccedil;a muito agitada, dispersa e impulsiva &eacute; como um adulto que tem dor de cabe&ccedil;a com frequ&ecirc;ncia. O que vai fazer esse adulto? Tomar um analg&eacute;sico todos os dias?</font></P>     <p><font size="3">Sem contar que a mensagem que est&aacute; sendo transmitida no ato de dar uma subst&acirc;ncia externa para produzir um efeito ps&iacute;quico determinado pode levar as crian&ccedil;as a serem adolescentes  que nos digam que v&atilde;o tomar uma s&eacute;rie de drogas ou &aacute;lcool para "passar melhor a noite". </font></P>     <p><font size="3">Uma das queixas dos pais cujos filhos s&atilde;o diagnosticados com TDAH &eacute; que eles n&atilde;o prestam aten&ccedil;&atilde;o neles. Mas conseguir a aten&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as est&aacute; relacionado, muitas vezes, com a vontade para isso. Se os pais n&atilde;o podem ou n&atilde;o querem dar aten&ccedil;&atilde;o suficiente a seus filhos, como esperar que a crian&ccedil;a esteja atenta?</font></P>     <p><font size="3">Por outro lado, h&aacute; crian&ccedil;as que se mexem muito quando est&atilde;o com fome, frio ou sono, por exemplo. Eles se mexem porque eles est&atilde;o nervosos. &Eacute; uma rea&ccedil;&atilde;o normal. Mas n&atilde;o tem nenhum transtorno neurol&oacute;gico, simplesmente ainda n&atilde;o aprenderam a se controlar quando eles est&atilde;o desconfort&aacute;veis por algum motivo. Os pais t&ecirc;m que ensinar seus filhos a esperar com calma quando est&atilde;o com fome, em vez de lhes dar rapidamente a primeira coisa que pegam da geladeira; tem que relaxar o filho para que ele adorme&ccedil;a...</font></P>     <p><font size="3">Limites e calma s&atilde;o as duas das melhores estrat&eacute;gias para que as crian&ccedil;as muito agitadas n&atilde;o sejam desse jeito. Algo muito dif&iacute;cil em uma sociedade que &eacute; acelerada.</font></P>     <p><font size="3">Por que muitos professores tendem a suspeitar que uma crian&ccedil;a tem TDAH? Porque cada vez mais as crian&ccedil;as s&atilde;o dif&iacute;ceis de controlar nas salas de aula, &eacute; verdade. Mas como podemos pedir &agrave;s crian&ccedil;as, que n&atilde;o t&ecirc;m os limites apropriados em casa e que est&atilde;o acostumados a se hiperestimular jogando duas horas por dia de um jogo de guerra com o computador, que passem oito horas sentados ouvindo um professor?</font></P>     <p><font size="3">Tamb&eacute;m acho que h&aacute; um problema de autoridade. Muitos professores n&atilde;o conseguem ter a autoridade para controlar seus alunos. E &eacute; melhor pensar que o problema de a crian&ccedil;a estar fora de controle est&aacute; no c&eacute;rebro deste, e n&atilde;o na sociedade que n&atilde;o est&aacute; ajudando aos professores a exercer autoridade.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; necess&aacute;rio que a educa&ccedil;&atilde;o e seus trabalhadores tenham mais prest&iacute;gio. At&eacute; recentemente, estudar magist&eacute;rio era algo valorizado pela sociedade. Hoje, h&aacute; pais que falam mal dos professores, mesmo na frente de seus filhos. Nas portas das escolas, muitos pais dizem "olhe este sujeito que tem tr&ecirc;s meses de f&eacute;rias". Como as crian&ccedil;as v&atilde;o prestar aten&ccedil;&atilde;o e respeitar os seus professores se os pais falam mal deles, se n&atilde;o os respeitam?</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">N&atilde;o se valoriza a profiss&atilde;o do professor como se deve. A sociedade deveria ser mais justa com os professores, porque as crian&ccedil;as passam grande parte de sua vida com eles. E o papel do professor vai muito al&eacute;m de ensinar a tabuada.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><I><b>Joseph Knobel Freud</b> &eacute; psic&oacute;logo especialista em psicologia cl&iacute;nica. Membro fundador e docente da Escola de Cl&iacute;nica Psicoanal&iacute;tica com Crian&ccedil;as e Adolescentes de Barcelona e vice&#45;presidente da Se</i>&ccedil;&atilde;o<I> de Crian&ccedil;as e Adolescentes da Federa</I>&ccedil;&atilde;o<I> Espanhola de Associa</I>&ccedil;&otilde;es<I> de Psicoterapeutas (Feap).</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTA E BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <p><font size="3">1. No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, o f&iacute;sico Heisenberg prop&ocirc;s que o observador &eacute; parte do sistema.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Flavigny, C. (2004) "Psychodynamique de l'instabilit&eacute;infantile". In: M&eacute;n&eacute;chal, Jean y otros, <I>L'hiperactivit&eacute;infantile. D&eacute;bats et enjeux</I>, Dunod, Paris, cap 6, p&aacute;g 81&#45;104.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Frizzera, O.; Heuser, C (2004) "El ni&ntilde;o desatento e inquieto em la escuela". In: Janin, B.; Frizzera, O.; Heuser, C.; Rojas, M. C.; Tallis, J.; Untoiglich, G.: <I>Ni&ntilde;os desatentos e hiperactivos. Reflexiones cr&iacute;ticas acerca del trastorno por d&eacute;ficit de atenci&oacute;n con o sin hiperactividad</I>, Novedades Educativas, Buenos Aires, cap 6.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">Harrison, C.; Sofronoff, K. "ADHD and parental psychological distress: role of demographics, child behavioral characteristics, and parental cognitions". <I>Journal of the American Academy of Child &amp; Adolescent Psychiatry</I>. 41(6):703&#45;711, June 2002.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Janin, B. (2000b) "Sindrome de ADD?". <I>Cuestiones de Infancia Nº 5.</I>, Buenos Aires, FauEdit.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Janin, B. (2002a) "Fracaso escolar por dificultades en la atenci&oacute;n o la falta de memoria?". In: <I>Ensayos y Experiencias nº 43</I>, Buenos Aires, Novedades Educativas.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Janin, B. (2002b) "Las marcas de la violencia. Los efectos del maltrato en la estructuraci&oacute;n subjetiva". <I>Cuadernos de Psiquiatr&iacute;a y Psicoterapia del Ni&ntilde;o y del Adolescente nº33/34</I>, Bilbao.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Janin, B. (2004) "A qu&eacute; atienden los ni&ntilde;os desatentos?", "Un ni&ntilde;o que se mueve demasiado". In: Janin B.; Frizzera O.; Heuser C.; Rojas M. C.; Tallis J.; Untoiglich G. <I>Ni&ntilde;os desatentos e hiperactivos. Reflexiones cr&iacute;ticas acerca del trastorno por d&eacute;ficit de atenci&oacute;n con o sin hiperactividad</I>, Novedades Educativas, Buenos Aires, cap. 2 y 3.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">Lebovici, S.; Diatkine, R.; Soul&eacute;, M. (1989) <I>Tratado de Psiquiatr&iacute;a del Ni&ntilde;o y del Adolescente</I>, Madrid, Biblioteca Nueva.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Roudinesco, &Eacute;. (2000) <I>Por qu&eacute; el psicoan&aacute;lisis?</I>, Buenos Aires, Paid&oacute;s.    </font></P>      ]]></body><back>
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