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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> CAMPOS SULINOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Plan&iacute;cies recheadas de biodiversidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ra&iacute;ssa de Deus Genro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Grandes extens&otilde;es de terras planas ou levemente onduladas, com arbustos baixos e vegeta&ccedil;&atilde;o rasteira. Esta &eacute; a principal caracter&iacute;stica dos campos sulinos, localizados no bioma Pampa, na por&ccedil;&atilde;o sul e oeste do Rio Grande do Sul, e nas partes mais altas do planalto sul-brasileiro, onde predomina o bioma Mata Atl&acirc;ntica. Os campos sulinos s&atilde;o ecossistemas naturais, ou seja, eles j&aacute; existiam na regi&atilde;o sul do Brasil muito antes da expans&atilde;o das forma&ccedil;&otilde;es florestais. Atualmente, por&eacute;m, enfrentam grande degrada&ccedil;&atilde;o em virtude da expans&atilde;o da monocultura da soja e da silvicultura. Conforme levantamentos do ge&oacute;grafo Henrich Hasenack, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, as perdas j&aacute; s&atilde;o de 60%.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CAMPOS F&Eacute;RTEIS EM BIODIVERSIDADE </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aparente monotonia das plan&iacute;cies contrasta com os altos &iacute;ndices de biodiversidade: considerando os 174 mil quil&ocirc;metros quadrados de campos originais no estado do Rio Grande do Sul, existem 2,6 mil tipos de plantas vasculares (que possuem tecidos especializados para transportar o alimento para as c&eacute;lulas). Outra caracter&iacute;stica marcante dos campos sulinos &eacute; o alto grau de endemismo (quando uma esp&eacute;cie ocorre em uma &aacute;rea geogr&aacute;fica &uacute;nica) da flora da regi&atilde;o: cerca de 500 plantas s&atilde;o end&ecirc;micas, ou seja, crescem  somente no Rio Grande do Sul. O alto grau de biodiversidade e de endemismo s&atilde;o resultado da combina&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncias das florestas tropicais, situadas no Brasil Central, e das floras temperadas origin&aacute;rias do sul da Am&eacute;rica do Sul.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a05img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fauna dos campos sulinos tamb&eacute;m merece destaque: s&oacute; na parte brasileira (esse ecossistema se estende pelo Uruguai e Argentina) s&atilde;o conhecidas 480 variedades de aves e cerca de 90 de mam&iacute;feros. Al&eacute;m disso, mais de uma centena de aves e pelo menos 25 esp&eacute;cies de mam&iacute;feros est&atilde;o intimamente associados aos habitats campestres. Considerando tanto a parte brasileira do bioma Pampa como os campos do planalto sul brasileiro, s&atilde;o conhecidas 21 variedades end&ecirc;micas de vertebrados, n&uacute;mero que deve aumentar com novas descobertas. A maior parte desses endemismos &eacute; exclusiva dos campos plan&aacute;lticos do bioma Mata Atl&acirc;ntica, ocorrendo do nordeste do Rio Grande do Sul at&eacute; os campos gerais do Paran&aacute;. Os vertebrados end&ecirc;micos dos campos do sul do Brasil incluem cinco tipos de peixes, oito de sapos, r&atilde;s e pererecas, quatro de r&eacute;pteis (tr&ecirc;s serpentes e um lagarto), tr&ecirc;s de aves e uma de mam&iacute;fero.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SERVI&Ccedil;OS AMBIENTAIS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os campos sulinos prestam tamb&eacute;m importantes servi&ccedil;os ambientais: eles s&atilde;o a principal fonte forrageira para a atividade pastoril, um dos pilares da economia do Rio Grande do Sul; conservam recursos h&iacute;dricos superficiais e subterr&acirc;neos, al&eacute;m de oferecer beleza c&ecirc;nica com grande potencial tur&iacute;stico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para estudar esse ecossistema, e os servi&ccedil;os ambientais que ele oferece para o homem, foi criada em 2012 a Rede de Pesquisa Campos Sulinos, que tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) e &eacute; composta por mais de 20 institui&ccedil;&otilde;es do Rio Grande do Sul, Paran&aacute; e Santa Catarina. Entre as pesquisas realizadas est&atilde;o levantamentos de grupos de esp&eacute;cies, an&aacute;lise dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nos campos nativos, entre outras. Um desses estudos indicou, por exemplo, que manejos pastoris conservativos da biodiversidade aumentam a resili&ecirc;ncia dos ecossistemas campestres, contribuindo, assim, para a adapta&ccedil;&atilde;o dos sistemas produtivos pecu&aacute;rios &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a05img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PRINCIPAIS AMEA&Ccedil;AS</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir dos anos 1970, os campos de capim barba-de-bode do noroeste do estado do Rio Grande do Sul foram impactados pelas transforma&ccedil;&otilde;es no uso da terra, principalmente pelas lavouras de soja e trigo, que foram se estendendo por outras regi&otilde;es campestres do Rio Grande do Sul e hoje ocupam grande parte da regi&atilde;o. Ao todo, 32 esp&eacute;cies de animais e plantas amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito regional, nacional e/ou mundial dependem dos ambientes campestres para a sua sobreviv&ecirc;ncia (ou dos mosaicos de campos florestais) como o veado-campeiro, lobo-guar&aacute; e a &aacute;guia-cinzenta do char&atilde;o. A silvicultura, com plantio de eucalipto, pinus e ac&aacute;cia-negra (ainda que em menor extens&atilde;o) tem causado grandes transforma&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o. O plantio de eucalipto, especialmente a partir de 2005, passou a ocupar o espa&ccedil;o dos campos e, sobretudo, da pecu&aacute;ria, em regi&otilde;es com solo e clima menos favor&aacute;veis a uma agricultura com lavouras anuais, mas bastante adequadas para a silvicultura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>QUEIMADAS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A din&acirc;mica natural dos campos sulinos est&aacute; ligada &agrave; ocorr&ecirc;ncia de pastejo animal e fogo. Avalia&ccedil;&otilde;es sobre esses dist&uacute;rbios mostraram que sua aus&ecirc;ncia reduz a diversidade de esp&eacute;cies vegetais. Eles s&atilde;o essenciais para a conserva&ccedil;&atilde;o. Existe, por&eacute;m, uma rela&ccedil;&atilde;o inversa entre a intensidade de pastejo e a frequ&ecirc;ncia de queimadas: onde o pastejo &eacute; suprimido, a vegeta&ccedil;&atilde;o se torna mais inflam&aacute;vel e as queimadas tendem a apresentar maior extens&atilde;o e intensidade. Por outro lado, &aacute;reas manejadas adequadamente com pastejo s&atilde;o menos inflam&aacute;veis. O uso pastoril com manejo adequado pode ser produtivo e manter a integridade dos ecossistemas campestres e demais servi&ccedil;os ambientais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A&Ccedil;&Otilde;ES PARA EVITAR EXTIN&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Val&eacute;rio Pillar, coordenador da Rede Campos Sulinos e professor do Centro de Ecologia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para garantir a conserva&ccedil;&atilde;o desse importante ecossistema, &eacute; urgente cumprir a o C&oacute;digo Florestal brasileiro (Lei 12.651/2012), com a delimita&ccedil;&atilde;o dos remanescentes e &aacute;reas consolidadas dos campos sulinos. &Eacute; preciso tamb&eacute;m exigir autoriza&ccedil;&atilde;o e fiscalizar a supress&atilde;o de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa (Artigo 26 do C&oacute;digo), bem como convencer os propriet&aacute;rios e gestores p&uacute;blicos de que o manejo pastoril da reserva legal de vegeta&ccedil;&atilde;o campestre &eacute; essencial para conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade. Outro ponto destacado pelo pesquisador &eacute; a necessidade de tornar a atividade pecu&aacute;ria nos campos sulinos mais competitiva e atraente em rela&ccedil;&atilde;o a outras op&ccedil;&otilde;es de uso da terra. Segundo ele, isso pode ser feito com manejo pastoril adequado (ajuste de carga animal, manejo em rota&ccedil;&atilde;o), que resultaria em aumento da produtividade. "O Estado precisa incentivar atividades econ&ocirc;micas que conservem os campos e, ao mesmo tempo, penalizar as que causam a degrada&ccedil;&atilde;o dessas paisagens", finaliza Val&eacute;rio Pillar.</font></p>      ]]></body>
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