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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Turquia inaugura maior túnel submerso do mundo; Brasil também terá o seu, ligando Santos ao Guarujá no litoral paulista]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> ENGENHARIA CIVIL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Turquia inaugura maior t&uacute;nel submerso do   mundo; Brasil tamb&eacute;m ter&aacute; o seu, ligando   Santos ao Guaruj&aacute; no litoral paulista</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a08img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13,6 km de comprimento, 3 bilh&otilde;es   de euros de investimento e 150   anos de planejamento. Estes s&atilde;o   os impressionantes n&uacute;meros do   Marmaray, o t&uacute;nel submerso que   liga a Europa &agrave; &Aacute;sia numa viagem   de apenas quatro minutos. Apesar   de t&uacute;neis submersos n&atilde;o serem   mais novidade, este &eacute; o primeiro do   mundo que liga dois continentes:   ele atravessa o Estreito do B&oacute;sforo,   unindo as partes europeia e asi&aacute;tica de Istambul (Turquia). &Eacute; tamb&eacute;m o mais profundo: em alguns trechos, o t&uacute;nel chega a 62 metros abaixo da superf&iacute;cie. O Marmaray foi inaugurado em 29 outubro de 2013 depois de 150 anos de ter sido sonhado e planejado por v&aacute;rios governantes turcos. A ideia do t&uacute;nel submerso nasceu em 1860, quando um sult&atilde;o prop&ocirc;s uma passagem sob a &aacute;gua ligando o territ&oacute;rio europeu ao asi&aacute;tico em Istambul, na tentativa de transformar a cidade num centro internacional. Por&eacute;m limita&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e financeiras impediram a constru&ccedil;&atilde;o. O projeto voltou a ser cogitado em 1990 devido &agrave; explos&atilde;o demogr&aacute;fica em Istambul, mas as obras s&oacute; come&ccedil;aram mesmo em 2004, quando o governo turco conseguiu financiamento. "O sonho de v&aacute;rios s&eacute;culos se tornou realidade", declarou o primeiro ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, durante a cerim&ocirc;nia oficial de inaugura&ccedil;&atilde;o. O empreendimento, contudo, ainda n&atilde;o opera com 100% de sua capacidade. A previs&atilde;o &eacute; de que isso ocorra em 2015, e a expectativa &eacute; que o t&uacute;nel transporte at&eacute; 1,5 milh&atilde;o de passageiros por dia e reduza em pelo menos 20% o fluxo de tr&acirc;nsito de Istambul, especialmente sobre as duas pontes que atravessam o B&oacute;sforo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ANTI-TERREMOTO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Marmaray &eacute; um t&uacute;nel com duplo tubo submerso e foi desenhado para resistir a terremotos de at&eacute; 9 graus. Isso porque ele se encontra a apenas 20 km da Falha do Norte da Anat&oacute;lia, regi&atilde;o com forte atividade s&iacute;smica. Para garantir a seguran&ccedil;a, foram feitos estudos minuciosos que recolheram dados geol&oacute;gicos, geof&iacute;sicos, hidrogr&aacute;ficos e meteorol&oacute;gicos. Especialistas do Jap&atilde;o e dos Estados Unidos participaram do projeto. Para resistir aos abalos s&iacute;smicos, a uni&atilde;o dos segmentos foi feita com estruturas de borracha, que impedem a entrada de &aacute;gua e garantem a flexibilidade necess&aacute;ria durante os terremotos. O t&uacute;nel tamb&eacute;m possui engrenagens das comportas que podem vedar cada trecho. Al&eacute;m disso, seus segmentos met&aacute;licos s&atilde;o montados dentro de uma canaleta de nove metros de profundidade, que faz parte de uma base de concreto com 16 metros de altura. O t&uacute;nel possui 1,4 km submersos a mais de 50 metros da superf&iacute;cie. A &aacute;rea do t&uacute;nel que fica embaixo d'&aacute;gua foi montada em terra: s&atilde;o 11 segmentos met&aacute;licos, de 135 metros de comprimento cada um.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REL&Iacute;QUIAS HIST&Oacute;RICAS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constru&ccedil;&atilde;o do Marmaray come&ccedil;ou em 2004, mas sofreu um atraso de quatro anos. Durante as escava&ccedil;&otilde;es da esta&ccedil;&atilde;o de Yenikapi, no lado europeu de Istambul, foi encontrado um verdadeiro tesouro arqueol&oacute;gico dos per&iacute;odos neol&iacute;tico, bizantino e otomano. Mais de 40 mil objetos sa&iacute;ram dessas escava&ccedil;&otilde;es. Entre as rel&iacute;quias, foram encontrados, em bom estado de conserva&ccedil;&atilde;o, mais de 30 navios bizantinos dos s&eacute;culos 6 ao 11 - a maior frota medieval conhecida. Entre eles, provavelmente est&atilde;o os barcos de guerra mais antigos j&aacute; resgatados. Tamb&eacute;m foi encontrada uma tumba neol&iacute;tica de 8, 5 mil anos que cont&eacute;m os restos humanos mais antigos achados at&eacute; hoje. Sand&aacute;lias de madeira dos navegantes, suportes para incenso, &acirc;nforas, est&aacute;tuas, &acirc;ncoras e outras pe&ccedil;as completam o tesouro arqueol&oacute;gico. Devido &agrave; import&acirc;ncia do legado hist&oacute;rico, o projeto possuiu dois historiadores para certificar as descobertas arqueol&oacute;gicas e cuidar de sua preserva&ccedil;&atilde;o. Os achados, que a Unesco j&aacute; classificou como patrim&ocirc;nio da humanidade, ficar&atilde;o expostos nas esta&ccedil;&otilde;es &agrave; entrada e sa&iacute;da do t&uacute;nel e em um museu que deve ser constru&iacute;do futuramente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EXPERI&Ecirc;NCIA BRASILEIRA </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil tamb&eacute;m tem o ambicioso projeto de construir o seu primeiro t&uacute;nel submerso. O Submerso, nome do t&uacute;nel que vai ligar Santos ao Guaruj&aacute;, em S&atilde;o Paulo, deve come&ccedil;ar a ser constru&iacute;do em julho deste ano. A previs&atilde;o &eacute; que as obras durem tr&ecirc;s anos. Atualmente, a liga&ccedil;&atilde;o entre Santos e Guaruj&aacute; &eacute; feita pela rodovia C&ocirc;nego Domenico Rangoni, que tem 43 km de extens&atilde;o, e pelas balsas da Dersa, que levam em m&eacute;dia 18 minutos para concluir a travessia e atendem cerca de 20 mil carros por dia. Com o t&uacute;nel, a travessia passar&aacute; a ser feita em apenas dois minutos. Isso acarretar&aacute; uma economia de 2,5 milh&otilde;es de horas por ano gastas no tr&acirc;nsito. Al&eacute;m do trajeto mais r&aacute;pido, a expectativa &eacute; que o t&uacute;nel diminua consideravelmente o tr&aacute;fego intenso que h&aacute; nas travessias atuais. "O impacto econ&ocirc;mico ser&aacute; imenso. N&atilde;o ser&aacute; mais necess&aacute;rio esperar 30 minutos pela balsa, nem enfrentar congestionamento e filas intermin&aacute;veis nos hor&aacute;rios de pico. E isso se reflete tamb&eacute;m na qualidade de vida, com um impacto social e econ&ocirc;mico positivo", explica Tarc&iacute;sio Barreto Celestino, professor da Escola de Engenharia de S&atilde;o Carlos, da USP, e vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de T&uacute;neis e Espa&ccedil;o Subterr&acirc;neo (ITA).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O projeto inicial era construir uma ponte entre Santos e Guaruj&aacute;. No entanto, ele se mostrou invi&aacute;vel porque a ponta teria que ter ao menos 85 metros de altura para permitir a passagem de grandes embarca&ccedil;&otilde;es em dire&ccedil;&atilde;o ao porto, ao mesmo tempo em que n&atilde;o poderia ultrapassar os 75 metros de comprimento para n&atilde;o interferir no espa&ccedil;o da base a&eacute;rea de Santos. A constru&ccedil;&atilde;o de um t&uacute;nel escavado tamb&eacute;m foi descartada, pois as condi&ccedil;&otilde;es geol&oacute;gicas da regi&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o favor&aacute;veis. "Uma ponte teria que ser muito alta e longa. Um t&uacute;nel escavado teria que ser muito profundo. Essas obras causariam um impacto urban&iacute;stico e econ&ocirc;mico maior. Por isso o t&uacute;nel submerso &eacute; a melhor solu&ccedil;&atilde;o", aponta Celestino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIO TECNOL&Oacute;GICO </b>O t&uacute;nel ter&aacute; 762 metros de extens&atilde;o, 950 metros de rampas e ser&aacute; constru&iacute;do a 21 metros de profundidade. O Submerso vai ter tr&ecirc;s faixas de rolamento em cada sentido e uma galeria de circula&ccedil;&atilde;o para pedestres e ciclistas. O or&ccedil;amento total do empreendimento &eacute; de R$ 2,4 bilh&otilde;es. Seis m&oacute;dulos de concreto, que ser&atilde;o constru&iacute;dos em terra e depois submersos, compor&atilde;o o t&uacute;nel. Para garantir a estanqueidade dos m&oacute;dulos, os materiais empregados no concreto passar&atilde;o por v&aacute;rios ensaios, para comprovar que sua qualidade obedece &agrave;s normas da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Normas T&eacute;cnicas (ABNT) e &agrave;s especifica&ccedil;&otilde;es de projeto. Para evitar a forma&ccedil;&atilde;o de microfissuras e impedir a infiltra&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua do mar, ser&aacute; utilizado concreto de alta resist&ecirc;ncia e impermeabilidade, que ser&aacute; refrigerado com a utiliza&ccedil;&atilde;o de gelo. Estuda-se a possibilidade do uso de serpentinas embutidas na massa para promover uma p&oacute;srefrigera&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as durante o processo de endurecimento e impedir a ocorr&ecirc;ncia de fissuras. A uni&atilde;o e estanqueidade entre os m&oacute;dulos ser&atilde;o efetuadas com pe&ccedil;as especiais e um sistema de dupla veda&ccedil;&atilde;o. "O Brasil nunca fez uma obra como essa antes. T&uacute;neis submersos s&atilde;o muito comuns no norte da Europa, nos Estados Unidos e no Jap&atilde;o. Cuba e Argentina tamb&eacute;m t&ecirc;m t&uacute;neis submersos. Mas n&oacute;s nunca fizemos um antes", diz Celestino. Por isso, a empresa holandesa Haskoning Nederland B.V., respons&aacute;vel por projetos similares em v&aacute;rios pa&iacute;ses, dar&aacute; consultoria &agrave; obra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a08img02.jpg" ></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>GANHOS E PERDAS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O t&uacute;nel far&aacute; a liga&ccedil;&atilde;o entre o cais de Outerinhos, no bairro do Macuco, em Santos, e o Linh&atilde;o da Codesp, no bairro de Vicente de Carvalho, no Guaruj&aacute;. O local foi escolhido ap&oacute;s um estudo que apontou ser essa a regi&atilde;o que gerar&aacute; o maior n&uacute;mero de benef&iacute;cios, atendendo demandas de autom&oacute;veis, caminh&otilde;es, &ocirc;nibus, bicicletas e pedestres. O projeto tamb&eacute;m permitir&aacute; a passagem de um ve&iacute;culo leve sobre trilhos (VLT) e dar&aacute; acesso ao futuro aeroporto metropolitano e ao terminal rodovi&aacute;rio de Vicente de Carvalho. "O impacto ambiental tamb&eacute;m ser&aacute; positivo. Isso porque a emiss&atilde;o de poluentes dos carros nesse trajeto demorado &eacute; muito grande. Com a redu&ccedil;&atilde;o do tempo e do percurso, h&aacute; uma consequente redu&ccedil;&atilde;o de part&iacute;culas poluentes. Estudos apontam uma redu&ccedil;&atilde;o de 22% na emiss&atilde;o de di&oacute;xido de carbono, de 62% de material particulado e de 53% de sulfato at&eacute; 2020", aponta Celestino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a constru&ccedil;&atilde;o da obra, a estimativa do governo estadual &eacute; que at&eacute; 270 im&oacute;veis sejam desapropriados na &aacute;rea do Macuco, em Santos. No Guaruj&aacute;, a estimativa &eacute; de que sejam necess&aacute;rias at&eacute; 1.220 desapropria&ccedil;&otilde;es no distrito de Vicente de Carvalho. Com isso, quase quatro mil pessoas ter&atilde;o que deixar suas moradias. O governo deve gastar perto de R$ 362 milh&otilde;es em desapropria&ccedil;&otilde;es e reassentamentos.</font></p>      ]]></body>

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