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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Por uma análise social e política dos megaeventos esportivos no Brasil]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   FUTEBOL/ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Por uma an&aacute;lise social e pol&iacute;tica dos megaeventos esportivos no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Luiz Carlos Ribeiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como o pr&oacute;prio t&iacute;tulo anuncia, dada a complexidade do tema, a proposta &eacute; limitar a abordagem da realiza&ccedil;&atilde;o de megaeventos esportivos no Brasil a alguns aspectos pol&iacute;ticos. O debate no Brasil sobre as potencialidades do pa&iacute;s sediar megaeventos esportivos j&aacute; tem mais de uma d&eacute;cada. &Eacute; um tempo que coincide com o aumento vertiginoso da explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do chamado "movimento ol&iacute;mpico" e do <i>fair-play</i> do futebol, com a crescente internacionaliza&ccedil;&atilde;o da economia nacional, embora fundada em um fr&aacute;gil pacto social e pol&iacute;tico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos &uacute;ltimos anos houve algumas tentativas de cidades brasileiras sediarem os Jogos Ol&iacute;mpicos, como foi o caso do Rio de Janeiro em 2004 e 2012 e de Bras&iacute;lia em 2000. Mas &eacute; a partir da realiza&ccedil;&atilde;o no Rio de Janeiro dos Jogos Panamericanos, de 2007, e dos preparativos da campanha do Brasil para sediar a Copa da Fifa (F&eacute;d&eacute;ration Internationale de Football Association), de 2014, e os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, que a discuss&atilde;o sobre o interesse pol&iacute;tico e cultural, os impactos e os legados poss&iacute;veis de megaevento ganharam mais consist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de ent&atilde;o, diversas empresas p&uacute;blicas e privadas desenvolveram diagn&oacute;sticos e perspectivas. Consultores externos foram convocados, o sistema de televis&atilde;o e as empresas patrocinadoras dos eventos participaram na formaliza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias e log&iacute;sticas. Al&eacute;m, &eacute; claro, da dire&ccedil;&atilde;o das entidades internacionais organizadoras dos eventos, como a Fifa e sua filiada nacional, a Confedera&ccedil;&atilde;o Brasileira de Futebol (CBF), o Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional (COI) e o Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Local (COL).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, h&aacute; mais de um d&eacute;cada que, no Brasil, vem se constituindo, em torno desses eventos espec&iacute;ficos - a Copa da Fifa de 2014 e os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016 -, uma complexa rede de agentes e institui&ccedil;&otilde;es, envolvendo inst&acirc;ncias p&uacute;blicas e privadas, tendo se criado, com isso, uma importante massa cr&iacute;tica sobre megaeventos esportivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No plano internacional, desde os Jogos Ol&iacute;mpicos de Atenas (2004) e de Pequim (2008), e da Copa do Mundo de Futebol na &Aacute;frica do Sul, em 2010, por motivos econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos diferenciados, o business esportivo e as empresas de consultorias aprimoraram seus conhecimentos sobre impacto, viabilidades e organiza&ccedil;&atilde;o desses megaeventos. Essas edi&ccedil;&otilde;es esportivas citadas, seja por se encontrarem fora do eixo dos pa&iacute;ses da economia central, seja por conta de seus problemas pol&iacute;ticos e sociais internos, foram especialmente estudadas, pois eram vistas pelos organizadores e investidores como eventos de risco. Mais recentemente, pode-se incluir nessa lista os Jogos Ol&iacute;mpicos de Inverno, de 2014, realizados em Sochi, na R&uacute;ssia. De modo inverso e para ficar apenas com exemplos mais recentes, a Copa do Mundo de Futebol de 2006, na Alemanha, e os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2012, em Londres, s&atilde;o considerados paradigmas opostos aos exemplos acima. Em princ&iacute;pio, pelo seu perfil socioecon&ocirc;mico, o Brasil se localiza entre os pa&iacute;ses de risco elevado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Queremos dizer com isso que, apesar de ser pequena a experi&ecirc;ncia brasileira em organizar espet&aacute;culos esportivos dessa magnitude, os referenciais t&eacute;cnicos, econ&ocirc;micos ou pol&iacute;ticos para a realiza&ccedil;&atilde;o da Copa do Mundo e dos Jogos Ol&iacute;mpicos s&atilde;o, desde o in&iacute;cio dos anos 2000, de amplo conhecimento das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas do pa&iacute;s. E, de longa data, um conhecimento consolidado na literatura internacional, em especial entre as entidades organizadoras, investidores privados e consultores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; os dossi&ecirc;s das duas candidaturas, para a Copa e para os Jogos Ol&iacute;mpicos, revelavam um conhecimento t&eacute;cnico e pol&iacute;tico da complexidade que seria realizar esses eventos no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma refer&ecirc;ncia &eacute; o semin&aacute;rio "Legados de megaeventos esportivos", organizado em 2008 pelo Minist&eacute;rio do Esporte(1), quando diversos especialistas, nacionais e internacionais, tiveram participa&ccedil;&atilde;o. Destaca-se, por exemplo, a consultoria de Holger Preuss, da Johannes Gutenberg University of Mainz. Com &ecirc;nfase na an&aacute;lise acad&ecirc;mica e enfatizando o perigo de uma leitura emocional, questiona se "megaeventos esportivos s&atilde;o alternativas eficientes de investimento para recursos p&uacute;blicos escassos?" (2). Apesar de n&atilde;o faz&ecirc;-lo de forma direta, deixava claro a import&acirc;cia dos recursos p&uacute;blicos na realiza&ccedil;&atilde;o de megaeventos, assim como destacava o fator prioridade como crit&eacute;rio para se assumir tal empreendimento. Evidentemente que, naquela altura, quando a defini&ccedil;&atilde;o do Brasil como sede da Copa j&aacute; era oficial e a indica&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos era tida como certa, o conselho servia mais como alerta do que como crit&eacute;rio de escolha.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na mesma colet&acirc;nea, o artigo de Gavin Poyter, da Universidade East London, ao se dedicar &agrave; an&aacute;lise do processo de organiza&ccedil;&atilde;o dos Jogos de Londres, de 2012, fez uma longa an&aacute;lise dos impactos e legados, do conceito de planejamento e, em especial, dos riscos dos Jogos Ol&iacute;mpicos, desde Barcelona (1992) e, sobretudo, desde Pequim (2008) (3).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais recentemente, para subsidiar a an&aacute;lise dos impactos econ&ocirc;micos da Copa do Mundo, o governo federal encomendou estudos de empresas de consultoria, como a Value Partners, a Ernst &amp; Young Brasil e a FGV Projetos (4). Assim como diversos estudos de impactos foram realizados por empresas independentes, quase todos com exclusivo apelo para o mercado de investimentos econ&ocirc;mico (5).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que se observa nesses estudos &eacute; um predom&iacute;nio de um discurso pr&oacute;ximo ao marketing pol&iacute;tico, em detrimento de uma an&aacute;lise mais t&eacute;cnica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O cen&aacute;rio de refer&ecirc;ncia adotado neste estudo aponta que a Copa do Mundo de 2014 vai produzir um efeito cascata surpreendente nos investimentos realizados no pa&iacute;s. A economia deslanchar&aacute; como uma bola de neve, sendo capaz de quintuplicar o total de aportes aplicados diretamente na concretiza&ccedil;&atilde;o do evento e impactar diversos setores (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muito provavelmente, como se percebe hoje, a falta de an&aacute;lises mais t&eacute;cnicas &eacute; efetivamente uma estrat&eacute;gia de neg&oacute;cio. Ou seja, n&atilde;o h&aacute;, efetivamente, interesse em dizer tudo a respeito dos riscos - sobretudo para as popula&ccedil;&otilde;es locais mais pobres - de sustentabilidade econ&ocirc;mica e social do evento. Talvez por isso o discurso do ent&atilde;o ministro do Esporte, Orlando Silva, publicado na imprensa reproduz os mesmos argumentos ufanistas da consultoria:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Copa &eacute; excelente plataforma para a promo&ccedil;&atilde;o de nosso pa&iacute;s em &acirc;mbito global. O mundo ver&aacute; uma na&ccedil;&atilde;o moderna e inovadora. Uma democracia forte. Um lugar marcado pela diversidade, pela toler&acirc;ncia e pela cultura de paz. Uma na&ccedil;&atilde;o com economia complexa, est&aacute;vel, que permite desenvolvimento sustentado e forte pol&iacute;tica de inclus&atilde;o social e distribui&ccedil;&atilde;o de renda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(...)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Copa gera empregos. Estudo contratado pelo Minist&eacute;rio do Esporte estima que ser&atilde;o criados 330 mil empregos permanentes at&eacute; 2014 e que o evento produzir&aacute; outros 380 mil empregos tempor&aacute;rios (7).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estudos recentes v&ecirc;m demonstrando o quanto essas proje&ccedil;&otilde;es dos impactos econ&ocirc;micos e de gera&ccedil;&atilde;o de empregos foram superestimadas nesses relat&oacute;rios (8). Mas, de todo modo, s&atilde;o eles que passar&atilde;o a subsidiar os governos federal, estaduais e municipais, assim como os grandes investidores e as entidades organizadoras dos megaeventos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da inconsist&ecirc;ncia anal&iacute;tica, o relat&oacute;rio "Brasil sustent&aacute;vel", encomendado pelo governo federal, destaca como fator de risco a exist&ecirc;ncia, no Brasil, de uma "longa tradi&ccedil;&atilde;o de planejamento verticalizado", e de haver "pouca autonomia local, pouco <i>feedback</i> sobre a efic&aacute;cia e efici&ecirc;ncia das decis&otilde;es tomadas, e pouco controle sobre o alinhamento dos agentes respons&aacute;veis pelas pol&iacute;ticas estipuladas". Afirma ser essa pr&aacute;tica de interven&ccedil;&atilde;o "de cima para baixo" um "risco institucional", podendo simplesmente inviabilizar a realiza&ccedil;&atilde;o das interven&ccedil;&otilde;es urbanas desejadas (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dessas observa&ccedil;&otilde;es, o que se tem verificado &eacute; uma reduzida transpar&ecirc;ncia por parte dos agentes envolvidos. &Eacute; o que constata o trabalho de Melo-Gaffney na an&aacute;lise que fazem de <i>Cidade Ol&iacute;mpica</i>, p&aacute;gina eletr&ocirc;nica oficial dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, no Rio de Janeiro: "no lugar de dados mais espec&iacute;ficos sobre o or&ccedil;amento, encontra-se apenas uma descri&ccedil;&atilde;o ufanista dos itens relacionados". Em rela&ccedil;&atilde;o ao projeto "Porto maravilha", por exemplo, os autores destacam "a aus&ecirc;ncia das fontes que geraram estas informa&ccedil;&otilde;es, de refer&ecirc;ncias aos estudos que produziram os n&uacute;meros citados, o que, com certeza, n&atilde;o &eacute; condizente com um site dedicado &agrave; transpar&ecirc;ncia" (10). Objetivando conferir e atualizar a an&aacute;lise dos autores, visitei a p&aacute;gina mencionada e encontrei, agora em 2014, a mesma &ecirc;nfase discursiva e tamb&eacute;m a aus&ecirc;ncia de dados sobre o projeto. Encontrei apenas refer&ecirc;ncias gen&eacute;ricas sobre a interven&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica na regi&atilde;o: "O projeto, que &eacute; um dos mais importantes legados ol&iacute;mpicos, simboliza a retomada de uma &aacute;rea que &eacute; ber&ccedil;o cultural da cidade" (11). Parece se reproduzir nos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016 o que se verificou nos Jogos Panamericanos de 2007, ou seja, falta de transpar&ecirc;ncia que permita aos membros das comunidades, sobretudo as mais carentes, acesso a informa&ccedil;&otilde;es para que possam participar do reordenamento urbano e da defesa de seus interesses b&aacute;sicos de moradia, de mobilidade, entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mesmo vem acontecendo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da Copa. O descompromisso de alguns agentes com o "risco institucional" pode at&eacute; mesmo inviabilizar a realiza&ccedil;&atilde;o do evento em algumas cidades. Todos os doze est&aacute;dios, reformados, reconstru&iacute;dos ou constru&iacute;dos para receber os jogos da Copa tiveram seus valores absurdamente majorados. Revela-se agora, pelo menos em alguns casos, n&atilde;o apenas a falta de transpar&ecirc;ncia com rela&ccedil;&atilde;o aos custos, cronogramas das obras, fontes dos recursos etc, mas a inexist&ecirc;ncia de planilhas financeiras e cronograma de execu&ccedil;&otilde;es. A evid&ecirc;ncia disso, por exemplo, &eacute; a recomenda&ccedil;&atilde;o do Tribunal de Contas do Estado do Paran&aacute;, em relat&oacute;rio de fevereiro de 2014, de suspender o repasse de novos recursos &agrave; CAP S/A, empresa gestora das obras do Est&aacute;dio Joaquim Am&eacute;rico Guimar&atilde;es, sede da Copa do Mundo de Futebol em Curitiba. A alega&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o fiscalizador &eacute; a falta transpar&ecirc;ncia no fornecimento de informa&ccedil;&otilde;es sobre or&ccedil;amento, cronograma e justificativa para altera&ccedil;&otilde;es na execu&ccedil;&atilde;o do projeto (12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ou seja, apesar do consolidado conhecimento, tanto das entidades organizadoras da Copa e dos Jogos Ol&iacute;mpicos quanto das empresas multinacionais e suas consultorias, os fatores de impacto e de risco social e pol&iacute;tico do Brasil s&atilde;o ignorados ou minimizados nos estudos de viabilidade dos eventos e na pr&aacute;tica de suas realiza&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forma como o atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo, respondeu &agrave;s cr&iacute;ticas gerais &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da Copa, feitas pela m&iacute;dia, partidos de oposi&ccedil;&atilde;o e movimentos de rua, revela prepot&ecirc;ncia e despreparo do representante do governo federal. Primeiro, repete em 2013 o discurso ufanista e insustent&aacute;vel de 2010, preparado pelas consultorias e anunciado pelo seu predecessor:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As consultorias Ernst&amp;Young e Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas calculam que, entre 2010 e 2014, ser&atilde;o movimentados R$ 142,39 bilh&otilde;es adicionais na economia nacional. Para cada R$ 1 aplicado pelo setor p&uacute;blico, R$ 3,4 ser&atilde;o investidos pela iniciativa privada a partir das obras estruturantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dever&atilde;o ser gerados 3,6 milh&otilde;es de empregos - a popula&ccedil;&atilde;o do Uruguai. A arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos atingir&aacute; R$ 11 bilh&otilde;es e a popula&ccedil;&atilde;o vai auferir renda adicional de R$ 63,48 bilh&otilde;es apenas nesse quadri&ecirc;nio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo prospec&ccedil;&atilde;o da consultoria Value Partners, os investimentos v&atilde;o agregar R$ 183,2 bilh&otilde;es ao Produto Interno Bruto at&eacute; 2019. "Os efeitos na economia ser&atilde;o ainda mais fecundos se o Brasil ganhar a Copa. (...)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Afora os aspectos econ&ocirc;micos, a Copa do Mundo &eacute;, antes de tudo, uma contagiante festa esportiva que, ao realizar-se no Pa&iacute;s do Futebol, encontra o seu campo perfeito. O retumbante sucesso popular da Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es foi uma pr&eacute;via da jornada de 2014 (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao que parece o nosso ministro do Esporte n&atilde;o estava no Brasil em junho de 2013 (e tamb&eacute;m n&atilde;o leu os jornais), quando acontecia aqui o "retumbante sucesso" da Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es. Quando a sociedade esperava do dirigente uma an&aacute;lise com um m&iacute;nimo de responsabilidade social, com seriedade para responder pontualmente &agrave; s&eacute;rie de problemas que at&eacute; mesmo os dirigentes da Fifa apontaram, sua manifesta&ccedil;&atilde;o expressa absoluto enfado, n&atilde;o s&oacute; com rela&ccedil;&atilde;o aos custos de oportunidades sociais renunciadas a favor dos megaeventos esportivos, como ao risco de realiza&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio evento, como &eacute; o caso do est&aacute;dio de Curitiba, acima citado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao inv&eacute;s disso, o ministro preferiu nomear inimigos como quem aponta para "moinhos de vento":</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cr&iacute;ticas aperfei&ccedil;oam qualquer projeto, mas a diatribe s&oacute; atende &agrave; morbidez das cassandras. N&atilde;o &eacute; de hoje que viceja no Brasil um pessimismo voluptuoso. As grandes rupturas de nossa hist&oacute;ria, a guerra aos holandeses, a Independ&ecirc;ncia, a Rep&uacute;blica, a Aboli&ccedil;&atilde;o e a Revolu&ccedil;&atilde;o de 30 - nunca foram perdoadas. Assim como ainda s&atilde;o increpados o Maracan&atilde; e Bras&iacute;lia - alvos da "fracassomania", recidiva como um cupim autof&aacute;gico, insistentemente apontada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em seu governo (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Restou ao ministro esclarecer o que a "guerra aos holandeses" tem a ver com o descontrole dos recursos destinados aos est&aacute;dios de futebol e com o fato de importantes projetos de mobilidade social, como portos, aeroportos, vias urbanas, sequer terem sido iniciados, como revelam os relat&oacute;rios dos tribunais de contas e das ag&ecirc;ncias ligadas aos movimentos sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfim, o que tudo isso revela &eacute; que megaeventos como a Copa e os Jogos Ol&iacute;mpicos s&atilde;o organizados de modo a atender prioritariamente &agrave;s entidades organizadoras, patrocinadores e ao empresariado urbano das cidades envolvidas. &Eacute; por isso que governantes, consultores e dirigentes das entidades da Fifa/COI s&atilde;o inconsequentes em seus discursos e relat&oacute;rios. &Eacute; por isso tamb&eacute;m que a atua&ccedil;&atilde;o sobre a cidade n&atilde;o acontece na perspectiva de considerar a sua totalidade, mas de atuar de forma fragmentada, com interven&ccedil;&otilde;es que interessam muito mais ao capital imobili&aacute;rio que ao bem comum dos moradores. &Eacute; poss&iacute;vel que uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o possa se beneficiar dos remodelados equipamentos urbanos, mas com certeza ser&atilde;o aquelas camadas mais inseridas, promovendo, em contrapartida uma maior exclus&atilde;o. O jarg&atilde;o recorrente nos relat&oacute;rios de governo e de empresas de consultorias de "revitaliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas degradas" escamoteia o crescimento da explora&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria de alto padr&atilde;o, em detrimento da resolu&ccedil;&atilde;o de problemas cruciais de &aacute;reas carentes e afastadas (14).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como vem acontecendo com a sele&ccedil;&atilde;o de outras sedes de megaeventos, a escolha do Brasil e do Rio de Janeiro como sedes da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Ol&iacute;mpicos ocorreu por uma l&oacute;gica de expans&atilde;o mercadol&oacute;gica do mundo esportivo, liderado pelas entidades organizadoras - hoje empresas multinacionais - e seus patrocinadores, entre eles as redes de televis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso espec&iacute;fico da Copa da Fifa, desde os anos 1990 a entidade vem se utilizando da estrat&eacute;gia de levar o torneio a v&aacute;rias partes do mundo (o chamado "rod&iacute;zio dos continentes") como uma forma de ampliar a sua pol&iacute;tica na disputa do hegemonia do futebol que realizava com as cinco principais ligas do futebol mundial (Inglaterra, Espanha, Alemanha, It&aacute;lia e Fran&ccedil;a) (15). A crise econ&ocirc;mica europeia e o sucesso financeiro das Copas (em benef&iacute;cio dos cofres da Fifa), arrefeceram a for&ccedil;a dos clubes ricos europeus e transformaram a presid&ecirc;ncia da entidade em um capital simb&oacute;lico e econ&ocirc;mico muito valioso. &Eacute; nesse percurso que o hoje quase esquecido Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, jogou toda a sua for&ccedil;a pol&iacute;tica para trazer a Copa de 2014 para o Brasil. Seu projeto era o de realizar a Copa e candidatar-se, na sequ&ecirc;ncia, &agrave; presid&ecirc;ncia da Fifa. Acabou n&atilde;o conseguindo administrar o seu imenso capital pol&iacute;tico. As revela&ccedil;&otilde;es em n&iacute;vel mundial de sua pr&aacute;tica corrupta tornou-o <i>persona non grata</i> entre dirigentes da Fifa, seja pelas disputas internas seja pela preocupa&ccedil;&atilde;o em "moralizar" a entidade. Do lado de c&aacute;, sua autocracia bateu de frente com a presidente Dilma, o que resultou no seu afastamento formal da presid&ecirc;ncia da CBF e da organiza&ccedil;&atilde;o da Copa no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em reuni&atilde;o ocorrida na &Aacute;frica do Sul, em dezembro de 2010, R&uacute;ssia e Catar foram, respectivamente, escolhidas como sedes das edi&ccedil;&otilde;es das Copas de 2018 e 2022. A escolha foi marcada por acusa&ccedil;&otilde;es generalizadas de compra de votos e marcou o fim da proposta do "rod&iacute;zio dos continentes".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escolha n&atilde;o se deu apenas pelo suborno do col&eacute;gio eleitoral, mas tamb&eacute;m porque, assim como o Brasil, esses pa&iacute;ses se caracterizam como economias emergentes (ou pelo menos com grande volume de capital circulante) e com estruturas sociais e pol&iacute;ticas fr&aacute;geis. Para a Fifa &eacute; muito mais f&aacute;cil acomodar os interesses seus e de seus patrocinadores com as elites locais de sociedades com fr&aacute;geis mecanismos democr&aacute;ticos de defesa (casos do Brasil, &Aacute;frica do Sul ou R&uacute;ssia), do que em sociedades democraticamente consolidadas, como Inglaterra ou Alemanha.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fica evidente, portanto, a vulnerabilidade do argumento de que a Copa do Mundo de Futebol da Fifa tem como finalidade promover a amizade entre os povos, o <i>fair play </i>esportivo ou, como se referiu nosso ilustre ministro, tratar-se o evento de "um furac&atilde;o desenvolvimentista que deixa em seu rastro benfazejo um legado incomensur&aacute;vel" (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, &eacute; preciso considerar que uma an&aacute;lise pol&iacute;tica da realiza&ccedil;&atilde;o de megaeventos esportivos no Brasil, n&atilde;o deve ficar restrita &agrave; cr&iacute;tica deste ou daquele ministro de plant&atilde;o. Afinal, os eventos da Copa do Mundo de Futebol ou dos Jogos Ol&iacute;mpicos ganharam maior politiza&ccedil;&atilde;o por conta da repercuss&atilde;o dos movimentos sociais de rua, ocorrido em junho de 2013, e que continuam a ocorrer ainda neste come&ccedil;o de 2014. Essas manifesta&ccedil;&otilde;es, apesar de n&atilde;o serem restritas &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos, t&ecirc;m como um dos motivadores os elevados investimentos direcionados &agrave; reforma ou constru&ccedil;&atilde;o de doze est&aacute;dios de futebol, assim como o impacto de diversas interven&ccedil;&otilde;es urbanas nas cidades sedes. Associado a isso, 2014 &eacute; um ano em que se renovam a presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, os governadores dos estados, a C&acirc;mara Federal e parte do Senado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas, para al&eacute;m desses acontecimentos pontuais, sem d&uacute;vida suficientes para um intenso debate na sociedade, o Brasil vive no momento um outro fator de acirramento das tens&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas. E esse fen&ocirc;meno pode ser compreendido a partir de duas vari&aacute;veis intrinsicamente relacionadas. Por um lado, a dificuldade da gest&atilde;o da presidente Dilma na manuten&ccedil;&atilde;o das taxas de crescimento econ&ocirc;mico que o pa&iacute;s teve, sobretudo no segundo mandato do governo Lula. &Eacute; uma tend&ecirc;ncia que traz consigo a inquieta&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a temas centrais para a estabilidade social, tais como a manuten&ccedil;&atilde;o da taxa de emprego, a melhoria dos sal&aacute;rios e da distribui&ccedil;&atilde;o social da renda. De outro lado, temos sinais de esgotamento das expectativas propostas por Lula e o PT em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante os dois mandatos do presidente Lula e parte do mandato da presidente Dilma, predominou, de algum modo, o que podemos chamar de pacto social. Mesmo com as acusa&ccedil;&otilde;es de corrup&ccedil;&atilde;o no seu governo, Lula soube articular crescimento econ&ocirc;mico com programas sociais que promoveram uma efetiva melhoria da distribui&ccedil;&atilde;o de renda, diminuindo a pobreza no pa&iacute;s. Medidas essas que produziram uma base social de sustenta&ccedil;&atilde;o do partido no governo, constitu&iacute;da desde a sua pr&oacute;pria milit&acirc;ncia at&eacute; os movimentos sociais ligados &agrave; luta pela terra, pela moradia e os de car&aacute;ter trabalhista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como soube incorporar no seu programa de governo algumas bandeiras de luta do movimento social, tamb&eacute;m o ambiente de estabilidade pol&iacute;tica e de ganhos democr&aacute;ticos permitiu que lideran&ccedil;as dos movimentos populares galgassem o poder legislativo ou mesmo assumissem cargos nas inst&acirc;ncias dos executivos federal, estadual e municipal. Esse processo foi gerando o paradoxo da desmobiliza&ccedil;&atilde;o social e do isolamento do governo do PT em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas bases sociais (16).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As dificuldades na economia brasileira, a partir de 2011, impediram que a presidente Dilma mantivesse as taxas de emprego e sal&aacute;rio, ou mesmo que ampliasse os programas emergenciais de distribui&ccedil;&atilde;o social de renda.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar do partido manter importante margem eleitoral, ainda sustentada pelos programas sociais, gradativamente perde a for&ccedil;a de autentica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, como tamb&eacute;m perde a sensibilidade em rela&ccedil;&atilde;o aos emergentes movimentos sociais. Pacto social e desmobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica acomodaram o PT no poder e retiraram-lhe o compromisso de aprofundar a democracia. N&atilde;o apenas o PT, mas toda a sua base aliada e mesmo os partidos de oposi&ccedil;&atilde;o, como o PSDB.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As manifesta&ccedil;&otilde;es de rua, contr&aacute;rias &agrave; falta de transpar&ecirc;ncia nas planilhas do transporte coletivo e nos gastos com a Copa de 2014 e com os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016 passaram a se constituir no aspecto vis&iacute;vel da debilidade cr&ocirc;nica do poder infraestrutural do Estado brasileiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Dacosta, L. et all. <i>Legados de megaeventos esportivos</i>. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio do Esporte, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080398&pid=S0009-6725201400020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Preuss, H. "Impactos econ&ocirc;micos de megaeventos: Copa do Mundo de Futebol e Jogos Ol&iacute;mpicos". In: Dacosta, op. cit, p. 84. 2008.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Poyter, G. "Regenera&ccedil;&atilde;o urbana e legado ol&iacute;mpico de Londres 2012. From Beijing to bow bells: measuring the Olympics effect 2006". In: Dacosta, op. cit, pp.121-151. 2008.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Ernst &amp; Young. "Brasil sustent&aacute;vel — Impactos socioecon&ocirc;micos da Copa do Mundo 2014". EY, 2010. Para a an&aacute;lise desses relat&oacute;rios, ver: Proni, M. W.; Silva, L. O. "Impactos econ&ocirc;micos da Copa do Mundo de 2014: proje&ccedil;&otilde;es superestimadas". <i>Texto para Discuss&atilde;o</i>. IE/Unicamp, Campinas, n. 211, out. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080402&pid=S0009-6725201400020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Deloitte-Ibri. <i>Brasil, bola da vez. Neg&oacute;cios e investimentos a caminho dos megaeventos esportivos</i>. Deloitte/Instituto Brasileiro de Rela&ccedil;&otilde;es com Investidores (Ibri), 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080404&pid=S0009-6725201400020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Ernst &amp; Young , OP. CIT., p.1.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Silva, O. "Faremos a melhor copa da hist&oacute;ria". In: <i>Folha de S. Paulo</i>. 02/04/2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.Folha.Uol.Com.Br/fsp/opiniao/" target="_blank">http://www1.Folha.Uol.Com.Br/fsp/opiniao/</a> fz0204201108.Htm acesso em: 10/02/2013</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080407&pid=S0009-6725201400020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Domingues, E. P.; Magalh&atilde;es, A. S.; Betarelli, A. "Quanto vale o show? Impactos econ&ocirc;micos dos investimentos da Copa do Mundo 2014 no Brasil." <i>Estudos Econ&ocirc;micos </i>(USP. Impresso), v. 41, p. 409-439, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080408&pid=S0009-6725201400020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Ernst &amp; Young , op . ci t., p. 27.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Melo, E. S. O. de; Gaffney, C. "Megaeventos esportivos no Brasil: uma perspectiva sobre futuras transforma&ccedil;&otilde;es e conflitos urbanos". Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.academia.edu/4642720/Mega-eventos_esportivos_ no_Brasil_uma_perspectiva_sobre_futuras_transformacoes_ e_conflitos_urbanos" target="_blank">https://www.academia.edu/4642720/Mega-eventos_esportivos_ no_Brasil_uma_perspectiva_sobre_futuras_transformacoes_ e_conflitos_urbanos</a> Acesso em: 02/10/2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080411&pid=S0009-6725201400020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis em <a href="http://www.cidadeolimpica.com.br/projetos/porto-maravilha/" target="_blank">http://www.cidadeolimpica.com.br/projetos/porto-maravilha/</a> Acesso em 13/02/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080413&pid=S0009-6725201400020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em <a href="http://www1.tce.pr.gov.br/noticias/tce-recomenda-que-novos-recursos-nao-sejam-liberados-a-arena-da-baixada/2356/N" target="_blank">http://www1.tce.pr.gov.br/noticias/tce-recomenda-que-novos-recursos-nao-sejam-liberados-a-arena-da-baixada/2356/N</a> Acesso em 15/02/2014</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080415&pid=S0009-6725201400020001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Rebelo, A. "A passagem de um furac&atilde;o desenvolvimentista". Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.valor.com.br/brasil/3376032/passagem-de-umfuracao- desenvolvimentista" target="_blank">http://www.valor.com.br/brasil/3376032/passagem-de-umfuracao- desenvolvimentista</a> Acesso em: 24/12/2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080416&pid=S0009-6725201400020001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Melo &amp; Gaffney, OP. CIT. ; Proni &amp; Silva, OP. CIT.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Ribeiro, L. C. "A crise da autonomia no futebol globalizado: a experi&ecirc;ncia europeia". In:______(Org.) <i>Futebol e globaliza&ccedil;&atilde;o. </i>Jundia&iacute; (SP), Ed. Fontoura. 2007, p. 49-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080419&pid=S0009-6725201400020001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Singer, A. <i>Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador</i>. S&atilde;o Paulo: Cia das Letras, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080421&pid=S0009-6725201400020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Diniz, E. "Desenvolvimento e Estado desenvolvimentista: tens&otilde;es e desafios da constru&ccedil;&atilde;o de um novo modelo para o Brasil do s&eacute;culo XXI". <i>Rev. Sociol. Polit</i>. 2013, vol.21, n.47, pp. 9-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080422&pid=S0009-6725201400020001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Luiz Carlos Ribeiro</i></b> <i>&eacute; historiador, professor do Departamento de Hist&oacute;ria da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR) e coordenador do N&uacute;cleo de Estudos Futebol e Sociedade.</i></font></p>      ]]></body>
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