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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   FUTEBOL/ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Futebol, lazer e pr&aacute;ticas l&uacute;dicas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Victor Andrade de Melo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bill Shankly, um dos mais celebrados personagens da hist&oacute;ria do velho esporte bret&atilde;o, t&eacute;cnico da equipe do Liverpool (Inglaterra) na d&eacute;cada de 1960, certa vez afirmou: "Algumas pessoas acreditam que futebol &eacute; quest&atilde;o de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Posso garantir que futebol &eacute; muito, muito mais importante".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os acontecimentos que cercaram a &uacute;ltima rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2013 podem exemplificar a pertin&ecirc;ncia da observa&ccedil;&atilde;o de Shankly. Embora o campe&atilde;o j&aacute; tenha se definido algumas rodadas antes, torcedores das mais diferentes equipes, por motivos diversos, grudaram-se em r&aacute;dios e televis&otilde;es para ansiosamente acompanhar as partidas finais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para alguns, estava em jogo a oportunidade de seu clube ingressar no grupo de elite, obtendo uma vaga na prestigiosa Copa Libertadores da Am&eacute;rica. Para outros, era eminente o fracasso e a humilha&ccedil;&atilde;o: a segunda divis&atilde;o estava pr&oacute;xima. Sustos, gritos, choros n&atilde;o faltaram nos est&aacute;dios do pa&iacute;s. A coisa chegou a tal ponto que, em Santa Catarina, na partida entre o Vasco da Gama e o Atl&eacute;tico Paranaense, quase se tornou literal a ideia de morte: torcedores de dois times se agrediram, ocasionando graves ferimentos em alguns dos envolvidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, lamentavelmente, por vezes n&atilde;o s&oacute; metaforicamente, podemos confirmar a assertiva do t&eacute;cnico do Liverpool. Pelo mundo muitos s&atilde;o os exemplos de epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia, dentro e fora dos est&aacute;dios, transformando o que era para ser alegria em dor, o que era para ser cenas de comemora&ccedil;&atilde;o em imagens de guerra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa &eacute; uma faceta problem&aacute;tica, mas &eacute; uma express&atilde;o do ineg&aacute;vel grau de mobiliza&ccedil;&atilde;o que se observa ao redor desse que &eacute; considerado o esporte mais popular do planeta. H&aacute; outros exemplos mais felizes. Basta perceber o que ocorre por ocasi&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o de uma Copa do Mundo. No Brasil, por exemplo, as cidades praticamente param quando entra em campo o selecionado nacional, as ruas s&atilde;o enfeitadas, e, caso a equipe se sagre vencedora, uma multid&atilde;o sai de casa para festejar, confraternizar, celebrar a conquista de algo que aparentemente nada mudar&aacute; a vida de cada envolvido. Dificilmente algu&eacute;m consegue ficar totalmente alheio &agrave; euforia contagiante desses dias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O grau de popularidade do esporte &eacute; realmente impressionante. H&aacute; mais afiliados &agrave; Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Futebol (Fifa) e ao Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional (COI) do que &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Essa difus&atilde;o mundial tem forte rela&ccedil;&atilde;o com as caracter&iacute;sticas hist&oacute;ricas do momento em que a pr&aacute;tica se conformou, o s&eacute;culo XIX: o fortalecimento de um mercado global, o desenvolvimento de movimentos internacionais, a consolida&ccedil;&atilde;o da ideia de Estado-Na&ccedil;&atilde;o, a valoriza&ccedil;&atilde;o dos espet&aacute;culos e dos momentos de lazer, entre outras dimens&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos dias de hoje, numa ordem mundial em que o sentido de na&ccedil;&atilde;o parece difuso perante o poder das empresas transnacionais, fato que causa grande impacto nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, e em que as organiza&ccedil;&otilde;es internacionais (ONU, Unesco etc) se encontram fragilizadas, as competi&ccedil;&otilde;es esportivas continuam se apresentando como um dos principais f&oacute;runs para se louvar e exaltar a ideia de p&aacute;tria. Como lembra Hobsbawm (1), mesmo que a l&oacute;gica transnacional e os interesses econ&ocirc;micos imperem tamb&eacute;m no reino do esporte: "os imperativos n&atilde;o-econ&ocirc;micos da identidade nacional t&ecirc;m tido for&ccedil;a suficiente para afirmar-se no contexto do jogo e mesmo para impor o torneio internacional de sele&ccedil;&otilde;es, a Copa do Mundo, como o elemento principal e mais poderoso da presen&ccedil;a econ&ocirc;mica global do futebol" (1, p.94) .</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PERFORMANCE DE NA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No &acirc;mbito dos eventos esportivos, especialmente nos de futebol, ainda que marcados por situa&ccedil;&otilde;es de desigualdade, mesmo os pa&iacute;ses menos conhecidos ou menos poderosos no tabuleiro geopol&iacute;tico podem tornar-se ativos, conhecidos, at&eacute; surpreendentes. H&aacute; sempre a possibilidade de uma vit&oacute;ria, ou de uma bela atua&ccedil;&atilde;o, a ser celebrada como uma grande conquista pela popula&ccedil;&atilde;o local, que tem a oportunidade, assim, de demonstrar sua lealdade &agrave; p&aacute;tria, com o incentivo de dirigentes e da imprensa. Essas competi&ccedil;&otilde;es permitem uma performance p&uacute;blica de na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o encontr&aacute;vel da mesma maneira em praticamente mais nenhuma ocasi&atilde;o na contemporaneidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">At&eacute; mesmo por isso, o esporte foi e continua sendo utilizado por regimes pol&iacute;ticos e governos tanto como estrat&eacute;gia para encaminhar propostas de interven&ccedil;&atilde;o social quanto como propaganda de uma suposta efic&aacute;cia administrativa, para alguns um reflexo dos "avan&ccedil;os do pa&iacute;s". Por todas essas dimens&otilde;es, parece mesmo haver uma forte rela&ccedil;&atilde;o entre a pr&aacute;tica esportiva e a constru&ccedil;&atilde;o de discursos acerca de uma identidade nacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tudo isso que parece t&atilde;o "macro", t&atilde;o distante, tem, na verdade, muitos impactos no cotidiano, at&eacute; mesmo porque os crescentemente poderosos meios de comunica&ccedil;&atilde;o transformaram o esporte em um de seus principais produtos. As duas maiores audi&ecirc;ncias televisivas do planeta s&atilde;o obtidas por ocasi&atilde;o de duas competi&ccedil;&otilde;es esportivas: a j&aacute; citada Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Ol&iacute;mpicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para jornais, revistas e r&aacute;dios, o esporte &eacute; um tema importante. Praticamente n&atilde;o h&aacute; rede de televis&atilde;o que n&atilde;o tenha, pelo menos, um programa esportivo (normalmente s&atilde;o v&aacute;rios). Isso sem falar na prolifera&ccedil;&atilde;o de emissoras especializadas e exclusivamente dedicadas ao assunto. Se considerarmos que os est&aacute;dios tendem a se tornar "arenas multiuso", com ingressos pouco acess&iacute;veis a um largo estrato da popula&ccedil;&atilde;o, veremos o quanto os meios de comunica&ccedil;&atilde;o se constituem, cada vez mais, na principal inst&acirc;ncia de consumo do espet&aacute;culo, mesmo que nem sempre na esfera privada, como &eacute; o caso de bares tem&aacute;ticos ou dedicados a uma torcida, muito procurados pelos torcedores por motivos diversos, alguns inclusive por prefer&ecirc;ncia (l&aacute; se pode beber, encontrar os amigos, fica pr&oacute;ximo de casa, entre outras raz&otilde;es).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>FUTEBOL E SUAS VARIA&Ccedil;&Otilde;ES CULTURAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O esporte, especialmente o futebol, &eacute; um dos principais produtos da ind&uacute;stria do entretenimento, atinge o mais variado p&uacute;blico, de todos os estratos sociais, faixas et&aacute;rias e g&ecirc;neros. Desde o s&eacute;culo XIX, principalmente a partir do momento em que se estabeleceu de maneira mais direta a vincula&ccedil;&atilde;o do esporte &agrave; ideia de sa&uacute;de, muitos s&atilde;o os produtos e iniciativas que com ele buscam se relacionar. A pr&aacute;tica &eacute; identificada como uma "forma de viver": o mercado existente ao seu redor n&atilde;o s&oacute; faz uso das imagens esportivas para vender um grande n&uacute;mero de produtos como tamb&eacute;m, nesse processo, difunde comportamentos, estimula a aquisi&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a14img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O s&eacute;rio por tr&aacute;s do divertido, a divers&atilde;o aparentemente fortuita mascarando os mais complexos interesses: assim &eacute; o esporte, assim &eacute; o futebol. De toda forma, trata-se de uma das principais op&ccedil;&otilde;es de lazer da popula&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios pa&iacute;ses, se espraiando pelos mais diversos espa&ccedil;os sociais. A pr&aacute;tica n&atilde;o s&oacute; se faz presente no di&aacute;logo com as mais distintas linguagens, como adota os mais diferentes formatos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vejamos, por exemplo, a magia do futebol no cotidiano de um grande n&uacute;mero de crian&ccedil;as e jovens. Enquanto esporte de alto rendimento, requisita muitos equipamentos (bolas, uniformes, cal&ccedil;ados, produtos que s&atilde;o cada vez mais dependentes da alta tecnologia, e tamb&eacute;m cada vez mais caros), na pelada de rua nada disso &eacute; absolutamente necess&aacute;rio. Dependendo do perfil do jogo, qualquer coisa pode servir como uma bola (mesmo que n&atilde;o seja um objeto redondo, como uma lata), pode-se jogar descal&ccedil;o ou com qualquer sapato dispon&iacute;vel, duas pedras ou chinelos podem perfeitamente simular as traves.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais ainda, muitos jogos diferentes foram inventados a partir do futebol. Com duas metas pequenas, e sem goleiros, duplas ou trios disputam o "golzinho". Podem fazer o mesmo com s&oacute; uma meta grande, com um goleiro, em alguns lugares chamado de "cascudinho". Que tal um torneio de "embaixadinhas"? E o jogo da "rebatida", com sua estrat&eacute;gia de acertar a trave para valer dois pontos o tento? "Bobinho" serve at&eacute; de aquecimento para os profissionais. O "altinho" &eacute; apreciado pelos que ficam na beira do mar aproveitando a brisa (mesmo que em muitas cidades isso n&atilde;o seja permitido).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tantas foram as inven&ccedil;&otilde;es que algumas se tornaram novos esportes. Futebol jogado numa quadra menor virou futebol de sal&atilde;o (hoje chamado de futsal). Nas areias do litoral? Futebol de praia. E misturado com o v&ocirc;lei? Futev&ocirc;lei.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o devemos mesmo crer que s&atilde;o esferas isoladas a alta performance e o futebol do dia a dia. Os par&acirc;metros, &iacute;dolos, comportamentos, implementos, enfim, tudo o que diz respeito ao alto rendimento influencia todas as esferas. Essas, contudo, n&atilde;o deixam de ocorrer nem-se submetem completamente aos par&acirc;metros daquele. Esse &eacute; um dos segredos da popularidade do velho esporte bret&atilde;o: muito bem se ajusta a divers&otilde;es padr&otilde;es. Ele &eacute;, como vimos, dos mais globais fen&ocirc;menos, na mesma m&eacute;dia em que tamb&eacute;m &eacute; profundamente local.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso, ali&aacute;s, &eacute; um dos mist&eacute;rios que marcam uma das principais chaves do envolvimento futebol&iacute;stico: a sensa&ccedil;&atilde;o de pertencimento. Como os indiv&iacute;duos escolhem os times para os quais v&atilde;o torcer (e isso significa tamb&eacute;m o perfil de produtos que vai adquirir: bandeiras, camisas, ingressos, <i>pay per view</i> etc)? Certamente os meios de comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m grande import&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas h&aacute; tamb&eacute;m outras m&uacute;ltiplas quest&otilde;es "tribais" determinantes. Certas categorias profissionais t&ecirc;m suas prefer&ecirc;ncias club&iacute;sticas. Certas regi&otilde;es tamb&eacute;m. Por vezes trata-se de algo que se mescla com quest&otilde;es pol&iacute;ticas. Por exemplo, bascos, em geral, preferem times da regi&atilde;o, como o Atl&eacute;tico de Bilbao. Por fim, uma das mais poderosas formas de influ&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser esquecida: a fam&iacute;lia. Muitos pais t&ecirc;m como um dos par&acirc;metros de sucesso de sua influ&ecirc;ncia sobre seus filhos o seguimento de sua "linhagem" club&iacute;stica. E isso significa, entre outras coisas, presente&aacute;-los com produtos que carreguem os s&iacute;mbolos da equipe amada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voltando ao tema anterior, &eacute; tamb&eacute;m a fam&iacute;lia que d&aacute; para seus filhos e filhas v&aacute;rios jogos inspirados no futebol. Curiosamente alguns deixaram de ser brincadeiras de crian&ccedil;a e se transformaram em esportes. Por exemplo, v&aacute;rios jogos de videogame, desde o tempo do telejogo (primeira gera&ccedil;&atilde;o), t&ecirc;m o velho esporte bret&atilde;o como uma refer&ecirc;ncia. As bases mais avan&ccedil;adas, como o Xbox e o Wi, continuam tendo o esporte como op&ccedil;&atilde;o de jogo. Um desses <i>games</i>, o Fifa Soccer, se tornou um dos maiores sucessos de venda, integrado cada vez mais com o jogo "real" (melhor dito, o n&atilde;o virtual"). Ali&aacute;s, a entidade m&aacute;xima do futebol j&aacute; premia anualmente, junto com os craques de outras categorias (masculino, feminino, futsal, praia), o melhor jogador do <i>game</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em certa medida, processo semelhante j&aacute; ocorrera anteriormente com outras atividades ligadas ao velho esporte bret&atilde;o, caso, por exemplo, do futebol de mesa (nome oficial do esporte tamb&eacute;m conhecido no Brasil como "futebol de bot&atilde;o" ou "jogo de bot&atilde;o"), praticado em diversas modalidades espec&iacute;ficas (diferentes regras).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitos s&atilde;o, todavia, os outros jogos de sal&atilde;o inspirados no futebol. Um dos mais conhecidos &eacute; o "tot&oacute;" ou "pebolim", que se pode jogar individualmente ou em duplas. H&aacute; outros mais simples, que n&atilde;o necessitam de um brinquedo por vezes caro. Tr&ecirc;s tampas de refrigerante podem virar um futebol de m&atilde;os (o gol &eacute; simulado com elas entrela&ccedil;adas). Alguns podem ser confeccionados, como o jogo com preguinhos e uma moeda (que hoje j&aacute; existe numa vers&atilde;o comercializada).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPRESENTA&Ccedil;&Otilde;ES NAS ARTES</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com tamanha presen&ccedil;a nos mais diferentes &acirc;mbitos, n&atilde;o surpreende que o futebol tenha dialogado tanto com as mais distintas manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas. Nas artes pl&aacute;sticas, por exemplo, v&aacute;rios foram os artistas que registraram a paix&atilde;o nacional pelo esporte, ajudando a refor&ccedil;ar a &ldquo;mitologia" que historicamente se gestou a seu redor. Entre tantos, podemos citar as representa&ccedil;&otilde;es de jogadores de Rubens Gerchman e Cl&aacute;udio Tozzi, bem como as imagens de C&acirc;ndido Portinari do futebol jogado na areia de sua terra natal, Brod&oacute;squi.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a14img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No cinema, durante muitos anos se disse que no Brasil n&atilde;o se traduziu nas telas a paix&atilde;o pelo futebol. Haveria um certo div&oacute;rcio entre as expectativas dos torcedores e o que se conseguia exibir nas salas escuras, at&eacute; mesmo por dificuldades de recriar numa fic&ccedil;&atilde;o a din&acirc;mica do esporte. Tamb&eacute;m por isso, grande parte dos t&iacute;tulos, especialmente os mais bem realizados, era de car&aacute;ter documental. Esse &eacute; o caso de <i>Garrincha, alegria do povo</i>, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade em 1962, uma das mais importantes pel&iacute;culas nacionais sobre o tema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Independentemente desse limite, de fato grandes jogadores e conquistas internacionais receberam aten&ccedil;&atilde;o na cinematografia brasileira. Recentemente, inclusive, tem crescido o n&uacute;mero de t&iacute;tulos e temas tratados ao redor do futebol, especialmente por os cineastas disporem de mais recursos t&eacute;cnicos e de um maior n&uacute;mero de imagens dispon&iacute;veis nos acervos televisivos. Uma novidade relevante &eacute; o crescimento do n&uacute;mero de curtas que abordam o assunto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso brasileiro, entre as artes, duas se destacam por constantemente abordarem o velho esporte bret&atilde;o. Uma delas &eacute; a literatura. Ainda que menos em romances e contos, embora tamb&eacute;m a&iacute; a produ&ccedil;&atilde;o seja digna de registro, somente as cr&ocirc;nicas produzidas j&aacute; teriam sido suficientes para construir e refor&ccedil;ar um imagin&aacute;rio sobre o esporte, articulando-o mesmo a discursos identit&aacute;rios. Merece refer&ecirc;ncia a produ&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; Lins do Rego e Nelson Rodrigues, este &uacute;ltimo tamb&eacute;m inserindo a pr&aacute;tica nas suas pe&ccedil;as de teatro, linguagem que, ali&aacute;s, tamb&eacute;m n&atilde;o a deixou passar despercebida. Entre outros, Dias Gomes e Oduvaldo Viana Filho escreveram obras em que o futebol foi o tema central.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A outra arte &eacute; aquela em que, muito provavelmente, mais o futebol tenha aparecido: a m&uacute;sica, at&eacute; mesmo pelas similaridades que no discurso foram constru&iacute;das entre o esporte e uma das consideradas manifesta&ccedil;&otilde;es nacionais por excel&ecirc;ncia, o samba, ambos tidos como representa&ccedil;&otilde;es da mesti&ccedil;agem nacional. Entre os compositores desse ritmo encontramos, no Brasil, as mais conhecidas obras em que a pr&aacute;tica &eacute; exaltada, inclusive em uma de suas facetas mais conhecidas, o samba-enredo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Mas n&atilde;o foi s&oacute; no mundo de samba que isso ocorreu. Na m&uacute;sica brasileira em geral, muitas vezes esteve nosso esporte consagrado. Ali&aacute;s, h&aacute; aqui uma faceta importante. Can&ccedil;&otilde;es fazem parte do cotidiano de torcedores que comparecem aos est&aacute;dios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na verdade, mais do que dizermos que o futebol est&aacute; presente nas mais diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, &eacute; importante perceber que o ato de acompanhar e experienciar esse esporte &eacute;, em si, altamente est&eacute;tico. O termo brasileiro para definir esse envolvimento &eacute;, ali&aacute;s, perfeito, talvez o mais adequado entre tantos que existem no mundo. N&atilde;o se trata de ser apenas um &ldquo;adepto", nem tampouco um &ldquo;f&atilde;": no nosso pa&iacute;s somos torcedores, nos contorcemos, nos retorcemos, nos envolvemos profundamente com essa coisa que cotidianamente invade nossa vida. &Eacute; muito s&eacute;rio o futebol. E muito divertido. T&atilde;o divertido quanto s&eacute;rio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>FUTEBOL COMO POL&Iacute;TICA P&Uacute;BLICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por ser t&atilde;o s&eacute;rio e divertido, e ocupar tanto espa&ccedil;o na agenda cotidiana de muitos brasileiros, o futebol deve ser motivo de aten&ccedil;&atilde;o por parte do Estado, tema de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. A essa altura, j&aacute; se deve ter percebido o quanto &eacute; amb&iacute;guo e contradit&oacute;rio esse nosso estimado esporte, uma faca de dois gumes (tr&ecirc;s gumes? Quatro gumes? Muitos gumes?), "humano, demasiadamente humano" (para brincar com o fil&oacute;sofo).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No momento em que escrevo este texto, morreu um dos exemplos da ambiguidade e fasc&iacute;nio causados pelo futebol, o grande craque Eus&eacute;bio, mo&ccedil;ambicano negro que se tornou um dos maiores jogadores de Portugal (e do mundo), numa &eacute;poca em que era atroz a posi&ccedil;&atilde;o colonialista do pa&iacute;s. Sinal de integra&ccedil;&atilde;o ou de entreguismo? Abertura de um caminho para maior respeitabilidade dos negros ou o oposto, seu enquadramento? Provavelmente tudo isso junto e misturado. Ineg&aacute;vel mesmo &eacute; que tenha sido inesquec&iacute;vel e encantador o jeito de jogar do "pantera negra", o que o tornou um dos grandes &iacute;cones do s&eacute;culo XX (n&atilde;o poucas vezes chamado de "Pel&eacute; da Europa", numa compara&ccedil;&atilde;o com o not&oacute;rio brasileiro).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O grande desafio para qualquer administra&ccedil;&atilde;o governamental &eacute; intervir de forma a controlar os efeitos mais nefastos que se manifestam ao redor do futebol, potencializando o que h&aacute; de positivo e sem macular uma certa espontaneidade que deve continuar a caracterizar o fen&ocirc;meno.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em termos gerais, h&aacute; duas linhas de interven&ccedil;&atilde;o &agrave;s quais deve o Estado estar atento: o &acirc;mbito das pr&aacute;ticas cotidianas do jogo e a esfera do lazer-espet&aacute;culo. No primeiro aspecto, trata-se de garantir equipamentos e condi&ccedil;&otilde;es adequadas para que a popula&ccedil;&atilde;o possa jogar sua pelada do dia a dia. Isso &eacute;, a constru&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de campos e quadras bem conservados e acess&iacute;veis a todos. Mais ainda, oferecer &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, notadamente jovens e crian&ccedil;as, a possibilidade de praticar o futebol enquanto uma estrat&eacute;gia de interven&ccedil;&atilde;o educacional. Isso significa implementar projetos que usem o esporte como ferramenta de forma&ccedil;&atilde;o de cidadania, oferecida em tempo n&atilde;o escolar, por profissionais capacitados para essa atua&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que tange ao espet&aacute;culo, cabe &agrave;s administra&ccedil;&otilde;es governamentais garantir &agrave; popula&ccedil;&atilde;o o pleno acesso aos jogos, n&atilde;o somente pela televis&atilde;o, mas tamb&eacute;m nos est&aacute;dios, l&oacute;cus por excel&ecirc;ncia do grande espet&aacute;culo "ludop&eacute;dico". Isso significa n&atilde;o somente garantir condi&ccedil;&otilde;es de conforto e seguran&ccedil;a adequadas, como tamb&eacute;m impedir que a escalada comercial que cerca a pr&aacute;tica acabe por tornar proibitivos os valores para os que querem acompanh&aacute;-lo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; tamb&eacute;m nesse ponto que devemos nos preocupar com a organiza&ccedil;&atilde;o de megaeventos esportivos. Eles, sem d&uacute;vida, podem trazer grandes benef&iacute;cios para as cidades envolvidas, tanto no que tange ao esporte em si quanto no que se refere &agrave; infraestrutura urbana como um todo. Todavia, podem tamb&eacute;m ser um tiro no p&eacute;. Podem significar um grande investimento p&uacute;blico em algo que pouco reverte para a popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Veremos o que a Copa do Mundo trar&aacute; efetivamente para os brasileiros e suas cidades. Por ora, o pre&ccedil;o dos ingressos das novas arenas e o andamento da organiza&ccedil;&atilde;o do evento s&atilde;o ind&iacute;cios preocupantes. Esperamos que o atual estado do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Gale&atilde;o, n&atilde;o seja uma met&aacute;fora do que ser&aacute; a organiza&ccedil;&atilde;o dessa competi&ccedil;&atilde;o no Brasil: esburacado e chovendo por todos os lados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIA BIBLIOGR&Aacute;FICA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Hobsbawm, E. <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o, democracia e terrorismo</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2007.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Drumond, M.. <i>Na&ccedil;&otilde;es em jogo: esporte e propaganda pol&iacute;tica em Vargas e Per&oacute;n</i>. Rio de Janeiro: Apicuri, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Franco J&uacute;nior, H. <i>A for&ccedil;a dos deuses: futebol, sociedade, cultura</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Giulianotti, R. <i>Sociologia do futebol: dimens&otilde;es hist&oacute;ricas e socioculturais do esporte das multid&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Nova Alexandria, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Hollanda, B. B. Buarque de. <i>O descobrimento do futebol: modernismo, regionalismo e paix&atilde;o esportiva em Jos&eacute; Lins do Rego</i>. Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&otilde;es Biblioteca Nacional, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Hollanda, B. B. Buarque de; Melo, V. A. de (org.). <i>O esporte na imprensa e a imprensa esportiva no Brasil</i>. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hollanda, B. B. Buarque de; T oledo, L. H.; Santos, J. M. M. C.; Melo, V. A. de. <i>A torcida brasileira</i>. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Mascarenhas, G.; Bienenstein, G.; S&aacute;nches, F. <i>O jogo continua: megaeventos esportivos e cidades</i>. Rio de Janeiro: Editora da UERJ, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Melo, V. A. de. <i>Cinema e esporte</i>: di&aacute;logos. Rio de Janeiro: Aeroplano/ Faperj, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Melo, V. A. de. <i>Esporte e lazer</i>: conceitos. Rio de Janeiro: Apicuri, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Priore, M. del; Melo, V. A. de. <i>Hist&oacute;ria do esporte no Brasil: do Imp&eacute;rio aos dias atuais</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Unesp, 2009.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Victor Andrade de Melo</i></b> <i>&eacute; professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde atua na Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o (gradua&ccedil;&atilde;o e Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o) e no Instituto de Hist&oacute;ria (Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria Comparada). &Eacute; coordenador do Sport - Laborat&oacute;rio de Hist&oacute;ria do Esporte e do Lazer (<a href="http://www.sport.historia.ufrj.br" target="_blank">www.sport.historia.ufrj.br</a>).</i></font></p>      ]]></body><back>
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