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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> FUTEBOL/ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Futebol e a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica na escola: possibilidades de uma rela&ccedil;&atilde;o educativa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Silvio Ricardo da Silva; Priscila Augusta Ferreira Campos </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O futebol &eacute; algo muito presente em nossas vidas. Mesmo n&atilde;o sendo praticante da modalidade &eacute; quase imposs&iacute;vel no Brasil, ficar alheio ao esporte bret&atilde;o. No nosso cotidiano, nos deparamos com not&iacute;cias que variam entre lances de jogo at&eacute; a vida pessoal de alguns jogadores, vinculadas nas diversas m&iacute;dias; produtos esportivos (uniformes, revistas, aplicativos, jogos online, videogames, miniaturas de est&aacute;dios etc) s&atilde;o comercializados para atender ao diversificado mercado de consumidores, al&eacute;m de produtos habituais que levam a marca do time do cora&ccedil;&atilde;o; em ambientes p&uacute;blicos e particulares h&aacute; coment&aacute;rios e trocas de opini&atilde;o sobre os jogos dos campeonatos disputados no Brasil como tamb&eacute;m dos jogos disputados em campos particulares, quadras alugadas em reuni&atilde;o com os amigos (as tradicionais peladas), sobretudo em dias anteriores e posteriores &agrave;s disputas. Al&eacute;m disso, quem nunca fez "corpo mole" para cumprir uma tarefa, "tirou o p&eacute; da dividida" ao perceber que n&atilde;o teria &ecirc;xito na situa&ccedil;&atilde;o, "embolou o meio campo" por n&atilde;o conseguir expressar sua ideia de forma que todos a entendessem ou "pisou na bola" com algu&eacute;m de quem se gosta, enfim, essas s&atilde;o apenas algumas das express&otilde;es corriqueiras do futebol brasileiro presentes em nosso vocabul&aacute;rio. Tamb&eacute;m &eacute; comum ouvirmos o jarg&atilde;o que "somos duzentos milh&otilde;es de t&eacute;cnicos de futebol", ou seja, todos se veem na condi&ccedil;&atilde;o e direito de opinar sobre escala&ccedil;&otilde;es e sistemas t&aacute;ticos dos seus respectivos times, bem como os destinos do futebol no Brasil. Assim, podemos perceber que s&atilde;o in&uacute;meras as situa&ccedil;&otilde;es em que o futebol se faz presente em nossa sociedade e, na maioria das vezes, nem nos atentamos para isso, por ser algo naturalizado em nossa cultura.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o antrop&oacute;logo Roberto DaMatta, um dos primeiros estudiosos do futebol no &acirc;mbito das ci&ecirc;ncias humanas e sociais, "o futebol praticado, vivido, discutido e teorizado no Brasil seria um modo espec&iacute;fico, entre tantos outros, pelo qual a sociedade brasileira fala, apresenta-se, revela-se, deixando-se, portanto descobrir" (1). Al&eacute;m disso, constitui-se como refer&ecirc;ncia de lazer para as v&aacute;rias classes sociais, nas diversas regi&otilde;es brasileiras, independente do g&ecirc;nero e da idade, seja no &acirc;mbito da pr&aacute;tica ou como torcedor. O futebol apresenta-se, assim, como um fen&ocirc;meno social, n&atilde;o s&oacute; no Brasil, mas em muitos pa&iacute;ses, fazendo dele um dos esportes mais populares no mundo. Inclusive, os registros apontam que existem mais pa&iacute;ses filiados &agrave; F&eacute;d&eacute;ration Internationale de Football Association (Fifa) do que &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na atualidade, este esporte tem o seu espa&ccedil;o em nossa sociedade ampliado, pois se trata de ano de Copa do Mundo e, como tal, h&aacute; uma maior cobertura sobre o evento. Entretanto, isso ainda se d&aacute; de maneira mais enf&aacute;tica, sobretudo, pela realiza&ccedil;&atilde;o, em territ&oacute;rio nacional, da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014, a partir de junho. Indubitavelmente, um megaevento como uma copa do mundo de futebol gera mudan&ccedil;as no pa&iacute;s-sede, por conseguinte nas cidadessedesqueprecisamse preparar para recebere operacionalizar tal evento, produzindo impactos nas &aacute;reas da economia, pol&iacute;tica, geografia, turismo, educa&ccedil;&atilde;o entre outras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe destacar, que in&uacute;meras an&aacute;lises tanto positivas quanto negativas de cunho econ&ocirc;mico, social, pol&iacute;tico, urban&iacute;stico, geogr&aacute;fico, entre outros, v&ecirc;m sendo feitas sobre esse, que &eacute; o maior evento de futebol do mundo. Essa constata&ccedil;&atilde;o nos leva &agrave; percep&ccedil;&atilde;o de que o futebol n&atilde;o &eacute; apenas um esporte (entendido como um conjunto de regras, organizado em federa&ccedil;&otilde;es, com calend&aacute;rio pr&oacute;prio e corpo t&eacute;cnico espec&iacute;fico - jogadores, administradores e p&uacute;blico assistente), ele &eacute; muito mais, j&aacute; que faz conex&otilde;es hist&oacute;ricas com temas e dilemas sociais, o que nos leva a inferir que deveria estar presente de maneira reflexiva no cotidiano escolar, principalmente nas aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. No entanto, isso n&atilde;o ocorre na grande maioria das escolas devido ao entendimento do que venha a ser a disciplina curricular educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e o futebol enquanto conte&uacute;do desta disciplina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo de sua constitui&ccedil;&atilde;o como disciplina escolar, a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica sofreu grandes influ&ecirc;ncias do discurso m&eacute;dico e militar, atendendo a uma ideologia de Estado para o desenvolvimento da aptid&atilde;o f&iacute;sica e de forma&ccedil;&atilde;o para o trabalho. Assim, vinculou-se a ideia de que a sua pr&aacute;tica pedag&oacute;gica deveria ser realizada por meio de exerc&iacute;cios f&iacute;sicos, nas quadras das escolas, de maneira a garantir o desenvolvimento integral da crian&ccedil;a no que tange &agrave;s habilidades motoras b&aacute;sicas de cada faixa et&aacute;ria, o dom&iacute;nio cognitivo e o afetivosocial. Nesse entendimento, n&atilde;o havia uma preocupa&ccedil;&atilde;o sobre a discuss&atilde;o pol&iacute;tica, social e hist&oacute;rica em rela&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do proposto, mas sim, sobre a melhor t&eacute;cnica corporal para a execu&ccedil;&atilde;o dos movimentos, isto &eacute;, um saber fazer corporal. No que tange ao objeto de ensino, a a&ccedil;&atilde;o limitava-se &agrave;s atividades f&iacute;sico-esportivas e recreativas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal concep&ccedil;&atilde;o foi hegem&ocirc;nica at&eacute; o final da d&eacute;cada de 1980, j&aacute; que, nessa &eacute;poca, um grupo composto por seis professores foi pioneiro ao se reunir para propor outra possibilidade de entendimento sobre a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica escolar, calcado no termo cultura corporal de movimento. Nessa perspectiva, o conte&uacute;do se amplia para os jogos e brincadeiras, lutas, gin&aacute;stica, dan&ccedil;a e, tamb&eacute;m, o esporte. Para essa concep&ccedil;&atilde;o, o movimentar humano &eacute; compreendido como constru&ccedil;&atilde;o de dado tempo e espa&ccedil;o, apreendido simbolicamente por meio dos sentidos e significados constru&iacute;dos pela cultura. Assim, n&atilde;o basta apenas executar determinado gesto t&eacute;cnico com a maior precis&atilde;o, mas tamb&eacute;m compreender como as formas simb&oacute;licas s&atilde;o produzidas, transmitidas, recebidas, reproduzidas e transformadas, constituindo um complexo processo de ensino-aprendizagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, dentro do ambiente escolar caberia &agrave; disciplina da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica "a tarefa de tematizar, de problematizar as manifesta&ccedil;&otilde;es corporais presentes no cotidiano dos/as alunos/as, de apresentar o acervo de pr&aacute;ticas historicamente criadas e culturalmente desenvolvidas, considerando n&atilde;o apenas a sua reprodu&ccedil;&atilde;o, mas o conhecimento de sua historicidade, a problematiza&ccedil;&atilde;o, a transforma&ccedil;&atilde;o e a recria&ccedil;&atilde;o delas" (2). Embora essa afirma&ccedil;&atilde;o trate especificamente da &aacute;rea de conhecimento da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, poderia ser ampliada ao conjunto das disciplinas escolares dentro de suas especificidades. Entretanto, o que vem ocorrendo ao longo dos tempos &eacute; que a escola ainda n&atilde;o reconhece o futebol, entendido de forma mais ampla, como uma possibilidade de educa&ccedil;&atilde;o e de forma&ccedil;&atilde;o para a vida social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AS QUEST&Otilde;ES DE G&Ecirc;NERO E RACISMO FICAM DE ESCANTEIO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Infelizmente, temos percebido que o futebol, enquanto conte&uacute;do da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica escolar vem sendo tratado no interior da maioria das escolas brasileiras de forma reducionista. Atrav&eacute;s de constata&ccedil;&otilde;es cotidianas ou mesmo de trabalhos de pesquisa, vemos que durante as aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, o futebol acontece apenas no n&iacute;vel da pr&aacute;tica (o fazer pelo fazer), desprovido de reflex&otilde;es te&oacute;ricas sobre o saber fazer corporal ou sobre as referidas conex&otilde;es sociais que permite e vivenciado, na maioria das vezes, de maneira sexista, onde &eacute; oferecido como atividade apenas ao grupo masculino. Poucas vezes &eacute; abordado na perspectiva da cultura corporal de movimento, isto &eacute;, como conte&uacute;do cultural que deve ser ensinado pela viv&ecirc;ncia pr&aacute;tica do movimento, como tamb&eacute;m, refletido, contextualizado e redimensionado. Daolio afirma que "trabalhar com uma pr&aacute;tica esportiva nas aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica &eacute; muito mais do que o ensino das regras, t&eacute;cnicas e t&aacute;ticas. &Eacute; necess&aacute;rio, acima de tudo, contextualizar essa pr&aacute;tica na realidade sociocultural em que ela se encontra" (3).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ademais, h&aacute; no imagin&aacute;rio social que todo brasileiro sabe jogar bola e toda brasileira sabe sambar. N&atilde;o &agrave; toa, parte dos meninos quando nascem s&atilde;o presenteados com uma bola e/ou um objeto que represente o clube de seu pai, a rec&iacute;proca n&atilde;o &eacute; verdadeira para as meninas. Assim, meninas e meninos t&ecirc;m seus corpos e gostos constru&iacute;dos de forma distinta, por meio do processo de transmiss&atilde;o cultural, incorporando uma determinada estrutura social que influi em seu modo de sentir, pensar e agir, de tal forma que se inclinem a confirm&aacute;-la e reproduzi-la, mesmo que nem sempre de modo consciente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, como a bola &eacute; apresentada ao menino desde cedo e o p&eacute; &eacute; a parte do corpo apresentada para essa intera&ccedil;&atilde;o, o ato de chutar, correr, driblar &eacute; aprendido e apreendido desde cedo (diferente das meninas que s&atilde;o estimuladas aos movimentos de quicar, arremessar, lan&ccedil;ar, rebater, e carregar a bola, dotando-a de outros sentidos, que n&atilde;o o futebol). Tamb&eacute;m faz parte da realidade da maioria dos meninos ser matriculados, desde cedo, em escolinhas de futebol com a perspectiva de se tornarem jogadores profissionais. Al&eacute;m disso, muitos acompanham os jogos de suas equipes do cora&ccedil;&atilde;o e ouvem as an&aacute;lises de jornalistas e comentaristas "especializados" sobre t&eacute;cnica e t&aacute;tica. Esses fatores, aliados a outros, faz com que o futebol no contexto escolar seja esvaziado de conhecimento e import&acirc;ncia, uma vez que, o grupo ao qual ele foi historicamente oferecido tem, em outros espa&ccedil;os, a possibilidade de aprendizagem e forma&ccedil;&atilde;o desse conte&uacute;do e, &agrave;s meninas, imputa-se uma dificuldade de media&ccedil;&atilde;o, gastando, muito tempo da aula na tentativa de organizar uma pr&aacute;tica. De forma que, no pa&iacute;s do futebol, h&aacute; pouca reflex&atilde;o e sistematiza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica sobre o futebol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas... Como pode a escola e a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica escolar ficarem alheias &agrave;s discuss&otilde;es sobre a organiza&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o da Copa do Mundo de Futebol no Brasil? Temos acompanhado pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que a popula&ccedil;&atilde;o brasileira vem se manifestando de maneira favor&aacute;vel ou desfavor&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o a tais feitos, mas... e a escola, como tem mediado o debate com seus alunos?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como ficar alheios &agrave; quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia que acontece na sociedade e no futebol, que atinge principalmente os jovens? Vimos na &uacute;ltima rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol, de 2013, s&eacute;rie A, cenas de viol&ecirc;ncia nas arquibancadas; temos presenciado constantemente not&iacute;cias sobre conflitos entre grupos de pessoas que se denominam torcedores sejam de clubes rivais e at&eacute; do mesmo clube, conflitos esses que v&ecirc;m tirando a vida de muitos jovens e cujos posicionamentos jur&iacute;dicos geram a&ccedil;&otilde;es que influenciam na din&acirc;mica da partida do futebol, tais como perda de mando de campo, cria&ccedil;&atilde;o do Estatuto do Torcedor, cadastramento do torcedor organizado, investimento em c&acirc;meras de seguran&ccedil;a nas imedia&ccedil;&otilde;es do est&aacute;dio o que leva os conflitos para as &aacute;reas perif&eacute;ricas, onde o controle e a seguran&ccedil;a s&atilde;o p&iacute;fios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E como n&atilde;o problematizar a homofobia e o sexismo existentes no futebol brasileiro? No est&aacute;dio h&aacute; um reconhecimento t&aacute;cito de que o homem pode chorar e se emocionar pelo seu clube e abra&ccedil;ar o colega ao lado (mesmo que n&atilde;o o conhe&ccedil;a) no momento da comemora&ccedil;&atilde;o do gol. Entretanto, n&atilde;o h&aacute; questionamentos sobre o fato de o futebol ser um dos poucos espa&ccedil;os da sociedade onde os homens n&atilde;o podem se manifestar sobre outra op&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o seja a heterossexual. Viol&ecirc;ncias simb&oacute;licas s&atilde;o cometidas com permissividade e isso tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; tema de reflex&atilde;o. Comumente vemos nas escolas as quadras de futebol serem entregues aos meninos, enquanto &agrave;s meninas &eacute; reservado um espa&ccedil;o perif&eacute;rico para jogarem queimada, v&ocirc;lei ou qualquer outra coisa, quando n&atilde;o s&atilde;o convidadas a assistirem os meninos jogarem futebol e torcerem durante as aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica ou nos momentos em que a bola &eacute; oferecida &agrave; turma para o preenchimento de hor&aacute;rio das aulas cujos professores est&atilde;o ausentes. Tamb&eacute;m n&atilde;o se d&aacute; aten&ccedil;&atilde;o ao menino que n&atilde;o quer jogar futebol ou a menina que tem desejo em aprender as habilidades do jogo, ambos, muitas vezes, s&atilde;o estereotipados pelo grupo escolar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o merece aten&ccedil;&atilde;o por parte da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica escolar os fatos racistas que acontecem, sobretudo nos campos de futebol europeus? J&aacute; no Brasil, tal pr&aacute;tica n&atilde;o ocorre explicitamente como na Europa, mas de forma velada quando se alimenta o mito que o bom jogador &eacute; nascido e criado nas periferias das cidades e o bom dirigente precisa ter conhecimento espec&iacute;fico para administrar o clube e seu patrim&ocirc;nio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DRIBLANDO OS BASTIDORES E AS T&Eacute;CNICAS DE JOGO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E as altas cifras que envolvem o futebol, trazendo aos jovens a ilus&atilde;o de que podem enriquecer da noite para o dia e terem os mesmos privil&eacute;gios materiais e imateriais que seus &iacute;dolos? O que se sabe sobre a realidade profissional dos atletas? N&atilde;o seriam esses, temas a serem abordados nas aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica escolar, para al&eacute;m do ensino (quando acontece) das regras e t&eacute;cnicas?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro tema pouco abordado refere-se &agrave;s t&aacute;ticas de jogo. Ser&aacute; que todos os estudantes reconhecem em campo os esquemas t&aacute;ticos praticados pelas equipes e o que significam? Ser&aacute; que tal conhecimento &eacute; adquirido durante as transmiss&otilde;es das partidas quando a emissora, para apontar a escala&ccedil;&atilde;o da equipe, exibe a foto dos jogadores e a posi&ccedil;&atilde;o que ocupam no campo, eximindo da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica esse conhecimento?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os conhecimentos sobre a fisiologia do corpo de um esportista, bem como as formas de treinamento s&atilde;o, tamb&eacute;m, negligenciados nas aulas. Quais mudan&ccedil;as f&iacute;sicas e fisiol&oacute;gicas ocorrem em nosso corpo quando praticamos exerc&iacute;cios f&iacute;sicos regularmente? E quando isso ocorre em situa&ccedil;&atilde;o de alto rendimento, h&aacute; diferen&ccedil;as? Isso n&atilde;o &eacute; ensinado na escola.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns professores se vangloriam por apresentar a hist&oacute;ria do futebol em suas aulas. Para eles, narrar o epis&oacute;dio do mito fundador Charles Miller basta. Mas... e a hist&oacute;ria que n&atilde;o se conta? A hist&oacute;ria dos clubes, das institui&ccedil;&otilde;es centen&aacute;rias, do time tradicional do bairro, de suas respectivas torcidas? O que se sabe sobre isso? Seria a internet a principal fonte de informa&ccedil;&atilde;o sobre esses dados?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E o que dizer sobre os of&iacute;cios que envolvem o futebol? Para al&eacute;m dos jogadores, comiss&atilde;o t&eacute;cnica, &aacute;rbitros e dirigentes, quais outras profiss&otilde;es (diretas e indiretas) permeiam o universo do futebol? Qual a divis&atilde;o social do trabalho envolvida nessas profiss&otilde;es?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em nenhum momento deste artigo negamos a viv&ecirc;ncia pr&aacute;tica deste conte&uacute;do no ambiente escolar. Muito pelo contr&aacute;rio! Mas passar todos os anos da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica considerando-o apenas como um jogo ou "tapa-buraco", desprovido de maiores reflex&otilde;es sobre tudo que essa pr&aacute;tica envolve &eacute; um equ&iacute;voco. Nosso esfor&ccedil;o &eacute; para que ele seja entendido como uma pr&aacute;tica pedag&oacute;gica e que, como tal, precisa de planejamento, conhecimento e recursos materiais e audiovisuais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro equ&iacute;voco &eacute; entender que os &uacute;nicos espa&ccedil;os poss&iacute;veis para que se desenvolvam as aulas sobre futebol na escola, principalmente na educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, sejam as quadras, os campos ou os p&aacute;tios. Outros espa&ccedil;os tamb&eacute;m possibilitam metodologias diversas. A sala de aula, por exemplo, tamb&eacute;m pode ser um espa&ccedil;o para que essas aulas aconte&ccedil;am, n&atilde;o s&oacute; em dias de chuva, como comumente ocorre. Que tal utilizarmos as mesas da cantina para uma partida de futebol de prego, ou desenhar uma quadra no ch&atilde;o do corredor para as aulas sobre futebol de bot&atilde;o. Quem sabe a biblioteca para procurarmos poemas, pinturas e reportagens sobre o pr&oacute;prio futebol ou temas afins. Talvez a sala de inform&aacute;tica tamb&eacute;m fosse poss&iacute;vel para conhecermos as possibilidades do futebol virtual (existe at&eacute; campeonato brasileiro dessa modalidade, sabia?). N&atilde;o devemos nos esquecer dos espa&ccedil;os externos &agrave; escola para visitas a museus, est&aacute;dios, clubes, federa&ccedil;&otilde;es para que se aprenda as diversas possibilidades de ensino-aprendizagem da cultura corporal do movimento, do qual o futebol &eacute; um grande protagonista.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. DaMatta, R.; Neves, L. F. B.; Guedes, S. L.; Vogel, A. <i>Universo do futebol: esporte e sociedade brasileira</i>. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Richter, A. C. "Dos lugares do esporte nas aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica: algumas possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica". <i>Cadernos de Forma&ccedil;&atilde;o RBCE</i>, Campinas, n.1, p.43-56, set./2009.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Daolio, J. <i>Cultura, educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e futebol</i>. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bracht, V. "Educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica: conhecimento e especificidade". In: Sousa, E. S.; Vago, T . M. <i>Trilhas e partilhas: educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica na cultura escolar e nas pr&aacute;ticas sociais</i>. Belo Horizonte: Cultura, 1997, p.13-23.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Coletivo de autores. <i>Metodologia de ensino de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica</i>. S&atilde;o Paulo, Cortez, 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nic&aacute;cio, L. G. "O torcer no futebol como possibilidade de lazer e a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica escolar". 127f. Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado em lazer). Escola de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Fisioterapia e T erapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Silvio Ricardo da Silva</b> &eacute; professor da Escola de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcidas (GEFuT/UFMG). </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Priscila Augusta Ferreira Campos</b> &eacute; professora licenciada e bacharel em educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica pela UFMG, mestre em lazer (UFMG) e doutoranda em educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Faz parte do GEFuT/UFMG. </i></font></p>      ]]></body><back>
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