<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252014000300005</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252014000300005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Educação avaliada por métricas duvidosas em debate]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gomes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marina]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>66</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>10</fpage>
<lpage>11</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252014000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252014000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252014000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br>   RANKINGS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Educa&ccedil;&atilde;o avaliada por m&eacute;tricas duvidosas em debate</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marina Gomes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Incont&aacute;veis modelos de classifica&ccedil;&atilde;o, com variados prop&oacute;sitos, m&eacute;tricas e metodologias, t&ecirc;m colocado em cheque a validade dos rankings escolares. A multiplica&ccedil;&atilde;o de &iacute;ndices e listas impacta o modelo de educa&ccedil;&atilde;o e acaba por influenciar e alterar a orienta&ccedil;&atilde;o de escolas, sejam de ensino fundamental, m&eacute;dio ou superior.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um relat&oacute;rio publicado em 2012 pela Academia Brit&acirc;nica, organiza&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncias humanas no Reino Unido, concluiu que as listas classificat&oacute;rias, de fato, afetam o comportamento. "Em alguns casos, isso pode ser bom, mas n&atilde;o universalmente. O governo, que tem sido em grande parte respons&aacute;vel por promover essas tabelas, deve pensar com mais cuidado sobre seus usos e dar aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sensibiliza&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico para suas propriedades. H&aacute; a necessidade de avaliar seu funcionamento num sentido amplo, de modo que os seus melhores aspectos possam ser preservados, ao mesmo tempo em que se limitam suas desvantagens. &Eacute; fundamental, ainda, ressaltar a necessidade de abordar as limita&ccedil;&otilde;es de rankings: se s&atilde;o estatisticamente duvidosos, isso mina qualquer ponto forte que possam ter. E se &eacute; para ser cont&iacute;nuo, algumas das quest&otilde;es delineadas dever&atilde;o ser direcionadas para garantir o cumprimento dos objetivos e ser realmente funcional aos <i>policy makers</i>, profissionais e p&uacute;blico em geral", escreveram os respons&aacute;veis pelo documento, intitulado "Measuring Sucess".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A professora Ellen Hazelkorn, do Dublin Institute of Technology, explica em seu livro <i>Rankings and the reshaping of higher education: the battle for world class excellence</i> (MacMillan, 2011) que a crescente obsess&atilde;o pelos rankings teve in&iacute;cio na d&eacute;cada de 1990. Ela menciona a revista <i>US News &amp; World Report</i>, cuja edi&ccedil;&atilde;o especial sobre as melhores faculdades da Am&eacute;rica &eacute; publicada desde 1987, e conta que a inten&ccedil;&atilde;o inicial era orientar os candidatos na escolha de uma escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje, por&eacute;m, fomentam uma ferrenha concorr&ecirc;ncia entre as institui&ccedil;&otilde;es na busca pela legitima&ccedil;&atilde;o de excel&ecirc;ncia e prest&iacute;gio. "Rankings s&atilde;o um fen&ocirc;meno cultural muito t&iacute;pico de nossa cultura de mercado. Gostamos de saber quem est&aacute; em primeiro lugar, quem &eacute; o campe&atilde;o. Achamos natural fazer isso com times de futebol, corridas de autom&oacute;veis, de cavalos, com cantores de televis&atilde;o, &iacute;ndices de sa&uacute;de, pobreza, felicidade, bem-estar, taxas de crescimento. N&atilde;o se trata mais de saber se os rankings s&atilde;o efetivos ou n&atilde;o. Agora, s&atilde;o inevit&aacute;veis. Como todo ranking, suas metodologias podem e devem ser discutidas, aperfei&ccedil;oadas e entendidas por todos. Eles se transformaram numa realidade do mundo presente, com enorme impacto no imagin&aacute;rio mundial", afirma Edson Nunes, professor universit&aacute;rio, Ph.D. em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e autor do livro <i>Educa&ccedil;&atilde;o superior no Brasil: estudos, debates, controv&eacute;rsias</i>, com a colabora&ccedil;&atilde;o da equipe do Observat&oacute;rio Universit&aacute;rio, que coordena.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DIVERSIDADE E LIMITA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se, por um lado, prega-se que os rankings tornam as universidades e os processos mais transparentes, n&atilde;o &eacute; menos sabido que as pr&oacute;prias metodologias sofrem de opacidade. "Tudo depende do que voc&ecirc; espera dos rankings, e todos envolvem par&acirc;metros dif&iacute;ceis de medir ou mesmo de definir. N&atilde;o &eacute; por outro motivo que temos tantos rankings com resultados diferentes. O que definitivamente n&atilde;o se deve fazer &eacute; tom&aacute;-los como definidores absolutos de qualidade das institui&ccedil;&otilde;es. &Eacute; comum os dirigentes terem uma atitude de desprezo em rela&ccedil;&atilde;o aos rankings e ao mesmo tempo comemorar cada vez que sua institui&ccedil;&atilde;o aparece bem em algum deles", aponta o professor associado do Instituto de F&iacute;sica e ex-coordenador de rela&ccedil;&otilde;es internacionais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Tessler.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para validar um ranking, &eacute; pertinente compreender o escopo da sua elabora&ccedil;&atilde;o. Afinal, podem ser realizados por governos, entidades, organiza&ccedil;&otilde;es, revistas, comunidades acad&ecirc;micas, com diversos crit&eacute;rios e interesses. Portanto, o primeiro olhar deve ter o intuito de identificar quem os fez, o p&uacute;blico ao qual se destinam e os itens "somados" na conta. &Eacute; preciso ter em mente que o conjunto deles trata de uma &iacute;nfima parte das institui&ccedil;&otilde;es de ensino. A European University Association (EUA) fez um dossi&ecirc; e mostrou que as listagens n&atilde;o abrangem mais do que 3% de um total de 17.500 universidades espalhadas pelo mundo. Ou seja, a imensa maioria est&aacute; completamente exclu&iacute;da do sistema.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ENSINO M&Eacute;DIO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As administra&ccedil;&otilde;es governamentais no Brasil disp&otilde;em de uma extensa lista de rankings e avalia&ccedil;&otilde;es, em todos os n&iacute;veis: Enem no ensino m&eacute;dio, Saresp no ensino fundamental e o Enade no universit&aacute;rio. "&Eacute; f&aacute;cil compreender o porqu&ecirc; desse processo: a engrenagem que impulsiona todas as institui&ccedil;&otilde;es a enquadrarem-se no sistema mercadol&oacute;gico/industrial. N&atilde;o &eacute; de assustar a quantidade de outdoors espalhados pelas ruas promovendo as notas nos rankings. Esses resultados vendem matr&iacute;culas, credibilidade e a ilus&atilde;o da compet&ecirc;ncia da escola. E s&atilde;o danosos na medida em que vendem uma nota que representa sucesso garantido e a ideia de que a escola &eacute; uma ind&uacute;stria", analisa Stella de Melo Silva, especialista em doc&ecirc;ncia universit&aacute;ria, mestre em divulga&ccedil;&atilde;o cultural e cient&iacute;fica e membro da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Pesquisadores e Profissionais da Educomunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A professora conta que em sua entrevista para um mestrado, com professores de uma escola privada do ensino m&eacute;dio, notou que esses profissionais est&atilde;o presos a um sistema engessado que envolve, entre outros, formar para o vestibular. "Mas n&atilde;o se melhora a qualidade da escola 'rankiando' alunos e professores, porque a escola lida com material humano e este, por sua vez, n&atilde;o cabe numa tabela de contabilidade e estat&iacute;sticas; tem variantes, possibilidades, indisponibilidades", conclui. A docente Nora Krawczyk, da Unicamp, autora do livro <i>Sociologia do ensino m&eacute;dio</i> (Cortez, 2014) acrescenta outro agravante: o pa&iacute;s oferece apenas um tipo de ensino m&eacute;dio, o acad&ecirc;mico, voltado para o vestibular, com um curr&iacute;culo extenso e desgastante, que faz com que cerca de 40% dos ingressantes n&atilde;o consigam finaliz&aacute;-lo.</font></p>      ]]></body>
</article>
