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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO     <br>   ARTE E CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Colis&otilde;es criativas na f&iacute;sica de part&iacute;culas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alice Giraldi</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n3/a07img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O maior laborat&oacute;rio de pesquisa de f&iacute;sica de part&iacute;culas do mundo, conhecido pela sigla CERN (Conseil Europ&eacute;en pour la Recherche Nucl&eacute;aire , ou Organiza&ccedil;&atilde;o Europeia para Pesquisa Nuclear, em portugu&ecirc;s), vem sediando um tipo diferente de experimento, al&eacute;m dos complexos estudos protagonizados por f&iacute;sicos que se dedicam a colidir part&iacute;culas na velocidade da luz para compreender as origens do universo. O Grande Colisor de H&aacute;drons (LHC), acelerador de part&iacute;culas de 27 km de extens&atilde;o, instalado num t&uacute;nel subterr&acirc;neo na fronteira franco-su&iacute;&ccedil;a, tamb&eacute;m &eacute; cen&aacute;rio do Collide@CERN (Colis&atilde;o no CERN), programa especial de resid&ecirc;ncia dirigido a um seleto e privilegiado grupo de artistas. A proposta &eacute; oferecer uma oportunidade &uacute;nica de imers&atilde;o art&iacute;stica num ambiente de alta tecnologia, ao lado dos cerca de tr&ecirc;s mil cientistas de diversas nacionalidades que atuam no laborat&oacute;rio. A imers&atilde;o deve ser uma fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento de projetos que incluem fotografia, videoinstala&ccedil;&otilde;es, m&uacute;sica eletr&ocirc;nica, dan&ccedil;a contempor&acirc;nea e proje&ccedil;&otilde;es digitais. "Pareceu natural que um laborat&oacute;rio que est&aacute; constantemente mudando a nossa percep&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o sobre o mundo se transforme num espa&ccedil;o onde artistas possam colocar em pr&aacute;tica seus exerc&iacute;cios de imagina&ccedil;&atilde;o", explica a produtora cultural brit&acirc;nica, Ariane Koek, que coordena o programa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTERC&Acirc;MBIO ARTE-CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em julho de 2014 o artista japon&ecirc;s Ryoji Ikeda inicia uma temporada de tr&ecirc;s meses no conhecido centro de pesquisas, onde, h&aacute; cerca de dois anos, foi identificado o b&oacute;son de Higgs, descoberta que abocanhou o pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica de 2013. Ikeda foi selecionado, em janeiro deste ano, para participar da resid&ecirc;ncia pelo pr&ecirc;mio de arte eletr&ocirc;nica de Linz, na &Aacute;ustria. Um dos artistas contempor&acirc;neos de maior prest&iacute;gio na produ&ccedil;&atilde;o de obras baseadas em imagens em movimento, som e novas m&iacute;dias, ele veio ao Brasil em 2012. Aqui, apresentou a obra <i>The radar</i>, uma proje&ccedil;&atilde;o de imagens e sons digitais que foi instalada na praia do Diabo, ao lado do Arpoador, no Rio de Janeiro. "A resid&ecirc;ncia no CERN me oferece uma valiosa liberdade de tempo e espa&ccedil;o para pesquisar e explorar novas &aacute;reas, num dos maiores centros de tecnologia do mundo, sem nenhum tipo de press&atilde;o, algo que eu procurava h&aacute; muito tempo. Estou muito animado para come&ccedil;ar", declarou o artista, residente em Paris.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"O Ikeda &eacute; uma excelente escolha", avalia o f&iacute;sico S&eacute;rgio Novaes, em entrevista via skype diretamente do CERN, onde passou uma temporada durante o primeiro semestre de 2014, desenvolvendo projetos de pesquisa no CMS (Solen&oacute;ide de M&uacute;on Compacto), um dos detectores de part&iacute;culas do LHC. Professor e pesquisador do Instituto de F&iacute;sica da Unesp, Novaes foi um dos poucos cientistas brasileiros a participar dos esfor&ccedil;os internacionais que levaram &agrave; descoberta do b&oacute;son de Higgs. "Considerando o tipo de trabalho que o Ikeda faz, creio que o CERN vai oferecer arte pronta para ele. As imagens que produzimos aqui a partir das colis&otilde;es s&atilde;o muito est&eacute;ticas", afirma o f&iacute;sico, referindo-se particularmente &agrave; beleza dos "event displays", imagens captadas pelos supercomputadores do CERN em tempo real, no momento da colis&atilde;o das part&iacute;culas. J&aacute; o compositor e pesquisador de m&uacute;sica eletroac&uacute;stica Flo Menezes, diretor art&iacute;stico do Studio PANaroma (S&atilde;o Paulo), tem reservas quanto &agrave; escolha de Ikeda para a resid&ecirc;ncia no CERN. "O trabalho dele &eacute; visualmente lindo, tem uma modernidade e um intervencionismo urbano interessante. Mas, musicalmente falando, &eacute; superficial", avalia Menezes, que, como Ikeda, tamb&eacute;m ganhou o pr&ecirc;mio de arte eletr&ocirc;nica de Linz, &Aacute;ustria, em 1995.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A participa&ccedil;&atilde;o de Ikeda fecha um ciclo de tr&ecirc;s anos do programa Colli-de@CERN, criado em 2011 por Ariane Koek. Antes dele, o laborat&oacute;rio recebeu outros tr&ecirc;s artistas. Em 2011, o artista alem&atilde;o Julius von Bismarck realizou uma s&eacute;rie de interven&ccedil;&otilde;es com a participa&ccedil;&atilde;o de cientistas. No ano seguinte, o core&oacute;grafo su&iacute;&ccedil;o Giles Jobin produziu o espet&aacute;culo de dan&ccedil;a <i>Quantum</i>. Com a aproxima&ccedil;&atilde;o do fim do programa original de resid&ecirc;ncia, uma nova iniciativa para promover atividades art&iacute;sticas de abrang&ecirc;ncia internacional no laborat&oacute;rio j&aacute; foi iniciada. Trata-se do Accelerate@CERN, programa destinado a artistas que queiram desenvolver projetos de pesquisa com dura&ccedil;&atilde;o de um m&ecirc;s no LHC. "A ideia &eacute; a cada ano selecionar dois artistas, de dois pa&iacute;ses diferentes, que nunca tenham visitado uma institui&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica antes, por meio de competi&ccedil;&otilde;es nacionais", explica Koek. Os dois primeiros pa&iacute;ses a participarem do novo programa s&atilde;o a Gr&eacute;cia, cujo artista conta com recursos da Funda&ccedil;&atilde;o Onassis Cultural, e a Su&iacute;&ccedil;a, com artista patrocinado pela organiza&ccedil;&atilde;o Pro Helvetia in Creative Arts. Para 2015, j&aacute; est&aacute; prevista a participa&ccedil;&atilde;o de artistas da &Aacute;ustria e de Taiwan. "Adorar&iacute;amos trabalhar com o Brasil, que &eacute; um pa&iacute;s muito rico culturalmente", sugere Koek. Para tanto, explica a coordenadora do programa, uma ou mais funda&ccedil;&otilde;es culturais brasileiras precisariam se dispor a promover um concurso de &acirc;mbito nacional, a fim de selecionar um artista e, depois, patrocinar o seu m&ecirc;s de estadia no CERN.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTE E IMAGIN&Aacute;RIO CIENT&Iacute;FICO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora a combina&ccedil;&atilde;o da f&iacute;sica de part&iacute;culas com arte possa parecer improv&aacute;vel &agrave; primeira vista, Koek afirma que as duas &aacute;reas compartilham muitas afinidades. "F&iacute;sicos de part&iacute;culas e artistas n&atilde;o est&atilde;o assim t&atilde;o distantes um do outro, afinaleles exploram o seu lugar no mundo, buscam o 'como' e o 'porqu&ecirc;' de estarem aqui. Na verdade, o que os cientistas fazem na f&iacute;sica de part&iacute;culas &eacute; exatamente o que um artista faz: eles pensam al&eacute;m do paradigma e, ent&atilde;o, partem para a concretiza&ccedil;&atilde;o do trabalho."</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; Novaes n&atilde;o cr&ecirc; que o ambiente do acelerador de part&iacute;culas seja capaz de estimular a criatividade - pelo menos no diz respeito &agrave; atividade de pesquisa dos f&iacute;sicos. "Aqui &eacute; trabalho ininterrupto, duro. Quando estamos imersos no CERN ficamos mais para 99% de transpira&ccedil;&atilde;o e apenas 1% de inspira&ccedil;&atilde;o", afirma ele. Mas o pesquisador acredita que a aproxima&ccedil;&atilde;o da f&iacute;sica de altas energias com a arte pode auxiliar o p&uacute;blico em geral na compreens&atilde;o de sutilezas do mundo das part&iacute;culas. "Quando se trata desse tema, as analogias do cotidiano n&atilde;o s&atilde;o capazes de dar conta do nosso imagin&aacute;rio. Por exemplo: temos a tend&ecirc;ncia de associar a imagem de um el&eacute;tron girando em torno do &aacute;tomo como uma pequena bola de bilhar. No entanto, um s&oacute; el&eacute;tron est&aacute; mais para uma nuvem, uma poeira, uma densidade - qualquer coisa, menos para uma bola de bilhar.</font></p>      ]]></body>
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