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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O    <br>   AMAZ&Ocirc;NIA SEM FRONTEIRAS/ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Amaz&ocirc;nia um bioma multinacional</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Adalberto Luis Val</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia, a tecnologia e a inova&ccedil;&atilde;o, ao lado da capacita&ccedil;&atilde;o de pessoal em n&iacute;vel de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, vivem um novo momento no Brasil e a realiza&ccedil;&atilde;o da Reuni&atilde;o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia, em pleno ano 2014 na cidade de Rio Branco no estado do Acre, ilustra-o de forma efetiva e por meio de m&uacute;ltiplos &acirc;ngulos, j&aacute; que a ci&ecirc;ncia &eacute; uma atividade social com fins sociais. Vejamos alguns desses aspectos nesta curta introdu&ccedil;&atilde;o e, em seguida, nos artigos que comp&otilde;em este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico. A an&aacute;lise apresentada em ambos os momentos deve servir de est&iacute;mulo para uma viagem pela Amaz&ocirc;nia profunda, por suas dimens&otilde;es, seus povos, suas diversidades e suas singularidades que se distribuem por todos os pa&iacute;ses do norte da Am&eacute;rica do Sul.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas dessas caracter&iacute;sticas da Amaz&ocirc;nia s&atilde;o descritas, discutidas, comparadas e apresentadas h&aacute; muito tempo. Dos muitos textos que poderiam referenciar essa coloca&ccedil;&atilde;o, destaco o trecho a seguir, do livro <i>Tesouro descoberto no m&aacute;ximo rio Amazonas,</i> do Padre Jo&atilde;o Daniel que viveu na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica de 1741 a 1757, quando, por ordem do Marqu&ecirc;s de Pombal, foi mantido preso em Portugal. Nesse livro, exaltando as caracter&iacute;sticas dessa regi&atilde;o, diz:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; sem d&uacute;vida o Amazonas o <b>m&aacute;ximo</b> dos rios, sem inj&uacute;ria dos Nilos, N&uacute;bias e Zaires da &Aacute;frica, dos Eufrates, Ganges e Indos da &Aacute;sia, dos Dan&uacute;bios e R&oacute;danos da Europa, dos Pratas, Orinocos e Mississipis da mesma Am&eacute;rica, em cujo meio ou centro o Amazonas se (ileg&iacute;vel) gigante, chamado com raz&atilde;o pelos naturais de mar branco, paran&aacute; petinga. E se J&uacute;lio C&eacute;sar prometia ceder o imp&eacute;rio a quem lhe mostrasse a fonte do grande Nilo, qual seria o pr&ecirc;mio a quem lhe apontasse a fonte do m&aacute;ximo Amazonas, em cuja compara&ccedil;&atilde;o aquele se avaliaria pigmeu, ou pequeno regato, e envergonhado, por n&atilde;o poder correr parelhas com este, fugiria a esconder-se na sua pequena m&atilde;e? (1)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Impressiona a atualidade dessa obra publicada h&aacute; mais de duzentos anos (2), em particular pela precis&atilde;o com que trata o <b>m&aacute;ximo </b>Amazonas, ao mesmo tempo liga&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos e coletor central do sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na obra<i> Am&eacute;rica Latina: Chegou a hora de nossa identidade</i>, Darcy Ribeiro adverte que n&atilde;o h&aacute; no mundo regi&atilde;o mais integrada que a Am&eacute;rica Latina e ressalta dois planos: o lingu&iacute;stico e o cultural (3). Pois bem, atrevo-me a acrescentar um terceiro plano: a Amaz&ocirc;nia. Nove dos treze pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul s&atilde;o amaz&ocirc;nicos e compartilham as caracter&iacute;sticas desta megarregi&atilde;o. Ainda que a maior parte do bioma ocupe o territ&oacute;rio brasileiro, a responsabilidade &eacute; multinacional j&aacute; que o bioma amaz&ocirc;nico &eacute; uma regi&atilde;o sem fronteiras. Tomemos quatro recortes para ilustrar essa asser&ccedil;&atilde;o, enfatizando que n&atilde;o pretendemos esgot&aacute;-los sob nenhum aspecto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>COOPERA&Ccedil;&Atilde;O, CAPACITA&Ccedil;&Atilde;O E FIXA&Ccedil;&Atilde;O DE PESSOAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os nove pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos compartilham de praticamente todas as caracter&iacute;sticas que envolvem o enorme bioma amaz&ocirc;nico: a diversidade ambiental e biol&oacute;gica, a riqueza mineral, a religi&atilde;o, muitos aspectos culturais, os ribeirinhos e suas cren&ccedil;as e folclores, entre outros. Por outro lado, v&aacute;rios desafios regionais permeiam, da mesma forma, todos os pa&iacute;ses que integram o bioma amaz&ocirc;nico. Entre esses desafios destacam-se: comunica&ccedil;&atilde;o, transporte, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia e tecnologia. Contudo, o maior dos desafios &eacute; proporcionar &agrave; regi&atilde;o desenvolvimento com a manuten&ccedil;&atilde;o da floresta em p&eacute;. Considerando os m&uacute;ltiplos matizes desse imenso bioma multinacional, a abordagem poss&iacute;vel &eacute; obrigatoriamente interdisciplinar, com produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es robustas que permitam interven&ccedil;&otilde;es seguras. Em muitos casos, tais interven&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m n&atilde;o resguardam as fronteiras entre os pa&iacute;ses, envolvendo necessariamente mais de um pa&iacute;s. Para isso, duas quest&otilde;es precisam ser encaminhadas de forma soberana e eficaz: coopera&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o de pessoal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; hoje uma quest&atilde;o estrat&eacute;gica para governos e institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa. Al&eacute;m do princ&iacute;pio fundamental que deve nortear a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, isto &eacute;, a simetria de interesses e a&ccedil;&otilde;es, a Amaz&ocirc;nia precisa ser vista pelos pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos como um laborat&oacute;rio para o desenvolvimento ambientalmente sustent&aacute;vel, com processos sociais includentes. Ignacy Sachs, diretor do Centro de Estudos sobre o Brasil Contempor&acirc;neo da Escola de Altos Estudos em Ci&ecirc;ncias Sociais (Paris), vem ressaltando exatamente isso em suas manifesta&ccedil;&otilde;es que, de longa data, s&atilde;o tamb&eacute;m abra&ccedil;adas e enfatizadas pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC). A rigor, no que se refere &agrave; Amaz&ocirc;nia, os processos de coopera&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica no bioma, requerem a&ccedil;&otilde;es conjuntas em todos os n&iacute;veis da organiza&ccedil;&atilde;o social, j&aacute; que n&atilde;o &eacute; suficiente colocar um "muro" em cada pa&iacute;s como forma de proteger o bioma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo apresentado por Claudio Ruy Vasconcelos da Fonseca, intitulado "Coopera&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia, tecnologia, inova&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos", al&eacute;m de trazer para reflex&atilde;o a quest&atilde;o da necess&aacute;ria coopera&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos, ressalta que mais de 50% de toda a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mundial &eacute; realizada em coautoria. Um ponto relevante apresentado por Fonseca se refere ao fato de que mais de 60% do investimento em ci&ecirc;ncia e tecnologia &eacute; feito de forma unilateral pelo Brasil. Mesmo tendo uma pequena parcela dos investimentos em C&amp;T, a Amaz&ocirc;nia brasileira se destaca na gera&ccedil;&atilde;o de conhecimento sobre a regi&atilde;o. Este conhecimento, por um esfor&ccedil;o conjunto entre os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos, deve permear a regi&atilde;o como um todo. Para o Brasil essa a&ccedil;&atilde;o &eacute; estrat&eacute;gica, posto que os recursos naturais n&atilde;o observam fronteiras e, no que se refere aos recursos h&iacute;dricos, &eacute; preciso ter em conta que a maioria absoluta dos cursos d'&aacute;gua s&atilde;o transfronteiri&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fonseca apresenta ainda uma reflex&atilde;o importante sobre "Coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em ambientes desiguais". No caso espec&iacute;fico do bioma amaz&ocirc;nico, os ambientes s&atilde;o desiguais entre os pa&iacute;ses e dentro dos pa&iacute;ses, com destaque mai&uacute;sculo para a Amaz&ocirc;nia brasileira que, representando cerca de 60% do territ&oacute;rio brasileiro, recebe em torno de 4% dos investimentos totais em ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o. Paradoxalmente, mesmo com um investimento nacional desigual, o conhecimento produzido a partir da Amaz&ocirc;nia brasileira ganha destaque. Esse aspecto ganha um novo <i>momentum</i> a partir da cria&ccedil;&atilde;o das funda&ccedil;&otilde;es estaduais de amparo &agrave; pesquisa (FAPs) do lado brasileiro, que ainda trilham o caminho da plena consolida&ccedil;&atilde;o. As FAPs est&atilde;o proporcionando um processo especialmente importante que envolve n&atilde;o s&oacute; a produ&ccedil;&atilde;o de novas informa&ccedil;&otilde;es a partir dos interesses das sociedades locais, mas tamb&eacute;m um <i>ring the bell</i> para as ag&ecirc;ncias nacionais acerca do necess&aacute;rio rompimento dos desequil&iacute;brios nacionais. &Eacute; importante ressaltar que a quest&atilde;o dos desequil&iacute;brios regionais j&aacute; era uma preocupa&ccedil;&atilde;o de ag&ecirc;ncias nacionais, mas o fosso era, e continua sendo, t&atilde;o grande que um sistema organizado e combinado passou a ter maior repercuss&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; nesse contexto que a forma&ccedil;&atilde;o e fixa&ccedil;&atilde;o de pessoal qualificado emerge como um grande desafio pois requer estrat&eacute;gias bem definidas, tempo, diversifica&ccedil;&atilde;o para contemplar as diferentes &aacute;reas do saber e, principalmente, processos n&atilde;o convencionais que venham a somar com a manuten&ccedil;&atilde;o do pessoal qualificado na regi&atilde;o. Dada a car&ecirc;ncia de pessoal que atinge todos os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos, inclusive nosso pa&iacute;s - ainda que neste caso de forma diferenciada dos demais pa&iacute;ses - poderia oferecer apoio no sentido de instrumentalizar os sistemas dos pa&iacute;ses vizinhos, por exemplo, como a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de bancos de dados de grande relev&acirc;ncia para o ensino e pesquisa como a Plataforma Lattes, o Diret&oacute;rio dos Grupos de Pesquisas do Brasil, o Portal de Peri&oacute;dicos, no que couber, entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas das &aacute;reas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o avaliadas pela Capes carecem de programas estruturados, tanto em universidades brasileiras quanto em universidades dos pa&iacute;ses vizinhos. V&aacute;rias dessas &aacute;reas est&atilde;o intrinsicamente vinculadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es relevantes para o desenvolvimento sustent&aacute;vel da regi&atilde;o como um todo, bem como &agrave; importante tarefa de capacitar pessoal para a sustentabilidade do desenvolvimento. Tomemos, entre outras &aacute;reas, a engenharia naval, a antropologia, a farmacologia e a aquicultura. Outras &aacute;reas s&atilde;o igualmente importantes e vitais para a regi&atilde;o, mas estas s&atilde;o emblem&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vejamos: para uma regi&atilde;o anf&iacute;bia como a Amaz&ocirc;nia, a engenharia naval &eacute; vital para o desenvolvimento de meios eficientes para o transporte regional, n&atilde;o s&oacute; de pessoas, mas principalmente para o escoamento de produtos regionais. Ali&aacute;s, ressalte-se que o transporte &eacute; um dos principais gargalos para a concretude das cadeias produtivas regionais. Sendo estas fundamentais para os processos de inclus&atilde;o social e gera&ccedil;&atilde;o de renda, pode-se dizer que a falta de pessoal qualificado para dar nova dimens&atilde;o ao transporte regional &eacute; limitante para a melhoria da qualidade de vida na regi&atilde;o, principalmente da popula&ccedil;&atilde;o que vive afastada dos grandes centros regionais. Sem conhecer a hist&oacute;ria humana da regi&atilde;o, os processos culturais envolvidos com a evolu&ccedil;&atilde;o do bioma e com as conex&otilde;es inter-regionais, n&atilde;o h&aacute; como desenhar novos processos. O etnoconhecimento dos povos da regi&atilde;o &eacute; rico e envolve um mundo at&eacute; agora longe da ci&ecirc;ncia, no Brasil e nos pa&iacute;ses vizinhos. Basta visitar os mercados locais, entre eles o Ver-o-Peso de Bel&eacute;m que fornece um vasto conjunto de ervas medicinais, para uma fotografia desse aspecto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fortemente conectada ao conhecimento tradicional e dele podendo avan&ccedil;ar de forma significativa est&aacute; a farmacologia. Por milhares de anos os povos da Amaz&ocirc;nia n&atilde;o tiveram acesso aos rem&eacute;dios modernos e, ainda hoje, muitas comunidades do interior da Amaz&ocirc;nia continuam sem acesso aos avan&ccedil;os que a ci&ecirc;ncia tem proporcionado. As dificuldades de sa&uacute;de dessas comunidades incluem entre outras, muitas enfermidades conhecidas nas cidades que s&atilde;o cuidadas por meio de "po&ccedil;&otilde;es" preparadas com base no conhecimento local. &Eacute; muito prov&aacute;vel que boa parte do material utilizado para o preparo dessas "po&ccedil;&otilde;es" contenha princ&iacute;pios ativos fundamentais existentes na floresta e que possam servir de pontos de partida para o desenho de novos medicamentos. O fortalecimento da farmacologia regional pode contribuir de forma marcante com os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos nesse caso, al&eacute;m de ter potencial para contribuir tamb&eacute;m com os processos de inclus&atilde;o social e gera&ccedil;&atilde;o de renda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, e igualmente importante, est&aacute; a aquicultura. O consumo de pescado pela popula&ccedil;&atilde;o regional &eacute; relativamente alto e, apenas por esse aspecto, considerando o tamanho da popula&ccedil;&atilde;o regional, j&aacute; se justificaria a qualifica&ccedil;&atilde;o de pessoal para otimizar tecnologicamente a aquicultura de esp&eacute;cies amaz&ocirc;nicas. No entanto, h&aacute; pelo menos tr&ecirc;s outros aspectos que devem ser considerados no que se refere &agrave; import&acirc;ncia da aquicultura voltada a esp&eacute;cies amaz&ocirc;nicas: a) o potencial de esp&eacute;cies de peixes amaz&ocirc;nicos, como o tambaqui ou cachama ou gamitana, o pirarucu ou paiche, e o matrinch&atilde;, que podem perfeitamente se transformar em esp&eacute;cies para a piscicultura mundial; b) a import&acirc;ncia da diversidade gen&eacute;tica mantida por essas esp&eacute;cies em seus ambientes naturais que permite a recomposi&ccedil;&atilde;o dos estoques mantidos sob altas taxas de <i>inbreeding </i>nos ambientes de cria&ccedil;&atilde;o; e c) a import&acirc;ncia da produ&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies de peixes para a recomposi&ccedil;&atilde;o de ambiente degradados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deve ser destacada a colabora&ccedil;&atilde;o que os programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileiros t&ecirc;m proporcionado para a capacita&ccedil;&atilde;o de pessoal dos pa&iacute;ses vizinhos. O tratado de coopera&ccedil;&atilde;o amaz&ocirc;nica (OTCA) tem papel importante nesse contexto, em particular a partir da retomada de suas a&ccedil;&otilde;es nos &uacute;ltimos anos. No passado a Uni&atilde;o das Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Amaz&ocirc;nicas (Unamaz) teve tamb&eacute;m papel relevante. &Eacute; importante que essas organiza&ccedil;&otilde;es supranacionais possam ser proativas no sentido de desenhar a&ccedil;&otilde;es integradas para a conserva&ccedil;&atilde;o do bioma amaz&ocirc;nico, mas tamb&eacute;m voltadas para a melhoria da qualidade de vida humana na regi&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BIODIVERSIDADE E ADAPTA&Ccedil;&Otilde;ES &Agrave;S MUDAN&Ccedil;AS AMBIENTAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A biodiversidade &eacute; o patrim&ocirc;nio relevante da Amaz&ocirc;nia, o Eldorado de fato, e desde os tempos mais remotos, tem desafiado naturalistas de todas as nacionalidades. Esse interesse sempre cresceu ao longo dos s&eacute;culos ap&oacute;s o descobrimento dessas terras e, ainda hoje, a Amaz&ocirc;nia continua sendo alvo de interesses diversos. No final do s&eacute;culo XVIII muitas foram as expedi&ccedil;&otilde;es naturalistas a servi&ccedil;o do governo portugu&ecirc;s. Pedro Nunes no s&eacute;culo XVI se referiu &agrave;s viagens portuguesas assim: "Os portugueses ousaram cometer o grande mar Oceano. Entraram por ele sem receio. Descobriram novas ilhas, novas terras, novos mares, novos povos e o que mais &eacute;, novos c&eacute;us e novas estrelas". Interessava nesse per&iacute;odo as descobertas, muitas delas realizadas antes dos fundamentos e das defini&ccedil;&otilde;es da ci&ecirc;ncia moderna. &Eacute; nesse contexto que ocorreu uma das expedi&ccedil;&otilde;es mais marcantes na Amaz&ocirc;nia, a expedi&ccedil;&atilde;o de Alexandre Rodrigues Ferreira entre 1783 e 1792, que percorreu dezenas de milhares de quil&ocirc;metros por uma regi&atilde;o in&oacute;spita e pouco habitada e coletou "precioso e vasto material" que est&aacute; depositado em v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es portuguesas, francesas e brasileiras (6). No volume II dessa obra h&aacute; um cap&iacute;tulo especial: "Herb&aacute;rio de peixes do Brasil do s&eacute;culo XVIII", com especial destaque para "Herb&aacute;rios e t&eacute;cnica de prepara&ccedil;&atilde;o" onde se encontra a seguinte instru&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para peixes, a t&eacute;cnica de "herb&aacute;rio" foi inventada no s&eacute;culo XVIII por Iohannes Friederich Gronow (1690-1760), ou Gronovius, naturalista holand&ecirc;s cuja fam&iacute;lia, origin&aacute;ria de Hamburg, se fixara em Leyden. Teve ampla divulga&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das <i>Philosophical Transactions of the Royal Society of London</i> (1742) e da sua tradu&ccedil;&atilde;o em franc&ecirc;s (1760). O peixe eviscerado e ap&oacute;s a elimina&ccedil;&atilde;o da musculatura e da pele do lado oculto, era &agrave;s vezes desinfectado (por exemplo com sab&atilde;o arsenical), preso por alfinetes ao suporte, geralmente de cart&atilde;o, e seco: ao sol ou, no inverso, junto do fogo".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta t&eacute;cnica foi utilizada por muito tempo pelos naturalistas que visitaram e coletaram peixes nos muitos rios da Amaz&ocirc;nia. Hoje, na Amaz&ocirc;nia, continua-se a coletar e depositar o material coletado em cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas que, felizmente, est&atilde;o adequadamente organizadas, podem receber o material coletado e disponibilizar informa&ccedil;&otilde;es para os estudiosos das &aacute;reas de taxonomia e sistem&aacute;tica. Algumas dessas cole&ccedil;&otilde;es est&atilde;o em destacadas institui&ccedil;&otilde;es amaz&ocirc;nicas como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia, Brasil (Inpa), o Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi, Brasil (MPEG), o Instituto Amaz&oacute;nico de Investigaciones Cient&iacute;ficas Sinchi, Col&ocirc;mbia (Sinchi), entre outras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cerca de duzentos anos antes, uma expedi&ccedil;&atilde;o igualmente relevante foi a de Francisco de Orellana e dos irm&atilde;os Pizzaro que n&atilde;o tinham como objetivo a coleta de material biol&oacute;gico; buscavam uma especiaria espec&iacute;fica: a canela. Depois de significativo sofrimento e redu&ccedil;&atilde;o da tropa, encontraram algumas &aacute;rvores de <i>Aniba canelilla </i>que n&atilde;o sabiam n&atilde;o ser o verdadeiro cinamomo, <i>Melia azedarach</i>, nativa do oriente, de onde se extrai o alde&iacute;do cin&acirc;mico. Foi muito mais tarde que qu&iacute;micos brasileiros descobriram que a casca da <i>Aniba</i> continha o composto 2-nitrofeniletano que d&aacute; a esta planta o t&iacute;pico cheiro de canela que, de certa forma, permitiu &agrave;queles expedicion&aacute;rios a consecu&ccedil;&atilde;o de parte de seus objetivos. Assim, pode-se dizer que essa expedi&ccedil;&atilde;o marca a busca de produtos naturais, como esse, escondidos na vasta diversidade biol&oacute;gica existente na regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas e muitas publica&ccedil;&otilde;es retratam a diversidade biol&oacute;gica abrigada na Amaz&ocirc;nia. S&atilde;o milhares de esp&eacute;cies de plantas, peixes, aves, anf&iacute;bios e r&eacute;pteis. S&atilde;o tamb&eacute;m milhares de esp&eacute;cies de fungos e bact&eacute;rias. S&atilde;o milh&otilde;es de esp&eacute;cies de invertebrados. Muitos mais est&atilde;o nos diversos rinc&otilde;es da Amaz&ocirc;nia, desconhecidos da ci&ecirc;ncia. Se do alto a regi&atilde;o parece homog&ecirc;nea, a vis&atilde;o se torna completamente diferente quando se caminha por entre os cip&oacute;s, no seio da floresta. N&atilde;o s&oacute; a diversidade ambiental emerge; junto com ela a diversidade biol&oacute;gica, sem espa&ccedil;os homog&ecirc;neos. Essa &eacute; a diversidade que podemos ver, com ou sem aux&iacute;lio de instrumentos, que ampliam a capacidade de nossa vista. No entanto, uma diversidade muito maior come&ccedil;a a emergir a partir das an&aacute;lises que estamos fazendo sobre o material gen&eacute;tico das poucas esp&eacute;cies at&eacute; aqui coletadas para essa finalidade. &Eacute; um mundo novo, um mundo que se mede pela pr&oacute;pria imensurabilidade que tem como base as informa&ccedil;&otilde;es que v&ecirc;m sendo produzidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse conjunto de informa&ccedil;&otilde;es, inscrito nos genomas das diferentes esp&eacute;cies, permite que os organismos se adaptem aos diferentes desafios impostos pelos ambientes amaz&ocirc;nicos que, em muitos casos, resultam em novos arranjos fisiogr&aacute;ficos. &Eacute; o caso dos extensos bosques de bambu do g&ecirc;nero <i>Guadua</i>, magistralmente descrito por Evandro Jos&eacute; Linhares Ferreira nesta edi&ccedil;&atilde;o da revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>. No Acre e Amazonas esses bosques s&atilde;o conhecidos como "tabocais" e no Peru como "pacales". De acordo com o texto de Ferreira, 59%, mais da metade da cobertura vegetal do Acre, s&atilde;o florestas prim&aacute;rias nas quais predomina o bambu. Esta caracter&iacute;stica exige processos diferenciados de manejo florestal a fim de utilizar essa importante esp&eacute;cie florestal. O manejo florestal nesse caso precisa ser acompanhado tamb&eacute;m de novas tecnologias para uso desse recurso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, essa imensa diversidade biol&oacute;gica, que lidou durante todo o processo evolutivo com desafios inerentes &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es ambientais naturais, come&ccedil;a a ter que lidar com desafios de origem antr&oacute;pica que se acentuam nos tempos atuais. Alguns desses desafios t&ecirc;m origem local e com efeitos tamb&eacute;m locais. &Eacute; o caso da minera&ccedil;&atilde;o, da abertura de novas estradas, da constru&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas, da expans&atilde;o desordenada de cidades, entre outros. No que se refere &agrave; minera&ccedil;&atilde;o, a do petr&oacute;leo &eacute; uma das mais perigosas, principalmente para os peixes. Neste caso, muitas esp&eacute;cies de peixes foram obrigadas a desenvolver, durante o processo evolutivo, estrat&eacute;gias para obter o oxig&ecirc;nio necess&aacute;rio &agrave; vida a partir da interface ar-&aacute;gua ou diretamente do ar. Al&eacute;m disso, muitas esp&eacute;cies de peixes da Amaz&ocirc;nia se alimentam de material depositado na superf&iacute;cie da coluna d'&aacute;gua. Portanto, a deposi&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo na superf&iacute;cie da coluna d'&aacute;gua como s&oacute;i acontecer nos cada vez mais frequentes acidentes na regi&atilde;o, as adapta&ccedil;&otilde;es moldadas durante o processo evolutivo para explorar a interface &aacute;gua-ar acabam representando uma importante desvantagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A regi&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m vulner&aacute;vel a desafios que t&ecirc;m origem em outros lugares do planeta, principalmente nos pa&iacute;ses desenvolvidos. Neste caso, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas causadas majoritariamente pelo aumento dos n&iacute;veis atmosf&eacute;ricos de di&oacute;xido de carbono (CO<sub>2</sub>), entre outros gases causadores de efeito estufa, que resultam em aquecimento generalizado do planeta, resultam em desafios adicionais aos organismos da Amaz&ocirc;nia. A savaniza&ccedil;&atilde;o de parte da regi&atilde;o, por exemplo, aparece de forma significativa nos cen&aacute;rios ambientais futuros publicados at&eacute; aqui. Em adi&ccedil;&atilde;o a este efeito e como consequ&ecirc;ncia dele, h&aacute; desafios regionais que se apresentam de forma ampliada e que for&ccedil;am plantas e animais a se ajustarem (ou n&atilde;o) a essas novas condi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo apresentado neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico por Maria Teresa Fernandez Piedade e colaboradores, intitulado "Organismos aqu&aacute;ticos e de &aacute;reas &uacute;midas em uma Amaz&ocirc;nia em transi&ccedil;&atilde;o" trata desse assunto com coloca&ccedil;&otilde;es relevantes para o contexto em curso no bioma amaz&ocirc;nico, procurando entender as respostas de plantas e animais a esses novos desafios. Essas informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o especialmente relevantes para subsidiar a&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o ambiental, bem como contribuir com a defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. As adapta&ccedil;&otilde;es refletem a plasticidade dos organismos e podem ocorrer em todos os n&iacute;veis da organiza&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica. Embora vantajosa para dist&uacute;rbios ambientais brandos e pontuais num ambiente est&aacute;vel, as adapta&ccedil;&otilde;es que resultam em especializa&ccedil;&otilde;es podem n&atilde;o ser vantajosas quando os organismos s&atilde;o expostos a desafios agudos produzidos por humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um conjunto recente de mudan&ccedil;as ambientais que vem ocorrendo de forma r&aacute;pida envolve o aquecimento global e cen&aacute;rios ambientais conexos. Ainda que muitos organismos aqu&aacute;ticos da Amaz&ocirc;nia tenham evolu&iacute;do em per&iacute;odos geol&oacute;gicos que continham concentra&ccedil;&otilde;es de CO<sub>2</sub> muito maiores do que as atuais e tamb&eacute;m mais quentes, a poss&iacute;vel vulnerabilidade deles &eacute; desconhecida. O artigo de Piedade e colaboradores traz uma importante reflex&atilde;o sobre esses aspectos. No Inpa, por meio do Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia Centro de Estudos das Adapta&ccedil;&otilde;es da Biota Aqu&aacute;tica da Amaz&ocirc;nia (INCT-Adapta), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) e da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), h&aacute; um conjunto de salas climatizadas que reproduzem os cen&aacute;rios clim&aacute;ticos para o ano 2100 de acordo com a previs&atilde;o do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC). Nestes ambientes est&aacute; sendo estudado como diferentes esp&eacute;cies da Amaz&ocirc;nia responder&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, incluindo esp&eacute;cies de peixes de import&acirc;ncia comercial, como o tambaqui, plantas que ocorrem nas v&aacute;rzeas e mosquitos respons&aacute;veis pela transmiss&atilde;o de importantes doen&ccedil;as amaz&ocirc;nicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Igualmente importante e necess&aacute;rio &eacute; conhecer como se comporta a regi&atilde;o como um todo no que se refere ao clima mundial, bem como qu&atilde;o vulner&aacute;vel se torna em face das interven&ccedil;&otilde;es locais como o uso da terra, expans&atilde;o das cidades, constru&ccedil;&atilde;o de estradas e hidrel&eacute;tricas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CLIMA E FUNCIONAMENTO DA FLORESTA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; um vasto conjunto de publica&ccedil;&otilde;es sobre a extens&atilde;o da floresta, sua capacidade de estocar carbono, retirado da atmosfera por meio da fotoss&iacute;ntese, sua capacidade de recompor-se a cada ciclo de cheia e vazante, sua din&acirc;mica fisiogr&aacute;fica e sua import&acirc;ncia na ciclagem de nutrientes e &aacute;gua. Nesta edi&ccedil;&atilde;o da <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i> o artigo apresentado por Paulo Artaxo e colaboradores, intitulado "Perspectivas de pesquisas na rela&ccedil;&atilde;o entre o clima e o funcionamento da floresta amaz&ocirc;nica", ao rever os avan&ccedil;os proporcionados pelos grandes projetos cient&iacute;ficos para o estudo das quest&otilde;es clim&aacute;ticas na Amaz&ocirc;nia, ilustra de forma singular a inter-rela&ccedil;&atilde;o entre a floresta e o clima que foi inicialmente demonstrada no &acirc;mbito do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amaz&ocirc;nia (LBA).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A riqueza de informa&ccedil;&otilde;es e os diversos matizes que interferem e determinam novas resultantes clim&aacute;ticas na Amaz&ocirc;nia formam um mundo a parte, t&atilde;o diverso que pode ser inclu&iacute;do entre as j&aacute; mencionadas diversidades amaz&ocirc;nicas. &Eacute; poss&iacute;vel analisar v&aacute;rios aspectos da rela&ccedil;&atilde;o clima <i>versus</i> funcionamento da floresta amaz&ocirc;nica, aspectos esses que envolvem vari&aacute;veis relevantes de acordo com a sub-regi&atilde;o, o que sugere que esses estudos se estendam por todo o bioma amaz&ocirc;nico, desde o sop&eacute; andino at&eacute; as praias atl&acirc;nticas da foz do Amazonas. No entanto, h&aacute; alguns pontos que precisam de aten&ccedil;&atilde;o especial, particularmente considerando o contexto cada vez mais globalizado a que todos estamos submetidos. Dois recortes devem ser mencionados aqui: servi&ccedil;os ambientais e seguran&ccedil;a social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entender claramente os processos de forma&ccedil;&atilde;o de nuvens na regi&atilde;o, que envolvem, entre outros, os VOCs (compostos org&acirc;nicos vol&aacute;teis) emitidos a partir da floresta, permite estimar como a regi&atilde;o contribui com o sucesso da agricultura, por exemplo, em espa&ccedil;os extra-amaz&ocirc;nicos. Contribuem, tamb&eacute;m, com o suprimento de &aacute;gua para regi&otilde;es com grande densidade populacional, como S&atilde;o Paulo. Os estudos sobre os "rios voadores", termo popularizado por Jos&eacute; Marengo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), t&ecirc;m definitivamente demonstrado a import&acirc;ncia desse servi&ccedil;o proporcionado pela floresta. Os estudos de pesquisadores do Inpa evidenciaram que uma &aacute;rvore com copa de cerca de 10 metros, pequena para os padr&otilde;es amaz&ocirc;nicos, &eacute; capaz de bombear mais de 300 litros de &aacute;gua na forma de vapor em um &uacute;nico dia. Est&aacute; claro que o corte raso da floresta hoje compromete imediatamente a disponibilidade de &aacute;gua em outras regi&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo ponto relevante em face dos novos cen&aacute;rios clim&aacute;ticos mundiais refere-se &agrave; seguran&ccedil;a social. O homem da Amaz&ocirc;nia, em particular o homem que vive no interior &agrave;s margens dos rios e em comunidades isoladas, depende da estabilidade ambiental para sua sobreviv&ecirc;ncia. Extremos clim&aacute;ticos como os que v&ecirc;m acontecendo de forma frequente passam a interferir de forma marcante com a qualidade de vida do homem da regi&atilde;o (7). Entender como funciona o sistema &eacute;, pois, de grande relev&acirc;ncia para o desenho de interven&ccedil;&otilde;es mitigat&oacute;rias e de adapta&ccedil;&atilde;o a esses novos cen&aacute;rios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESENVOLVIMENTO SUSTENT&Aacute;VEL NUMA AMAZ&Ocirc;NIA EM TRANSI&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como proporcionar &agrave; Amaz&ocirc;nia estrat&eacute;gias seguras para seu desenvolvimento com a manuten&ccedil;&atilde;o da floresta em p&eacute;? Muitas e muitas vezes nos deparamos com essa pergunta e, recorrendo ao senso comum, verificamos que o qu&ecirc; o mundo moderno chama de desenvolvimento levou os pa&iacute;ses desenvolvidos a consumirem seu patrim&ocirc;nio natural. &Eacute; esse o caminho a ser trilhado pela Amaz&ocirc;nia? Ainda que disponibilidade de energia el&eacute;trica, transporte, sa&uacute;de, entre outras facilidades da vida moderna, sejam requeridas pela popula&ccedil;&atilde;o regional, h&aacute; um sentimento profundo e de certa forma ancestral de que &eacute; necess&aacute;rio conciliar essas facilidades com a manuten&ccedil;&atilde;o da floresta em p&eacute;. As interven&ccedil;&otilde;es at&eacute; agora efetuadas na Amaz&ocirc;nia indicam claramente que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel importar estrat&eacute;gias desenvolvidas para outros rinc&otilde;es do planeta. Na grande maioria das vezes em que isso foi feito, ocorreu insucesso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recentemente, Marcovitch fez uma extensiva an&aacute;lise sobre a gest&atilde;o da Amaz&ocirc;nia, talvez uma das quest&otilde;es mais sens&iacute;veis para a regi&atilde;o, pois envolve aspectos muito sens&iacute;veis, entre eles as singularidades da cultura regional (8). Marcovitch relembra em suas palavras iniciais a coloca&ccedil;&atilde;o feita por Lester R. Brown quando comparou a floresta amaz&ocirc;nica a uma enorme biblioteca de biologia, sendo o setor relativo &agrave; variabilidade gen&ocirc;mica imensur&aacute;vel. Por consequ&ecirc;ncia, compara as queimadas da floresta ao extraordin&aacute;rio inc&ecirc;ndio que consumiu a biblioteca de Alexandria, que continha um acervo de incompar&aacute;veis propor&ccedil;&otilde;es, e representou uma das maiores "cat&aacute;strofes culturais registradas na hist&oacute;ria".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; neste contexto de desafios para o desenvolvimento sustent&aacute;vel, com manuten&ccedil;&atilde;o da floresta em p&eacute;, que a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) criou a Rede de Solu&ccedil;&otilde;es para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (SDSN, sigla em ingl&ecirc;s), coordenada por Jeffrey Sachs, assessor especial do secret&aacute;rio geral da ONU, e composta por especialistas da academia, sociedade civil e empres&aacute;rios. A SDSN-Amaz&ocirc;nia &eacute; coordenada por Virg&iacute;lio Viana. Viana e colaboradores prepararam um artigo elucidativo sobre a SDSN-Amaz&ocirc;nia, intitulado "Solu&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento sustent&aacute;vel da Amaz&ocirc;nia", valendo-se tamb&eacute;m das a&ccedil;&otilde;es realizadas na Amaz&ocirc;nia pela Funda&ccedil;&atilde;o Amazonas Sustent&aacute;vel (FAS), como unidades demonstrativas. No &acirc;mbito dessa iniciativa haver&aacute; um grupo, com participa&ccedil;&atilde;o da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, formado por pesquisadores dos v&aacute;rios pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos, buscando a&ccedil;&otilde;es integradas a partir de solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnica e cientificamente vi&aacute;veis.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os cinco artigos a seguir apresentados d&atilde;o uma mostra da diversidade de matizes que envolve o desenvolvimento sustent&aacute;vel da Amaz&ocirc;nia, a necessidade de solu&ccedil;&otilde;es robustas para a inclus&atilde;o social e gera&ccedil;&atilde;o de renda. Mostram claramente que a interdisciplinaridade &eacute; vital para o desenvolvimento e que a manuten&ccedil;&atilde;o da floresta em p&eacute; depende de a&ccedil;&otilde;es integradas por todos os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos. Boa leitura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Val, A. L., et al. "Amazonia: recursos hidricos e sustentabilidade". <i>Aguas do Brasil. Analises estrategicas</i>. C. E. d. M. Bicudo, J. G. Tundisi and M. C. B. Scheuenstuhl. Sao Paulo, ABC &amp; Instituto de Botanica: 95-109. 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Daniel, J. T<i>esouro descoberto no maximo rio Amazonas</i>. Rio de Janeiro, RJ, Contraponto Editora Ltda. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Ribeiro, D.. <i>America Latina: Chegou a hora de nossa identidade</i>. Sao Paulo, Memorial da America Latina. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Oliveira, A. M., et al.. "Caracterizacao da atividade de piscicultura nas mesorregioes do estado do Amazonas, Amazonia brasileira". <i>RevistaColombiana de Ciencia Animal </i>4(1): 154-162. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. <i>Inbreeding </i>e termo em ingles usado na ecologia para se referir ao cruzamento de individuos da mesma especie com alto grau de parentesco.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Ferrao, C. and J. P. M. Soares (Orgs.). <i>Viagem ao Brasil de AlexandreRodrigues Ferreira</i>. Rio de Janeiro, Kapa Editorial. Academia Brasileira de Ciencias. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Val, A. L., et al. Amazonia: Recursos hidricos e sustentabilidade. <i>Aguas do Brasil. Analises Estrategicas</i>. C. E. d. M. Bicudo, J. G. Tundisi and M. C. B. Scheuenstuhl. Sao Paulo, ABC &amp; Instituto de Botanica: 95-109. 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Marcovitch, J.. <i>A gestao da Amazonia: acoes empresariais, politicapublicas, estudos e propostas</i>. Sao Paulo, Editora da Universidade de Sao Paulo. 2011.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Adalberto Val</b> &eacute; pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa) e co-presidente do SDSN-Amaz&ocirc;nia.</font></p>      ]]></body><back>
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