<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252014000300012</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252014000300012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cooperação em ciência, tecnologia e inovação e educação nos países amazônicos]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
<given-names><![CDATA[Claudio Ruy Vasconcelos da]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>66</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>29</fpage>
<lpage>33</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252014000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252014000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252014000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   AMAZ&Ocirc;NIA SEM FRONTEIRAS/ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Coopera&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Claudio Ruy Vasconcelos da Fonseca</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O F&oacute;rum Mundial de Ci&ecirc;ncia ocorrido no Rio de Janeiro em novembro de 2013 discutiu a necessidade de mudan&ccedil;as nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, considerando que os sistemas econ&ocirc;mico e de transporte quase tornaram extintas as dist&acirc;ncias horizontais que separavam os mercados planet&aacute;rios. Tal situa&ccedil;&atilde;o provocou mudan&ccedil;as profundas nas din&acirc;micas ambientais e no comportamento social, transformando problemas, outrora localizados geograficamente, em grandes enigmas globais. A complexidade dos problemas ambientais est&aacute; a requerer solu&ccedil;&otilde;es inovadoras que, por sua vez, exigem articula&ccedil;&otilde;es multinacionais (pesquisas e tecnologias) e mudan&ccedil;as no dom&iacute;nio diplom&aacute;tico-cient&iacute;fico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento vem sendo considerada tarefa central para quase todos os pa&iacute;ses e, neste contexto, a transforma&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de uma sociedade do conhecimento &eacute; o caminho para assegurar prest&iacute;gio e competitividade (1). Pesquisa passa a ser encarada como parte da atividade econ&ocirc;mica requerendo a&ccedil;&otilde;es de agrega&ccedil;&atilde;o nos v&aacute;rios n&iacute;veis espaciais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso espec&iacute;fico dos pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos, estudos que avaliam pressupostos desta natureza s&atilde;o escassos e pouco &eacute; discutido sobre a dimens&atilde;o regional da produ&ccedil;&atilde;o colaborativa de conhecimento, a despeito de se considerar a coopera&ccedil;&atilde;o relevante &agrave;s pol&iacute;ticas de ci&ecirc;ncia e tecnologia dos pa&iacute;ses. Indicadores de produ&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia no s&eacute;culo XXI demonstram que colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; a caracter&iacute;stica predominante no mundo (2). Trabalhos em coautoria formam 50% de toda publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica atual (3).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O PROCEDIMENTO DO BRASIL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A literatura que analisa a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional, do ponto de vista pol&iacute;tico e estrat&eacute;gico, enxerga alguns impulsionadores para as publica&ccedil;&otilde;es em coautoria entre pa&iacute;ses nos v&aacute;rios continentes (3): i) A emerg&ecirc;ncia de alguns pa&iacute;ses (ex. Brics) com desenvolvimento de pesquisas e tecnologias reconhecidas como compat&iacute;veis com os padr&otilde;es internacionais; ii) o crescimento do debate sobre as mudan&ccedil;as globais, sustentabilidade energ&eacute;tica e seguran&ccedil;a em sa&uacute;de; iii) a globaliza&ccedil;&atilde;o da pesquisa e desenvolvimento acelerada pela mobilidade dos pesquisadores, atualmente mais vis&iacute;vel na pesquisa industrial; iv) o crescimento demogr&aacute;fico e o decr&eacute;scimo de capital humano para ci&ecirc;ncia e engenharia, resultando na escassez de talentos, o que torna a colabora&ccedil;&atilde;o uma via para atrair talentos de pa&iacute;ses parceiros; v) a amplia&ccedil;&atilde;o dos debates sobre pol&iacute;ticas e aspira&ccedil;&otilde;es para prover mais massa cr&iacute;tica e perfil internacional de excel&ecirc;ncia em pesquisa e, nesta conjuntura, a parceria com o melhor desempenha papel decisivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No espa&ccedil;o pan-amaz&ocirc;nico, os impulsionadores acima podem ter especial relev&acirc;ncia para pa&iacute;ses com razo&aacute;vel desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico, e n&atilde;o para a regi&atilde;o como um todo, considerando que h&aacute; assimetrias acentuadas entre os pa&iacute;ses e mesmo no interior destes. Tal situa&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e a ado&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias pol&iacute;ticas para ci&ecirc;ncia e desenvolvimento particulares para cada pa&iacute;s, o que pode ser um fator complicador na coopera&ccedil;&atilde;o regional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Olhando a Am&eacute;rica do Sul do ponto de vista econ&ocirc;mico, os indicadores mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) gerado no continente corresponde a US$ 4.797 bilh&otilde;es; somente o Brasil &eacute; respons&aacute;vel por US$2.324 bilh&otilde;es, correspondendo a 48,44% do PIB sul-americano. Aliado a isso, o Brasil aplica 1,07% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D), correspondendo a 63,5% do investimento latino-americano em P&amp;D (5). Tais n&uacute;meros est&atilde;o refletidos na infraestrutura brasileira de pesquisa e na quantidade de pesquisadores (cerca de 300 mil) no sistema de ci&ecirc;ncia e tecnologia (C&amp;T) nacional. Em virtude desses &iacute;ndices, o Brasil assume um papel cr&iacute;tico para o desenvolvimento dos sistemas de C&amp;T nos pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos. Em termos globais, os referidos pa&iacute;ses t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica no PIB mundial, sendo que corresponde ao Brasil 2,9% do total; o investimento em C&amp;T corresponde a 1,8% do total mundial, embora o investimento relativo ao setor privado seja ainda insignificante. Pa&iacute;ses desenvolvidos tais como Estados Unidos e Jap&atilde;o contribuem respectivamente com 32,6 e 12,9% do investimento mundial em C&amp;T (6). Nos relat&oacute;rios aqui investigados n&atilde;o s&atilde;o contabilizados os &iacute;ndices para os investimentos amaz&ocirc;nicos em C&amp;T; no entanto, pode-se inferir o "fosso" existente entre a pan-Amaz&ocirc;nia e o mundo desenvolvido, tomando-se como exemplo a din&acirc;mica brasileira de investimentos realizados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) onde, para a regi&atilde;o Norte, em 2013, foram liberados recursos da ordem de R$20 milh&otilde;es em projetos de pesquisas, sendo que para a regi&atilde;o Sudeste os mesmos investimentos somaram R$240 milh&otilde;es. Tal desequil&iacute;brio parece representar a situa&ccedil;&atilde;o dos investimentos em C&amp;T &agrave; pan-Amaz&ocirc;nia comparados com as regi&otilde;es mais desenvolvidas do mundo. Essa condi&ccedil;&atilde;o gera internamente expectativas pol&iacute;ticas que prontamente requerem maior equil&iacute;brio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OS GRUPOS DE PESQUISAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">An&aacute;lises sobre a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento demonstram a tend&ecirc;ncia global de publica&ccedil;&otilde;es em coautoria (4; 5). H&aacute; aumento na colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e nas liga&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia e tecnologia, encorajando a colabora&ccedil;&atilde;o entre academia e empresas, o que torna importante a mobilidade de pesquisadores nos &acirc;mbitos nacional e internacional. Afortunadamente, a comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica tem se tornado excelente meio para forma&ccedil;&atilde;o de grupos de pesquisa multinacionais e, nesse espa&ccedil;o, a coopera&ccedil;&atilde;o entre grupos em proximidade geogr&aacute;fica se intensifica (6), e mesmo a coopera&ccedil;&atilde;o entre grupos n&atilde;o simp&aacute;tricos ocorre mais livremente, porque a dist&acirc;ncia horizontal deixa de ser fator de isolamento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns arqu&eacute;tipos podem ser observados na promo&ccedil;&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, tais como: i) mudan&ccedil;as nos padr&otilde;es de financiamento de pesquisas; ii) imperativo de infraestruturas complexas; iii) a necessidade de aumentar o fluxo de ideias e t&eacute;cnicas; iv) car&ecirc;ncia de vis&atilde;o multidimensional sobre problemas complexos; v) fatores anal&iacute;ticos, que determinam o impacto das publica&ccedil;&otilde;es; vi) a correla&ccedil;&atilde;o positiva entre n&uacute;mero de coautorias e a probabilidade de publica&ccedil;&atilde;o. H&aacute; ainda o caso do decr&eacute;scimo de pesquisadores em algumas regi&otilde;es do mundo, fato que constrange o aumento da coopera&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, &eacute; importante dizer que trabalhos individuais tamb&eacute;m produzem impacto relevante desde que os resultados tenham n&iacute;veis de generaliza&ccedil;&atilde;o altos (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um diagn&oacute;stico sobre a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica entre os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos deve ser precedido de uma verifica&ccedil;&atilde;o dos sistemas de C&amp;T nos v&aacute;rios pa&iacute;ses que integram a regi&atilde;o. Assim, um documento importante sobre o estado da ci&ecirc;ncia nessa regi&atilde;o &eacute; o relat&oacute;rio da Unesco (2). H&aacute;, em pa&iacute;ses como o Brasil, Col&ocirc;mbia e Peru, algumas ilhas de excel&ecirc;ncia que significam polos de capacidade que podem se tornar motores para o desenvolvimento regional, mas h&aacute; necessidade de pol&iacute;ticas regionais adequadas que possam representar um alicerce importante de promo&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo multinacional. O n&uacute;mero de trabalhos em coautoria entre cientistas dos pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos &eacute; desconcertantemente baixo (7), mesmo em campos do conhecimento onde se esperaria maior relacionamento. Historicamente, o volume maior de coopera&ccedil;&atilde;o realizado por pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos sempre se deu com Estados Unidos e pa&iacute;ses europeus, chegando a representar 73% dos trabalhos em coautoria (3). Esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; paradoxal considerando que os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos t&ecirc;m realiza do muitos acordos de coopera&ccedil;&atilde;o sendo que este assunto &eacute; um dos itens da agenda estrat&eacute;gica da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado de Coopera&ccedil;&atilde;o Amaz&ocirc;nica (OTCA). Mas, existem explica&ccedil;&otilde;es para esse fato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os pa&iacute;ses sul-americanos que, al&eacute;m do Brasil, s&atilde;o frequentemente citados nos principais &iacute;ndices internacionais (base de dados ISI/Thomson Reuters, Scopus, entre outros) s&atilde;o Argentina e Chile. Os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos (excetuando o Brasil) n&atilde;o est&atilde;o entre os de produ&ccedil;&atilde;o significante, embora haja muito conhecimento oriundo deles. Esse fato desestimula e, de certo modo, dificulta a coopera&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos. No entanto, tem havido esfor&ccedil;os para promover a coparticipa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica atrav&eacute;s de entidades regionais, como a Associa&ccedil;&atilde;o de Universidades Amaz&ocirc;nicas (Unamaz) (criada em 1987), uma iniciativa de docentes e pesquisadores dos oito pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos durante o Semin&aacute;rio Internacional "Alternativas de Coopera&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, Tecnol&oacute;gica e Cultural entre Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior dos Pa&iacute;ses Amaz&ocirc;nicos (Citam)". Nos &uacute;ltimos dois anos, a OTCA tem estimulado maior integra&ccedil;&atilde;o regional, mas h&aacute; ainda grandes desafios a superar considerando as desigualdades nas estruturas de C&amp;T dos pa&iacute;ses signat&aacute;rios da organiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>COOPERA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA EM AMBIENTES DESIGUAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Rede Interamericana de Academias de Ci&ecirc;ncia declarou que durante o s&eacute;culo XXI, qualquer planejamento para inclus&atilde;o social e fortalecimento de sistemas de governan&ccedil;a dever&aacute; levar em considera&ccedil;&atilde;o aplica&ccedil;&atilde;o extensiva de conhecimento cient&iacute;fico, inova&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias (8). Chaimovich (9) prop&otilde;e algumas indaga&ccedil;&otilde;es muito oportunas quando o assunto &eacute; ci&ecirc;ncia e desenvolvimento: ci&ecirc;ncia competitiva ou colaborativa? Local ou internacional? Quais s&atilde;o os mecanismos de coopera&ccedil;&atilde;o internacional adequados?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica entre ambientes desiguais pressup&otilde;e ajustes <i>a priori</i>, sem o que n&atilde;o haver&aacute; como contribuir. Uma das disparidades no ambiente amaz&ocirc;nico ocorre em rela&ccedil;&atilde;o aos modelos de ensino superior. Os jovens estudantes necessitar&atilde;o ter curr&iacute;culos escolares equiparados para que as universidades ofere&ccedil;am n&iacute;veis semelhantes de preparo profissional. Isto j&aacute; ocorreu na Europa desde o in&iacute;cio dos anos 2000, onde o ensino superior est&aacute; igualado, sendo que os alunos pertencem ao sistema europeu de ensino, com possibilidades de ampla mobilidade interna, de modo que possam ter acesso sempre aos melhores professores, al&eacute;m de diplomas prontamente reconhecidos no espa&ccedil;o europeu, visando empregabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aprimoramentos no sentido da cria&ccedil;&atilde;o de um sistema educacional comum para os pa&iacute;ses membros da OTCA poderiam ser uma alavanca para antecipar o desenvolvimento da regi&atilde;o, mas n&atilde;o seria uma tarefa trivial. A infraestrutura para o sistema de C&amp;T na Amaz&ocirc;nia continental ainda n&atilde;o &eacute; suficiente e nem integrativa. N&atilde;o existem plataformas computacionais que unifiquem informa&ccedil;&otilde;es e possam criar indicadores sobre os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos, permitindo planejamentos consistentes e vis&atilde;o das prioridades. Al&eacute;m do Brasil, nenhum dos pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos possui banco de dados dos recursos humanos em C&amp;T e, tampouco, acesso &agrave; literatura de forma r&aacute;pida e completa, tal qual oferecem a plataforma Lattes do CNPq (<a href="http://lattes.cnpq.br" target="_blank">http://lattes.cnpq.br</a>) e o Portal de Peri&oacute;dicos da Capes (<a href="http://www.periodicos.capes.gov.br" target="_blank">http://www.periodicos.capes.gov.br</a>). No entanto, poder-se-ia oferecer ao ambiente pan-amaz&ocirc;nico possibilidades para acesso &agrave; Plataforma Lattes, por exemplo, como pol&iacute;tica de integra&ccedil;&atilde;o regional, dando visibilidade imediata ao conjunto de pesquisadores amaz&ocirc;nicos, al&eacute;m de explicitar os grupos de excel&ecirc;ncia e suas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o. Tal conex&atilde;o favoreceria a concep&ccedil;&atilde;o de programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o com financiamento internacional (bolsas e mobilidade) onde se pudesse reunir a capacidade cient&iacute;fica amaz&ocirc;nica, al&eacute;m de harmonizar um perspicaz olhar sobre as demandas do setor produtivo regional, proporcionando forma&ccedil;&atilde;o empreendedora. Esses programas deveriam fornecer ao aluno informa&ccedil;&otilde;es sobre a realidade econ&ocirc;mica regional e suas pol&iacute;ticas de amplia&ccedil;&atilde;o, as suas converg&ecirc;ncias e tend&ecirc;ncias desenvolvimentistas, bem como oportunidades de participa&ccedil;&atilde;o, como observadores, em reuni&otilde;es com tomadores de decis&otilde;es, onde s&atilde;o discutidos os problemas regionais, de modo a criar lideran&ccedil;as vigorosas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2010 o Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa) realizou uma oficina de planejamento juntamente com a Universidade Federal do Oeste do Par&aacute; (Ufopa) para promover a&ccedil;&otilde;es conjuntas no sentido de respaldar o desenvolvimento do chamado baixo Amazonas. Foram convidadas lideran&ccedil;as cient&iacute;ficas e de institui&ccedil;&otilde;es de fomento, al&eacute;m de l&iacute;deres do setor produtivo, para que houvesse um ajuste na mirada acad&ecirc;mica sobre a realidade local. O relat&oacute;rio resultante mostrou haver ampla desconex&atilde;o entre os interesses da academia regional e as demandas efetivas do setor produtivo, ou seja, os curr&iacute;culos dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e os programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, especialmente estes &uacute;ltimos, n&atilde;o estavam voltados &agrave; expectativa do conhecimento requerido pelo setor produtivo. Em outras palavras, &eacute; lament&aacute;vel que estejamos formando cientistas com menor capacidade para refletir sobre as implica&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas de suas pr&aacute;ticas. Muito provavelmente, a mesma situa&ccedil;&atilde;o deve repetir-se nos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o dos demais pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos. A integra&ccedil;&atilde;o de todos os sistemas de conhecimentos proporcionaria ambiente para enfrentar problemas complexos (tais como a seguran&ccedil;a alimentar, sa&uacute;de coletiva, desastres naturais e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas), mas que exigem solu&ccedil;&otilde;es perspicazes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia pan-amaz&ocirc;nica dever&aacute; ser competitiva em rela&ccedil;&atilde;o a outros espa&ccedil;os geopol&iacute;ticos, mas, dever&aacute; ser cooperativa interna e externamente. Assim, os mecanismos de coparticipa&ccedil;&atilde;o dever&atilde;o ser discutidos e ampliados para que n&atilde;o sejam preteridas as oportunidades individuais de cada na&ccedil;&atilde;o e tampouco da regi&atilde;o. A cria&ccedil;&atilde;o de uma atmosfera de economia baseada no conhecimento necessita de um espa&ccedil;o de intensa coopera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os indicadores educacionais globais mostram outra realidade que necessita ser modificada: a da n&atilde;o exist&ecirc;ncia de universidades de n&iacute;vel mundial na pan-Amaz&ocirc;nia. Nenhuma universidade regional ocupa classifica&ccedil;&atilde;o entre as duzentas ou trezentas mais importantes nos v&aacute;rios &iacute;ndices publicados (World University Rankings; QS World University Rankings; Academic Ranking of World Universities) que medem a qualidade do ensino, quantidade e impacto das pesquisas, transfer&ecirc;ncia de conhecimento e tecnologia e visibilidade internacional. Mesmo no ranking latino-americano, somente a Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA) aparece entre as duzentas mais importantes, ocupando a 124ª posi&ccedil;&atilde;o (QS Latin American University Rankings).  O paradoxo regional &eacute; que a influ&ecirc;ncia do conhecimento gerado na pan-Amaz&ocirc;nia &eacute; apenas tangencial quando se trata do desenvolvimento local. As ind&uacute;strias e a sociedade amaz&ocirc;nicas n&atilde;o s&atilde;o entusiasmadas pelo conhecimento produzido nas academias e estas, por sua vez, tamb&eacute;m n&atilde;o consideram o referido conhecimento como substrato para aprimoramento das suas atividades (10). As regi&otilde;es perif&eacute;ricas na Am&eacute;rica do Sul ressentem-se de lideran&ccedil;as que possam sustentar problemas cada vez mais complexos e oferecer solu&ccedil;&otilde;es compat&iacute;veis com a realidade regional e com as quest&otilde;es mundiais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando que a ci&ecirc;ncia produzida na Amaz&ocirc;nia carece de n&iacute;veis maiores de generaliza&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, &eacute; pouco citada por cientistas de outras latitudes, ser&aacute; imperioso que as universidades amaz&ocirc;nicas busquem diligentemente maior internacionaliza&ccedil;&atilde;o e novas formas institucionais. A cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os internacionais para cursos bilaterais ou multilaterais poder&aacute; permitir a mobilidade docente e discente, promover capacita&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e visibilidade, al&eacute;m da interdisciplinaridade (11).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O panorama da forma&ccedil;&atilde;o de capital humano de alta capacidade cognitiva na Amaz&ocirc;nia continental n&atilde;o &eacute; alvissareiro ponderando que, em 2010, segundo dados da Rede de Indicadores de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia Iberoamericana e Interamericana (Ricyt), havia 20.818 titulados em mestrados e 2.498 em n&iacute;vel de doutorado para os pa&iacute;ses da pan-Amaz&ocirc;nia, exceto o Brasil, sendo que este formou no mesmo per&iacute;odo 39.590 mestres e 11.314 doutores. Internamente, na Amaz&ocirc;nia brasileira, h&aacute; 6.412 alunos matriculados em programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, mas os n&uacute;meros se tornam p&iacute;fios quando comparados com o estado de S&atilde;o Paulo que inclui 56.941 alunos matriculados no sistema de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (12). No tocante &agrave; fixa&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, a regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica deve tornar-se atrativa para pesquisadores, especialmente jovens, mas tamb&eacute;m aos s&ecirc;niores, de modo a criar massa cr&iacute;tica que possa produzir um efeito multiplicador pujante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A modifica&ccedil;&atilde;o dos indicadores vistos acima &eacute; imperativa para a consolida&ccedil;&atilde;o da nova geopol&iacute;tica regional, a qual coloca a Amaz&ocirc;nia como &aacute;rea fulcral para integra&ccedil;&atilde;o continental (13). H&aacute;, no panorama comercial, fortes indicativos de um alinhamento, ainda mais intenso, das economias mais importantes da Am&eacute;rica do Sul (Brasil, Argentina, Chile, Venezuela) atrav&eacute;s do Mercosul, sendo que este bloco comercial come&ccedil;a a interessar outros pa&iacute;ses latino-americanos e africanos. Trata-se, atualmente, de um mercado com 250 milh&otilde;es de consumidores que, a semelhan&ccedil;a de consumistas de outros mercados come&ccedil;am a tomar consci&ecirc;ncia das expectativas do mercado verde e, nesse contexto, a pesquisa amaz&ocirc;nica emerge como a esperan&ccedil;a para a sustentabilidade e a substitui&ccedil;&atilde;o dos modelos econ&ocirc;micos vigentes. Mas, h&aacute; os que apostam na hostilidade do ambiente amaz&ocirc;nico e no determinismo ecol&oacute;gico, que impulsionam as centenas de habitantes locais &agrave; estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, aus&ecirc;ncia de empregabilidade e de renda (13). Contra esta situa&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; necess&aacute;ria a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e programas de integra&ccedil;&atilde;o compartilhados que construam a infraestrutura necess&aacute;ria (estradas, energia, ci&ecirc;ncia e tecnologia, etc) para alcan&ccedil;ar vantagem competitiva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PRIMEIRO MUNDO X TERCEIRO MUNDO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A imensa riqueza natural dispon&iacute;vel no territ&oacute;rio pan-amaz&ocirc;nico desafia os sistemas de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o dos respectivos pa&iacute;ses a competir com o chamado primeiro mundo. Contudo, esse clima de desafios n&atilde;o poder&aacute; desencadear concorr&ecirc;ncia intracontinental predat&oacute;ria, levando &agrave; eros&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o. Assim, o surgimento de uma diplomacia cient&iacute;fica para estabelecer coopera&ccedil;&atilde;o continental pac&iacute;fica seria providencial. Neste sentido, o Brasil deveria exercer lideran&ccedil;a segura considerando seu forte potencial cient&iacute;fico e sua tradicional posi&ccedil;&atilde;o conciliat&oacute;ria. O tema da sustentabilidade planet&aacute;ria implica em sustentabilidade ambiental, econ&ocirc;mica e social nos n&iacute;veis continental e singular de cada pa&iacute;s, desafios pr&oacute;prios do crescimento complexo, este requerendo esfor&ccedil;o gigantesco de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O panorama mundial assinala que a grande fronteira hoje em expans&atilde;o, no debate por lideran&ccedil;a econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e militar, situa-se, sobretudo, no dom&iacute;nio e controle sobre o conhecimento essencial &agrave; competitividade e &agrave; inovatividade. A produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o nova requer, cada vez mais, o esfor&ccedil;o compartilhado entre pares, inclusive aqueles situados em contextos nacionais e institucionais diversos. Assim, a coopera&ccedil;&atilde;o internacional dever&aacute; considerar essa tens&atilde;o entre o crescimento da competitividade e a necess&aacute;ria produ&ccedil;&atilde;o colaborativa de conhecimento. Abrem-se novos tempos para uma poss&iacute;vel democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e sua assimila&ccedil;&atilde;o social em favor de um desenvolvimento em novas bases, sob distintos pontos de vista. No plano da geopol&iacute;tica, coloca-se o desafio da desconcentra&ccedil;&atilde;o do conhecimento, beneficiando a manifesta&ccedil;&atilde;o de novos atores, com o surgimento de novas alian&ccedil;as e articula&ccedil;&otilde;es advindas dos interesses estrat&eacute;gicos (energia, recursos naturais) vistos como capital de realiza&ccedil;&atilde;o futura a mercados promissores. Haver&aacute; tamb&eacute;m a indica&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas de pesquisas que poder&atilde;o dar ensejo a agendas de iniciativas de colabora&ccedil;&atilde;o internacional em C&amp;T, com simetria de benef&iacute;cios e reciprocidades &agrave;s partes, ainda que em situa&ccedil;&otilde;es distintas no jogo de for&ccedil;as internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O refor&ccedil;o na coopera&ccedil;&atilde;o entre pa&iacute;ses da regi&atilde;o robustece as bases de negocia&ccedil;&atilde;o de eventuais iniciativas conjuntas com outros blocos regionais - por exemplo, a Uni&atilde;o Europeia - contribuindo para resolver disson&acirc;ncias em acordos de coopera&ccedil;&atilde;o internacional e corrigir equ&iacute;vocos de ordem estrat&eacute;gica. &Eacute; esta perspectiva que ir&aacute; permitir o enfrentamento da quest&atilde;o dos "privil&eacute;gios acumulados &#91;de uns poucos&#93; <i>versus</i> necessidades n&atilde;o respondidas &#91;da maioria&#93;", abrindo espa&ccedil;o para a prioriza&ccedil;&atilde;o de temas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A comunica&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e sociedade dever&aacute; ser expandida. Cientistas devem examinar problemas relevantes ao seu meio. Deve haver esfor&ccedil;o, no &acirc;mbito governamental, no sentido de evitar a fragilidade das institui&ccedil;&otilde;es de pesquisas e prevenir a drenagem de c&eacute;rebros (<i>braindrain</i>). A coopera&ccedil;&atilde;o assistencialista &eacute; outro fator que deve ser evitado, onde pa&iacute;ses desenvolvidos apenas utilizam o aumento da capacidade cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica em pa&iacute;ses em desenvolvimento, sem haver reciprocidade no reconhecimento da relev&acirc;ncia da ci&ecirc;ncia gerada nesses territ&oacute;rios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A&ccedil;&otilde;es de pesquisa que sejam efetuadas no &acirc;mbito da pan-Amaz&ocirc;nia acessando o patrim&ocirc;nio gen&eacute;tico, o conhecimento tradicional e a prote&ccedil;&atilde;o do conhecimento, pressup&otilde;em a harmoniza&ccedil;&atilde;o de marcos legais. De outro lado, dever&aacute; haver dilig&ecirc;ncias para que os pesquisadores, em qualquer parte da pan-Amaz&ocirc;nia tenham acesso &agrave; literatura cient&iacute;fica internacional, al&eacute;m de maior visibilidade relativa &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Para tal, ser&aacute; necess&aacute;ria a promo&ccedil;&atilde;o da excel&ecirc;ncia em pesquisa com eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de competitividade para garantir financiamento aos centros de excel&ecirc;ncia. Uma forma de alcan&ccedil;ar competitividade se d&aacute; atrav&eacute;s do incremento da infraestrutura, buscando facilidades multilaterais entre os Estados amaz&ocirc;nicos, para concretizar programas de suporte a infraestrutura que sejam transestaduais, para aquisi&ccedil;&atilde;o de equipamentos e para coopera&ccedil;&atilde;o e interoperacionalidade de instala&ccedil;&otilde;es visando realizar ou aumentar atividades complementares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se se pretende alcan&ccedil;ar melhor desempenho cient&iacute;fico na Amaz&ocirc;nia continental, ent&atilde;o dever&aacute; haver significativa melhora na operacionalidade da internet regional, aumentando sua capacidade para Mbits/seg e depois para Gbits/seg. Tamb&eacute;m ser&aacute; necess&aacute;ria a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos rec&iacute;procos de informa&ccedil;&atilde;o, e forma&ccedil;&atilde;o de comiss&atilde;o intergovernamental regional com a finalidade de promover os meios log&iacute;sticos e instrumentos legais para coordenar as atividades regionais de pesquisas. Uma das iniciativas &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o dessas demandas dever&aacute; ocorrer no &acirc;mbito do Observat&oacute;rio Regional Amaz&ocirc;nico, uma a&ccedil;&atilde;o da OTCA, em reuni&atilde;o realizada no Inpa em setembro de 2012. O observat&oacute;rio ter&aacute; a finalidade de elaborar estudos de interesse para a regi&atilde;o. Incluir&aacute; a Plataforma de Coopera&ccedil;&atilde;o na &Aacute;rea Ambiental, constitu&iacute;da por um sistema de informa&ccedil;&atilde;o integrado, com &ecirc;nfase na biodiversidade, al&eacute;m de um servi&ccedil;o regional de capacita&ccedil;&atilde;o. A gera&ccedil;&atilde;o de novas condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas para a Amaz&ocirc;nia continental, com equipara&ccedil;&atilde;o cognitiva, passa pelo compartilhamento de informa&ccedil;&otilde;es; isto requer um gigantesco esfor&ccedil;o regional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis, na literatura cient&iacute;fica, sobre o papel da Amaz&ocirc;nia mostram a sua import&acirc;ncia para a seguran&ccedil;a ambiental planet&aacute;ria. Mas, deve tamb&eacute;m ser abordada como essencial para a diversifica&ccedil;&atilde;o da base econ&ocirc;mica continental, notadamente agora, quando o mundo discute mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; chamada bioeconomia e, neste aspecto, deve-se pensar nos recursos da biodiversidade em n&iacute;vel tecnol&oacute;gico avan&ccedil;ado. Conforme a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC) (14) a Amaz&ocirc;nia &eacute; o desafio do s&eacute;culo XXI e deve ser um modelo de desenvolvimento que n&atilde;o destrua o patrim&ocirc;nio natural, mas que receba investimentos suficientes para reduzir o atraso relativo em compara&ccedil;&atilde;o a outras &aacute;reas com maior densidade tecnol&oacute;gica. &Eacute; urgente entender que n&atilde;o &eacute; utopia o fato de que na Amaz&ocirc;nia est&aacute; em andamento a transforma&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios da natureza em mercancias (15).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Hoekman, J.; Frenken, K; van Oort,  F. "The geography of collaborative knowledge production in Europe"<i>. Ann Reg  Sci </i>43:721-738, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. United Nations Educational,  Scientific and Cultural Organization. <i>Unesco  Science Report 2010</i>. Paris, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Meyer, M.; Bhattacharya, S.  "Commonalities and differences between scholarly and technical collaboration  an exploration of co-invention and co-authorship analyses". <i>Scientometrics </i>61(3):313-323, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Wagner-Doebler, R. "Continuity and  discontinuity of collaboration behavior since 1800 - from a bibliometric point of  view". <i>Scientometrics</i> 52(3):503-517, 2001</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Edler,J.; Cunningham, P.; Flanagan  , K. "Drivers of international collaboration in research". 2009. <a href="http://www.technopolis-group.com" target="_blank">http://www.technopolis-group.com</a>. Acessado em 28/03/2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Katz, J.S.; Martin,B.R. "What  is research collaboration?" <i>Res Policy</i> 26(1):1-18, 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Frenken,K; Holzl,W.; de Vor,F.  "The citation impact of research collaborations: the case of European biotechnology  and applied microbiology (1988-2002)". <i>J Eng Technol Manage </i>22(1-2):9-30,  2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.  Escalona-Fernandez, M.I; Pulgarin-Guerrero, A.; Oliveira, E.F.T; Maria Claudia Cabrini Gracio, M.C.C.  "Scientific collaboration network among Brazilian Universities: an  analysis in dentistry area". <i>Brazilian Journal of Information Science</i>.  6(1):16-38, 2012.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Chaimovich, H. In: <i>Foreign  relations meeting with representatives of the civil  society on the Fourth Summit of the Americas</i>. Mar del Plata, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.  Chaimovich, H. In: <i>Cooperacao Internacional na Era do  Conhecimento</i>. Brasilia:  Centro de Gestao e Estudos Estrategicos, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.  Fonseca, C. R. V. O "Arduo caminho para a consolidacao do sistema de ciencia  e tecnologia amazonico". <i>T&amp;C  Amazonia</i>, 10(21):4-8, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.  Banco Interamericano de Desarrollo. <i>Ciencia,  Tecnologia e Innovacion en America Latina y el Caribe. </i><a href="http://www.iadb.org" target="_blank">http://www.iadb.org</a>,  acessado em 28/03/2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.  Silva, F. C. T. "Amazonia: regiao-pivot da integracao sul-americana". <a href="http://www.blogdoalon.com/ftp/amazonia_pivot.pdf" target="_blank">http://www.blogdoalon.com/ftp/amazonia_pivot.pdf</a>,  acessado em 13/04/2014.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14.  Academia Brasileira de Ciencias. <i>Amazonia:  desafio brasileiro do seculo XXI</i>. Sao Paulo: Fundacao  Conrado Wessel, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15.  Becker, B. "Geopolitica da Amazonia". <i>Estudos Avancados </i>19(53), 2005.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Claudio Ruy Vasconcelos da Fonseca</b> &eacute; coordenador de biodiversidade e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa), diretor geral da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira para o Uso Sustent&aacute;vel da Biodiversidade da Amaz&ocirc;nia e professor da Universidade do Estado do Amazonas (Uea). Email: <a href="mailto:rclaudio@inpa.gov.br">rclaudio@inpa.gov.br</a></font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hoekman]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Frenken]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[van Oort]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The geography of collaborative knowledge production in Europe]]></article-title>
<source><![CDATA[Ann Reg Sci]]></source>
<year>2009</year>
<volume>43</volume>
<page-range>721-738</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization</collab>
<source><![CDATA[Unesco Science Report 2010]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Meyer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bhattacharya]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Commonalities and differences between scholarly and technical collaboration an exploration of co-invention and co-authorship analyses]]></article-title>
<source><![CDATA[Scientometrics]]></source>
<year>2004</year>
<volume>61</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>313-323</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wagner-Doebler]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Continuity and discontinuity of collaboration behavior since 1800: from a bibliometric point of view]]></article-title>
<source><![CDATA[Scientometrics]]></source>
<year>2001</year>
<volume>52</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>503-517</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Edler]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cunningham]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Flanagan]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Drivers of international collaboration in research]]></source>
<year>2009</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Katz]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martin]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[What is research collaboration?]]></article-title>
<source><![CDATA[Res Policy]]></source>
<year>1997</year>
<volume>26</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>1-18</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Frenken]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Holzl]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[de Vor]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The citation impact of research collaborations: the case of European biotechnology and applied microbiology (1988-2002)]]></article-title>
<source><![CDATA[J Eng Technol Manage]]></source>
<year>2005</year>
<volume>22</volume>
<numero>1-2</numero>
<issue>1-2</issue>
<page-range>9-30</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Escalona-Fernandez]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.I]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pulgarin-Guerrero]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.F.T]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Maria Claudia Cabrini Gracio]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.C.C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Scientific collaboration network among Brazilian Universities: an analysis in dentistry area]]></article-title>
<source><![CDATA[Brazilian Journal of Information Science]]></source>
<year>2012</year>
<volume>6</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>16-38</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chaimovich]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Foreign relations meeting with representatives of the civil society on the Fourth Summit of the Americas]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Mar del Plata ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chaimovich]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cooperacao Internacional na Era do Conhecimento]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Brasilia ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Gestao e Estudos Estrategicos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. R. V. O]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arduo caminho para a consolidacao do sistema de ciencia e tecnologia amazonico]]></article-title>
<source><![CDATA[T & C Amazonia]]></source>
<year>2011</year>
<volume>10</volume>
<numero>21</numero>
<issue>21</issue>
<page-range>4-8</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<collab>Banco Interamericano de Desarrollo</collab>
<source><![CDATA[Ciencia, Tecnologia e Innovacion en America Latina y el Caribe]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. C. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Amazonia: regiao-pivot da integracao sul-americana]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Academia Brasileira de Ciencias</collab>
<source><![CDATA[Amazonia: desafio brasileiro do seculo XXI]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Sao Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundacao Conrado Wessel]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Becker]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Geopolitica da Amazonia]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Avancados]]></source>
<year>2005</year>
<volume>19</volume>
<numero>53</numero>
<issue>53</issue>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
