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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   AMAZ&Ocirc;NIA SEM FRONTEIRAS/ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Perspectivas de pesquisas na rela&ccedil;&atilde;o entre clima e o funcionamento da floresta Amaz&ocirc;nica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paulo Artaxo; Maria Assun&ccedil;&atilde;o Faus da Silva Dias; Laszlo Nagy; Fl&aacute;vio J. Luiz&atilde;o; Hill&acirc;ndia Brand&atilde;o da Cunha; Carlos A. N. Quesada; Jos&eacute; A. Marengo; Alex Krusche</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisas recentes do programa LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amaz&ocirc;nia) demonstram liga&ccedil;&otilde;es entre o clima e o uso da terra na Amaz&ocirc;nia e o funcionamento do bioma (1). A vegeta&ccedil;&atilde;o tem uma estreita rela&ccedil;&atilde;o com a atmosfera, controlando uma s&eacute;rie de processos f&iacute;sico-qu&iacute;micos que influenciam a taxa de forma&ccedil;&atilde;o de nuvens, quantidade de n&uacute;cleos de condensa&ccedil;&atilde;o de nuvens, quantidade de vapor de &aacute;gua, balan&ccedil;o de radia&ccedil;&atilde;o, emiss&atilde;o de gases biog&ecirc;nicos e de efeito estufa entre tantas outras propriedades. A Amaz&ocirc;nia, por sua localiza&ccedil;&atilde;o tropical e grande &aacute;rea (<a href="#fig1">Figura 1</a>), &eacute; uma importante fonte de vapor de &aacute;gua para nosso planeta. Ela tamb&eacute;m cont&eacute;m o maior reservat&oacute;rio de carbono entre os ecossistemas terrestres, e tem um papel fundamental na mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em curso. A mobiliza&ccedil;&atilde;o de pequena fra&ccedil;&atilde;o do carbono acumulado na biomassa da floresta pode perturbar o ciclo de carbono global. A Amaz&ocirc;nia tamb&eacute;m &eacute; parte do mais intenso ciclo hidrol&oacute;gico de nosso planeta, com um sofisticado processamento e reciclagem de vapor de &aacute;gua, que alimenta a maior bacia hidrol&oacute;gica. Estes aspectos fazem da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica uma quest&atilde;o central em pesquisas de clima e nas mudan&ccedil;as globais. Desde seu in&iacute;cio, o programa LBA focou no relacionamento entre clima, ciclos biogeoqu&iacute;micos e o papel da mudan&ccedil;a de uso do solo em curso, alterando o funcionamento do bioma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n3/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LIGA&Ccedil;&Otilde;ES ENTRE A FLORESTA E O CLIMA REGIONAL E GLOBAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conhecemos ainda pouco dos intensos mecanismos de retroalimenta&ccedil;&atilde;o entre a ecologia b&aacute;sica do funcionamento da floresta e o clima da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica. O complexo funcionamento biol&oacute;gico da floresta, com fortes liga&ccedil;&otilde;es com o sistema hidrol&oacute;gico que a sustenta, e o armazenamento de carbono fazem da Amaz&ocirc;nia um laborat&oacute;rio &uacute;nico em nosso planeta (2). Sua enorme biodiversidade traz caracter&iacute;sticas &uacute;nicas ao funcionamento biol&oacute;gico e &agrave;s  rela&ccedil;&otilde;es com o clima regional, bem como &agrave; ecologia de ecossistemas. As emiss&otilde;es de compostos org&acirc;nicos vol&aacute;teis (VOCs) pelas plantas e sua posterior transforma&ccedil;&atilde;o em part&iacute;culas de aeross&oacute;is, com a consequente altera&ccedil;&atilde;o nos n&uacute;cleos de condensa&ccedil;&atilde;o de nuvens, &eacute; um exemplo importante dessa forte intera&ccedil;&atilde;o entre biosfera e atmosfera, uma &aacute;rea de cont&iacute;nuo foco de pesquisas futuras (3).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CLIMA DA AMAZ&Ocirc;NIA - PERSPECTIVAS OBSERVACIONAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conhecimento do clima amaz&ocirc;nico &eacute; relativamente recente. Algumas medidas de chuva e de n&iacute;veis de rios datam do in&iacute;cio do processo de coloniza&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, observa&ccedil;&otilde;es do clima voltadas para a busca da compreens&atilde;o de perguntas espec&iacute;ficas como por que, onde, e como chove, e qual a rela&ccedil;&atilde;o da floresta com a chuva e com a temperatura, se iniciaram na d&eacute;cada de 1980. Desde as primeiras medidas constatou-se a riqueza de processos e inter-rela&ccedil;&otilde;es entre a floresta e a atmosfera, e como &eacute; sens&iacute;vel o equil&iacute;brio clim&aacute;tico &agrave;s perturba&ccedil;&otilde;es causadas pela a&ccedil;&atilde;o do homem. O clima na Amaz&ocirc;nia n&atilde;o &eacute; isolado do resto do nosso planeta e passa por evolu&ccedil;&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o de altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas de car&aacute;ter global como, por exemplo, a ocorr&ecirc;ncia de El Ni&ntilde;o e La Ni&ntilde;a. A Amaz&ocirc;nia tem diversas sub-regi&otilde;es com caracter&iacute;sticas clim&aacute;ticas distintas. De uma forma geral as partes norte e leste s&atilde;o influenciadas  mais diretamente pelo oceano Atl&acirc;ntico, enquanto que nas partes sul e oeste s&atilde;o frequentes as chegadas de frentes frias provenientes do sul em dissipa&ccedil;&atilde;o causando friagens.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um aspecto que se conhece hoje sobre a floresta amaz&ocirc;nica &eacute; que ela injeta vapor d'&aacute;gua na atmosfera com mais vigor durante a esta&ccedil;&atilde;o seca do que na esta&ccedil;&atilde;o chuvosa, em fun&ccedil;&atilde;o das ra&iacute;zes profundas das &aacute;rvores e do fato de haver um sombreamento por nuvens na esta&ccedil;&atilde;o chuvosa que reduz a energia solar dispon&iacute;vel para as plantas fazerem fotoss&iacute;ntese e evapotranspirar intensamente. Esse resultado das pesquisas &eacute; importante, pois modelos de previs&atilde;o de tempo e clima n&atilde;o tinham essa fun&ccedil;&atilde;o bem representada e supunha-se que na esta&ccedil;&atilde;o seca, devido ao solo seco, as &aacute;rvores estariam injetando menos vapor d'&aacute;gua no ar e esse erro de modelagem tinha implica&ccedil;&otilde;es na quantidade de chuva prevista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em toda a Amaz&ocirc;nia aparece um ciclo anual da chuva no qual, nos meses chuvosos, as nuvens t&ecirc;m caracter&iacute;sticas similares a nuvens mar&iacute;timas e nas esta&ccedil;&otilde;es seca e de transi&ccedil;&atilde;o entre seca e chuvosa elas se parecem mais com nuvens continentais. Duas vertentes importantes s&atilde;o os efeitos das emiss&otilde;es atmosf&eacute;ricas de queima de biomassa (uma pr&aacute;tica comum de desmatamento e manejo de pastagem) e do desmatamento (transforma&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o natural em pastagem ou culturas) na quantidade de chuvas (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fogo, usado em associa&ccedil;&atilde;o com a agricultura e como forma de facilitar o desmatamento,  causa emiss&otilde;es de enormes quantidades de fuma&ccedil;a constitu&iacute;da de gases e part&iacute;culas de aeross&oacute;is. Os aeross&oacute;is exercem duas fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas na atmosfera: em primeiro lugar refletem a radia&ccedil;&atilde;o que vem do sol e assim "sombreiam" o solo e a vegeta&ccedil;&atilde;o, que recebem menos radia&ccedil;&atilde;o solar direta. Os aeross&oacute;is aumentam a fra&ccedil;&atilde;o de radia&ccedil;&atilde;o difusa, que &eacute; particularmente importante para os processos que ocorrem dentro da copa das &aacute;rvores, tanto para a fotoss&iacute;ntese (aumenta a absor&ccedil;&atilde;o de carbono pela floresta) como para produ&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios gases tra&ccedil;os, tais como os compostos org&acirc;nicos vol&aacute;teis (VOCs) (5). Um segundo efeito dos aeross&oacute;is &eacute; sua capacidade de atuar como n&uacute;cleos de forma&ccedil;&atilde;o de gotas nas nuvens e, desta maneira, sua enorme concentra&ccedil;&atilde;o na fuma&ccedil;a tem implica&ccedil;&otilde;es no tipo de chuva que se   forma e em como as nuvens se formam e evoluem.   Numa atmosfera limpa, sem fuma&ccedil;a, as nuvens   tendem a ter chuva mais cedo e mais branda do que   em atmosferas polu&iacute;das. Nestas, a tend&ecirc;ncia &eacute; que   as nuvens demorem mais para chover e, ao faz&ecirc;-   -lo, serem mais violentas com ventanias e descargas   el&eacute;tricas mais abundantes. Tanto o sombreamento   provocado pela fuma&ccedil;a como a altera&ccedil;&atilde;o interna   das nuvens, devidas aos aeross&oacute;is, t&ecirc;m a capacidade   de alterar a quantidade de chuva. Se vai chover mais   ou menos e aonde, em ambientes polu&iacute;dos, depende   de uma s&eacute;rie de fatores e &eacute; ainda objeto de pesquisas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desmatamento tamb&eacute;m interfere no clima diretamente atrav&eacute;s de mudan&ccedil;as na temperatura e na chuva. As pesquisas j&aacute; realizadas indicam que na &eacute;poca chuvosa h&aacute; pequena diferen&ccedil;a de temperatura entre regi&otilde;es desmatadas e florestas. Mas na esta&ccedil;&atilde;o seca a diferen&ccedil;a de temperatura pode chegar a v&aacute;rios graus Celsius. Regi&otilde;es desmatadas que incluem cidades t&ecirc;m maior temperatura ainda, podendo registrar at&eacute; 5ºC a mais que regi&otilde;es pr&oacute;ximas com florestas. As regi&otilde;es desmatadas quando s&atilde;o relativamente pequenas tendem a aumentar a quantidade de chuva justamente por causa do calor adicional. Mas quando s&atilde;o muito grandes, o resultado &eacute; uma diminui&ccedil;&atilde;o da chuva, pois a redu&ccedil;&atilde;o da evapotranspira&ccedil;&atilde;o da floresta acaba por diminuir a disponibilidade de &aacute;gua na atmosfera.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Amaz&ocirc;nia est&aacute; passando por um processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, e   regi&otilde;es urbanas pr&oacute;ximas a grandes rios podem passar a ser um padr&atilde;o   comum representando, ent&atilde;o, um novo desafio para entender   seu impacto no clima. A polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica gerada nas cidades,   por queima de combust&iacute;veis e emiss&otilde;es industriais, &eacute; levada pelos   ventos para regi&otilde;es distantes, cobertas de floresta ou &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o.   A presen&ccedil;a da regi&atilde;o urbana e dos grandes rios modifica o regime de ventos e altera o ciclo diurno de forma&ccedil;&atilde;o de nuvens. Um   dos gases que v&atilde;o sendo produzidos pela a&ccedil;&atilde;o do sol na polui&ccedil;&atilde;o   atmosf&eacute;rica &eacute; o oz&ocirc;nio, que tem um conhecido efeito de danificar   a vegeta&ccedil;&atilde;o, sendo fitot&oacute;xico. Mas qual &eacute; o efeito total nas v&aacute;rias   formas de cobertura da terra? Esta quest&atilde;o est&aacute; sendo estudada no   projeto internacional do GoAmazon, do qual o Inpa e a UEA s&atilde;o as   institui&ccedil;&otilde;es coordenadoras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No passado, h&aacute; milhares de anos, a Amaz&ocirc;nia passou por &eacute;pocas   mais secas e quentes que a atual, isso tudo registrado em sedimentos   no fundo de lagos na regi&atilde;o. Desde os anos 1960, a variabilidade   clim&aacute;tica natural est&aacute; se sobrepondo &agrave; interfer&ecirc;ncia humana tais   como fogo, desmatamento e polui&ccedil;&atilde;o. Ao acompanhar os extremos   de tempo e clima observados nos dias de hoje &eacute; poss&iacute;vel identificar   uma complexa intera&ccedil;&atilde;o entre os diversos processos. Aprofundar o   entendimento do que ocorre hoje, por meio de pesquisas baseadas   em dados cada vez mais detalhados, &eacute; certamente um grande passo   para prever o futuro do bioma Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A MODELAGEM CLIM&Aacute;TICA NA AMAZ&Ocirc;NIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A modelagem clim&aacute;tica   da Amaz&ocirc;nia &eacute; uma &aacute;rea de pesquisa que deixa muito claro as limita&ccedil;&otilde;es   de nosso entendimento sobre os processos   que afetam o funcionamento do bioma amaz&ocirc;nico.   V&aacute;rios estudos t&ecirc;m revisado experi&ecirc;ncias de   modelagem clim&aacute;tica na Amaz&ocirc;nia, come&ccedil;ando   com experimentos de desmatamento realizados   desde finais dos anos 1970 at&eacute; o presente, com   complexos experimentos de impactos de aeross&oacute;is   de queimadas no clima regional e global e   de vegeta&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica. Em todos esses experimentos   as conclus&otilde;es sugerem um aumento na   temperatura na Amaz&ocirc;nia que, de acordo com   os v&aacute;rios cen&aacute;rios, atinge valores de 3 a 6 oC at&eacute;   finais do s&eacute;culo XXI. Este efeito deve ocorrer   junto com uma redu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o, particularmente na regi&atilde;o   leste da Amaz&ocirc;nia, que pode chegar at&eacute; 30% nos cen&aacute;rios mais   radicais de altas emiss&otilde;es de gases de efeito estufa (GEE). Al&eacute;m   das implica&ccedil;&otilde;es diretas que as temperaturas mais altas e a menor   precipita&ccedil;&atilde;o pluviom&eacute;trica t&ecirc;m para a popula&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel que   elas alterem a hidrologia regional e processos que mant&ecirc;m em   funcionamento o bioma amaz&ocirc;nico, afetando, em consequ&ecirc;ncia,   o clima regional e o clima global.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As intera&ccedil;&otilde;es entre floresta, clima e di&oacute;xido de carbono (CO<sub>2</sub>)   s&atilde;o complexas. Experi&ecirc;ncias de modelagem nos in&iacute;cios dos anos   2000 apontavam para um cen&aacute;rio de colapso do bioma amaz&ocirc;nico,   o chamado <i>dieback</i> da Amaz&ocirc;nia. Isso levaria a uma transforma&ccedil;&atilde;o   no papel da vegeta&ccedil;&atilde;o natural amaz&ocirc;nica, passando de um pequeno   sumidouro l&iacute;quido para uma fonte de CO<sub>2</sub> ao longo deste s&eacute;culo.   Por outro lado, resultados de modelos clim&aacute;ticos acoplados &agrave; ciclo   de carbono sugerem que uma savaniza&ccedil;&atilde;o de parte da Amaz&ocirc;nia   pode ser tamb&eacute;m gerada se a &aacute;rea desmatada atingir mais de 40%.   Embora a exist&ecirc;ncia desses potenciais pontos sem retorno ainda   precise ser esclarecida, intera&ccedil;&otilde;es entre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e   o desmatamento podem torn&aacute;-los mais prov&aacute;veis. Recentemente, Huntingford et al (6) analisaram 22 modelos clim&aacute;ticos globais e, de acordo com os modelos clim&aacute;ticos, existe a possibilidade de um colapso do bioma da floresta amaz&ocirc;nica induzida pela mudan&ccedil;a de clima (isto &eacute;, n&atilde;o diretamente pelo desmatamento) at&eacute; o ano 2100, mas os impactos modelados podem ser menores que os estudos de uma d&eacute;cada atr&aacute;s. Do ponto de vista da precipita&ccedil;&atilde;o, os modelos sugerem que at&eacute; finais do s&eacute;culo XXI poder&aacute; ocorrer um aumento nos extremos de precipita&ccedil;&atilde;o na Amaz&ocirc;nia ocidental, enquanto redu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o projetadas para a Amaz&ocirc;nia oriental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os novos modelos CMIP5 do 5º Relat&oacute;rio do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC AR5), publicados recentemente, mostram um forte consenso quanto &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o e ao alongamento da esta&ccedil;&atilde;o seca na Amaz&ocirc;nia oriental. Os modelos clim&aacute;ticos variam bastante entre si, mas a maior parte prev&ecirc; aumento na ocorr&ecirc;ncia de eventos clim&aacute;ticos extremos nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, por causa do aquecimento global, particularmente redu&ccedil;&otilde;es de chuva na Amaz&ocirc;nia oriental.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A degrada&ccedil;&atilde;o ou diminui&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o natural amaz&ocirc;nica em decorr&ecirc;ncia das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas provavelmente trar&aacute; s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias para os habitantes da regi&atilde;o e de fora - perda de biodiversidade, regula&ccedil;&atilde;o das chuvas, influ&ecirc;ncia sobre o balan&ccedil;o de carbono e todos os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos que a floresta oferece potencialmente. &Eacute; sempre preciso lembrar, no entanto, que esses modelos de clima e vegeta&ccedil;&atilde;o est&atilde;o sujeitos a grandes incertezas devido ao fato de que eles n&atilde;o incluem a varia&ccedil;&atilde;o em solos e hidrologia e algumas das retroalimenta&ccedil;&otilde;es biogeoqu&iacute;micas em jogo na Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A BIOGEOQU&Iacute;MICA AQU&Aacute;TICA DA BACIA AMAZ&Ocirc;NICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vista do alto por imagens de sat&eacute;lite, ou mesmo em mapas, a Amaz&ocirc;nia parece um gigantesco espa&ccedil;o verde, recortado quase que na metade por um canal sinuoso, que corre das cordilheiras dos Andes ao oceano Atl&acirc;ntico. Este canal, denominado rio Solim&otilde;es a partir da fronteira com o Peru, constitui, ap&oacute;s seu encontro com o rio Negro nas cercanias de Manaus, o maior rio do mundo, denominado Amazonas. A dimens&atilde;o deste curso d'&aacute;gua &eacute; de dif&iacute;cil visualiza&ccedil;&atilde;o por esse tipo de imagem, mas pode-se imaginar sua import&acirc;ncia medindo a largura dos dois principais canais na sua desembocadura no oceano, que somam aproximadamente 23 km de largura. Soma-se a isso a profundidade m&eacute;dia de 30 metros nesses canais e podemos imaginar um "muro de &aacute;gua" com a altura de um pr&eacute;dio de 10 andares, se estendendo ao longo de 230 quarteir&otilde;es de uma cidade. A quantidade exata da &aacute;gua que o rio descarrega para o oceano &eacute; desconhecida; medidas s&atilde;o dispon&iacute;veis da cidade de &Oacute;bidos (PA), mil quil&ocirc;metros antes da desembocadura. Entrando milhares de quil&ocirc;metros mar adentro e levando ferro adsorvido nos sedimentos, um nutriente essencial para as algas marinhas, a &aacute;gua do Amazonas "aduba" a costa de tal forma que, segundo estimativas recentes, na sua pluma marinha &eacute; fixado em torno de 20% de todo o CO<sub>2</sub> absorvido pelas algas nos oceanos do mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A copa das &aacute;rvores vista nos sat&eacute;lites esconde, ainda, uma imensa rede de pequenos rios que forma o sistema de drenagem dessa bacia que se fossem todos desenhados em um mapa, em uma folha de papel comum, formariam um borr&atilde;o com milhares de tra&ccedil;os. Essa &aacute;gua que vem para a superf&iacute;cie saindo do len&ccedil;ol fre&aacute;tico (a &aacute;gua subterr&acirc;nea) se junta com a &aacute;gua da chuva para percorrer caminhos espec&iacute;ficos que mudam a cada lugar, de acordo com as caracter&iacute;sticas da paisagem, como a topografia, os tipos de solo e a vegeta&ccedil;&atilde;o. Essas caracter&iacute;sticas visuais das &aacute;guas da Amaz&ocirc;nia ainda hoje s&atilde;o utilizadas para identific&aacute;-las, associando-as &agrave;s suas propriedades f&iacute;sico-qu&iacute;micas. As &aacute;guas da Amaz&ocirc;nia est&atilde;o divididas em tr&ecirc;s categorias: em pretas (como o rio Negro), brancas (como o rio Solim&otilde;es, de colora&ccedil;&atilde;o marrom) e claras (como o rio Tapaj&oacute;s). Apesar de v&aacute;lidas na maioria dos casos, nem sempre as caracter&iacute;sticas visuais correspondem &agrave;s mesmas propriedades. As propriedades das &aacute;guas se relacionam melhor com a morfologia do terreno (montanhas x plan&iacute;cies) com tipos de solos que percorrem, os quais, por sua vez, dependem das rochas das quais se originaram. Assim, rios mais pobres em sais, com poucos sedimentos em suspens&atilde;o e colora&ccedil;&atilde;o mais escura e pH &aacute;cido, devido &agrave; presen&ccedil;a de &aacute;cidos h&uacute;micos e f&uacute;lvicos provenientes da decomposi&ccedil;&atilde;o de plantas, geralmente ocorrem em regi&otilde;es planas, com solos arenosos sobre rochas muito intemperizadas. Em termos da composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica, podem ser identificados por apresentarem uma predomin&acirc;ncia dos c&aacute;tions s&oacute;dio (Na) e pot&aacute;ssio (K) sobre os demais &iacute;ons. No outro extremo se encontram rios com colora&ccedil;&atilde;o barrenta, devida &agrave; grande quantidade de sedimentos em suspens&atilde;o que carreiam e pH pr&oacute;ximo da neutralidade (7,0), produtos da eros&atilde;o de regi&otilde;es montanhosas, que cont&ecirc;m rochas carbonatadas e que conferem uma composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica onde c&aacute;lcio (Ca) e magn&eacute;sio (Mg) se destacam como &iacute;ons principais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sazonalmente, esse &uacute;ltimo grupo de rios se comporta como at&eacute; pouco tempo era o modelo geral existente para rios, no qual as concentra&ccedil;&otilde;es de &iacute;ons s&atilde;o maiores no per&iacute;odo de menores descargas, quando o maior tempo de contato com a &aacute;gua favorece o intemperismo das rochas, e diminuem a medida que sofrem dilui&ccedil;&atilde;o com a vinda das chuvas e &aacute;guas de degelo dos Andes. Na Amaz&ocirc;nia foi descrito, pela primeira vez, um comportamento inverso, em ambientes onde as rochas s&atilde;o muito intemperizadas, e o aumento das concentra&ccedil;&otilde;es ocorre justamente quando aumentam as chuvas e a lavagem dos nutrientes que se encontram armazenados nos solos e n&atilde;o nas rochas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As li&ccedil;&otilde;es que aprendemos recentemente sobre a import&acirc;ncia do Amazonas para o oceano Atl&acirc;ntico e sobre mecanismos geoqu&iacute;micos t&atilde;o distintos aos de rios do Hemisf&eacute;rio Norte talvez n&atilde;o sejam t&atilde;o surpreendentes quanto o que descobrimos sobre a biogeoqu&iacute;mica desses sistemas. Em sua grande maioria, e por raz&otilde;es ainda n&atilde;o totalmente compreendidas, os rios da Amaz&ocirc;nia apresentam concentra&ccedil;&otilde;es de CO<sub>2</sub> muito superiores &agrave;quelas encontradas na atmosfera. Somadas, as &aacute;reas cobertas pela &aacute;gua desses rios nos seus canais, e nas plan&iacute;cies que inundam durante as cheias, emitem para a atmosfera quantidades de CO<sub>2</sub> que s&atilde;o da mesma ordem de grandeza das menores estimativas de fixa&ccedil;&atilde;o de CO<sub>2</sub> por todos os ambientes terrestres da regi&atilde;o, cuja &aacute;rea &eacute; imensamente maior. Esse transporte de carbono, da &aacute;gua para a atmosfera, &eacute; cerca de 13 vezes superior ao que o rio exporta para o mar (considerando as medidas em &Oacute;bidos). Mais ainda, em rela&ccedil;&atilde;o aos gases de origem biog&ecirc;nica, oxig&ecirc;nio e CO<sub>2</sub>, bem como a quantidade de carbono org&acirc;nico dissolvido, o pH e as taxas respirat&oacute;rias, todos os rios, independentemente de suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sico-qu&iacute;micas, apresentam exatamente o mesmo padr&atilde;o sazonal. Com exce&ccedil;&atilde;o de um rio naturalmente represado, o rio Caxiuan&atilde;, todos os rios estudados nos &uacute;ltimos dez anos, sejam eles grandes ou pequenos, de &aacute;guas negras ou barrentas, apresentam maiores concentra&ccedil;&otilde;es de CO<sub>2</sub> e carbono org&acirc;nico dissolvido e valores menores para O2 e pH durante o per&iacute;odo de cheias. Isto demonstra como a &aacute;gua age como elo entre os sistemas terrestres e aqu&aacute;ticos. Mas ser&aacute; que todo o CO<sub>2</sub> das &aacute;guas dos rios amaz&ocirc;nicos vem dos ambientes terrestres? E ser&aacute; que o CO<sub>2</sub> que sai dessas &aacute;guas n&atilde;o pode ser reaproveitado dentro da pr&oacute;pria floresta? Sabemos que &aacute;guas subterr&acirc;neas em solos arenosos t&ecirc;m concentra&ccedil;&otilde;es elevad&iacute;ssimas de CO<sub>2</sub> (at&eacute; 50.000 ppm, contra 400 ppm na atmosfera), mas ao sa&iacute;rem para a superf&iacute;cie para formar os pequenos igarap&eacute;s, quase todo esse CO<sub>2</sub> se esvai para a atmosfera poucos metros igarap&eacute; abaixo e, portanto, esse CO<sub>2</sub> n&atilde;o chega aos grandes canais. Talvez a descoberta recente de que as ligninas (macromol&eacute;culas org&acirc;nicas de origem dos tecidos das &aacute;rvores, comuns nas &aacute;guas do rio Amazonas), antes consideradas muito refrat&aacute;rias (que n&atilde;o se decomp&otilde;e facilmente), podem ser respons&aacute;veis pelo consumo de at&eacute; 75% do oxig&ecirc;nio da &aacute;gua durante sua decomposi&ccedil;&atilde;o, seja a derradeira resposta a respeito da origem do CO<sub>2</sub> nessas &aacute;guas. Mas, se quisermos realmente compreender como funciona o bioma amaz&ocirc;nico, ainda temos um longo caminho at&eacute; quantificarmos todos os fluxos biogeoqu&iacute;micos internos e com o restante da biosfera daquela que &eacute; a mol&eacute;cula da vida, o carbono.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BIOGEOQU&Iacute;MICA TERRESTRE NA AMAZ&Ocirc;NIA: RESPOSTAS &Agrave;S MUDAN&Ccedil;AS AMBIENTAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A bacia hidrogr&aacute;fica da Amaz&ocirc;nia se estende desde a cordilheira dos Andes, no oeste, at&eacute; o oceano Atl&acirc;ntico no leste e cobre cerca de 5% da &aacute;rea terrestre do planeta. O bioma da Amaz&ocirc;nia se caracteriza por uma enorme floresta tropical &uacute;mida, intimamente ligada &agrave; atmosfera e aos solos pobres, inserida numa imensa rede de rios e igarap&eacute;s. A vegeta&ccedil;&atilde;o do bioma inclui &aacute;reas permanentemente afetadas pela &aacute;gua (&aacute;reas &uacute;midas - len&ccedil;ol fre&aacute;tico na superf&iacute;cie ou muito perto), &aacute;reas sazonalmente alagadas (v&aacute;rzea e igap&oacute;, vegeta&ccedil;&atilde;o ciliar), ou &aacute;reas n&atilde;o afetadas por inunda&ccedil;&atilde;o (terra firme). As florestas de terra firme n&atilde;o recebem nutrientes dos sedimentos transportados pela &aacute;gua dos rios nas cheias. Outros biomas na bacia hidrogr&aacute;fica amaz&ocirc;nica incluem o yungas dos declives dos Andes, partes do p&aacute;ramo e puna; e partes do cerrado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As v&aacute;rias fisionomias de vegeta&ccedil;&atilde;o possuem seus pr&oacute;prios ciclos biogeoqu&iacute;micos, que apesar de ter similaridades entre si, divergem por causa das caracter&iacute;sticas ligadas &agrave; biodiversidade (composi&ccedil;&atilde;o flor&iacute;stica), solos (estrutura e disponibilidade de nutrientes) e hidrologia (disponibilidade de &aacute;gua).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As florestas de terra firme cobrem cerca de 70% da &aacute;rea do bioma da floresta amaz&ocirc;nica e s&atilde;o mais conhecidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ciclagem de nutrientes, que se baseia em diversos mecanismos de "conserva&ccedil;&atilde;o" de nutrientes, especialmente na eficiente reciclagem da mat&eacute;ria org&acirc;nica produzida pela pr&oacute;pria floresta. Isto envolve a assimila&ccedil;&atilde;o de CO<sub>2</sub> da atmosfera, e &aacute;gua e nutrientes essenciais em forma de minerais do solo. Em processos bioqu&iacute;micos, como a fotoss&iacute;ntese e v&aacute;rios outros, se produz mat&eacute;ria org&acirc;nica e libera-se oxig&ecirc;nio. Uma parte dos compostos org&acirc;nicos produzidos &eacute; usada pelas &aacute;rvores para se manter (respira&ccedil;&atilde;o, que produz CO<sub>2</sub>, como nos humanos); enquanto uma outra parte permanece na &aacute;rvore, gerando crescimento, em forma de tecidos que v&atilde;o se constituir em madeira, ra&iacute;zes e folhas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aproveitando as condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis da grande insola&ccedil;&atilde;o, alta temperatura tropical e umidade sempre elevada, a floresta tem altas taxas de produ&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria org&acirc;nica (que os ec&oacute;logos chamam produtividade prim&aacute;ria), ou seja, a floresta fixa grandes quantidades de carbono (e nutrientes minerais) na biomassa. &Eacute; comum encontrar florestas de terra firme com m&eacute;dia de 300 toneladas por hectare de biomassa acima do solo (massa seca, incluindo troncos, ramos, galhos, e folhagem) sendo metade disso carbono, que &eacute; parcialmente reciclado quando morre uma &aacute;rvore ou parte dela e seus tecidos s&atilde;o decompostos por organismos como os fungos, bact&eacute;rias e outros organismos. A produ&ccedil;&atilde;o de liteira fina nas florestas intactas parece estar aumentando nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, acompanhando o crescimento das &aacute;rvores (e de suas copas), possivelmente devido &agrave; maior concentra&ccedil;&atilde;o de CO<sub>2</sub> na atmosfera. Para alguns nutrientes, a liteira n&atilde;o &eacute; a fonte principal de entrada para o solo: o f&oacute;sforo (P) tem sua maior entrada da atmosfera pela precipita&ccedil;&atilde;o, enquanto que os fluxos de magn&eacute;sio (Mg) e, principalmente, de pot&aacute;ssio (K) s&atilde;o fortemente influenciados pela lavagem, pelas chuvas, das copas das &aacute;rvores (enriquecimento).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em anos "normais", ou seja, sem seca extrema ou prolongada, a floresta funciona como um pequeno sorvedouro de g&aacute;s carb&ocirc;nico (CO<sub>2</sub>), e assim compensa as emiss&otilde;es de CO<sub>2</sub> de desmatamento e queimadas na regi&atilde;o (7). Por&eacute;m, quando ocorrem grandes secas na Amaz&ocirc;nia, como as de 2005 e 2010, o bioma floresta amaz&ocirc;nica pode converter-se temporariamente em fonte emissora de CO<sub>2</sub> para a atmosfera, em grande parte porque a seca provoca a morte de muitas &aacute;rvores, incluindo, sobretudo, as &aacute;rvores maiores. Al&eacute;m disso, por produzir aberturas na floresta e acumular muito material combust&iacute;vel, as secas facilitam inc&ecirc;ndios florestais em &aacute;reas antes n&atilde;o sujeitas a esse fen&ocirc;meno, emitindo mais CO<sub>2</sub> e facilitando outros inc&ecirc;ndios nos anos a seguir. A explora&ccedil;&atilde;o de madeira &eacute; uma atividade crescente na Amaz&ocirc;nia e produz tamb&eacute;m uma grande quantidade de res&iacute;duos vegetais combust&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas &aacute;reas desmatadas na Amaz&ocirc;nia, por implantar cultivos agr&iacute;colas em monoculturas ou pastagens com uma s&oacute; esp&eacute;cie de gram&iacute;nea, os impactos negativos s&atilde;o esperados e severos, j&aacute; que os mecanismos b&aacute;sicos de funcionamento do ecossistema da floresta ou outras fisionomias de vegeta&ccedil;&atilde;o natural, com sua efetiva prote&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie do solo e reciclagem de mat&eacute;ria org&acirc;nica e nutrientes, s&atilde;o rompidos. Al&eacute;m disso, alguns nutrientes, como o nitrog&ecirc;nio e o enxofre, podem ser perdidos em altas propor&ccedil;&otilde;es na queimada inicial e/ou nas queimadas posteriores, com um forte potencial de se tornarem limitantes no sistema de produ&ccedil;&atilde;o e podem levar ao abandono da &aacute;rea de pastagem ou cultivo em poucos anos. A perda de sua capacidade produtiva gerou milh&otilde;es de hectares abandonados de agrossistemas amaz&ocirc;nicos, e o consequente desmatamento e uso de novas &aacute;reas de floresta. Por isto, h&aacute; hoje uma busca por t&eacute;cnicas adequadas de reutiliza&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas abandonadas ou degradadas; tr&ecirc;s usos alternativos para essas &aacute;reas de capoeiras (vegeta&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria que cresce espontaneamente ap&oacute;s abandono) t&ecirc;m sido mais testados: i) enriquecimento das capoeiras (especialmente com esp&eacute;cies madeireiras e/ou frut&iacute;feras); ii). implanta&ccedil;&atilde;o de novos sistemas agr&iacute;colas com o uso da biomassa, sem queima; iii). implanta&ccedil;&atilde;o de sistemas agroflorestais diversificados, com esp&eacute;cies nativas. As duas &uacute;ltimas t&ecirc;m experimentos correntes em diferentes partes da Amaz&ocirc;nia, mostrando resultados promissores na recupera&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas, qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas do solo, bem como na reabilita&ccedil;&atilde;o da ciclagem da mat&eacute;ria org&acirc;nica e dos nutrientes minerais, e na estocagem de carbono e nutrientes minerais na biomassa, trazendo assim de volta diversos "servi&ccedil;os ambientais" (fun&ccedil;&otilde;es da natureza que o homem aproveita) dos ecossistemas florestais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AVAN&Ccedil;ANDO NO ENTENDIMENTO DOS PROCESSOS QUE REGULAM O CLIMA E O FUNCIONAMENTO DA AMAZ&Ocirc;NIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estudos integrados e multidisciplinares permitem avan&ccedil;ar o conhecimento sobre o  funcionamento do ecossistema amaz&ocirc;nico. Em particular estudos que permitam entender as conex&otilde;es entre o funcionamento biol&oacute;gico da floresta e o clima s&atilde;o essenciais em um cen&aacute;rio onde as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas j&aacute; est&atilde;o alterando os processos b&aacute;sicos de funcionamento do ecossistema amaz&ocirc;nico, sendo que a variabilidade clim&aacute;tica natural se sobrep&otilde;e a essas mudan&ccedil;as afetando vastas regi&otilde;es do continente. Extremos clim&aacute;ticos-hidrol&oacute;gicos, ciclagem de nutrientes, hidrologia, balan&ccedil;o de carbono, emiss&otilde;es de gases e part&iacute;culas, intera&ccedil;&atilde;o entre radia&ccedil;&atilde;o e fotoss&iacute;ntese, ciclo hidrol&oacute;gico e outros, e os seus impactos nos sistemas humanos e naturais s&atilde;o temas estrat&eacute;gicos para o pa&iacute;s. Quest&otilde;es socioecon&ocirc;micas que influenciam o padr&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia s&atilde;o essenciais de serem entendidos, bem como as quest&otilde;es associadas com grandes empreendimentos, tais como hidrel&eacute;tricas e abertura de estradas. O papel da Amaz&ocirc;nia no clima global depende de muita ci&ecirc;ncia inovadora, a ser feita com integra&ccedil;&atilde;o de disciplinas e com parcerias internacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de grandes avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados no &acirc;mbito de v&aacute;rios programas de pesquisa da Amaz&ocirc;nia (por ex. LBA, Geoma, PPBio, PDBFF) resta muito por fazer para entender melhor como a grande paisagem da Amaz&ocirc;nia funciona hoje e como funcionar&aacute; no futuro sob a influ&ecirc;ncia crescente do impacto do uso da terra e das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em curso. Para isto, o uso mais intenso de tecnologias inovadoras e de medidas com o uso de sensores avan&ccedil;ados em sat&eacute;lites e aeronaves instrumentadas, bem como novos experimentos manipulativos, simulando mudan&ccedil;as no clima, nas concentra&ccedil;&otilde;es de CO<sub>2</sub> na atmosfera, e outros causados pelas mudan&ccedil;as no uso da terra, ser&atilde;o essenciais. Nos pr&oacute;ximos anos ser&aacute; preciso um esfor&ccedil;o colaborativo entre pesquisadores de v&aacute;rias disciplinas, com um papel de destaque para um pensamento que re&uacute;na a ecologia de paisagem e a ecologia de ecossistemas (8) no estudo de causas e consequ&ecirc;ncias da heterogeneidade espacial da Amaz&ocirc;nia para o funcionamento do bioma amaz&ocirc;nico. Esta &eacute; uma fronteira n&atilde;o s&oacute; para disciplinas acad&ecirc;micas, mas para a gest&atilde;o ambiental da Amaz&ocirc;nia. Al&eacute;m do conhecimento avan&ccedil;ado do funcionamento de paisagens da Amaz&ocirc;nia, ser&aacute; necess&aacute;rio avaliar, nesse contexto, as consequ&ecirc;ncias potenciais das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como, por exemplo, as do novo c&oacute;digo florestal para sustentabilidade ecol&oacute;gica e desenvolvimento econ&ocirc;mico da Amaz&ocirc;nia. Tudo isso exige um programa de estudos integrados dos sistemas ecol&oacute;gicos e socioecon&ocirc;micos, junto com o desenvolvimento de um sistema que permita a avalia&ccedil;&atilde;o objetiva de op&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento e consequ&ecirc;ncias ambientais (por exemplo, expressadas em termos de mudan&ccedil;as dos valores dos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos, um dos quais &eacute; a capacidade da bacia para sequestrar carbono). Os governos estaduais e federal dever&atilde;o aproveitar a contribui&ccedil;&atilde;o potencial da ci&ecirc;ncia &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o socioambiental e se manifestar, nesse sentido, com fiscaliza&ccedil;&atilde;o adequada para que o investimento em ci&ecirc;ncia produza um retorno tang&iacute;vel de curto e longo prazo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.  Davidson, E. A.; Araujo, A. C. de; Artaxo, P.; Balch, J. K.; Brown, I. F.;   M  Bustamante,. M. da C.; Coe, M. T.; DeFries, R. S.; Keller,M.; Longo,   M.;  Munger, J. W.; Schroeder, W.; Soares-Filho,B. S.; Souza Jr., C. M.;   Wofsy, S. C.. "The Amazon basin in transition". <i>Nature</i>,  481, 321-328,   doi:10.1038/nature10717,  Jan 19, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.  Artaxo, P.; Rizzo, L. V.; Brito, J. F.; Barbosa, H. M. J.; Arana, A.; Sena, E.   T.;  Cirino, G. G.; Bastos, W.; Martin, S. T.; Andreae, M. O.. "Atmospheric   aerosols in Amazonia and land use  change: from natural biogenic   to biomass burning conditions". <i>Faraday Discussions</i>, DOI:10.1039/C3FD00052D, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Martin, S. T.; Andreae, M. O.;  Artaxo, P.; Baumgardner, D.; Chen, Qi;   Goldstein, A. H.; Guenther, A. B.;  Heald, C. L.; Mayol-Bracero, O. L.;   McMurry, P. H.; Pauliquevis, T.;  Poschl, U.; Prather, K. A.; Roberts,   G. C.; Saleska, S. R.; Silva Dias, M.  A.; Spracklen, D. V.; Swietlicki, E.   and Trebs, I. "Sources and properties of Amazonian  aerosol particles". <i>Review of  Geophysics</i>, Vol. 48,  Article number RG2002, DOI:   10.1029/2008RG000280,  2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.  Silva Dias, M.A.F; Rutledge, S.; Kabat, Silva Dias, P.; P. L ; Nobre,C.;   Fisch, G.;  Dolman, A.J.; Zipser, E.; Garstang, M.; Manzi, A.; Fuentes, J. D.;  Rocha, H.; Marengo, J.; Plana-Fattori, A.; Sa, L.; Alvala, R.; Andreae,   M. O.; Artaxo, P.; Gielow, R.; Gatti,  L. V. "Clouds and rain processes in   a biosphere atmosphere interaction  context in the Amazon Region". <i>Journal of  Geophysical Research</i>, Vol. 107, No. D20, 8072 - 8092,   doi:10.1029/2001JD000335, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Cirino, G.G.; Souza, R. F.; Adams,  D. K. and Artaxo, P.. "The effect of   atmospheric aerosol particles and  clouds on net ecosystem exchange   in Amazonia". <i>Atmos. Chem. Phys. Discuss.</i>, 13, 28819-28868,   doi:10.5194/acpd-13-28819-2013, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Huntingford, C. and co-authors. "Simulated  resilience of tropical   rainforests to CO2-induced climate change". <i>Nature Geoscience, </i>6, 268-273(2013) doi:10.1038/ngeo1741,  2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Malhi et al., 2012. Malhi, Y. "The productivity, metabolism and  carbon   cycle of tropical forest vegetation". <i>Journal of Ecology</i>, 100(1): 65-75,   2012.    <!-- ref -->   8. Lovett, G. M.; Jones, C. G.;  Turner, M. G. and Weathers, K. C. (Edit.) <i>Ecosystem  function in heterogeneous landscapes</i>. Springer-Verlag,   New York, New  York, USA. 2005.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paulo Artaxo</b> &eacute; professor titular do Departamento de F&iacute;sica Aplicada do Instituto de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), &eacute; membro do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) e &eacute; membro da coordena&ccedil;&atilde;o do Programa Fapesp de Mudan&ccedil;as Globais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Assun&ccedil;&atilde;o Faus da Silva Dias</b> &eacute; professora titular do Departamento de Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), membro do IPCC e &eacute; membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Laszlo Nagy</b>, &eacute; gerente cient&iacute;fico do Programa LBA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa) e Funda&ccedil;&atilde;o Amaz&ocirc;nica de Defesa da Biosfera.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fl&aacute;vio J. Luiz&atilde;o</b> &eacute; pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia e desenvolve pesquisas na &aacute;rea de biogeoqu&iacute;mica e ciclagem de nutrientes. Hill&acirc;ndia Brand&atilde;o da Cunha &eacute; pesquisadora titular do Inpa, desenvolve atividades voltadas para a caracteriza&ccedil;&atilde;o hidrobiogeoqu&iacute;mica de ambientes l&oacute;ticos, l&ecirc;nticos e qualidade das &aacute;guas superficiais e &aacute;guas subterr&acirc;neas na Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Alberto Quesada</b> &eacute; pesquisador do Inpa. Desenvolve pesquisas com ciclos biogeo qu&iacute;micos e intera&ccedil;&otilde;es entre os solos e a din&acirc;mica florestal na Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jos&eacute; A. Marengo</b> &eacute; pesquisador do Centro de Ci&ecirc;ncia do Sistema Terrestre (CCST), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CCST-Inpe), &eacute; membro do IPCC e &eacute; membro dos comit&ecirc;s cient&iacute;ficos de v&aacute;rios programas internacionais (IAI, IGBP) e nacionais (Painel Brasileiro de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, INCT- Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alex V. Krusche</b> &eacute; professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da USP, coordenador da Rede Beija-Rio de pesquisas em rios da Amaz&ocirc;nia e do projeto brasileiro do Belmont Forum sobre seguran&ccedil;a h&iacute;drica.</font></p>      ]]></body><back>
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