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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br>   JOGOS ELETR&Oacute;NICOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fronteiras entre fic&ccedil;&atilde;o e realismo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do viciante Hero do saudoso Atari &agrave; crueldade chocante de um Grand Theft Auto V, os jogos para computadores celulares e videogames est&atilde;o cada vez mais realistas. Os &uacute;ltimos desenvolvimentos, no entanto, t&ecirc;m colocado a quest&atilde;o da distin&ccedil;&atilde;o entre jogo e realidade em outro plano, trazendo n&atilde;o apenas a reprodu&ccedil;&atilde;o do mundo que habitamos para o console do videogame, mas o pr&oacute;prio jogo ou alguns de seus elementos para as ruas da cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das tecnologias respons&aacute;veis por essa interpenetra&ccedil;&atilde;o leva o nome de realidade aumentada ou realidade expandida. Ela permite que certas proje&ccedil;&otilde;es sejam mostradas na tela quando, por exemplo, o GPS identifica que o usu&aacute;rio est&aacute; em um determinado ponto ou quando a c&acirc;mera do celular identifica determinado c&oacute;digo. No caso dos jogos que se utilizam de realidade aumentada, o jogador &eacute; levado a deslocar-se geograficamente para um lugar para conseguir realizar uma tarefa. Com isso, na tela do celular, um novo mundo se abre, se soma ou se expande.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos jogos mais not&aacute;veis que usam os recursos do telefone celular para brincar com a realidade aumentada &eacute; o Ingress, do Google, feito para a plataforma Android. Ele divide os jogadores em duas fac&ccedil;&otilde;es cujo objetivo &eacute; controlar territorialmente o planeta. Esse controle se d&aacute; pela constru&ccedil;&atilde;o e liga&ccedil;&atilde;o entre portais, lugares em que uma misteriosa energia alien&iacute;gena se manifestaria. Para criar um portal &eacute; necess&aacute;rio fotografar lugares hist&oacute;ricos, tur&iacute;sticos ou de aglomera&ccedil;&atilde;o de pessoas (igrejas, pra&ccedil;as, pr&eacute;dios hist&oacute;ricos, grafites, obras de arte espalhadas em lugares p&uacute;blicos da cidade).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>FERRAMENTA EDUCACIONAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns pesquisadores t&ecirc;m apontado o Ingress como um curioso experimento cujos princ&iacute;pios podem ser utilizados para se pensar desde novos modelos educacionais at&eacute; pol&iacute;ticas de conserva&ccedil;&atilde;o ambiental. Lee Yik Sheng, no artigo "Modelando o aprendizado em Ingress (o jogo social de realidade aumentada do Google" (no original, "Modelling learning from ingress (Google's augmented reality social game"), compara a jogabilidade do aplicativo a elementos utilizados nos MOOCs (Cursos Online Abertos e Massivos, na sigla em ingl&ecirc;s), em que o aprendizado &eacute; feito de forma coletiva, com os alunos ensinando uns aos outros e, para isso, utilizando meios de comunica&ccedil;&atilde;o online, como f&oacute;runs e grupos de discuss&atilde;o em redes sociais. J&aacute; Chris Sandbrook, William M. Adams, Bruno Monteferri, no artigo "Jogos digitais e a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade" (no original, "Digital games and biodiversity conservation) falam no potencial das pr&aacute;ticas de gamefica&ccedil;&atilde;o para a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental. Gamefica&ccedil;&atilde;o &eacute; um neologismo criado para o uso de elementos dos jogos, como a dades n&atilde;o diretamente relacionadas, como fazer exerc&iacute;cios, compras ou mesmo outros tipos de trabalho convencionais. Nesse sentido, o Ingress seria um jogo de realidade mista, n&atilde;o contido somente num ambiente virtual nem no mundo f&iacute;sico. Segundo os autores, a gamefica&ccedil;&atilde;o poderia ser usada na conserva&ccedil;&atilde;o ambiental para educa&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a de comportamentos; levantamento de recursos e para a promo&ccedil;&atilde;o de pesquisas, monitoramento e planejamento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MAPEAMENTO ON LINE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, o Ingress parece que j&aacute; est&aacute; sendo usado pelo Google para, de alguma forma, colocar seus jogadores para trabalhar, ainda que se divertindo, na coleta de informa&ccedil;&otilde;es que se tornam valiosas nas m&atilde;os da empresa. "Esse &eacute; o jeito cl&aacute;ssico do Google", declarou Blair MacIntyre, diretora do Laborat&oacute;rio de Realidade Aumentada do Instituto Georgia Tech, nos Estados Unidos, &agrave; revista <i>New Scientist:</i> "Eles conseguem garimpar informa&ccedil;&otilde;es sobre novos monumentos e isso na verdade os ajuda a gerar resultados mais interessantes, pois isso &eacute; o que as pessoas do local dizem que &eacute; o que h&aacute; de mais interessante". Um exame r&aacute;pido sobre os pontos mapeados pelos jogadores comprova a declara&ccedil;&atilde;o da pesquisadora. Mesmo as cidades m&eacute;dias brasileiras j&aacute; t&ecirc;m mapeados pelos jogadores n&atilde;o somente os monumentos mais &oacute;bvios, mas tamb&eacute;m atra&ccedil;&otilde;es tur&iacute;sticas e grafites pintados recentemente, o que oferece &agrave; empresa um interessante banco de dados, muito dif&iacute;cil e caro de ser constru&iacute;do de maneira profissionalizada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O jogo tamb&eacute;m tem sido utilizado como chamariz para pontos comerciais. Nos Estados Unidos, a Google j&aacute; fechou contrato com a loja de sucos Jamba Juice, transformando diversos estabelecimentos f&iacute;sicos da cadeia de sucos em locais de interesses para os jogadores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>WATCH DOGS E A VIGIL&Acirc;NCIA UB&Iacute;QUA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas se alguns jogos usam camadas de fic&ccedil;&atilde;o para explorar um trabalho real, outros abusam do realismo para descortinar esse mundo de interconex&atilde;o informacional e vigil&acirc;ncia por toda parte. Watch Dogs, da Ubisoft, que roda nas principais plataformas de videogames, coloca na tela um mapa detalhado da cidade de Chicago (EUA), e &eacute; estrelado por um personagem capaz de hackear o sofisticad&iacute;ssimo sistema de informa&ccedil;&atilde;o da cidade para realizar suas miss&otilde;es. Em 2003, ocorreu um apag&atilde;o nos Estados Unidos e no Canad&aacute; e o jogo usa esse fato para ficcionalizar a cria&ccedil;&atilde;o de um supercomputador que controlaria todo o sistema informacional da cidade, interligando as c&acirc;meras de vigil&acirc;ncia e caixas eletr&ocirc;nicos espalhados pelas ruas ao sistema de sem&aacute;foros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Watch Dogs &eacute; um &oacute;timo exemplo de jogo eletr&ocirc;nico que funciona do mesmo modo que qualquer obra art&iacute;stica ou liter&aacute;ria. Por meio de uma hist&oacute;ria aparentemente ficcional a obra descreve um mundo controlado pela vigil&acirc;ncia informacional, em que os dados pessoais e as atividades interligadas em rede se tornaram fonte de valor financeiro e meio privilegiado de contato entre as pessoas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Rafael Evangelista </i></font></p>      ]]></body>
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