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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ocupe Estelita: movimento social e cultural defende marco histórico de Recife]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/brasil.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">P<small>ATRIM&Ocirc;NIO</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v66n4/line_blk.jpg"></P>     <P><font size="4"><b>Ocupe Estelita: movimento social e cultural defende marco hist&oacute;rico de Recife</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Uma &aacute;rea de cerca de 101,7 mil metros quadrados, com um p&aacute;tio ferrovi&aacute;rio e uma s&eacute;rie de armaz&eacute;ns de a&ccedil;&uacute;car abandonados pelo poder p&uacute;blico. Quem olha de fora v&ecirc; apenas isso, mas quem conhece a hist&oacute;ria do Cais Jos&eacute; Estelita sabe que o local  faz parte da hist&oacute;ria de Recife, sendo um dos cart&otilde;es postais e um dos poucos espa&ccedil;os p&uacute;blicos que restam na capital pernambucana. E &eacute; por isso que um grupo est&aacute; lutando para evitar que as constru&ccedil;&otilde;es sejam demolidas por um cons&oacute;rcio de grandes construtoras para constru&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios comerciais e residenciais.</font></P>     <p><font size="3">O movimento Ocupe Estelita &eacute; formado por advogados, arquitetos, soci&oacute;logos, artistas, professores, engenheiros, estudantes, m&eacute;dicos, administradores, publicit&aacute;rios, jornalistas, designers e antrop&oacute;logos, entre outros, que, desde 2012, luta contra a destrui&ccedil;&atilde;o desse marco da cidade. Mas o objetivo do grupo vai al&eacute;m: "A luta do movimento Ocupe Estelita &eacute; para que a cidadania ocupe o cais por meio da observ&acirc;ncia da legisla&ccedil;&atilde;o vigente; da inclus&atilde;o popular no desenho das oportunidades para a &aacute;rea do centro&#45;sul da capital pernambucana; do respeito ao meio ambiente e do investimento imobili&aacute;rio respons&aacute;vel", explica o grupo em seu website.</font></P>     <p><font size="3">A luta come&ccedil;ou em 2008, quando o cons&oacute;rcio imobili&aacute;rio Novo Recife, formado pelas construtoras Moura Dubeux, Queiroz Galv&atilde;o, Ara Empreendimentos e GL Empreendimentos, comprou em leil&atilde;o a &aacute;rea da antiga Rede Ferrovi&aacute;ria Federal (RFFSA) por R$55 milh&otilde;es. O projeto visava construir mais de 12 torres residenciais e comerciais de alto padr&atilde;o, com at&eacute; 40 andares (apartamentos de R$400 mil e R$1 milh&atilde;o), al&eacute;m de estacionamentos para cerca de cinco mil ve&iacute;culos. O plano causou indigna&ccedil;&atilde;o em grande parte da popula&ccedil;&atilde;o, que come&ccedil;ou a se mobilizar para acompanhar as reuni&otilde;es do Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) da prefeitura de Recife. O que come&ccedil;ou como uma reivindica&ccedil;&atilde;o por mais di&aacute;logo e participa&ccedil;&atilde;o popular levou &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do grupo Direitos Urbanos (DU), que hoje representa a maioria dos integrantes do movimento Ocupe Estelita.</font></P>     <p><font size="3"><b>PRESS&Atilde;O POPULAR</b> Em 23 de maio de 2012 ocorreu a primeira audi&ecirc;n­cia p&uacute;blica sobre o projeto Novo Recife, na qual parte da popula&ccedil;&atilde;o teve acesso ao projeto e apontou v&aacute;rios problemas que ele poderia causar no cais e na cidade como um todo &#150; entre eles a perda de parte da hist&oacute;ria e da identidade do Recife. "Foi impressionante porque a sociedade civil participou em peso. A c&acirc;mara ficou tomada por pessoas que queriam acompanhar o debate", conta a advogada Liana Cirne Lins, professora do Departamento de Direito P&uacute;blico Geral e Processual da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e integrante do movimento.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Apesar de toda a mobiliza&ccedil;&atilde;o social, em 2014 o Cons&oacute;rcio Novo Recife deu in&iacute;cio &agrave; demoli&ccedil;&atilde;o do cais. A opera&ccedil;&atilde;o, que come&ccedil;ou por volta da meia noite, chamou a aten&ccedil;&atilde;o de um dos ativistas, que enviou imagens da destrui&ccedil;&atilde;o por celular para outros ativistas, que espalharam a not&iacute;cia pelas redes sociais.  As pessoas reunidas decidiram passar a noite no local vigiando para que as m&aacute;quinas n&atilde;o voltassem a derrubar os armaz&eacute;ns. O acampamento, que era para ser por uma noite, acabou durando 58 dias, atraindo cada vez mais pessoas.</font></P>     <p><font size="3">A press&atilde;o popular foi tanta que a prefeitura teve que abrir o di&aacute;logo com os ativistas e est&aacute; concordando em renegociar o projeto Novo Recife. J&aacute; foram realizadas quatro rodadas de debates sobre o assunto e v&aacute;rias mudan&ccedil;as foram propostas, mas ainda nenhuma a&ccedil;&atilde;o concreta. Durante uma das discuss&otilde;es, o prefeito Geraldo J&uacute;lio (PSB) afirmou: "n&oacute;s estamos aqui abrindo uma janela que ser&aacute; importante se todo mundo quiser us&aacute;&#45;la. Esse &eacute; um processo rico, importante, que nos possibilita a negocia&ccedil;&atilde;o. E esse deve ser o papel da prefeitura. Hoje, n&atilde;o debatemos quest&otilde;es de m&eacute;rito, mas de abertura de di&aacute;logo entre as partes".</font></P>     <p><font size="3"><b>IRREGULARIDADES</b> O movimento Ocupe Estelita e o grupo Direitos Urbanos apontam que h&aacute; uma s&eacute;rie de irregularidades ou, ao menos, pontos n&atilde;o muito claros, no projeto Novo Recife. O primeiro deles &eacute; que o leil&atilde;o da &aacute;rea, uma propriedade da Federa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o poderia ter sido feito sem consulta a outros &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos que eventualmente tivessem interesse nela. No entanto, o leil&atilde;o ocorreu mesmo com a manifesta&ccedil;&atilde;o de interesse do Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (Iphan), de Pernambuco, pela &aacute;rea. Al&eacute;m disso, apenas uma empresa &#150; o Cons&oacute;rcio Novo Recife &#150; participou e, com isso, pagou o valor m&iacute;nimo estipulado. </font></P>     <p><font size="3">Outro problema &eacute; que procedimentos b&aacute;sicos para projetos imobili&aacute;rios dessa magnitude n&atilde;o foram cumpridos como estudos de impacto de vizinhan&ccedil;a e de impacto ambiental. O projeto n&atilde;o foi submetido &agrave; an&aacute;lise do Iphan, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da Ag&ecirc;ncia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Tudo isso gerou tr&ecirc;s a&ccedil;&otilde;es populares e duas do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal e Estadual. "O que acontece &eacute; que o poder p&uacute;blico e o econ&ocirc;mico decidem de forma isolada sobre os modos de ocupa&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os da cidade, sem ouvir a opini&atilde;o do povo, que vai ter que arcar com as m&aacute;s escolhas desses poderes", aponta Lins. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a03img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>MOVIMENTO CULTURAL</b> O Ocupe Estelita n&atilde;o &eacute; apenas um movimento social, &eacute; tamb&eacute;m cultural. O grupo tem chamado a aten&ccedil;&atilde;o e recebido apoio de diversos artistas, como Ney Matogrosso, Z&eacute;lia Duncan, Kl&eacute;ber Mendon&ccedil;a, Na&ccedil;&atilde;o Zumbi e Xico S&aacute;. Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; isso: com o apoio estrutural do Som na Rural, projeto de m&uacute;sica itinerante da capital pernambucana, o movimento conseguiu levar nomes da cena musical de Recife, como Karina Buhr, Otto e Lirinha, para fazer shows de gra&ccedil;a no cais que atra&iacute;ram mais de 10 mil pessoas. "Al&eacute;m dos shows, tivemos oficinas de haikai, poesia, malabares, confec&ccedil;&atilde;o de livros. Oferecemos 'aul&otilde;es' ministrados por professores universit&aacute;rios; debates; apresenta&ccedil;&otilde;es de maracatu, capoeira, blocos de carnaval", conta Lins.</font></P>     <p><font size="3"><b>A CIDADE &Eacute; NOSSA</b> O grito de guerra do movimento Ocupe Estelita &eacute; "A cidade &eacute; nossa. Ocupe&#45;a". Isso porque o grupo n&atilde;o quer apenas impedir a destrui&ccedil;&atilde;o do cais, mas tamb&eacute;m mais participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica nas decis&otilde;es da cidade e aproveitamento m&aacute;ximo. "Nosso discurso do direito &agrave; cidade &eacute; do direito de fruir, de aproveitar tudo o que ela tem para oferecer, de ser feliz nela. A cidade &eacute; para isso: para ocuparmos seus espa&ccedil;os p&uacute;blicos dando&#45;lhes uma destina&ccedil;&atilde;o social, cultural e popular", defende Lins.</font></P>     <p><font size="3">A atividade do grupo acabou inspirando mobiliza&ccedil;&otilde;es em outras &aacute;reas da cidade &#150; como o projeto, proposto e cancelado pelo governo, de construir quatro viadutos no cora&ccedil;&atilde;o da cidade, o projeto Via Mangue e o Shopping RioMar &#150; e at&eacute; fora dela, como &eacute; o caso do cais Mau&aacute;, em Porto Alegre (RS). "Entramos para a hist&oacute;ria com uma mensagem positiva, de que vale a pena lutar, vale a pena interferir nos processos da cidade", finaliza Lins.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Chris Bueno</i></font></p>      ]]></body>
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