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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/brasil.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>MEIO AMBIENTE</b></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v66n4/line_blk.jpg"></P>     <P><font size="4">Um mundo sem embalagens: utopia     pode se tornar realidade </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Madrugada em S&atilde;o Paulo, a maior cidade do continente americano em n&uacute;mero de habitantes: caminh&otilde;es percorrem ruas coletando lixo. Diariamente s&atilde;o 18 mil toneladas de lixo, envolvendo lixo residencial, de sa&uacute;de, restos de feiras, podas de &aacute;rvores, entulho e outros res&iacute;duos. No meio disso, muitos materiais podem ser reciclados e, destes, boa parte s&atilde;o embalagens. </font></P>     <P><font size="3">Embalagens s&atilde;o recipientes ou inv&oacute;lucros que armazenam temporariamente produtos, com a fun&ccedil;&atilde;o principal de proteg&ecirc;&#45;los e de ampliar seu prazo de vida. Do ponto de vista do produtor, a embalagem viabiliza a distribui&ccedil;&atilde;o, a identifica&ccedil;&atilde;o, e pode estimular o consumo, pela sua apar&ecirc;ncia e informa&ccedil;&otilde;es disponibilizadas. Do ponto de vista do consumidor, a embalagem facilita o transporte e armazenamento. Mas do ponto de vista do ambiente, elas representam uma grande fonte de res&iacute;duos que, dependendo do material, s&atilde;o de dif&iacute;cil reciclagem.</font></P>     <P><font size="3">Pesquisa desenvolvida por Jozrael Rezende e colaboradores, em dois bairros de Ja&uacute;, no interior de S&atilde;o Paulo, aponta que, no per&iacute;odo 2001&#45;2010, a quantidade de res&iacute;duos aumentou 35%, enquanto a popula&ccedil;&atilde;o cresceu 30%. Os autores tamb&eacute;m afirmam que, dos res&iacute;duos gerados no munic&iacute;pio, aproximadamente 25% s&atilde;o de materiais recicl&aacute;veis e, destes, 59% s&atilde;o do tipo pl&aacute;stico mole.</font></P>     <P><font size="3"><b>MUDAR PARA SOBREVIVER</b> Reduzir a quantidade de res&iacute;duos s&oacute;lidos gerados, ou at&eacute; mesmo n&atilde;o ger&aacute;&#45;los, &eacute; um desafio e tanto para a sociedade atual, &aacute;vida por consumo e cada vez mais estimulada a consumir. Para a bi&oacute;loga Patricia Blauth, especialista em educa&ccedil;&atilde;o ambiental e consultora na &aacute;rea de res&iacute;duos, trata&#45;se de um desafio para a sociedade, que exige uma mudan&ccedil;a de paradigma: "Esse modelo econ&ocirc;mico, que consome bens, mat&eacute;ria&#45;prima, est&aacute; falido; ele &eacute; insustent&aacute;vel". </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Reduzir a quantidade de embalagens parece ser relativamente simples, pois bastaria diminuir o consumo de produtos embalados. Na Alemanha, por exemplo, foi inaugurado em junho deste ano um supermercado, o Original Unverpackt, em que nada &eacute; embalado. L&aacute; os clientes podem escolher produtos a granel, de acordo com a sua necessidade e sem a utiliza&ccedil;&atilde;o de embalagens descart&aacute;veis. As pessoas podem levar suas pr&oacute;prias garrafas, sacolas, cestos, bolsas e qualquer outro recipiente onde queiram armazenar suas compras. Al&eacute;m de reduzir imensamente a quantidade de res&iacute;duos pl&aacute;sticos, uma loja nesse formato tamb&eacute;m diminui o desperd&iacute;cio de comida. O conceito por tr&aacute;s da loja &eacute;: "Melhor do que reaproveitar algo j&aacute; fabricado &eacute; nem precisar utiliz&aacute;&#45;lo". </font></P>     <P><font size="3">Mas, num mundo globalizado n&atilde;o utilizar embalagens &eacute; um desafio. Por exemplo, sem embalagem, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel comprar uma t&acirc;mara vinda do Oriente M&eacute;dio. Conforme salienta Patricia, certamente poder&iacute;amos viver com muito menos embalagem, mas no atual modelo urbano &eacute; muito dif&iacute;cil, pois ter&iacute;amos que rever a economia local e diminuir a dist&acirc;ncia entre gerador e consumidor.</font></P>     <P><font size="3">Ainda assim, ela considera que a cada dia mais empresas trabalham com embalagens simples, "porque tem uma atitude 'chique' no simples que se est&aacute; resgatando". Outra tend&ecirc;ncia &eacute; a valoriza&ccedil;&atilde;o de feiras org&acirc;nicas, a maioria delas com produtos sem nenhuma embalagem. Patr&iacute;cia destaca tamb&eacute;m o papel crescente de feiras de troca, onde os produtos em geral n&atilde;o s&atilde;o embalados. Para ela, a utopia pouco a pouco se transforma em realidade.</font></P>     <P><font size="3">Andr&eacute;a Franco Pereira, designer de produto e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta que a produ&ccedil;&atilde;o de embalagens no Brasil tem acompanhando as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas mundiais, a tend&ecirc;ncia de globaliza&ccedil;&atilde;o de tecnologia e as t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o/transforma&ccedil;&atilde;o, que utilizam principalmente materiais como papel e papel&atilde;o, vidro, pl&aacute;sticos e metais. Autora do texto "Ecodesign e complexidade no ciclo de vida das embalagens", que integra o livro <i>Design, res&iacute;duos &amp; dignidade</i>, coordenado por Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, Andr&eacute;a afirma que as embalagens visam fornecer um produto em condi&ccedil;&otilde;es adequadas ao consumidor final. No caso dos alimentos, as embalagens contribuem tamb&eacute;m para a diminui&ccedil;&atilde;o das perdas; no entanto, os problemas de uso (contamina&ccedil;&otilde;es, acidentes, facilidade de manipula&ccedil;&atilde;o etc) e, sobretudo, a produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos, est&atilde;o igualmente presentes.</font></P>     <P><font size="3">Muitas pesquisas t&ecirc;m sido feitas visando o desenvolvimento de novos materiais. Andr&eacute;a destaca o papel dos  biopol&iacute;meros produzidos a partir de biopoli&eacute;steres (por exemplo, o polietileno furanoato, PEF, em substitui&ccedil;&atilde;o do polietileno tereftalato, PET, feito de poli&eacute;ster, derivado do petr&oacute;leo)  e dos  biopol&iacute;meros biodegrad&aacute;veis. Tintas e aglutinantes de base vegetal, como &oacute;leo de soja, s&atilde;o tamb&eacute;m importantes no setor de embalagens, pois al&eacute;m de substitu&iacute;rem &oacute;leos e compostos minerais, reduzindo a quantidade de VOC (composto org&acirc;nico vol&aacute;til) liberada na impress&atilde;o, causam menos danos &agrave; fibra de papel para a reciclagem. </font></P>     <P><font size="3"><b>IND&Uacute;STRIA &amp; CATADORES</b> Embalagens conectam dois extremos da sociedade contempor&acirc;nea: a ind&uacute;stria que movimenta atualmente no mundo mais de US$ 500 bilh&otilde;es e catadores de res&iacute;duos s&oacute;lidos, uma das mais insalubres e indignas atividades econ&ocirc;micas humanas nos grandes centros urbanos, principalmente em pa&iacute;ses perif&eacute;ricos. Ambos podem ser vistos como term&ocirc;metros da economia, pelo volume de neg&oacute;cios e pela desigualdade exposta. </font></P>     <P><font size="3">Um estudo da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas (FGV) mostrou que o valor bruto da produ&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de embalagens no Brasil atingiu R$52,4 bilh&otilde;es em 2013, ou seja um aumento de quase 11% em rela&ccedil;&atilde;o aos R$47,3 bilh&otilde;es de 2012. As embalagens pl&aacute;sticas representaram mais de 37% do total da produ&ccedil;&atilde;o, seguidas pelo setor de embalagens de papel&atilde;o, cartolina, papel cart&atilde;o e papel (35%), met&aacute;licas (16%), vidro (quase 5%) e madeira (2,5%). Estima&#45;se que grande parte desses materiais transforma&#45;se em lixo.</font></P>     <P><font size="3">Um estudo do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea) divulgado em 2010 aponta que, no Brasil, os recursos financeiros pass&iacute;veis de serem poupados direta e indiretamente pela reciclagem seriam da ordem de R$8 bilh&otilde;es. Estima&#45;se que 90% de todo o material reciclado no Brasil seja recuperado do lixo pelas m&atilde;os de catadores, que constituem a base da cadeia produtiva da reciclagem. Em outro estudo do Ipea, divulgado em 2012, constata&#45;se que no Brasil existem cerca de 400 mil catadores de res&iacute;duos que, somados aos membros das fam&iacute;lias, chegam a 1,4 milh&atilde;o de brasileiros que sobrevivem dessa atividade. Eles t&ecirc;m baixa escolaridade e a maioria &eacute; formada por homens, negros e jovens. O estudo tamb&eacute;m revela que 58% dos catadores contribuem para a Previd&ecirc;ncia, metade usufrui de esgoto em casa, quase um quinto tem computador e somente 4,5% est&atilde;o abaixo da linha da mis&eacute;ria.</font></P>     <P><font size="3">Embalagens s&atilde;o importantes, por&eacute;m o aumento cont&iacute;nuo do volume gerado &eacute; um problema ambiental grave. Mas buscar materiais renov&aacute;veis, com solu&ccedil;&otilde;es de design que favore&ccedil;am a coleta e a triagem e valorizem a reciclagem n&atilde;o &eacute; utopia; pode inclusive contribuir para diminuir a desigualdade social que parece n&atilde;o ter fim.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Leonor Assad    <br>   Thais Siqueira</i></font></P>      ]]></body>
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