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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/mundo.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">P<small>ERI&Oacute;DICOS CIENT&Iacute;FICOS</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v66n4/line_blk.jpg"></P>     <P><font size="4"><b>Alunos de gradua&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m publicam, revisam e editam artigos cient&iacute;ficos</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira avan&ccedil;ou muito na &uacute;ltima d&eacute;cada, mas permanece o desafio de melhorar seu impacto, medido, entre outras formas, pelo n&uacute;mero de cita&ccedil;&otilde;es que um artigo recebe. Al&eacute;m da barreira da escrita fluente em l&iacute;ngua estrangeira (sobretudo o ingl&ecirc;s), h&aacute; a da reda&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, a qual poucos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o ou p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o contemplam em seus curr&iacute;culos.</font></P>     <p><font size="3">Jovens estudantes de v&aacute;rias partes do mundo t&ecirc;m se organizado ao redor de revistas cient&iacute;ficas voltadas apenas para a produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica de graduandos, como espa&ccedil;o para divulgar suas pesquisas, mas sobretudo como estrat&eacute;gia de aprendizado e capacita&ccedil;&atilde;o de futuros editores, pareceristas e autores.</font></P>     <p><font size="3">Em 1997, cinco graduandos de universidades norte&#45;americanas se reuniram motivados a valorizar os trabalhos cient&iacute;ficos desenvolvidos por alunos de gradua&ccedil;&atilde;o, que permaneciam "invis&iacute;veis", na vis&atilde;o deles. Eles fundaram o <I>Journal of Young Investigators</I> (JYI), para o qual alunos de gradua&ccedil;&atilde;o poderiam enviar seus artigos. Al&eacute;m de escrever artigos, os pr&oacute;prios graduandos, s&atilde;o respons&aacute;veis por revisar os manuscritos cient&iacute;ficos, edit&aacute;&#45;los e publicar a vers&atilde;o final. O JYI conta atualmente com cerca de 50 graduandos no mundo inteiro e um corpo de diretores, formado por ex&#45;alunos da gradua&ccedil;&atilde;o, a maioria de institui&ccedil;&otilde;es dos EUA. "O trabalho volunt&aacute;rio no jornal nos ajuda a trocar ideias e a gerar novas ideias tamb&eacute;m. Ele expande e facilita a comunica&ccedil;&atilde;o, mesmo que os alunos estejam separados por muitas milhas", afirma Natalia Norori, de Costa Rica.</font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m do JYI, outros peri&oacute;dicos t&ecirc;m perfil semelhante, entre os quais: <I>Beloit Biologist</I>, <I>Dartmouth Undergraduate Journal of Science</I>, o <I>American Journal of Undergraduate Research</I> e o <I>Journal of Undergraduate Research and Scholarly Excellence</I>. Nestas publica&ccedil;&otilde;es, os pr&oacute;prios alunos atuam como editores, revisando manuscritos cient&iacute;ficos enviados por outros alunos do mundo inteiro. No cargo de editor associado do JYI, por exemplo, o aluno aprende a revisar artigos submetidos atrav&eacute;s de um treinamento, que dura cerca de seis semanas, sobre o processo que os cientistas chamam de "revis&atilde;o aos pares", ou <I>peer review</I>, o qual &eacute; acompanhado por um aluno mais experiente e pelo orientador, com o qual o aluno em treinamento deve manter reuni&otilde;es peri&oacute;dicas. Nessa etapa, as principais se&ccedil;&otilde;es de um manuscrito cient&iacute;fico s&atilde;o trabalhadas: resumo, introdu&ccedil;&atilde;o, materiais e m&eacute;todos, resultados e discuss&atilde;o, al&eacute;m da revis&atilde;o de um artigo completo de pesquisa e uma revis&atilde;o de literatura. O treinamento inclui um manual para editor, com detalhes sobre todo o processo de revis&atilde;o e orienta&ccedil;&otilde;es de como revisar um manuscrito.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O mais importante desse processo &eacute; a cr&iacute;tica construtiva que deve ser mantida nas respostas aos autores, j&aacute; que o objetivo &eacute; educativo. Esse &eacute; um dos motivos pelo qual a taxa de aprova&ccedil;&atilde;o de artigos &eacute; bastante alta: embora a aprova&ccedil;&atilde;o seja baixa num primeiro momento, os autores t&ecirc;m a oportunidade de receber todas as orienta&ccedil;&otilde;es dos pareceristas para melhorar o artigo de modo a chegar aos "padr&otilde;es da ci&ecirc;ncia". "H&aacute; normas adequadas no mundo da publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e n&oacute;s tentamos ensinar os nossos autores. Se eles decidem aperfei&ccedil;oar o manuscrito a partir das nossas edi&ccedil;&otilde;es, eles quase sempre publicam", diz Jai Kumar Mediratta, chefe de desenvolvimento do JYI.</font></P>     <p><font size="3">A internacionaliza&ccedil;&atilde;o, atualmente muito buscada pelas universidades, tamb&eacute;m faz parte da vida dos alunos participantes dessas iniciativas, ao entrar em contato com culturas diferentes e pessoas tamb&eacute;m do meio cient&iacute;fico de v&aacute;rias partes do mundo. A equipe e os autores se comunicam em ingl&ecirc;s, por email, ou conversas e reuni&otilde;es com uso de ferramentas Skype ou Google hangouts.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a06img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">No JYI, cerca de 85% das visualiza&ccedil;&otilde;es da p&aacute;gina s&atilde;o provenientes de pa&iacute;ses de l&iacute;ngua inglesa, sendo quase 79% dos EUA. Atualmente, apenas dois alunos (um brasileiro e uma aluna costa&#45;riquenha) fazem parte da equipe do JYI, como representantes da Am&eacute;rica Latina. Al&eacute;m de trabalhar com artigos de pesquisa, muitos desses peri&oacute;dicos seguem o padr&atilde;o de grandes revistas internacionais (como <I>Science</I> e <I>Nature</I>), apresentando tamb&eacute;m not&iacute;cias, coment&aacute;rios e possuem apenas a vers&atilde;o <I>online</I>.</font></P>     <p><font size="3"><b>CAPACITA&Ccedil;&Atilde;O</b> Experi&ecirc;ncias da Universidade da Carolina do Sul, nos EUA, mostram que os alunos concordam que h&aacute; uma melhora na escrita, edi&ccedil;&atilde;o, pesquisa e pensamento cr&iacute;tico atrav&eacute;s desse processo de revis&atilde;o aos pares. Embora tenham sido observados casos de pl&aacute;gio ou artigos muito fora dos padr&otilde;es de ci&ecirc;ncia (qualidade da ci&ecirc;ncia, estrutura do manuscrito ou qualidade da escrita) em submiss&otilde;es de fora do pa&iacute;s, o que refor&ccedil;a a necessidade de se disseminar a pr&aacute;tica da boa conduta desde a gradua&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Para participar dessas publica&ccedil;&otilde;es, &eacute; necess&aacute;rio ter disposi&ccedil;&atilde;o para o trabalho volunt&aacute;rio, que acaba contribuindo para que o estudante se sobressaia nas suas atividades acad&ecirc;micas. A ideia &eacute; criar uma cultura entre os membros e o envio de boletins <I>online </I>com os "integrantes do m&ecirc;s", brindes para os destaques (como <I>squeezes </I>ou camisetas do jornal) s&atilde;o estrat&eacute;gias usadas para retribuir a colabora&ccedil;&atilde;o dos estudantes. </font></P>     <p><font size="3">Embora n&atilde;o deva se tornar obrigatoriedade aos alunos de gradua&ccedil;&atilde;o, para n&atilde;o causar estresse decorrente da press&atilde;o para publicar que &eacute; caracter&iacute;stica do dia a dia dos pesquisadores "profissionais", essa &eacute; uma experi&ecirc;ncia muito interessante aos alunos que desejam seguir a carreira acad&ecirc;mica e dever&atilde;o, obrigatoriamente, escrever artigos para conclu&iacute;rem seus projetos de mestrado e doutorado. Parece ser bastante compensador ter seu pr&oacute;prio artigo publicado quando ainda se &eacute; aluno de gradua&ccedil;&atilde;o. Um dos alunos que publicou um artigo no JYI, recentemente postou o coment&aacute;rio "Rapazes, finalmente sou um cientista com publica&ccedil;&atilde;o!".</font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, &eacute; muito interessante para os graduandos saberem o que outros alunos de gradua&ccedil;&atilde;o andam fazendo. "Estou gostando muito de ver o trabalho de outros alunos de gradua&ccedil;&atilde;o, sejam eles publicados ou n&atilde;o. &Eacute; fascinante conhecer os interesses desses alunos", revela Kristen Lindeen, editor associado em hist&oacute;ria no JUR, Universidade do Estado do Colorado (CSU). O &uacute;nico ponto negativo parece ser o final das colabora&ccedil;&otilde;es. "Minha &uacute;nica tristeza &eacute; ter que deixar o trabalho em breve", lamenta Nicole Smith, editor no JUR.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Na p&aacute;gina do Council on Undergraduate Research h&aacute; uma lista com revistas para alunos de gradua&ccedil;&atilde;o: <a href="http://www.cur.org/resources/students/undergraduate_journals" target="_blank">www.cur.org/resources/students/undergraduate_journals</a>.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><I>Renato Santos</i></font></p>      ]]></body>
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