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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/mundo.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a07img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>ASTRONOMIA</b></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v66n4/line_blk.jpg"></P>     <P><font size="4">Descobrindo mundos: a reinven&ccedil;&atilde;o da sonda espacial Kepler </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O sistema solar n&atilde;o &eacute; a fronteira definitiva quanto &agrave; exist&ecirc;ncia de vida no universo. Essa &eacute; a esperan&ccedil;a da equipe de cientistas que comp&otilde;e a fase K2 da miss&atilde;o Kepler da Nasa (Ag&ecirc;ncia Espacial Americana). A K2, ou Second Light (Segunda Luz), iniciou opera&ccedil;&otilde;es no dia 30 de maio e &eacute; uma das sondas espaciais do ExEP (Programa de Explora&ccedil;&atilde;o de Exoplanetas) junto com a WFIRST, e o LBTI (Large Binocular Telescope Interferometer) &#150; este &uacute;ltimo com base na Terra &#150;, que tem um programa de pesquisa voltado para responder uma das mais antigas, complexas e inspiradoras quest&otilde;es colocadas para a humanidade: "somos os &uacute;nicos no cosmo?". </font></P>     <P><font size="3">A sonda Kepler foi lan&ccedil;ada em 2009 com a promessa de encontrar exoplanetas. Para isso seguia o rastro de estrelas distantes &#150; entre 500 e tr&ecirc;s mil anos luz do sistema solar. Um sensor de luz (fot&ocirc;metro), capaz de monitorar mais de 150 mil astros simultaneamente &#150; o Sol &eacute; uma dentre mais de 200 bilh&otilde;es de estrelas na Via L&aacute;ctea &#150;, captava a luz das estrelas para avaliar instabilidades provocadas pelo tr&acirc;nsito de planetas em suas &oacute;rbitas. Ano passado, depois de sofrer avarias mec&acirc;nicas em duas das quatro rodas respons&aacute;veis por lhe dar estabilidade, a Kepler quase foi colocada de lado. Muita criatividade e jogo de cintura foram necess&aacute;rios para resgatar e dar novo rumo &agrave; miss&atilde;o, mantendo seus objetivos cient&iacute;ficos originais. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">De acordo com o sum&aacute;rio de performance e investimento da Nasa, de 2013, a Kepler j&aacute; tinha come&ccedil;ado a descobrir planetas, alguns menores que Merc&uacute;rio. Encontrar planetas desse tipo na zona habit&aacute;vel &eacute; um grande feito. A zona habit&aacute;vel de uma estrela &eacute; a regi&atilde;o do sistema planet&aacute;rio onde &aacute;gua l&iacute;quida pode existir na superf&iacute;cie do planeta. A Terra est&aacute; na zona habit&aacute;vel do Sol, por exemplo. Com a K2 ser&atilde;o observadas estrelas, aglomerados estelares, gal&aacute;xias e supernovas, al&eacute;m das g&ecirc;meas solares (semelhantes ao Sol), aumentando as esperan&ccedil;as de encontrar vida no universo. </font></P>     <P><font size="3"><b>A REINVEN&Ccedil;&Atilde;O DA KEPLER</b> Quatro rodas com girosc&oacute;pios acoplados, arranjadas duas a duas em dois lados da sonda Kepler, cumpriam o papel de dar estabilidade para que o telesc&oacute;pio ficasse apontado sempre na dire&ccedil;&atilde;o da constela&ccedil;&atilde;o de Lira. O campo de vis&atilde;o da Kepler, mais ou menos do tamanho de uma m&atilde;o fechada, era considerado grande. O telesc&oacute;pio espacial Hubble, por exemplo, podia ver uma regi&atilde;o mais ou menos equivalente a um    gr&atilde;o de areia. </font></P>     <P><font size="3">Por causa de problemas mec&acirc;nicos em duas de suas rodas, o telesc&oacute;pio perdeu estabilidade. Resolver o problema &agrave; dist&acirc;ncia era imposs&iacute;vel. Ir at&eacute; a nave seria muito caro. Ent&atilde;o, uma equipe de cientistas elaborou uma solu&ccedil;&atilde;o muito criativa, testada ano passado. A nave poderia ser estabilizada contrabalanceando a press&atilde;o exercida pelas duas rodas com a press&atilde;o do vento solar, um tipo de emiss&atilde;o cont&iacute;nua de part&iacute;culas do Sol. A solu&ccedil;&atilde;o daria &agrave; nave um equil&iacute;brio inst&aacute;vel, j&aacute; que a press&atilde;o do vento solar n&atilde;o pode ser controlada. A nave teria de variar seu campo de vis&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3">As pequenas varia&ccedil;&otilde;es de posi&ccedil;&atilde;o da K2 &#150; ela fica entre 80 e 90 dias com o telesc&oacute;pio apontado na mesma dire&ccedil;&atilde;o &#150; representam uma perda de cobertura temporal da regi&atilde;o do espa&ccedil;o observada, j&aacute; que antes era poss&iacute;vel ficar anos observando o mesmo campo. A qualidade dos dados captados, no entanto, continua a mesma. Um dos campos de busca &eacute; o aglomerado M67, cujas estrelas t&ecirc;m idade parecida com a do Sol (4.6 bilh&otilde;es de anos). </font></P>     <P><font size="3">A Nasa aprovou mais dois anos de financiamento para a K2 &#150; foram solicitados 32 milh&otilde;es de d&oacute;lares para cobrir custos em 2016 e 2017 &#150; o que ser&aacute; importante para fazer liga&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;xima grande miss&atilde;o desenvolvida no Harvard Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), o Transiting Exoplanet Survey Satellite,TESS. Pronto em 2017, ele ser&aacute; o pr&oacute;ximo ca&ccedil;ador de exoplanetas da Nasa e o elo entre o Kepler e Plato, miss&atilde;o da ESA, Ag&ecirc;ncia Espacial Europeia, que parte em 2024. Ao longo deste ano outros projetos ser&atilde;o reavaliados pela comiss&atilde;o de or&ccedil;amento da Nasa, incluindo o Hubble, o Chandra e o Spitzer. </font></P>     <P><font size="3"><b>DESCOBRINDO MUNDOS</b> Um dos &uacute;ltimos planetas do sistema solar a ser descoberto, Urano, foi identificado quase casualmente. William Herschel e sua irm&atilde; Caroline observaram, com um telesc&oacute;pio montado no jardim de sua casa, em Bath, Inglaterra, em 1781, aquilo que pensaram ser uma estrela desconhecida, nas vizinhan&ccedil;as de H Geminorum. Algum tempo depois, Herschel pensou se tratar de um cometa em aproxima&ccedil;&atilde;o da Terra, para finalmente concluir, depois de observa&ccedil;&otilde;es cuidadosas, que o objeto era um planeta. </font></P>     <P><font size="3">Atualmente, s&atilde;o utilizadas t&eacute;cnicas para encontrar exoplanetas. Duas delas s&atilde;o a espectroscopia, que capta efeitos causados por um planeta na componente de velocidade radial da estrela que ele orbita; e a fotometria, que capta efeitos da passagem de um planeta na "curva de luz" da estrela que ele orbita. </font></P>     <P><font size="3">Essa &uacute;ltima t&eacute;cnica &eacute; usada pelo sat&eacute;lite franc&ecirc;s CoRoT e pela sonda Kepler, mas para detectar planetas pequenos e os muito distantes (na zona habit&aacute;vel) ela ainda apresenta limita&ccedil;&otilde;es. O gigante do sistema solar, J&uacute;piter, por exemplo, causaria altera&ccedil;&otilde;es muito pequenas na curva de luz do Sol, e quase nenhuma altera&ccedil;&atilde;o em sua velocidade radial, j&aacute; que ele est&aacute; distante do astro. </font></P>     <P><font size="3"><b>PARTICIPA&Ccedil;&Atilde;O BRASILEIRA</b> O brasileiro Jos&eacute; Dias do Nascimento, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atualmente pesquisador do CfA, em Harvard, nos Estados Unidos, conhece bem a realidade em que a t&eacute;cnica imp&otilde;e um limite para a identifica&ccedil;&atilde;o de exoplanetas: "Com as t&eacute;cnicas dispon&iacute;veis, n&atilde;o identificar&iacute;amos os planetas do sistema solar, se estiv&eacute;ssemos fora dele". J&aacute; que era t&atilde;o complicado procurar exoplanetas, por que n&atilde;o procurar por g&ecirc;meas solares? Essa reinven&ccedil;&atilde;o rendeu frutos positivos para o professor Nascimento e a pequena equipe brasileira de astr&ocirc;nomos da qual ele faz parte, respons&aacute;vel pela detec&ccedil;&atilde;o de cinco g&ecirc;meas, num universo de    20 conhecidas.</font></P>     <P><font size="3">Quantas dessas estrelas podem existir no universo? Esta &eacute;, exatamente, uma das perguntas que Nascimento e sua equipe tentam responder, por meio de um recenseamento te&oacute;rico com uma simula&ccedil;&atilde;o computacional. O pesquisador, que tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes), da UFRN e da Funda&ccedil;&atilde;o Lemman, comemora a inclus&atilde;o de dois projetos seus na fase K2, no campo de M67: "O primeiro trata da observa&ccedil;&atilde;o de estrelas gigantes. Minha proposta &eacute; analisar a abund&acirc;ncia de l&iacute;tio desses objetos e entender melhor o processo de mistura que acontece no interior das estrelas. O segundo, e mais importante em curto prazo, trata da observa&ccedil;&atilde;o e busca por estrelas g&ecirc;meas". </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">No &uacute;ltimo dia 2 de junho foi anunciada a descoberta da Mega Terra &#150; a partir da an&aacute;lise de dados da Kepler. Um planeta 17 vezes mais maci&ccedil;o que a Terra, localizado na constela&ccedil;&atilde;o de Draco. "Isso foi feito pelo meu vizinho de sala aqui em Harvard, o grande centro de pesquisa em astronomia da atualidade", conta Nascimento. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Vict&oacute;ria Fl&oacute;rio</i></font></P>      ]]></body>
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