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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/artigos.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>A ci&ecirc;ncia, a ditadura     e os f&iacute;sicos</b></font></P>     <P><font size="3">Ildeu de Castro Moreira</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>N</b></font><font size="3">o cinquenten&aacute;rio do golpe civil&#45;militar de 1964, v&aacute;rias incurs&otilde;es e estudos hist&oacute;ricos t&ecirc;m sido realizados para rememorar e avaliar o conjunto de fatos e circunst&acirc;ncias que impactaram a vida nacional durante o per&iacute;odo da ditadura. Nesta incurs&atilde;o, sem maiores pretens&otilde;es de sequer arranhar significativamente o assunto, pretendo recuperar alguns deles, em particular no &acirc;mbito da f&iacute;sica, intercalando vozes e aprecia&ccedil;&otilde;es, sobre esse per&iacute;odo. Tomo por base inicial os depoimentos de 61 cientistas de relevo, sete deles f&iacute;sicos, que constam do livro <I>Cientistas do Brasil</I>, publicado pela SBPC, em 1998, e que constitui um retrato abrangente e diversificado da produ&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia no Brasil. Destaco o envolvimento pol&iacute;tico particularmente intenso da comunidade de f&iacute;sicos, bem como aspectos da hist&oacute;ria da institui&ccedil;&atilde;o &agrave; qual perten&ccedil;o, o Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criada no mesmo ano do golpe e que, em seus primeiros anos, esteve fortemente marcada pelo per&iacute;odo ditatorial. Um apanhado realizado por Salinas (1) descreveu boa parte das a&ccedil;&otilde;es coletivas dos f&iacute;sicos, organizados na Sociedade Brasileira de F&iacute;sica (SBF), e que aqui est&atilde;o sintetizadas. </font></P>     <p><font size="3">&Eacute; importante notar que existem poucas pesquisas consagradas &agrave;s quest&otilde;es das pol&iacute;ticas de ci&ecirc;ncia e tecnologia (C&amp;T) durante esse per&iacute;odo &#150; com exce&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica nuclear &#150; e sobre o papel desempenhado pelas entidades cient&iacute;ficas e pelas diversas categorias profissionais. No caso da SBPC, sua atua&ccedil;&atilde;o foi estudada com maior intensidade (2). No caso da f&iacute;sica, em especial as a&ccedil;&otilde;es repressivas e a resist&ecirc;ncia ocorridas no Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal da Bahia (IF&#45;UFBA), um trabalho relevante foi realizado por Jos&eacute; Eduardo Ferraz Clemente (3;4) em sua disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado orientada, na UFBA, por Olival Freire Jr. Est&aacute; ainda por ser feita uma avalia&ccedil;&atilde;o mais ampla sobre as pol&iacute;ticas de desenvolvimento e de C&amp;T do per&iacute;odo ditatorial, seus impactos e resultados, bem como sobre os posicionamentos e atua&ccedil;&otilde;es dos setores cient&iacute;ficos, tecnol&oacute;gicos e empresariais.</font></P>     <p><font size="3">Dos 61 cientistas com depoimentos publicados no livro acima mencionado, 34 foram atingidos diretamente por a&ccedil;&otilde;es ditatoriais, por meio de pris&atilde;o, aposentadoria, demiss&atilde;o, censura, impedimento ou cerceamento de exercer a atividade cient&iacute;fica. Tr&ecirc;s deles o foram pelo Estado Novo (sendo que um sofreu persegui&ccedil;&otilde;es nos dois per&iacute;odos ditatoriais) e os restantes pelo regime militar p&oacute;s&#45;1964. Apenas quatro tinham intensa milit&acirc;ncia pol&iacute;tica, sendo membros atuantes de partidos de esquerda ou praticantes de um ativismo pol&iacute;tico de maior escala. A maioria tinha posi&ccedil;&otilde;es esquerdistas, mas suas atua&ccedil;&otilde;es estavam fundamentalmente ligadas a suas pr&aacute;ticas educacionais e cient&iacute;ficas, com pouca milit&acirc;ncia ou ativismo pol&iacute;tico mais geral. Um deles assinou um manifesto pr&oacute; "revolu&ccedil;&atilde;o", em 1965, o que n&atilde;o significa que tenha coonestado com as pr&aacute;ticas posteriores mais duras do regime. Praticamente todos tiveram sua vida profissional, grupo de pesquisa ou laborat&oacute;rio afetados, embora alguns deles mencionem que n&atilde;o foram atingidos, do ponto de vista pessoal, pela ditadura. Esses depoimentos mostram que a comunidade cient&iacute;fica, que tinha dimens&otilde;es pequenas na d&eacute;cada de 1960, foi proporcionalmente um dos setores mais atingidos pelo regime militar. &Eacute; fato que a repress&atilde;o agiu com mais viol&ecirc;ncia f&iacute;sica quando se tratava de oper&aacute;rios, camponeses, membros das For&ccedil;as Armadas e militantes da chamada esquerda revolucion&aacute;ria. Mas, registre&#45;se que entre as quatro centenas de desaparecidos pol&iacute;ticos encontram&#45;se muitos estudantes e professores, provenientes de &aacute;reas diversas da ci&ecirc;ncia. </font></P>     <p><font size="3">Os f&iacute;sicos t&ecirc;m uma tradi&ccedil;&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, no seu sentido mais amplo, que remonta aos embates de Galileu Galilei (1564&#45;1642), mas que ganhou destaque especial com a II Guerra Mundial. Ela os colocou na berlinda do poder, em fun&ccedil;&atilde;o do poderio dos instrumentos de guerra e das armas desenvolvidas, particularmente as nucleares. Einstein, a figura paradigm&aacute;tica de cientista do s&eacute;culo XX, teve intensa atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no final de sua vida contra o uso dessas armas, mas n&atilde;o s&oacute; nesse momento; foi ativista de v&aacute;rias causas, ao longo de d&eacute;cadas, pela paz mundial e contra v&aacute;rios tipos de discrimina&ccedil;&atilde;o, inclusive o racismo nos EUA (5). No Brasil n&atilde;o foi diferente. Ocorreu uma intensa atua&ccedil;&atilde;o individual de diversos f&iacute;sicos e uma atua&ccedil;&atilde;o coletiva tamb&eacute;m relevante para a vida pol&iacute;tica do pa&iacute;s, em particular nos aspectos do estabelecimento de pol&iacute;ticas de C&amp;T e da defesa das liberdades democr&aacute;ticas. Exemplos not&oacute;rios s&atilde;o M&aacute;rio Schenberg e Jos&eacute; Leite Lopes, com suas destacadas inser&ccedil;&otilde;es nas quest&otilde;es acad&ecirc;micas e cient&iacute;ficas, ambos atingidos violentamente em seus direitos pol&iacute;ticos e em suas carreiras profissionais pelo regime militar. A Sociedade Brasileira de F&iacute;sica (SBF), criada em 1966, j&aacute; durante o per&iacute;odo do regime militar, teve tamb&eacute;m uma intensa atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, inclusive com v&aacute;rios membros de sua dire&ccedil;&atilde;o sofrendo pris&otilde;es ou persegui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. As considera&ccedil;&otilde;es sobre o envolvimento particular dos f&iacute;sicos s&atilde;o aqui interpenetradas por cita&ccedil;&otilde;es de alguns cientistas de outras &aacute;reas, no sentido de propiciar um contexto mais amplo das rela&ccedil;&otilde;es da comunidade cient&iacute;fica com o regime implantado em 1964. </font></P>     <p><font size="3">Em seu minucioso estudo "As universidades e o regime militar", Rodrigo Patto (6) aponta aspectos importantes das rela&ccedil;&otilde;es da comunidade acad&ecirc;mica com o projeto autorit&aacute;rio&#45;modernizador do regime: a) A exist&ecirc;ncia de um espectro de atitudes entre os acad&ecirc;micos e os professores universit&aacute;rios, no per&iacute;odo ditatorial, que passava por resist&ecirc;ncia, acomoda&ccedil;&atilde;o, omiss&atilde;o ou ades&atilde;o; b) O paradoxo aparente de persegui&ccedil;&otilde;es violentas a cientistas, professores e estudantes &#150; muitos dos quais foram cassados, aposentados, presos ou mortos &#150; enquanto o regime repassava recursos para C&amp;T e apoiava a p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o em uma escala ainda n&atilde;o vista no pa&iacute;s; c) A exist&ecirc;ncia da "opera&ccedil;&atilde;o retorno", especialmente entre 1967 e 1968, que buscou trazer de volta cientistas brasileiros que atuavam no exterior, no mesmo momento em que exclu&iacute;a outros; d) A decis&atilde;o pol&iacute;tica de se implantar a reforma universit&aacute;ria, de forma autorit&aacute;ria e limitada em v&aacute;rios aspectos, mas incorporando muitas das ideias e propostas dos setores universit&aacute;rios progressistas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os acontecimentos e as avalia&ccedil;&otilde;es dos cientistas, expostas a seguir, ilustram e corroboram v&aacute;rios dos pontos destacados por Patto. Um aspecto mencionado por v&aacute;rios deles se refere &agrave;s pesquisas interrompidas ou aos grupos de pesquisa desfeitos em fun&ccedil;&atilde;o da repress&atilde;o. Uma interrup&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter mais abrangente ocorreu, em 1965, com as persegui&ccedil;&otilde;es na Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) que resultaram na demiss&atilde;o em massa de professores e que encerrou um projeto universit&aacute;rio renovador. </font></P>     <p><font size="3">J&aacute; no Ato Institucional de 9 de abril de 1964, quatro cientistas de renome foram cassados, Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Josu&eacute; de Castro e Nelson Werneck Sodr&eacute;, ao lado de 98 outros, entre parlamentares e gestores, al&eacute;m da expuls&atilde;o de 122 oficiais das For&ccedil;as Armadas (7). Ainda em 1964, ocorreram pris&otilde;es ou persegui&ccedil;&otilde;es a diversos cientistas, alguns com atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica intensa. Em S&atilde;o Paulo, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas (FFLCH) foi invadida e Mario Schenberg ficou preso por 50 dias, pris&atilde;o essa que deslanchou uma s&eacute;rie grande de protestos de cientistas, em especial f&iacute;sicos, de todo o mundo. Ele explica assim seu posicionamento pol&iacute;tico firme diante das persegui&ccedil;&otilde;es que sofreu ao longo das d&eacute;cadas seguintes: "Eu sempre fui um homem de posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas definidas. Sempre que tenho certeza, alguma certeza, tomo posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas definidas. &Eacute; um dever que a gente tem, mesmo que se erre. Assim, acho que ajudamos mais as pessoas" (7). Em outro momento, ao receber o t&iacute;tulo de professor em&eacute;rito do Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF), em 1987, deixou registrada sua avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica sobre o comportamento de parte da comunidade cient&iacute;fica brasileira ao afirmar que n&atilde;o estava convencido de que "os cientistas tivessem reagido com toda a energia necess&aacute;ria".</font></P>     <p><font size="3">Tr&ecirc;s estudantes da f&iacute;sica da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi), Carlos Mauricio Giesbrecht Ferreira Chaves, Fernando Bunchaft e Adir Moys&eacute;s Luiz foram expulsos pela congrega&ccedil;&atilde;o da faculdade e pelo conselho universit&aacute;rio da UFRJ, em abril e julho de 1964. A expuls&atilde;o foi justificada por processo disciplinar anterior, mas correspondeu &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es repressivas do novo regime e &agrave; acomoda&ccedil;&atilde;o dos organismos universit&aacute;rios. Esses antigos estudantes da FNFi tornaram&#45;se profissionais na &aacute;rea da f&iacute;sica e foram reintegrados simbolicamente em cerim&ocirc;nia na UFRJ, em 1999. No Rio Grande do Sul, Ant&ocirc;nio de P&aacute;dua Ferreira da Silva, que era professor licenciado e bacharel em matem&aacute;tica e f&iacute;sica pela Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ­(UFRGS)­­ teve seus direitos pol&iacute;ticos cassados em 7 de maio de 1964. Em Salvador, o professor Roberto Max de Argollo, professor de f&iacute;sica da UFBA, foi preso no dia 31 de mar&ccedil;o de 1964, para "averigua&ccedil;&otilde;es", e assim permaneceu por 120 dias.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a15img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">No Rio de Janeiro, os f&iacute;sicos Jos&eacute; Leite Lopes e Pl&iacute;nio Sussekind, ambos do Departamento de F&iacute;sica da FNFi, que se transformava no IF&#45;UFRJ, foram atingidos nesse primeiro ano. Leite Lopes havia renunciado ao cargo de diretor cient&iacute;fico do CBPF, logo em seguida ao golpe, e sua posi&ccedil;&atilde;o no CNPq n&atilde;o foi renovada. Optou por deixar o pa&iacute;s, mas foi preso ao providenciar seu passaporte, um fato que teve muita repercuss&atilde;o. Solto no dia seguinte, lan&ccedil;ou seu livro <I>Ci&ecirc;ncia e desenvolvimento</I> (8) na tarde do mesmo dia. Deixou o pa&iacute;s, pouco depois, para trabalhar na Fran&ccedil;a. Voltaria em 1967 e aqui permaneceria at&eacute; ser novamente perseguido e aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional n&uacute;mero 5 (AI&#45;5). Pl&iacute;nio foi preso em junho de 1966, por agentes do Centro de Informa&ccedil;&otilde;es da Marinha (Cenimar) que tamb&eacute;m arrombaram os laborat&oacute;rios de f&iacute;sica e qu&iacute;mica da FNFi, com a autoriza&ccedil;&atilde;o de seu diretor. </font></P>     <p><font size="3">Em v&aacute;rias universidades e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa atingidas pelo aparato repressivo, como aconteceu na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), grupos e lideran&ccedil;as renovadoras foram alvo de a&ccedil;&otilde;es repressivas e excludentes, muitas delas deflagradas por disputas de poder interno e por interesse de grupos conservadores aliados ao novo regime. Houve interrup&ccedil;&atilde;o de projetos e o desmantelamento de diversos grupos de pesquisa. Le&ocirc;nidas de Mello Deane e Maria Von Paumgartten Deane (parasitologistas), por exemplo, tiveram de deixar o pa&iacute;s interrompendo seus trabalhos. Maria Deane relatou sua experi&ecirc;ncia: "Estas circunst&acirc;ncias nos obrigaram a interromper os projetos em que trabalh&aacute;vamos. Foram as mesmas circunst&acirc;ncias que culminaram com o ex&iacute;lio de tantos pesquisadores brasileiros, colegas e amigos nossos, como o Luiz Hildebrando Pereira da Silva, os Nussenzveig, o Lu&iacute;s Rey, o Erney Camargo, o Michel Rabinovich e tantos mais, da USP e de outras universidades e institutos de pesquisa. Foram as mesmas que nos levaram, ao Le&ocirc;nidas e a mim, a deixar o pa&iacute;s por algum tempo. N&atilde;o podemos deixar que essas circunst&acirc;ncias se repitam." (9). </font></P>     <p><font size="3">Outro caso marcante e bem conhecido da a&ccedil;&atilde;o ditatorial sobre a universidade e a pesquisa brasileira se deu com a a&ccedil;&atilde;o violenta sobre a UnB em 1965, na qual 16 professores foram expulsos e 223 se demitiram, dos quais 15 f&iacute;sicos. Isto correspondeu &agrave; sa&iacute;da de 79% dos professores, entre os 305 que a universidade tinha naquele momento. Roberto Salmeron, f&iacute;sico e uma das principais lideran&ccedil;as envolvidas, descreveu com detalhes o processo (10). A partir de sua experi&ecirc;ncia dolorosa e de uma reflex&atilde;o amadurecida sobre o processo, Salmeron finalizou seu livro com uma coloca&ccedil;&atilde;o geral sobre a distribui&ccedil;&atilde;o de cargos, a atitude e a responsabilidade dos dirigentes pol&iacute;ticos e universit&aacute;rios presentes na crise da UnB: </font></P>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Cargos de responsabilidade foram confiados mais pelo credo das pessoas ao regime do que por suas capacidades, e muitos se atribu&iacute;ram fun&ccedil;&otilde;es policiais, a par de suas fun&ccedil;&otilde;es administrativas. (...) A responsabilidade come&ccedil;ou com os que dirigiram o golpe de Estado e os que os apoiaram, militares e civis, os quais permitiram a instala&ccedil;&atilde;o do sistema. Foram muitos, em diferentes setores da atividade social, os respons&aacute;veis conhecidos ou an&ocirc;nimos, em v&aacute;rios n&iacute;veis da escala, os que comandavam e os que obedeciam &#150; indo &agrave;s vezes al&eacute;m da obedi&ecirc;ncia programada ou exigida &#150;, assim, como aqueles que n&atilde;o tinham mando de verdade. Autoridades civis e militares que se esmeravam em mostrar&#45;se mais zelosos do que seus superiores hier&aacute;rquicos esperavam. Mas ningu&eacute;m foi julgado, ningu&eacute;m foi punido. (11)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Como contraponto aos cientistas e intelectuais cr&iacute;ticos ao regime, no primeiro anivers&aacute;rio do golpe, 300 intelectuais (sendo 77 do Rio), muitos deles cientistas, assinaram um manifesto em apoio &agrave; "revolu&ccedil;&atilde;o", que &eacute; publicado nos jornais (12). Entre os seus assinantes estavam o ent&atilde;o reitor da UFRJ, o diretor pr&oacute;&#45;tempore do IF&#45;UFRJ e diversos pesquisadores de destaque da UFRJ, em particular da &aacute;rea das ci&ecirc;ncias da sa&uacute;de. </font></P>     <p><font size="3">Em 1967, Leite Lopes retornou ao Brasil, atendendo ao apelo de estudantes cariocas, no interregno menos duro do regime, entre 1966 e 1968, em que aconteceram movimentos e esperan&ccedil;as de restaura&ccedil;&atilde;o da democracia. Assim descreveu seu retorno e a interrup&ccedil;&atilde;o de um grande projeto de pesquisa: </font></P>     <blockquote>       <p><font size="3">Ao voltar, fui designado diretor do Instituto de F&iacute;sica. A sede da universidade estava sendo mudada para a cidade universit&aacute;ria e a pr&oacute;pria estrutura da universidade estava sendo mudada. (...) Para que o campus da cidade universit&aacute;ria adquirisse certa din&acirc;mica e prest&iacute;gio, pensei na instala&ccedil;&atilde;o de um acelerador de part&iacute;culas l&aacute; na cidade universit&aacute;ria. Uma m&aacute;quina com energia da ordem de 600 milh&otilde;es de el&eacute;trons&#45;volt, energia intermedi&aacute;ria. Ela acabava de ser produzida e seria uma m&aacute;quina nem muito grande nem pequena. E os aceleradores existentes no pa&iacute;s, em S&atilde;o Paulo, estavam obsoletos, ap&oacute;s terem permitido muitos bons trabalhos. Para a elabora&ccedil;&atilde;o do projeto foram obtidos recursos da Finep e o apoio do Instituto de Pesquisas da Marinha, cujo diretor tinha sido meu colega no CNPq, antes de 1964. A coisa estava em pleno desenvolvimento quando, em 1969, veio o AI&#45;5. E fui obrigado a ir embora." (13) </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Este &eacute; um exemplo de um grande projeto interrompido. Em fun&ccedil;&atilde;o dos contatos de Leite Lopes no exterior, de seu prest&iacute;gio e de sua capacidade de articula&ccedil;&atilde;o, ele poderia se tornar um programa mobilizador para a ci&ecirc;ncia brasileira. Em 1968, os estudantes do IF&#45;UFRJ fizeram uma greve em protesto contra as prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es da institui&ccedil;&atilde;o, que havia se transferido para a Ilha do Fund&atilde;o. Receberam a solidariedade do diretor Leite Lopes, mas este renunciaria poucos meses depois declarando&#45;se sem condi&ccedil;&otilde;es de resolver os problemas apontados pelos estudantes.</font></P>     <p><font size="3">A reuni&atilde;o da SBPC de 1968 clamou pelo fim do &ecirc;xodo dos cientistas brasileiros e pelo regresso dos que estavam fora, pelo apoio &agrave; pesquisa e pela reforma universit&aacute;ria. A comunidade cient&iacute;fica, assim como suas entidades representativas, carregava algumas ambiguidades resultantes da pol&iacute;tica aparentemente paradoxal do regime que apoiava a pesquisa e a p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o nascente com recursos vultosos, estabelecia planos nacionais de desenvolvimento, buscava trazer cientistas do exterior, e encaminhava um processo de reforma universit&aacute;ria. Tal reforma era reclamada por setores acad&ecirc;micos mais progressistas &#150; mas, por outro lado, o regime n&atilde;o tolerava dissid&ecirc;ncias, aposentava e demitia cientistas e professores de destaque, instalava &oacute;rg&atilde;os de controle nas universidades, criava mecanismos de "cassa&ccedil;&atilde;o branca". A reforma universit&aacute;ria, se incorporou v&aacute;rias demandas e proposi&ccedil;&otilde;es provenientes da comunidade cient&iacute;fica e universit&aacute;ria, o fez de forma autorit&aacute;ria, limitada e engessada, sem a participa&ccedil;&atilde;o efetiva dos pesquisadores e membros da comunidade universit&aacute;ria, e com a imposi&ccedil;&atilde;o de um modelo americanizado, e mesmo assim uma c&oacute;pia distorcida. </font></P>     <p><font size="3">Em 25 de abril de 1969, com base no AI&#45;5, foram aposentados compulsoriamente 41 professores das universidades. Entre eles, os f&iacute;sicos Mario Schenberg, Elisa Esther Frota Pessoa, Jaime Tiomno, Jos&eacute; Leite Lopes, Pl&iacute;nio Sussekind da Rocha, Sarah de Castro Barbosa, os &uacute;ltimos cinco ligados ao IF&#45;UFRJ. Na &eacute;poca, Leite Lopes era presidente da SBF, em seu segundo mandato. O <I>Boletim da SBF</I>, de novembro de 1969, registrou os protestos internacionais contra as aposentadorias dos f&iacute;sicos brasileiros com manifesta&ccedil;&otilde;es de cerca de dez cientistas premiados com o Nobel, carta da Soci&eacute;t&eacute; Fran&ccedil;aise de Physique e not&iacute;cias das revistas <I>Nature</I> e <I>Physics Today</I>. Mas isso n&atilde;o demoveu as autoridades. </font></P>     <p><font size="3">Na sequ&ecirc;ncia, o almirante Octacilio Cunha, presidente do CBPF, decidiu aplicar o Ato Complementar nº 75, de 21 de outubro de 1969, e demitiu alguns pesquisadores, entre os quais Leite Lopes, Tiomno e Elisa Pessoa. Em 14 de janeiro de 1970, a SBF protestou, em carta ao presidente M&eacute;dici. Segundo o ato complementar, todos aqueles que tivessem sofrido ou viessem a sofrer puni&ccedil;&otilde;es com base em atos institucionais estariam proibidos de exercer atribui&ccedil;&otilde;es, a qualquer t&iacute;tulo, em estabelecimentos de ensino e pesquisa criados ou subvencionados pelos poderes p&uacute;blicos. Dizia a carta da SBF: </font></P>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">(...) v&aacute;rios membros da SBF, entre eles alguns de seus diretores, mundialmente conhecidos e respeitados pelo alto valor de suas atividades profissionais, ent&atilde;o sendo impedidos de trabalhar em entidades p&uacute;blicas ou subvencionadas, por for&ccedil;a do referido Ato Complementar nº 75. (...) al&eacute;m de configurar um atentado frontal &agrave; liberdade de trabalho, representa a nega&ccedil;&atilde;o de outros princ&iacute;pios fundamentais inerentes &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o da dignidade humana e consagrados pelas tradi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas dos povos civilizados. </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Assinava a carta o secret&aacute;rio da entidade, Ernst Wolfgang Hamburger. Pouco depois, em dezembro de 1970, ele seria preso e processado pelo regime militar, juntamente com sua esposa Am&eacute;lia Imp&eacute;rio Hamburger, tamb&eacute;m professora de f&iacute;sica da USP. A dire&ccedil;&atilde;o da SBF enviou carta &agrave;s autoridades protestando contra essa arbitrariedade (1). A pris&atilde;o gerou tamb&eacute;m protestos de cientistas no Brasil e no mundo, o que deve ter contribu&iacute;do para a soltura de ambos, n&atilde;o antes de Am&eacute;lia passar por sess&otilde;es de tortura. Em meados de 1969, o f&iacute;sico e estudante de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o, Luiz Davidovich foi expulso da universidade com base no Decreto 477 e parte para os EUA (Universidade de Rochester) onde realizou seu doutorado.</font></P>     <p><font size="3">Em 18 de setembro de 1969, como resultado do AI&#45;5, foram afastados 12 docentes da UFMG, entre os quais o professor da f&iacute;sica, Celson Diniz Pereira e Amilcar Vianna Martins, da Faculdade de Medicina e cientista de m&eacute;ritos reconhecidos na &aacute;rea da parasitologia. Amilcar teve de deixar o pa&iacute;s e relatou o impacto em sua &aacute;rea de pesquisa: </font></P>     <blockquote>       <p><font size="3">Mas era uma tremenda injusti&ccedil;a, pois eu n&atilde;o tinha nenhuma atua&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o era militante. Tentaram me punir porque me consideravam comunista. N&atilde;o era comunista coisa nenhuma! Na verdade eu era esquerdista. Por trabalhar com doen&ccedil;as que afetavam principalmente a camada mais pobre da popula&ccedil;&atilde;o, tinha uma n&iacute;tida tend&ecirc;ncia &agrave; esquerda. Ent&atilde;o acharam que eu era comunista e resolveram me aposentar. Pelo que fiquei sabendo mais tarde, essa decis&atilde;o estava relacionada &agrave; influ&ecirc;ncia que eu exercia sobre os estudantes. Tinham medo de que eu pudesse lev&aacute;&#45;los a fazer qualquer coisa. (...) em S&atilde;o Paulo aposentaram todos. Liquidaram a parasitologia de l&aacute;. Al&eacute;m do Samuel, aposentaram o Lu&iacute;s Rey, o Lu&iacute;s Hildebrando Pereira da Silva, o casal Le&ocirc;nidas e Maria Deane e muitos outros. (14)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Marcelo Damy de Souza Santos, um dos grandes f&iacute;sicos experimentais do pa&iacute;s, que havia sido demitido da presid&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o Nacional de Energia Nuclear (Cnen) ap&oacute;s o golpe e retornou ao Instituto de Energia At&ocirc;mica, de onde saiu em 1968 por discordar do sistema militar ali implantado. Foi para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para tamb&eacute;m solicitar demiss&atilde;o no final de 1971 por diverg&ecirc;ncia com a atitude do reitor Zeferino Vaz. Segundo ele: </font></P>     <blockquote>       <p><font size="3">Viv&iacute;amos uma &eacute;poca de repress&atilde;o e nada era mais f&aacute;cil do que cassar um professor, como ocorreu na USP, para vergonha da vida universit&aacute;ria brasileira. Entre 1970 e 1971, o chefe de gabinete do reitor da Unicamp era um ex&#45;delegado do Departamento da Ordem Pol&iacute;tica e Social, que havia sido seu chefe de gabinete em Bras&iacute;lia. Ent&atilde;o come&ccedil;ou a vigorar em Campinas um clima muito estranho em que os problemas fundamentais da universidade eram encarados de um ponto de vista puramente pol&iacute;tico&#45;acad&ecirc;mico. (15) </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Em seu trabalho, Clemente (3) analisou os casos de repress&atilde;o sobre a comunidade de f&iacute;sicos da UFBA, de 1964 a 1979. Em 1975, Roberto de Argollo, que era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), voltou a ser preso e, dessa vez, torturado. Houve manifesta&ccedil;&otilde;es de protesto da comunidade local, da SBF e da SBPC. Mencionem&#45;se tamb&eacute;m as pris&otilde;es dos estudantes de f&iacute;sica Jo&atilde;o Henrique dos Santos Coutinho, Ivanilson Ferreira Pereira e Delmiro Martinez Baqueiro, em abril de 1972 e de J&uacute;lio Guedes e Cl&aacute;udio Guedes, em 1975. A demiss&atilde;o arbitr&aacute;ria pelo reitor, em setembro de 1977, do professor Paulo Miranda (que se formara na Universidade Patrice Lumumba, em Moscou), despertou forte rea&ccedil;&atilde;o da comunidade do IF&#45;UFBA com ampla repercuss&atilde;o na m&iacute;dia. Tanto no caso de Argollo, que seria anistiado em 1979, como no de Paulo Miranda, houve manifesta&ccedil;&atilde;o de protesto da SBF. S&oacute; em 1981, Paulo Miranda seria recontratado. Em todos esses epis&oacute;dios destaque&#45;se a atitude firme e solid&aacute;ria do diretor Humberto Tanure e dos professores e estudantes do IF&#45;UFBA (3). Um exemplo de f&iacute;sico que teve uma posi&ccedil;&atilde;o ortogonal a essa &eacute; o de Jos&eacute; Carlos de Almeida Azevedo, reitor da UnB que se distinguiu pela postura autorit&aacute;ria e a defesa intransigente do regime militar.</font></P>     <p><font size="3">Ap&oacute;s o AI&#45;5 houve um acirramento das tens&otilde;es e uma radicaliza&ccedil;&atilde;o acentuada do processo pol&iacute;tico, conduzindo ao per&iacute;odo mais duro e violento do regime militar. Uma das vertentes de resist&ecirc;ncia armada levou &agrave; Guerrilha do Araguaia, na qual se envolveram cerca de 70 militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), quase todos mortos nos embates com as tropas governamentais ou mortos ap&oacute;s serem aprisionados, no per&iacute;odo entre 1970 e 1974. Tr&ecirc;s estudantes do IF&#45;UFRJ estavam entre eles:  1) &Aacute;urea Eliza Pereira Valad&atilde;o (1950&#45;1973), que entrou para o IF&#45;UFRJ, em 1967, onde pretendia estudar f&iacute;sica nuclear. Participou intensamente do movimento estudantil no per&iacute;odo de 1967 a 1970, tendo pertencido ao diret&oacute;rio acad&ecirc;mico (DA) do IF, juntamente com Arildo Valad&atilde;o (seu marido) tamb&eacute;m desaparecido. O restaurante do Bloco A do Centro de Tecnologia da UFRJ recebeu, anos atr&aacute;s, o nome de &Aacute;urea Eliza Valad&atilde;o em sua homenagem; 2) Arildo Valad&atilde;o (1948&#45;1973), que nasceu em Itaici (ES) e ingressou no IF&#45;UFRJ em 1968. Tinha bolsa de estudos do CNPq e trabalhava como monitor e foi presidente do diret&oacute;rio acad&ecirc;mico do instituto em 1968. Com &Aacute;urea, foi para a regi&atilde;o do Araguaia em 1970; 3) Ant&ocirc;nio de P&aacute;dua Costa (1943&#45;1974) era estudante de astronomia e foi da diretoria do DA do IF&#45;UFRJ. Foi indiciado por sua participa&ccedil;&atilde;o no XXX Congresso da UNE, em Ibi&uacute;na (1968). No Araguaia assumiu o comando do Destacamento A e teria sido morto no in&iacute;cio de 1974. At&eacute; hoje a sociedade brasileira, e especialmente os familiares dos desaparecidos, est&atilde;o a aguardar um reconhecimento de suas mortes, por parte das For&ccedil;as Armadas, e a a&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria de localiza&ccedil;&atilde;o e identifica&ccedil;&atilde;o dos corpos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em julho de 1975, na Reuni&atilde;o Anual da SBPC, em Belo Horizonte, surgiram as not&iacute;cias de que o governo Geisel tinha assinado um acordo  com a Alemanha a fim de construir algumas usinas nucleares. Os estudantes de f&iacute;sica cobraram, juntamente com v&aacute;rios pesquisadores e professores, um posicionamento mais firme da entidade diante do Acordo Nuclear Brasil&#45;Alemanha. A mo&ccedil;&atilde;o sobre o acordo nuclear, aprovada pela assembleia geral da SBF, e posteriormente ratificada pela assembleia da SBPC, teve import&acirc;ncia pol&iacute;tica grande por ter colocado publicamente a posi&ccedil;&atilde;o dos f&iacute;sicos brasileiros cr&iacute;tica sobre o acordo nuclear. Entre seu principais pontos estavam: </font></P>     <blockquote>       <p><font size="3">(1) para que o desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico se realize, &eacute; indispens&aacute;vel a participa&ccedil;&atilde;o dos cientistas e t&eacute;cnicos brasileiros na formula&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos e sistemas utilizados e no debate pol&iacute;tico global sobre as op&ccedil;&otilde;es energ&eacute;ticas do pa&iacute;s; (...) (4) a SBF reitera a sua posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o da energia nuclear para fins militares; (...) (7) como condi&ccedil;&atilde;o para que qualquer destes pontos possa ser convenientemente considerado, e para que os cientistas e t&eacute;cnicos brasileiros participem deste debate, &eacute; indispens&aacute;vel que se discuta livre e abertamente os termos do acordo nuclear e suas implica&ccedil;&otilde;es nos v&aacute;rios aspectos tecnol&oacute;gicos, econ&ocirc;micos, ecol&oacute;gicos e sociais da vida brasileira. (16)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Durante os anos seguintes, a comunidade de f&iacute;sicos participou ativamente do debate sobre a quest&atilde;o energ&eacute;tica no Brasil, com muitas mat&eacute;rias sendo publicadas em jornais e revistas. Segundo Salinas (1), em um per&iacute;odo de dez anos, entre 1978 e 1988, cerca de cinquenta mat&eacute;rias foram publicadas no <I>Boletim da SBF</I> sobre diferentes aspectos da quest&atilde;o energ&eacute;tica no pa&iacute;s e do acordo nuclear, incluindo a&iacute; a divulga&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia de um "programa nuclear paralelo", com finalidades militares. No final do per&iacute;odo militar, foi feita uma nota conjunta de f&iacute;sicos brasileiros e argentinos assinada por Fernando de Souza Barros, pela SBF, e Luiz Masperi, pela Asociaci&oacute;n F&iacute;sica Argentina, em novembro de 1984. As duas sociedades colocaram&#45;se contra a produ&ccedil;&atilde;o de armas nucleares em qualquer pa&iacute;s, comprometeram&#45;se a lutar pelo desarmamento nuclear geral, contra a corrida armamentista nos dois pa&iacute;ses e a favor de mecanismos de abertura e controle de todas as instala&ccedil;&otilde;es nucleares. Concordaram que seria moralmente inaceit&aacute;vel a participa&ccedil;&atilde;o de f&iacute;sicos no desenvolvimento de armas nucleares de qualquer esp&eacute;cie. O movimento dos f&iacute;sicos dos dois pa&iacute;ses teve uma import&acirc;ncia grande nas negocia&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas entre os dois pa&iacute;ses que levaram, em 1986, a um acordo nessa dire&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Em 1978, teve in&iacute;cio a luta pela reintegra&ccedil;&atilde;o dos cientistas aposentados pelo AI&#45;5. Deu a partida, no dia 30 de mar&ccedil;o, o Departamento de F&iacute;sica Te&oacute;rica do IF&#45;UFRJ com uma manifesta&ccedil;&atilde;o nessa dire&ccedil;&atilde;o que ganhou a primeira p&aacute;gina do <I>Jornal do Brasil</I>. Na sequ&ecirc;ncia, a congrega&ccedil;&atilde;o do IF&#45;UFRJ aprovou a solicita&ccedil;&atilde;o e a SBF publicou um documento pedindo a reintegra&ccedil;&atilde;o de Mario Schenberg, Jos&eacute; Leite Lopes, Jayme Tiomno, Sarah Castro Barbosa, Elisa Frota Pessoa e Pl&iacute;nio Sussekind da Rocha (<I>post mortem</I>). Em 26 de junho de 1979, a ADUFRJ realizou uma cerim&ocirc;nia, que emocionou os presentes, de reintegra&ccedil;&atilde;o dos professores cassados da UFRJ, com quase todos eles presentes. No final de 1979, a UFRJ promoveu a reintegra&ccedil;&atilde;o dos professores.</font></P>     <p><font size="3">Para o geneticista Crodowaldo Pavan (1919&#45;2009), que foi presidente da SBPC  e do CNPq: </font></P>     <blockquote>       <p><font size="3">O governo militar errou e muito, mas n&atilde;o podemos deixar de fazer uma an&aacute;lise fria da situa&ccedil;&atilde;o. E o maior erro que eles cometeram, a meu ver, foi estabelecer um sistema de destruir as lideran&ccedil;as, inclusive as pr&oacute;prias. Agora, os militares realmente acreditavam no desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico. Posso garantir o seguinte: todas as reuni&otilde;es anuais da SBPC, com exce&ccedil;&atilde;o de 1977, foram amparadas pelo governo federal e se realizaram &agrave;s suas custas. Nessas reuni&otilde;es, 90% do que se discutia era contra o governo, mas, assim mesmo, a SBPC foi a &uacute;nica institui&ccedil;&atilde;o que conseguia discutir livremente naquele per&iacute;odo. Nem a Igreja, nem os advogados, nenhuma outra institui&ccedil;&atilde;o conseguiu fazer o que a SBPC fazia. E n&atilde;o &eacute; por m&eacute;rito da SBPC. Foi porque os militares acreditavam em ci&ecirc;ncia e tecnologia. Havia um interesse no desenvolvimento dessa &aacute;rea. (17) </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">A SBF foi certamente, ao lado da SBPC, uma das sociedades cient&iacute;ficas que se manifestou com mais intensidade contra as arbitrariedades do regime, em defesa de seus membros e em prol do estabelecimento de pol&iacute;ticas cient&iacute;ficas discutidas com a comunidade. Em geral as a&ccedil;&otilde;es dessas entidades contaram com o respaldo amplamente majorit&aacute;rio de seus membros. A comunidade dos f&iacute;sicos brasileiros e, em particular, alguns de seus membros de destaque pagaram um alto pre&ccedil;o individual e coletivo no per&iacute;odo ditatorial. Mas a sua resist&ecirc;ncia incessante, junto com a de outros setores da comunidade cient&iacute;fica e acad&ecirc;mica, foi um fator importante para o retorno do pa&iacute;s &agrave; normalidade democr&aacute;tica.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i><b>Ildeu de Castro Moreira</b> &eacute; professor do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Salinas, S. R. A. "Notas para uma hist&oacute;ria da Sociedade Brasileira de F&iacute;sica". <i>Rev. Bras. Ensino F&iacute;s</i>. vol.23 nº.3 S&atilde;o Paulo. Set. 2001.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Fernandes, A. M. <i>A constru&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia no Brasil e a SBPC</i>. Bras&iacute;lia: Editora da UnB. 1990.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Clemente, J. E. F. "Ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica durante a ditadura militar (1964&#45;1979): o caso da comunidade brasileira de f&iacute;sicos". Disserta&ccedil;&atilde;o  de Mestrado. Instituto de F&iacute;sica, Universidade Federal da Bahia (UFBA). Salvador, 2005.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  Clemente, J. E. F. "Persegui&ccedil;&otilde;es, espionagem e resist&ecirc;ncia: o Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal da Bahia durante a ditadura militar (1964 a 1979)". <i>Revista da SBHC</i>, vol.4, no.2, pp.129&#45;145, 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5.  Rowe, D. and Schulmann R. <i>Einstein on politics: his private thoughts and public stands on nationalism, zionism, war, peace, and the bomb</i>. Princeton: Princeton University Press. 2007.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Motta, R. P. S. <i>As universidades e o regime militar</i>. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.    .</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7. <i>Cientistas do Brasil &#45; Depoimentos</i>. S&atilde;o Paulo: SBPC. 1998. p.100.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Lopes, J. L. <i>Ci&ecirc;ncia e desenvolvimento</i>. Tempo Brasileiro/UFF, 1987.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Maria von Paumgartten Deane. <i>Cientistas do Brasil</i>. Op. Cit., p.192.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10.  Salmeron, R. <i>A universidade interrompida: Bras&iacute;lia 1964&#45;1965</i>. Bras&iacute;lia: EDU&#150;UnB. 2012.    </font></P>     <p><font size="3">11.  Salmeron, 2012. Op. Cit. p.478.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">12. <i>Di&aacute;rio Carioca</i>, 1 de abril de 1965.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">13.  Jos&eacute; Leite Lopes. <i>Cientistas do Brasil</i>. Op. Cit., p.138.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">14.  Am&iacute;lcar Vianna Martins. <i>Cientistas do Brasil</i>. Op. Cit., p.423.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">15.  Marcelo Damy de Souza Santos. <i>Cientistas do Brasil</i>. Op. Cit., p.528.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">16.  Mo&ccedil;&atilde;o sobre o acordo nuclear, aprovada pela Assembleia Geral da SBF, e pela Assembleia da SBPC. Reuni&atilde;o Anual da SBPC. Belo Horizonte.1975.    <!-- ref --> In: Salinas, S. R. A. "Notas para uma Hist&oacute;ria da Sociedade Brasileira de F&iacute;sica". Rev. Bras. Ensino F&iacute;s. vol.23 nº.3 S&atilde;o Paulo. Set. 2001.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">17.  Crodowaldo Pavan. <i>Cientistas do Brasil</i>. Op. Cit., p.807.    </font></P>      ]]></body><back>
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