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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>CI&Ecirc;NCIA NO TEATRO</b></font></P>     <P><font size=5><b>T<small>EMA CIENT&Iacute;FICO SERVE DE CONTEXTO PARA PE&Ccedil;AS E ATRAI P&Uacute;BLICO  LEIGO</small></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Divulgar ci&ecirc;ncias por meio de diferentes linguagens e despertar a curiosidade do p&uacute;blico para temas muitas vezes complexos &eacute; um desafio bastante atual. Cinema e literatura h&aacute; muito trabalham bem com a fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mas a experi&ecirc;ncia no ambiente do teatro &eacute; uma novidade bastante recente no Brasil. Nesse espa&ccedil;o c&ecirc;nico a rela&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e arte &eacute; explorada de maneira que as duas culturas possam conferir uma &agrave; outra conte&uacute;dos, metodologias e linguagens na constru&ccedil;&atilde;o de um processo pedag&oacute;gico inovador. Projetos que utilizam a linguagem teatral em ensino&#45;aprendizagem cativam estudantes n&atilde;o apenas no campo da educa&ccedil;&atilde;o, mas ampliando seu senso cr&iacute;tico e o exerc&iacute;cio da cidadania. Com o objetivo de aprofundar essa quest&atilde;o, foi realizado neste segundo semestre, em S&atilde;o Carlos, no interior paulista, o Workshop Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Arte da UFSCar. Da parte teatral, merece destaque o projeto do N&uacute;cleo Arte e Ci&ecirc;ncia no Palco, que durante todo o ano est&aacute; se apresentando na capital paulista com amplo repert&oacute;rio de montagens  cujos motes s&atilde;o feitos e biografias de cientistas.</font></P>     <p><font size="3">Em diversos museus do pa&iacute;s muitas a&ccedil;&otilde;es para a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica t&ecirc;m se concretizado, a come&ccedil;ar pelo teatro cient&iacute;fico realizado na Universidade Federal do Cear&aacute; cuja reflex&atilde;o sobre a educa&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias, e a demanda da sociedade por um museu interativo e din&acirc;mico, foi capaz de integrar ci&ecirc;ncia, arte e cultura a partir do ano 2000 com a cria&ccedil;&atilde;o da Seara da Ci&ecirc;ncia &#150; &oacute;rg&atilde;o de extens&atilde;o da universidade que tem como principal objetivo a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. O trabalho desse museu desperta o interesse dos estudantes da escola p&uacute;blica atrav&eacute;s de pe&ccedil;as que tratam a ci&ecirc;ncia de maneira l&uacute;dica e com uma linguagem acess&iacute;vel. "Essa a&ccedil;&atilde;o tem trazido bons resultados, fazendo com que os estudantes se interessem e gostem mais de ci&ecirc;ncias", elogiou o professor Marcus Raimundo Vale, da Universidade Federal do Cear&aacute; e um dos palestrantes convidados para o workshop. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a20img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O ator e diretor de teatro, Oswaldo Mendes, ressalta que o teatro &eacute; um g&ecirc;nero liter&aacute;rio espec&iacute;fico, equivalente &agrave; poesia, ao conto ou ao romance. Ele explica que, no caso do N&uacute;cleo Arte e Ci&ecirc;ncia no Palco, seus integrantes s&atilde;o profissionais, e seu compromisso &eacute; com o teatro, diferente do ideal de um professor que utiliza a linguagem e os instrumentos teatrais para atender projetos de ci&ecirc;ncia ou pedagogia. Al&eacute;m disso, o diretor lembra que a modalidade n&atilde;o se limita a contar hist&oacute;rias como ainda se confunde. "O teatro parte de uma hist&oacute;ria e de seus personagens para refletir sobre a condi&ccedil;&atilde;o humana, e vale para qualquer tema, incluindo aqueles relacionados &agrave;s ci&ecirc;ncias naturais. Portanto, contar hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; necessariamente fazer teatro. Para acontecer o fen&ocirc;meno teatral &eacute; preciso um pouco mais", assinala.</font></P>     <p><font size="3">J&aacute; no campo da comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, o teatro &eacute; visto como manifesta&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica que atrai o interesse do p&uacute;blico para determinados conte&uacute;dos, estimulando a vontade de aprender. Na abertura do workshop, o professor e vice&#45;reitor da UFSCar, Adilson Jesus Aparecido de Oliveira, disse que muitas pesquisas indicam que o brasileiro &eacute; interessado por ci&ecirc;ncias e o que falta &eacute; investir mais em iniciativas dessa natureza. "As pessoas ficam curiosas com as novidades cient&iacute;ficas, principalmente as relacionadas &agrave; &aacute;rea da sa&uacute;de. A pr&oacute;pria m&iacute;dia tamb&eacute;m acaba trabalhando mais com esse tipo de informa&ccedil;&atilde;o". </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Marcus Vale tamb&eacute;m ressalta a import&acirc;ncia desse tipo de iniciativa, no sentido de impulsionar a forma de dissemina&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia que come&ccedil;ou a acontecer no Brasil recentemente, com a exig&ecirc;ncia dos &oacute;rg&atilde;os de fomento para que  os pesquisadores passem  a incluir a populariza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia em seus curr&iacute;culos. "Os pesquisadores que vivem no laborat&oacute;rio e n&atilde;o sabem divulgar ci&ecirc;ncia, procuram centros de ci&ecirc;ncias. E n&oacute;s (divulgadores) estamos mais preparados para chegar ao p&uacute;blico e verificar os tipos de a&ccedil;&otilde;es de divulga&ccedil;&atilde;o. O teatro &eacute; apenas uma delas. Quando apresentamos as pe&ccedil;as, verificamos grande interesse de crian&ccedil;as e adolescentes, mas o grande p&uacute;blico ainda n&atilde;o tem acesso porque n&atilde;o temos visibilidade na imprensa ao ponto de apresentar uma pe&ccedil;a fora do &acirc;mbito escolar". </font></P>     <p><font size="3">De acordo com a pesquisadora Dulce Ferreira, da F&aacute;brica Centro de Ci&ecirc;ncia Viva (UA) de Portugal e tamb&eacute;m palestrante convidada, as pessoas n&atilde;o se interessam por aquilo que n&atilde;o conhecem. "Mas se n&oacute;s conseguirmos falar, elas v&atilde;o gostar de ouvir. Quando as pessoas apreciam e dizem que n&atilde;o sabiam de determinado assunto, mas aprenderam, &eacute; sinal de que houve interesse e elas captaram as mensagens". </font></P>     <p><font size="3">Para a pesquisadora, o esfor&ccedil;o de combinar duas &aacute;reas importantes possui aspectos que podem ser desafiantes. "Um desafio &eacute; a linguagem que devemos utilizar e o outro &eacute; o equil&iacute;brio entre o que queremos transmitir e aquilo que vamos realmente passar em termos de conte&uacute;do cient&iacute;fico". Dulce explica que um equil&iacute;brio adequado &eacute; o que faz uma pe&ccedil;a interessante, ou seja, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de uma linguagem que, mesmo t&eacute;cnica, tamb&eacute;m seja desmistificada e pr&oacute;xima de seu p&uacute;blico. De acordo com os palestrantes, a linguagem ainda &eacute; o principal desafio do di&aacute;logo entre arte e ci&ecirc;ncia tendo o palco como lugar comum. </font></P>     <p><font size="3">Adilson de Oliveira lembra que a linguagem cient&iacute;fica utilizada pelo cientista para se comunicar com seus pares, por exemplo, &eacute; herm&eacute;tica, compreendida apenas pelo grupo envolvido. "O conhecimento cient&iacute;fico, na minha opini&atilde;o, &eacute; uma coisa que faz parte da cultura humana e, por isso, deve atingir todas as pessoas, o que, infelizmente, n&atilde;o acontece. Ent&atilde;o, quando se populariza a ci&ecirc;ncia utilizando m&iacute;dias, recursos audiovisuais, em especial o teatro, se consegue estimular e fazer as pessoas pensarem e colocarem a ci&ecirc;ncia no seu dia a dia". </font></P>     <p><font size="3"><b>DRAMATURGIA</b> Segundo Oswaldo Mendes, no entanto, &eacute; preciso discernir o trabalho do divulgador e de um profissional do teatro: "fazer o papel de um cientista n&atilde;o torna nenhum ator um verdadeiro cientista, embora se estude bastante para a interpreta&ccedil;&atilde;o". O mesmo vale para o uso do teatro para ensinar ou divulgar ci&ecirc;ncia. Alguns t&ecirc;m qualifica&ccedil;&atilde;o como ator, autor ou diretor de teatro, mas a maioria n&atilde;o. A cren&ccedil;a de que fazer teatro &eacute; f&aacute;cil faz com que as pessoas acreditem que ele &eacute; feito por qualquer profissional", justificou. O desafio permanente apontado pelo diretor para o trabalho do teatro profissional em geral &eacute; a dramaturgia (escrita teatral). Em contrapartida, ele afirma, h&aacute; aus&ecirc;ncia de mais textos e pe&ccedil;as que tenham a ci&ecirc;ncia como tema.</font></P>     <p><font size="3">Em S&atilde;o Paulo, o N&uacute;cleo Arte Ci&ecirc;ncia no Palco da Cooperativa Paulista de Teatro, nascido em 1998, est&aacute; com um projeto de ocupa&ccedil;&atilde;o no Teatro de Arena Eug&ecirc;nio Kusnet,  com apresenta&ccedil;&otilde;es dos espet&aacute;culos que fazem parte do seu repert&oacute;rio e outras atividades, no per&iacute;odo de julho de 2014 a fevereiro de 2015.</font></P>     <p><font size="3">Em agosto foram apresentados os espet&aacute;culos <I>Einstein</I>, para o p&uacute;blico adulto; <I>No mundo de Arthur</I>, para o p&uacute;blico infantil; al&eacute;m de pequena mostra de teatro cient&iacute;fico com os grupos convidados: Ci&ecirc;ncia em Cena, do Museu da Vida (Fiocruz&#45;RJ) com o espet&aacute;culo <I>Pergunte a Wallace</I>; grupo Caleidosc&oacute;pio (S&atilde;o Paulo), com o espet&aacute;culo <I>O fant&aacute;stico laborat&oacute;rio do professor Percival</I>; e grupo Olhares do N&uacute;cleo Ouroboros (UFSCar), com o espet&aacute;culo <I>Petit Curie</I>.</font></P>     <p><font size="3">J&aacute; o workshop da UFSCar faz parte do VIII Ci&ecirc;ncia em Cena: encontro de teatro de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, que aconteceu nas cidades de S&atilde;o Carlos e Araraquara em agosto. Criado pelo N&uacute;cleo Ouroboros de Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, desde 2007 o evento re&uacute;ne profissionais e iniciantes nas artes da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica atrav&eacute;s do teatro. At&eacute; este ano, 65 espet&aacute;culos j&aacute; foram apresentados nas cidades de S&atilde;o Carlos (SP), Mossor&oacute; (RN), Fortaleza (CE), Caxias (MA) e Pacoti (CE), reunindo 33 grupos teatrais, entre grupos brasileiros e de Portugal, numa troca de experi&ecirc;ncia e cultura entre eles e tamb&eacute;m com a comunidade local. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Tatiane Liberato</i></font></p>     ]]></body>
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