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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Produção de energia elétrica a partir de usinas nucleares é desnecessária no país]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> ENTREVISTA C&Eacute;LIO BERMANN</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica a partir de usinas nucleares &eacute; desnecess&aacute;ria no pa&iacute;s</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a03img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Frequentemente a regi&atilde;o de Angra dos Reis, no litoral fluminense, &eacute; atingida por grandes deslizamentos de terra. A fragilidade geol&oacute;gica da regi&atilde;o, origem de muitos transtornos para turistas e para a popula&ccedil;&atilde;o local, j&aacute; era conhecida por seus primeiros habitantes. Os ind&iacute;genas que ali viviam deram &agrave; regi&atilde;o o nome de Itaorna, ou "terra podre", em tupi-guarani. Para o engenheiro C&eacute;lio Bermann, professor do Instituto de Eletrot&eacute;cnica e Energia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), as caracter&iacute;sticas do terreno em Angra s&atilde;o fonte de um outro tipo de preocupa&ccedil;&atilde;o: a seguran&ccedil;a do complexo nuclear brasileiro, que em 2015 completa 15 anos, composto por duas usinas em atividade, Angra I e Angra II, e mais uma que deve entrar em opera&ccedil;&atilde;o at&eacute; 2018, Angra III.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">"O que houve em Fukushima pode acontecer em Angra", alerta Bermann, referindo-se &agrave; possibilidade de um desastre provocado por deslizamentos de terra e pedras, que poderia afetar o sistema de resfriamento dos reatores das usinas nucleares. Num momento em que a crise h&iacute;drica destaca a necessidade de se diversificar o modelo de produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica no Brasil, ainda fortemente baseado em hidrel&eacute;tricas e em seu pressuposto de uma perene abund&acirc;ncia de &aacute;gua, C&eacute;lio Bermann falou &agrave; <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> sobre os riscos do uso da energia nuclear como alternativa de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica. E alertou: &eacute; preciso mudar o atual sistema de fiscaliza&ccedil;&atilde;o de nossas opera&ccedil;&otilde;es nucleares.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>O que os brasileiros deveriam saber em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gera&ccedil;&atilde;o e ao uso da energia nuclear no pa&iacute;s?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - A energia nuclear sempre foi entendida sob o ponto de vista do "secreto". Seu debate nunca foi devidamente popularizado e segue como um tema fechado para o p&uacute;blico. Infelizmente, a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem acesso a informa&ccedil;&otilde;es sobre as atividades nucleares no Brasil. Isso &eacute; assim por dois motivos: primeiro, pela dificuldade de tanto as institui&ccedil;&otilde;es governamentais como as empresas envolvidas com atividades nucleares prestarem esse tipo de informa&ccedil;&atilde;o; segundo, pela falta de um &oacute;rg&atilde;o, no pa&iacute;s, que possa servir de ponte entre as atividades nucleares. A cria&ccedil;&atilde;o de uma ag&ecirc;ncia nuclear no Brasil &eacute; algo absolutamente necess&aacute;rio para que haja uma efetiva fiscaliza&ccedil;&atilde;o e monitoramento dessas atividades, assim como um acesso p&uacute;blico a elas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>A ag&ecirc;ncia &agrave; qual o senhor se refere seria nos moldes da Anvisa, da sa&uacute;de, s&oacute; que na &aacute;rea nuclear?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - Sim. Um projeto que visa criar essa ag&ecirc;ncia tramita h&aacute; bastante tempo no Congresso Nacional, mas n&atilde;o vai para frente. E n&atilde;o anda porque a institui&ccedil;&atilde;o que hoje tem a responsabilidade de fazer a fiscaliza&ccedil;&atilde;o, a Comiss&atilde;o Nacional de Energia Nuclear (Cnen), &eacute; a mesma que opera as nossas usinas nucleares. Para que a fiscaliza&ccedil;&atilde;o e o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o sejam feitos de forma isenta h&aacute; a necessidade de se desvincular o &oacute;rg&atilde;o de opera&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o de fiscaliza&ccedil;&atilde;o das atividades nucleares. A ideia da cria&ccedil;&atilde;o de uma ag&ecirc;ncia nuclear tem sido levantada por v&aacute;rios colegas, tanto da academia como das pr&oacute;prias empresas envolvidas com as atividades nucleares no pa&iacute;s, um grupo que n&atilde;o se restringe &agrave; Eletronuclear, atuante na &aacute;rea de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica, mas inclui empresas que se dedicam a outras atividades proporcionadas pela energia nuclear - como, por exemplo, a utiliza&ccedil;&atilde;o de radiois&oacute;topos na medicina.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Que porcentagem do total de energia el&eacute;trica consumida hoje no pa&iacute;s &eacute; gerada pelas usinas nucleares?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - A informa&ccedil;&atilde;o oficial da participa&ccedil;&atilde;o da energia nuclear na produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica &eacute; de menos de 3% (2,7%) hoje. Esses s&atilde;o dados oficiais do Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico Nacional, documento produzido pelo Minist&eacute;rio das Minas e Energia no ano de 2013, com refer&ecirc;ncia aos dados de 2012. A perspectiva - pelo menos &eacute; o que dizem os planos de longo prazo para essa &aacute;rea -, &eacute; de um aumento da participa&ccedil;&atilde;o da energia nuclear na produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica no pa&iacute;s. O plano do Minist&eacute;rio para 2030 menciona a constru&ccedil;&atilde;o de mais seis usinas nucleares no Brasil. Pelo menos tr&ecirc;s delas seriam constru&iacute;das &agrave;s margens do Rio S&atilde;o Francisco, na regi&atilde;o da usina hidrel&eacute;trica de Itaparica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Precisamos da matriz nuclear para garantir a qualidade de vida das pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es de brasileiros?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - Discordo de que a energia nuclear seja uma modalidade que evita a emiss&atilde;o de gases de efeito estufa. O processo de produ&ccedil;&atilde;o de energia nuclear tamb&eacute;m gera esses gases, tanto na constru&ccedil;&atilde;o como na manipula&ccedil;&atilde;o do elemento nuclear. Mas no Brasil, e tamb&eacute;m no exterior, se constr&oacute;i a falsa ideia de que a produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade a partir da energia nuclear &eacute; ben&eacute;fica porque evita a emiss&atilde;o de gases de efeito estufa durante a opera&ccedil;&atilde;o das usinas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>E isso n&atilde;o &eacute; verdade?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - Se pensarmos exclusivamente na opera&ccedil;&atilde;o, isso &eacute; verdade. Mas a pergunta &eacute;: diante dos riscos - e Fukushima evidenciou que esses riscos n&atilde;o s&atilde;o pequenos - o uso dessa alternativa vale a pena? O que a ind&uacute;stria nuclear sempre argumenta &eacute; que a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia desses acidentes &eacute; muito pequena - e isso &eacute; verdade. Mas a quest&atilde;o &eacute; que uma vez que eles aconte&ccedil;am, as consequ&ecirc;ncias s&atilde;o absolutamente incontrol&aacute;veis. As duas usinas brasileiras em opera&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o de Angra dos Reis - Angra I e Angra II - t&ecirc;m um problema ser&iacute;ssimo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a. Esse problema n&atilde;o &eacute; que n&oacute;s podemos ter um terremoto ou tsunami naquela regi&atilde;o, mas o fato de que aquela &aacute;rea &eacute; extremamente fr&aacute;gil sob o ponto de vista geol&oacute;gico. O que aconteceu em Fukushima pode acontecer em Angra. Um deslizamento de terra de grandes propor&ccedil;&otilde;es que afete as linhas de transmiss&atilde;o de energia el&eacute;trica para as usinas pode fazer cair o fornecimento de eletricidade para o bombeamento da &aacute;gua do mar, usada no resfriamento dos reatores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>N&atilde;o existe um plano de conting&ecirc;ncia para essa situa&ccedil;&atilde;o?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - Desconhe&ccedil;o se a Eletronuclear tem <i>back-up</i> para esse tipo de situa&ccedil;&atilde;o, ou seja, se disp&otilde;e de pequenas usinas de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica a diesel. Desconhe&ccedil;o tamb&eacute;m a capacidade de gera&ccedil;&atilde;o de energia dessas usinas e o tempo que elas podem operar. O que aconteceu em Fukushima foi a aus&ecirc;ncia de energia el&eacute;trica para resfriar os reatores - e isso pode muito bem acontecer em Angra. E as condi&ccedil;&otilde;es para evacua&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o s&atilde;o absolutamente inexistentes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>N&atilde;o existe ent&atilde;o um plano de evacua&ccedil;&atilde;o e treinamento da popula&ccedil;&atilde;o no caso de um acidente nuclear?</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - Os administradores dizem que sim, que h&aacute; um plano. Mas trata-se apenas de algo para fazer constar que h&aacute; um plano. N&atilde;o h&aacute; treinamento da popula&ccedil;&atilde;o, que desconhece os procedimentos necess&aacute;rios numa emerg&ecirc;ncia - e, pior do que isso, n&atilde;o existem condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas para promover a evacua&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea. A &uacute;nica via de acesso &agrave; regi&atilde;o, que &eacute; a rodovia Rio-Santos, fica intransit&aacute;vel em &eacute;poca de chuvas, por conta da queda de barreiras causadas por deslizamentos de terra e de pedras - justamente os eventos que poderiam causar um acidente nas usinas de Angra. A constru&ccedil;&atilde;o da usina Angra III vai aumentar ainda mais o risco de ocorr&ecirc;ncia de um acidente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>H&aacute; algo de novo em termos de seguran&ccedil;a previsto para Angra III?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - N&atilde;o h&aacute; nenhuma novidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quela situa&ccedil;&atilde;o que est&aacute; descrita no site da Eletronuclear. Logo ap&oacute;s o acidente de Fukushima, o presidente da Eletronuclear declarou &agrave; imprensa que o plano de evacua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode se estender para um raio maior do que 15 km a partir das usinas porque alcan&ccedil;aria a cidade de Angra dos Reis e a&iacute; "complica muito". Foi essa a express&atilde;o que ele usou. Isso &eacute; uma desconsidera&ccedil;&atilde;o com a imprensa e com a popula&ccedil;&atilde;o brasileira. N&atilde;o podemos admitir que a quest&atilde;o nuclear seja tratada dessa forma.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">O que marca hoje as atividades nucleares, assim como outras atividades de risco no Brasil, &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o de coniv&ecirc;ncia e irresponsabilidade de parte das institui&ccedil;&otilde;es e &oacute;rg&atilde;os envolvidos. N&atilde;o sou catastrofista, apenas me amparo no princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel que o enfrentamento de todos os acidentes que ocorrem no pa&iacute;s fiquem restritos a uma aten&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia depois do ocorrido.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>A tecnologia usada nessas usinas tem sido atualizada?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - Angra I utilizou equipamentos americanos (anos 1970). Os equipamentos de Angra III vieram da Alemanha e s&atilde;o os mesmos que os de Angra II (anos 1990), t&ecirc;m a mesma concep&ccedil;&atilde;o, embora tenham se passado quase 20 anos. Eles ficaram no porto de Roterdam (Holanda) durante 15 anos e se desconhece as suas condi&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o desse per&iacute;odo. Desconhe&ccedil;o se a empresa respons&aacute;vel pela constru&ccedil;&atilde;o de Angra III est&aacute; monitorando os equipamentos que ficaram estocados no porto de Roterdam nesses anos. N&atilde;o vi nenhuma informa&ccedil;&atilde;o a esse respeito por parte da Eletrobr&aacute;s e da Eletronuclear, sua subsidi&aacute;ria. &Eacute; fundamental que as duas empresas disponibilizem informa&ccedil;&otilde;es ao p&uacute;blico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Sob o aspecto econ&ocirc;mico, a energia termonuclear &eacute; uma boa alternativa?</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Angra III, por exemplo, &eacute; uma usina extremamente cara, se formos comparar com as alternativas de gera&ccedil;&atilde;o de energia que o Brasil oferece. H&aacute; v&aacute;rias alternativas que poderiam suprir o montante energ&eacute;tico que ser&aacute; fornecido por Angra III, a partir da biomassa, da e&oacute;lica, do g&aacute;s natural. N&atilde;o vejo nenhum argumento plaus&iacute;vel para a teimosia de prosseguir no processo de constru&ccedil;&atilde;o de Angra III.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>O senhor &eacute; favor&aacute;vel &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o da energia nuclear no Brasil?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">CB - N&atilde;o sou desfavor&aacute;vel, desde que em pequena escala e para fins da medicina e da seguran&ccedil;a civil, como, por exemplo, no uso de dispositivos que empregam a energia nuclear na detec&ccedil;&atilde;o de dutos subterr&acirc;neos que podem apresentar problemas de corros&atilde;o. Mas produzir energia el&eacute;trica a partir da energia nuclear &eacute; um risco, comprovado internacionalmente por evid&ecirc;ncias. Existem evid&ecirc;ncias, tamb&eacute;m, de que grande parte dos acidentes nucleares de menor propor&ccedil;&atilde;o sequer vem a p&uacute;blico. A energia nuclear para gerar energia el&eacute;trica no nosso pa&iacute;s n&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria, porque temos alternativas. Veja que n&atilde;o mencionei as usinas hidrel&eacute;tricas, porque penso que esse tipo de energia s&oacute; &eacute; uma alternativa quando as condi&ccedil;&otilde;es sociais e ambientais para a sua constru&ccedil;&atilde;o s&atilde;o devidamente observadas. &Eacute; preciso que a popula&ccedil;&atilde;o envolvida e afetada pelas hidrel&eacute;tricas esteja de acordo com os projetos e que as quest&otilde;es ambientais sejam cumpridas. Nessas condi&ccedil;&otilde;es, considero que a energia hidroel&eacute;trica tamb&eacute;m &eacute; uma alternativa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><i><b>Alice Giraldi</b></i></font></p>      ]]></body>

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