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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> PSICAN&Aacute;LISE E FILOSOFIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Em busca de uma no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Ines Loureiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Embora onipresente nos discursos psicol&oacute;gicos e psicanal&iacute;ticos, o conceito de experi&ecirc;ncia tem sido relativamente pouco explicitado e discutido pela psican&aacute;lise. De fato, repensar o estatuto da experi&ecirc;ncia a partir da dimens&atilde;o do inconsciente &eacute; um desafio consider&aacute;vel. Thompson (1) acredita que os p&oacute;s-freudianos praticamente expurgaram a no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia de suas respectivas teorias, tomando-a como uma evid&ecirc;ncia secund&aacute;ria - apesar de, como nos lembra, muitos psicanalistas inclu&iacute;rem o termo nos t&iacute;tulos de suas obras, a exemplo de Wilfred Bion (<i>Learning from experience,</i> 1962) e Thomas Ogden (<i>The primitive edge of experience</i>, 1989). Em que pese o exagero dessa tese, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que resta ainda muito a explorar no campo dos estudos psicanal&iacute;ticos sobre a experi&ecirc;ncia; o &acirc;ngulo privilegiado da pr&aacute;tica cl&iacute;nica bem como os diversos modelos metapsicol&oacute;gicos atualmente dispon&iacute;veis podem contribuir de modo significativo tanto para a reflex&atilde;o sobre o estatuto da experi&ecirc;ncia como fen&ocirc;meno, quanto para as discuss&otilde;es sobre a no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">O assunto &eacute; abordado com mais recorr&ecirc;ncia no &acirc;mbito da psicologia. Desde os prim&oacute;rdios da psicologia cient&iacute;fica a investiga&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia elementar do sujeito pelo m&eacute;todo da introspec&ccedil;&atilde;o experimental reside no centro dos interesses de Wundt e seus sucessores. Um r&aacute;pido olhar para a recente produ&ccedil;&atilde;o brasileira nesta &aacute;rea identifica trabalhos importantes, entre os quais os de Marina Massimi e Miguel Mahfoud (2). Alocados no campo da hist&oacute;ria da psicologia, t&ecirc;m como intuito percorrer as defini&ccedil;&otilde;es de experi&ecirc;ncia que influenciaram a constitui&ccedil;&atilde;o dos saberes psicol&oacute;gicos, bem como questionar concep&ccedil;&otilde;es reducionistas a partir da fenomenologia de Husserl, que rep&otilde;e os la&ccedil;os entre experi&ecirc;ncia e pessoa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A psican&aacute;lise marca um ponto de inflex&atilde;o na hist&oacute;ria das teoriza&ccedil;&otilde;es sobre a experi&ecirc;ncia. Afinal, <b>a postula&ccedil;&atilde;o freudiana do inconsciente coloca em quest&atilde;o o pr&oacute;prio sujeito da experi&ecirc;ncia tal como abordado, at&eacute; ent&atilde;o, pela tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica.</b> Segundo Giorgio Agamben, a no&ccedil;&atilde;o de inconsciente sinaliza o &aacute;pice da crise do conceito moderno de experi&ecirc;ncia, fundado sobre o sujeito cartesiano. "Como manifesta claramente a sua atribui&ccedil;&atilde;o a uma terceira pessoa, a um <i>es</i>, a experi&ecirc;ncia inconsciente n&atilde;o &eacute;, de fato, uma experi&ecirc;ncia subjetiva, n&atilde;o &eacute; uma experi&ecirc;ncia do eu. Do ponto de vista kantiano, n&atilde;o se pode dizer nem ao menos uma experi&ecirc;ncia, pois falta aquela unidade sint&eacute;tica da consci&ecirc;ncia (a autoconsci&ecirc;ncia) que &eacute; o fundamento e a garantia de toda experi&ecirc;ncia. Todavia, <b>a psican&aacute;lise mostra-nos precisamente que as experi&ecirc;ncias mais importantes s&atilde;o aquelas que n&atilde;o pertencem ao sujeito, mas a 'aquilo' (es)</b>" (3).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">V&ecirc;-se que Agamben aponta a impessoalidade do id como indicativo de uma mudan&ccedil;a no centro de gravidade do sujeito. Em sentido semelhante, Lu&iacute;s Claudio Figueiredo afirma que a psican&aacute;lise abalou a no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia em virtude do radical descentramento do sujeito promovido por Freud: "O 'inconsciente' psicanal&iacute;tico n&atilde;o veio absolutamente para ocupar um lugar central, para assumir uma posi&ccedil;&atilde;o de origem da hist&oacute;ria ou de fundamento da experi&ecirc;ncia (funcionando como um texto subliminar que organizasse dos bastidores os jogos da consci&ecirc;ncia), mas, ao contr&aacute;rio, para <b>destituir a subjetividade de qualquer centro</b> e de qualquer originariedade,<b>problematizando em definitivo a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia</b>" (4).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Se a psican&aacute;lise desempenhou papel decisivo na crise das concep&ccedil;&otilde;es sobre o sujeito e sobre a experi&ecirc;ncia, &eacute; certamente do di&aacute;logo com a filosofia que poder&atilde;o surgir caminhos compat&iacute;veis com suas atuais preocupa&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico-pr&aacute;ticas. Para al&eacute;m das no&ccedil;&otilde;es de experi&ecirc;ncia eventualmente esbo&ccedil;adas e/ou "decalc&aacute;veis" de um dado autor ou modelo psicanal&iacute;tico, parece-me interessante caminhar em dire&ccedil;&atilde;o a no&ccedil;&otilde;es mais abrangentes; estas permitiriam, por um lado, avan&ccedil;ar na reflex&atilde;o te&oacute;rica sobre o estatuto do sujeito, e, por outro, responder a interroga&ccedil;&otilde;es &eacute;tico-cl&iacute;nicas sobre a possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o das subjetividades emp&iacute;ricas. Antes de indicar sumariamente duas vertentes filos&oacute;ficas nas quais a psican&aacute;lise pode buscar inspira&ccedil;&atilde;o para repensar o estatuto da experi&ecirc;ncia, conv&eacute;m uma r&aacute;pida incurs&atilde;o pela etimologia do termo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Sob o Signo do perigo: o termo "experi&ecirc;ncia"</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A &ecirc;nfase nas dificuldades que cercam o estudo da no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia &eacute; recorrente: inef&aacute;vel, "algo obscuramente alusivo e indefin&iacute;vel" (5), "de todas as palavras no vocabul&aacute;rio filos&oacute;fico &eacute; a mais dif&iacute;cil de manejar" (6). H&aacute; mesmo quem sugira o abandono do uso filos&oacute;fico do termo (7).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">O contexto em que vimos empregando a palavra h&aacute; de ter sinalizado que estamos &agrave;s voltas com o conceito de <b>experi&ecirc;ncia</b> (viv&ecirc;ncia, "forma de conhecimento abrangente, n&atilde;o organizado, ou de sabedoria, adquirido de maneira espont&acirc;nea durante a vida; pr&aacute;tica") (8), e n&atilde;o de <b>experimento</b> (experi&ecirc;ncia controlada ou dirigida, guiada e sustentada por uma hip&oacute;tese) (9). Por&eacute;m, as duas acep&ccedil;&otilde;es se entrecruzam historicamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Ao examinar o nascimento da ci&ecirc;ncia moderna, v&aacute;rios autores apontam que o experimento cient&iacute;fico tem origem na tentativa de disciplinar e controlar a experi&ecirc;ncia espont&acirc;nea: o experimento seria a experi&ecirc;ncia tornada m&eacute;todo. No dizer de Agamben, "(...) a ci&ecirc;ncia moderna nasce de uma desconfian&ccedil;a sem precedentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; experi&ecirc;ncia como era tradicionalmente entendida (Bacon define-a como uma 'selva' e um 'labirinto' nos quais se prop&otilde;e a colocar ordem)" (10). Com o advento da ci&ecirc;ncia experimental e seu ideal de apropria&ccedil;&atilde;o do mundo, a experi&ecirc;ncia passa a ser "(...) o modo pelo qual o mundo nos mostra sua face intelig&iacute;vel, a s&eacute;rie de regularidades a partir das quais podemos conhecer a verdade das coisas e domin&aacute;-las. A partir da&iacute;, o conhecimento j&aacute; n&atilde;o &eacute; um <i>p&aacute;thei m&aacute;thos,</i> uma aprendizagem na prova e pela prova, como toda a incerteza que isso implica, se n&atilde;o uma <i>mathema</i>, uma acumula&ccedil;&atilde;o progressiva de verdades objetivas que, n&atilde;o obstante, permanecer&atilde;o externas ao homem" (11).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Tais conex&otilde;es hist&oacute;ricas entre experimento e experi&ecirc;ncia j&aacute; indicam algo fundamental: a tentativa de eliminar as dimens&otilde;es de incerteza e de risco etimologicamente inerentes &agrave; no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia. Vejamos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Segundo Larrosa, o termo prov&eacute;m do latim <i>experiri</i> (provar). O radical <i>periri</i> &eacute; encontrado tamb&eacute;m em <i>periculum</i> (perigo); a raiz indo-europeia <i>per</i> indica travessia, percurso, passagem (e comp&otilde;e, entre outras, a palavra <i>peirat&ecirc;s</i>, pirata); assim, comenta o autor, "o sujeito da experi&ecirc;ncia tem algo desse ser fascinante &#91;pirata&#93; que se exp&otilde;e atravessando um espa&ccedil;o indeterminado e perigoso, pondose nele &agrave; prova e buscando nele sua oportunidade, sua ocasi&atilde;o" (12). Na sequ&ecirc;ncia da cita&ccedil;&atilde;o, mais um aspecto sugestivo: "A palavra experi&ecirc;ncia tem o <i>ex</i> do exterior, do estrangeiro, do ex&iacute;lio, do estranho e tamb&eacute;m o <i>ex</i> de exist&ecirc;ncia. A experi&ecirc;ncia &eacute; a passagem da exist&ecirc;ncia, a passagem de um ser que n&atilde;o tem ess&ecirc;ncia ou raz&atilde;o ou fundamento, mas que simplesmente <i>ex</i>-iste de uma forma sempre singular, finita, imanente, contingente. Em alem&atilde;o, experi&ecirc;ncia &eacute; <i>erfahrung</i>, que cont&eacute;m o <i>fahren</i> de viajar. E do antigo alto-alem&atilde;o <i>fara</i> tamb&eacute;m deriva <i>gefahr</i>, perigo, e <i>gef&auml;hrden</i>, p&ocirc;r em perigo. Tanto nas l&iacute;nguas germ&acirc;nicas quanto nas latinas, a palavra experi&ecirc;ncia cont&eacute;m inseparavelmente a dimens&atilde;o de travessia e perigo" (13). Tamb&eacute;m a partir da an&aacute;lise etimol&oacute;gica, Zeferino Rocha destaca que o radical latino <i>peri</i> e seu correspondente grego <i>peira</i> remetem &agrave; ideia de obst&aacute;culo, dificuldade; presente tamb&eacute;m no verbo <i>aperire</i> (abrir), permite ao autor afirmar que "a palavra experi&ecirc;ncia quer dizer: 'vencer dificuldades', 'superar obst&aacute;culos', 'abrir novas perspectivas' (...)" (14).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Note-se que evitamos adentrar na distin&ccedil;&atilde;o, amplamente discutida por autores de l&iacute;ngua alem&atilde;, entre <i>ehrfarung</i> (experi&ecirc;ncia) e <i>erlebnis</i> (viv&ecirc;ncia), o que estenderia demasiadamente nosso percurso. Prova, perigo, passagem, viagem... - as resson&acirc;ncias evocadas pelo termo nada t&ecirc;m de apaziguador ou est&aacute;vel. Assim, falar em "crise da experi&ecirc;ncia" &eacute; apenas p&ocirc;r em relevo uma dimens&atilde;o que lhe &eacute; constituinte...</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Dimens&otilde;es da crise da experi&ecirc;ncia</b> A relev&acirc;ncia de se aprofundar os estudos sobre a no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia decorre de <b>dois aspectos de um problema crucial: a crise do sujeito contempor&acirc;neo</b>. O primeiro aspecto, de car&aacute;ter emp&iacute;rico e hist&oacute;rico, &eacute; trabalhado por autores que, na esteira inaugurada pelos escritos de Walter Benjamin e Theodor Adorno, enfatizam o empobrecimento experiencial caracter&iacute;stico dos tempos atuais, ao menos no mundo urbano ocidental. No dizer de Agamben, "&#91;a experi&ecirc;ncia&#93; n&atilde;o &eacute; mais algo que nos seja dado fazer", - "o homem moderno volta para casa &agrave; noitinha extenuado por uma mix&oacute;rdia de eventos - divertidos ou ma&ccedil;antes, banais ou ins&oacute;litos, agrad&aacute;veis ou atrozes -, entretanto nenhum deles se tornou experi&ecirc;ncia" (15). Jorge Larrosa enumera alguns motivos que tornam a experi&ecirc;ncia cada vez mais rara: excesso de informa&ccedil;&atilde;o, de opini&atilde;o, de trabalho e falta de tempo - velocidade, agita&ccedil;&atilde;o e incapacidade para o sil&ecirc;ncio s&atilde;o inimigos mortais da experi&ecirc;ncia (16). Eis dois bons exemplos da tradi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica que diagnostica e lastima a crise da experi&ecirc;ncia concreta no mundo do s&eacute;culo XX.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A crise do sujeito pode ser desdobrada em um segundo aspecto, qual seja, sua dimens&atilde;o te&oacute;rica. &Eacute; um desafio retomar, criticar e fazer avan&ccedil;ar o conceito de experi&ecirc;ncia em um contexto marcado por uma verdadeira eros&atilde;o na no&ccedil;&atilde;o de sujeito (Jay), quando se assiste ao "(...) desaparecimento do tradicional sujeito que experi&ecirc;ncia em prol de um sujeito descentrado, reduzido a um 'efeito' de for&ccedil;as invis&iacute;veis, quer tais for&ccedil;as se manifestem sob aspecto de sociedade, linguagem ou o inconsciente" (17). Como vimos, a psican&aacute;lise contribuiu significativamente para tal eros&atilde;o...</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Figueiredo sugere ser necess&aacute;rio repensar o conceito de experi&ecirc;ncia &agrave; luz das filosofias p&oacute;smetaf&iacute;sicas, aprofundando o processo de de-substancializa&ccedil;&atilde;o da subjetividade. Uma nova compreens&atilde;o de experi&ecirc;ncia deve partir de uma cr&iacute;tica &agrave; concep&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sica segundo a qual a experi&ecirc;ncia existe como algo "simples, fundante e elementar". Ao contr&aacute;rio, "(...) a 'experi&ecirc;ncia' 'elementar e b&aacute;sica' &eacute; da ordem da fic&ccedil;&atilde;o; toda experi&ecirc;ncia &eacute; constru&iacute;da ou, melhor dizendo, toda experi&ecirc;ncia &eacute; em constru&ccedil;&atilde;o" (18). Note-se como estamos &agrave;s voltas com uma perspectiva construcionista em tudo avessa &agrave; cren&ccedil;a na evid&ecirc;ncia imediata da experi&ecirc;ncia, o que talvez seja um crit&eacute;rio para a escolha dos interlocutores capazes de estabelecer uma interlocu&ccedil;&atilde;o frut&iacute;fera com a psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Em suma, &eacute; um desafio pensar o estatuto da experi&ecirc;ncia em um cen&aacute;rio hist&oacute;rico-cultural que lhe &eacute; adverso e no contexto te&oacute;rico no qual a concep&ccedil;&atilde;o de sujeito encontra-se fortemente esvaziada da fun&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica, epistemol&oacute;gica e &eacute;tica a ela atribu&iacute;da na modernidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Interlocu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para a psican&aacute;lise</b> Vislumbramos ao menos dois caminhos interessantes - sem preju&iacute;zo de outros autores ou vertentes filos&oacute;ficas: <b>o pragmatismo norte-americano de John Dewey e o p&oacute;s-estruturalismo de Michel Foucault</b>. Tais vertentes figuram dentre as mais importantes das chamadas filosofias p&oacute;s-metaf&iacute;sicas, que sustentam uma concep&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-substancializada e n&atilde;o-universalizante de sujeito. Al&eacute;m de realizar uma cr&iacute;tica das epistemologias realistas e suas pretens&otilde;es fundacionistas, s&atilde;o correntes que acentuam fortemente a import&acirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o e das pr&aacute;ticas sociais como vetores de constru&ccedil;&atilde;o/transforma&ccedil;&atilde;o subjetiva. Al&eacute;m disso, possuem pontos significativos em comum - a ancestralidade nietzschiana, por exemplo, o que torna poss&iacute;vel circular entre pragmatismo e p&oacute;s-estruturalismo com alguma desenvoltura.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Ambos seriam f&eacute;rteis interlocutores para a psican&aacute;lise na medida em que compartilham com ela aspectos centrais. No plano te&oacute;rico, prescindem de uma no&ccedil;&atilde;o forte de sujeito, entendido como substrato previamente constitu&iacute;do e suporte necess&aacute;rio da experi&ecirc;ncia. No plano das subjetividades emp&iacute;ricas, enfatizam o potencial mutativo da experi&ecirc;ncia nas v&aacute;rias dimens&otilde;es que ela implica - como linguagem, corporeidade, temporalidade e intersubjetividade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Pois bem, a interlocu&ccedil;&atilde;o entre psican&aacute;lise e pragmatismo &eacute; um dos caminhos trilhados por Benilton Bezerra Jr. j&aacute; h&aacute; alguns anos, juntamente com Jurandir Freire Costa e outros colegas. Talvez seja o psicanalista que, no Brasil, mais tenha se dedicado ao estudo da no&ccedil;&atilde;o pragmatista de experi&ecirc;ncia. Em ao menos tr&ecirc;s ensaios fundamentais (19), Bezerra efetua essa tematiza&ccedil;&atilde;o a partir de uma visada psicanal&iacute;tica, estabelece sua escolha preferencial por algumas abordagens pragm&aacute;ticas (John Dewey e Richard Shusterman, por exemplo), dirige o foco da reflex&atilde;o para as rela&ccedil;&otilde;es entre experi&ecirc;ncia/ corpo e experi&ecirc;ncia/linguagem, aproximando-se gradativamente da teoria winnicottiana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Apesar de se situar claramente no campo do pragmatismo, Bezerra assume explicitamente a exist&ecirc;ncia de uma dimens&atilde;o "n&atilde;o-verbal" ou "pr&eacute;" ou "extralingu&iacute;stica" de import&acirc;ncia decisiva para a constitui&ccedil;&atilde;o dos sentidos e da vida subjetiva. Segundo ele, a vis&atilde;o estereotipada que v&ecirc; no pragmatismo uma filosofia racionalista, voluntarista e consciencialista, que exclui tudo o que n&atilde;o &eacute; linguagem (inclusive o corpo) &eacute; equivocada. O empenho na busca de uma no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia que contemple as dimens&otilde;es n&atilde;o-lingu&iacute;sticas tem uma explica&ccedil;&atilde;o: Bezerra se apoia na pr&aacute;tica cl&iacute;nica como terreno privilegiado de reflex&atilde;o e real&ccedil;a seu car&aacute;ter de projeto transformacional. E para "acionar o processo de transforma&ccedil;&atilde;o subjetiva" (20) &eacute; preciso lidar com experi&ecirc;ncias que n&atilde;o se deixam descrever.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">N&atilde;o caberia aqui resumir os argumentos de Bezerra, constru&iacute;dos com extraordin&aacute;ria clareza, precis&atilde;o e min&uacute;cia: seus ensaios s&atilde;o facilmente acess&iacute;veis e nenhuma par&aacute;frase estaria &agrave; altura de sua prosa elegante. Para nosso intuito, bastava assinalar que interlocu&ccedil;&atilde;o psican&aacute;lise/pragmatismo em torno da no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia j&aacute; se encontra otimamente encaminhada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Refer&ecirc;ncia central para os saberes psi brasileiros, a obra de Michel Foucault cont&eacute;m reflex&otilde;es sobre a experi&ecirc;ncia que podem render muito ao pensamento psicanal&iacute;tico. Segue-se uma breve indica&ccedil;&atilde;o de alguns rumos por ele esbo&ccedil;ados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>"Uma experi&ecirc;ncia &eacute; algo de que se sai transformado" (M. Foucault)</b> A fase dita estruturalista de Foucault parece-me de menor interesse para compreender a experi&ecirc;ncia em sua espessura vital e potencial mutativo. Ao percorrer as diversas acep&ccedil;&otilde;es de experi&ecirc;ncia em Foucault, Fernando Nicolazzi afirma que o per&iacute;odo dos anos 1960 &eacute; marcado pela aus&ecirc;ncia de um sujeito da experi&ecirc;ncia: "h&aacute;, anterior a ele &#91;sujeito&#93; apenas um espa&ccedil;o no qual ele n&atilde;o passa de uma posi&ccedil;&atilde;o a ser assumida, localizada essa no interior de forma&ccedil;&otilde;es discursivas an&ocirc;nimas, destacadas das experi&ecirc;ncias subjetivas dos indiv&iacute;duos, ainda que o pr&oacute;prio discurso seja visto como pr&aacute;tica" (21).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">&Eacute; apenas a partir da genealogia dos anos 1970 que Foucault passa a relacionar experi&ecirc;ncia e subjetividade. Como atesta Heliana Conde Rodrigues: "n&atilde;o h&aacute; como negar que um maior destaque na experi&ecirc;ncia transformadora, incluindo os nexos que esta mant&eacute;m com a vida-biografia e a constru&ccedil;&atilde;o da narrativa historiogr&aacute;fica, data do final dos anos 1970 e da d&eacute;cada de 1980 - momento em que a produ&ccedil;&atilde;o foucaultiana tem por foco os modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o, a &eacute;tica, a governamentalidade" (22).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Assim, voltemos nosso olhar para o chamado &uacute;ltimo Foucault. Formula&ccedil;&otilde;es muito sugestivas podem ser encontradas nas entrevistas com Duccio Trombadori (1978) e Andre Scala e Gilles Barbedette (1984), que constam dos seus <i>Ditos e escritos.</i> Comecemos por esta &uacute;ltima, em que Foucault emprega o termo experi&ecirc;ncia nada menos que 26 vezes e responde a uma pergunta fundamental: "O sujeito &eacute;, para o senhor, condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade de uma experi&ecirc;ncia?" "De jeito nenhum. &Eacute; a experi&ecirc;ncia que &eacute; a racionaliza&ccedil;&atilde;o de um processo, ele mesmo provis&oacute;rio, que resulta em um sujeito ou, antes, em sujeitos. Chamarei subjetiva&ccedil;&atilde;o o processo pelo qual se obt&eacute;m a constitui&ccedil;&atilde;o de um sujeito, mais exatamente, de uma subjetividade, que evidentemente &eacute; apenas uma das possibilidades dadas de organiza&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia de si" (23).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Eis explicitada a ideia de que n&atilde;o &eacute; preciso tomar o sujeito como fundamento para pensar a experi&ecirc;ncia. Na entrevista com Trombadori, Foucault recusa a conex&atilde;o com a fenomenologia exatamente por este v&eacute;rtice: n&atilde;o se trata de esclarecer a significa&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia cotidiana para reencontrar o sujeito fundador. Na contram&atilde;o do projeto fenomenol&oacute;gico, ele situa pensadores como Nietzsche, Bataille e Blanchot, para quem a experi&ecirc;ncia "tem por fun&ccedil;&atilde;o arrancar o sujeito dele mesmo, de maneira que n&atilde;o seja mais ele mesmo ou que seja levado &agrave; sua anula&ccedil;&atilde;o ou dissolu&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um empreendimento de dessubjetiva&ccedil;&atilde;o" (24).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">&Eacute; assim que Foucault concebe alguns de seus livros - "como experi&ecirc;ncias diretas visando arrancar-me de mim mesmo, impedir-me de ser o mesmo". Esta &eacute;, ali&aacute;s, uma das t&ocirc;nicas da entrevista: seus livros <i>como</i> experi&ecirc;ncias: "o livro me transforma e transforma o que eu pen-so. (...). Sou um experimentador nesse sentido que escrevo para mudar a mim mesmo e n&atilde;o mais pensar a mesma coisa que antes" (25).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A obra &eacute; tamb&eacute;m uma experi&ecirc;ncia para aquele que l&ecirc;; Foucault diz que a <i>Hist&oacute;ria da loucura</i>, por exemplo, transformou as rela&ccedil;&otilde;es com a loucura, as institui&ccedil;&otilde;es, o discurso psiqui&aacute;trico e, nessa medida, &eacute; um "livro que funciona como uma experi&ecirc;ncia, para quem o escreve e para quem o l&ecirc;". Reconhece abertamente a experi&ecirc;ncia pessoal na origem de suas obras: "n&atilde;o h&aacute; livro que eu tenha escrito sem, ao menos em parte, uma experi&ecirc;ncia direta, pessoal", enumerando sua rela&ccedil;&atilde;o com a loucura, a doen&ccedil;a, a morte, a pris&atilde;o e a sexualidade. No entanto, adverte que n&atilde;o se trata absolutamente de transpor a experi&ecirc;ncia pessoal em saber: "no livro, a rela&ccedil;&atilde;o com a experi&ecirc;ncia deve permitir uma transforma&ccedil;&atilde;o, uma metamorfose, que n&atilde;o seja simplesmente a minha, mas que possa ter um certo valor, um certo car&aacute;ter acess&iacute;vel para os outros, que essa experi&ecirc;ncia possa ser feita pelos outros" (26).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Aqui Foucault toca em um ponto importante que n&atilde;o chega a desenvolver, a saber, a dimens&atilde;o coletiva da experi&ecirc;ncia: "Uma experi&ecirc;ncia &eacute; alguma coisa que se faz sozinho, mas que s&oacute; se pode fazer plenamente na medida em que ela escapar &agrave; pura subjetividade e que outros possam, n&atilde;o digo exatamente retom&aacute;-la, mas ao menos cruz&aacute;-la e atravess&aacute;-la" (27).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Muita coisa haveria ainda a explorar nessa entrevista e a aprofundar a partir dela; por ora, gostaria de destacar um &uacute;ltimo aspecto. Ao se referir &agrave; <i>Hist&oacute;ria da loucura</i>, diz que para al&eacute;m das "constata&ccedil;&otilde;es verdadeiras ou historicamente verific&aacute;veis", o importante &eacute; a experi&ecirc;ncia que o livro permite, experi&ecirc;ncia essa que n&atilde;o &eacute; verdadeira ou falsa. E acrescenta: "Uma experi&ecirc;ncia &eacute; sempre uma fic&ccedil;&atilde;o; &eacute; algo que se fabrica para si mesmo, que n&atilde;o existe antes e que passar&aacute; a existir depois" (28) - e segue falando sobre o jogo entre verdade e fic&ccedil;&atilde;o, constata&ccedil;&atilde;o e fabrica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Eis uma pequena "amostra" das estimulantes proposi&ccedil;&otilde;es foucaultianas. Resta ver o quanto seria poss&iacute;vel avan&ccedil;ar para al&eacute;m delas e do conjunto de suas inspiradas indica&ccedil;&otilde;es sobre o car&aacute;ter da experi&ecirc;ncia. Mas &eacute; o suficiente para divisarmos balizas importantes, com destaque para os polos da <b>transforma&ccedil;&atilde;o</b> (pensada no sentido de uma de-subjetiva&ccedil;&atilde;o), da <b>dimens&atilde;o coletiva</b> e do <b>estatuto de fic&ccedil;&atilde;o/fabrica&ccedil;&atilde;o</b> da experi&ecirc;ncia. Formula&ccedil;&otilde;es como essas sugerem o quanto pode ser prof&iacute;cua uma conversa dos psicanalistas com Foucault acerca do - t&atilde;o perigoso... - tema da experi&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><i><b>Ines Loureiro</b> &eacute; doutora em psicologia cl&iacute;nica da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP). Docente do curso de Especializa&ccedil;&atilde;o em Teoria Psicanal&iacute;tica (CogeaePUC-SP). Autora de</i> O carvalho e o pinheiro - Freud e o estilo rom&acirc;ntico<i> (Escuta/ Fapesp, 2002).</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;nciaS Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">1. Thompson, M.G. "The crisis of experience in contemporary psychoanalysis". Contemporary Psychoanalysis, vol. 36, n. 1, January 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091723&pid=S0009-6725201500010001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">2. Massimi, M. &amp; Mahfoud, M. "A pessoa como sujeito da experi&ecirc;ncia: um percurso na hist&oacute;ria dos saberes psicol&oacute;gicos". Memorandum 13, novembro/2007. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.fafich.ufmg.br/&#126;memorandum/a13/massimimahfoud01.pdf" target="_blank">http://www.fafich.ufmg.br/&#126;memorandum/a13/massimimahfoud01.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091725&pid=S0009-6725201500010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Mahfoud, M. &amp; Massimi, M. "A pessoa como sujeito da experi&ecirc;ncia: contribui&ccedil;&otilde;es da fenomenologia". Memorandum 14, abril/2008. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.fafich.ufmg.br/&#126;memorandum/a14/mahfoudmassimi02.pdf" target="_blank">http://www.fafich.ufmg.br/&#126;memorandum/a14/mahfoudmassimi02.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091726&pid=S0009-6725201500010001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">3. Agamben, G. "Inf&acirc;ncia e hist&oacute;ria - ensaio sobre a destrui&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia". In: Inf&acirc;ncia e hist&oacute;ria. Destrui&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia e origem da hist&oacute;ria. Belo Horizonte: Editora da UFMG, p. 51, 2005. Grifos meus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091727&pid=S0009-6725201500010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">4. Figueiredo, L.C.M. "O tempo na pesquisa dos processos de singulariza&ccedil;&atilde;o". Psicologia Cl&iacute;nica PUC-RJ, vol. 14, n. 2, p. 25, 2002. Grifos meus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091729&pid=S0009-6725201500010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">5. Shusterman, R. Vivendo a arte. O pensamento pragmatista e a est&eacute;tica popular. S&atilde;o Paulo: Editora 34, p. 98, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091731&pid=S0009-6725201500010001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">6. Jay, M. Songs of experience. Modern American and European variations on a universal theme. Berkeley: University of California Press, p. 9, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091733&pid=S0009-6725201500010001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">7. Scott, J. "The evidence of experience". Critical Inquiry 17, n. 4, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091735&pid=S0009-6725201500010001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">8. Cf. Houaiss, A. Dicion&aacute;rio Houaiss da L&iacute;ngua Portuguesa. Rio de Janeiro: Instituto Ant&ocirc;nio Houaiss/editora Objetiva, p. 1287, 2001.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">9. Cf. Abbagnano, N. Dicion&aacute;rio de Filosofia S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, p. 414, 1998.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">10. Agamben, Op. Cit., p.25.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">11. Larrosa, J. "Literatura, experi&ecirc;ncia e forma&ccedil;&atilde;o: uma entrevista com Jorge Larrosa". In: M. V. Costa (org.): Caminhos investigativos - novos olhares na pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o 2a. ed., Rio de Janeiro: DP&amp;A, p. 142, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091740&pid=S0009-6725201500010001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">12. Larrosa, J. "Experi&ecirc;ncia e paix&atilde;o". In: Linguagem e educa&ccedil;&atilde;o depois de Babel. Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica, p. 102, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091742&pid=S0009-6725201500010001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">13. ibidem; cf. tamb&eacute;m Jay, 2005, p. 10-12.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">14. Rocha, Z. "A experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica: seus desafios e vicissitudes, hoje e amanh&atilde;". &Aacute;gora - estudos em teoria psicanal&iacute;tica. Rio de janeiro, v. XI, n. 1, p. 102, jan/jun 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091745&pid=S0009-6725201500010001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">15. Agamben, Op. cit., p. 21 e 22.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">16. Larrosa, 2004, Op. cit., p. 157-9.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">17. Jay, apud Thompson, Op. cit., p. 43-44.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">18. Figueiredo, Op. Cit., p. 23 e 24.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">19. Bezerra Jr, B. "O lugar do corpo na experi&ecirc;ncia do sentido: uma perspectiva pragm&aacute;tica". In: Bezerra Jr, B. &amp; Plastino, C.A. (orgs): Corpo, afeto e linguagem. A quest&atilde;o do sentido hoje. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091751&pid=S0009-6725201500010001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> "Winnicott e Merleau-Ponty: o continuum da experi&ecirc;ncia subjetiva". In: Bezerra Jr, B. e Ortega, F. (orgs): Winnicott e seus interlocutores. Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091752&pid=S0009-6725201500010001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> "A no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia e sua import&acirc;ncia para a cl&iacute;nica atual". In: Arruda, A.; Bezerra. Jr, B.; Tedesco, S. (org.): Pragmatismos, pragm&aacute;ticas e produ&ccedil;&atilde;o de subjetividades. Rio de Janeiro: Faperj/Garamond, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091753&pid=S0009-6725201500010001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">20. Bezerra, 2008, p. 222.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091755&pid=S0009-6725201500010001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">21. Nicolazzi, F. "A narrativa da experi&ecirc;ncia em Foucault e Thompson". Anos 90, Porto Alegre, v. 11, n. 19/20, p. 104, jan/dez 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091757&pid=S0009-6725201500010001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">22. Rodrigues, H.B.C. "Para desencaminhar o presente psi: biografia, temporalidade e experi&ecirc;ncia em Michel Foucault". In: N. Guareschi e S. H&uuml;ning (org): Foucault e a psicologia. Porto Alegre: Abrapso Sul, p. 22-23, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091759&pid=S0009-6725201500010001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">23. Foucault, M. "Le retour de la morale - entretien avec G. Barbedette et A. Scala" (1984). In: Dits et &eacute;crits II, 1976-1988. Paris : Gallimard, p. 1524-1525, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091761&pid=S0009-6725201500010001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">24. Foucault, M. "Entretien avec Michel Foucault - avec D. Trombadori" (1978/1980). In: Dits et &eacute;crits II, 1976-1988. Paris : Gallimard, p. 862, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091763&pid=S0009-6725201500010001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">25. Foucault, 1978/1980, p. 861.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091765&pid=S0009-6725201500010001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">26. Foucault, idem, p. 864 e 865.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">27. Foucault, idem, p. 866.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">28. Foucault, idem, p. 864.</font></p>     ]]></body>
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