<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252015000100013</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602015000100013</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Apontamentos para uma análise da influência do existencialismo moderno na obra de Winnicott]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fulgencio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Leopoldo]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<volume>67</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>36</fpage>
<lpage>39</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252015000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252015000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252015000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> PSICAN&Aacute;LISE E FILOSOFIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Apontamentos para uma an&aacute;lise da influ&ecirc;ncia do existencialismo moderno na obra de Winnicott</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Leopoldo Fulgencio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Ao retomarmos o conjunto das inova&ccedil;&otilde;es que Winnicott inseriu na psican&aacute;lise reconhecemos uma s&eacute;rie de concep&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m uma sem&acirc;ntica que lembra termos claramente reconhec&iacute;veis no quadro das propostas de psicologias existencialistas, tais como - para citar apenas as mais evidentes - a no&ccedil;&atilde;o de ser e de falso e verdadeiro <i>self</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Certamente essas concep&ccedil;&otilde;es existencialistas faziam parte do horizonte intelectual de sua &eacute;poca. Ao que sei, n&atilde;o temos mais acesso ao conte&uacute;do da biblioteca de Winnicott, no entanto estou supondo que ele pode ter tido acesso a diversas obras dedicadas &agrave; an&aacute;lise do que era a proposta do existencialismo como um novo aporte para a pr&aacute;tica psiqui&aacute;trica e psicol&oacute;gica, especialmente o livro <i>Existence: a new dimension in psychiatry and psychology</i> (1) e o artigo "Existencialisme et psychiatrie" (2), que retoma quase os mesmos conte&uacute;dos do cap&iacute;tulo "A clinical introduction to psychiatric phenomenology and existencial analysis" (3), do livro acima citado, cap&iacute;tulo tamb&eacute;m escrito por Ellenberger.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">N&atilde;o se trata de afirmar que ele fez uma importa&ccedil;&atilde;o <i>ipsis literis</i> de conceitos filos&oacute;ficos para aplic&aacute;-los na sua proposta de desenvolvimento da psican&aacute;lise, mas sim que ele, estimulado por essas concep&ccedil;&otilde;es, desenvolveu-as, redescreveu-as, para que pudessem se integrar no seu sistema te&oacute;rico-cl&iacute;nico, levando-o at&eacute; mesmo a modificar uma parte consider&aacute;vel da sem&acirc;ntica psicanal&iacute;tica, sem deixar de ser psicanalista.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Neste sentido, proponho, aqui, retomar os aspectos gerais do que estou reunindo sob a rubrica <b>existencialismo moderno</b>, apoiandome, principalmente nos dois textos de Ellenberger, colocando em evid&ecirc;ncia tanto algumas das concep&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas referidas &agrave; fenomenologia, ao existencialismo e &agrave; anal&iacute;tica existencial, quanto o sentido cl&iacute;nico destas concep&ccedil;&otilde;es, reconhec&iacute;veis na fenomenologia psiqui&aacute;trica, na psicologia existencial e na <i>daseinanalyse</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>O existencialismo moderno e a quest&atilde;o do que &eacute; a exist&ecirc;ncia humana</b> Tomemos por <b>existencialismo moderno</b> uma rubrica que re&uacute;ne um conjunto de <b>concep&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas</b> propostas pela fenomenologia, pelo existencialismo (no seu sentido mais estrito) e pela anal&iacute;tica existencial. Para evitar, aqui, um longo percurso de defini&ccedil;&otilde;es e diferencia&ccedil;&otilde;es no campo da filosofia e dos problemas filos&oacute;ficos, vou considerar que alguns psiquiatras e psic&oacute;logos utilizaram alguns conceitos e propostas, dessas perspectivas filos&oacute;ficas, como instrumentos de investiga&ccedil;&atilde;o e de tratamento psicoter&aacute;pico, ou seja, sem adentrar na discuss&atilde;o filos&oacute;fica, pretendo colocar em evid&ecirc;ncia algumas das concep&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas <b>existencialistas</b> que tornaram-se concep&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Certamente, devemos reconhecer diferen&ccedil;as entre a proposta de Husserl, com a <b>fenomenologia</b>, a do <b>existencialismo</b> no seu sentido estrito, e a de Heidegger, com sua <b>anal&iacute;tica existencial</b>. No entanto, ainda que possa haver diverg&ecirc;ncias significativas entre eles, podemos reconhecer uma preocupa&ccedil;&atilde;o e concep&ccedil;&atilde;o de base comum, referida &agrave; quest&atilde;o: <b>o que &eacute; a exist&ecirc;ncia humana?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Kierkegaard e o existencialismo moderno</b> Para Kierkegaard o homem n&atilde;o &eacute; um dado, um m&oacute;vel pr&eacute;-fabricado, mas ele &eacute; o que ele mesmo fizer de si mesmo. Tendo a liberdade, como seu fundamento, o homem se constr&oacute;i via suas <b>decis&otilde;es</b> (decis&otilde;es existenciais que ele, obrigatoriamente, tem que fazer), basicamente escolhendo entre dois modos de exist&ecirc;ncia: o <b>aut&ecirc;ntico</b> e o <b>inaut&ecirc;ntico</b>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Tendo uma vida mais ou menos aut&ecirc;ntica, Kierkegaard remete o homem ao fato de que isto corresponde a uma <i>decis&atilde;o</i> &agrave; qual todo homem &eacute; obrigado a tomar, ou seja, que o seu modo de vida, de uma maneira ou de outra, est&aacute; referido &agrave; pr&oacute;pria estrutura da exist&ecirc;ncia humana. Ou seja, a <b>ang&uacute;stia</b> e o <b>sentimento de culpa</b> que caracterizam o ser humano derivam da pr&oacute;pria estrutura de seu modo de ser, que &eacute; respons&aacute;vel pelas suas escolhas, respons&aacute;vel pelo que ele &eacute;. Ao comentar o que &eacute; esta <b>ang&uacute;stia existencial</b>, para Kierkgaard, Ellenberg afirma: "Um dos grandes m&eacute;ritos de Kierkegaard &eacute; o de haver mostrado que muitos sentimentos de ang&uacute;stia e de culpabilidade n&atilde;o s&atilde;o nem 'reais' (quer dizer, justificados por fatos reais), nem 'neur&oacute;ticos', mas simplesmente ligados &agrave; estrutura da exist&ecirc;ncia humana" (4). Ou seja, fazendo j&aacute; uma ponte importante com a pr&aacute;tica cl&iacute;nica, essa ang&uacute;stia n&atilde;o corresponde &agrave; ang&uacute;stia que deriva das rela&ccedil;&otilde;es afetivas que o homem tem com outros homens, &agrave; ang&uacute;stia que deriva de um fato real, &agrave; qual nos remeteria a uma ang&uacute;stia neur&oacute;tica ou psic&oacute;tica, mas ela deriva do pr&oacute;prio fato de ser humano. O mesmo tipo de racioc&iacute;nio serve para caracterizar o que &eacute; o sentimento de culpa existencial, derivado do modo de ser humano e n&atilde;o de um fato espec&iacute;fico, vivido na hist&oacute;ria do indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>A fenomenologia como m&eacute;todo de acesso ao sentido existencial</b> Ainda que muitos sentidos possam ser dados ao termo <b>fenomenologia</b>, vamos nos delimitar apenas ao que Husserl deu, caracterizando-a como um <b>princ&iacute;pio metodol&oacute;gico</b> para a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova psicologia, ou seja, estamos procurando colocar em evid&ecirc;ncia quais seriam os princ&iacute;pios que estariam na base da caracteriza&ccedil;&atilde;o do que &eacute; o modo de ser humano do ponto de vista das suas experi&ecirc;ncias subjetivas, experi&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A fenomenologia &eacute;, pois, em termos gerais, um <b>m&eacute;todo</b> (redu&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica-fenomenol&oacute;gica) para poder <b>chegar &agrave;s coisas elas mesmas</b>, de maneira absolutamente imparcial, observando-o tal como se manifesta e somente como ele se manifesta. Alguns psiquiatras viram nessa proposta metodol&oacute;gica uma possibilidade para ter acesso ao sentido da experi&ecirc;ncia psicol&oacute;gica de seus pacientes, um caminho para que fosse poss&iacute;vel chegar ao sentido pr&oacute;prio da experi&ecirc;ncia subjetiva de estar (experimentarse) doente psiquicamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Essa perspectiva (fenomenol&oacute;gica) oferece, por um lado, um m&eacute;todo para acessar o mundo interior, subjetivo, do paciente (o que, na psican&aacute;lise e noutras pr&aacute;ticas psicoter&aacute;picas, &eacute; feito de uma maneira, com um m&eacute;todo, diferente); por outro lado, aponta para determinadas categorias ou modos de ser estruturais que caracterizam o pr&oacute;prio modo de ser do homem (seja na patologia seja na sa&uacute;de), que dizem respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com o tempo, com o espa&ccedil;o, com as experi&ecirc;ncias de rela&ccedil;&otilde;es causais consigo e na rela&ccedil;&atilde;o com os objetos do mundo, bem como no pr&oacute;prio sentido ou <b>colorido sem&acirc;ntico</b> dado &agrave;s coisas (ou objetos do mundo).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Heidegger e a estrutura do modo de ser do ser humano</b> Em Heidegger encontramos uma caracteriza&ccedil;&atilde;o e uma an&aacute;lise extensa sobre as caracter&iacute;sticas da estrutura do modo de ser e existir do ser humano, denomin&aacute;vel, assim, de <i>dasein</i>. Para ele o <i>dasein</i> (o ser-a&iacute;) significa ser-no-mundo (5) de uma maneira espec&iacute;fica que o faz ser diferente das pedras e dos animais. O pr&oacute;prio t&iacute;tulo de seu livro mais conhecido, <i>Ser e tempo</i>, designa "um modo de ser e, sem d&uacute;vida, do ser daquele ente &#91;o <i>dasein</i>&#93; que est&aacute; aberto para a abertura do ser, no qual se situa, enquanto a sustenta" (6). De uma maneira sint&eacute;tica e descritiva, a grande diferen&ccedil;a e caracter&iacute;stica do <i>dasein</i> &eacute; que ele faz a si mesmo, ele &eacute; criador de si e do mundo no qual vive: "A 'ess&ecirc;ncia' do ser-a&iacute; &#91;<i>dasein</i>&#93; consiste na sua exist&ecirc;ncia. O nome 'exist&ecirc;ncia' &eacute; usado, em <i>Ser e tempo</i>, exclusivamente como caracteriza&ccedil;&atilde;o do ser do homem"(7). Heidegger se refere &agrave; estrutura <i>dasein</i> caracterizando-a como <b>ser-com, ser-no-mundo, ser junto a, subsistir-por-si-conjuntamente, ser-um-com-o-outro, ser-para-a-morte</b> etc, querendo com essas express&otilde;es marcar que o homem <b>s&oacute;-se-faz-no-mundocom-outros-homens</b>, que o homem &eacute; o &uacute;nico que tem uma rela&ccedil;&atilde;o de compreens&atilde;o do que &eacute; a finitude ao longo do tempo (passado, presente, futuro) refletida sobre si mesmo e sobre os outros homens existentes que fazem parte da sua vida.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A posi&ccedil;&atilde;o de Heidegger, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&aacute;xima existencialista, de que a exist&ecirc;ncia precede a ess&ecirc;ncia, &eacute; a de que o homem, o <i>dasein</i>, se faz (em ess&ecirc;ncia e em exist&ecirc;ncia) no tempo da sua exist&ecirc;ncia, o que se pode reconhecer na sua afirma&ccedil;&atilde;o "Der mensch ist der platzhalter des nichts" ("o homem &eacute; o lugar-tenente do nada") (8). O homem ocupa, no tempo, o lugar que seria o do n&atilde;o-ser (9).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Ao procurar caracterizar o que &eacute; o mundo para o homem, Heidegger faz uma an&aacute;lise comparativa distinguindo o que &eacute; o mundo para uma pedra, para um animal e o que &eacute; o mundo pr&oacute;prio do ser humano (<i>eingenwelt</i>). A&iacute; tamb&eacute;m encontramos mais um aspecto que caracteriza a especificidade do modo de ser do ser humano, a especificidade do <i>dasein</i>. Enquanto uma pedra &eacute; <b>sem mundo</b> (tanto faz, para ela, em que mundo ela est&aacute;), um animal &eacute; <b>pobre de mundo</b> (o seu mundo &eacute; sempre aquele, por exemplo, o mundo do meu cachorro que se repete, ou se modifica muito pouco, ao longo de toda a sua exist&ecirc;ncia), o homem &eacute; o &uacute;nico que &eacute; <b>formador</b> do mundo em que vive (evidentemente, dentro de certos limites), estabelecendo uma unidade indissoci&aacute;vel entre ele mesmo e seu mundo (10); al&eacute;m de ter experi&ecirc;ncias interiores espec&iacute;ficas em rela&ccedil;&atilde;o a como vive o tempo, o espa&ccedil;o, a rela&ccedil;&atilde;o de causalidade e a rela&ccedil;&atilde;o com a mat&eacute;ria do mundo (a substancialidade do mundo que recebe coloridos sem&acirc;nticos), tal como a perspectiva fenomenol&oacute;gica aponta como sendo caracter&iacute;sticas propriamente humanas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>O existencialismo moderno na psicologia e na psiquiatria</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A compreens&atilde;o do modo de ser do ser humano do ponto de vista do existencialismo moderno, fornece um quadro de refer&ecirc;ncia para pensar a sa&uacute;de e a doen&ccedil;a, indicando que elementos, categorias ou rela&ccedil;&otilde;es devem ser compreendidas e descritas, bem como apontam para uma no&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, <i>telos</i>, com o qual e para o qual deveria trabalhar toda psicoterapia. Em primeiro lugar, como fundamento ontol&oacute;gico e motor da exist&ecirc;ncia do modo de ser do ser humano, temos a sua necessidade de ser no tempo, ser de uma maneira espec&iacute;fica na qual ele faz a si mesmo e o mundo no qual vive, na sua rela&ccedil;&atilde;o consigo mesmo e com o outro (o mundo no qual vive), seja de uma maneira aut&ecirc;ntica seja inaut&ecirc;ntica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Toda pr&aacute;tica psicoterap&ecirc;utica necessitar&aacute;, pois, ter um m&eacute;todo para acessar e intervir no que &eacute; este modo de ser, ter acesso ao que &eacute; o mundo interno (subjetivo) do paciente para compreender e agir, basicamente, na dire&ccedil;&atilde;o de realizar o que &eacute; a estrutura do modo de ser humano, em dire&ccedil;&atilde;o a uma vida aut&ecirc;ntica. Compreender quais s&atilde;o as caracter&iacute;sticas do <i>dasein</i>, bem como ter acesso ao mundo interno do paciente tal como ele o vive (objetivo procurado pelos psiquiatras fenomenol&oacute;gicos), corresponde a uma necessidade dos processos psicoter&aacute;picos, mas n&atilde;o mostra nem orienta como deve ser o tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Nesta dire&ccedil;&atilde;o, que procura explicitar procedimentos cl&iacute;nicos espec&iacute;ficos, advindos desse quadro conceptual existencialista, cabe, agora, explicitar os aspectos gerais de dois grandes sistemas te&oacute;ricos que foram propostos como pr&aacute;ticas de tratamento, a saber: a <b>psicologia existencialista</b>, constru&iacute;da com apoio na obra de Sartre, e a <b>daseinanalyse</b>, constru&iacute;da, por Binswanger e Medard Boss, com base na anal&iacute;tica existencial proposta por Heidegger.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>A psicologia existencialista</b> Esta proposta de psicologia cient&iacute;fica foi feita a partir da aplica&ccedil;&atilde;o de algumas concep&ccedil;&otilde;es existencialistas (no sentido estrito do termo, especialmente, no que se refere &agrave;s contribui&ccedil;&otilde;es daqueles que se denominavam a si mesmo como existencialistas, tal como Sartre e Merleau-Ponty), sem a inclus&atilde;o de outras propostas filos&oacute;ficas acima citadas (a fenomenologia e a anal&iacute;tica existencial) e de outros m&eacute;todos de outras perspectivas cl&iacute;nicas (tal como, por exemplo, a psican&aacute;lise).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Considerando, por um lado, que o homem &eacute; respons&aacute;vel pela maneira como vive a sua vida, mas tamb&eacute;m que o pr&oacute;prio fato de existir como homem corresponde a um problema por si mesmo, dado que leva o homem a um problema, um conflito e um sentimento de culpa, referido &agrave;s suas escolhas de vida, considera-se que h&aacute; dois tipos de neurose a serem distinguidas num processo terap&ecirc;utico: a neurose ou ang&uacute;stia que deriva do pr&oacute;prio fato de existir como homem e a neurose ou ang&uacute;stia que deriva de acontecimentos ou fatos espec&iacute;ficos da vida: "A psicoterapia existencialista se dirige, antes de tudo, a um tipo espec&iacute;fico de neurose, chamada de neurose existencial, quer dizer, que ela n&atilde;o deve sua origem aos traumatismos recalcados do sujeito, ao <i>stress</i> ao qual ele pode ser submetido, ou &agrave; fraqueza de seu eu, mas, ao fato de que a vida n&atilde;o tem sentido para ele e que ele vive num modo inaut&ecirc;ntico da exist&ecirc;ncia" (11).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>A Daseinanalyse como m&eacute;todo psiqui&aacute;trico e como pr&aacute;tica psicoter&aacute;pica</b> A daseinsanalyse &eacute; um m&eacute;todo psiqui&aacute;trico, proposto por Binswanger, constru&iacute;do com base na compreens&atilde;o do que &eacute; o <i>dasein</i>, para Heidegger, que toma como seu objeto a compreens&atilde;o estrutural da exist&ecirc;ncia humana nos casos cl&iacute;nicos de pacientes neur&oacute;ticos e psic&oacute;ticos, bem como influenciado pela fenomenologia psiqui&aacute;trica de sua &eacute;poca e pelas concep&ccedil;&otilde;es de Martin Bubber, referidas a modos de ser relacionais, aut&ecirc;nticos e n&atilde;o aut&ecirc;nticos, que caracterizam os modos de ser do ser humano no mundo, expostos no seu livro <i>Eu e tu</i>. A daseinanalise tamb&eacute;m corresponde a uma pr&aacute;tica psicoter&aacute;pica, desenvolvida por Medard Boss, com base nas propostas de Heidegger e de Binswanger. Por um lado, seu objetivo &eacute; aceder ao universo das experi&ecirc;ncias subjetivas do paciente, seja em termos individuais seja em termos das suas rela&ccedil;&otilde;es com os outros homens, rela&ccedil;&otilde;es estas que Binswanger classifica e coloca em categorias relacionais (modo dual da exist&ecirc;ncia, modo singular, modo an&ocirc;nimo etc).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Pode-se considerar que a daseinanalyse corresponde a uma tentativa de s&iacute;ntese da psican&aacute;lise, da fenomenologia e dos princ&iacute;pios expostos na anal&iacute;tica existencial de Heidegger. Essa perspectiva de trabalho cl&iacute;nico permaneceu como um horizonte que tem sido desenvolvido desde ent&atilde;o, ainda que n&atilde;o tenham faltado cr&iacute;ticas &agrave; sua proposta, considerando que ele se manteve num campo obscuro, nem na filosofia nem na ci&ecirc;ncia, fazendo, pois, uma pseudofilosofia e uma pseudopsicologia (12).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Presen&ccedil;a do existencialismo na obra de Winnicott</b> Considero que as inova&ccedil;&otilde;es propostas por Winnicott derivam de sua pr&aacute;tica cl&iacute;nica com beb&ecirc;s e suas m&atilde;es, como tamb&eacute;m do tratamento de pacientes psic&oacute;ticos, associando este campo emp&iacute;rico com sua forma&ccedil;&atilde;o empirista e humanista, bem como, por uma influ&ecirc;ncia, marcada pelo horizonte de sua &eacute;poca, na qual as concep&ccedil;&otilde;es existencialistas se mostravam como um novo aporte poss&iacute;vel para o desenvolvimento da psiquiatria e da psicologia (psican&aacute;lise). Trata-se, aqui, de focar minha aten&ccedil;&atilde;o em alguns conceitos/fen&ocirc;menos que foram considerados por Winnicott e que s&atilde;o claramente reconhec&iacute;veis no quadro do pensamento existencialista moderno, seja na filosofia seja nos seus derivados cl&iacute;nicos, a saber, delimitando aqui alguns dos pontos ou temas que poderiam ser colocados em destaque a partir da minha perspectiva de an&aacute;lise: 1) a no&ccedil;&atilde;o de <i>ser</i>, que reformula o modelo ontol&oacute;gico do que &eacute; o homem para a psican&aacute;lise, cuja proximidade com o que representa o <i>dasein</i> parece evidente (13); 2) a considera&ccedil;&atilde;o do falso e do verdadeiro <i>self</i>, como modos de organiza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, que tem no verdadeiro <i>self</i> seu fundamento saud&aacute;vel, o que tem semelhan&ccedil;a, sen&atilde;o identidade, com a no&ccedil;&atilde;o de <b>vida aut&ecirc;ntica</b> como fundamento estrutural do modo de ser humano (14); 3) a afirma&ccedil;&atilde;o de que &eacute; no <b>campo dos objetos e fen&ocirc;menos transicionais</b> (fen&ocirc;menos que consideram os objetos do mundo como criados e encontrados pelos indiv&iacute;duos) que o homem constitui um lugar saud&aacute;vel para viver, para ser real e ter uma vida que vale a pena ser vivida, colocando a&iacute; a origem da vida ou do mundo cultural no qual o homem pode viver sem perda em demasia da sua espontaneidade, concep&ccedil;&atilde;o esta que est&aacute; tamb&eacute;m totalmente de acordo com a considera&ccedil;&atilde;o estrutural do <i>dasein</i> como sendo o <b>modo de exist&ecirc;ncia que faz a si mesmo e ao mundo em que vive</b>, que se constitui no <b>ser-com-o-outro</b>, no <b>cuidar de si e do outro</b> (15); 4) o reconhecimento da constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o com o tempo (<b>temporalidade</b>) e com o espa&ccedil;o (<b>espacialidade</b>), com a experi&ecirc;ncia de criar e encontrar o mundo como subjetivo-transicional-objetivo; 5) como uma deriva&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria de todas essas concep&ccedil;&otilde;es existencialistas, a formula&ccedil;&atilde;o de uma <b>no&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de</b>, formulada por Winnicott em termos de ser a partir de si mesmo, ter uma vida experienciada como real e que vale a pena ser vivida, dado que &eacute; de acordo com a pr&oacute;pria estrutura do <i>dasein</i>; 6) e, por fim, tamb&eacute;m como derivado necess&aacute;rio de uma concep&ccedil;&atilde;o existencialista de homem, uma cr&iacute;tica &agrave; compreens&atilde;o do que &eacute; o homem e sua exist&ecirc;ncia em termos de analogias naturalistas (analogias biol&oacute;gicas, f&iacute;sicas, termodin&acirc;micas) ou ainda outras (por exemplo, analogias com estruturas e equa&ccedil;&otilde;es matem&aacute;ticas) que s&atilde;o de natureza d&iacute;spar daquilo que caracteriza a especificidade da natureza humana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Estou ciente de que n&atilde;o encontraremos correspond&ecirc;ncia, ponto a ponto, entre as concep&ccedil;&otilde;es existencialistas modernas e as propostas de Winnicott, mais ainda, de que Winnicott fez tanto uma redescri&ccedil;&atilde;o dessas concep&ccedil;&otilde;es, para poder integr&aacute;-las em seu sistema, como uma integra&ccedil;&atilde;o particular dessas concep&ccedil;&otilde;es com aquilo que a psican&aacute;lise descobriu sobre os fen&ocirc;menos humanos, agrupando-os, pois, com a tradi&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica (Freud, Klein, Anna Freud, Erikson, Fairbairn, os autores que comp&otilde;em a denominada psicologia do <i>self</i>, Spitz, dentre outros) com contribui&ccedil;&otilde;es que vieram de outros campos mais ou menos pr&oacute;ximos dessa tradi&ccedil;&atilde;o. O importante, aqui, &eacute; apontar proximidades conceituais e factuais que possam contribuir tanto para compreens&atilde;o de Winnicott quanto para o desenvolvimento da teoria e da pr&aacute;tica psicanal&iacute;tica tomada como uma ci&ecirc;ncia objetiva da natureza humana, apontando um caminho ou campo de estudos para que exames mais detalhados dessas influ&ecirc;ncias possam ser perscrutados e analisados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Caberia, no desenvolvimento destes apontamentos, fornecer, agora, uma an&aacute;lise das refer&ecirc;ncias textuais, de Winnicott, que t&ecirc;m proximidade com os conceitos e referentes factuais descritos pelos existencialistas, apontando para o fato de que estes foram usados operativamente como instrumentos para a compreens&atilde;o e o tratamento psicoter&aacute;pico, nas psicologias existencialistas e na psican&aacute;lise de Winnicott. Creio que a an&aacute;lise dessas influ&ecirc;ncias, aqui apenas indicadas, pode confirmar a hip&oacute;tese de que a obra de Winnicott corresponde a uma segunda s&iacute;ntese (a primeira teria sido proposta por Binswanger) entre a psican&aacute;lise e a fenomenologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Leopoldo Fulgencio</b> &eacute; professor do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade no Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), l&iacute;der do grupo de pesquisa "Estudos sobre o m&eacute;todo de tratamento psicanal&iacute;tico" (<a href="http://www.gpwinnicott.com.br" target="_blank">www.gpwinnicott.com.br</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">1. May, R.; Angel, E. &amp; Ellenberger, H. F. Existence. A new dimension in psychiatry and psychology. New York: Basic Books, 1958.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">2. Ellenberger, H. F. "Existencialisme et psychiatrie. M&eacute;decines de l'&acirc;me". In : Essais d'histoire de la folie et des gu&eacute;risons psychiques. Mesnil-sur-l'Estr&eacute;e: Fayard, 1995 &#91;1961&#93;    .</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">3. Ellenberger, H. F. "A clinical introduction to psychiatric phenomenology and existential analysis". In : Existence. A new dimension in psychiatry and psychology. New York: Basic Books, 1958.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">4. Ellenberger, op. cit., pp. 408-409, 1995 &#91;1961&#93;.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">5. Heidegger, M. Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; filosofia. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2009 &#91;1996&#93;, p. 325.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">6. Heidegger, M. "Introdu&ccedil;&atilde;o". In: Que &eacute; metaf&iacute;sica? (pp. 75-88). S&atilde;o Paulo: Nova Cultural, 2000, &#91;1949&#93;, p. 82.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">7. Heidegger, op. cit., p. 82, 2000 &#91;1949&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">8. Heidegger, M. "Prele&ccedil;&atilde;o". In: Que &eacute; metaf&iacute;sica? (pp. 49-63). S&atilde;o Paulo: Nova Cultural, 2000 &#91;1929&#93;, p. 60.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">9. Heidegger, op. cit., p. 8, 2000 &#91;1929&#93;.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">10. Heidegger, M. Os conceitos fundamentais da metaf&iacute;sica: mundo, finitude, solid&atilde;o. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2003 &#91;1983&#93;, pp. 205-208.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">11. Ellenberger, op. cit., p. 413, 1995 &#91;1961&#93;.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">12. Cf. Loparic, Z. "Binswanger, leitor de Heidegger: um equ&iacute;voco produtivo?". Revista de Filosofia e Psican&aacute;lise Natureza Humana, 4(2), 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">13. Cf. Fulgencio, L. "A necessidade de ser como fundamento do modelo ontol&oacute;gico do homem para Winnicott". In: A fabrica&ccedil;&atilde;o do humano (pp. 145-159). S&atilde;o Paulo: Zagodoni, 2014.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">14. Cf., por exemplo: Winnicott, D. W. "Distor&ccedil;&atilde;o do ego em termos de falso e verdadeiro self". In: O ambiente e os processos de matura&ccedil;&atilde;o (pp. 128-139). Porto Alegre: Artmed, 1983 &#91;1965m&#93;    <!-- ref -->; Winnicott, D. W. "O conceito de falso self". In: Tudo come&ccedil;a em casa (pp. 53-58). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">15. Cf., por exemplo: Winnicott, D. W. "A localiza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia cultural". In: O brincar &amp; a realidade (pp. 133-143). Rio de Janeiro: Imago Ed., 1975 &#91;1967b&#93;    <!-- ref -->; Winnicott, D. W. "O lugar em que vivemos". In: O brincar &amp; a realidade (pp. 145-152). Rio de Janeiro: Imago Ed., 1975.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[May]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Angel]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ellenberger]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Existence: A new dimension in psychiatry and psychology]]></source>
<year>1958</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Basic Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ellenberger]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Existencialisme et psychiatrie: Médecines de l'âme]]></article-title>
<source><![CDATA[Essais d'histoire de la folie et des guérisons psychiques]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Mesnil-sur-l'Estrée ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fayard]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ellenberger]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A clinical introduction to psychiatric phenomenology and existential analysis]]></article-title>
<source><![CDATA[Existence: A new dimension in psychiatry and psychology]]></source>
<year>1958</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Basic Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução à filosofia]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Martins Fontes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Introdução]]></article-title>
<source><![CDATA[Que é metafísica?]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>75-88</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nova Cultural]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Preleção]]></article-title>
<source><![CDATA[Que é metafísica?]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>49-63</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nova Cultural]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os conceitos fundamentais da metafísica: mundo, finitude, solidão]]></source>
<year>2003</year>
<page-range>205-208</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Forense Universitária]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Loparic]]></surname>
<given-names><![CDATA[Z.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Binswanger, leitor de Heidegger: um equívoco produtivo?]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Filosofia e Psicanálise Natureza Humana]]></source>
<year>2002</year>
<volume>4</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fulgencio]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A necessidade de ser como fundamento do modelo ontológico do homem para Winnicott]]></article-title>
<source><![CDATA[A fabricação do humano]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>145-159</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Zagodoni]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Winnicott]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Distorção do ego em termos de falso e verdadeiro self]]></article-title>
<source><![CDATA[O ambiente e os processos de maturação]]></source>
<year>1983</year>
<page-range>128-139</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Artmed]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Winnicott]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O conceito de falso self]]></article-title>
<source><![CDATA[Tudo começa em casa]]></source>
<year>1999</year>
<page-range>53-58</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Martins Fontes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Winnicott]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A localização da experiência cultural]]></article-title>
<source><![CDATA[O brincar & a realidade]]></source>
<year>1975</year>
<page-range>133-143</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Ed.]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Winnicott]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O lugar em que vivemos]]></article-title>
<source><![CDATA[O brincar & a realidade]]></source>
<year>1975</year>
<page-range>145-152</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Ed.]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
