<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252015000100015</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602015000100015</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Embates Conceituais entre psicanálise e filosofia]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Camila Salles]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<volume>67</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>43</fpage>
<lpage>46</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252015000100015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252015000100015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252015000100015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> PSICAN&Aacute;LISE E FILOSOFIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Embates Conceituais entre psican&aacute;lise e filosofia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Camila Salles Gon&ccedil;alves</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es entre psican&aacute;lise e filosofia inicia-se, nos textos de Freud, com perfis muito semelhantes aos que, nestes, constituem refer&ecirc;ncias a obras liter&aacute;rias e a personagens da literatura. Ao longo da obra freudiana, h&aacute; m&uacute;ltiplas cita&ccedil;&otilde;es de fil&oacute;sofos e escritores, com a fun&ccedil;&atilde;o de apoiar a cunhagem de novos conceitos. Personagens nietzscheanas, de Shakespeare, e de outros dramaturgos, povoam a metapsicologia freudiana. Certas men&ccedil;&otilde;es a passagens de livros de fil&oacute;sofos, como Plat&atilde;o e Schopenhauer, revelam-se tamb&eacute;m essenciais na tessitura dos textos. Lembremos que, no escrito considerado divulgador da grande "virada" ou <i>tournant</i> na teoria psicanal&iacute;tica, <i>Al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer (</i>1920), Freud recorre ao <i>Banquete</i> de Plat&atilde;o e a Schopenhauer, para nos falar de <i>Eros</i> e de <i>Thanatos.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A arte e a filosofia s&atilde;o postas &agrave; servi&ccedil;o da ci&ecirc;ncia &agrave; qual se est&aacute; dando forma. Neste patamar, Lacan n&atilde;o fica atr&aacute;s. Nada espantoso, pois s&atilde;o dois pensadores, criando as respectivas escritas psicanal&iacute;ticas, como tamb&eacute;m fizeram outros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Na atualidade, entretanto, a absor&ccedil;&atilde;o da filosofia pela psican&aacute;lise parece apresentar caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas. Sem d&uacute;vida, a obra de Lacan foi decisiva nessa transforma&ccedil;&atilde;o e resultou num caminho de duas m&atilde;os: por um lado, a filosofia foi integrada em suas concep&ccedil;&otilde;es e, por outro, algumas destas tornaram- se presentes em pontos de vista filos&oacute;ficos a respeito da hist&oacute;ria da filosofia e em cr&iacute;ticas de filosofias. &Eacute; esta peculiaridade que abordo, dentro do vasto campo que se abre com o tema proposto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A concep&ccedil;&atilde;o de sujeito teorizada por Lacan, adotada por fil&oacute;sofos, para muitos, marca a ruptura da concep&ccedil;&atilde;o cartesiana. O sujeito barrado, que carrega um estranho a quem n&atilde;o tem acesso, contrasta com aquele concebido por Descartes, capaz de ter consci&ecirc;ncia de si, descobrir as causas do erro e criar o princ&iacute;pio para evit&aacute;-las. Contudo, a hist&oacute;ria da ruptura do sujeito definido por suas rela&ccedil;&otilde;es com a apreens&atilde;o racional de si, de outrem e do mundo, parece ter se iniciado bem antes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Uma exposi&ccedil;&atilde;o feita por G&eacute;rard Lebrun, por ocasi&atilde;o de homenagem p&oacute;stuma a Foucault (1) re&uacute;ne uma avalia&ccedil;&atilde;o das filosofias da representa&ccedil;&atilde;o e a an&aacute;lise foucaultiana de saberes, para culminar na cr&iacute;tica que visa &agrave; filosofia de Descartes e algumas contempor&acirc;neas: "Enquanto a psicopatologia, a medicina, a economia pol&iacute;tica pelo menos foram capazes de nos deixar entrever essa alteridade n&atilde;o domin&aacute;vel, os fil&oacute;sofos se preocuparam mais com nos orientar na finitude, e com nos persuadir de que, nela, ainda permanec&iacute;amos <i>bei hause</i> (em casa)" (2).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A respeito do tem&aacute;rio da finitude, podemos relembrar passagens conhecidas das <i>Medita&ccedil;&otilde;es</i> (1641) de Descartes. Ao procurar um modo de n&atilde;o ser enganado por seus pr&oacute;prios sentidos e por suas representa&ccedil;&otilde;es, deparando-se com a d&uacute;vida, o fil&oacute;sofo adota, como artif&iacute;cio metodol&oacute;gico, primeiro, a fic&ccedil;&atilde;o de um g&ecirc;nio maligno, que procura engan&aacute;-lo e, depois, a hip&oacute;tese de um Deus enganador. Universaliza a d&uacute;vida. Na progress&atilde;o de suas <i>Medita&ccedil;&otilde;es</i>, desenvolve recursos para lidar com as falhas dos sentidos e da percep&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o que ser&aacute; sempre preciso, j&aacute; que ele n&atilde;o disp&otilde;e nem de percep&ccedil;&atilde;o nem de exist&ecirc;ncia infinitas, atributos do Deus veraz (3).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Se aquilo que representamos em nossa mente pode ser falso, o que nos faz errar n&atilde;o &eacute; um g&ecirc;nio maligno nem um Deus enganador. Ou seja, n&atilde;o prov&eacute;m do exterior. A partir da constata&ccedil;&atilde;o de que <i>se duvido, penso, existo, eu sou,</i> o fil&oacute;sofo chega ao famoso <i>Cogito ergo sum</i>: "penso, logo existo". H&aacute;, neste racioc&iacute;nio, uma liga&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, portanto verdadeira e inabal&aacute;vel. A filosofia disporia ent&atilde;o de um modelo de pensamento claro e distinto (4), que asseguraria a possibilidade do conhecimento e da ci&ecirc;ncia, ao mesmo tempo em que indicaria os limites do entendimento (finitude).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Lebrun assinala a insufici&ecirc;ncia desse princ&iacute;pio de preven&ccedil;&atilde;o do erro ou do engano, que se teria evidenciado a partir de "novos saberes" e de uma outra "ideia de finitude", assinalados por Foucault, que parece ter se apropriado da express&atilde;o "figura da finitude", empregada por Hegel, para designar o saber limitado e as causas atribu&iacute;das aos limites.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A ideia anterior de finitude teria desaparecido no s&eacute;culo XVIII, principalmente em consequ&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o da psicologia e da psiquiatria. N&atilde;o seria mais quest&atilde;o, para estes saberes, de circunscrever a loucura e n&atilde;o se trataria mais de pesquisar os erros dos sentidos. O comentador ressalta que a psicologia teria permanecido na encruzilhada entre "enfrentar a escura verdade do homem" e tentar algo como <i>filosofar amarteladas,</i> isto &eacute;, numa atitude <i>&agrave; la</i> Nietzsche, de liquidar com a tradi&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios de busca e obten&ccedil;&atilde;o da verdade, ou ainda, propor um conhecimento pretensamente verdadeiro a respeito do homem, o que a teria levado a uma pol&ecirc;mica intermin&aacute;vel com as <i>anal&iacute;ticas da finitude</i> (5). Mais audaciosa, a medicina teria posto em cheque, sobretudo, a ideia de doen&ccedil;a como desvio. A a&ccedil;&atilde;o, a fala e o pensamento humanos aparentemente aberrantes teriam tido o senti-do de escaparem &agrave; raz&atilde;o. Tudo se teria passado ent&atilde;o como se a loucura ou a <i>desraz&atilde;o</i> existisse apenas em certos indiv&iacute;duos. Os novos saberes teriam mostrado a inconsist&ecirc;ncia desse suposto conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Destaco mais estas considera&ccedil;&otilde;es feitas por Lebrun, entremeadas por cita&ccedil;&otilde;es de <i>As palavras e as coisas</i>: "Em muitas regi&otilde;es os novos saberes transferem, sigilosamente, a verdade do ser humano para uma alteridade indissol&uacute;vel - que, no limite, dissolve o homem. Eles abrem 'uma enorme sombra' que as anal&iacute;ticas da finitude ten-tam dissipar - por&eacute;m, em v&atilde;o. Esta sombra que vem de baixo &eacute; como um mar que se tentasse beber" (6).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Foucault mostrou o modo pelo qual o saber sobre a loucura e o sujeito teria avan&ccedil;ado sobre quest&otilde;es antes ausentes do pensamento filos&oacute;fico. N&atilde;o seria mais poss&iacute;vel identificar <i>conhecer</i> e <i>ver.</i> N&atilde;o s&oacute; a epistemologia, mas tamb&eacute;m a ontologia teria tido que se deparar com a "sombra do homem como uma opacidade origin&aacute;ria, que nenhum exerc&iacute;cio da consci&ecirc;ncia de si poder&aacute; dissipar" (7). A partir do surgimento de objetos desligados da representa&ccedil;&atilde;o, a vida, para a biologia, o trabalho, para a economia pol&iacute;tica, a linguagem, para a filosofia, o <i>conhece-te a ti mesmo</i> n&atilde;o poderia ir muito longe. Nem, tampouco, os conceitos-chave das antigas anal&iacute;ticas da finitude, a saber, <i>consci&ecirc;ncia, indiv&iacute;duo, sujeito.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Finalmente, "submetido '&agrave; vida, &agrave; vontade, &agrave; palavra', o ser humano transformado em <i>homem</i> agora somente poder&aacute; praticar o 'conhece-te a ti mesmo' mediante recurso a saberes que n&atilde;o mais dependem de sua clara consci&ecirc;ncia, e que amea&ccedil;am o seu estatuto de sujeito" (8).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">As an&aacute;lises de Foucault indicam a impossibilidade de o sujeito ter pleno conhecimento de si. Mas, embora possam dar a impress&atilde;o de serem convergentes com a psican&aacute;lise, afastam-se desta. Ao tra&ccedil;ar o surgimento da cl&iacute;nica, Foucault n&atilde;o se detinha ainda na psican&aacute;lise. Mais tarde, fez uma leitura reducionista, sobretudo por desconhecer a <i>sexualidade</i> a que a psican&aacute;lise se refere, que implica em uma abordagem para al&eacute;m das fronteiras do biol&oacute;gico. Em <i>Hist&oacute;ria da sexualidade</i>, admitiu, pelo menos, que Freud possibilitou o advento da no&ccedil;&atilde;o do sujeito como <i>barrado</i>, portador de um discurso que ele n&atilde;o poderia dominar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Hegel, koj&egrave;ve e lacan</b> Lacan p&ocirc;s para funcionar, &agrave; sua maneira, a dial&eacute;tica do senhor e do escravo, descrita na <i>Fenomenologia do esp&iacute;rito</i> (1807). Como vou me referir mais de uma vez &agrave; dial&eacute;tica do senhor e do escravo, adoto a sigla utilizada por Vladimir Safatle (9), as mai&uacute;sculas DSE, para design&aacute;-la. Indico agora seu contexto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">As duas figuras que representam a consci&ecirc;ncia de si no momento de seu desenvolvimento, tornaram-se personagens que ilustram a din&acirc;mica do inconsciente, incorporadas ao tem&aacute;rio da submiss&atilde;o ao grande outro, do desejo de reconhecimento, do ser-para-a morte.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A <i>Fenomenologia do esp&iacute;rito</i> "apresenta-se verdadeiramente como uma hist&oacute;ria da alma" (10). A complexa escrita hegeliana p&otilde;e-nos diante da hist&oacute;ria da consci&ecirc;ncia, do movimento que a constitui, segundo uma vis&atilde;o ent&atilde;o inovadora da hist&oacute;ria. Por meio da descri&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica, o lei-tor participa da aventura da consci&ecirc;ncia, situado, por assim dizer, <i>dentro</i> da consci&ecirc;ncia em movimento. &Eacute; tamb&eacute;m posto diante da narrativa de um vir ser e a se conhecer que, em seu pr&oacute;prio tra&ccedil;ado, encontra oposi&ccedil;&otilde;es, efetua nega&ccedil;&otilde;es, chega &agrave; supera&ccedil;&atilde;o de cada oposi&ccedil;&atilde;o, prossegue.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A experi&ecirc;ncia que faz a consci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; apenas a experi&ecirc;ncia te&oacute;rica, o saber do objeto, mas toda a experi&ecirc;ncia. Trata-se aqui de considerar a vida da consci&ecirc;ncia &agrave; medida que ela conhece o muncompreende uma opera&ccedil;&atilde;o, um fazer de uma consci&ecirc;ncia sobre a outra, uma tendendo &agrave; morte da outra. A luta das consci&ecirc;ncias de si opostas &eacute; como uma luta de vida e de morte.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A consci&ecirc;ncia de si "n&atilde;o &eacute; uma entidade", nem duas. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; um sujeito do conhecimento, separado do objeto, que procura apreend&ecirc;-lo. Mas as descri&ccedil;&otilde;es dram&aacute;ticas de Hegel t&ecirc;m acendido a imagina&ccedil;&atilde;o de leitores e de ouvintes, como aqueles presentes &agrave;s palestras de Koj&egrave;ve sobre a <i>fenomenologia</i>. Em torno deste, em seu semin&aacute;rio, em Paris, na &Eacute;cole Pratique, de 1933 a 1939, reuniram-se "algumas futuras notabilidades, maiores e menores, da intelig&ecirc;ncia francesa do p&oacute;sguerra" (14), dentre elas Merleau-Ponty, Jacques Lacan, Georges Bataille, Jean Hyppolite, Klossowski. N&atilde;o posso me estender nesta hist&oacute;ria, mas recomendo um artigo de Paulo Arantes, que baseia muitos de seus coment&aacute;rios no livro de Vincent Descombes (15).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">As apresenta&ccedil;&otilde;es de Koj&egrave;ve influenciaram a <i>intelligentzia</i> francesa e tiveram repercuss&atilde;o nas obras de quase todos os ouvintes. Na de Sartre (que n&atilde;o foi, mas tomou conhecimento) e na de Lacan, o <i>senhor</i> e o <i>escravo</i> encontraram suas respectivas vers&otilde;es. Nas falas de Koj&egrave;ve (16), h&aacute; exemplos da DSE que foram pura inven&ccedil;&atilde;o, mas desencadearam interpreta&ccedil;&otilde;es que repercutiram em concep&ccedil;&otilde;es centrais da teoria psicanal&iacute;tica lacaniana, como apontam os fil&oacute;sofos Vladimir Safatle e Paulo Arantes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Para o primeiro, nas interpreta&ccedil;&otilde;es koj&egrave;veanas, tudo se passaria como se a consci&ecirc;ncia fosse retirada de sua "quietude passiva" em que estaria "inteiramente absorvida pela contempla&ccedil;&atilde;o do objeto", por um impulso chamado <i>a&ccedil;&atilde;o</i> por Koj&egrave;ve, "esse impulso cuja matriz &eacute; uma dist&acirc;ncia interior definida pela nega&ccedil;&atilde;o" (17).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A <i>a&ccedil;&atilde;o</i> de que fala Koj&egrave;ve proviria de sua transforma&ccedil;&atilde;o da dial&eacute;tica de Hegel em uma dial&eacute;tica do trabalho, que teria ignorado a vis&atilde;o hegeliana da filosofia da natureza. Por emocionante que seja e ainda que tenha uma cativante apar&ecirc;ncia mais pr&oacute;xima do marxismo e do existencialismo, a vers&atilde;o n&atilde;o se sustenta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">&Eacute; necess&aacute;rio n&atilde;o esquecer o modo pelo qual o sistema hegeliano abrange o mundo material: a filosofia da natureza n&atilde;o est&aacute; separada do movimento que vai da supera&ccedil;&atilde;o da certeza sens&iacute;vel &agrave; consci&ecirc;ncia de si, ao entendimento, &agrave; raz&atilde;o, ao esp&iacute;rito. Em um estudo publica-do em 2008, Kenneth R. Westphal (18) mostra que desconsiderar a filosofia da natureza deixa os dois membros centrais do sistema de Hegel, l&oacute;gica e filosofia do esp&iacute;rito, "precariamente equilibrados" porque falta-lhes o terceiro membro que suporta o sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Para Safatle, a naturaliza&ccedil;&atilde;o da dial&eacute;tica em Hegel preenche o papel, no interior do sistema, de espa&ccedil;o para o advento de um saber que n&atilde;o seja fundado na expuls&atilde;o pura e simples da experi&ecirc;ncia sens&iacute;vel. A "<i>transforma&ccedil;&atilde;o da dial&eacute;tica hegeliana em uma dial&eacute;tica do trabalho era</i> (por&eacute;m), no caso de Koj&eacute;ve, solid&aacute;ria do abandono da filosofia da natureza para que uma <i>ontologia dualista</i> fundada na distin&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica entre homem (negatividade dial&eacute;tica) e natureza (mat&eacute;ria pura pr&eacute;-reflexiva) pudesse aparecer" (19). O <i>pre&ccedil;o</i> do abandono da natureza "&eacute; a <i>nega&ccedil;&atilde;o n&atilde;o dial&eacute;tica completa da irredutibilidade do sens&iacute;vel ao conceito</i>" (19).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Encontramos tamb&eacute;m efeitos nas concep&ccedil;&otilde;es de <i>dial&eacute;tica</i>, <i>negatividade</i> e da <i>nadifica&ccedil;&atilde;o</i>, presentes no contexto dos semin&aacute;rios de Lacan: "Assim, por exemplo, quando Lacan coloca uma diferen&ccedil;a entre a negatividade pr&oacute;pria ao sujeito do inconsciente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; coisa e uma 'nadifica&ccedil;&atilde;o que se assimilaria &agrave; negatividade hegeliana' (20), isto &eacute;, resultado de um dentre muitos erros de perspectiva entre Hegel e Koj&egrave;ve" (19).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Admitamos que Lacan tenha adotado <i>um Hegel errado, mas vivo,</i> como afirmou Paulo Arantes (21). Al&eacute;m disso, as apropria&ccedil;&otilde;es da DSE podem n&atilde;o constituir o aspecto da sua obra que teve maior resson&acirc;ncia no pensamento filos&oacute;fico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Em 2003, foi publicado um livro, a meu ver, fundamental, no que diz respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre psican&aacute;lise e filosofia, intitulado <i>Um limite tenso - Lacan entre a filosofia e a psican&aacute;lise</i> (22), organizado por Vladimir Safatle. Na introdu&ccedil;&atilde;o, ele nos diz que, para alguns, o fato de Lacan ter se referido a v&aacute;rios dos grandes fil&oacute;sofos, para tratar da especificidade da metapsicologia consistiria no uso de "um recurso meramente did&aacute;tico". Em rela&ccedil;&atilde;o a esse modo de afastar quest&otilde;es, argumenta que nenhum recurso desse tipo &eacute; <i>inocente</i>. Estar&iacute;amos, antes, presenciando uma estrat&eacute;gia relacionada com a decis&atilde;o de estabelecer, de modo inaugural, "uma tens&atilde;o entre discursos diferentes" (23) e o grande ensinamento de Lacan: "Sua escrita nos mostra como n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel falar do sujeito, de seus desejos, suas ilus&otilde;es e seus atos sem se colocar no cruzamento entre uma cl&iacute;nica que sempre se reinventa e uma tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica que nunca foi surda a desafios" (24).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">&Eacute; preciso reconhecer que o fazer psicanal&iacute;tico &eacute; pass&iacute;vel de apreens&atilde;o conceitual. Em dos artigos da colet&acirc;nea, denominado "Psican&aacute;lise e filosofia ap&oacute;s Lacan", Monique David-M&eacute;nard, depois de ressaltar que a psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; uma filosofia, afirma que ela, n&atilde;o obstante, afeta a filosofia: "No entanto, a apreens&atilde;o conceitual das modalidades de sua interven&ccedil;&atilde;o traz consequ&ecirc;ncias para as pretens&otilde;es ontol&oacute;gicas da filosofia, assim como para nossa compreens&atilde;o da universalidade do pensamento conceitual, das l&oacute;gicas e ret&oacute;ricas da nega&ccedil;&atilde;o ou da problem&aacute;tica do contingente e do necess&aacute;rio" (25).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Este tipo de problem&aacute;tica pontua a import&acirc;ncia de a filosofia rever sua compreens&atilde;o do universal nos conceitos, a fun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica e ret&oacute;rica da nega&ccedil;&atilde;o e os campos do contingente e necess&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Nas f&oacute;rmulas de Lacan, &agrave; primeira vista, os enunciados seriam v&aacute;lidos para todos aqueles aos quais se aplicaria uma lei. Monique David-M&eacute;nard discute a <i>l&oacute;gica da sexua&ccedil;&atilde;o</i> de Lacan, enquanto projeto independente "em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ambiguidades internas ao conceito l&oacute;gico e filos&oacute;fico de universal" (26). Para a autora, <i>universal</i>, em Kant, designa a quantidade de sujeitos aos quais a lei moral concerne e, no caso de Lacan, daqueles concernidos pela lei da castra&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, o conceito de universal, em seu uso por Lacan, subentendido na lei da castra&ccedil;&atilde;o, designa "a <i>incondicionalidade</i> da obriga&ccedil;&atilde;o que designa tal lei e a <i>s&eacute;rie indefinida</i> de desejos 'patol&oacute;gicos' submetidos &agrave; lei".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Na sequ&ecirc;ncia, temos a <i>problematiza&ccedil;&atilde;o</i> relacionada com o fato de o projeto lacaniano produzir uma l&oacute;gica da sexua&ccedil;&atilde;o, que embora n&atilde;o se submeta a uma concep&ccedil;&atilde;o essencialista, traz ambiguidades relacionadas com o conceito de universal. Para a autora, estas o fazem culminar neste desfecho: "ele acaba por situar o feminino na exterioridade de toda elabora&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica do desejo" (26).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Temos um exemplo de como quest&otilde;es filos&oacute;ficas podem se cruzar com uma teoria psicanal&iacute;tica, em seus desenvolvimentos essenciais. M&eacute;nard volta a quest&otilde;es que teriam ficado em aberto nos textos de Freud, reflete sobre sua pr&oacute;pria cl&iacute;nica e sobre conceitos de que o analista precisa e formula esta pergunta: "Em suma, como ele (o analista) pode criar um espa&ccedil;o de pensamento no qual sua cl&iacute;nica seja capaz de articular-se com no&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que ele fez as suas?" (26).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Aqui e agora, podemos apenas constatar que, a partir de suas descobertas conceituais, a psican&aacute;lise ensejou e enseja a procura de espa&ccedil;os de pensamento em que ela e a filosofia se cruzam. Seja num limite tenso, seja por meio de erros de interpreta&ccedil;&atilde;o produtivos, seja requerendo a investiga&ccedil;&atilde;o que se situa entre discursos diversos, as indaga&ccedil;&otilde;es n&atilde;o nos permitem ignorar a constitui&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel daqueles espa&ccedil;os, ainda que &agrave;s vezes <i>minado</i>s pelo excesso de est&iacute;mulos decorrentes de nossa necessidade e prazer de pensar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Camila Salles Gon&ccedil;alves</b> &eacute; psicanalista, membro do Departamento de Psican&aacute;lise do Instituto Sedes Sapientiae, psic&oacute;loga pela PUCSP, professora de filosofia, doutora pela FFLCH da USP, autora de Hist&oacute;ria e desilus&atilde;o na psican&aacute;lise de J.- P. Sartre (1996).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Notas e Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">1. Lebrun, G. "Transgredir a finitude", in: Janine Ribeiro, R. (org.), Recordar Foucault, S&atilde;o Paulo, Brasiliense, p. 10.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">2. Lebrun, G. "Transgredir a finitude", op. cit. p. 10.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">3. Tanto no Discurso do m&eacute;todo quanto nas Medita&ccedil;&otilde;es, Descartes chega, por meio da raz&atilde;o, que ele op&otilde;e &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o, &agrave; prova da exist&ecirc;ncia de um Deus perfeito, portanto, n&atilde;o enganador, que garante as ideias claras e distintas. Descartes, R., Obra escolhida, S&atilde;o Paulo, 1962, Difus&atilde;o Europeia do Livro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">4. "Denomino claro o que &eacute; presente e manifesto a um esp&iacute;rito atento e distinto o que &eacute; de tal modo preciso e diferente de todos os outros que compreende em si apenas o que parece manifestamente a quem o considere como se deve", Descartes, R. Obra escolhida, op. cit. p. 53.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">5. Lebrun, G. "Transgredir a finitude", op. cit. p. 19.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">6. Lebrun, G. "Transgredir a finitude", op. cit. p. 20.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">7. Lebrun, G. "Transgredir a finitude", op. cit. p.11.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">8. Lebrun, G. "Transgredir a finitude", op. cit. p. 10.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">9. Safatle, V. A paix&atilde;o do negativo-Lacan e a dial&eacute;tica, S&atilde;o Paulo, Unesp, 2006, p. 43.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">10. Hyppolite, J. G&eacute;n&egrave;se et structure de la phenomenologie de l'esprit de Hegel, Paris, Aubier Montaigne, 1967, p.15.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">11. Hyppolite, J. G&eacute;n&egrave;se et structure de la phenomenologie de l'esprit de Hegel, op. cit. p. 15.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">12. Hegel, G.W.F. La ph&eacute;nom&eacute;nologie de l'esprit Tome I. Trad. Jean Hyppolite. Paris, s/d, Aubier Montaigne, note 18, p. 161. Em (nota do tradutor).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">13. Hegel, Ph&auml;nomenologie des geistes, K&ouml;ln, Anaconda, 2010, p. 148.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">14. Arantes, P. "Hegel no espelho do Dr. Lacan". In: Revista ide, S&atilde;o Paulo: SBPSP, dezembro/1991 - no. 21, pp. 72-79.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">15. Descombes, V. Le m&ecirc;me et l'autre-qurante-cinq ans de philosophie fran&ccedil;aise (1933-1978), Paris, Minuit, 1979, p. 21. Apud: Arantes, P. Revista ide, op. cit. p. 73.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">16. Koj&egrave;ve, A. Introduction &agrave; la lecture de Hegel - Le&ccedil;ons r&eacute;unies et publi&eacute;espar Raymond Queneau, Paris, Gallimard, 1971,    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">17. Safatle, V. A paix&atilde;o do negativo-Lacan e a dial&eacute;tica, S&atilde;o Paulo, Unesp, 2006, p. 43.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">18. Westphal, K. R. "Philosophizing about nature: Hegel's Philosophical Project", in: Beiser Frederick C. (editor), The Cambridge Companion to Hegel and nineteenth-century philosophy, New York, 2008, Cambridge University Press.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">19. Safatle,V. A paix&atilde;o do negativo, op. cit. pp. 44-45.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">20. Lacan, S.IX, sess&atilde;o de 28/03/1962.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">21. Arantes, P. "Hegel no espelho do Dr. Lacan". In: Revista ide, S&atilde;o Paulo: SBPSP, dezembro/1991 - no. 21, pp. 72-79.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">22. Safatle V.(org.). Um limite tenso-Lacan entre a filosofia e a psican&aacute;lise, S&atilde;o Paulo, Unesp, 2003.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">23. Safatle, V. Um limite tenso, op. cit. p.8.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">24. Safatle,V. Lacan e a filosofia, op. cit. p.8.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">25. David-M&eacute;nard, M. "Psican&aacute;lise e filosofia ap&oacute;s Lacan". In: Safatle, V. (org.), Um limite tenso, op. cit. pp.147-148.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">26. David-M&eacute;nard, M. "Psican&aacute;lise e filosofia ap&oacute;s Lacan", op. cit. p.151.</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lebrun]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transgredir a finitude]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Janine Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Recordar Foucault]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brasiliense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Safatle]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A paixão do negativo-Lacan e a dialética]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Unesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hyppolite]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Génèse et structure de la phenomenologie de l'esprit de Hegel]]></source>
<year>1967</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Aubier Montaigne]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hegel]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.W.F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hyppolite]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La phénoménologie de l'esprit Tome I]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Aubier Montaigne]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[Hegel, Phänomenologie des geistes]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Köln ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anaconda]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Arantes]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hegel no espelho do Dr. Lacan]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista ide]]></source>
<year>deze</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
<numero>21</numero>
<issue>21</issue>
<page-range>72-79</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[SBPSP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kojève]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introduction à la lecture de Hegel: Leçons réunies et publiéespar Raymond Queneau]]></source>
<year>1971</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Gallimard]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Safatle]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A paixão do negativo-Lacan e a dialética]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Unesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Westphal]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Philosophizing about nature: Hegel's Philosophical Project]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Beiser Frederick]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Cambridge Companion to Hegel and nineteenth-century philosophy]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lacan]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[IX, sessão de 28/03/1962]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>21</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Arantes]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hegel no espelho do Dr. Lacan]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista ide]]></source>
<year>deze</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
<numero>21</numero>
<issue>21</issue>
<page-range>72-79</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[SBPSP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>22</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Safatle]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Um limite tenso-Lacan entre a filosofia e a psicanálise]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Unesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
