<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252015000100019</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602015000100019</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Artes Plásticas: Aleijadinho - 200 anos de encantamento]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mariuzzo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<volume>67</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>58</fpage>
<lpage>60</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252015000100019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252015000100019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252015000100019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>CULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Artes Pl&aacute;sticas: Aleijadinho - 200 anos de encantamento</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">"G&ecirc;nio virgem, puro e inocente, art&iacute;fice exemplar e original, um dos fundadores de uma tradi&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica nacional", assim M&aacute;rio de Andrade descreveu Aleijadinho, no estudo "A arte religiosa no Brasil", publicado na <i>Revista do Brasil</i>, em 1920, consagrando Ant&ocirc;nio Francisco Lisboa, cuja morte completou 200 anos em novembro passado, como um dos s&iacute;mbolos da arte e da identidade brasileiras. As comemora&ccedil;&otilde;es da data contaram uma s&eacute;rie de eventos, como semin&aacute;rios e exposi&ccedil;&otilde;es, em todo o pa&iacute;s. "Comemora&ccedil;&otilde;es em torno das efem&eacute;rides s&atilde;o sempre positivas. Diversas obras foram publicadas e as discuss&otilde;es sobre a mitologia relacionada ao Aleijadinho e ao Barroco se reacenderam um pouco. Isso faz com que muitas pessoas, sobretudo jovens, que ainda n&atilde;o tinham tido contato com essas quest&otilde;es, comecem a se interessar por elas", afirma a historiadora e professora do Instituto de Filosofia Artes e Cultura, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Guiomar de Grammont.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Entrar em uma das in&uacute;meras igrejas de Ouro Preto, uma das cidades hist&oacute;ricas de Minas Gerais, &eacute; penetrar em outro mundo, um universo dram&aacute;tico de devo&ccedil;&atilde;o religiosa. Segundo &Acirc;ngelo Oswaldo de Ara&uacute;jo Santos, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e atual secret&aacute;rio de Cultura de Minas Gerais, no s&eacute;culo XVIII, Ouro Preto &eacute; um espa&ccedil;o que teatraliza a vida individual e coletiva sob a &eacute;gide da religiosidade, cujos s&iacute;mbolos se espalham por toda a cidade, dentro e fora das igrejas. Aleijadinho est&aacute; imerso nessa cultura, ele &eacute; produto e tamb&eacute;m agente dessa religiosidade. Um tipo de f&eacute; que, naquele momento, busca criar uma experi&ecirc;ncia com o divino por meio dos sentidos. Da&iacute; a import&acirc;ncia das imagens e dos cen&aacute;rios criados em cada igreja.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a19img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Teatro de Madeira e Pedra-Sab&atilde;o</b> Escultor, entalhador e arquiteto, Aleijadinho &eacute; um dos mestres que ajudou a construir os cen&aacute;rios do barroco mineiro dos quais o conjunto arquitet&ocirc;nico do Santu&aacute;rio de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (h&aacute; 70 quil&ocirc;metros de Belo Horizonte) &eacute; um dos exemplos mais impressionantes. Reconhecido pela Unesco como Patrim&ocirc;nio Mundial em 1985, ele &eacute; composto por seis capelas que abrigam 64 pe&ccedil;as de madeira representando o calv&aacute;rio de Cristo e se completa no santu&aacute;rio principal em cujas escadarias est&atilde;o os 12 profetas em pedra-sab&atilde;o (veja box 1).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Se a arte de Aleijadinho &eacute; fruto do seu tempo, o artista Aleijadinho &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o mais recente. No s&eacute;culo XVIII e in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, &eacute;poca em que ele viveu, n&atilde;o havia no&ccedil;&otilde;es de artista e autoria. "N&oacute;s &eacute; que as aplicamos anacronicamente ao passado, supondo no Aleijadinho motiva&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;s dos artistas contempor&acirc;neos", lembra Guiomar de Grammont, que tamb&eacute;m &eacute; autora do livro <i>Aleijadinho e o aeroplano</i> (2008). Segundo a historiadora, Ant&ocirc;nio Francisco Lisboa nem sempre foi visto como o artista rom&acirc;ntico que ficou consagrado na hist&oacute;ria. "O mito do Aleijadinho como o artista-her&oacute;i s&oacute; come&ccedil;a a ser constru&iacute;do a partir do s&eacute;culo XIX e sua supervaloriza&ccedil;&atilde;o acontece no s&eacute;culo XX", afirma. "Para atender encomendas das irmandades ele trabalhava com dificuldades semelhantes &agrave;s dos outros art&iacute;fices do seu tempo. N&atilde;o tinha preocupa&ccedil;&atilde;o com originalidade ou estilo e sequer assinava suas obras", explica. Era comum ainda que trabalhasse em conjunto com outros art&iacute;fices em seu ateli&ecirc;, por isso, muitas pe&ccedil;as atribu&iacute;das a ele s&atilde;o, na verdade, fruto de uma cria&ccedil;&atilde;o coletiva.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Jogo de espelhos</b> De acordo com o pesquisador do curso superior em restauro, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Alexandre Mascarenhas, a mitifica&ccedil;&atilde;o de Aleijadinho deve-se, em grande parte, ao projeto de um grupo de intelectuais, liderados por M&aacute;rio de Andrade, que busca encontrar refer&ecirc;ncias art&iacute;sticas genuinamente brasileiras. Assim, em princ&iacute;pios do s&eacute;culo XX, o escultor mineiro e a arte colonial de modo geral, s&atilde;o eleitos como os maiores expoentes da identidade nacional. "O maior problema da mitifica&ccedil;&atilde;o do Aleijadinho &eacute; que in&uacute;meros artistas foram esquecidos ou deixaram de ser estudados, devido ao agigantamento dessa figura. &Eacute; um jogo de espelhos, &eacute; como se n&atilde;o quis&eacute;ssemos conhecer nada, apenas nos reconhecer no s&eacute;culo XVIII. Tentar realizar a cr&iacute;tica dessas opera&ccedil;&otilde;es &eacute; um exerc&iacute;cio do melhor esp&iacute;rito cient&iacute;fico", acredita Grammont. O estudo de Aleijadinho e de sua obra exigem uma leitura interdisciplinar, acredita Lucienne Maria de Almeida Elias, pesquisadora do curso de conserva&ccedil;&atilde;o e restaura&ccedil;&atilde;o de bens culturais m&oacute;veis, da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). As quest&otilde;es relacionadas &agrave; autoria, por exemplo, n&atilde;o podem ser guiadas apenas por um par&acirc;metro. "Por exemplo, as indaga&ccedil;&otilde;es quanto aos olhos amendoados. Ser&aacute; que existe um padr&atilde;o, uma maneira peculiar na fatura do escultor, ser&aacute; que temos obras que n&atilde;o se enquadram a essa caracter&iacute;stica e s&atilde;o de auto-ria ou atribu&iacute;das a Aleijadinho?", questiona a pesquisadora.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Novas descobertas sobre a obra de Aleijadinho podem surgir a partir do trabalho da comiss&atilde;o especial de assessoramento sobre a obra de Ant&ocirc;nio Francisco Lisboa, criada em agosto de 2014, no contexto das comemora&ccedil;&otilde;es do bicenten&aacute;rio do escultor, pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e o Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (Iphan). De acordo com Elias, que integra a comiss&atilde;o, a ideia &eacute; fazer um levantamento e revis&atilde;o de fontes bibliogr&aacute;ficas e documentos para elaborar crit&eacute;rios de identifica&ccedil;&atilde;o da obra arquitet&ocirc;nica, ornamental e escult&oacute;rica de Aleijadinho. "Queremos criar um cat&aacute;logo geral da obra, avaliar seu estado de conserva&ccedil;&atilde;o, as interven&ccedil;&otilde;es realizadas, registrar at&eacute; que ponto os materiais originais est&atilde;o presentes e se ocorreram acr&eacute;scimos ou modifica&ccedil;&otilde;es", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Arte da Reprodu&ccedil;&atilde;o</b> Se, por um lado, a mitifica&ccedil;&atilde;o de Aleijadinho produziu algumas distor&ccedil;&otilde;es, por outro, sua transforma&ccedil;&atilde;o em artista-her&oacute;i ajudou a preservar e a disseminar sua obra ao longo do tempo. Isso &eacute; especialmente importante no caso do barroco mineiro j&aacute; que grande parte das esculturas e dos projetos arquitet&ocirc;nicos atribu&iacute;dos a Aleijadinho encontra-se em fachadas e adros de templos religiosos, em &aacute;reas externas. "Trata-se de um patrim&ocirc;nio exposto &agrave; a&ccedil;&atilde;o das intemp&eacute;ries, &agrave; polui&ccedil;&atilde;o, &agrave; falta de manuten&ccedil;&atilde;o adequada e mesmo ao vandalismo", explica Alexandre Mascarenhas. "Entre 1938 e 1969, a pedido do rec&eacute;m-criado Servi&ccedil;o do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (Sphan), dezenas de r&eacute;plicas de gesso e algumas em cimento de esculturas de Aleijadinho foram confeccionadas e distribu&iacute;das por diversas institui&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter educacional e museol&oacute;gico dentro e fora do Brasil", conta Mascarenhas. O objetivo do ent&atilde;o presidente do Sphan, Rodrigo Melo Franco de Andrade, juntamente com M&aacute;rio de Andrade, era criar um museu com r&eacute;plicas que permitisse o estudo e a divulga&ccedil;&atilde;o da cultura brasileira no Brasil e no mundo. Segundo Mascarenhas, o museu nunca saiu do papel, mas as r&eacute;plicas - 113 j&aacute; catalogadas - tornaram-se instrumentos de prote&ccedil;&atilde;o e perpetua&ccedil;&atilde;o da obra de Aleijadinho e hoje tamb&eacute;m s&atilde;o alvo de a&ccedil;&otilde;es de cataloga&ccedil;&atilde;o e de preserva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cic/v67n1/a19img03.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a19img03thumb.jpg" border="0">    <br> Clique para ampliar</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a19img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a19img04.jpg" border="0" usemap="#Map">   <map name="Map">     <area shape="rect" coords="22,918,185,930" href="http://fotografia.ims.com.br/sites/" target="_blank">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo </i></font></p>      ]]></body>

</article>
