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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>CULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Teatro: insubmissas - Mulheres nas ci&ecirc;ncias</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v67n1/a21img01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a21img01thumb.jpg" border="0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Investigar a rela&ccedil;&atilde;o da arte com a ci&ecirc;ncia &eacute; o objetivo do n&uacute;cleo Arte Ci&ecirc;ncia no Palco (ACP). Criado em 1998, na cidade de S&atilde;o Paulo, o grupo se especializou em desenvolver espet&aacute;culos teatrais sobre temas cient&iacute;ficos. <i>Insubmissas: mulheres nas ci&ecirc;ncias</i> &eacute; a mais nova pe&ccedil;a que o grupo apresentou ao p&uacute;blico. Com texto do dramaturgo Oswaldo Mendes e dire&ccedil;&atilde;o de Carlos Palma, o espet&aacute;culo partiu de um questionamento de um grupo de atrizes do ACP sobre a falta de exemplos femininos na hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias. Apesar de n&atilde;o terem se conhecido, as cientistas Hip&aacute;cia de Alexandria (370 e 415 d.C.), Marie Curie (1867-1934), Bertha Lutz (1894-1976) e Rosalind Franklin (1920-1958) s&atilde;o colocadas juntas no palco, onde contam suas experi&ecirc;ncias, conquistas e trag&eacute;dias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Tr&ecirc;s das personagens retratadas na pe&ccedil;a - Marie Curie, Bertha Lutz e Rosalind Franklin - constru&iacute;ram suas carreiras cient&iacute;ficas em finais do s&eacute;culo XIX e primeira metade do s&eacute;culo XX, per&iacute;odo em que mudan&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas e sociais facilitaram o ingresso de mulheres em institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas. O avan&ccedil;o dos movimentos feministas, a profissionaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias, a especializa&ccedil;&atilde;o de disciplinas e a moderniza&ccedil;&atilde;o da sociedade em curso naquele per&iacute;odo, criaram novas oportunidades para as mulheres que come&ccedil;aram a frequentar universidades e se inserir no mundo das ci&ecirc;ncias de forma muito mais intensa do que no s&eacute;culos anteriores. As mulheres retratadas na pe&ccedil;a s&atilde;o pioneiras, mas talvez a maior das <i>Insubmissas</i> seja Hip&aacute;cia. Matem&aacute;tica, astr&ocirc;noma e fil&oacute;sofa, ela lecionou na Universidade de Alexandria em um per&iacute;odo em que a presen&ccedil;a de mulheres na academia era ainda mais incomum. A cientista morreu apedrejada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Desigualdade</b> Alguns dramas pessoais s&atilde;o relembrados na pe&ccedil;a. Um deles &eacute; o esc&acirc;ndalo que envolveu o nome de Marie Curie ap&oacute;s a mor-te de seu marido. Acusada de relacionar-se com Paul Lanvegin, um homem casado e mais novo do que ela, Madame Curie foi humilhada pela imprensa francesa e quase n&atilde;o compareceu &agrave; cerim&ocirc;nia onde receberia seu segundo Pr&ecirc;mio Nobel, em 1911. Oswaldo Mendes discute o machismo que permeou a vida dessas mulheres por meio de um di&aacute;logo entre Madame Curie e sua filha, Irene Curie, tamb&eacute;m cientista, onde as personagens questionam o qu&atilde;o poderia ter sido diferente a repercuss&atilde;o do caso se seu protagonista fosse um homem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">O fato de Bertha Lutz, Hip&aacute;cia e Rosalind Franklin nunca terem se casado ou tido filhos tamb&eacute;m &eacute; lembrado e remete a um problema que as cientistas enfrentam at&eacute; os dias de hoje: a divis&atilde;o do trabalho dom&eacute;stico. Apesar dos espa&ccedil;os conquistados, as desigualdades no &acirc;mbito dom&eacute;stico ainda fazem com que a decis&atilde;o por constituir uma fam&iacute;lia pese mais para as mulheres. Enquanto algumas escolhem n&atilde;o se casar ou n&atilde;o ter filhos, e tamb&eacute;m sofrem preconceito por isso, outras se desdobram para cumprir dupla jornada de trabalho. O resultado desse cen&aacute;rio desigual &eacute; que boa parte das mulheres acabam por diminuir</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">o ritmo de suas carreiras cient&iacute;ficas enquanto seus companheiros prosperam. As hist&oacute;rias que o espet&aacute;culo conta mostram que a divis&atilde;o injusta do trabalho e o predom&iacute;nio masculino nas institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas s&atilde;o fatores respons&aacute;veis pela exclus&atilde;o das mulheres do mundo da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a21img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Construindo Atalhos</b> O movimento feminista do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX encontrou na cria&ccedil;&atilde;o dos filhos um pretexto ideal para impulsionar a educa&ccedil;&atilde;o feminina. Sob o argumento de que m&atilde;es e esposas instru&iacute;das educariam melhor seus filhos, grupos de mulheres uniram-se em associa&ccedil;&otilde;es a favor da educa&ccedil;&atilde;o feminina. No Brasil a naturalista Bertha Lutz, pesquisadora do Museu Nacional, foi uma das figuras mais significativas da luta pelos direitos iguais entre homens e mulheres e na defesa da educa&ccedil;&atilde;o feminina.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A educa&ccedil;&atilde;o proporcionada &agrave;s meninas nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX abriu caminho para a subsequente ocupa&ccedil;&atilde;o feminina nas universidades, mas ainda havia problemas na qualidade do ensino e na separa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os dentro das institui&ccedil;&otilde;es. Historicamente as mulheres est&atilde;o mais presentes em disciplinas cient&iacute;ficas de menor status e remunera&ccedil;&atilde;o. Um exemplo disso &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o em campos das ci&ecirc;ncias naturais como bot&acirc;nica, hist&oacute;ria natural e zoologia, menos valorizadas do que as ci&ecirc;ncias exatas ou m&eacute;dicas. At&eacute; os dias de hoje os cursos de engenharias, f&iacute;sica, computa&ccedil;&atilde;o etc. t&ecirc;m maior presen&ccedil;a masculina, enquanto &aacute;reas como educa&ccedil;&atilde;o, enfermagem, bot&acirc;nica ou farm&aacute;cia s&atilde;o majoritariamente ocupadas por mulheres nas universidades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><i>Mariana Sombrio</i></font></p>      ]]></body>
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