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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[30 anos do MCTI: Estabilidade e responsabilidade na política de inovação são principais marcas]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS DO BRASIL    <br> 30 ANOS DO MCTI</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Estabilidade e responsabilidade na pol&iacute;tica de inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o principais marcas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Ricardo Manini</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Nas elei&ccedil;&otilde;es para governador do Maranh&atilde;o, em 1965, o candidato Renato Archer, do PTB, partido pr&oacute;ximo dos movimentos trabalhistas, foi derrotado pelo candidato Jos&eacute; Sarney, da UDN. Um m&ecirc;s depois, o governo militar, descontente com os resultados eleitorais, extinguiu os dois partidos. Sarney foi para a Arena, mais pr&oacute;ximo do governo; Archer, para o MDB, da oposi&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel naquele momento. Vinte anos mais tarde, Tancredo Neves foi eleito, de modo indireto, para presidir o Brasil. Seu vice era Jos&eacute; Sarney. Tancredo prometera, durante a campanha, fortalecer a ci&ecirc;ncia no Brasil. N&atilde;o havia melhor nome para o Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT) que ele pretendia criar do que Renato Archer. Tancredo morreu pouco depois das elei&ccedil;&otilde;es, Sarney tornou-se presidente, e, com o minist&eacute;rio criado, Archer foi escolhido para ser o ministro de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. Assim, a Nova Rep&uacute;blica acabou colocando Sarney e Archer do mesmo lado. A conviv&ecirc;ncia dos antigos advers&aacute;rios pol&iacute;ticos, no entanto, foi um desafio menor do que consolidar o minist&eacute;rio rec&eacute;m-criado em um cen&aacute;rio de grandes dificuldades na economia. Para o governo democr&aacute;tico que assumia, havia a imensa tarefa de acertar as contas deixadas pelos militares. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Logo nos primeiros meses ap&oacute;s tomar posse como presidente, Sarney lan&ccedil;ou o Plano Cruzado, que resultou no controle tempor&aacute;rio da infla&ccedil;&atilde;o e aumentou o sal&aacute;rio real. Houve certa euforia popular, que n&atilde;o durou muito. Na sequ&ecirc;ncia, uma combina&ccedil;&atilde;o de m&aacute;s pol&iacute;ticas com planos econ&ocirc;micos mal sucedidos gerou um cen&aacute;rio devastador, com hiperinfla&ccedil;&atilde;o, Estado fortemente endividado e contas externas insustent&aacute;veis. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Nesse cen&aacute;rio, o MCT n&atilde;o era prioridade da distribui&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria do governo. Nem uma sala pr&oacute;pria para o ministro havia. O MCT passou um tempo em um espa&ccedil;o improvisado. A falta de verbas para a ci&ecirc;ncia no Brasil n&atilde;o era, contudo, grande novidade. Entre 1871 e 1882, por exemplo, o astr&ocirc;nomo franc&ecirc;s Emmanuel Liais, que dirigiu o Imperial Observat&oacute;rio do Rio de Janeiro, queixou-se seguidas vezes aos ministros do Imp&eacute;rio sobre os limitados recursos financeiros para comandar a institui&ccedil;&atilde;o e da falta de mecanismos para divulgar os resultados ali obtidos. Quase um s&eacute;culo depois, a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o melhorara muito. Ao ser criado, o or&ccedil;amento do MCT era de pouco mais de 2 trilh&otilde;es e meio de cruzados, um dos menores or&ccedil;amentos ministeriais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Al&eacute;m disso, 36% desse montante j&aacute; estava comprometido com pagamento de pessoal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>CREDIBILIDADE</b> A despeito da falta de dinheiro, uma mudan&ccedil;a importante aconteceu com a vincula&ccedil;&atilde;o ao novo minist&eacute;rio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), dando in&iacute;cio, assim, a uma pol&iacute;tica nacional mais efetiva de ci&ecirc;ncia e tecnologia. Durante o per&iacute;odo agudo de repress&atilde;o e censura do governo militar, n&atilde;o havia um &oacute;rg&atilde;o centralizador da pol&iacute;tica de C&amp;T. Boa parte das diretrizes vinha da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) que n&atilde;o tinha livre tr&acirc;nsito no governo ditatorial. A cria&ccedil;&atilde;o do MCT, tendo Renato Archer como ministro, homem que gozava de credibilidade junto &agrave; comunidade cient&iacute;fica, resultou em uma aproxima&ccedil;&atilde;o dessa comunidade do centro decis&oacute;rio da pol&iacute;tica federal de C&amp;T.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Essa pol&iacute;tica, por&eacute;m, n&atilde;o deslanchou de imediato. Archer perdeu batalhas importantes pela melhora da condu&ccedil;&atilde;o das diretrizes para C&amp;T. Por exemplo, apesar de acreditar que a Secretaria de Tecnologia Industrial (STI) deveria estar subordinada ao MCT, e que sem o &oacute;rg&atilde;o n&atilde;o seria poss&iacute;vel fazer uma adequada pol&iacute;tica tecnol&oacute;gica nacional, a STI permaneceu subordinada ao Minist&eacute;rio da Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n2/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Em um percurso de idas e vindas e sempre com or&ccedil;amento apertado, o MCT definiu os primeiros contornos para uma pol&iacute;tica de ci&ecirc;ncia e tecnologia, priorizando &aacute;reas como biotecnologia e qu&iacute;mica fina, al&eacute;m de aumentar o n&uacute;mero de bolsas concedidas a pesquisadores. Outro importante avan&ccedil;o foi obtido na coopera&ccedil;&atilde;o internacional com pa&iacute;ses do Sul. Foi gra&ccedil;as ao MCT e a Archer que o Brasil firmou um acordo com a China para o programa CBERS (China-Brazil Earth Satellite Resources), marco fundamental para as rela&ccedil;&otilde;es Sul-Sul da pol&iacute;tica externa nacional e que ainda hoje colhe resultados. Conquista igualmente importante foi obtida em 1985, ap&oacute;s uma miss&atilde;o de cientistas brasileiros fazer est&aacute;gio de 3 meses no Stanford Linear Accelerator Center (SLAC), nos Estados Unidos. A partir dessa miss&atilde;o come&ccedil;ou a ser idealizado o Laborat&oacute;rio Nacional de Luz S&iacute;ncroton (LNLS). Alguns meses mais tarde, em janeiro de 1986, o governo federal deu parecer favor&aacute;vel &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o do projeto e onze anos mais tarde, em 1997, em Campinas (SP), o LNLS foi inaugurado e continua sendo, at&eacute; hoje, o &uacute;nico laborat&oacute;rio desse tipo em toda a Am&eacute;rica Latina, recebendo anualmente diversos pesquisadores de m&uacute;ltiplas &aacute;reas. Hoje o LNLS integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), respons&aacute;vel pela gest&atilde;o de outros tr&ecirc;s laborat&oacute;rios de refer&ecirc;ncia nas &aacute;reas de bioci&ecirc;ncias, bioetanol e nanotecnologia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>INSTABILIDADE</b> Ainda assim, o MCT continuou desvalorizado pelo governo. Seja pela crise econ&ocirc;mica que se alastrava ou por press&otilde;es pol&iacute;ticas internas, n&atilde;o havia suficiente apoio para a pasta, que vivia entre a precariedade e a instabilidade institucional. Entre 1985, ano de sua cria&ccedil;&atilde;o, e 1992, per&iacute;odo que compreende os governos de Sarney e de seu sucessor Fernando Collor de Mello, o minist&eacute;rio teve nove titulares. J&aacute; entre 1992 e 2015, ap&oacute;s o in&iacute;cio do governo de Itamar Franco e at&eacute; o presente momento, 10 ministros assumiram a pasta. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Mais grave do que a rotatividade de ministros, contudo, foi a mudan&ccedil;a de situa&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio minist&eacute;rio. Ap&oacute;s ter sido fundido ao Minist&eacute;rio do Desenvolvimento, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio, em 1989, durante uma reforma ministerial desastrosa conduzida pelo governo Sarney, e depois ser transformado em uma secretaria, o MCT voltou a existir no mesmo ano. Um ano depois, j&aacute; no governo Collor, devido a uma pol&iacute;tica dr&aacute;stica de corte de gastos governamentais, foi novamente extinto. Ressurgiu apenas 1992, no governo Itamar Franco, por meio de uma medida provis&oacute;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Assim, somente a partir da d&eacute;cada de 1990, nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, o MCT passa a contar com maior apoio do governo. No segundo mandato de FHC, por meio de ampla mudan&ccedil;a regulat&oacute;ria e, sobretudo, do mecanismo de financiamento de fundos setoriais, a inova&ccedil;&atilde;o passou a ser de responsabilidade do minist&eacute;rio. Isso ocorreu em sintonia com o que se passava em outros pa&iacute;ses do mundo, que davam maior import&acirc;ncia &agrave; atividade inovativa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Os fundos setoriais representaram uma mudan&ccedil;a importante ao direcionar investimentos em CT&amp;I a setores considerados estrat&eacute;gicos, como por exemplo, o de petr&oacute;leo, agroneg&oacute;cio, biotecnologia e transporte. Administrados pela Finep, eles utilizam recursos oriundos de receitas vinculadas por leis espec&iacute;ficas, favorecendo um tipo de apoio de longo prazo, voltado para o setor produtivo e para o desenvolvimento econ&ocirc;mico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>POL&Iacute;TICA PARA INOVA&Ccedil;&Atilde;O</b> No governo Lula, a diretriz fortemente voltada para a inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi alterada e leis importantes para a inova&ccedil;&atilde;o foram criadas. Entre elas, a Lei da Inova&ccedil;&atilde;o (2005) e a Lei do Bem (2006), que, se n&atilde;o lograram alterar profundamente n&uacute;meros relativos &agrave; atividade inovativa no Brasil, no m&iacute;nimo deram consist&ecirc;ncia jur&iacute;dica e trouxeram avan&ccedil;os na &aacute;rea. Os avan&ccedil;os relativos &agrave; inova&ccedil;&atilde;o continuaram no primeiro mandato do governo atual. O MCT teve at&eacute; mesmo seu nome mudado para Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (MCTI). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">No presente momento, o pa&iacute;s passa, contudo, por outro per&iacute;odo de turbul&ecirc;ncia econ&ocirc;mica. A situa&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, &eacute; bastante distinta daquela dos governos Sarney e Collor. Fortalecido desde o governo Itamar Franco, o MCTI j&aacute; tem autonomia suficiente, legal e de fato, para sustentar a pol&iacute;tica de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o nacional. A despeito dos contingenciamentos or&ccedil;ament&aacute;rios aos quais o minist&eacute;rio possa ser submetido, a import&acirc;ncia dessa pasta na condu&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica para ci&ecirc;ncia e tecnologia parece estar consolidada, afastando, assim, todos os riscos de sua extin&ccedil;&atilde;o. No marco de seus 30 anos, a principal discuss&atilde;o &eacute; como ampliar suas a&ccedil;&otilde;es em um momento de or&ccedil;amento restrito.</font></p>      ]]></body>

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