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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS DO BRASIL    <br> SA&Uacute;DE P&Uacute;BLICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>70 anos de fluoreta&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua de abastecimento p&uacute;blico requer debate</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Simone Caixeta de Andrade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Em 1945, Grand Rapids, no estado do Michigan, nos Estados Unidos, tornou-se a primeira cidade no mundo a receber &aacute;gua fluoretada artificialmente. A medida reduziu em 50% a incid&ecirc;ncia de c&aacute;ries. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Setenta anos depois, o programa de fluoreta&ccedil;&atilde;o encontra resist&ecirc;ncia, sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quantidades adequadas que devem ser adicionadas e controladas para produzir os efeitos desejados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saneamento B&aacute;sico de 2008, apontou que 60,6% dos munic&iacute;pios agregam fl&uacute;or "em concentra&ccedil;&atilde;o adequada, &agrave; &aacute;gua destinada ao abastecimento p&uacute;blico, com o objetivo de prevenir a c&aacute;rie dental". N&atilde;o existe, no entanto, um sistema de consulta p&uacute;blico da concentra&ccedil;&atilde;o de fl&uacute;or na &aacute;gua de abastecimento. Segundo dados da Sociedade Brit&acirc;nica de Fluoreta&ccedil;&atilde;o o Brasil &eacute; a segunda na&ccedil;&atilde;o com maior cobertura de fl&uacute;or na &aacute;gua, depois dos Estados Unidos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n2/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>PROGRAMA DE FLUORETA&Ccedil;&Atilde;O</b> No Brasil, a cidade de Baixo Gandu (ES)foi a primeira a fluoretar a &aacute;gua em 1953, mas apenas em 1974 a fluoreta&ccedil;&atilde;o se tornaria obrigat&oacute;ria, atrav&eacute;s da Lei Federal nº6050, regulamentada por decreto um ano depois. A Portaria do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de nº 635/BSB (1975) estabelece que, de acordo com as m&eacute;dias das temperaturas m&aacute;ximas di&aacute;rias de cada localidade, variando entre 10ºC e 32,5ºC, a concentra&ccedil;&atilde;o de fl&uacute;or deve variar entre 0,6 e 1,7 partes por milh&atilde;o (ppm). Em 2011, a concentra&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima de fl&uacute;or foi alterada para 1,5ppm, equivalente a 1,5 miligramas de fl&uacute;or por litro de &aacute;gua, atrav&eacute;s da Portaria nº 2.914 do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Na Am&eacute;rica do Sul e na Europa, a maioria dos pa&iacute;ses que possui fluoreta&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, permite no m&aacute;ximo 1,5ppm de fl&uacute;or, enquanto nos Estados Unidos, o Departamento de Sa&uacute;de e Servi&ccedil;os Humanos recomendou em 2011, a concentra&ccedil;&atilde;o de 0,7ppm.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>EFEITOS DO EXCESSO</b> Claudio Miyake, presidente do Conselho Regional de Odontologia de S&atilde;o Paulo (Crosp), em entrevista para o site do conselho (23/01/2015), explica que "a correta quantidade de fl&uacute;or aplicada na &aacute;gua combate a forma&ccedil;&atilde;o de c&aacute;ries. Teores de fl&uacute;or baixos n&atilde;o reduzem c&aacute;ries. Teores altos, por sua vez, s&atilde;o igualmente prejudiciais, podendo levar &agrave; fluorose, prejudicando a forma&ccedil;&atilde;o dent&aacute;ria". A fluorose &eacute; vis&iacute;vel no esmalte dos dentes sob a forma de manchas brancas e em casos mais severos, manchas castanhas. Jaime Aparecido Cury, professor titular de bioqu&iacute;mica da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), esclarece que "a c&aacute;rie n&atilde;o &eacute; provocada pela falta do fl&uacute;or, mas o fl&uacute;or &eacute; o &uacute;nico agente ou subst&acirc;ncia conhecida que &eacute; capaz de controlar a progress&atilde;o das les&otilde;es da doen&ccedil;a". </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Os &uacute;ltimos dados dispon&iacute;veis sobre os &iacute;ndices de c&aacute;rie, apresentados pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, indicam uma melhora no percentual de crian&ccedil;as com 12 anos sem incid&ecirc;ncia de c&aacute;rie, de 31% em 2003 para 44% em 2010. Est&atilde;o em condi&ccedil;&atilde;o desfavor&aacute;vel as crian&ccedil;as que vivem em fam&iacute;lias de menor renda, fato que coincide com a dificuldade de acesso ao sistema de tratamento de &aacute;gua. A m&eacute;dia de dentes cariados nessa faixa et&aacute;ria foi 49% superior em pacientes sem acesso &agrave; &aacute;gua fluoretada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>CONTROV&Eacute;RSIA</b> No Brasil, o Projeto de Lei (6359/2013) de autoria do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) aguarda parecer do relator na Comiss&atilde;o de Seguridade Social e Fam&iacute;lia e quer revogar o uso de fl&uacute;or na &aacute;gua de abastecimento p&uacute;blico. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">No texto do projeto, Bezerra argumenta que a fluoreta&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua de abastecimento p&uacute;blico &eacute; "economicamente injustific&aacute;vel, pois apenas uma pequena parcela dela &eacute; ingerida" e defende que o fl&uacute;or tem mais benef&iacute;cios quando usado topicamente. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">De acordo com a Fluoride Action Network, uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional que se op&otilde;e &agrave; fluoreta&ccedil;&atilde;o, h&aacute; tr&ecirc;s raz&otilde;es para suspender a adi&ccedil;&atilde;o de fl&uacute;or &agrave; &aacute;gua de consumo: o fl&uacute;or &eacute; uma medica&ccedil;&atilde;o; sua a&ccedil;&atilde;o &eacute; t&oacute;pica e n&atilde;o sist&ecirc;mica; e sua adi&ccedil;&atilde;o seria respons&aacute;vel pela fluorose dent&aacute;ria, altera&ccedil;&otilde;es nos ossos, cartilagens e c&eacute;rebro. V&aacute;rios estudos longitudinais, por&eacute;m, ainda n&atilde;o conseguiram chegar a uma conclus&atilde;o definitiva sobre os efeitos adversos, e mesmo aqueles que encontram uma poss&iacute;vel associa&ccedil;&atilde;o sugerem novas pesquisas para confirmar os dados. Atualmente, grande parte da popula&ccedil;&atilde;o brasileira tem acesso ao fl&uacute;or n&atilde;o somente via &aacute;gua de consumo, mas atrav&eacute;s de cremes dentais e alimentos. Por&eacute;m, a m&uacute;ltipla exposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s concentra&ccedil;&otilde;es variadas de fl&uacute;or n&atilde;o alterou o status de cronicidade da c&aacute;rie.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>CONTROLE</b> Um estudo investigou a concentra&ccedil;&atilde;o de fl&uacute;or em 40 cidades paulistas, com fluoreta&ccedil;&atilde;o natural ou artificial. A pesquisa publicada no<i> Journal of Applied Oral Sciences</i>(vol.21, no.1, 2013), determinou que apenas 51,5% das cidades avaliadas possuem concentra&ccedil;&atilde;o adequada de fl&uacute;or. Os resultados parciais, divulgados em janeiro deste ano no site do Crosp, indicam que uma em cada quatro amostras apresenta teor inadequado de fl&uacute;or na &aacute;gua.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Essas falhas podem come&ccedil;ar a ser corrigidas atrav&eacute;s do projeto multic&ecirc;ntrico Vigifl&uacute;or, que est&aacute; coletando dados sistem&aacute;ticos sobre a fluoreta&ccedil;&atilde;o em munic&iacute;pios de m&eacute;dio e grande porte demogr&aacute;fico em todo o pa&iacute;s. Os dados gerados pelo projeto ter&atilde;o acesso p&uacute;blico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Todos esses projetos em diversas fases de desenvolvimento desenhar&atilde;o um mapa mais preciso da condi&ccedil;&atilde;o de fluoreta&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua de consumo no Brasil.</font></p>      ]]></body>
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