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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>ARTIGOS     <br> DESLOCAMENTOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Seguran&ccedil;a p&uacute;blica e fronteiras: apontamentos a partir do "Arco Norte"</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Daniel Hirata</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Professor de sociologia na Universidade Federal Fluminense (UFF)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Um dos elementos que faz das fronteiras lugares estrat&eacute;gicos de pesquisa para se pensar o mundo contempor&acirc;neo &eacute; o que poder&iacute;amos chamar de "efeito bumerangue" (1), quando experi&ecirc;ncias pol&iacute;tico-administrativas situadas em espa&ccedil;os considerados &agrave;s margens das formas governamentais passam a ser incorporadas no centro dos dispositivos de poder. Mais do que simplesmente reverter o sentido ou a dire&ccedil;&atilde;o mais corrente das din&acirc;micas do poder pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico, o que a imagem sugere &eacute; um tr&acirc;nsito que ajuda a informar a maneira pela qual certos "problemas" (2) s&atilde;o refletidos de forma experimental, conectando diferentes espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos. Do ponto de vista das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas brasileiras, um dos "problemas" associados &agrave;s fronteiras que vem ganhando proemin&ecirc;ncia nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas &eacute; a seguran&ccedil;a p&uacute;blica. Pensada, sobretudo, como uma quest&atilde;o cujo centro s&atilde;o os chamados "il&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os", tal categoria associa a inseguran&ccedil;a nas fronteiras a certos circuitos mercantis, sobretudo o tr&aacute;fico de drogas il&iacute;citas, o tr&aacute;fico de pessoas e o contrabando de produtos informais, assim como as suas conex&otilde;es reais ou imagin&aacute;rias com os grandes centros urbanos brasileiros. Por meio da urg&ecirc;ncia que o controle dessas circula&ccedil;&otilde;es imp&otilde;e &agrave; agenda pol&iacute;tica, a repress&atilde;o aos il&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os vem fixando a &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica como espa&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">O "efeito bumerangue" faz os il&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os entrarem em resson&acirc;ncia com a representa&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia urbana (3), que associa e reduz a &aacute;rea da seguran&ccedil;a p&uacute;blica nas grandes metr&oacute;poles ao combate militarizado dos mercados das drogas. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, as pol&iacute;ticas de guerra &agrave;s drogas (4) parecem ter se deslocado com grande rapidez para as fronteiras, na medida em que essas s&atilde;o vistas como os locais de proveni&ecirc;ncia dessas mercadorias em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s grandes cidades como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro. Para entender esse tr&acirc;nsito entre cidades e fronteiras &eacute; preciso estar atento a uma sobreposi&ccedil;&atilde;o de din&acirc;micas antigas e recentes que produzem um hibridismo entre as &aacute;reas da seguran&ccedil;a p&uacute;blica e da defesa nacional (5).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Este artigo pretende contribuir para a reflex&atilde;o cr&iacute;tica desses apontamentos por meio de uma pesquisa realizada nos &uacute;ltimos anos no &acirc;mbito de um conv&ecirc;nio entre o N&uacute;cleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Viol&ecirc;ncia Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Necvu-UFRJ) e a Secretaria Nacional de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (Senasp-MJ) (6). Partindo dos resultados iniciais dessa pesquisa realizada em toda a faixa de fronteira (7) do pa&iacute;s e da reflex&atilde;o acerca das pol&iacute;ticas nas quais a pesquisa se insere, a tentativa ser&aacute; expor algumas das linhas de for&ccedil;a que conformam a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica como um "problema" por meio do caso espec&iacute;fico do chamado Arco Norte do Brasil (8). O objetivo deste artigo ser&aacute; compreender historicamente a maneira pela qual esse espa&ccedil;o-problema do Arco Norte vem sendo pensado atrav&eacute;s de uma grade de legibilidade espec&iacute;fica que, consequentemente, informa o uso de certos instrumentos de interven&ccedil;&atilde;o governamental preferenciais. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, o Arco Norte parece conjugar a centralidade do militarismo no controle dos chamados mercados ilegais, informais e il&iacute;citos e a sua hibridiza&ccedil;&atilde;o com o trabalho policial como as duas pontas de um processo &uacute;nico de constru&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a p&uacute;blica (9).</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">* * *</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Para a elabora&ccedil;&atilde;o desse amplo e in&eacute;dito diagn&oacute;stico da seguran&ccedil;a p&uacute;blica nas fronteiras, o grupo Retis realizou um levantamento de dados secund&aacute;rios de cunho socioecon&oacute;mico e demogr&aacute;fico. O grupo Necvu trabalhou com informa&ccedil;&otilde;es oficiais de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e da criminalidade local, realizou um<i> survey</i> em todas as institui&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e fez trabalho de campo por meio de entrevistas formais e informais, grupo focal, observa&ccedil;&otilde;es diretas com os operadores das institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e os diversos atores da sociedade civil que pudessem auxiliar a elabora&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico (10). Todo esse imenso esfor&ccedil;o foi feito no quadro da Estrat&eacute;gia Nacional de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica nas Fronteiras (Enafron). Portanto, cabe aqui uma breve reflex&atilde;o acerca da emerg&ecirc;ncia desse marco legal que atualmente orienta a maneira pela qual a &aacute;rea da seguran&ccedil;a p&uacute;blica &eacute; pensada para as &aacute;reas fronteiri&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Como uma iniciativa at&eacute; ent&atilde;o in&eacute;dita pela vis&atilde;o integral das fronteiras brasileiras, por meio do Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, criou-se no in&iacute;cio de 2004 o "Programa de Promo&ccedil;&atilde;o de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira". As a&ccedil;&otilde;es inclu&iacute;am o desenvolvimento integrado das sub-regi&otilde;es em que se localizam as cidadesg&ecirc;meas, pensando as rela&ccedil;&otilde;es de intera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses vizinhos via estrutura&ccedil;&atilde;o e dinamiza&ccedil;&atilde;o dos arranjos produtivos, das condi&ccedil;&otilde;es de infraestrutura, da gera&ccedil;&atilde;o de empreendimentos, da forma&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o de agentes p&uacute;blicos, assim como o fortalecimento do associativismo e das formas de organiza&ccedil;&atilde;o sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Observa-se que o "Programa de Promo&ccedil;&atilde;o de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira" tangenciava tamb&eacute;m a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica, uma vez que: "uma an&aacute;lise criteriosa da regi&atilde;o de fronteira (...) demonstra que as amea&ccedil;as ao Estado residem, isto sim, no progressivo esgar&ccedil;amento do tecido social, na mis&eacute;ria que condena importantes segmentos da popula&ccedil;&atilde;o ao n&atilde;o exerc&iacute;cio de uma cidadania plena, no desafio cotidiano perpetrado pelo crime organizado e na falta de integra&ccedil;&atilde;o entre pa&iacute;ses vizinhos. Essas s&atilde;o as principais amea&ccedil;as presentes na faixa de fronteira, que colocam o desenvolvimento regional como estrat&eacute;gia priorit&aacute;ria para a soberania brasileira e a integra&ccedil;&atilde;o continental" (11). O texto de 2004 deixa claro que as pol&iacute;ticas de desenvolvimento eram vistas como uma esp&eacute;cie de anteparo ao enfrentamento da quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica porque se pensava o desenvolvimento socioecon&oacute;mico como uma forma estrat&eacute;gica de enfrentamento dos problemas de seguran&ccedil;a p&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Quase em paralelo a essa iniciativa, diversas experi&ecirc;ncias foram sendo testadas para tratar especificamente das quest&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica no &acirc;mbito da faixa de fronteira. Nesse sentido, em 2008, com vistas ao fortalecimento da seguran&ccedil;a p&uacute;blica nessas regi&otilde;es, a Senasp criou o Projeto de Policiamento Especializado na Fronteira (Pefron), ap&oacute;s algumas iniciativas que objetivavam combater o crime de roubo de gado, recorrente no Rio Grande do Sul. Trata-se do in&iacute;cio das discuss&otilde;es sobre o papel a ser desempenhado pelos &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a p&uacute;blica na regi&atilde;o fronteiri&ccedil;a, quando se incentivou a cria&ccedil;&atilde;o de grupos especializados na atua&ccedil;&atilde;o repressiva e preventiva para o enfrentamento dos crimes ali recorrentes. Serviram como modelo as experi&ecirc;ncias de dois estados: Mato Grosso do Sul, criador do Departamento de Opera&ccedil;&otilde;es de Fronteira (DOF), e do Mato Grosso, que inaugurou o Grupo Especial de Seguran&ccedil;a de Fronteira (Gefron) (12).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">O Pefron foi encerrado, mas continuaram as iniciativas para fortalecer a seguran&ccedil;a p&uacute;blica nas fronteiras. Um novo patamar de prioriza&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o na &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica foi alcan&ccedil;ado alguns anos mais tarde, com a institui&ccedil;&atilde;o do Plano Estrat&eacute;gico de Fronteiras e do Programa Enafron. O Plano Estrat&eacute;gico de Fronteira foi formalizado em junho de 2011 e a ades&atilde;o dos estados se deu em dezembro de 2011, conforme determina&ccedil;&atilde;o contida no Decreto nº 7.496 (12). Caracteriza-se pelo planejamento de a&ccedil;&otilde;es integradas entre &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e defesa e &eacute; liderado pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a e pelo Minist&eacute;rio da Defesa, buscando implantar a&ccedil;&otilde;es federativas entre a Uni&atilde;o, os estados e os munic&iacute;pios situados na faixa de fronteira, mediante a formula&ccedil;&atilde;o de projetos estruturantes e a&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o internacional. O principal objetivo do Enafron &eacute; intensificar o controle e a fiscaliza&ccedil;&atilde;o nas fronteiras, de forma a "fortalecer a preven&ccedil;&atilde;o, o controle e a repress&atilde;o dos delitos transfronteiri&ccedil;os e outros delitos praticados nas regi&otilde;es da fronteira brasileira, em parceria com estados e munic&iacute;pios". </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">A introdu&ccedil;&atilde;o das categorias de "delitos transfronteiri&ccedil;os", ou seu equivalente "il&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os", acabou por produzir impactos na economia local dada a centralidade que o controle da circula&ccedil;&atilde;o de certas mercadorias e pessoas passaram a ocupar nas pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a p&uacute;blica. No caso do Arco Norte brasileiro, essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; emblem&aacute;tica, pois o rigor desse controle, ainda que relativo, dadas as condi&ccedil;&otilde;es de implementa&ccedil;&atilde;o da infraestrutura de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; pode ser percebido em alguns setores da pesca e da agricultura de subsist&ecirc;ncia, assim como na incipiente exporta&ccedil;&atilde;o desses produtos &agrave;s cidades lindeiras da fronteira – como &eacute; o caso em certos lugares de pesca do "peixe liso" (peixe de couro) e da produ&ccedil;&atilde;o da farinha de mandioca. Isso n&atilde;o significa que a quest&atilde;o do desenvolvimento desapareceu do horizonte pol&iacute;tico do Estado brasileiro ou que foi suplantado pela quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica, mas &eacute; not&aacute;vel que uma s&eacute;rie de tens&otilde;es se sobrep&otilde;em a antigas quest&otilde;es que articulam seguran&ccedil;a e desenvolvimento no Arco Norte.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Historicamente, a regi&atilde;o foi marcada pela avalia&ccedil;&atilde;o de que se tratava de enormes extens&otilde;es de "espa&ccedil;os vazios" a serem "povoados", mas tamb&eacute;m por grandes projetos de desenvolvimento econ&ocirc;mico, seguindo a m&aacute;xima de "ocupar para n&atilde;o entregar", nem sempre bem sucedidos em diversos aspectos: falta de planejamento e integra&ccedil;&atilde;o efetiva com os mercados internos e internacionais, aus&ecirc;ncia de uma previs&atilde;o do impacto social e ambiental e, no mais das vezes, o abandono desses grandes investimentos ao longo do tempo. Esse foi o caso do Projeto Jari no Amap&aacute; e do Projeto Calha Norte, para ficar apenas em alguns exemplos do s&eacute;culo XX, e tem sido o caso da constru&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas e dos projetos de explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo atualmente. Ao largo do desenvolvimentismo do passado e do presente encontramos popula&ccedil;&otilde;es inteiras que procuram sobreviver em meio a uma economia incipiente e pouco articulada com o restante do pa&iacute;s, o que n&atilde;o significa que n&atilde;o seja importante e vital para os seus habitantes: a circula&ccedil;&atilde;o de pessoas e mercadorias, feita sobretudo por meio dos rios, sempre foi estruturadora das trocas e intera&ccedil;&otilde;es sociais que se conformam na regi&atilde;o, tanto no &acirc;mbito do territ&oacute;rio nacional como em suas rela&ccedil;&otilde;es com os pa&iacute;ses vizinhos ao Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">As quest&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, que porventura possam bloquear ou dificultar essa rede de trocas t&atilde;o importante para o Arco Norte, correm o risco de produzir efeitos delet&eacute;rios n&atilde;o apenas para a economia da regi&atilde;o como tamb&eacute;m para a pr&oacute;pria &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica. Se &eacute; verdade que em certos lugares o fluxo de mercadorias il&iacute;citas ou do contrabando utilizam os mesmos caminhos das mercadorias legais, tamb&eacute;m &eacute; verdade que a maior parte dessas circula&ccedil;&otilde;es &eacute; feita por pessoas que procuram t&atilde;o somente trabalhar e viver. Por isso, na medida em que as quest&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica passam a bloquear o extenso sistema de trocas que conforma o Arco Norte, seu impacto na economia local &eacute; muito intenso. De outro lado, a heran&ccedil;a e a atualiza&ccedil;&atilde;o do desenvolvimentismo vem produzindo uma estrutura&ccedil;&atilde;o conflitiva que produz boa parte dos problemas de seguran&ccedil;a p&uacute;blica que se encontram atualmente no Arco Norte. Isto porque refor&ccedil;am as grandes desigualdades sociais que formaram alian&ccedil;as entre poderosos grupos pol&iacute;ticos, comerciais e empresariais que transitam entre a ilegalidade e a delinqu&ecirc;ncia e atuam de forma pouco republicana com as popula&ccedil;&otilde;es relegadas a conviver com diversas formas de viol&ecirc;ncia sociais e pol&iacute;ticas (13).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Cabe destacar, como afirma Fernando Rabossi, membro da coordena&ccedil;&atilde;o nacional da pesquisa (6), a maneira pela qual essas articula&ccedil;&otilde;es entre desenvolvimento, seguran&ccedil;a p&uacute;blica e defesa nacional s&atilde;o atualizadas nas mais recentes pol&iacute;ticas voltadas para as fronteiras: "a mudan&ccedil;a reflete o lugar que as fronteiras passaram a ocupar na agenda pol&iacute;tica, tanto para atender a demanda interna – a den&uacute;ncia da proced&ecirc;ncia externa de drogas e armas nas cidades do pa&iacute;s – como para se posicionar internacionalmente"(14). Ao procurar se alinhar &agrave; agenda e ao formato internacional de combate ao tr&aacute;fico de drogas, o tr&aacute;fico de pessoas (15) e do contrabando, na tentativa de se constituir como "<i>player</i>" na geopol&iacute;tica mundial, podemos dizer que as sobreposi&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas recentes ao legado da atua&ccedil;&atilde;o estatal no Arco Norte desloca-se de um projeto de desenvolvimento que apenas tangenciava a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica, na medida em que n&atilde;o lhe conferia autonomia, para um projeto de seguran&ccedil;a que tangencia perigosamente a quest&atilde;o do desenvolvimento, pela possibilidade de entrar em conflito com a economia e com o sistema de trocas local.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">&Eacute; muito importante, contudo, (re)situar o plano de atualidade das passagens entre seguran&ccedil;a e defesa em um campo novo, h&iacute;brido e articulado. Nesse sentido, Didier Bigo mostra em pesquisa recente que a converg&ecirc;ncia entre aparatos policiais e militares &eacute; uma din&acirc;mica internacional, que passa pela converg&ecirc;ncia de discursos, doutrinas e t&eacute;cnicas dos profissionais da seguran&ccedil;a (policiais e militares) no mundo p&oacute;s 1989, especialmente com a queda do Muro de Berlim, o decl&iacute;nio da ex-URSS, as guerras do Golfo e da Iugosl&aacute;via. Neste mundo n&atilde;o mais ordenado segundo a l&oacute;gica bipolar, as distin&ccedil;&otilde;es entre amea&ccedil;a interna e externa parecem se encontrar como em uma fita de Moebius (16) por diversas raz&otilde;es: em primeiro lugar os profissionais da defesa nacional come&ccedil;am a procurar internamente os inimigos externos e os profissionais da seguran&ccedil;a passam a olhar externamente as amea&ccedil;as para a seguran&ccedil;a interna, cujos exemplos mais evidentes s&atilde;o as pol&iacute;ticas de guerra &agrave;s drogas, a amea&ccedil;a do crime organizado transnacional, do tr&aacute;fico de pessoas e do terrorismo. Em segundo lugar, o tipo de guerra atual, n&atilde;o mais guerra aberta entre na&ccedil;&otilde;es mas sim feita em espa&ccedil;os urbanos e figurada como interven&ccedil;&otilde;es pontuais, produz um campo comum de atua&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e tecnol&oacute;gica entre policiais e militares. Por fim, as estruturas cooperativas e coordenadas de atua&ccedil;&atilde;o aparecem como vantajosas do ponto de vista dos custos para o or&ccedil;amento estatal, fato que mudou as rela&ccedil;&otilde;es institucionais entre as &aacute;reas da seguran&ccedil;a p&uacute;blica e da defesa em diversos pa&iacute;ses (17).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> No caso brasileiro s&atilde;o conhecidas e not&oacute;rias, j&aacute; h&aacute; muito tempo, as passagens hist&oacute;ricas entre pr&aacute;ticas e culturas institucionais das for&ccedil;as armadas e das pol&iacute;cias estaduais (18). &Eacute; conhecida a heran&ccedil;a militar da forma&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;cias brasileiras: foram concebidas como for&ccedil;as da reserva do ex&eacute;rcito, treinadas pelas for&ccedil;as armadas e, posteriormente, utilizadas durante o regime de exce&ccedil;&atilde;o como pol&iacute;cia ostensiva contra a amea&ccedil;a da chamada "subvers&atilde;o pol&iacute;tica". A heran&ccedil;a da doutrina militar, orientada n&atilde;o &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o p&uacute;blico de seguran&ccedil;a e &agrave; prote&ccedil;&atilde;o ao cidad&atilde;o, mas sim para o combate aos "inimigos internos" &eacute; um tema amplamente estudado como parte das dificuldades de implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a no contexto democr&aacute;tico brasileiro e analisada como parte dos resqu&iacute;cios autorit&aacute;rios presentes nas institui&ccedil;&otilde;es do estado democr&aacute;tico de direito no Brasil. Contudo, as pol&iacute;ticas voltadas &agrave; prote&ccedil;&atilde;o das fronteiras brasileiras a partir da metade dos anos 2000 s&atilde;o especialmente reveladoras da vitaliza&ccedil;&atilde;o dessa rela&ccedil;&atilde;o por meio de din&acirc;micas internacionais de hibridiza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas da defesa e da seguran&ccedil;a p&uacute;blica, como tamb&eacute;m no combate aos chamados il&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Mas nada disso teria sido poss&iacute;vel sem o engajamento de importantes lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas das grandes metr&oacute;poles brasileiras: a rela&ccedil;&atilde;o entre os grandes centros urbanos e as fronteiras emerge, de forma importante, por meio de uma avalia&ccedil;&atilde;o e um discurso muito agressivo dos governadores e secret&aacute;rios de seguran&ccedil;a de cidades como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro de que seria ineficaz combater o "crime organizado" nessas cidades se o fluxo de drogas n&atilde;o fosse interrompido nas fronteiras. O governador de S&atilde;o Paulo, Geraldo Alckmin, se pronunciou em diversas oportunidades afirmando que as fronteiras estavam "totalmente abertas" e que a maior responsabilidade pelo controle do tr&aacute;fico de drogas seria do governo federal: "S&atilde;o Paulo produz cana, laranja, soja, milho, caf&eacute;, n&atilde;o produz coca&iacute;na" (19). Jos&eacute; Mariano Beltrame, secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a do Rio de Janeiro, em um momento recente de crise das Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadoras UPP's disse que "seria necess&aacute;rio pensar seguran&ccedil;a de forma ampla no controle da fronteira" (19). Marcelo Freixo, ao criticar a mesma pol&iacute;tica das UPP's na cidade do Rio de Janeiro como forma de "criminaliza&ccedil;&atilde;o da pobreza", afirmou que "&eacute; preciso patrulhar a ba&iacute;a de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo neg&oacute;cio das armas e drogas &eacute; m&aacute;fia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado." (19).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Neste sentido o controle de fronteiras acabou sendo uma resposta t&eacute;cnica e pol&iacute;tica. Em um primeiro sentido, pol&iacute;tica, porque os governos estaduais procuravam se resguardar de suas responsabilidades, compartilhando-as com as autoridades federais. Mas ao mesmo tempo, t&eacute;cnica, com a utiliza&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es de expertise que constru&iacute;ram um novo design institucional a partir da atua&ccedil;&atilde;o conjunta de operadores anteriormente imbu&iacute;dos separadamente das quest&otilde;es da seguran&ccedil;a p&uacute;blica e da defesa nacional. Na conflu&ecirc;ncia entre essas respostas t&eacute;cnicas e pol&iacute;ticas, constr&oacute;i-se uma grade de legibilidade espec&iacute;fica de combate ao "crime organizado transnacional" e, consequentemente, informa-se o uso de certos instrumentos de interven&ccedil;&atilde;o governamental preferenciais (20) que, neste caso, imp&otilde;em a centralidade do militarismo no controle dos chamados "il&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">&Eacute; importante destacar, contudo, que a incid&ecirc;ncia desses instrumentos preferenciais segue uma seletividade espec&iacute;fica: a &aacute;rea onde se concentram os maiores esfor&ccedil;os de atua&ccedil;&atilde;o repressiva s&atilde;o os mercados das drogas il&iacute;citas que, no caso brasileiro, se sobrep&otilde;em de forma muito menos evidente ao tr&aacute;fico de pessoas, como &eacute; o caso em outros pa&iacute;ses do chamado Norte Global. Dado que esses mercados s&atilde;o vistos como feitos por grupos brasileiros provenientes das grandes cidades, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, e sendo esses os alvos principais das pol&iacute;ticas mais recentes de seguran&ccedil;a p&uacute;blica para as fronteiras, &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre cidades e fronteiras para o caso espec&iacute;fico do mercado de drogas que segue essa tend&ecirc;ncia principal de militariza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Ocorre que essa resposta de guerra e combate ao tr&aacute;fico de drogas que emana em parte das grandes cidades brasileiras encontra ampla resson&acirc;ncia nas cidades e estados de fronteira na medida em que, sobretudo no Arco Norte, em muitos casos a presen&ccedil;a mais antiga e mais estruturada do Estado brasileiro se faz por meio dos aparatos institucionais das for&ccedil;as armadas. Diversas cidades da regi&atilde;o Norte se formaram a partir de pelot&otilde;es de fronteira, instalados como parte de uma estrat&eacute;gia de manuten&ccedil;&atilde;o das fronteiras em regi&otilde;es "pouco povoadas" ou ainda como postos de controle da circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias n&atilde;o autorizadas pelo governo central. Essa sobreposi&ccedil;&atilde;o entre cidades e bases das for&ccedil;as armadas n&atilde;o &eacute; casual pois a geografia dos rios no Arco Norte sempre orientou a circula&ccedil;&atilde;o de diferentes produtos e a defesa da soberania nacional. S&atilde;o exemplos deste tipo de sobreposi&ccedil;&atilde;o as cidades de Tabatinga (AM), Tef&eacute; (AM), Oiapoque (AP) e S&atilde;o Gabriel da Cachoeira (AM), importantes cidades fronteiri&ccedil;as cujo povoamento esteve ligado &agrave; presen&ccedil;a militar que, por sua vez, mantinha liga&ccedil;&otilde;es cruzadas com as &aacute;reas da defesa e da seguran&ccedil;a, no controle do contrabando e de invas&otilde;es estrangeiras. O momento atual refor&ccedil;a essa tend&ecirc;ncia de povoamento via instala&ccedil;&atilde;o de bases militares em diversos lugares do Arco Norte, por exemplo nos eixos dos rios I&ccedil;&aacute;/Putumayo, dos rios Japur&aacute;/ Caquet&aacute;, dos rios Javari/Yavari, onde novos assentamentos se formam ao redor de pelot&otilde;es de fronteira pensados tanto para a defesa do territ&oacute;rio nacional como para o controle dos il&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Dessa forma, mesmo que nem sempre as rela&ccedil;&otilde;es entre militares e popula&ccedil;&atilde;o local tenham sido amig&aacute;veis, sobretudo no que diz respeito aos povos ind&iacute;genas, &eacute; ineg&aacute;vel que se trata de uma institui&ccedil;&atilde;o central para a compreens&atilde;o da presen&ccedil;a governamental nesses lugares, com grande prest&iacute;gio e influ&ecirc;ncia nos destinos desses espa&ccedil;os. Essa influ&ecirc;ncia foi legalmente ampliada em 2010 por meio da atribui&ccedil;&atilde;o dos poderes de pol&iacute;cia ao ex&eacute;rcito na faixa de fronteira. Atrav&eacute;s dessas novas atribui&ccedil;&otilde;es, o ex&eacute;rcito pode atuar de forma indistinta e com irrestrito amparo jur&iacute;dico nas &aacute;reas da seguran&ccedil;a p&uacute;blica e da defesa nacional. Dessa maneira, durante as opera&ccedil;&otilde;es de patrulhamento de fronteiras ou mesmo no curso de suas atividades cotidianas, o ex&eacute;rcito pode tamb&eacute;m atuar na fiscaliza&ccedil;&atilde;o de ocorr&ecirc;ncias policiais, com especial aten&ccedil;&atilde;o para o contrabando, o descaminho e o tr&aacute;fico de drogas. Essa atribui&ccedil;&atilde;o foi feita tendo em vista a utiliza&ccedil;&atilde;o da infraestrutura do ex&eacute;rcito nas regi&otilde;es fronteiri&ccedil;as, muito superior &agrave;quela das pol&iacute;cias (21).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">A superioridade log&iacute;stica e dos meios de atua&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a a recorrente percep&ccedil;&atilde;o dos operadores das institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e de muitos membros da sociedade civil acerca da "voca&ccedil;&atilde;o natural" do ex&eacute;rcito para as regi&otilde;es de fronteira. De fato, ao contr&aacute;rio da maior parte dos operadores das institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, que veem o trabalho em regi&otilde;es de fronteira como um "castigo", nas for&ccedil;as armadas &eacute; considerado um grande privil&eacute;gio atuar no Arco Norte. Al&eacute;m do trabalho nessas regi&otilde;es conferir prest&iacute;gio profissional pelo fato de ser considerada uma regi&atilde;o estrat&eacute;gica para o ex&eacute;rcito, seus profissionais s&atilde;o recompensados com gratifica&ccedil;&otilde;es salariais e suporte na instala&ccedil;&atilde;o para suas fam&iacute;lias. Em tais condi&ccedil;&otilde;es, o conhecido problema da rotatividade dos agentes da seguran&ccedil;a p&uacute;blica ocorre de forma muito mais amenizado nas for&ccedil;as armadas, favorecendo os la&ccedil;os e o enraizamento da institui&ccedil;&atilde;o nas cidades onde est&atilde;o instalados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">De outro lado, &eacute; importante dizer que, mesmo internamente &agrave;s for&ccedil;as armadas, a atua&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito como for&ccedil;a policial &eacute; uma quest&atilde;o tecnicamente delicada e controversa. Alguns comandantes entrevistados para esta pesquisa se posicionaram de forma contr&aacute;ria &agrave;s novas atribui&ccedil;&otilde;es pelas especificidades da institui&ccedil;&atilde;o, tomando como exemplo a experi&ecirc;ncia de atua&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito em grandes cidades, considerada internamente como pouco exitosa pela n&atilde;o adapta&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas urbanas e entre popula&ccedil;&otilde;es civis. De toda maneira, o fato &eacute; que pouco a pouco essas novas atribui&ccedil;&otilde;es v&atilde;o fazendo parte da rotina do trabalho militar nas fronteiras do Arco Norte. Ao acompanhar os exerc&iacute;cios da Opera&ccedil;&atilde;o &Aacute;gata, maior exerc&iacute;cio de treinamento interag&ecirc;ncia da faixa de fronteira, &eacute; clara a lideran&ccedil;a exercida pela coordena&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito. Na articula&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica que a Opera&ccedil;&atilde;o &Aacute;gata promove, todo o rearranjo institucional encontra em seu centro o ex&eacute;rcito e, desta maneira, todo o trabalho de combate aos l&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os &eacute; coordenado por esta institui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Por essas raz&otilde;es, a militariza&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica nas regi&otilde;es de fronteira, especialmente no Arco Norte brasileiro, &eacute; uma pr&aacute;tica imanente &agrave; hist&oacute;ria e &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es atuais de atua&ccedil;&atilde;o no combate aos il&iacute;citos transfronteiri&ccedil;os. As novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o da "guerra &agrave;s drogas", que articulam nacional e internacionalmente a rela&ccedil;&atilde;o entre defesa nacional e seguran&ccedil;a p&uacute;blica, t&ecirc;m ampla resson&acirc;ncia hist&oacute;rica, respaldo pol&iacute;tico e amparo t&eacute;cnico para que possam se ampliar e se consolidar nos espa&ccedil;os de fronteira do Arco Norte. Nesse sentido, a fronteira &eacute; uma esp&eacute;cie de "laborat&oacute;rio" da militariza&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica no Brasil e pode produzir o "efeito bumerangue" em dire&ccedil;&atilde;o aos grandes centros urbanos. Em cidades como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro a met&aacute;fora da guerra (22) foi pensada em seus efeitos delet&eacute;rios para a presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e prote&ccedil;&atilde;o ao cidad&atilde;o, conformando um acordo t&aacute;cito de que o controle de certos mercados passaria necessariamente pela suspens&atilde;o dos direitos civis de certas parcelas da popula&ccedil;&atilde;o. No caso das fronteiras do Arco Norte, entretanto, n&atilde;o se trata de uma met&aacute;fora, mas sim de uma pr&aacute;tica pol&iacute;tico-administrativa ordin&aacute;ria em constru&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 1. Foucault, M.<i> Em defesa da sociedade.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 2. Um "problema" ou "problematiza&ccedil;&atilde;o" diz respeito a uma forma de constru&ccedil;&atilde;o dos objetos de pesquisa que segue de perto a maneira pela qual Michel Foucault definiu diversas vezes o contorno singular de seu pensamento e seu trabalho hist&oacute;rico. Ver: Foucault, M.<i> Dits et</i>&eacute;crits. Paris: Gallimard.2003. Entre outros textos importantes sobre o assunto no comp&ecirc;ndio, destaca-se "Pol&eacute;mique, politique et probl&eacute;matisation " (texto 342 do tomo IV).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 3. Para Machado da Silva a viol&ecirc;ncia urbana &eacute; uma representa&ccedil;&atilde;o e, portanto, um objeto e n&atilde;o um conceito. Ver: Machado da Silva, L.A. "Viol&ecirc;ncia urbana: representa&ccedil;&atilde;o de uma ordem social". In: Nascimento, E.P.; Barreira, I. (org.).<i> Brasil urbano: cen&aacute;rios da ordem e da desordem.</i> Rio de Janeiro: Notrya. 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 4. Rodrigues, T.M.S.<i> Pol&iacute;tica e drogas nas Am&eacute;ricas.</i> Educ/Fapesp. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 5. Graham, S.<i> Cities under siege: the new military urbanism.</i> Verso, 2010.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 6. A coordena&ccedil;&atilde;o geral da pesquisa foi realizada pelo professor Michel Misse, em um trabalho articulado dos grupos Necvu-UFRJ e Retis-UFRJ. O grupo Retis-UFRJ foi coordenado pela professora Lia Os&oacute;rio Machado, juntamente com o(a)s pesquisadores Rebeca Steiman e L&iacute;cio Caetano do Rego Monteiro. Os membros do grupo Necvu-UFRJ foram, al&eacute;m do professor Michel Misse, o(a)s pesquisadores Joana Domingues Vargas, Fernando Rabossi, Br&iacute;gida Renoldi, Carolina Grillo, Felipe Zilli, Klarissa Almeida Silva e Jeferson Scabio. Os dados utilizados neste artigo foram fruto de um longo esfor&ccedil;o conjunto desses pesquisadores que fizeram todo o trabalho de forma coletiva e aos quais eu sou grato por cada linha e reflex&atilde;o aqui expressa. Os eventuais erros ou problemas do texto s&atilde;o de inteira responsabilidade do autor.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 7. A faixa de fronteira abrange o conjunto de munic&iacute;pios localizados na &aacute;rea que compreende os 150 km da linha de fronteira do Brasil em dire&ccedil;&atilde;o ao interior do pa&iacute;s. A linha de fronteira &eacute; estimada atualmente em 16.886 km, atravessando 11 estados brasileiros e abrangendo 27% do territ&oacute;rio nacional.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 8. O Arco Norte &eacute; uma categoria socioespacial muito utilizada na gest&atilde;o governamental das fronteiras que re&uacute;ne o Par&aacute;, Amap&aacute;, Roraima, Amazonas e Acre, imaginando-os como uma regi&atilde;o coerente. Ver Grupo Retis (11). Proposta de reestrutura&ccedil;&atilde;o do programa de desenvolvimento da faixa de fronteira. Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional. 2005.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 9. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, a compreens&atilde;o de din&acirc;micas cruzadas entre policiais e militares no tempo e no espa&ccedil;o me parece acompanhar o artigo de Liliana Sanjurjo e Gabriel Feltran neste mesmo N&uacute;cleo Tem&aacute;tico da revista<i> Ci&ecirc;ncia e Cultura.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">10. Para maiores informa&ccedil;&otilde;es sobre a pesquisa ver: Necvu. "Relat&oacute;rio da pesquisa "Seguran&ccedil;a P&uacute;blica nas Fronteiras". Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 11. Grupo Retis.<i> Proposta de reestrutura&ccedil;&atilde;o do programa de desenvolvimento da faixa de fronteira.</i> Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 12. Brasil. Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. "Plano do Programa Enafron". 2012.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 13. A pesquisa "Seguran&ccedil;a P&uacute;blica nas Fronteiras" identificou o tr&aacute;fico de drogas, feito sobretudo na escala atacadista, como uma atividade ligada a certos grupos de influ&ecirc;ncia compostos pela elite local, enquanto que os problemas do Arco Norte na &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica s&atilde;o: a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, em particular a viol&ecirc;ncia contra a mulher e contra a crian&ccedil;a e o adolescente; os conflitos interpessoais, com especial import&acirc;ncia para as brigas de bar e o fen&ocirc;meno das "galeras"; os crimes contra a propriedade como o furto e roubo a transeunte, de ve&iacute;culos e &agrave; resid&ecirc;ncia; as disputas de terras, os crimes ambientais, os problemas relacionados &agrave; minera&ccedil;&atilde;o e, por fim, todas as quest&otilde;es que envolvem as popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, o segmento mais vulner&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o a uma s&eacute;rie dos problemas acima apontados.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">14. Jornal<i> Folha de S.Paulo.</i> "As fronteiras n&atilde;o merecem ser tratadas como periferia". 2 de Junho de 2013.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">15. Para entender as rela&ccedil;&otilde;es entre as pol&iacute;ticas brasileiras e internacionais no que diz respeito ao tr&aacute;fico de pessoas ver, neste mesmo N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, o artigo de Adriana Piscitelli e Laura Lowenkron.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">16. A fita de moebius &eacute; uma representa&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica do encontro das duas faces de uma fita feita por Asher que, posteriormente, passou a simbolizar o infinito.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 17. Bigo, D. &#171;  La mondialisation de la (in) s&eacute;curit&eacute;: r&eacute;flexions sur le champ des professionnels de la gestion des inqui&eacute;tudes et analytique de la transnationalisation des processus de la (in)s&eacute;curit&eacute; &#187;.<i> Culture et Conflit,</i> 58, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">18. Kant	 de Lima, R.<i> Ensaios de antropologia e direito.</i> Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2008.    <!-- ref --> Misse, M. "Malandros, marginais e vagabundos e a acumula&ccedil;&atilde;o social da viol&ecirc;ncia no Rio de Janeiro". Rio de Janeiro: Tese (doutorado em sociologia - luperj). 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">19. Jornal<i> Folha de S. Paulo.</i> "Alckmin culpa gest&atilde;o federal por 'epidemia de drogas' ". 23 de maio de 2013.    <!-- ref --> Revista<i> Veja.</i> "Beltrame cobra fiscaliza&ccedil;&atilde;o nas fronteiras e nova lei de execu&ccedil;&otilde;es penais" 30 de novembro de 2010.    <!-- ref --> Jornal<i> Folha de S.Paulo.</i> "N&atilde;o haver&aacute; vencedores" 28 de novembro de 2010.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">20. Lascoumes,	 P. &amp; Patrick L. G..<i> Gouverner par les instruments.</i> Paris: Presses de Sciences Po., 2005. Uma abordagem semelhante ao pensar as formas de legibilidade e instrumenta&ccedil;&atilde;o, para o caso de "refugiados" e "favelados", pode ser encontrado no artigo de Adriana Viana e &Aacute;ngela Facundo, neste mesmo N&uacute;cleo Tem&aacute;tico.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> 21. Na pesquisa "Seguran&ccedil;a P&uacute;blica nas Fronteiras" foi constatado que o Arco Norte caracteriza-se pela dimens&atilde;o continental, as conex&otilde;es prioritariamente fluviais e a baixa densidade populacional, urbana e institucional, com impactos na economia da &aacute;rea, seja ela legal ou ilegal, assim como nas din&acirc;micas da criminalidade local. Frente a este cen&aacute;rio, as pol&iacute;cias e demais &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o encontram grandes dificuldades log&iacute;sticas, de efetivo e de equipamentos para exercer as suas atribui&ccedil;&otilde;es. De outro lado, a institui&ccedil;&atilde;o mais bem amparada do ponto de vista dos recursos e infraestrutura foi as for&ccedil;as armadas.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">22. Leite, M.P. "Para al&eacute;m da met&aacute;fora da guerra. Percep&ccedil;&otilde;es sobre cidadania, viol&ecirc;ncia e paz no Graja&uacute;, um bairro carioca". Tese (doutorado em sociologia - UFRJ). 2001.    </font></p>      ]]></body><back>
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