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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estrangeiros no Brasil: missão Paz em São Paulo acolhe imigrantes até a legalização]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS    <br>   DESLOCAMENTOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Estrangeiros no Brasil: miss&atilde;o Paz em S&atilde;o Paulo acolhe imigrantes at&eacute; a legaliza&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Viviane Lucio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">O Censo de 2010, apontou que o Brasil recebeu 268,5 mil imigrantes, dos quais 174,6 mil (65% do total) eram brasileiros que retornaram do exterior - a chamada imigra&ccedil;&atilde;o de retorno. S&atilde;o Paulo, figura como o estado que mais recebeu imigrantes com a cifra de 81.682 pessoas, sendo a capital o principal destino, apesar de outras cidades se tornam atraentes pela forte economia e oportunidades de emprego, como a fabrica&ccedil;&atilde;o de joias e semijoias em Limeira ou a ind&uacute;stria t&ecirc;xtil de Americana. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Muitos chegam ao pa&iacute;s com uma proposta de trabalho, como &eacute; o caso de muitos bolivianos, trazidos por familiares ou agenciadores para trabalhar nas oficinas de costura. Outros, por&eacute;m, sem destino certo, s&atilde;o recebidos pela Pastoral do Migrante, no centro de S&atilde;o Paulo, uma das institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pela acolhida dos imigrantes na capital paulista. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">A Pastoral &eacute; um dos bra&ccedil;os da Miss&atilde;o Paz, que &eacute; coordenada pela Igreja Cat&oacute;lica do seguimento scalabriano. A igreja Nossa Senhora da Paz foi constru&iacute;da por imigrantes italianos em 1940. Assim, a institui&ccedil;&atilde;o tem em sua g&ecirc;nese a acolhida, primeiro, da comunidade italiana que se reunia para cultivar suas ra&iacute;zes. Posteriormente, durante o regime ditatorial, a igreja come&ccedil;ou a abrigar, em seu espa&ccedil;o, os exilados pol&iacute;ticos latinos do regime militar. Por&eacute;m, foi em 1977, a pedido de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de S&atilde;o Paulo, que o Centro Pastoral do Migrante - denomina&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca - passou a acolher imigrantes sul-americanos em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. A institui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m j&aacute; abrigava a migra&ccedil;&atilde;o de brasileiros, em especial o fluxo da popula&ccedil;&atilde;o nordestina. Dessa forma, a entidade se tornou uma refer&ecirc;ncia e aumentou a gama de servi&ccedil;os prestados &agrave; comunidade. Hoje, a Miss&atilde;o Paz &eacute; composta por quatro diferentes n&uacute;cleos com finalidades distintas, Casa do Migrante, Centro Pastoral e de Media&ccedil;&atilde;o dos Migrantes, Centro de Estudos Migrat&oacute;rios e as par&oacute;quias Nossa Senhora da Paz, Latino Americana e Italiana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">A Casa do Migrante &eacute; um ambiente que abriga imigrantes e refugiados, por per&iacute;odo indeterminado, at&eacute; documenta&ccedil;&atilde;o e empregos serem conseguidos. Esse espa&ccedil;o conta com 110 leitos divididos em ala masculina e feminina, banheiros, &aacute;rea para as crian&ccedil;as e um grande espa&ccedil;o de confraterniza&ccedil;&atilde;o. O Centro Pastoral e de Media&ccedil;&atilde;o dos Migrantes (CPMM) &eacute; o eixo legal, onde os imigrantes s&atilde;o atendidos por advogados e profissionais que v&atilde;o regularizar a situa&ccedil;&atilde;o e depois promover encontros entre empregador e o imigrante, para tramita&ccedil;&otilde;es de emprego. A Miss&atilde;o Paz &eacute; sustentada pela Igreja Cat&oacute;lica e por doa&ccedil;&otilde;es de fi&eacute;is e de interessados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">M&ocirc;nica Quenca, assistente social da Miss&atilde;o Paz, diz que h&aacute; in&uacute;meras possibilidades de regulariza&ccedil;&atilde;o de perman&ecirc;ncia, como o Acordo do Mercosul, raz&otilde;es humanit&aacute;rias, c&ocirc;njuge, por prole (filho em solo brasileiro), ou solicitantes de ref&uacute;gio. Ela diz, ainda, que cada situa&ccedil;&atilde;o &eacute; espec&iacute;fica e no caso dos refugiados, que muitas vezes chegam sem documenta&ccedil;&atilde;o, a tramita&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; Nacional para Refugiados demora para deferir a decis&atilde;o: "A solicita&ccedil;&atilde;o de ref&uacute;gio pode demorar at&eacute; 18 meses para receber o parecer favor&aacute;vel ou n&atilde;o. Vale ressaltar que durante o tempo em que o solicitante de ref&uacute;gio aguarda o resultado de seu processo, tem autoriza&ccedil;&atilde;o do governo federal para trabalhar e estudar". Quando um pedido de visto &eacute; negado pelas autoridades brasileiras, a institui&ccedil;&atilde;o avisa os imigrantes sobre a data para o retorno ao pa&iacute;s de origem, de forma que n&atilde;o abriga o imigrante, que se torna ilegal perante a lei. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Esse eixo ainda &eacute; respons&aacute;vel por oferecer cursos e ensino da l&iacute;ngua portuguesa. O atendimento ainda se estende &agrave; sa&uacute;de e a atendimentos psicol&oacute;gicos, pois muitos chegam &agrave; institui&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de extrema vulnerabilidade. O Centro de Estudos Migrat&oacute;rios (CEM) realiza estudos a partir das realidades que desfilam pela Casa do Migrante e publica a revista<i> Travessia,</i> exclusivamente focada no tema de imigra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; no Brasil, mas no mundo. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Segundo M&ocirc;nica, a diversidade de nacionalidades atendidas pela Miss&atilde;o &eacute; muito variada e torna o Brasil um destino previs&iacute;vel, devido &agrave;s suas leis: "Nosso atendimento &eacute; sazonal. Depende do est&aacute; acontecendo pelo mundo, se h&aacute; conflitos armados, problemas socioambientais ou miserabilidade extrema em alguma parte do mundo e isto provoque um &ecirc;xodo, com certeza o Brasil, por suas leis, &eacute; alvo da procura dessas pessoas".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Segundo o site da Miss&atilde;o Paz, em 014, foram feitos cerca de 6.888 atendimentos, que est&atilde;o listados no balan&ccedil;o anual de atendimentos individuais de imigrantes. Estes s&atilde;o de pa&iacute;ses como Bol&iacute;via, Paraguai, Col&ocirc;mbia, Haiti, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, S&iacute;ria e, em menor quantidade, imigrantes do Ir&atilde;, Iraque, Marrocos, Paquist&atilde;o, China. H&aacute; tamb&eacute;m imigrantes de pa&iacute;ses menos conhecidos como os africanos Lesoto, que fica pr&oacute;ximo &agrave; &Aacute;frica do Sul e Djibuti, pr&oacute;ximo &agrave; Som&aacute;lia e Eti&oacute;pia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> "H&aacute; nacionalidades que se acolhem. Por exemplo, os chineses nos procuram sempre por quest&otilde;es de regulariza&ccedil;&atilde;o documental, mas muito raramente para abrigamento", afirma M&ocirc;nica. Outro ponto levantado por ela &eacute; a quest&atilde;o religiosa da imigra&ccedil;&atilde;o s&iacute;ria, ela diz que quando h&aacute; necessidade, os s&iacute;rios se aproximam, mas com certa desconfian&ccedil;a, devido &agrave; diferen&ccedil;a religiosa. "Temem que tentemos convert&ecirc;-los ou que sejam tratados com discrimina&ccedil;&atilde;o. E a Miss&atilde;o Paz faz atendimentos da mesma forma para todos que nos procuram, o desafio &eacute; que eles ven&ccedil;am seus medos e cheguem at&eacute; n&oacute;s", enfatiza.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Ap&oacute;s 2010, os imigrantes mais numerosos para o pa&iacute;s vieram do Caribe - principalmente Haiti e Rep&uacute;blica Dominicana; de pa&iacute;ses vizinhos - sobretudo colombianos, bolivianos e paraguaios; al&eacute;m de s&iacute;rios - fugindo da guerra que assola o pa&iacute;s de origem; africanos, que fogem tanto da fome quanto de guerras civis e a popula&ccedil;&atilde;o asi&aacute;tica, como chineses e coreanos, que continuam chegando ao pa&iacute;s e se dirigindo, principalmente para o estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>      ]]></body>
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