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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>CULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Literatura: H&aacute; 150 anos era publicada a primeira edi&ccedil;&atilde;o do cl&aacute;ssico de Lewis Carroll</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n2/a18fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Naquele ver&atilde;o de 1862 o passeio de barco com a fam&iacute;lia do reverendo Henry Liddell parecia uma boa ideia para Charles Dodgson, escritor e matem&aacute;tico da Universidade de Oxford, na Inglaterra. T&iacute;mido e retra&iacute;do entre os adultos, Dodgson ficava mais &agrave; vontade com crian&ccedil;as. No bote que flutuava ao sol da tarde, n&atilde;o demorou muito, no entanto, para que Alice, uma das filhas do padre, fosse tomada pelo t&eacute;dio. Acostumado a inventar hist&oacute;rias para entreter seus irm&atilde;os menores, o escritor come&ccedil;ou a contar a hist&oacute;ria de outra Alice, que, tamb&eacute;m entediada, passa a perseguir um coelho apressado, acaba mergulhando em sua toca e vai parar em outro pa&iacute;s. Charles Dodgson &eacute; o nome verdadeiro de Lewis Carroll, autor de<i> Alice no pa&iacute;s das maravilhas,</i>cl&aacute;ssico da literatura infanto-juvenil, um dos livros mais traduzidos de todos os tempos, cuja primeira edi&ccedil;&atilde;o completa 150 anos em 2015. Em todo o mundo, exposi&ccedil;&otilde;es, espet&aacute;culos de teatro e de dan&ccedil;a, comemoram o anivers&aacute;rio de Alice. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">A Lewis Carroll Society criou um site na internet (<a href="http://lewiscarrollresources.net/2015/index.html" target="_blank">http://lewiscarrollresources.net/2015/index.html</a>) com uma lista de eventos em todo o mundo. Na capital mineira, por exemplo, ser&aacute; comemorado o Carrollsday, no Memorial Vale, no dia 4 de julho. O evento envolve literatura e poesia nonsense, artes pl&aacute;sticas, moda, m&uacute;sica e performances. Em Londres, na Inglaterra, o Museu da Inf&acirc;ncia (V&amp;A Museum of Childhood) apresenta uma exposi&ccedil;&atilde;o com roupas, fotografias e objetos mostrando como a menina, com seu vestido rodado e os sapatos-boneca, foi, ao longo das in&uacute;meras edi&ccedil;&otilde;es do livro, uma lan&ccedil;adora de tend&ecirc;ncias "O visual de Alice" (The Alice look), em cartaz at&eacute; novembro deste ano, tem ainda edi&ccedil;&otilde;es raras do livro, ilustra&ccedil;&otilde;es de campanhas publicit&aacute;rias e, &eacute; claro, desfiles de moda. "Alice &eacute; uma fonte inesgot&aacute;vel de criatividade e inven&ccedil;&atilde;o, tanto no mundo das imagens quanto nas ideias. Foi um dos livros que mais influenciaram as artes em todos os tempos, permitindo reinven&ccedil;&otilde;es em diversas m&iacute;dias e linguagens", afirma a artista gr&aacute;fica Adriana Peliano, fundadora e presidente da Sociedade Lewis Carroll do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>HISTORIA PARA VER</b> "Mas, afinal, de que serve um livro sem figuras nem di&aacute;logos?", pergunta Alice para sua irm&atilde; que lia, recostada no jardim. Uma caracter&iacute;stica que certamente contribuiu para o grande sucesso desse livro s&atilde;o suas ilustra&ccedil;&otilde;es. Alice &eacute; tamb&eacute;m um livro para ver. Os primeiros desenhos foram feitos pelo pr&oacute;prio Carroll, em um manuscrito que o autor deu de presente para Alice Liddell e cuja vers&atilde;o digital est&aacute; dispon&iacute;vel no site da Biblioteca Brit&acirc;nica. V&aacute;rios artistas ilustraram o livro, alguns famosos como Salvador Dal&iacute; que, em 1969, recebeu uma encomenda para ilustrar uma edi&ccedil;&atilde;o especial do cl&aacute;ssico e produziu 12 heliogravuras, uma para cada cap&iacute;tulo do livro. "<i>Alice no pa&iacute;s das maravilhas</i> &eacute; um dos livros mais ilustrados de todos os tempos. At&eacute; recentemente esse universo iconogr&aacute;fico era fortemente marcado pelas ilustra&ccedil;&otilde;es originais de Tenniel", explica. "Nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, no entanto, cada vez mais essa influ&ecirc;ncia vem sendo desafiada em trabalhos que buscam um di&aacute;logo mais aberto e enigm&aacute;tico com a obra, superando uma abordagem ligada &agrave; descri&ccedil;&atilde;o das cenas e personagens", acredita Peliano.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">No Brasil, o livro ganhar&aacute; uma reedi&ccedil;&atilde;o especial pela editora Zahar. As ilustra&ccedil;&otilde;es originais de John Tenniel, de 1865, foram revisitadas por Adriana Peliano por meio de colagens criadas digitalmente. "Mais que uma t&eacute;cnica, a colagem &eacute; um jogo conceitual em que o conhecido muda de lugar, e temos que sair do lugar comum e da nossa zona de conforto. Somos ent&atilde;o confrontados por uma nova l&oacute;gica que prop&otilde;e enigmas e quebra-cabe&ccedil;as num convite ao sonho e ao nonsense", conta a artista.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>UM MUNDO DE PONTA CABE&Ccedil;A</b> Escrito originalmente para uma crian&ccedil;a,<i>Alice</i> encanta p&uacute;blicos de todas as idades porque mistura elementos fant&aacute;sticos, em um mundo onde pouca coisa &eacute; imposs&iacute;vel, com uma fina cr&iacute;tica pol&iacute;tica da sociedade inglesa do s&eacute;culo XIX. "Lewis Carroll colocou de cabe&ccedil;a para baixo a cultura vitoriana, expondo o mal-estar, a impostura e a esterilidade de uma sociedade fechada e repressiva", escreveu Nicolau Sevcenko, em posf&aacute;cio para a edi&ccedil;&atilde;o de<i> Alice no pa&iacute;s das maravilhas,</i> de 2009, da Cosac Naify. Para o historiador, as criaturas fant&aacute;sticas do livro - que fazem as crian&ccedil;as se sentirem em casa - encarnam as institui&ccedil;&otilde;es e os personagens de uma sociedade r&iacute;gida e pouco flex&iacute;vel. Alice se rebela contra eles, se mostrando ora indignada, ora espantada: "Onde j&aacute; se viu dar a senten&ccedil;a antes de julgar se o acusado &eacute; culpado ou n&atilde;o?", diz, em um dos tantos momentos em que questiona a autoridade. "Lewis satiriza e Alice desacata, para a divers&atilde;o e a desforra dos leitores", completou Sevcenko.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> A passagem de Alice para o "pa&iacute;s das maravilhas" &eacute; uma longa queda. A menina chega a adormecer enquanto desce. Sonhar que estamos caindo &eacute; uma das experi&ecirc;ncias on&iacute;ricas mais recorrentes nos seres humanos. Para Suelt Gevertz, psicanalista da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), a hist&oacute;ria de Alice comporta diversos elementos on&iacute;ricos. "O livro pode ser visto como um sonho que elabora quest&otilde;es do crescimento que s&atilde;o comuns a todas as pessoas. A passagem do tempo, o desejo imposs&iacute;vel, amor, amizade, hierarquia", afirma. Segundo ela, essa &eacute; uma das raz&otilde;es para a hist&oacute;ria permanecer atual e atraente 150 anos depois de seu lan&ccedil;amento. "&Eacute; um livro t&atilde;o fascinante que pode ser visto de diferentes maneiras", complementa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Sonho ou alucina&ccedil;&atilde;o, para Adriana Peliano,<i> Alice</i> &eacute; uma fonte infinita de criatividade e inven&ccedil;&atilde;o, "uma hist&oacute;ria capaz de levar o leitor a outros mundos, mundo de 'alicina&ccedil;&otilde;es'", pontua a artista. "&Eacute; um livro de perguntas, uma obra habitada por enigmas e paradoxos complexos, mas tamb&eacute;m &iacute;ntimos de muitos leitores, que se identificam profundamente com os desafios de Alice e com os personagens que ela encontra em sua viagem".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n2/a18fig02.jpg"></p>      ]]></body>

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