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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>CULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Pintura: o Rio de Janeiro sob os olhares de Jean-Baptiste Debret</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Marta Avancini</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Com a vinda da corte portuguesa, em 1808, o Brasil passou a ser um aspirante &agrave; modernidade. O Rio de Janeiro deixa de ser, ent&atilde;o, a capital da col&ocirc;nia e se torna sede do reino de Portugal, passando por uma s&eacute;rie de transforma&ccedil;&otilde;es. Esse processo contou com uma testemunha privilegiada, o artista franc&ecirc;s Jean-Baptiste Debret, que chegou ao Brasil em 1816, integrando a Miss&atilde;o Art&iacute;stica Francesa. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">A Miss&atilde;o, como se sabe, teve um papel fundamental na funda&ccedil;&atilde;o da Academia Imperial de Belas Artes, que tinha como objetivo difundir o ensino das artes e of&iacute;cios no Brasil. Dentre os participantes da Miss&atilde;o, Debret se destaca pela heran&ccedil;a que deixou: uma vasta cole&ccedil;&atilde;o de aquarelas, gravuras e desenhos que retratam o cotidiano do Rio de Janeiro, revelando h&aacute;bitos, costumes e as rela&ccedil;&otilde;es sociais que caracterizavam a cidade naquela fase de transi&ccedil;&atilde;o da col&ocirc;nia ao imp&eacute;rio independente. Parte desse legado integrou a exposi&ccedil;&atilde;o "O Rio de Janeiro de Debret", no Centro Cultural dos Correios, na capital carioca, at&eacute; 3 de maio. A mostra, reuniu 120 obras originais de Debret, &eacute; uma oportunidade de apreciar (e refletir sobre) a vis&atilde;o de um dos grandes pintores viajantes franceses sobre o Rio de Janeiro. As obras expostas pertencem &agrave; cole&ccedil;&atilde;o Castro Maya, que cont&eacute;m mais de 500 aquarelas e desenhos originais, raramente vistos em grandes conjuntos. "Como esteve no pa&iacute;s entre 1816 e 1831, Debret acompanhou mudan&ccedil;as significativas na cidade, tanto em seus aspectos materiais como sociais, pol&iacute;ticos e culturais, e tudo isso est&aacute;, de certa forma, impresso nas imagens", explica a historiadora Val&eacute;ria Alves Esteves Lima, professora da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), especialista na obra de Debret.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n2/a21fig01.jpg" ></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Nesse sentido, Debret tem uma import&acirc;ncia fundamental para os brasileiros, no que tange &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem da cidade e, tamb&eacute;m, do Brasil, j&aacute; que o Rio era a capital e principal n&uacute;cleo urbano do pa&iacute;s na &eacute;poca. "Sobretudo, se considerarmos a presen&ccedil;a de suas imagens em livros did&aacute;ticos e na imprensa de divulga&ccedil;&atilde;o, a partir do s&eacute;culo XX", justifica a historiadora.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>NA CORTE E NA RUA</b> O Rio de Janeiro da &eacute;poca, com cerca de 100 mil habitantes, foi minuciosamente retratado por Debret. Por isso, h&aacute; quem considere sua obra uma esp&eacute;cie de cat&aacute;logo dos pormenores da vida na cidade, principalmente a polariza&ccedil;&atilde;o da sociedade entre homens livres e escravos, um aspecto ex&oacute;tico e chocante aos olhos europeus. Segundo Lima, que visitou a mostra, a exposi&ccedil;&atilde;o reuniu um volume significativo de obras sobre os v&aacute;rios temas enfocados por Debret, desde cenas de rua (tipos sociais, atividades e ocupa&ccedil;&otilde;es), paisagens naturais, urbanas, at&eacute; estudos que o artista utilizava em composi&ccedil;&otilde;es e projetos cenogr&aacute;ficos. "Tivemos um pouco de todos os itens contemplados pelos olhos e registrados pelas m&atilde;os do artista, permitindo ao visitante captar a din&acirc;mica da cidade, provavelmente o aspecto mais em evid&ecirc;ncia nas aquarelas que foram expostas", relata. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v67n2/a21fig02.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v67n2/a21fig02thumb.jpg" >    <br>   <font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">A realidade era a principal fonte de inspira&ccedil;&atilde;o de Debret; a base das cenas perpetuadas nas suas obras e que permanecem na contemporaneidade como imagens, muitas vezes cristalizadas, do que era a vida na capital carioca na primeira metade do s&eacute;culo XIX. "A beleza natural, o conv&iacute;vio e a multiplicidade social que marcavam o Brasil eram os aspectos que mais atraiam o artista", complementa a historiadora.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">No entanto, enfatiza Val&eacute;ria, ao mesmo tempo em que Debret deixou um rico legado, &eacute; preciso compreend&ecirc;-lo &agrave; luz de sua estada no Brasil. De um lado, ele foi um artista da corte e pintor de hist&oacute;ria, membro do grupo respons&aacute;vel por organizar o ensino art&iacute;stico no pa&iacute;s. De outro, foi o pintor "das ruas", que produz as aquarelas que tanto fascinam e preenchem o imagin&aacute;rio de europeus e americanos. Portanto, suas obras se dividem entre as aquarelas e os projetos executados para a monarquia, como pintor oficial nomeado pelo pr&iacute;ncipe regente Dom Jo&atilde;o e artista da corte de Dom Pedro I - sua face mais conhecida naquele contexto. "As imagens que n&oacute;s mais conhecemos n&atilde;o s&atilde;o, de fato, os registros que a sociedade da &eacute;poca tinha da atua&ccedil;&atilde;o de Debret, cuja visibilidade naquele contexto estava relacionada &agrave; sua a&ccedil;&atilde;o como cen&oacute;grafo e intor de hist&oacute;ria, envolvido nos eventos celebrativos da corte, e como professor da Academia", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Segundo Val&eacute;ria, foi apenas com a publica&ccedil;&atilde;o de seus livros da<i> Viagem pitoresca e hist&oacute;rica ao Brasil</i> (1834-1839), na Fran&ccedil;a, que as imagens do cotidiano brasileiro ganharam o imagin&aacute;rio dos leitores de sua obra. "Mesmo assim, essas imagens v&atilde;o impregnar, primeiro, as mentes europeias, e apenas muito mais tarde estar&atilde;o presentes, de forma mais efetiva, entre os brasileiros", conclui a historiadora.</font></p>      ]]></body>
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