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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>CULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Prosa: a grande &eacute;gua branca</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Sidney Rocha</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>ANOS 60</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Brigid detestava os negros e se orgulhava de n&atilde;o estar sozinha naquilo. Centenas de vezes me falou do quanto Jack Kerouac concordava com ela. Foi em Chapei Hill, numa festa de sete dias. Se<i> viramun passant,</i> aquilo n&atilde;o foi mais que um aceno, enquanto Kerouac vomitava os baldes de sua loucura antissemita na cabe&ccedil;a dos rapazotes da Harvard Branca.<i> "Jack</i> estava morrendo, dava pra ver." Chamava-o de "Jack", embora n&atilde;o tivessem sido parceiros no tempo dos vag&otilde;es. Nunca me disse o que fazia ali, mas na adolesc&ecirc;ncia tivera um caso com o anfitri&atilde;o, o nome era Russell Banks, com quem roubou um carro e terminaram no xadrez, em Los Angeles. "Rodar tr&ecirc;s meses pelo pa&iacute;s num Thunderbird e ser detida justo por um oficial negro?"</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Detestava os negros e eles a detestavam tamb&eacute;m. Era uma mulher de muitos fasc&iacute;nios, talvez isto impedisse de eles quebrarem sua cara quando exagerava na bebida e os xingava daquele jeito. Mor&aacute;vamos ao sul de New Hampshire, depois de Brigid abdicar da vida de madama na qual o meu pai queria met&ecirc;-la, sob a amea&ccedil;a de interna&ccedil;&atilde;o num manic&ocirc;mio. "Mulher com muita grana ou sucesso em um ano vira uma boneca sem lubrifica&ccedil;&atilde;o, e da&iacute; os caras se intimidam". Brigid e Guterson se conheceram noutra festa, em dois meses casaram, se esmurraram e se odiaram. Ele era um industrial j&aacute; sem muito dinheiro no banco, mas bastante eloquente com uma pistola. Ent&atilde;o fugimos. De repente, viramos os branquelos, os baratas-brancas, o beb&ecirc; e a b&ecirc;bada-gostosa numa cidadezinha sob nuvens de chumbo, mas onde o sol de l&acirc;minas insistia em rasgar a pele da gente todo dia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Brigid era boa m&atilde;e se n&atilde;o estava alimentando a sua paranoia ou imaginando conspira&ccedil;&otilde;es em cada esquina. N&atilde;o tolerava choramingos, contudo at&eacute; os oito anos eu podia dormir sobre a firmeza dos seus peitos nas noites de pesadelo. Naquele 1969, o u&iacute;sque a transformou num bicho sem freios para desafiar toda a pol&iacute;cia agarrando o pesco&ccedil;o de uma garrafa. "Live free or die, live free or die", ela berrava para eles. "Chamem o<i> Jack</i>aqui. Chamem o<i> Jack</i> aqui". "O senhor Kerouac est&aacute; morto, Brigid", gritava de l&aacute; o policial. Ent&atilde;o ela se deixava vencer, caminhando at&eacute; a viatura. "Entre, querida", bateu a porta o policial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Mas se a deixassem em paz, logo-logo voltava o seu encantamento, os seus olhos de oceano sem ventanias, a voz de pastora, at&eacute; que outra vez a tempestade descesse carv&atilde;o sobre o seu rosto de cristal. No entanto, gostavam de v&ecirc;-la circulando no jeans apertado, a cintura sempre a descoberto, a jaqueta s&oacute; na medida para encobrir as ta&ccedil;as de ouro; dois metros e tantos de granito que nenhum poder&aacute; esquecer.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">O senhorio era um asi&aacute;tico em roupas de d&acirc;ndi, sem leitura e sem modos. Escapou de algum container dos navios de carga clandestinos de Portsmouth, como sardinha, ou pelo Pac&iacute;fico, e cruzando o pa&iacute;s at&eacute; ali. Quando ele sentia falta do aluguel, Brigid o confortava por uma noite e eu detestava encontrar o cara ouvindo m&uacute;sica na sala. "&Eacute; um negroide, mesmo da cor de uma banana, querido, n&atilde;o se importe, todos aqui s&atilde;o negros, de um jeito ou de outro". Era sobre as almas negras, Brigid falava disso. Mas eu n&atilde;o conseguia defend&ecirc;-la quando ela perdia as estribeiras e insultava, insultava, insultava, e eu os via acinzentarem com a sua arte de insultar, e ela continuava l&aacute; at&eacute; todos fugirem pra suas casas, e o bar fechar. Ent&atilde;o ela dormia na cal&ccedil;ada, a fal&ecirc;ncia da hero&iacute;na num pa&iacute;s sem kerouacs, sem mais festas de uma semana, enquanto a West Union n&atilde;o nos salvasse com os d&oacute;lares do Russell, a grana chegava bem no limite de tudo ruir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>ANOS 70</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Ent&atilde;o passou a depender dos negociantes de pedras e dos turistas para manter sua cota de u&iacute;sque. Pedia, pedia e pedia, a montanha se desmanchando. J&aacute; n&atilde;o implicava tanto com os negros, ali&aacute;s pedia pra eles um gole, dia e noite. O corpo boxeara com o tempo e vencera todos os rounds. As coxas grossas mantinham-na um facho firme.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Foi quando ofereciam uma dose, &agrave; maneira que pude ver.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Te pago um drink, mas s&oacute; se imitar pra gente a&iacute; uma macaca".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">E mam&atilde;e imitava, as pernas em arco como uma chimpanz&eacute;, os olhos no vazio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"N&atilde;o, macaca que nada! Imita aqui pro papai uma cobra".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Brigid se esfor&ccedil;ava. E eles:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"N&atilde;o, orangotanga, com a cara no ch&atilde;o, como uma serpente".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">O outro gritava: "Rasteja, cobra". Ela rastejava at&eacute; a mesa. E eles lhe davam a bebida.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Quando cheguei aos quinze, perguntei se aquilo era tudo o que eu podia aprender com ela.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Voc&ecirc; j&aacute; fumou seu primeiro cigarro?"</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Sim."</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"J&aacute; tomou um porre de cerveja?"</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Sim."</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Ent&atilde;o n&atilde;o tenho mais nada pra lhe ensinar. Se voc&ecirc; pelo menos fosse uma menininha... espere, espere, espere: voc&ecirc; &eacute; uma menininha, Ted?", ela disse, beliscando as minhas bochechas. N&atilde;o dava mais. Fui embora. Ela rolava no piso da sala de tanto rir.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Negroide! Voc&ecirc; no fundo &eacute; um negroide, ouviu, Ted-menininha? Ted-menininha ahahahahaha", ouvi.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>FINAL DOS ANOS 80</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Eu j&aacute; estava muito tempo longe quando ouvi a hist&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Eles estavam falando no restaurante do hotel, os dois homens:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 1 - "...&eacute; uma perfei&ccedil;&atilde;o, a mulher, os quadris voc&ecirc; n&atilde;o conseguiria abra&ccedil;ar com estes bra&ccedil;otes - dizia ele ao amigo na mesa - o diabo foi quem torneou aquela serpente..." ... "...talvez n&oacute;s dois juntos n&atilde;o d&eacute;ssemos conta daquele peix&atilde;o... mas a grande divers&atilde;o dos caras n&atilde;o era com&ecirc;-la, mas pedir imita&ccedil;&otilde;es, &eacute;, imita&ccedil;&atilde;o de bichos... foca, raposa, macaco..."... "... e depois de pagarem outro trago, mandaram a coroa imitar uma &eacute;gua."</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 2, com a dose de conhaque na m&atilde;o. - "Uma &eacute;gua?"</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 1 - "Sim, sim - disse ele. Mas escute aqui: ent&atilde;o a mulher ficou de quatro, cara, que traseiro, ficou de quatro e, quando todos fizeram sil&ecirc;ncio, relinchou feito uma &eacute;gua. Aquilo ainda hoje zune nos meus ouvidos. As pessoas de cera admirando aquilo".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 2 - "Estranho, n&atilde;o?"</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 1 - "N&atilde;o. Estranho ficaria depois. Um desses negr&otilde;es disse pra ela: 'Esta imita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; boa. Se quiser o u&iacute;sque vai ter de melhorar'.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">E a&iacute; ela repetiu, duas, tr&ecirc;s, dez vezes, era como assistir a um estupro".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 2 - "E a&iacute;?"</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 1 - "A&iacute; eu fiz o que um homem tem de fazer numa hora dessas. Eu disse: 'Ok, ok, chega: eu pago o drink da mulher."' </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 2 - "E a&iacute;?" </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 1 - "'N&atilde;o, forasteiro, n&atilde;o se meta nisso', amea&ccedil;aram. Recuei. Fazer o qu&ecirc;? E a mulher continuou, riiiiinch, riiiiiiinch..."... "ent&atilde;o em algum momento a &eacute;gua parou, fechou os olhinhos e mandou: riiiiiiiiiiiiiiinnnnch. Cara... n&atilde;o sei quanto tempo demorou aquilo, mas depois foi sil&ecirc;ncio e escurid&atilde;o ao mesmo tempo, para acontecer o mais estranho."</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 2 - "O qu&ecirc;?"</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Homem 1 - "Depois disso se ouviu o relinchar de cavalos, dez, vinte, mais: cem cavalos, respondendo pra ela, rinch, rinch, rinch, rinch, as pessoas eram como fuma&ccedil;a dentro do bar, se ouviam rinchs perto, mais perto, se aproximando..."... "... a impress&atilde;o era de que a qualquer momento eles iriam arrombar a porta, a tropa".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Ele segurou o cigarro e pilou o fumo na unha, ao modo dos gays. "Quando a mulher se levantou tinha brasa nos olhos, mas as l&aacute;grimas n&atilde;o eram pelo esfor&ccedil;o, cara, aquilo a atingiu bem na alma, se h&aacute; um alvo na alma da gente foi ali que a acertaram, rapaz, voc&ecirc; pode acreditar."</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Depois o homem contou que Brigid saiu em sil&ecirc;ncio. N&atilde;o bebeu a dose, nada, sumiu. Ele mesmo voltou outras vezes l&aacute;, mas o paradeiro era o mesmo: desapareceu.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> "Eu voltei ali muitas vezes, mas nunca mais se soube da mulher, rapaz, sumiu, a grande &eacute;gua branca sumiu."</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>DIAS ATUAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">A cidade acaba no deserto e o sem&aacute;foro dizia verde a toda hora para quem partisse. O autom&oacute;vel me empurrava de volta pra casa, e a casa, o sol, o carro eram Brigid. Lembrei do homem do hotel e me meti num del&iacute;rio. Encontr&aacute;-la. O Sr. Russell n&atilde;o fala muito ao telefone, mas disse ainda "faz muito, muito tempo. Os cheques come&ccedil;aram a voltar. Procure um pouco mais ao sul, mas, por Deus, me informe sobre ela, filho." Em New Hampshire o c&eacute;u cinza era o mesmo, mas o mundo em volta era outro e os bares cansavam os fregueses com cantores sem talento. A cidade invadiu as planta&ccedil;&otilde;es e os pastos e, de alguma forma, a cidadezinha batera em retirada, deixando as buzinas, a fuma&ccedil;a do diesel e o mau gosto vestindo esta outra cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Um homem me contou o costume dali. As crian&ccedil;as negras pintam o rosto de branco e saem na vizinhan&ccedil;a pedindo dinheiro em troca de imita&ccedil;&otilde;es. As crian&ccedil;as brancas pintam o rosto de preto e jogam moedas para os negros em tintas de branco. "E a brincadeira da &eacute;gua branca". Alguns levam uma boneca nos bra&ccedil;os. Chamam-na de Ted. "Se n&atilde;o der dinheiro, o Ted vai chorar, muquirana", amea&ccedil;am. Mas falou tamb&eacute;m da montanha de granito contra o c&eacute;u, do resplendor do sol que era a Brigid, "ouvi falar, mas duvido de que tenha existido."</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Dias depois, a cem quil&ocirc;metros dali, numa vila sem import&acirc;ncia, o escriv&atilde;o Philip Warren me mostrou todos os documentos que eu n&atilde;o desejava ver. O corpo dormia h&aacute; muitos outonos no cemit&eacute;rio de Meredith. Fiquei ao seu lado naquela tarde olhando o m&aacute;rmore amarelar. Deixei Brigid sob um sol desbotando, estava em paz, ouvindo p&aacute;ssaros e cigarras, "a natureza tem tudo o que n&atilde;o podemos aprender, e por isto &eacute; in&uacute;til", ela dizia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Na volta, o chumbo derretia no c&eacute;u e os raios se atiravam contra o breu sem-fim. Os fazendeiros abrigavam os animais, mas os vaqueiros eram poucos para conter os cavalos avan&ccedil;ando a colina como lan&ccedil;as. Eu estava indo para o Norte, talvez pedisse ao Russell um emprego em New York, ou lhe contasse algumas mentiras para abrandar seu velho cora&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><i>Do livro</i> O destino das met&aacute;foras,<i> (Iluminuras, 2011), Pr&ecirc;mio Jabuti de Literatura).    <br>   Sidney Rocha, 50, &eacute;autor do romance</i> Sofia<i> (pr&ecirc;mio Osman Lins), de</i> Matriuska<i> (contos, 2009, semifinalista do Portugal Telecom) e</i> O destino das met&aacute;foras<i> (contos, 2011, Pr&ecirc;mio Jabuti de Literatura), todos da Editora Iluminuras, que publica dele, neste ano, o romance</i> Claro-escuro<i> e o livro de contos</i> Guerra de ningu&eacute;m.</font></p>      ]]></body>
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