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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> POPULARIZA&Ccedil;&Atilde;O DA CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Espa&ccedil;os cient&iacute;ficos e culturais ainda concentrados nas capitais e voltados para o p&uacute;blico escolar</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil &eacute;, hoje, a s&eacute;tima maior economia e est&aacute; entre as 15 na&ccedil;&otilde;es com maior produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do mundo, liderando na Am&eacute;rica Latina. No entanto, ainda, precisa avan&ccedil;ar no que diz respeito &agrave; transfer&ecirc;ncia de conhecimento para a popula&ccedil;&atilde;o. Os locais de intera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica com conte&uacute;dos relacionados &agrave; ci&ecirc;ncia, tecnologia e ao conhecimento de modo geral t&ecirc;m melhorado, mas ainda se espalham de modo heterog&ecirc;neo pelo territ&oacute;rio nacional. A grande concentra&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os cient&iacute;ficos e culturais nas capitais, mesmo que isso seja coerente com a distribui&ccedil;&atilde;o urbana da popula&ccedil;&atilde;o, deixa ainda a maioria dos munic&iacute;pios sem acesso ao que &eacute; produzido pelas institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa e ensino. "Hoje, os principais centros e museus de ci&ecirc;ncia est&atilde;o localizados nas grandes capitais, o que &eacute; resultado da nossa pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Mesmo vivendo um processo de interioriza&ccedil;&atilde;o das universidades, ainda n&atilde;o temos a mesma propor&ccedil;&atilde;o com a cria&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os. O interior carece de espa&ccedil;os cient&iacute;ficos e culturais", afirma Carlos Wagner, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Centros e Museus de Ci&ecirc;ncias (ABCMC). A afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; refor&ccedil;ada pelos dados da pesquisa "Percep&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia no Brasil" (MCTI, 2010), que mostra que entre as raz&otilde;es para n&atilde;o visitar ou participar de eventos cient&iacute;ficos, 36,8% dos entrevistados disseram que n&atilde;o existem iniciativas do tipo em suas regi&otilde;es".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo a &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o do guia <i>Centros e Museus de Ci&ecirc;ncia do Brasil 2015</i>, organizado pela ABCMC, Casa da Ci&ecirc;ncia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo Museu da Vida da Fiocruz, e atualizado em 2015, existem 268 espa&ccedil;os cient&iacute;ficos e culturais no pa&iacute;s, dentre os quais est&atilde;o os centros e museus de ci&ecirc;ncia, jardins bot&acirc;nicos, planet&aacute;rios e observat&oacute;rios, zool&oacute;gicos e aqu&aacute;rios. Este n&uacute;mero equivale a 7,5% dos 3585 museus atualmente cadastrados no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), do Minist&eacute;rio da Cultura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Levantamentos uniformes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A expectativa &eacute; que esse n&uacute;mero cres&ccedil;a nos pr&oacute;ximos anos, seja pela abertura de novos espa&ccedil;os, seja pela identifica&ccedil;&atilde;o e cadastramento de institui&ccedil;&otilde;es j&aacute; existentes, mas, sobretudo, pela colabora&ccedil;&atilde;o entre refer&ecirc;ncias nacionais de cadastros que possam unificar esses dados. As estat&iacute;sticas ainda s&atilde;o discrepantes, como detectou o guia do Minist&eacute;rio da Cultura em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero de museus brasileiros dispon&iacute;veis em levantamentos internacionais. Segundo dados do Instituto Latino-Americano de Museus (Ilam), por exemplo, o Brasil possui 249 institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas (museus e centros de C&amp;T, jardins bot&acirc;nicos, aqu&aacute;rios, observat&oacute;rios e planet&aacute;rios), mas os n&uacute;meros s&atilde;o bastante incompletos para jardins bot&acirc;nicos (10), quando existem 34 cadastrados na Rede de Jardins Bot&acirc;nicos do Brasil; e apenas 49 zool&oacute;gicos e aqu&aacute;rios, enquanto a Sociedade de Zool&oacute;gicos e Aqu&aacute;rios do Brasil registra 124; e meros 4 planet&aacute;rios e observat&oacute;rios, versus os 44 - de diferentes portes, incluindo os m&oacute;veis - listados pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Planet&aacute;rios, sem contar os observat&oacute;rios que podem chegar a 82, de acordo com levantamento dos astr&ocirc;nomos Priscila Oliveira e Irineu Varella, incluindo aqueles de universidades e escolas, p&uacute;blicas e particulares.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a04fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> "A quantidade &#91;de centros e museus de ci&ecirc;ncia&#93; ainda &eacute; muito pequena para um pa&iacute;s de dimens&otilde;es continentais como o nosso. Al&eacute;m disso, alguns se encontram fechados e muitos dos centros e museus s&atilde;o bem pequenos e espec&iacute;ficos", comenta Roseli de Deus, ex-diretora (2008-2010) da Esta&ccedil;&atilde;o Ci&ecirc;ncia, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), e coordenadora geral da Feira Brasileira de Ci&ecirc;ncia e Engenharia (Febrace).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desafios a superar</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um exemplo bem sucedido &eacute; o museu da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Espa&ccedil;o do Conhecimento, inaugurado em 2010 e que no ano passado recebeu quase 70 mil visitantes, 80% dos quais espont&acirc;neos. Dentre as estrat&eacute;gias adotadas por esse museu, que se diferenciam da maioria de outros espa&ccedil;os similares, est&aacute; o fato de possuir parceria com a iniciativa privada, estar localizado em &aacute;rea central, externa ao campus da institui&ccedil;&atilde;o, e ser pensado, sobretudo, para o grande p&uacute;blico e n&atilde;o para as escolas. "Enquanto outros centros e museus de ci&ecirc;ncias se esvaziam durante as f&eacute;rias escolares o nosso cresce de 2 a 3 mil visitantes", festeja Ren&eacute; Lommez, diretor cient&iacute;fico culturaldo museu mineiro, localizado em local privilegiado, na Pra&ccedil;a da Liberdade em meio ao circuito de 12 espa&ccedil;os culturais de Belo Horizonte. Entretanto, mesmo almejando que seu p&uacute;blico continue crescendo, o diretor confessa que h&aacute; um limite de capacidade na infraestrutura atual, como ocorre em boa parte dos museus e centros brasileiros. Geralmente, as institui&ccedil;&otilde;es est&atilde;o abrigadas em edif&iacute;cios provis&oacute;rios ou antigos e que n&atilde;o foram projetados para esse objetivo. A diretora da Febrace concorda que a maioria dos centros e museus de ci&ecirc;ncias tem foco no p&uacute;blico escolar e que lidar com o p&uacute;blico geral envolve outros desafios. "Al&eacute;m do atendimento aos finais de semana para atrair visitantes, s&atilde;o necess&aacute;rios maiores investimentos para oferecer novidades, programa&ccedil;&otilde;es especiais e um trabalho mais estruturado e intenso de comunica&ccedil;&atilde;o direcionado para os p&uacute;blicos que se quer atingir", elenca. E lidar com o chamado p&uacute;blico espont&acirc;neo exige estabilidade financeira para planejar diferentes estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Esta&ccedil;&atilde;o Ci&ecirc;ncia, tradicional museu de ci&ecirc;ncias da USP, fechou as portas para visita&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica h&aacute; cerca de dois anos, por problemas estruturais, mantendo apenas uma exposi&ccedil;&atilde;o - Esta&ccedil;&atilde;o Natureza -, externa ao pr&eacute;dio, para visitas agendadas com escolas. Nesse meio tempo, temeu-se que a esta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m encerrasse suas atividades. Michel Sitnik, analista de comunica&ccedil;&atilde;o da Pr&oacute;-Reitoria de Cultura e Extens&atilde;o da USP, respons&aacute;vel pela Esta&ccedil;&atilde;o Ci&ecirc;ncia, afirma que o museu dever&aacute; voltar &agrave; ativa em breve. Nos dias 10 e 11 de julho ocorreu o evento "Ci&ecirc;ncia &agrave; Vista: I Semin&aacute;rio Internacional de Pol&iacute;ticas Universit&aacute;rias de Difus&atilde;o Cient&iacute;fica" reunindo especialistas em museus de ci&ecirc;ncia, brasileiros e estrangeiros, para discuss&atilde;o de novas estrat&eacute;gias que garantam, n&atilde;o apenas a continuidade de um espa&ccedil;o tradicional em S&atilde;o Paulo, mas sua inova&ccedil;&atilde;o, moderniza&ccedil;&atilde;o e sustentabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Bahia, um decreto (n&ordm; 14.719) de 2013 determinou que um dos museus pioneiros no pa&iacute;s, o Museu de Ci&ecirc;ncias da Bahia, fosse transferido da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o para a Secretaria de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (SECTI), o que provocou mobiliza&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica em fun&ccedil;&atilde;o da incerteza sobre a mudan&ccedil;a do acervo (fechado para visita&ccedil;&atilde;o escolar desde 2010) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) para o Parque Tecnol&oacute;gico. Ainda sem nenhuma posi&ccedil;&atilde;o oficial, h&aacute; sinaliza&ccedil;&atilde;o para a recupera&ccedil;&atilde;o e reabertura do museu, com investimentos em novos espa&ccedil;os. Em ano de crise, esta parece ser uma boa not&iacute;cia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Financiamento</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em artigo de 2004 (<i>Jornal da Ci&ecirc;ncia</i> da SBPC, n&ordm; 535, 2004.) Pedro Muanis Persechini e Cec&iacute;lia Cavalcanti afirmam que o primeiro edital p&uacute;blico para centros e museus de ci&ecirc;ncia foi lan&ccedil;ado pelo CNPq no final de 2003, destinando R$4 milh&otilde;es a esses espa&ccedil;os, recursos que foram disputados por cem institui&ccedil;&otilde;es de todo o Brasil. At&eacute; 2005, essas institui&ccedil;&otilde;es tinham na Funda&ccedil;&atilde;o Vitae (1985-2005) sua maior fonte de financiamento. Em um per&iacute;odo de 20 anos, a Vitae investiu, conforme apontam os autores, 98,7 milh&otilde;es em populariza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, sendo respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o de muitos dos centros e museus de ci&ecirc;ncia atualmente existentes no pa&iacute;s, como &eacute; o caso do Espa&ccedil;o Ci&ecirc;ncia, em Pernambuco, e da Seara da Ci&ecirc;ncia, no Cear&aacute;. Atualmente, muitas dessas institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o ligadas a universidades p&uacute;blicas e dependem da abertura de editais para tocarem seus projetos, j&aacute; que a universidade arca apenas com os custos de manuten&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O diretor do Espa&ccedil;o do Conhecimento da UFMG lembra que, muitas vezes, os editais n&atilde;o atendem a todas as necessidades do museu, por exemplo para continuidade de exposi&ccedil;&otilde;es permanentes, e que seria preciso criar um dispositivo novo, que atendesse essas demandas. "Muitos editais est&atilde;o baseados na ideia da interatividade como prioridade dos museus e n&atilde;o promovem a prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cient&iacute;fico", lamenta. Talvez esteja a&iacute; a mudan&ccedil;a da percep&ccedil;&atilde;o do que seja um museu que, ao contr&aacute;rio da imagem tradicional de um espa&ccedil;o de acervos e cole&ccedil;&otilde;es de objetos antigos relevantes, seria um local moderno que promove intera&ccedil;&otilde;es com objetos eletr&ocirc;nicos, inovadores, mesmo que muito mais caros para se manter e que se desatualizam rapidamente. Para Wagner, da ABCMC, os investimentos s&atilde;o sempre insuficientes e seriam necess&aacute;rios mais editais voltados para a populariza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia. "Investimentos deveriam ser parte da pol&iacute;tica de Estado. O cen&aacute;rio atual &eacute; de cortes, o que desestabiliza a gest&atilde;o dos espa&ccedil;os &#91;de ci&ecirc;ncia e conhecimento&#93;. Construir &eacute; mais f&aacute;cil do que manter", finaliza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro desafio para essas institui&ccedil;&otilde;es &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o da equipe, incluindo a&iacute; os pr&oacute;prios diretores de museus que, muitas vezes, dividem as tarefas do museu com as de docente universit&aacute;rio. Hoje, existem cinco cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em museologia no pa&iacute;s (tr&ecirc;s mestrados, um doutorado e dois mestrados profissionais), de acordo com a Capes, apenas um voltado para a &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o de acervos de ci&ecirc;ncia e tecnologia, do Museu de Astronomia (Mast), que ainda aguarda homologa&ccedil;&atilde;o. "Hoje, precisamos ainda de mais forma&ccedil;&atilde;o continuada e permanente dos profissionais e que a popula&ccedil;&atilde;o se aproprie desses espa&ccedil;os. Precisamos tornar p&uacute;blicos esses ambientes", defende o presidente da ABCMC, com a concord&acirc;ncia do diretor do museu da UFMG.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Roseli de Deus, da USP, apesar do engajamento das equipes de museus no pa&iacute;s, &eacute; preciso investir em profissionaliza&ccedil;&atilde;o, ampliar o p&uacute;blico e firmar parcerias p&uacute;blico-privadas de modo a garantir a sustentabilidade e a atualiza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es. "Estes espa&ccedil;os precisam ser inseridos em pol&iacute;ticas de Estado, enquanto espa&ccedil;os de educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o formal, de grande import&acirc;ncia tanto para o p&uacute;blico escolar como para o p&uacute;blico geral", defende.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Germana Barata    <br>   Colabora&ccedil;&atilde;o Giselle Soares</i></font></p>      ]]></body>

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