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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prevenção de doenças mitocondriais já é realidade no Reino Unido]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> MANIPULA&Ccedil;&Atilde;O GEN&Eacute;TICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as mitocondriais j&aacute; &eacute; realidade no Reino Unido</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marianne Frederick</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cegueira, fraqueza muscular, fal&ecirc;ncia do cora&ccedil;&atilde;o e do f&iacute;gado, diabetes, s&atilde;o algumas doen&ccedil;as que podem ser transmitidas a uma crian&ccedil;a por mitoc&ocirc;ndrias defeituosas. Evit&aacute;-las &eacute; o principal objetivo de um projeto de lei aprovado neste ano no Reino Unido, primeiro pa&iacute;s a legalizar uma t&eacute;cnica de manipula&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica que permite gerar embri&otilde;es que carregam o DNA de duas mulheres e de um homem, o que pode ser interpretado como um caso de tripaternidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando &eacute; detectado algum tipo de m&aacute; forma&ccedil;&atilde;o ou altera&ccedil;&atilde;o mitocondrial, o n&uacute;cleo saud&aacute;vel de um &oacute;vulo de uma mulher que deseja ter filhos &eacute; retirado e implantado em outro &oacute;vulo (sem o n&uacute;cleo) de uma doadora que tenha mitoc&ocirc;ndrias saud&aacute;veis. Depois, esse "novo" &oacute;vulo ser&aacute; fertilizado com o esperma do pai biol&oacute;gico. "Uma vez que as mitoc&ocirc;ndrias cont&ecirc;m seu pr&oacute;prio material gen&eacute;tico (o DNA mitocondrial), o embri&atilde;o produzido mediante essa tecnologia seria portador de DNA de tr&ecirc;s pessoas: o casal respons&aacute;vel por conceber o embri&atilde;o contribuiria com o DNA nuclear enquanto uma terceira pessoa contribuiria com o DNA mitocondrial", explica Marcos Chiaratti, professor do Departamento de Gen&eacute;tica e Evolu&ccedil;&atilde;o, da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Infertilidade em mulheres</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o pesquisador, a terapia de substitui&ccedil;&atilde;o de mitoc&ocirc;ndrias tem sido proposta para tratar a infertilidade de mulheres, principalmente aquelas de idade mais avan&ccedil;ada (acima de 35 anos), que n&atilde;o respondem a outros tratamentos comumente utilizados em cl&iacute;nicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida. "Uma vez que h&aacute; uma forte associa&ccedil;&atilde;o entre envelhecimento e o decl&iacute;nio da fun&ccedil;&atilde;o mitocondrial, a mitoc&ocirc;ndria tem sido apontada como um dos principais fatores respons&aacute;veis pelo decl&iacute;nio da fertilidade em mulheres devido &agrave; idade. Se confirmada a hip&oacute;tese, a introdu&ccedil;&atilde;o de mitoc&ocirc;ndrias doadas por uma mulher mais jovem teria o potencial de recuperar a fertilidade dos &oacute;vulos da mulher mais velha", afirma Chiaratti. S&atilde;o os genes nucleares os principais respons&aacute;veis por determinarem o fen&oacute;tipo (caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas) do indiv&iacute;duo. "&Eacute; esperado que a crian&ccedil;a gerada por esta tecnologia seja fenotipicamente id&ecirc;ntica ao casal que concebeu o embri&atilde;o", diz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma t&eacute;cnica semelhante , mas que inclui a transfer&ecirc;ncia de citoplasma, foi empregada por Jacques Cohen e equipe no St. Barnabus Institute, nos Estados Unidos, no final dos anos 1990. Apesar das 17 crian&ccedil;as geradas comprovarem a efic&aacute;cia da t&eacute;cnica, algumas delas apresentaram defeitos gen&eacute;ticos, o que levou a Food and Drug Administration (FDA) a vetar seu uso em cl&iacute;nicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida no pa&iacute;s. Apesar disso, a cl&iacute;nica americana de fertiliza&ccedil;&atilde;o OvaScience, tem utilizado a transfer&ecirc;ncia de mitoc&ocirc;ndrias para tratar infertilidade feminina no Canad&aacute;, Turquia e Dubai. "O diferencial, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tecnologias discutidas anteriormente, &eacute; que a empresa prop&otilde;e a utiliza&ccedil;&atilde;o de mitoc&ocirc;ndrias doadas pela pr&oacute;pria paciente. As mitoc&ocirc;ndrias introduzidas nos &oacute;vulos s&atilde;o isoladas de c&eacute;lulas som&aacute;ticas do ov&aacute;rio da paciente, aparentemente restabelecendo a fertilidade e sem a pol&ecirc;mica da tripaternidade", explicou.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Parlamento ingl&ecirc;s aprovou o uso da terapia apenas para mulheres portadoras de muta&ccedil;&otilde;es no DNA mitocondrial. Segundo Chiaratti, diferentemente da transfer&ecirc;ncia de citoplasma, as terapias para doen&ccedil;as mitocondriais requerem a completa substitui&ccedil;&atilde;o das mitoc&ocirc;ndrias defeituosas por mitoc&ocirc;ndrias sadias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Edson Guimar&atilde;es Lo Turco, pesquisador da &aacute;rea de embriologia, da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), a t&eacute;cnica &eacute; um avan&ccedil;o na preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as mitocondriais. Entretanto, segundo ele, por se tratar ainda de uma t&eacute;cnica experimental, deve-se atentar para alguns pontos essenciais inerentes &agrave; qualidade de manipula&ccedil;&atilde;o desses &oacute;vulos e ao esclarecimento do paciente de que o futuro beb&ecirc; estar&aacute; livre apenas de doen&ccedil;as estritamente mitocondriais. E sobre a gera&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as com tr&ecirc;s tipos de DNA, Lo Turco prev&ecirc; "um amplo debate social para preparar a sociedade para essa e outras novas realidades biotecnol&oacute;gicas".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Atestado de efici&ecirc;ncia brasileiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em parceria com os pesquisadores Fl&aacute;vio Vieira Meirelles, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e Lawrence Charles Smith, da Universit&eacute; de Montr&eacute;al, Marcos Chiaratti trabalha para comprovar a efici&ecirc;ncia e seguran&ccedil;a das terapias de substitui&ccedil;&atilde;o de mitoc&ocirc;ndrias em modelos animais. Segundo ele, isso &eacute; importante porque ainda faltam estudos que comprovem que defeitos mitocondriais afetam a fertilidade dos &oacute;vulos e que a substitui&ccedil;&atilde;o de mitoc&ocirc;ndrias pode restabelecer a capacidade de gerar beb&ecirc;s saud&aacute;veis. Em uma das linhas de pesquisa, eles primeiramente tratam os &oacute;vulos de bovinos com uma droga que causa danos &agrave; fun&ccedil;&atilde;o mitocondrial, resultando na perda quase que total da fertilidade. "Em seguida, transferimos citoplasma de &oacute;vulos n&atilde;o tratados para os &oacute;vulos tratados com a droga, o que resultou no restabelecimento da fertilidade e nascimento de bezerros saud&aacute;veis", conta. "Temos encontrado resultados similares em camundongos, mesmo quando, ao inv&eacute;s de citoplasma, transferimos um concentrado de mitoc&ocirc;ndrias embrion&aacute;rias. Esses e outros resultados fornecem importantes subs&iacute;dios acerca do potencial dessas t&eacute;cnicas, no entanto, em minha opini&atilde;o muitos outros estudos ainda s&atilde;o necess&aacute;rios antes que essas metodologias possam ser usadas com seguran&ccedil;a em humanos", finaliza.</font></p>      ]]></body>
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