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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Interfer&ecirc;ncia da luz, arte e computa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Stephen Walborn</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">F&iacute;sico, professor do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Laborat&oacute;rio de &Oacute;tica e Informa&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica da UFRJ. Email: <a href="mailto:swalborn@if.ufrj.br">swalborn@if.ufrj.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A luz &eacute; uma onda eletromagn&eacute;tica. E, como todas as ondas, ela exibe fen&ocirc;menos naturais que s&atilde;o distintos daqueles observados com objetos corpusculares, tais como uma part&iacute;cula ou uma bola de gude. Essa divis&atilde;o entre corp&uacute;sculos e ondas &eacute; um tema central na f&iacute;sica. Conhecemos muito bem o comportamento de um corp&uacute;sculo no nosso dia a dia. Imagine uma bola de futebol quicando no ch&atilde;o. Observando a altura de um quique, podemos j&aacute; prever, mentalmente, a altura do pr&oacute;ximo quique, baseado simplesmente em nosso conhecimento pr&eacute;vio. J&aacute; os fen&ocirc;menos ondulat&oacute;rios s&atilde;o menos conhecidos, embora amplamente presentes no nosso cotidiano. Imagine agora uma onda do mar, que vem l&aacute; do fundo e quebra na areia da praia. Sentado na praia, notamos que durante um intervalo de tempo vem ondas grandes, depois vem ondas menores e, &agrave;s vezes, passa um per&iacute;odo no qual n&atilde;o vem nenhuma onda. Depois, voltam a vir as ondas grandes, e tudo se repete. Este &eacute; um exemplo do efeito de interfer&ecirc;ncia. As ondas no mar s&atilde;o criadas por diversos tipos de perturba&ccedil;&otilde;es na &aacute;gua. A causa principal &eacute; o vento, que empurra a superf&iacute;cie da &aacute;gua, criando ondas paralelas a ele. Acontece que, em certa regi&atilde;o do mar, pode-se encontrar ondas vindo de v&aacute;rias fontes e essas ondas interferem entre si. Se duas ondas se encontram, de tal forma que a crista de uma coincide com a crista da outra, essas ondas se somam formando uma onda maior. Chamamos essa situa&ccedil;&atilde;o de interfer&ecirc;ncia construtiva. No entanto, se as ondas se encontram, de tal forma que a crista de uma coincide com o vale da outra, essas ondas se cancelam e temos interfer&ecirc;ncia destrutiva. Esses fen&ocirc;menos que observamos na praia s&atilde;o devidos &agrave;s interfer&ecirc;ncias de ondas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A interfer&ecirc;ncia de ondas tamb&eacute;m &eacute; observada com a luz. Isso foi demonstrado pela primeira vez em um lind&iacute;ssimo experimento realizado em 1803 pelo ingl&ecirc;s Thomas Young. Ele iluminou um papel&atilde;o, o qual continha um corte de duas fendas estreitas (do tamanho de um cabelo humano) e muito pr&oacute;ximas, de tal forma que a luz s&oacute; passava pelas fendas (<a href="#fig01a">figura 1a</a>). Ele observou que, em um ponto, suficientemente distante das fendas, as ondas originadas das duas fendas interferiram entre si, produzindo um padr&atilde;o alternado de listras brilhantes e escuras. Ou seja, as ondas que se encontravam construtivamente produziam uma listra brilhante, e as ondas que se encontravam destrutivamente produziam uma listra escura. Uma foto de um experimento de Young &eacute; mostrada na <a href="#fig01b">figura 1b</a>.</font></p>     <p><a name="fig01a"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a13fig01a.jpg">    <br>  <a name="fig01b"></a><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a13fig01b.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O experimento de Young, conhecido como "o interfer&ocirc;metro de fenda dupla", tamb&eacute;m pode ser realizado com mais de duas fendas. Nesse caso, observamos o padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia ilustrado na <a href="#fig01b">figura 1c</a>, que &eacute; o resultado da interfer&ecirc;ncia entre todos os poss&iacute;veis pares de ondas que se encontram na regi&atilde;o de observa&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, se houver tr&ecirc;s fendas produzindo ondas, A, B e C, o padr&atilde;o que observamos vai depender da interfer&ecirc;ncia de A com B, de B com C, e de A com C. Assim, numa dist&acirc;ncia ap&oacute;s a fenda tripla, haver&aacute; regi&otilde;es nas quais essas tr&ecirc;s interfer&ecirc;ncias s&atilde;o todas construtivas, resultando listras muito brilhantes. E, em outros lugares, haver&aacute; interfer&ecirc;ncias distintas; por exemplo, duas construtivas e uma destrutiva, havendo uma intensidade de luz reduzida, ou at&eacute; nula, formando o padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia da <a href="#fig01b">figura 1c</a>. A mesma l&oacute;gica se aplica quando h&aacute; um aumento no n&uacute;mero de fendas. Em algumas regi&otilde;es, vemos listras bem brilhantes, onde todos os pares de ondas interferem construtivamente. Em alguns pontos, vemos uma intensidade nula e em outros uma intensidade bem baixa ou nula.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Agora imagine o caso extremo desse interfer&ocirc;metro de Young, no qual temos um n&uacute;mero infinito de fendas iluminadas pela luz. Novamente, teremos algumas regi&otilde;es de observa&ccedil;&atilde;o nas quais todas as interfer&ecirc;ncias entre os pares de ondas interferem construtivamente entre si, formando "m&aacute;ximos" de intensidade. Por&eacute;m, na maior parte do tempo, teremos algumas interfer&ecirc;ncias construtivas e outras destrutivas entre os pares de ondas. Como s&atilde;o muitas ondas, a intensidade que observamos nestes pontos &eacute; muito menor do que a intensidade da luz nos m&aacute;ximos de interfer&ecirc;ncia. O que vemos na regi&atilde;o de observa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o somente os pontos de interfer&ecirc;ncia construtiva, como ilustrado na <a href="#fig01b">figura 1d</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma abertura com um n&uacute;mero muito grande de fendas &eacute; conhecida como uma rede de difra&ccedil;&atilde;o, ou grade de difra&ccedil;&atilde;o. Observamos a difra&ccedil;&atilde;o quando olhamos o lado inferior de um disco CD ou DVD, por exemplo. A luz multi-colorida que vemos &eacute; a luz branca difratada pelos trilhos do disco. Como o &acirc;ngulo de difra&ccedil;&atilde;o &eacute; diferente para cada cor, a difra&ccedil;&atilde;o na grade separa a luz branca nesse arco-&iacute;ris.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses efeitos de interfer&ecirc;ncia e difra&ccedil;&atilde;o s&atilde;o observados em pontos de observa&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o muito distantes da abertura, em compara&ccedil;&atilde;o com a dist&acirc;ncia entre as fendas e o comprimento de onda da luz. No entanto, um dos efeitos ondulat&oacute;rios mais bonitos aparece quando observamos a difra&ccedil;&atilde;o da luz muito perto de uma grade de difra&ccedil;&atilde;o. Devido &agrave; periodicidade da grade, em dist&acirc;ncias curtas, a interfer&ecirc;ncia construtiva resulta numa imagem n&iacute;tida da pr&oacute;pria grade de difra&ccedil;&atilde;o iluminada. Este &eacute; um efeito de autoimagem por interfer&ecirc;ncia conhecido como o efeito Talbot, em homenagem ao Henry F. Talbot, que observou esse fen&ocirc;meno pela primeira vez em 1836 (1). A dist&acirc;ncia entre a grade e a primeira autoimagem &eacute; conhecida como a dist&acirc;ncia de Talbot (DT) e todas as autoimagens aparecem em dist&acirc;ncias que s&atilde;o m&uacute;ltiplos inteiros de DT. Se a dist&acirc;ncia de observa&ccedil;&atilde;o for um m&uacute;ltiplo par de DT (2DT, 4DT,...), a imagem observada &eacute; id&ecirc;ntica &agrave; da grade. Se a dist&acirc;ncia de observa&ccedil;&atilde;o for um m&uacute;ltiplo &iacute;mpar de DT (DT, 3DT,...), uma autoimagem &eacute; observada, por&eacute;m esta &eacute; deslocada por metade da dist&acirc;ncia entre as fendas. O resultado dessa duplica&ccedil;&atilde;o da grade &eacute; o padr&atilde;o de intensidade bonita mostrada na <a href="#fig02a">figura 2a</a>. Podemos ver na figura uma estrutura complexa que lembra um tapete persiano e, por isto, esse padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia &eacute; conhecido como o "tapete de Talbot" ou "tapete de luz". De fato, a estrutura desse tapete de luz &eacute; ainda mais complexa do que simples autoimagens. Por exemplo, se olharmos a meia dist&acirc;ncia de Talbot da grade, DT/2, observamos um padr&atilde;o de intensidade que parece uma r&eacute;plica da pr&oacute;pria grade, s&oacute; com a dist&acirc;ncia entre os pontos brilhantes reduzida pela metade. Essa imagem, de fato, &eacute; uma superposi&ccedil;&atilde;o da imagem original com a imagem deslocada. Se olharmos a uma dist&acirc;ncia DT/3, vemos uma r&eacute;plica com per&iacute;odo reduzido por um fator tr&ecirc;s, que corresponde a uma superposi&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s c&oacute;pias da imagem, deslocadas entre si. Para qualquer dist&acirc;ncia de observa&ccedil;&atilde;o, que pode ser escrita como p/q DT, onde <i>p</i> e <i>q</i> s&atilde;o n&uacute;meros inteiros, vemos um padr&atilde;o de difra&ccedil;&atilde;o composta de <i>q</i> c&oacute;pias da imagem da grade deslocadas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig02a"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a13fig02a.jpg">    <br>  <a name="fig02b"></a><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a13fig02b.jpg">    <br>  <a name="fig02c"></a><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a13fig02c.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas imagens e r&eacute;plicas que formam o bonito tapete de luz, mostrado na <a href="#fig02a">figura 2a</a>, s&atilde;o evid&ecirc;ncias de uma estrutura matem&aacute;tica complexa e muito bonita. Recentemente, em colabora&ccedil;&atilde;o com os pesquisadores Osvaldo Far&iacute;as, Fernando de Melo e P&eacute;rola Milman, percebemos que o efeito Talbot poderia ser utilizado para realizar portas l&oacute;gicas para processar informa&ccedil;&atilde;o (2). Alguns exemplos de como processar informa&ccedil;&atilde;o com a &oacute;tica ser&atilde;o discutidos abaixo. Um aspecto interessante do nosso trabalho &eacute; que a computa&ccedil;&atilde;o pode ser observada atrav&eacute;s de tapetes de luz, como aqueles ilustrados nas <a href="#fig02a">figuras 2a</a>, <a href="#fig02b">2b</a> e <a href="#fig02c">2c</a>. Essas imagens s&atilde;o exemplos muito simples da evolu&ccedil;&atilde;o de diferentes condi&ccedil;&otilde;es iniciais do campo de luz que incide na rede de difra&ccedil;&atilde;o. Ao desenvolver o trabalho, vimos que, no m&iacute;nimo, o nosso "computador de Talbot" &eacute; capaz de produzir figuras muito lindas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Efeitos de interfer&ecirc;ncia de muitas fendas s&atilde;o intimamente relacionados com a matem&aacute;tica. Em 1995, os pesquisadores norte-americanos John Clauser e Johnathan Dowling mostraram que, em princ&iacute;pio, seria poss&iacute;vel utilizar a interfer&ecirc;ncia da luz para achar os fatores de um n&uacute;mero (3). O objetivo na tarefa de fatora&ccedil;&atilde;o &eacute; decompor um n&uacute;mero <i>N</i> nos seus fatores primos. Um n&uacute;mero primo <i>P</i> &eacute; um n&uacute;mero cujos &uacute;nicos fatores s&atilde;o 1 e o pr&oacute;prio <i>P</i>. Assim, podemos fatorar o n&uacute;mero 429 no produto de n&uacute;meros primos: 429=13x11x3. Na matem&aacute;tica, acredita-se que a fatora&ccedil;&atilde;o &eacute; um problema dif&iacute;cil. Em outras palavras, o tempo necess&aacute;rio para achar os fatores de um n&uacute;mero <i>N</i> cresce, rapidamente, com o tamanho do n&uacute;mero <i>N</i>. Por exemplo, &eacute; poss&iacute;vel achar os fatores de 429 com facilidade em poucos minutos com um peda&ccedil;o de papel e uma caneta, por&eacute;m, achar os fatores de 10.079.445.923 &eacute; muito mais dif&iacute;cil. Por outro lado, &eacute; f&aacute;cil verificar se um conjunto de n&uacute;meros s&atilde;o os fatores de <i>N</i>, pois a multiplica&ccedil;&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Levamos somente um minuto para verificar que 99839x100957 = 10.079.445.923. Hoje em dia, aproveitamos diariamente da dificuldade da fatora&ccedil;&atilde;o, pois esse problema &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o de algoritmos de criptografia de chave p&uacute;blica, que s&atilde;o muito utilizados na inform&aacute;tica, por exemplo, para enviar o n&uacute;mero do cart&atilde;o de cr&eacute;dito de forma segura em compras feitas pela internet.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tempo necess&aacute;rio para fatorar um n&uacute;mero com um computador cresce exponencialmente com o tamanho do n&uacute;mero. Como fatorar um n&uacute;mero <i>N</i> usando a interfer&ecirc;ncia? Imagine uma abertura de <i>N</i> fendas, onde <i>N</i> &eacute; um n&uacute;mero grande cujos fatores queremos achar. Clauser e Dowling mostraram que, quando essa abertura &eacute; iluminada com um feixe de luz de intensidade constante, veremos uma r&eacute;plica perfeita das fendas somente quando observamos o padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia a uma dist&acirc;ncia dada por <i>mDT</i>, onde <i>m</i> &eacute; um fator de <i>N</i>. Este &eacute; um efeito parecido com o efeito de Talbot, que agora se aplica a um n&uacute;mero finito de fendas, <i>N</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ent&atilde;o, por que n&atilde;o deciframos as comunica&ccedil;&otilde;es seguras usando a interfer&ecirc;ncia? Aqui, o nosso "c&aacute;lculo" ser&aacute; realizado na velocidade da luz; neste sentido, n&atilde;o seria poss&iacute;vel fatorar n&uacute;meros muito rapidamente? Nesse caso, h&aacute; um outro recurso que cresce exponencialmente com o tamanho do n&uacute;mero. Os n&uacute;meros usados tipicamente na criptografia, hoje em dia, t&ecirc;m centenas de d&iacute;gitos. Por exemplo, vamos pegar um n&uacute;mero muito humilde no contexto da criptografia, como <i>N=</i>10.079.445.923. Se a separa&ccedil;&atilde;o entre as fendas fosse de 1 micr&ocirc;metro (aproximadamente um cent&eacute;simo da largura de um cabelo humano) e se ignorarmos a largura de cada fenda, a abertura de <i>N</i> fendas teria 10.079.445.923 micr&ocirc;metros de largura, que &eacute; por volta de 10 Km. Se <i>N</i> tivesse 150 d&iacute;gitos, a abertura seria dez vezes maior do que o di&acirc;metro da nossa gal&aacute;xia! &Eacute; exatamente por esta raz&atilde;o que dizemos que a fatora&ccedil;&atilde;o &eacute; um problema dif&iacute;cil, j&aacute; que o recurso necess&aacute;rio para resolver o problema (espa&ccedil;o, tempo, mem&oacute;ria do computador etc) cresce exponencialmente com <i>N</i>. No caso da luz, o problema &eacute; o tamanho do feixe de luz e da abertura.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final do s&eacute;culo XIX, os cientistas perceberam que a luz &eacute; composta por pacotes indivis&iacute;veis de energia, chamados de "f&oacute;tons". Esta ideia revolucion&aacute;ria faz parte da base fundamental da f&iacute;sica qu&acirc;ntica, a nova teoria desenvolvida no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX para descrever a natureza no n&iacute;vel microsc&oacute;pico. Albert Einstein ganhou o pr&ecirc;mio Nobel da f&iacute;sica em 1921 n&atilde;o por sua teoria de relatividade, mas sim por explicar o efeito fotoel&eacute;trico (emiss&atilde;o de el&eacute;trons de um metal excitado pela luz), postulando que a luz &eacute; composta de fato por f&oacute;tons, ou "quanta" de energia. Um feixe de luz, como um laser ponteiro de cor vermelho, por exemplo, cont&eacute;m aproximadamente 10<sup>18</sup> f&oacute;tons.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que acontece quando um f&oacute;ton incide numa fenda dupla? Este experimento foi realizado em 1909 pelo cientista brit&acirc;nico Geoffrey Taylor (4). No campo distante das fendas, os f&oacute;tons foram registrados em cima de uma tela fotosens&iacute;vel. Quando um f&oacute;ton &eacute; detectado, ele aparece como um ponto na tela. Assim, com a detec&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico f&oacute;ton, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel observar nenhum padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia. No entanto, repetindo o experimento para registrar um n&uacute;mero suficiente de f&oacute;tons, vemos que os pontos na tela reproduzem o mesmo padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia que foi observado com a luz de um laser, como ilustrado na <a href="#fig01b">figura 1d</a>. Esse experimento ilustra a natureza "dual" da radia&ccedil;&atilde;o. Ao passar pela fenda dupla, o f&oacute;ton se comporta como uma onda, produzindo um padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia. Por&eacute;m, quando o f&oacute;ton &eacute; detectado na tela, ele aparece de forma localizada, como uma part&iacute;cula. Esta "dualidade" onda-part&iacute;cula &eacute; um tema central na f&iacute;sica qu&acirc;ntica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos os efeitos &oacute;ticos que observamos com a luz de um laser ou de uma l&acirc;mpada comum, s&atilde;o bem explicados atrav&eacute;s da teoria da &oacute;tica cl&aacute;ssica desenvolvida antes do s&eacute;culo XX. Por&eacute;m, novos efeitos aparecem quando tratamos de fontes de luz que emitem poucos f&oacute;tons (<a href="#fig03a">figura 3</a>). Por exemplo, imagine um semiespelho, um dispositivo que transmite metade da luz incidente e reflete a outra metade. O que acontece quando um f&oacute;ton encontra um semiespelho? O f&oacute;ton n&atilde;o se divide; ent&atilde;o, ele deve passar ou ser refletido pelo semiespelho, como mostrado na <a href="#fig03a">figura 3a</a>. Se colocarmos um detector em cada lado do semiespelho, somente um desses detectores registrar&aacute; o f&oacute;ton. Se repetirmos esse experimento muitas vezes, observaremos que o f&oacute;ton &eacute; transmitido em 50% das vezes e refletido nos outros 50%. As leis da f&iacute;sica qu&acirc;ntica determinam que esse comportamento &eacute; totalmente aleat&oacute;rio. Ou seja, &eacute; imposs&iacute;vel predeterminar por onde o f&oacute;ton vai passar. Essa aleatoriedade &eacute; uma caracter&iacute;stica intr&iacute;nseca da teoria qu&acirc;ntica. Encontramos no dia a dia processos que parecem ser aleat&oacute;rios, tais como a jogada de uma moeda. No entanto, nesses casos, &eacute; somente dif&iacute;cil prever o resultado, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel. Por exemplo, se soub&eacute;ssemos todas as condi&ccedil;&otilde;es da jogada da moeda (for&ccedil;a da jogada, massa da moeda etc) poder&iacute;amos, em princ&iacute;pio, prever se o resultado ser&aacute; "cara" ou "coroa" usando as leis da f&iacute;sica cl&aacute;ssica. Isso n&atilde;o &eacute; verdade para o caso do f&oacute;ton. As leis da f&iacute;sica pro&iacute;bem a predetermina&ccedil;&atilde;o do resultado. Dessa forma, o f&oacute;ton incidente no semiespelho &eacute; uma moeda totalmente justa: &eacute; imposs&iacute;vel prever se ele vai transmitir ("cara") ou vai refletir ("coroa"). Hoje em dia, h&aacute; empresas que vendem "geradores de n&uacute;meros aleat&oacute;rios" baseados nesse princ&iacute;pio.</font></p>     <p><a name="fig03a"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a13fig03a.jpg">    <br>  <a name="fig03b"></a><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a13fig03b.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A diferen&ccedil;a entre um f&oacute;ton e uma moeda pode ser vista ainda melhor considerando uma "caminhada aleat&oacute;ria". Imagine que um amigo joga uma moeda. Se o resultado for cara, ele toma um passo para a esquerda. Se for coroa, ele vai um passo para a direita. Repetindo esse processo um n&uacute;mero vezes, o seu amigo continua aleatoriamente para a esquerda ou para a direita cada vez que joga a moeda. No final, em m&eacute;dia, como metade dos resultados da jogada deram cara e metade deram coroa, o seu amigo vai acabar a caminhada muito perto do lugar inicial. Um f&oacute;ton, por outro lado, &eacute; capaz de realizar a "caminhada aleat&oacute;ria qu&acirc;ntica", proposta pela primeira vez pelo f&iacute;sico isrealense Yakir Aharonov em colabora&ccedil;&atilde;o com os f&iacute;sicos brasileiros Luiz Davidovich e Nicim Zagury (5). No esquema ilustrado na <a href="#fig01b">figura 1b</a>, h&aacute; um f&oacute;ton incidente num semiespelho. No caminho de cada sa&iacute;da &eacute; colocado mais um semiespelho. Em cada caminho de sa&iacute;da destes, &eacute; colocado mais um semiespelho, e assim por diante. O f&oacute;ton vai passar a refletir aleatoriamente em cada semiespelho, igual ao amigo com sua moeda. No entanto, observamos interfer&ecirc;ncia entre as diferentes poss&iacute;veis trajet&oacute;rias do f&oacute;ton pela sequ&ecirc;ncia de semiespelhos. Vemos na <a href="#fig01b">figura 1b</a> que o f&oacute;ton poderia chegar em uma das sa&iacute;das no centro por diversas trajet&oacute;rias. Estas interferem entre si. Diferente do seu amigo, &eacute; mais prov&aacute;vel o f&oacute;ton terminar a caminhada aleat&oacute;ria longe do lugar que come&ccedil;ou, como mostrado no histograma na <a href="#fig01a">figura 1c</a>. A caminhada aleat&oacute;ria tem uma ampla gama de aplica&ccedil;&otilde;es em modelagem de processos estat&iacute;sticos, tais como o mercado financeiro, a difus&atilde;o de part&iacute;culas e foi at&eacute; usada para desenhar a escultura "Quantum cloud", constru&iacute;da em Londres pelo artista pl&aacute;stico Antony Gormley em 1999.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A natureza apresenta grandes diferen&ccedil;as quando tratamos de um &uacute;nico f&oacute;ton. Com dois f&oacute;tons, a hist&oacute;ria se torna mais interessante ainda. Em alguns laborat&oacute;rios do Brasil e do mundo, h&aacute; cristais que, quando neles incide um laser, produzem um par de f&oacute;tons "g&ecirc;meos". Esses f&oacute;tons s&atilde;o chamados de g&ecirc;meos, pois s&atilde;o produzidos simultaneamente a partir da energia do mesmo f&oacute;ton do laser, de tal forma que a soma das energias dos g&ecirc;meos &eacute; igual a energia do f&oacute;ton parente. Devido aos outros v&iacute;nculos no processo, os f&oacute;tons saem do cristal com trajet&oacute;rias distintas. Em 1987, os pesquisadores, Chung K. Hong, Zhe-Yu Ou e Leonard Mandel usaram espelhos para direcionar dois f&oacute;tons com a mesma energia, de tal forma que eles chegaram simultaneamente em lados opostos de um semiespelho (6). O f&oacute;ton incidente em cada lado pode ser transmitido para o outro lado ou refletido de volta. Desta forma, h&aacute; quatro possibilidades: os dois f&oacute;tons s&atilde;o transmitidos, ou os dois f&oacute;tons s&atilde;o refletidos, ou um f&oacute;ton &eacute; transmitido e o outro refletido, ou vice-versa. O que Hong, Ou e Mandel observaram foi que os f&oacute;tons sempre "se agrupam", e saem pelo mesmo lado do semiespelho, como ilustrado na <a href="#fig03a">figura 3c</a>. Note que os primeiros dois eventos correspondem aos casos nos quais h&aacute; um f&oacute;ton em cada sa&iacute;da do semiespelho. Vamos supor que no evento no qual os dois f&oacute;tons s&atilde;o transmitidos pelo semiespelho, a amplitude &eacute; <i>A</i>. Assim, no evento no qual os dois f&oacute;tons s&atilde;o refletidos, a amplitude &eacute; <i>-A</i>. O que observamos &eacute; sempre a soma das amplitudes de todos os eventos. Como A+(<i>-A</i>)=0, esses dois eventos interferem destrutivamente, e se anulam. Dessa forma, sempre observamos os dois f&oacute;tons "agrupados" na mesma sa&iacute;da do semiespelho. Este &eacute; um efeito de interfer&ecirc;ncia que depende, essencialmente, do car&aacute;ter qu&acirc;ntico da luz.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora o agrupamento determine que os f&oacute;tons saem juntos pelo mesmo lado do semiespelho, &eacute; imposs&iacute;vel predeterminar por qual lado eles v&atilde;o sair, como no caso de um &uacute;nico f&oacute;ton. Podemos pensar que &eacute; um experimento de lan&ccedil;amento de duas moedas que sempre retornam o mesmo resultado "cara" ou "coroa", aleatoriamente. Esse experimento &eacute; an&aacute;logo a um experimento de fenda dupla, onde os dois f&oacute;tons passam juntos por uma das fendas ou juntos pela outra. Em 1999, os pesquisadores brasileiros Eduardo Fonseca, Carlos Monken e Sebasti&atilde;o P&aacute;dua realizaram o experimento de fenda dupla com pacotes de dois f&oacute;tons, chamados de "bi-f&oacute;tons" (7). Eles observaram um padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia cujas oscila&ccedil;&otilde;es variavam duas vezes mais r&aacute;pido do que o padr&atilde;o de interfer&ecirc;ncia de cada f&oacute;ton sozinho. O per&iacute;odo de oscila&ccedil;&atilde;o (dist&acirc;ncia entre listras brilhantes) &eacute; proporcional ao comprimento de onda da luz. Assim, podemos concluir que o comprimento de onda do bi-f&oacute;ton &eacute; dado pela metade do comprimento de onda de cada f&oacute;ton. Da mesma forma, um pacote de <i>N</i> f&oacute;tons teria um comprimento de onda <i>N</i> vezes menor do que o comprimento de onda dos f&oacute;tons componentes. Essa propriedade interessante tem aplica&ccedil;&otilde;es em metrologia e litografia &oacute;tica, onde a precis&atilde;o &eacute; proporcional ao per&iacute;odo de oscila&ccedil;&atilde;o da interfer&ecirc;ncia. Ou seja, quanto menor o comprimento de onda, melhor a precis&atilde;o. Esse fato se torna relevante em m&iacute;dia digital, por exemplo. Um disco blue-ray cont&eacute;m muito mais informa&ccedil;&atilde;o do que um simples CD. Um blue-ray &eacute; lido com um laser com comprimento de onda 405 nan&ocirc;metros, e um CD com laser de 780 nan&ocirc;metros. Dessa forma, os po&ccedil;os e ilhas que codificam a informa&ccedil;&atilde;o em um blue-ray podem ficar duas vezes mais pr&oacute;ximos do que em um CD, aumentando consideravelmente a quantidade de informa&ccedil;&atilde;o contida no disco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A dualidade onda-part&iacute;cula e a interfer&ecirc;ncia de dois f&oacute;tons s&atilde;o exemplos de propriedades qu&acirc;nticas da natureza. Em geral, efeitos qu&acirc;nticos aparecem somente quando tratamos de sistemas muito pequenos, compostos por poucos f&oacute;tons ou poucos &aacute;tomos, por exemplo. Em 1982, o f&iacute;sico norte-americano Richard Feynman sugeriu que sistemas qu&acirc;nticos poderiam ser &uacute;teis para processar informa&ccedil;&atilde;o (8). Uma das ideias iniciais do Feynman foi na &aacute;rea de simula&ccedil;&atilde;o computacional de sistemas f&iacute;sicos, como uma cadeia de &aacute;tomos, por exemplo. Ele notou que, para acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o de <i>M</i> sistemas qu&acirc;nticos, em geral, precisamos tomar conta da ordem de <i>2<sup>M</sup></i> n&uacute;meros complexos. Este &eacute; um crescimento exponencial que limita bastante as simula&ccedil;&otilde;es num&eacute;ricas que podem ser feitas por computadores cl&aacute;ssicos. Assim, ele sugeriu que um computador que seguisse as leis da f&iacute;sica qu&acirc;ntica seria mais adequado para tal simula&ccedil;&atilde;o. Com um simulador qu&acirc;ntico composto de somente <i>M</i> sistemas control&aacute;veis no laborat&oacute;rio, poder&iacute;amos simular <i>M</i> outros sistemas qu&acirc;nticos sobre os quais n&atilde;o temos dom&iacute;nio. Alguns anos depois, foi demonstrado, de fato, que este "computador qu&acirc;ntico" seria capaz de realizar algumas tarefas dif&iacute;ceis com um desempenho muito melhor do que qualquer computador que opera a partir das leis da f&iacute;sica cl&aacute;ssica. Um exemplo dessas tarefas &eacute; a fatora&ccedil;&atilde;o de n&uacute;meros, que poderia ser realizada eficientemente por um computador qu&acirc;ntico. Isso deu partida para uma grande corrida cient&iacute;fica-tecnol&oacute;gica em busca do computador qu&acirc;ntico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De onde vem o poder do computador qu&acirc;ntico? Na computa&ccedil;&atilde;o, a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; codificada em bits. Um bit de informa&ccedil;&atilde;o pode ser representado por um s&iacute;mbolo, que pode tomar dois valores, 0 ou 1, como um ponteiro que aponta para cima ou para baixo. Com <i>M</i> bits podemos representar <i>2<sup>M</sup></i> n&uacute;meros, de <i>0</i> a <i>2<sup>M</sup> -1</i>, por exemplo. Um sistema qu&acirc;ntico de dois n&iacute;veis, tal como um f&oacute;ton que pode ser refletido ou ser transmitido por um semiespelho, tamb&eacute;m codifica um bit de informa&ccedil;&atilde;o. Aqui poder&iacute;amos fazer a associa&ccedil;&atilde;o "transmitir = 0" e "refletir=1". Al&eacute;m disto, um f&oacute;ton pode ficar em um estado de superposi&ccedil;&atilde;o entre 0 e 1. Ou seja, depois do semiespelho, ele est&aacute;, de fato, em uma superposi&ccedil;&atilde;o entre "transmitido" e refletido". Desta forma, o f&oacute;ton representa um "bit qu&acirc;ntico", um ponteiro que pode apontar para qualquer dire&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o. Assim, <i>M</i> sistemas qu&acirc;nticos tamb&eacute;m podem representar <i>2<sup>M</sup></i> n&uacute;meros, que s&atilde;o poss&iacute;veis estados do sistema. Mas, al&eacute;m disto, esses <i>M</i> sistemas podem existir em um estado de superposi&ccedil;&atilde;o desses <i>2<sup>M</sup></i> n&uacute;meros. Essa superposi&ccedil;&atilde;o de estados d&aacute; acesso a um "paralelismo qu&acirc;ntico" que permite a realiza&ccedil;&atilde;o eficiente de algumas tarefas de computa&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o dif&iacute;ceis para computadores cl&aacute;ssicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os computadores s&atilde;o compostos de portas l&oacute;gicas b&aacute;sicas, cujo papel &eacute; de transformar esses s&iacute;mbolos, de acordo com as instru&ccedil;&otilde;es do usu&aacute;rio (o "programa"). Um resultado importante da teoria de computa&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica foi perceber quais portas l&oacute;gicas s&atilde;o necess&aacute;rias para o computador poder realizar qualquer opera&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica nos seus bits. Essas portas s&atilde;o conhecidas como "portas universais". Em 1989, o pesquisador australiano Gerard Milburn prop&ocirc;s um m&eacute;todo de implementar a porta universal "Fredkin" entre f&oacute;tons (9). Nesse esquema, um meio material com propriedades n&atilde;o-lineares &eacute; usado de tal forma que a presen&ccedil;a ou n&atilde;o de um f&oacute;ton controla a sa&iacute;da de um interfer&ocirc;metro. Essa foi a primeira proposta de implementa&ccedil;&atilde;o de uma opera&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica b&aacute;sica de um computador qu&acirc;ntico com a luz. A grande desvantagem desse esquema &eacute; a necessidade de usar um meio n&atilde;o-linear, que &eacute; muito ineficiente, tornando o esquema invi&aacute;vel com a tecnologia de hoje.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2001, Milburn, em colabora&ccedil;&atilde;o com Emanuel Knill e Raymond Laflamme (KLM), prop&ocirc;s uma arquitetura para um computador qu&acirc;ntico que funciona atrav&eacute;s da interfer&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplos f&oacute;tons (10). Nesse esquema revolucion&aacute;rio, f&oacute;tons s&atilde;o enviados por um grande conjunto de interfer&ocirc;metros que consistem simplesmente em elementos "lineares", tais como semiespelhos e placas de fase. Estas &uacute;ltimas s&atilde;o dispositivos &oacute;ticos que permitem controlar a diferen&ccedil;a de fase dentro dos interfer&ocirc;metros e determinam se a interfer&ecirc;ncia ser&aacute; construtiva ou destrutiva. Os interfer&ocirc;metros funcionam como um grande "circuito &oacute;tico" para os f&oacute;tons, em analogia com os circuitos eletr&ocirc;nicos. Por exemplo, imagine que h&aacute; <i>F</i> f&oacute;tons entrando num interfer&ocirc;metro com <i>C</i> caminhos e que <i>C</i> &eacute; maior do que <i>F</i>. A <a href="#fig03a">figura 3c</a> ilustra uma porta l&oacute;gica simples usando esse esquema. Dependendo do desenho do circuito, esses f&oacute;tons poderiam seguir dentro do circuito &oacute;tico por diversos caminhos. Os f&oacute;tons que se encontram juntos no mesmo semiespelho interfir&atilde;o entre si. No final do circuito, os f&oacute;tons poder&atilde;o sair por diferentes combina&ccedil;&otilde;es de portas de forma aleat&oacute;ria. O que KLM perceberam foi que seria poss&iacute;vel desenhar o interfer&ocirc;metro de tal forma que os eventos nos quais temos somente um f&oacute;ton em <i>F</i> sa&iacute;das correspondam &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de um conjunto de portas l&oacute;gicas. Dessa forma, usando detectores em algumas sa&iacute;das, &eacute; poss&iacute;vel identificar um evento que corresponde ao programa que queremos "compilar". O que descrevemos aqui &eacute; um computador probabil&iacute;stico, pois ele retorna o resultado desejado somente com uma certa probabilidade de sucesso. No caso de f&oacute;tons, essa probabilidade pode ser muito pequena. Por exemplo, imagine que temos dois bits <i>X</i> e <i>Y</i> e queremos inverter o valor do bit <i>Y</i> somente quando o <i>X=1</i>. Usando quatro f&oacute;tons e um interfer&ocirc;metro de oito caminhos, podemos realizar essa opera&ccedil;&atilde;o simples com uma probabilidade de sucesso de somente 6,25%. At&eacute; agora, o nosso computador qu&acirc;ntico fot&ocirc;nico n&atilde;o parece nada fant&aacute;stico. No entanto, no mesmo trabalho de 2001, KLM demonstraram uma forma de aumentar essa probabilidade usando mais f&oacute;tons e mais interfer&ocirc;metros. A ideia b&aacute;sica &eacute; que as partes probabil&iacute;sticas do computador qu&acirc;ntico fot&ocirc;nico podem ser realizadas <i>off-line</i>, antes de entrar com os dados iniciais. De certa forma, o paralelismo do computador qu&acirc;ntico permite que o c&aacute;lculo seja realizado para todos os valores poss&iacute;veis de X e Y ao mesmo tempo. Uma vez que determinamos que esse c&aacute;lculo probabil&iacute;stico funcionou, podemos escolher quais foram os dados iniciais. Dessa forma, podemos aumentar a probabilidade de sucesso do computador qu&acirc;ntico fot&ocirc;nico para cerca de 100%. Nenhum computador cl&aacute;ssico &eacute; capaz de fazer isso. O custo &eacute; um aumento consider&aacute;vel nos recursos necess&aacute;rios: muito mais f&oacute;tons, mais interfer&ocirc;metros e detectores de alta qualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Embora tenha havido muitos avan&ccedil;os desde o trabalho seminal de Feynman, um computador qu&acirc;ntico "universal", capaz de realizar qualquer tarefa computacional, ainda &eacute; um sonho. Por outro lado, h&aacute; aplica&ccedil;&otilde;es mais restritas que est&atilde;o sendo testadas hoje em dia. Uma dessas aplica&ccedil;&otilde;es &eacute; a simula&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica mencionada acima. Nesse contexto, simuladores fot&ocirc;nicos de baixa escala t&ecirc;m sido usados para emular diversos sistemas f&iacute;sicos, tais como pequenas mol&eacute;culas e part&iacute;culas interagentes (11;12). Existem, tamb&eacute;m, outros modelos de computa&ccedil;&atilde;o. Alguns destes s&atilde;o universais e outros foram desenvolvidos para resolver somente um conjunto muito restrito de problemas. Os computadores qu&acirc;nticos fot&ocirc;nicos t&ecirc;m sido explorados para investigar v&aacute;rios desses modelos (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os avan&ccedil;os da ci&ecirc;ncia fundamental sempre acompanham os avan&ccedil;os da tecnologia, e vice-versa. Ocupando um papel importante na ci&ecirc;ncia e na ind&uacute;stria, a interferometria tem sido desenvolvida muito desde a &eacute;poca do Thomas Young. Hoje, a micro-fabrica&ccedil;&atilde;o de guias de onda permite a constru&ccedil;&atilde;o de interfer&ocirc;metros de muitos caminhos em um "chip" integrado, que ocupa uma &aacute;rea de somente alguns cent&iacute;metros quadrados. Da mesma forma que a fenda dupla de Young permitiu a primeira observa&ccedil;&atilde;o de interfer&ecirc;ncia com a luz, os interfer&ocirc;metros integrados prometem viabilizar a investiga&ccedil;&atilde;o de novos fen&ocirc;menos de interfer&ecirc;ncia, principalmente aqueles que dependem da natureza qu&acirc;ntica da luz. T&eacute;cnicas mais eficientes de produ&ccedil;&atilde;o de f&oacute;tons est&atilde;o sendo desenvolvidas, as quais dar&atilde;o acesso &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o de interfer&ecirc;ncia de mais f&oacute;tons. &Eacute; muito prov&aacute;vel que a luz ainda guarde novos fen&ocirc;menos inesperados. E, com certeza, ser&atilde;o muito bonitos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Talbot, H. F. "Facts relating to optical science", nº. IV, Philos. Mag. 9, 1836.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Far&iacute;as, O. J.; Melo, F.; Milman, P.; Walborn, S. P. "Quantum information processing by weaving quantum Talbot carpets", ArXiv:1412.2710, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Clauser, J. F; Dowling, J. P. "Factoring integers with young's N-slit interferometer". Phys. Rev. A, vol. 53, nº.4587, 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Taylor, Sir G. I. "Interference fringes with feeble light". Proc. Cam. Phil. Soc. 15: 114, 1909.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Aharanov, Y.; Davidovich, L.; Zagury, N. "Quantum random walks". Phys. Rev. A, vol.48, nº.1687, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Hong, C. K.; Ou, Z. Y.; Mandel, L. "Measurement of subpicosecond time intervals between two photons by interference". Phys. Rev. Lett., vol.59, nº. 2044, 1987.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Fonseca, E. J. S.; Monken, C. H.; Padua, S. "Measurement of the de broglie wavelength of a multiphoton wave packet". Phys. Rev. Lett., vol.82, nº.2868, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Feynman, R. "Simulating physics with computers". International Journal of Theoretical Physics, vol.21 (6-7), pp.467-488, 1982.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Milburn, G. J. "Quantum optical Fredkin gate". Phys. Rev. Lett., vol.62, nº.2124, 1989.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Knill, E.; Laflamme, R.; Milburn, G. J. "A scheme for efficient quantum computation with linear optics". Nature, vol.409, pp.46-52, 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Aspuru-Guzik, A.; Walther, P. "Photonic quantum simulators". Nature Physics, vol.8, pp.285-291, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Georgescu, I. M.; Ashab, S.; Nori, F. "Quantum simulation". Rev. Mod. Phys., vol.86, nº.153, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Hogan, H. "Quantum computers appear: and are put to work". Photonics Spectra, June, 2013.    </font></p>      ]]></body><back>
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