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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A luz como met&aacute;fora na teologia e na filosofia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jo&atilde;o Jos&eacute; R. L. de Almeida</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor de l&oacute;gica e epistemologia da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), campus Limeira (SP)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A origem e a trivialidade da met&aacute;fora da luz</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O uso da luz como met&aacute;fora no &acirc;mbito da teologia e da filosofia &eacute; t&atilde;o antigo quanto a institui&ccedil;&atilde;o dessas disciplinas no repert&oacute;rio acad&ecirc;mico da humanidade. A pr&aacute;tica remonta a, pelo menos, 2.500 anos de uma muito variada e complexa hist&oacute;ria, que vem desde os fil&oacute;sofos pr&eacute;socr&aacute;ticos at&eacute; os nossos dias. Sabemos que a filosofia nasceu de um rompimento meramente metodol&oacute;gico com a mitologia. Ambas t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o ordenadora e explicativa na sociedade humana, e a &uacute;nica diferen&ccedil;a entre as duas &eacute; que a filosofia passou a basear suas explica&ccedil;&otilde;es do mundo e do universo exclusivamente na raz&atilde;o e nas evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas dispon&iacute;veis, mais do que propriamente na revela&ccedil;&atilde;o direta dos deuses ou mediante sinais m&iacute;sticos ou or&aacute;culos interpretados pelos homens. Por isto, n&atilde;o foi dif&iacute;cil, por outro lado, que met&aacute;foras semelhantes &agrave;s utilizadas na religi&atilde;o encontrassem guarida ampla e confort&aacute;vel tamb&eacute;m no discurso filos&oacute;fico. Assim, Her&aacute;clito de &Eacute;feso (que viveu provavelmente entre os anos 540 e 480 a.C.), um fil&oacute;sofo pr&eacute;-socr&aacute;tico preocupado, como todos eles, em identificar um &uacute;nico princ&iacute;pio explicativo subjacente a todo o cosmos, prop&ocirc;s o fogo como o elemento do qual tudo se originou e ao qual tudo retornar&aacute;, num processo infinito de desenvolvimento e de eterno retorno. O fogo era, na religi&atilde;o, um princ&iacute;pio de purifica&ccedil;&atilde;o, ou de destrui&ccedil;&atilde;o e de gera&ccedil;&atilde;o de poder, ou at&eacute; mesmo um elemento identificado como uma das divindades do pante&atilde;o. O pr&oacute;prio Zeus, rei de todos os deuses, porta um nome cuja etimologia indica a palavra <i>Dyeus</i>, que provavelmente significava "luz", "brilho", "luminosidade", "dia" ou "c&eacute;u". Por isto, tamb&eacute;m os pitag&oacute;ricos, alguns anos antes de Her&aacute;clito, acreditavam que a alma, que tinha origem celestial, era um princ&iacute;pio &iacute;gneo, uma part&iacute;cula do &eacute;ter que ilumina o fogo divino (1). Antigas cren&ccedil;as, provenientes da P&eacute;rsia e da Babil&ocirc;nia, e que acabaram influenciando os gregos, ligavam o destino individual dos mortos com as estrelas do c&eacute;u e com a sua luz, brilhante ou p&aacute;lida, segundo a ventura de cada pessoa (2). N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil enxergar o parentesco entre todas essas ideias de fogo, de luz e de ilumina&ccedil;&atilde;o como um elemento supremo e subjacente ao cosmos, e a sua transi&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s das gera&ccedil;&otilde;es, da teologia para a filosofia. O caminho inverso tamb&eacute;m aconteceu, da filosofia de volta &agrave; teologia, neste caso a crist&atilde;, nos s&eacute;culos posteriores &agrave;quelas primeiras elabora&ccedil;&otilde;es argumentativas do pensamento hel&ecirc;nico. Este &eacute; um fato sobejamente verificado nos primeiros textos da Patr&iacute;stica, que recorre &agrave; filosofia plat&ocirc;nica para dar subst&acirc;ncia &agrave;s suas argumenta&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se examinamos o <i>Velho Testamento</i> encontramos tamb&eacute;m, muito facilmente, toda a sorte de met&aacute;foras luminosas, tanto para ressaltar a ideia da revela&ccedil;&atilde;o divina quanto para oferecer a possibilidade de vis&atilde;o da verdade ou dos mist&eacute;rios do mundo pela pr&aacute;tica religiosa. No Salmo 36:9, por exemplo, diz-se: "gra&ccedil;as a tua luz, vemos a luz"; no Salmo 27:1, lemos que "o Senhor &eacute; a minha luz e a minha salva&ccedil;&atilde;o"; ou, ainda, em Isa&iacute;as 9:2 pode-se ver que "o povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam no vale da sombra da morte uma grande luz resplandeceu". N&atilde;o &eacute; tampouco muito dif&iacute;cil retra&ccedil;ar na hist&oacute;ria judaica antiga as similaridades com as referidas cren&ccedil;as das primeiras civiliza&ccedil;&otilde;es do Oriente M&eacute;dio e da &Aacute;sia Menor. Provavelmente tais met&aacute;foras t&ecirc;m a mesma origem que as das religi&otilde;es e mitos hel&ecirc;nicos: os sistemas de cren&ccedil;as babil&ocirc;nicas e persas, bastante pr&oacute;ximas tamb&eacute;m &agrave; mitologia judaica daquele tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na filosofia, a transposi&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima da ideia da luz como revela&ccedil;&atilde;o, como possibilidade de vis&atilde;o e como destino humano aparece, finalmente, em Plat&atilde;o. Na argumenta&ccedil;&atilde;o plat&ocirc;nica, o elemento f&iacute;sico deixa de ser o princ&iacute;pio explicativo para que a verdade, a justi&ccedil;a e o bem, conceitos que esse fil&oacute;sofo elaborou, tomassem o lugar da pr&oacute;pria luz. A analogia representada na met&aacute;fora da luz opera a transcri&ccedil;&atilde;o do elemento material para aqueles conceitos filos&oacute;ficos. A verdade, a justi&ccedil;a e o bem n&atilde;o s&atilde;o mais, em Plat&atilde;o, meras representa&ccedil;&otilde;es ou prepostos dos princ&iacute;pios cosmol&oacute;gicos. Nos di&aacute;logos plat&ocirc;nicos aqueles conceitos <i>encarnam</i> os pr&oacute;prios princ&iacute;pios cosmol&oacute;gicos. Nesses textos j&aacute; n&atilde;o mais se fala em condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade ou em princ&iacute;pios subjacentes, mas s&atilde;o os conceitos fundamentais da filosofia que se tornam, eles mesmos, os objetos luminosos. Assim, no Livro VI da <i>Rep&uacute;blica</i>, a grande analogia metaf&iacute;sica recai sobre a ideia do bem, hom&ocirc;nima da justi&ccedil;a e da verdade: o sol &eacute; filho e prog&ecirc;nie do pr&oacute;prio bem (3), ou ent&atilde;o &eacute; o seu an&aacute;logo vis&iacute;vel (4). Assim como a luz do sol torna vis&iacute;veis os objetos materiais, a luz do bem torna as formas intelig&iacute;veis, isto &eacute;, vis&iacute;veis aos olhos da nossa mente. Na alegoria da caverna, apresentada no Livro VII da <i>Rep&uacute;blica</i>, o nosso mundo, aparente e corrupt&iacute;vel, &eacute; colocado em contraste com o mundo real e perfeito das formas pela analogia do sol. Os homens presos na caverna podem ver somente as sombras projetadas nas paredes pela ilumina&ccedil;&atilde;o do fogo externo sobre os objetos que passam pelo lado de fora. Eles, em suas ignor&acirc;ncias, confundem meras sombras com a realidade. Nesse contexto, a filosofia representa uma ponte pedag&oacute;gica que serviria para que esses homens pudessem passar, gradualmente, da completa obscuridade para a luz do sol radiante que permitiria o conhecimento verdadeiro da realidade (5). Cria-se, por conseguinte, problemas filos&oacute;ficos que consistem em atravessar um longo processo de caminhada at&eacute; o conhecimento, ou que consistem em superar uma dif&iacute;cil jornada at&eacute; a contempla&ccedil;&atilde;o da verdade. A epistemologia foi a grande novidade introduzida naquele tempo. E foi desse modo que o platonismo exerceu forte influ&ecirc;ncia na teologia desde os primeiros s&eacute;culos da era crist&atilde;. Pais da Igreja - como Justino M&aacute;rtir, Or&iacute;genes e Agostinho -, simplesmente reacomodaram a met&aacute;fora da luz ao Deus Pai ou ao Esp&iacute;rito Santo, para tamb&eacute;m oferecer o conhecimento da doutrina crist&atilde; como um longo processo de aprendizagem at&eacute; a contempla&ccedil;&atilde;o da verdade divina. Na Patr&iacute;stica influenciada pelo helenismo, a divindade representava o bom, o justo e o verdadeiro, assim como o nosso mundo era apenas uma apar&ecirc;ncia corrupt&iacute;vel da realidade celestial verdadeira &agrave; qual apenas os aut&ecirc;nticos crist&atilde;os poderiam retornar depois da morte. Com a ressalva de que, no caso do cristianismo, a ponte pedag&oacute;gica para a verdade n&atilde;o &eacute; mais a pura filosofia, mas a doutrina tal como apregoada por aquelas interpreta&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o cabe muita d&uacute;vida de que a descri&ccedil;&atilde;o do uso dessas met&aacute;foras ao longo de 2.500 anos de hist&oacute;ria do pensamento filos&oacute;fico e teol&oacute;gico vai mostrar, quase que invariavelmente, que os conceitos fundamentais daquelas teorias ocupar&atilde;o o lugar da luz, e as doutrinas servir&atilde;o como ponte ou como rota pedag&oacute;gica para atravessar o caminho da obscuridade at&eacute; a ilumina&ccedil;&atilde;o completa que revelar&aacute; a realidade verdadeira subjacente ao nosso mundo obscuro. Basta que nos lembremos, por exemplo, de Descartes, e da sua ideia de que a luz natural da raz&atilde;o ilumina os objetos que podem ser conhecidos clara e distintamente (6), ou da for&ccedil;a exercida pelo pensamento iluminista, at&eacute; mesmo na filosofia contempor&acirc;nea, quando ela valoriza a raz&atilde;o ou a racionalidade acima dos seus pr&oacute;prios valores e interesses eventuais, bem como de valores pol&iacute;ticos atrelados, praticamente inerentes a qualquer forma de pensamento humano (7). Vemos exemplo disso em algumas formas do kantianismo, da filosofia anal&iacute;tica e das filosofias pol&iacute;ticas de corte marxista, apenas para citar exemplos sem relev&acirc;ncia para o objetivo deste artigo. Em todos esses casos aparecem, quase que invariavelmente, aplica&ccedil;&otilde;es muito similares da met&aacute;fora da luz.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, a trivialidade da met&aacute;fora da luz no pensamento filos&oacute;fico e teol&oacute;gico talvez torne ociosa a sua descri&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, &eacute; tamb&eacute;m poss&iacute;vel que valha a pena chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a diferen&ccedil;a entre "descri&ccedil;&atilde;o do uso" e "descri&ccedil;&atilde;o do significado". Existe, em geral, uma diferen&ccedil;a entre "uso" e "significado" como diferen&ccedil;a entre sem&acirc;ntica concreta e sem&acirc;ntica abstrata. No sentido de que, na descri&ccedil;&atilde;o do significado, quase sempre abra&ccedil;amos constantes universais e necess&aacute;rias pelas quais inferimos uma lei geral e uma previs&atilde;o acerca do que acontece no universo da sem&acirc;ntica, e, na descri&ccedil;&atilde;o do uso, j&aacute; n&atilde;o nos importamos mais com infer&ecirc;ncias universais, nos circunscrevemos apenas &agrave;s pequenas e significativas diferen&ccedil;as sem&acirc;nticas locais. Se fiz&eacute;ssemos uma descri&ccedil;&atilde;o do uso da met&aacute;fora da luz ter&iacute;amos, assim, ao longo da hist&oacute;ria, as diferen&ccedil;as de emprego da mesma met&aacute;fora, que em cada local significaria algo particularmente distinto de todos os demais casos, por causa de alguma nuance contextual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Presumo, no entanto, que, mesmo assim, a mudan&ccedil;a de foco do significado para o uso, numa suposta descri&ccedil;&atilde;o geral, n&atilde;o seria propriamente de muita ajuda, nem geraria informa&ccedil;&atilde;o realmente relevante. Obter&iacute;amos nada mais que um elenco enciclop&eacute;dico de varia&ccedil;&otilde;es sobre um tema dado, ou um longo verbete de dicion&aacute;rio filos&oacute;fico que serviria apenas para culturas demasiado detalhistas ou interessadas em uma descoberta poss&iacute;vel proveniente da entomologia dos objetos do pensamento. O que pode ser interessante apenas para muito poucos esp&iacute;ritos classificadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dados assim os termos em que se coloca o problema da exposi&ccedil;&atilde;o relevante do tema que nos desafia, proponho que retomemos a sugest&atilde;o da diferen&ccedil;a entre uso e significado, mas agora para ressaltar apenas <i>uma</i> exce&ccedil;&atilde;o &agrave; regra. Talvez assim possamos ganhar alguma informa&ccedil;&atilde;o nova e importante acerca dessa met&aacute;fora no &acirc;mbito do pensamento filos&oacute;fico. Trata-se do caso de Wittgenstein, um membro ilustre da filosofia contempor&acirc;nea e avesso &agrave; sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o da racionalidade cient&iacute;fica acima dos valores culturais de cada comunidade humana, ou seja, um cr&iacute;tico do cientificismo m&iacute;ope e da cegueira vinculada &agrave; fixa&ccedil;&atilde;o na ideia de progresso que, se estivesse vivo atualmente, dirigiria certamente a sua cr&iacute;tica aos aspectos destrutivos e desagregadores do atual movimento pasteurizador de globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e cultural.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Encontra-se entre os seus textos, quase todos eles escritos na forma de observa&ccedil;&otilde;es assistem&aacute;ticas a respeito de temas variados de l&oacute;gica, linguagem, filosofia da matem&aacute;tica e filosofia da mente, a seguinte nota que versa sobre o papel da filosofia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; matem&aacute;tica:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> A claridade filos&oacute;fica tem sobre o desenvolvimento da matem&aacute;tica a mesma influ&ecirc;ncia que a luz do sol sobre o crescimento dos brotos da batata. (Numa despensa escura eles crescem muitos metros). (8) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temos aqui uma aplica&ccedil;&atilde;o extremamente interessante da met&aacute;fora da luz. Para que vejamos esse ponto com mais detalhe, explicarei brevemente como opera uma met&aacute;fora na linguagem, e adotarei como m&eacute;todo descritivo do uso da met&aacute;fora por Wittgenstein a assim chamada "fisiognomia", apenas para lan&ccedil;ar m&atilde;o do mesmo recurso que ele aplicou na elabora&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o das suas observa&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas. Neste caso, faremos uma descri&ccedil;&atilde;o do uso para resgatar dali um significado especial tanto para a filosofia como para a teologia no sentido geral.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A opera&ccedil;&atilde;o da met&aacute;fora</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na primeira vez que li distraidamente aquela frase de Wittgenstein, minha mente, sem que me desse conta de imediato, tra&ccedil;ou uma analogia entre a filosofia como luz solar (filosofia &eacute; claridade, como diz a cita&ccedil;&atilde;o) e a influ&ecirc;ncia do sol no crescimento da vegeta&ccedil;&atilde;o. Desse modo, entendi que assim como as plantas crescem por causa da ilumina&ccedil;&atilde;o, a prosperidade da matem&aacute;tica seria devedora da filosofia. Uma ideia que, para aqueles que conhecem Wittgenstein mais de perto, soa muito estranha. Afinal, ele n&atilde;o se conta entre os entusiastas da ideia positivista de progresso, n&atilde;o concebe a filosofia de forma cognitiva, mas performativa, e defende a posi&ccedil;&atilde;o de que a filosofia n&atilde;o deve interferir na matem&aacute;tica nem explic&aacute;-la, sen&atilde;o tornar apenas vis&iacute;vel ou clara a condi&ccedil;&atilde;o da matem&aacute;tica que nos inquieta (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Evidentemente, o leitor que conhece Wittgenstein, mas n&atilde;o conhecia antes a frase, percebe, em seguida, que foi enganado pelo uso costumeiro da met&aacute;fora. Logo, deve retornar ao texto e prestar mais aten&ccedil;&atilde;o ao que est&aacute; sendo dito. A &uacute;ltima frase entre par&ecirc;nteses ajuda, ent&atilde;o, a descobrir e resolver o engodo. Brotos de batata s&oacute; prosperam no escuro. Portanto, o que Wittgenstein est&aacute; fazendo naquela frase &eacute; dar um uso completamente in&eacute;dito &agrave; met&aacute;fora da filosofia como luz. Ele destaca agora aspectos negativos da luz, n&atilde;o os positivos, e reposiciona assim o papel da filosofia relativamente ao progresso da ci&ecirc;ncia. Mas o efeito que o autor causa no leitor &eacute; o de uma absoluta surpresa e espanto. Afinal, a velha met&aacute;fora foi reatualizada agora no sentido diametralmente oposto. E a met&aacute;fora morta, depois de um desgaste de mil&ecirc;nios de aplica&ccedil;&otilde;es similares na teologia e na filosofia, reacende-se naquela hora como met&aacute;fora viva, provocando um deslocamento de sentido no leitor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o cabe, neste artigo, deter-me nos muitos detalhes de uma filosofia da met&aacute;fora (10). Defenderei apenas o meu pr&oacute;prio argumento com rela&ccedil;&atilde;o ao exemplo de Wittgenstein.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em primeiro lugar, uma met&aacute;fora tem o cond&atilde;o de chamar a aten&ccedil;&atilde;o do leitor ou do ouvinte para aspectos ainda n&atilde;o notados por este. Trata-se de um efeito perlocucion&aacute;rio provocado pelo pr&oacute;prio uso de met&aacute;foras. Se antes o leitor n&atilde;o havia se dado conta, agora sabe que um conceito teol&oacute;gico ou filos&oacute;fico tamb&eacute;m ilumina, nutre e faz crescer. Do mesmo modo, se antes o leitor n&atilde;o havia se dado conta, agora ele repara que a claridade n&atilde;o faz crescer os brotos da batata. Repare tamb&eacute;m o leitor que o uso de met&aacute;foras na escrita de Wittgenstein, em particular, &eacute; perfeitamente apropriado &agrave; sua ampla discuss&atilde;o em torno do conceito de "vis&atilde;o de aspecto" ou "ver como", mais pragm&aacute;tico, que ele prop&otilde;e em contraposi&ccedil;&atilde;o ao "ver que", mais intelectual ou cognitivo. O efeito perlocucion&aacute;rio da met&aacute;fora por ele empregada &eacute; tamb&eacute;m o de despertar uma nova vis&atilde;o de aspecto, e n&atilde;o exatamente o de explicar alguma coisa. Wittgenstein nos faz ver que a claridade filos&oacute;fica n&atilde;o se aplica diretamente &agrave; matem&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em segundo lugar, &eacute; preciso que a met&aacute;fora tamb&eacute;m carregue uma informa&ccedil;&atilde;o nova. Neste caso, ela deve poder mentir. Se a met&aacute;fora n&atilde;o pudesse ser falsa, ela tampouco poderia ser verdadeira, e j&aacute;, ent&atilde;o, n&atilde;o causaria nenhum efeito no leitor. &Eacute; preciso, portanto, que possamos duvidar de que algum conceito seja a luz para que a compara&ccedil;&atilde;o fa&ccedil;a sentido. Desta forma, o sentido figurativo deve ser tamb&eacute;m cognitivo, e, portanto, a passagem do sentido literal ao figurativo poder&aacute; ser provavelmente explicada de alguma forma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em terceiro lugar, uma met&aacute;fora &eacute; crucialmente dependente do contexto. Este &eacute; outro aspecto pragm&aacute;tico da met&aacute;fora. &Eacute; preciso que estejamos a par de alguns princ&iacute;pios que regem a conduta da coisa referida na imagem, e da nossa rela&ccedil;&atilde;o com ela, para que o efeito esperado tenha sucesso. Apenas para tomar como exemplo um poema de Fernando Pessoa, s&oacute; quem sabe que "comboio de corda" &eacute; uma esp&eacute;cie de brincadeira infantil de trem na Lisboa das d&eacute;cadas de 20 e 30 do s&eacute;culo passado, que "calhas de roda" s&atilde;o trilhos, e que as crian&ccedil;as faziam o trenzinho girar ao redor de si, poder&aacute; compreender plenamente a analogia com o entretenimento e a tens&atilde;o entre o cora&ccedil;&atilde;o e a raz&atilde;o dentro do poema em que o autor portugu&ecirc;s utiliza esses recursos. O leitor dever&aacute; cooperar com a met&aacute;fora na presun&ccedil;&atilde;o dos mesmos princ&iacute;pios pragm&aacute;ticos contextuais de conversa&ccedil;&atilde;o propostos pelo autor. No caso de Wittgenstein, vale a presun&ccedil;&atilde;o do uso cansado da met&aacute;fora da filosofia como luz, e o conhecimento da sua peculiar posi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica, para que a met&aacute;fora fa&ccedil;a efeito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fisiognomia da met&aacute;fora da luz em wittgenstein</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A "fisiognomia" era uma antiga pr&aacute;tica divinat&oacute;ria, existente desde os antigos gregos, que se havia recuperado como uma esp&eacute;cie de atividade pseudocient&iacute;fica na &eacute;poca de Goethe, as rom&acirc;nticas d&eacute;cadas transcorridas entre a metade do s&eacute;culo XVIII e a metade do s&eacute;culo XIX. Tratava-se de uma an&aacute;lise e avalia&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter de uma pessoa pelos seus tra&ccedil;os faciais. Por um breve per&iacute;odo, Johann Lavater, um dos maiores divulgadores da atividade naquela &eacute;poca, foi amigo de Goethe. Mais tarde, e desfeita essa amizade, Goethe veio a ser um dos fundadores e mais ativos participantes do Romantismo, uma rea&ccedil;&atilde;o antirracionalista e antimaterialista ocasionada pelo que foi percebido como exageros do Iluminismo franc&ecirc;s. Quando escreveu a sua <i>Morfologia das plantas</i>, por oposi&ccedil;&atilde;o e alternativa &agrave; taxonomia de Lineu, e a <i>Teoria das cores</i>, como cr&iacute;tica e op&ccedil;&atilde;o frente &agrave; &oacute;tica de Newton, Goethe valeuse das caracter&iacute;sticas formais da fisiognomia. De fato, Goethe prop&ocirc;s duas diferentes fisiognomias da natureza, recriando as leis bot&acirc;nicas e &oacute;ticas no interior das pr&oacute;prias conex&otilde;es naturais, integradas mediante uma "totalidade significativa" ou uma "face expressiva", digamos assim, das configura&ccedil;&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es dos pr&oacute;prios fen&ocirc;menos naturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Goethe foi o grande inspirador do m&eacute;todo da filosofia tardia de Wittgenstein. Reatualizando a fisiognomia de Goethe como "apresenta&ccedil;&atilde;o panor&acirc;mica", pr&aacute;tica mediante a qual descreve os elos intermedi&aacute;rios e as conex&otilde;es segundo as quais enxergamos conceitos e problemas filos&oacute;ficos, Wittgenstein renovou sua pr&aacute;tica filos&oacute;fica em 1931 (11). Deste modo, o autor passa a descrever a percep&ccedil;&atilde;o rotineira e corrente de um problema filos&oacute;fico com o intuito de despertar uma nova vis&atilde;o do aspecto. Poder&iacute;amos assim, ao ver diferente os mesmos tra&ccedil;os fisiogn&ocirc;micos de antes, dissolver o problema sem sequer tocar no material emp&iacute;rico, ou, como ele mesmo diz, como meio de "mostrar &agrave; mosca a sa&iacute;da da garrafa" (12). Sair&iacute;amos do suposto problema porque compreendemos agora que a corrente dificuldade filos&oacute;fica, afinal, n&atilde;o &eacute; propriamente uma quest&atilde;o cognitiva, mas uma maneira confusa de enxergar as configura&ccedil;&otilde;es dos conceitos, os interesses a eles associados e a maneira como deles falamos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O uso especial de experimentos mentais e de met&aacute;foras inovadoras s&atilde;o uma parte da variedade de recursos liter&aacute;rios empregados por Wittgenstein para causar surpresa no leitor e chamar a sua aten&ccedil;&atilde;o para os aspectos anteriormente n&atilde;o percebidos. Isto &eacute;, para mostrar &agrave; mosca a sa&iacute;da da garrafa dentro da qual ela se meteu e agora se debate inutilmente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como vimos, o primeiro efeito perlocucion&aacute;rio da met&aacute;fora &eacute; justamente o de chamar a aten&ccedil;&atilde;o do ouvinte ou do leitor para aspectos por este ainda n&atilde;o percebidos do objeto que foi submetido a compara&ccedil;&atilde;o. No entanto, no caso da frase citada de Wittgenstein, este efeito &eacute; atingido por um emprego curiosamente recursivo da met&aacute;fora morta da filosofia como luz solar, o que leva o antigo sentido, quase morto, para o lado oposto. A met&aacute;fora, conduzida para o sentido contr&aacute;rio, reacende-se espontaneamente por aplicar-se sobre si mesma. Por conseguinte, a luz, ou a claridade filos&oacute;fica, que antes figuravam o progresso e o desenvolvimento cognitivo, tem agora efeito reverso, n&atilde;o deixa os brotos da batata, ou a matem&aacute;tica, crescerem. O autor comunica assim, mais eficientemente, uma ideia que evoca recorrentemente em seus textos: a de que o papel da filosofia n&atilde;o &eacute; o de resolver as contradi&ccedil;&otilde;es da matem&aacute;tica, talvez provocadas por fixa&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas dos pr&oacute;prios matem&aacute;ticos, tais como o empirismo, o psicologismo, o platonismo ou o intuicionismo na teoria dos n&uacute;meros. Para ele, o papel da filosofia com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; matem&aacute;tica &eacute;, antes, o de iluminar ou esclarecer outra coisa anterior, mais origin&aacute;ria e mais profunda: "a condi&ccedil;&atilde;o da matem&aacute;tica que nos inquieta" (13). E, dessa perspectiva, a filosofia n&atilde;o se relaciona diretamente com a matem&aacute;tica, apenas esclarece as suas condi&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias, tudo aquilo que poderia provocar n&oacute;s cegos filos&oacute;ficos que impedem o desenvolvimento da matem&aacute;tica perdida em confus&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Evidentemente, a recursividade metaf&oacute;rica provoca grande surpresa no leitor. E a surpresa &eacute; a ant&iacute;tese da trivialidade, subjacente ao velho uso da filosofia luminosa. A surpresa tem o potencial de nos despertar, dir&iacute;amos, do sono dogm&aacute;tico. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que se trata de uma aplica&ccedil;&atilde;o espetacular da met&aacute;fora da claridade filos&oacute;fica. Mas acrescentaria ainda mais outro ponto: que a considera&ccedil;&atilde;o do elemento "surpresa" e do seu papel, n&atilde;o apenas na pr&aacute;tica filos&oacute;fica escolhida pelo autor, mas tamb&eacute;m dentro da matem&aacute;tica, levou o pr&oacute;prio autor a modificar a percep&ccedil;&atilde;o que at&eacute; ent&atilde;o mantinha da disciplina. At&eacute; a d&eacute;cada de 1930, seu coment&aacute;rio consistia praticamente na indica&ccedil;&atilde;o de exemplos negativos de contamina&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica na matem&aacute;tica; depois, na d&eacute;cada de 1940, passou para uma vis&atilde;o mais ampla e positiva da disciplina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na d&eacute;cada de 1930, Wittgenstein dizia que como sabemos que na linguagem s&oacute; h&aacute; proposi&ccedil;&otilde;es, e surpresas s&oacute; ocorrem no mundo, ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; surpresas em matem&aacute;tica: a matem&aacute;tica &eacute; totalmente "gramatical" (14). O autor pretendia lembrar que o matem&aacute;tico, diferentemente do cientista natural, nada descobre, apenas inventa novas configura&ccedil;&otilde;es. J&aacute; na d&eacute;cada de 1940, entraram as considera&ccedil;&otilde;es antropol&oacute;gicas e est&eacute;ticas da matem&aacute;tica, a reflex&atilde;o sobre as maneiras como os matem&aacute;ticos constituem seus objetos de investiga&ccedil;&atilde;o, e arrolam, com isso, seus valores e interesses &agrave; pesquisa. Isso ocorre na maneira como conduzem suas prosas ao redor das suas provas. Tudo o que falam os matem&aacute;ticos tornou-se, naturalmente, parte e parcela do chamado "gramatical" em Wittgenstein, que estendeu-se do exclusivamente proposicional para uma l&oacute;gica que abarca tamb&eacute;m as dimens&otilde;es pragm&aacute;ticas. Nesse per&iacute;odo, um dos seus mais ricos e interessantes estudos &eacute; justamente o do papel da "surpresa" na matem&aacute;tica (15). Aqui a surpresa prov&eacute;m da "descoberta", naturalmente, mas agora a descoberta n&atilde;o corresponde somente a uma investiga&ccedil;&atilde;o do mundo emp&iacute;rico. Pode acontecer tamb&eacute;m como decorr&ecirc;ncia de uma nova maneira de <i>enxergar</i> as configura&ccedil;&otilde;es matem&aacute;ticas. Exatamente como ocorre com a met&aacute;fora em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vis&atilde;o de um novo sentido. Quando o matem&aacute;tico fornece uma prova, inventa, segundo o autor, um novo arranjo para antigas dificuldades cujas solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o eram vislumbradas anteriormente. Com a nova configura&ccedil;&atilde;o dos mesmos problemas, as solu&ccedil;&otilde;es sobrev&ecirc;m. A surpresa, a vibra&ccedil;&atilde;o, o despertar do interesse e do entusiasmo fazem parte desta "mistura multicolorida de t&eacute;cnicas de prova" que comp&otilde;em a matem&aacute;tica como um todo (16). Notamos claramente, tamb&eacute;m aqui, o papel heur&iacute;stico da met&aacute;fora da luz na filosofia. Mas, agora, deslocada para um momento anterior, mas n&atilde;o menos necess&aacute;rio, do conhecimento cient&iacute;fico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este exemplo ins&oacute;lito talvez sirva para ilustrar o relevante papel da met&aacute;fora da luz no desenvolvimento da teologia e da filosofia. Mesmo que neste caso tenha sido um uso reverso da met&aacute;fora, isto n&atilde;o significa que o seu uso anterior n&atilde;o tenha sido positivo. Afinal, temos 2.500 anos de hist&oacute;ria da teologia e da filosofia que podem ser vistos como uma ampla variedade de ricas informa&ccedil;&otilde;es, potencialmente &uacute;teis para muitos casos. O caso de Wittgenstein encaixa-se precisamente para mostrar que o impulso para o desenvolvimento dessas &aacute;reas pode ter sido provocado, entre outros fatores tamb&eacute;m relevantes, pelo uso da met&aacute;fora da luz. Se a met&aacute;fora n&atilde;o estiver morta, seu efeito principal &eacute; o de despertar o nosso interesse, e permitir que vejamos de maneira diferente uma grande quantidade de detalhes que antes n&atilde;o perceb&iacute;amos. Para isto, entretanto, &eacute; muito importante que a filosofia e a teologia continuem causando "surpresas" aos seus leitores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Cumont, F. After life in roman paganism. New Haven: Yale University Press, p. 95. 1922.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Cumont, F. Lux perpetua. Paris: Librairie Orientaliste, pp. 142-156. 1949.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Plato. Republic. Tradu&ccedil;&atilde;o de C. Reeve. Indianapolis: Hackett Publishing Company, 507a3, p. 202. 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Plato, Op. cit., 509b2-510d2-3, pp. 204-206. 2004.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Plato, Op. cit., 514a-520a, pp. 208-213. 2004.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Descartes, R. Principes de la philosophie. In: Oeuvres de Descartes, V. IX. Paris: Ed. L&eacute;opold Cerf, Part I, 30, p. 38. 1904.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Este &eacute; o tema principal de um renomado op&uacute;sculo da Escola de Frankfurt, produzido na metade do s&eacute;culo XX: Adorno, T. &amp; Horkheimmer, M. A dial&eacute;tica do esclarecimento. Tradu&ccedil;&atilde;o de G. de Almeida. Rio de Janeiro: Editora Zahar. 1985.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Wittgenstein, L. The big typescript. TS 213. Tradu&ccedil;&atilde;o de C. Luckhardt &amp; M. Aue. Malden: Blackwell Publishing, p. 433.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Wittgenstein, L. Philosophical investigations. Tradu&ccedil;&atilde;o de J. Schulte &amp; P. Hacker. Malden: Blackwell Publishing, &#167;&#167; 125-126.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Para o leitor que quiser iniciar suas investiga&ccedil;&otilde;es sobre a filosofia da met&aacute;fora indico o texto anticognitivo de Davidson, D. "What metaphors mean". In: Inquiries into truth and interpretation. Oxford: Clarendon Press, pp. 245-264. 1984;    <!-- ref --> e o texto cognitivo de Lakoff, G. &amp; Johnson, M. Metaphors we live by. 2nd ed. Chicago: The University of Chicago Press. 2003.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Wittgenstein, L. Observa&ccedil;&otilde;es sobre o ramo dourado de Frazer. Tradu&ccedil;&atilde;o de J. de Almeida. Porto: Editora Deriva, pp. 45-47, e tamb&eacute;m Wittgenstein, L. Philosophical investigations. Op. cit., &#167; 122.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Wittgenstein, L. Philosophical investigations. Op. cit., &#167; 309.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Wittgenstein, L. Philosophical investigations. Op. cit., &#167; 125.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Wittgenstein, L. The big typescript. TS 213. Op. cit., p. 56.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Wittgenstein, L. Bemerkungen &uuml;ber die Grundlagen der Mathematik. Berlin: Suhrkamp Verlag, Teil I, Anhang II, pp. 111-115.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Wittgenstein, L. Bemerkungen &uuml;ber die Grundlagen der Mathematik. Op. Cit., Teil III, &#167; 46, p. 176.</font></p>      ]]></body><back>
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