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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Criaturas do sol na terra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pedro Peixoto Ferreira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Laborat&oacute;rio de Sociologia dos Processos de Associa&ccedil;&atilde;o - Grupo de Pesquisa Conhecimento, Tecnologia e Mercado (LaSPA/CTeMe)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>Da anatomia comparada dos anjos</i>, de 1825, Dr. Mises (pseud&ocirc;nimo de um dos principais criadores da psicof&iacute;sica, Gustav T. Fechner) concebeu o olho como "uma criatura solar na Terra" que "vive pelos e nos raios do Sol" (1). A despeito do tom sat&iacute;rico com que foi apresentada originalmente (2), a concep&ccedil;&atilde;o ganha especial interesse quando percebemos que, de uma maneira pouco usual, se refere mais a nossos olhos e ao seu mundo de luz solar do que a n&oacute;s, seus simples portadores terrestres. Tomarei emprestada essa proposi&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; anatomia dos anjos (que, para o Dr. Mises, seriam "olhos que se tornaram livres") para investigar algumas formas de exist&ecirc;ncia dessa criatura solar na Terra.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Olhando a partir da Terra, o Sol &eacute; uma bola de fogo voando no c&eacute;u, nascendo de um lado do horizonte e se pondo no outro. E "olhar a partir da Terra", entendido n&atilde;o apenas como a cria&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es visuais, mas tamb&eacute;m como a capacidade de habitar um mundo luminoso, &eacute; um modo de exist&ecirc;ncia compartilhado por diversos seres vivos e subst&acirc;ncias materiais. Seria o caso de lembrar aqui uma das proposi&ccedil;&otilde;es fundamentais da filosofia da vida de Henri Bergson, segundo a qual a vida pode ser vista como uma esp&eacute;cie de economia energ&eacute;tica, o ser vivo se definindo pelas opera&ccedil;&otilde;es de (i) ac&uacute;mulo e reserva de energia e (ii) gasto direcionado da energia acumulada.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> &#91;A&#93; principal fonte da energia utiliz&aacute;vel na superf&iacute;cie de nosso planeta &eacute; o Sol. O problema, portanto, era o seguinte: fazer com que o Sol, aqui e ali na superf&iacute;cie da terra, viesse a suspender seu gasto incessante de energia utiliz&aacute;vel, armazenasse uma certa quantidade, sob forma de energia ainda n&atilde;o utilizada, em reservat&oacute;rios apropriados de onde poderia depois escoar-se no momento desejado, no lugar desejado, na dire&ccedil;&atilde;o desejada. (3) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Bergson, ent&atilde;o, a vida &eacute; essencialmente "um esfor&ccedil;o por acumular energia e por solt&aacute;-la depois em canais flex&iacute;veis, deform&aacute;veis, na extremidade dos quais realizar&aacute; trabalhos infinitamente variados" (4). Mas existe, da perspectiva das criaturas solares na Terra, uma n&iacute;tida continuidade entre energia e informa&ccedil;&atilde;o, ambas estando sempre presentes em graus variados: desde as fun&ccedil;&otilde;es mais fundamentalmente energ&eacute;ticas do metabolismo corporal at&eacute; as fun&ccedil;&otilde;es mais fundamentalmente informacionais do sistema nervoso, para o olho, tudo se resolve na luz. A fotossensitividade manifesta esse modo de exist&ecirc;ncia nas formas de fototropismo, foto-orienta&ccedil;&atilde;o, fotoss&iacute;ntese, fotorecep&ccedil;&atilde;o, rea&ccedil;&otilde;es fotoqu&iacute;micas etc, e &eacute; para essas fun&ccedil;&otilde;es de natureza eminentemente informacional (mas sempre, em algum grau, energ&eacute;tica) que nos voltaremos aqui a partir de uma r&aacute;pida considera&ccedil;&atilde;o de uma transi&ccedil;&atilde;o entre duas formas diferentes de vis&atilde;o: (i) a vis&atilde;o objetivante da c&acirc;mara escura; e (ii) a vis&atilde;o subjetiva do laborat&oacute;rio de fisiologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se &eacute; verdade que, como disse um fisiologista polon&ecirc;s, a percep&ccedil;&atilde;o sensorial "permite ao organismo encarar ativamente as for&ccedil;as que operam em seu mundo" (5), ent&atilde;o quais for&ccedil;as cada uma dessas formas de vis&atilde;o permite encarar, e com que resultados? Sem pretender oferecer respostas a essas quest&otilde;es, este texto prop&otilde;e sondar alguns de seus elementos, tendo sempre em mente a dificuldade adicional envolvida em qualquer pesquisa que investigue seus pr&oacute;prios instrumentos de investiga&ccedil;&atilde;o - ou, na formula&ccedil;&atilde;o de um fisiologista ingl&ecirc;s: "Na maior parte de nossa investiga&ccedil;&atilde;o sobre o mundo, consideramos a informa&ccedil;&atilde;o que nossos sentidos nos d&atilde;o, mas quando estudamos os sentidos eles mesmos, estamos tentando examinar os pr&oacute;prios meios pelos quais obtemos informa&ccedil;&atilde;o" (6).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A luz como express&atilde;o do mundo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A vis&atilde;o monocular da perspectiva renascentista &eacute; o caso ideal do primeiro tipo de vis&atilde;o que gostaria de considerar aqui, na qual a luz age como express&atilde;o <i>do</i> mundo, i.e. de um mundo exterior dado e objetivo que se apresenta como &uacute;nico e absoluto. N&atilde;o que a perspectiva renascentista tenha nisso seu objetivo, mas n&atilde;o se pode negar que esse &eacute; um de seus efeitos, ali&aacute;s bastante bem aproveitado pela ci&ecirc;ncia em sua laboriosa (e controversa) busca pela objetiva&ccedil;&atilde;o de um conhecimento que se pretende objetivo (7).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Jonathan Crary, foi no final dos anos 1500 que a figura da c&acirc;mara escura come&ccedil;ou a assumir "uma import&acirc;ncia proeminente na delimita&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre o observador e seu mundo" (8), um ponto de passagem obrigat&oacute;ria (9) para se conceber e representar a vis&atilde;o. Crary encontrou, nesse processo, o aparecimento de um novo modelo de subjetividade, baseado na individualiza&ccedil;&atilde;o do observador (isolado, recluso e aut&ocirc;nomo) e na sua aus&ecirc;ncia do pr&oacute;prio ato gerador da imagem (delegado para o dispositivo e seus mecanismos). Assim, por um lado, esse observador ficava isolado do mundo, recluso em um ambiente escuro no qual tudo (at&eacute; mesmo seu pr&oacute;prio corpo) parecia recuar para o segundo plano em compara&ccedil;&atilde;o com o cone de luz exterior que, penetrando por um orif&iacute;cio controlado, projetava (e portanto objetivava, tornava mensur&aacute;vel) imagens das paisagens e formas exteriores. Crary mostra isso em <i>Optiks</i> (10), quando Isaac Newton encontra na c&acirc;mara escura "um meio transparente, refrativo, de representa&ccedil;&atilde;o", que "impede o observador de ver sua pr&oacute;pria posi&ccedil;&atilde;o como parte da representa&ccedil;&atilde;o" (11). Mostra isso tamb&eacute;m em <i>Essay concerning human understanding</i> (12), quando John Locke apresenta a c&acirc;mara escura como uma esp&eacute;cie de tribunal que "permite ao sujeito garantir e policiar a correspond&ecirc;ncia entre o mundo exterior e a representa&ccedil;&atilde;o interior" (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, al&eacute;m de gerar uma representa&ccedil;&atilde;o visual entendida como objetiva, a c&acirc;mara escura tamb&eacute;m se tornou uma representa&ccedil;&atilde;o objetiva da pr&oacute;pria vis&atilde;o, entendida como a proje&ccedil;&atilde;o de uma imagem no fundo do olho (retina) a partir de um cone de luz que penetra por um orif&iacute;cio controlado (a pupila). Crary mostra isso em <i>La dioptrique</i> (14), na forma como Ren&eacute; Descartes, ao aproveitar o c&eacute;lebre experimento do padre alem&atilde;o Christopher Sheiner e inserir um olho biol&oacute;gico com o fundo descascado (de forma a expor o verso da retina) no orif&iacute;cio pelo qual a luz exterior entra controladamente dentro da c&acirc;mara escura, fez desse olho uma c&acirc;mara escura em seu pr&oacute;prio direito - e da c&acirc;mara escura, "&#91;f&#93;undada nas leis da natureza (&oacute;tica) mas extrapolada para um plano fora da natureza" (na forma de artif&iacute;cio), um "ponto de vista privilegiado para o mundo an&aacute;logo ao olho de Deus" (15).</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> A c&acirc;mara escura, com sua abertura monocular, se tornou um terminal mais perfeito para o cone da vis&atilde;o, uma encarna&ccedil;&atilde;o mais perfeita de um ponto &uacute;nico do que o inconveniente corpo binocular do sujeito humano. A c&acirc;mera, em certo sentido, era uma met&aacute;fora para as possibilidades mais racionais de um observador em meio &agrave; crescente desordem din&acirc;mica do mundo. (16) </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O experimento de Sheiner celebrado por Descartes se, por um lado, ajudou a desacreditar as teorias emissivas da vis&atilde;o (baseadas na emiss&atilde;o de luz pelo olho) reinantes at&eacute; ent&atilde;o (17), por outro fortaleceu a ideia (atribu&iacute;da originalmente a Johannes Kepler) de que a vis&atilde;o envolve a forma&ccedil;&atilde;o de uma imagem retiniana an&aacute;loga &agrave; formada numa c&acirc;mara escura ou em um de seus principais desdobramentos tecnol&oacute;gicos, a c&acirc;mera fotogr&aacute;fica. A vis&atilde;o &eacute; aqui, como a fotografia para Philippe Dubois (18), uma "economia geral da luz", sua gest&atilde;o cuidadosa tendo em vista a produ&ccedil;&atilde;o de uma imagem fiel da cena observada.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Partamos do mais banal. Para fazer um retrato, &eacute; claro que &eacute; necess&aacute;rio ter luz para iluminar o sujeito; &eacute; necess&aacute;rio que o mesmo <i>irradie</i>, que a luz emane dele para atingir e <i>queimar</i> essa "pel&iacute;cula t&atilde;o sens&iacute;vel", t&atilde;o reativa &agrave;s suas emana&ccedil;&otilde;es que ela conservar&aacute; sua impress&atilde;o. Ao mesmo tempo e paradoxalmente, tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio que essa luz deixe de ser, se quisermos que a imagem apare&ccedil;a finalmente: a revela&ccedil;&atilde;o faz-se na c&acirc;mara escura. &#91;...&#93; A luz &eacute;, portanto, o que &eacute; necess&aacute;rio ao surgimento da imagem, mas &eacute; tamb&eacute;m o que pode faz&ecirc;-la desaparecer, apag&aacute;-la, elimin&aacute;-la por inteiro: &eacute; preciso se proteger dela tanto quanto procur&aacute;-la. Em suma, o corpo fotogr&aacute;fico nasce e morre na luz e pela luz. (19) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas se esse "corpo fotogr&aacute;fico", e para todos os efeitos, nesse contexto, esse "corpo da vis&atilde;o", "nasce e morre na luz e pela luz", ele tamb&eacute;m j&aacute; nasce, de certa forma, morto, na medida em que encontra sua imagem acabada na retina descascada de um olho retirado de um animal rec&eacute;m-abatido. Dubois (20) conta que, em 1870, um m&eacute;dico membro da Sociedade de Medicina Legal de Paris apresentou, num artigo publicado na <i>Revue Photographique des H&ocirc;pitaux de Paris</i>, um "estudo fotogr&aacute;fico da retina de sujeitos assassinados". O objetivo da investiga&ccedil;&atilde;o era, aparentemente, verificar a utilidade de se procurar, nas imagens residuais da retina (resultado do fen&ocirc;meno de reten&ccedil;&atilde;o retiniana) de pessoas assassinadas, provas ligadas ao crime, em especial que permitam a identifica&ccedil;&atilde;o do assassino. Apesar de n&atilde;o terem tido tanta serventia criminol&oacute;gica, os assim chamados "optogramas" bem que poderiam ter gerado alguns retratos reveladores de fisiologistas que, em nome do avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia sacrificaram animais apenas para encontrar, no fundo de seus olhos, a janela de seus pr&oacute;prios laborat&oacute;rios (21).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A luz como express&atilde;o de um mundo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; nos experimentos que Goethe realizou durante a constru&ccedil;&atilde;o de sua teoria das cores que Crary encontra um significativo marco de transi&ccedil;&atilde;o entre a vis&atilde;o objetivante da c&acirc;mara escura e a vis&atilde;o subjetiva que se tornaria um objeto de investiga&ccedil;&atilde;o privilegiado na psicof&iacute;sica (22). Crary nota como, nos par&aacute;grafos iniciais de <i>Farbenlehre</i> (<i>Teoria das cores</i>, 1810), Johann Wolfgang von Goethe parece reiterar a j&aacute; ent&atilde;o antiga vis&atilde;o objetivante da c&acirc;mara escura, ao descrever um experimento no qual um observador fixa o olhar em um c&iacute;rculo luminoso projetado na parede de um quarto escuro a partir de um furo na parede (23). No entanto o interesse da descri&ccedil;&atilde;o para Crary est&aacute; na forma como Goethe subitamente subverte a vis&atilde;o objetivante da c&acirc;mara escura ao propor, na sequ&ecirc;ncia, que se feche o orif&iacute;cio pelo qual penetra a luz exterior e que o observador volte seu olhar para "a parte mais escura do quarto":</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> (...) ele ver&aacute; uma imagem circular flutuando diante dele. O miolo do c&iacute;rculo aparecer&aacute; brilhante, sem cor ou um tanto amarelado, mas sua borda aparecer&aacute; vermelha. Ap&oacute;s certo tempo este vermelho, crescendo rumo ao centro, cobre todo o c&iacute;rculo at&eacute; o ponto central brilhante. No entanto, assim que todo o c&iacute;rculo fica vermelho, a borda come&ccedil;a a se tornar azul, e o azul gradualmente avan&ccedil;a rumo ao centro cobrindo o vermelho. Quando tudo fica azul a borda se torna escura e sem cor. Tal borda escura tamb&eacute;m lentamente avan&ccedil;a sobre o azul at&eacute; que o c&iacute;rculo todo toma apar&ecirc;ncia descolorida. (24) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma carta de 1691 para Locke, Newton relatou uma experi&ecirc;ncia compar&aacute;vel &agrave; de Goethe. Dentro de uma c&acirc;mara escura (ou seja, em uma situa&ccedil;&atilde;o de ilumina&ccedil;&atilde;o controlada), Newton olhou durante um breve instante para o Sol refletido em um espelho e, imediatamente, se voltou para "um canto escuro" do quarto e observou "os c&iacute;rculos coloridos que deca&iacute;am gradualmente at&eacute; desaparecerem". Repetindo a opera&ccedil;&atilde;o algumas vezes, Newton percebeu que poderia reverter intencionalmente esse gradual desaparecimento e fazer os c&iacute;rculos coloridos voltarem a ter a mesma vivacidade que tinham quando acabara de olhar para o reflexo do Sol. Al&eacute;m disso, percebeu tamb&eacute;m que poderia reavivar a vis&atilde;o dos c&iacute;rculos coloridos desde que estivesse em um ambiente escuro, se concentrasse sua fantasia (<i>fancy</i>) na dire&ccedil;&atilde;o certa: "eu podia fazer o fantasma voltar mesmo sem olhar mais para o Sol".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s exercitar suficientemente essa capacidade, Newton afirmou n&atilde;o apenas que, "se eu olhasse para as nuvens, ou para um livro, ou para qualquer objeto claro, eu via nele uma mancha redonda e brilhante como o Sol", mas tamb&eacute;m que, apesar de todo o experimento ter sido realizado usando apenas o seu olho direito, o olho esquerdo tamb&eacute;m passou a ter as mesmas vis&otilde;es. Ap&oacute;s algumas horas de experimenta&ccedil;&atilde;o, Newton exauriu seus olhos a ponto de n&atilde;o conseguir mais ler, escrever, ou fix&aacute;-los em qualquer objeto claro, e a ponto de n&atilde;o mais conseguir fazer desaparecer a imagem do Sol fixada em sua vis&atilde;o. Ele se viu ent&atilde;o obrigado a permanecer "tr&ecirc;s ou quatro" dias no escuro e, o que era particularmente dif&iacute;cil naquela situa&ccedil;&atilde;o, sem pensar no Sol (uma vez que o mais breve movimento da imagina&ccedil;&atilde;o nesse sentido fatalmente promovia o retorno do "fantasma", mesmo na mais absoluta escurid&atilde;o), ap&oacute;s o que seus olhos voltaram a lhe ser &uacute;teis, mesmo que nunca tenham se recuperado totalmente (25).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Newton, tais vis&otilde;es n&atilde;o tinham implica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas relevantes, sendo, pelo contr&aacute;rio, encaradas muito mais como casos de ilus&otilde;es subjetivas. Mas para Goethe e outros pesquisadores do s&eacute;culo XVIII, o fato de que a vis&atilde;o se manifestava mesmo no escuro - i.e., mesmo quando nenhuma luz entra na c&acirc;mara escura - se tornou um problema incontorn&aacute;vel na compreens&atilde;o cient&iacute;fica da vis&atilde;o. Que vis&atilde;o seria essa, que parecia n&atilde;o precisar de luz exterior para existir? N&atilde;o por acaso, os fosfenos se tornaram um importante personagem nessa transi&ccedil;&atilde;o da c&acirc;mara escura para o laborat&oacute;rio de fisiologia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Palavra criada em 1838 pelo m&eacute;dico franc&ecirc;s Jean Baptiste Henri Savigny a partir da jun&ccedil;&atilde;o dos termos gregos "<i>phos</i>" (luz) e "<i>phainein</i>" (mostrar), fosfenos s&atilde;o luzes e padr&otilde;es luminosos que emergem espontaneamente do pr&oacute;prio sistema visual a partir de um conjunto variado de est&iacute;mulos e em diversos tipos de situa&ccedil;&otilde;es. Estudos sugerem que a vis&atilde;o de fosfenos pode ter tido importante papel na g&ecirc;nese xam&acirc;nico-religiosa da comunica&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica humana desde a arte rupestre (26) at&eacute; a arte contempor&acirc;nea (27), passando pelo desenho infantil (28). As primeiras teorias emissivas da vis&atilde;o propostas por fil&oacute;sofos pr&eacute;-socr&aacute;ticos tamb&eacute;m t&ecirc;m &iacute;ntima rela&ccedil;&atilde;o com os fosfenos (29). Estudos laboratoriais envolvendo fosfenos s&atilde;o geralmente baseados na press&atilde;o direta do globo ocular (30), na aplica&ccedil;&atilde;o de um campo magn&eacute;tico sobre a regi&atilde;o da cabe&ccedil;a (31) e na aplica&ccedil;&atilde;o de cargas el&eacute;tricas em regi&otilde;es espec&iacute;ficas da cabe&ccedil;a (32), mas outros m&eacute;todos existem (<i>e.g.</i>: estimula&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica, sonora, motora e luminosa) e novos m&eacute;todos e aproxima&ccedil;&otilde;es continuam sendo propostos (33).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dada a sua natureza ent&oacute;ptica, isto &eacute;, interior ao sistema visual, os fosfenos acabaram adquirindo um estatuto bastante amb&iacute;guo: ao mesmo tempo extremamente subjetivos - uma vez que vistos apenas pelo observador e sem correspond&ecirc;ncia exterior - e objetivos - uma vez que manifestam o funcionamento do pr&oacute;prio sistema visual, base fisiol&oacute;gica da vis&atilde;o (34). Assim, em uma se&ccedil;&atilde;o dedicada aos fosfenos de seu livro sobre o xamanismo como "met&aacute;fora religiosa", Michael Ripinsky-Naxon, p&ocirc;de apresent&aacute;-los ao mesmo tempo como uma "ilumina&ccedil;&atilde;o interior" acess&iacute;vel apenas a "xam&atilde;s e m&iacute;sticos" e como um "processo neuroqu&iacute;mico", "uma resposta bioquimicamente induzida" que constitui "uma experi&ecirc;ncia comum a todos" (35). A ideia dos fosfenos como uma comunica&ccedil;&atilde;o interna e natural ao sistema visual, mas cuja linguagem s&oacute; &eacute; acess&iacute;vel a observadores espec&iacute;ficos (<i>e.g.</i>: xam&atilde;s), aproximou Ripinsky-Naxon da concep&ccedil;&atilde;o junguiana dos arqu&eacute;tipos e lhe permitiu propor que fosfenos fossem vistos como "arqu&eacute;tipos do sistema nervoso coletivo" (36), um sistema nervoso que poderia ser compartilhado com toda a humanidade em sua infraestrutura corporal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C&iacute;rculos coloridos que se sobrep&otilde;em na escurid&atilde;o, imagens do sol sobrevivendo na retina, padr&otilde;es luminosos gerados pelo pr&oacute;prio sistema visual... Muito diferente da vis&atilde;o objetivante da c&acirc;mara escura, que nos oferecia a imagem <i>do</i> mundo em sua realidade exterior e objetiva, a vis&atilde;o subjetiva do laborat&oacute;rio de fisiologia nos oferece a imagem <i>de um</i> mundo entre outros, um mundo repleto de singularidades e idiossincrasias (<i>e.g.</i>: reten&ccedil;&atilde;o retiniana, vis&atilde;o perif&eacute;rica, vis&atilde;o binocular, limiares da aten&ccedil;&atilde;o, fen&ocirc;menos ent&oacute;picos etc) que era preciso considerar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como bem argumenta Crary, a descoberta fisiol&oacute;gica da localiza&ccedil;&atilde;o de um <i>ponto cego</i> na exata regi&atilde;o da retina onde todas as informa&ccedil;&otilde;es coletadas da luz s&atilde;o reunidas no nervo &oacute;tico e transmitidas para o c&eacute;rebro, foi como que um golpe inesperado na vis&atilde;o objetivante da c&acirc;mara escura (37). O ponto cego representa aqui o oposto do orif&iacute;cio controlado da c&acirc;mara escura. Fazendo de um ponto invis&iacute;vel a condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel da visibilidade, essa nova concep&ccedil;&atilde;o de vis&atilde;o colocava em evid&ecirc;ncia justamente aquilo que a c&acirc;mara escura permitia manter em segundo plano: o corpo e a subjetividade do observador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo de Crary revela, assim, como o observador, j&aacute; individualizado pela c&acirc;mara escura, se torna um objeto de investiga&ccedil;&atilde;o e de conhecimento no s&eacute;culo XIX, dentro de uma nova concep&ccedil;&atilde;o subjetiva da vis&atilde;o, "uma vis&atilde;o que havia sido retirada das rela&ccedil;&otilde;es incorporais da c&acirc;mara escura e realocada no corpo humano" (38). Na passagem da &oacute;tica geom&eacute;trica do s&eacute;culo XVII para a &oacute;tica fisiol&oacute;gica do s&eacute;culo XIX, o observador da c&acirc;mara escura se transformou no observador do laborat&oacute;rio de fisiologia, investigado na sua normalidade e na sua patologia em busca de uma normatividade cient&iacute;fica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pontos cegos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O problema da vis&atilde;o objetivante da c&acirc;mara escura era que, limitando-se &agrave;quilo que Dubois chamou de uma "economia geral da luz", deixava no escuro (ou delegava a um observador desencarnado) tudo o que acontece depois que a retina &eacute; impressionada. Afinal, qual &eacute; o papel da imagem retiniana na vis&atilde;o? Qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o desta imagem retiniana com a vers&atilde;o acabada dela que acreditamos formar em nossa mente? Como explicar que a imagem n&atilde;o nos apare&ccedil;a invertida como ocorre na retina, e que vemos apenas uma cena apesar de termos dois olhos? Boa parte da concep&ccedil;&atilde;o subjetiva de vis&atilde;o promovida pela fisiologia (39) oferece avan&ccedil;os na compreens&atilde;o dessas quest&otilde;es, mas tamb&eacute;m novas quest&otilde;es, em especial ligadas aos limites e limiares da vis&atilde;o, como no caso das ilus&otilde;es, das alucina&ccedil;&otilde;es, da vis&atilde;o sinest&eacute;sica e do papel da intencionalidade na vis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao que tudo indica, a vis&atilde;o subjetiva da psicof&iacute;sica e da fisiologia do s&eacute;culo XIX, diferentemente do que Crary prop&ocirc;s, parece ainda n&atilde;o ter sa&iacute;do da c&acirc;mara escura, apenas fechado seu &uacute;nico canal de comunica&ccedil;&atilde;o com o exterior. Trouxe, sim, o corpo e a subjetividade do observador para o centro da aten&ccedil;&atilde;o, mas fez isso por meio de uma met&oacute;dica neutraliza&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o que, se j&aacute; n&atilde;o reduz a vis&atilde;o a uma c&acirc;mara escura recebendo imagens luminosas, a reduz, por sua vez, a um olho imobilizado por um aparato experimental, isolado de seu ambiente vital e social habitual e reduzido a um receptor/processador de est&iacute;mulos (40). Se o observador objetivante da c&acirc;mara escura pudesse ser comparado ironicamente ao prisioneiro do Mito da Caverna de Plat&atilde;o, cujo mundo se reduz &agrave;s imagens projetadas na parede pela luz que vem do exterior, o observador subjetivo da fisiologia seria esse mesmo prisioneiro, s&oacute; que de noite. Na aus&ecirc;ncia das imagens projetadas na parede pela luz que vem do exterior, esse observador se torna o <i>locus</i> de observa&ccedil;&atilde;o de toda sorte de comportamentos-limite, certamente reveladores de seus limiares, mas justamente por isso fantasm&aacute;ticos e in&uacute;teis para compreender uma vis&atilde;o m&oacute;vel, desejante, engajada em um mundo propriamente luminoso. &Eacute; tal engajamento em um mundo luminoso, quando as criaturas do Sol na Terra saem da c&acirc;mara escura, que ainda resta considerar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas e Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Fechner,G.T. <i>Da anatomia comparada dos anjos</i>.(Trad. Paulo Neves). S&atilde;o Paulo: Ed.34, 1998 &#91;1825&#93;, pp.21.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Cf. Marchall, M. E. "Gustav Fechner, Dr. Mises, and the comparative anatomy of angels". <i>Journal of the History of the Behavioral Sciences,</i> vol.5,nº1, pp.39-58, 1969, pp.39.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Bergson,H. <i>A evolu&ccedil;&atilde;o criadora</i>.(Trad. Bento Prado Neto) S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2005 &#91;1907&#93;, pp.125.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Bergson, H., 2005, <i>Op. cit.</i> pp.275.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Von Buddenbrock, W. <i>The senses</i>. Ann Arbor: The University of Michigan Press, 1958, pp.12.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Burtt., E.T. <i>The senses of animals</i>. London: Wykeham Publications, 1974, pp.1.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Cf. Daston,L.;Galison,P."The image of objectivity".<i>Representations</i>, vol.40, pp.81-128, 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Crary, J. <i>Techniques of the observer: on vision and modernity in the nineteenth century</i>. Cambridge: MIT Press, 1996, p.38.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Latour, B.. <i>Ci&ecirc;ncia em a&ccedil;&atilde;o: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora</i>. (Trad. Ivone C. Benedetti) S&atilde;o Paulo: Editora Unesp, 2000 &#91;1987&#93;    .</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Newton, I. <i>Optiks</i>. London: Royal Society, 1704.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Crary, J., 1996, <i>Op. cit.</i> pp.40-1.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Locke, J. <i>Essay concerning humane understanding</i>. London, 1690.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Crary, J., 1996, <i>Op. cit.</i>pp.42-3.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Descartes, R. <i>La dioptrique</i>. Leyde, 1637.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Crary, J., 1996, <i>Op. cit.</i>pp.48.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Crary, J., 1996, <i>Op. cit.</i>pp.53.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17.Se bem que j&aacute; foram propostas interessantes sobreviv&ecirc;ncias dessas teorias emissivas da vis&atilde;o na forma daquilo que ele chama de "olho mau &#91;<i>evil eye</i>&#93;" e de "raios de amor &#91;<i>love beams</i>&#93;", e mesmo na experi&ecirc;ncia gen&eacute;rica de "se sentir observado" (cf, Gross, C. G. "The fire that comes from the eye". The Neuroscientist 5(1):58-64, 1999).    <!-- ref --> Outro poss&iacute;vel exemplo contempor&acirc;neo interessante &eacute; a fun&ccedil;&atilde;o h&aacute;ptica da vis&atilde;o, proposta por Gilles Deleuze em seu estudo sobre Francis Bacon: "falaremos de <i>h&aacute;ptico</i> &#91;...&#93; quando a vis&atilde;o descobrir em si mesma uma fun&ccedil;&atilde;o de tato que lhe &eacute; caracter&iacute;stica, e que pertence s&oacute; a ela, distinta de sua fun&ccedil;&atilde;o &oacute;tica. Dir&iacute;amos, ent&atilde;o, que o pintor pinta com os olhos, mas apenas na medida em que toca com os olhos." (Deleuze, G. <i>Francis Bacon: l&oacute;gica da sensa&ccedil;&atilde;o</i>. (Trad. Roberto Machado et al.) Rio de Janeiro: Zahar, 2007 &#91;1981&#93;, pp.156).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Dubois,P. <i>O ato fotogr&aacute;fico e outros ensaios</i>.(Trad. Marina Appenzeller) Campinas: Papirus, 1993 &#91;1983&#93;, p.221.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Dubois, P., 1993 <i>Op. cit.</i> p.221.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Dubois, P., 1993, <i>Op. cit.</i> p.231.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. N&atilde;o me parece aceit&aacute;vel, por exemplo, naturalizar o tipo de comportamento estimulado neste tipo de descri&ccedil;&atilde;o t&atilde;o comum em textos de fisiologia da vis&atilde;o: "Se voc&ecirc; fizer um animal vertebrado olhar para uma janela e ent&atilde;o desligar a luz e imediatamente matar o animal, removendo seu olho e tratando-o com certos reagentes qu&iacute;micos, voc&ecirc; ver&aacute; a imagem da janela na retina." (Von Buddenbrock, W. <i>The senses</i>. Ann Arbor: The University of Michigan Press, 1958, pp.21).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Cf. Kalloniatis, M.; Luu,C.Psychophysics of vision.In:Kolb,H.; Nelson, R.; Fernandez, E.; Jones, B. (eds.). <i>Webvision: the organization of the retina and visual system</i>. Moran Eye Center:&lt;<a href="http://webvision.med.utah.edu/book/part-viii-gabac-receptors/psychophysics-of-vision/" target="_blank">http://webvision.med.utah.edu/book/part-viii-gabac-receptors/psychophysics-of-vision/</a>&gt; (acessado em 17/05/2015), 2011.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Crary, J., 1996, <i>Op. cit.</i> pp.67-8.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Goethe <i>apud</i> Crary, J., 1996, <i>Op. cit.</i>p.68.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. Cf.Newton,I."Experiments on ocular spectra produced by the action of the Sun's light on the retina". <i>The Edinburgh Journal of Science</i>, vol.4, pp.75-7, 1831 &#91;1691&#93;    .</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. Cf. Lewis-Williams, J.D.; Dowson, T.A. "The signs of all times: entopic phenomena in upper palaeolithic art". <i>Current Anthropology</i> 29(2):201-45, 1988;    <!-- ref --> Bednarik, R. G. "On neuropsychology and shamanism in rock art". <i>Current Anthropology</i> 31(1):77-84, 1990;    <!-- ref --> Dronfield, J.. "The vision thing: diagnosis of endogenous derivation in abstract arts". <i>Current Anthropology</i> 37(2):373-91, 1996;    <!-- ref --> Reichel-Dolmatoff, G. "Drug-induced optical sensations and their relationship to applied art among some colombian indians". <i>Rainforest shamans: essays on the Tukano Indians of the Northwest Amazon</i>. Dartington: Themis Books, 1997;    <!-- ref --> Hodgson, D. "Shamanism,, phosphenes, and early art: an alternative synthesis". <i>Current Anthropology</i> 41(5):866-73, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27. Hodgson, D. "Graphic primitives and the embeded figure in 20thcentury art: insights from neuroscience, ethology and perception". <i>Leonardo</i> 38(1):55-8, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28.Kellog, R.; Knoll, M.; Kugler,J. "Form-similarity between phosphenes of adults and pre-school children's scribblings". <i>Nature</i> 208:1129-30, 1965;    <!-- ref --> OSTER, G. "Phosphenes". <i>Scientific American</i> 222(2):82-7, 1970.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">29. Cf. Gross, C. G." The fire that comes from the eye". <i>The Neuroscientist</i> 5(1):58-64, 1999;    <!-- ref --> Gr&uuml;sser, O.-J.; Hagner, M.. "On the history of deformation phosphenes and the idea of internal light generated in the eye for the purpose of vision". <i>Documenta Ophtalmologica</i> vol.74, pp.57-85, 1990.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">30. Cf. Tyler, C. W. "Some new entopic phenomena".<i>Vision Research</i> 18:1633-9, 1978;    <!-- ref --> Gr&uuml;sser, O.-J.; Hagner, M. "On the history of deformation phosphenes and the idea of internal light generated in the eye for the purpose of vision". <i>Documenta Ophtalmologica</i>, vol.74, pp.57-85, 1990.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">31. Cf. Kammer, T. "Phosphenes and transient scotomas induced by magnetic stimulation of the occipital lobe: their topographic relationship". <i>Neuropsychologia, vol.</i>37, pp.191-8, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">32. Cf. Knoll, M.; Kugler, J. "Subjective light pattern spectroscopy in the encephalographic frequency rance". <i>Nature,</i> vol.184, pp.1823-4, 1959;    <!-- ref --> Euchmeier, J.; Niedermaier, S. "Excitation of subjective light patterns (phosphenes) at different altitudes". <i>International Journal of Biometeorology, vol.</i>20,nº4, pp.304-8, 1976.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">33. <i>E.g.</i>: B&oacute;kkon, I. "Phosphene phenomenon: a new concept". <i>BioSystems, vol.</i>92, pp.168-74, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">34. Na inspirada express&atilde;o de Richard Latto, padr&otilde;es est&eacute;ticos fundamentais ("<i>aesthetic primitives</i>") como as formas reveladas pelos fosfenos "s&atilde;o intrinsecamente interessantes, mesmo na aus&ecirc;ncia de sentido narrativo, pois entram em resson&acirc;ncia com os mecanismos do sistema visual que os processa" (Latto <i>apud</i> Hodgson, D. "Shamanism, phosphenes, and early art: an alternative synthesis". <i>Current Anthropology</i>, vol.41, nº5, pp.866-73, 2000, p.868).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">35. Ripinky-Naxon, M. <i>The nature of shamanism: substance and function of a religious metaphor</i>. Albany: State University of New York Press, 1993, pp.148-9.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">36. Ripinsky-Naxon, M., 1993, <i>Op. cit.</i> pp.149-50.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">37. Crary, J., 1996, <i>Op. cit.</i> pp.75.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">38. Crary, J., 1996, <i>Op. cit.</i> pp.16.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">39. Cabe notar que a psicof&iacute;sica n&atilde;o foi a &uacute;nica &aacute;rea de estudos que promoveu esta concep&ccedil;&atilde;o de vis&atilde;o, apenas se destacou nesse processo. Outra &aacute;rea que poderia ser destacada nesse processo&eacute; a neuroetologia da vis&atilde;o (cf. Camhi, J. M. <i>Neuroethology: nerve cells and the natural behavior of animals</i>. Sunderland: Sinauer Associates, 1984, pp.109-56).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">40. Como bem nota Von Buddenbrock," &eacute; muito f&aacute;cil reduzir o olho humano ao n&iacute;vel de uma m&aacute;quina" (Von Buddenbrock, W. <i>The senses</i>. Ann Arbor: The University of Michigan Press, 1958, pp.91).    </font></p>      ]]></body><back>
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