<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252015000300020</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602015000300020</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Artes Cênicas: Grupo ponto de partida celebra 35 anos de cultura brasileira]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Frederick]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marianne]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mariuzzo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<volume>67</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>63</fpage>
<lpage>65</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252015000300020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252015000300020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252015000300020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> ARTES C&Ecirc;NICAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Grupo ponto de partida celebra 35 anos de cultura brasileira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marianne Frederick; Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Presente de v&ocirc;, O gato malhado e a andorinha Sinh&aacute;, Drummond, Ser t&atilde;o Minas Gerais</i> s&atilde;o alguns dos 34 espet&aacute;culos j&aacute; montados pelo grupo de teatro mineiro Ponto de Partida. Criado em Barbacena em 1980, o grupo completa 35 anos em 2015 e tem como marca registrada a valoriza&ccedil;&atilde;o da cultura e da m&uacute;sica brasileiras. "Partimos sempre da cultura brasileira seja por meio de um autor, uma obra, um tema", conta Regina Bertola, diretora do grupo. "Por isso sempre estamos envolvidos com a m&uacute;sica brasileira, que parece ser um fio que costura a identidade de norte ao sul do pa&iacute;s", diz ela. O grupo tem hoje oito pe&ccedil;as em cartaz, um card&aacute;pio teatral que viaja por todo o Brasil, com apoio financeiro de patrocinadores mas, sobretudo, pela vontade de um grupo de artistas movidos pela paix&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a20fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi a paix&atilde;o pelo teatro que motivou a cria&ccedil;&atilde;o do grupo em Barbacena, cidade fincada na Serra da Mantiqueira, com pouco mais de 100 mil habitantes e a 169 quil&ocirc;metros da capital mineira. A pequena cidade quase n&atilde;o recebia espet&aacute;culos de teatro, dan&ccedil;a e m&uacute;sica. Foi a partir da cren&ccedil;a de que era poss&iacute;vel criar um centro de produ&ccedil;&atilde;o e pesquisa teatral fora dos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo que Regina Bertola, juntamente com um grupo de amigos, criou o Ponto de Partida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira montagem do grupo foi o espet&aacute;culo <i>Arca de No&eacute;</i>, de Vin&iacute;cius de Moraes, ainda em 1980. Jorge Amado, Ad&eacute;lia Prado e Guimar&atilde;es Rosa s&atilde;o alguns autores escolhidos para ser tema dos espet&aacute;culos do grupo. "Nosso alimento &eacute; a obra desses artistas, muito mais do que suas biografias", explica Bertola. Foi assim que surgiu <i>Drummond</i>, espet&aacute;culo cujos textos s&atilde;o baseados exclusivamente na poesia de Carlos Drummond de Andrade. "Quer&iacute;amos contar a hist&oacute;ria dele desde a inf&acirc;ncia at&eacute; a velhice e fomos costurando isso por meio dos poemas", conta a diretora. "Foi como colocar as palavras de p&eacute;, no palco, dando a elas um som, uma fei&ccedil;&atilde;o, um rosto", complementa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Costurando Mem&oacute;rias</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outro projeto mais recente - <i>Presente de v&ocirc;</i> (2013-2014) - o grupo criou um roteiro original a partir de pesquisas sobre a cultura musical brasileira. "A constru&ccedil;&atilde;o desse espet&aacute;culo partiu de uma inquieta&ccedil;&atilde;o sobre a perda de um legado fundamental na cultura brasileira, nossa m&uacute;sica", relata Bertola. "Como trabalhamos em parceria com o coro dos Meninos de Ara&ccedil;ua&iacute;, formado por crian&ccedil;as entre sete e 16 anos, eu via que muitas n&atilde;o escutam e n&atilde;o cantam mais a nossa m&uacute;sica", conta. Foi ent&atilde;o que o grupo iniciou uma extensa pesquisa sobre m&uacute;sicas tradicionais brasileiras, passando pela mem&oacute;ria ind&iacute;gena, africana, pelas cantigas das lavadeiras na beira do rio e ainda por autores como Chico Buarque, Tom Jobim e Gilberto Gil. Todo esse repert&oacute;rio vai sendo revelado a partir de um ba&uacute; de mem&oacute;rias, ao longo do espet&aacute;culo, no ritmo dos tradicionais "causos" mineiros. A mensagem &eacute; que as m&uacute;sicas, assim como as mem&oacute;rias t&ecirc;m que ser contadas e recontadas para n&atilde;o morrerem. "A constru&ccedil;&atilde;o do espet&aacute;culo &eacute; um trabalho do qual todo o grupo participa, ningu&eacute;m recebe um texto pronto. Todo o processo depende de muita improvisa&ccedil;&atilde;o at&eacute; chegar ao formato final", descreve a diretora. Formato que tamb&eacute;m &eacute; utilizado na gest&atilde;o do grupo. Hoje os 22 integrantes do Ponto de Partida se alternam nas diversas fun&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o administrativa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos pontos fortes de <i>Presente de v&ocirc; s&atilde;o os</i> Meninos de Ara&ccedil;ua&iacute;. O coro foi criado nessa cidade do Vale do Jequitinhonha pela ONG Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), mas h&aacute; 15 anos o Ponto de Partida assumiu a dire&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica do projeto. As crian&ccedil;as t&ecirc;m aulas de m&uacute;sica, percuss&atilde;o, voz, dan&ccedil;a e interpreta&ccedil;&atilde;o. O coro j&aacute; participou de cinco espet&aacute;culos do grupo teatral e tem seis CDs e dois DVDs gravados. Segundo Regina Bertola, o trabalho com o grupo melhora muito a autoestima das crian&ccedil;as, al&eacute;m de ampliar seu repert&oacute;rio cultural. "Muda o vocabul&aacute;rio, eles ficam com a percep&ccedil;&atilde;o mais agu&ccedil;ada. Essa &eacute; a grande for&ccedil;a da arte, que abre portas, que transforma. Eles aprendem pela experi&ecirc;ncia, em um encontro de prazer com arte e com o conhecimento", afirma ela.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tecendo Novas Hist&oacute;rias</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para ampliar o trabalho de capacita&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as do coro e de pessoas da comunidade interessadas em m&uacute;sica, o Ponto de Partida criou, em 2004, a Bituca, Universidade de M&uacute;sica Popular. O nome &eacute; uma homenagem a Milton Nascimento, padrinho do projeto. Os alunos trabalham com o processo de forma&ccedil;&atilde;o integral, com op&ccedil;&atilde;o de aprender entre 11 instrumentos, al&eacute;m de canto, engenharia de som &amp; produ&ccedil;&atilde;o, afina&ccedil;&atilde;o &amp; restaura&ccedil;&atilde;o de piano. A universidade ocupa um dos casar&otilde;es de um conjunto arquitet&ocirc;nico de valor hist&oacute;rico em Barbacena, a primeira f&aacute;brica de seda do Brasil, que foi restaurado pelo grupo por meio de uma parceria com o Clube de Amigos do Ponto de Partida, o Grupo Gerdau e o Instituto Inhotim. E &eacute; desse lugar e de suas hist&oacute;rias, de imigrantes italianos e mulheres oper&aacute;rias, trabalhando no s&eacute;culo XIX em Minas Gerais, que pode surgir o tema do pr&oacute;ximo espet&aacute;culo do grupo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Caminhos alternativos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se por um lado as leis de incentivo &agrave; cultura ajudaram a alavancar projetos art&iacute;sticos no Brasil, especialmente a partir dos anos 1990, por outro, mant&ecirc;m esses projetos altamente dependentes do patroc&iacute;nio de empresas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sem abrir m&atilde;o do apoio de patrocinadores de peso como a Natura e GVT, o grupo Ponto de Partida decidiu experimentar caminhos alternativos. Assim, para manter o grupo de modo sustent&aacute;vel - afinal toda a equipe &eacute; fixa - montar espet&aacute;culos e lev&aacute;-los at&eacute; o p&uacute;blico, os pr&oacute;prios artistas criaram uma rede de apoio, o Clube dos Amigos do Ponto de Partida (Capp). Como se fossem s&oacute;cios do grupo, centenas de pessoas contribuem anualmente para as atividades do Ponto de Partida. As contribui&ccedil;&otilde;es acontecem no mesmo formato que uma empresa, ou seja, quem decide ajudar pode fazer dedu&ccedil;&otilde;es no imposto de renda. Al&eacute;m do apoio financeiro, o objetivo &eacute;, segundo, informa o site do grupo, despertar a consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia de fazer parcerias com a sociedade, de modo que todos percebam que podem contribuir efetivamente para que as mudan&ccedil;as aconte&ccedil;am, mudan&ccedil;as impulsionadas pela arte, pelo teatro e pela m&uacute;sica.</font></p>      ]]></body>

</article>
