<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252015000300021</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602015000300021</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Poesia]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[André]]></surname>
<given-names><![CDATA[Márcio]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<volume>67</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>66</fpage>
<lpage>68</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252015000300021&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252015000300021&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252015000300021&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> POESIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&aacute;rcio-Andr&eacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">poderia ter nascido em cada cidade do mundo    <br>   com uma roupa diferente    <br>   em uma casa diferente    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   e poderia ter tido    <br>   os mesmos amigos com outros nomes    <br>   e falar tudo outra vez    <br>   em diferentes l&iacute;nguas    <br>   para chegar a este mesmo instante    <br>   vindo de distintas trajet&oacute;rias:    <br>   h&aacute; tantos    <br>   infinitos dentro do infinito    <br>   e tantos nomes para a infinita possibilidade    <br>   de ser quem se &eacute;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   que o infinito n&atilde;o se reduz &agrave; sem&acirc;ntica de infinito:    <br>   num caf&eacute; de cada cidade    <br>   o mesmo grupo de gente    <br>   repetindo-se em outras caras    <br>   cumprindo os mesmos gestos    <br>   diante das mesmas piadas:    <br>   por mais distantes ou alheios    <br>   os lugares permanecem l&aacute;    <br>   &agrave; espera    <br>   do jeito que sempre foram    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   na nervura luminosa da noite    <br>   suportando em si a mec&acirc;nica de se viv&ecirc;-los    <br>   mudar de pa&iacute;s j&aacute; n&atilde;o faz diferen&ccedil;a    <br>   os feriados s&atilde;o os mesmos    <br>   com datas distintas    <br>   os sotaques s&atilde;o os mesmos    <br>   para outros ouvidos    <br>   a burocracia &eacute; a mesma    <br>   com outros nomes para os pap&eacute;is:    <br>   se pud&eacute;ssemos morrer somente uma parte    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   - essa que &eacute; infeliz -    <br>   seria sim poss&iacute;vel partir de um lugar a outro    <br>   como se fosse mera quest&atilde;o    <br>   de deslocamento espacial    <br>   mas &eacute; preciso levar todos os deuses dentro de si    <br>   ante o tr&acirc;nsito das horas:    <br>   o que demarca as etapas da vida    <br>   s&atilde;o as mudan&ccedil;as do n&uacute;mero de telefone    <br>   e delas herdamos apenas    <br>   as infinitas possibilidades    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   de uma chamada por engano:    <br>   nenhum lugar cabe totalmente em n&oacute;s    <br>   com suas pedras e suas pontes    <br>   com seu ar cheio de cor    <br>   a volta das borboletas    <br>   ao viver na converg&ecirc;ncia das l&iacute;nguas    <br>   conhecemos a din&acirc;mica entre os acentos:    <br>   mudar de pa&iacute;s j&aacute; n&atilde;o faz diferen&ccedil;a    <br>   as vidas ali s&atilde;o as mesmas    <br>   em outras pessoas    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   um homem fala    <br>   diariamente ao c&atilde;o    <br>   o c&atilde;o compreende at&eacute;    <br>   onde o afeto permite -    <br>   o homem se humaniza com o que h&aacute;    <br>   de humano no n&atilde;o compreender dos c&atilde;es    <br>   como se preexistisse animal    <br>   no fim do animal    <br>   ou fosse canto de outro canto    <br>   no antidizer do latido    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   ainda perto de onde estamos    <br>   quando somos o outro    <br>   no or&aacute;culo dos afetos:    <br>   as cidades n&atilde;o est&atilde;o somente no espa&ccedil;o    <br>   est&atilde;o no tempo e n&oacute;s    <br>   no tempo delas    <br>   aprendendo sobre o mal:    <br>   no limite do p&aacute;tio    <br>   o c&atilde;o mija num limoeiro dourado    <br>   fazendo celeste o seu entender    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   de onde come&ccedil;a o c&atilde;o    <br>   de onde acaba o homem</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>M&aacute;rcio-Andr&eacute;</i></b><i> &eacute; escritor, performer, artista sonoro e visual, nascido no Rio de Janeiro em 1978, &eacute; autor de livros de poesia, ensaios e novelas. Colaborou com jornais e revistas, tais como O Globo, Jornal do Brasil e O Estado de Minas. Foi traduzido para dez idiomas, integrando antologias nacionais e internacionais e aparecendo em edi&ccedil;&otilde;es de revistas como Neue Rundschau (Alemanha), Rattapallax (EUA), Action Po&eacute;tique (Fran&ccedil;a), Poesia Sempre (Brasil), Tuli &amp; Savu (Finl&acirc;ndia), Avocado (Reino Unido), Oficina de Poesia (Portugal) e T&eacute;chne (It&aacute;lia). &Eacute; tamb&eacute;m editor e um dos fundadores da editora, produtora e coletivo Confraria do Vento.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Os poemas aqui publicados pertencem ao livro</i> Poemas ap&oacute;crifos de Paul Val&eacute;ry.    <br>   <i>Traduzidos por M&aacute;rcio-Andr&eacute;. Confraria do Vento, Rio de Janeiro, 2014</i></font></p>      ]]></body>
</article>
