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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TEND&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jovens e a m&iacute;dia brasileira na preven&ccedil;&atilde;o de DST/AIDS e hepatites virais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Marta Avancini</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Historiadora e especialista em jornalismo cient&iacute;fico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). &Eacute; respons&aacute;vel pela pesquisa que resultou no estudo "A m&iacute;dia brasileira enfocando os jovens como atores centrais na preven&ccedil;&atilde;o de DST/Aids e hepatites virais: relat&oacute;rio final "</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma d&eacute;cada, a incid&ecirc;ncia de casos de Aids na faixa et&aacute;ria de 15 a 24 anos saltou de 9,6/100 mil pessoas em 2004 para 12,4/100 mil em 2013, um aumento de 29%, segundo o &uacute;ltimo Boletim Epidemiol&oacute;gico HIV-Aids do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, divulgado em dezembro de 2014. Ao todo, 4.414 novos jovens foram detectados com o v&iacute;rus em 2013, ao passo que em 2004 eram 3.453. No mundo, cerca de 3 mil jovens entre 15 e 24 anos de idade s&atilde;o infectados por HIV a cada dia, segundo a Declara&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica sobre HIV/Aids da Assembleia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O dado sinaliza para uma tend&ecirc;ncia distinta daquela verificada para a popula&ccedil;&atilde;o em geral, em que a epidemia tende &agrave; estabiliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de n&uacute;mero de mortes, o que gera preocupa&ccedil;&atilde;o e um questionamento: por que, apesar do aparente sucesso das pol&iacute;ticas de sa&uacute;de nesse campo e da &ecirc;nfase na preven&ccedil;&atilde;o nas campanhas, a&ccedil;&otilde;es educativas e midi&aacute;ticas, o n&uacute;mero de jovens que contraem o HIV est&aacute; aumentando?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Esse cen&aacute;rio foi o mote da pesquisa "A m&iacute;dia brasileira enfocando os jovens como atores centrais na preven&ccedil;&atilde;o das DST/Aids e hepatites virais", realizada entre 2011 e 2012 pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Cultura (Unesco) e pela ONG Andi - Comunica&ccedil;&atilde;o em Direitos para o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (1). O estudo, rec&eacute;m-lan&ccedil;ado, combina metodologias quantitativas e qualitativas, para compreender como a m&iacute;dia aborda os temas relacionados ao HIV, Aids e doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis (DST) e em que medida est&aacute; se estabelecendo uma interlocu&ccedil;&atilde;o efetiva com os jovens para se transmitir o recado da preven&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A m&iacute;dia e as tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TICs), por suas caracter&iacute;sticas e por serem altamente atrativas aos jovens, despontam como canais privilegiados para difundir a mensagem da preven&ccedil;&atilde;o. No entanto, a pesquisa evidenciou uma s&eacute;rie de barreiras que acabam por esvaziar esse potencial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tomando como ponto de partida os resultados da an&aacute;lise da cobertura em jornais de circula&ccedil;&atilde;o nacional e regional sobre HIV/Aids e DST realizada pela Andi entre 2007 e 2011, foram realizados grupos focais com adolescentes e jovens e workshops com a finalidade de motivar o debate sobre a cobertura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Segundo a Andi, em 31,6% dos textos jornal&iacute;sticos s&atilde;o citadas medidas de preven&ccedil;&atilde;o do HIV/Aids, DST e hepatites. Quase metade dessas refer&ecirc;ncias (49,6%) diz respeito ao uso do preservativo nas rela&ccedil;&otilde;es sexuais. Em segundo lugar, est&aacute; a vacina&ccedil;&atilde;o contra a hepatite (18,6%) e, em terceiro, as medidas de educa&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o preventivas (15,3%). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas o resultado dos sete grupos focais com 60 adolescentes e jovens evidencia que n&atilde;o basta dar o recado. &Eacute; fundamental considerar como este recado est&aacute; sendo passado, o que pode abrir campo para se renovar as estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o sobre preven&ccedil;&atilde;o das DST, Aids e hepatites dirigidas ao p&uacute;blico jovem. Foram ouvidos alunos de escolas p&uacute;blicas, privadas e jovens engajados em organiza&ccedil;&otilde;es sociais de comunica&ccedil;&atilde;o, direitos humanos, al&eacute;m de jovens vivendo com HIV/Aids entre 13 e 26 anos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para os participantes da pesquisa, apesar de a m&iacute;dia associar a preven&ccedil;&atilde;o ao uso do preservativo, a informa&ccedil;&atilde;o tende a ser fragmentada e descontextualizada. Muitos demonstram desconhecimento sobre como usar corretamente o preservativo, al&eacute;m de terem vergonha de compr&aacute;-los na farm&aacute;cia ou no supermercado. Finalmente, chamam a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que, nem sempre, o acesso a preservativos nas unidades de sa&uacute;de &eacute; assegurado.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote><i>Chega a bomba da informa&ccedil;&atilde;o: "usar camisinha, usar camisinha, usar camisinha". Isso eu j&aacute; sei, mas o que vai acontecer se eu n&atilde;o usar camisinha?</i> (adolescente participante do grupo focal, S&atilde;o Paulo).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nem mesmo a possibilidade de o v&iacute;rus HIV levar &agrave; morte parece mobilizar os jovens - afinal, eles pertencem a uma gera&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o viu seus &iacute;dolos morrerem em decorr&ecirc;ncia da infec&ccedil;&atilde;o. Paralela e contraditoriamente, o sucesso da pol&iacute;tica de distribui&ccedil;&atilde;o de medicamentos antirretrovirais &eacute; um fator que colabora para reduzir a percep&ccedil;&atilde;o do risco de contrair o v&iacute;rus.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As campanhas oficiais, que tendem a se concentrar no per&iacute;odo do carnaval, pouco colaboram para a difus&atilde;o de h&aacute;bitos de preven&ccedil;&atilde;o, afirmam os jovens. A &ecirc;nfase do discurso no risco de contamina&ccedil;&atilde;o (em lugar de um tratamento positivo e naturalizado da preven&ccedil;&atilde;o), somada ao foco no uso do preservativo dissociada de informa&ccedil;&otilde;es sobre as DSTs, gera questionamentos e duvidas sobre por que seu uso &eacute; t&atilde;o importante.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>Tem a campanha da preven&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o tem aquela que explica como. As pessoas t&ecirc;m ainda essa d&uacute;vida, seria tamb&eacute;m legal focar nisso. &#91;E as pessoas&#93; v&atilde;o ficar com menos vergonha de ir pro posto, porque tamb&eacute;m a gente passa preconceito em alguns postos, as pessoas olham pra quem vai pegar camisinha epensam: "Esse a&iacute; &eacute; pegador "</i> (grupo focal com adolescentes, Distrito Federal).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os resultados dos grupos focais sugerem, ent&atilde;o, que uma comunica&ccedil;&atilde;o clara, objetiva e aprofundada pode conduzi-los &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o, pois, dessa forma, as mensagens passam a fazer sentido e a ter significado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito &agrave; interface com a m&iacute;dia, essa demanda esbarra num elemento central da l&oacute;gica de produ&ccedil;&atilde;o de noticias: a necessidade (constante) de novos dados e enfoques que justifiquem trazer o tema &agrave; pauta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nesse sentido, nos workshops, os jornalistas justificaram que a cobertura sobre HIV/Aids, DSTs e hepatites tende a coincidir com os per&iacute;odos em que h&aacute; divulga&ccedil;&atilde;o de novos dados e a&ccedil;&otilde;es, o carnaval e o Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de dezembro). Participaram, ao todo, 57 jornalistas de 25 ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o (jornais, revistas, internet, r&aacute;dio, TV e m&iacute;dia jovem).</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote><i>Eu n&atilde;o vejo dificuldade em fazer mat&eacute;ria, eu s&oacute; vejo dificuldade em apresentar coisa nova. N&atilde;o existe novidade, entendeu? O jornal est&aacute; interessado em publicar boas mat&eacute;rias, mas s&oacute; ser&atilde;o boas se houver alguma novidade</i> (jornalista participante do workshop, Rio de Janeiro).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como os adolescentes e jovens, os jornalistas identificam uma certa banaliza&ccedil;&atilde;o da mensagem "use camisinha", o que repercute negativamente na cobertura - como a mensagem &eacute; sempre a mesma, faltam ganchos para as not&iacute;cias. Paralelamente, a cobertura tende a permanecer associada &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas na &aacute;rea, mais especificamente ao programa de distribui&ccedil;&atilde;o gratuito de medicamentos &agrave;s pessoas que vivem com HIV e com Aids. Tamb&eacute;m entre os jornalistas, h&aacute; a percep&ccedil;&atilde;o de que o sucesso das pol&iacute;ticas brasileiras para o enfrentamento da epidemia do HIV/Aids afastou o tema do foco de interesse da imprensa, bem como tende a diminuir a percep&ccedil;&atilde;o de risco com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; infec&ccedil;&atilde;o.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote><i>Todo mundo comprou que a gente tem um programa que funciona. A gente distribui os medicamentos para as pessoas, temos uma tend&ecirc;ncia de queda, tudo parece muito bom. Do contato que temos com as ONGspercebemos que eles est&atilde;o muito ativos. (...)</i> (jornalista participante do workshop, S&atilde;o Paulo).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante de um cen&aacute;rio em que a Aids, como fen&ocirc;meno social, deixou de ter uma posi&ccedil;&atilde;o de destaque entre os valores que orientam os jornalistas na sele&ccedil;&atilde;o dos temas que dar&atilde;o origem &agrave;s not&iacute;cias, constata-se uma necessidade premente: identificar um enfoque diferenciado, numa perspectiva de valoriza&ccedil;&atilde;o do autocuidado e da vida, capaz de trazer o tema DST, Aids e hepatites virais ao dia a dia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Departamento Nacional de DST/Aids e Hepatites Virais. "A m&iacute;dia brasileira enfocando os jovens como atores centrais na preven&ccedil;&atilde;o de DST/Aids e hepatites virais: relat&oacute;rio final". Bras&iacute;lia: MS, 2014.    </font></p>      ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Ministério da Saúde</collab>
<collab>Secretaria de Vigilância em Saúde^dDepartamento Nacional de DST/Aids e Hepatites Virais</collab>
<source><![CDATA["A mídia brasileira enfocando os jovens como atores centrais na prevenção de DST/Aids e hepatites virais: relatório final"]]></source>
<year>2014</year>
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