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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br>   ALIMENTOS ORG&Acirc;NICOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Qualidade desses produtos tamb&eacute;m depende de conhecimento do consumidor</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Leonor Assad</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n4/a04fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acompanhando uma tend&ecirc;ncia mundial de procura por alimentos considerados saud&aacute;veis, o interesse de consumidores brasileiros por produtos org&acirc;nicos tem crescido muito nos &uacute;ltimos anos. De acordo com o Minist&eacute;rio da Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento (Mapa), para ser considerado org&acirc;nico, um alimento tem que ser produzido em um ambiente onde se utiliza como base do processo produtivo os princ&iacute;pios agroecol&oacute;gicos que contemplam o uso respons&aacute;vel do solo, da &aacute;gua, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as rela&ccedil;&otilde;es sociais e culturais. Sendo assim, a produ&ccedil;&atilde;o de org&acirc;nicos n&atilde;o pode usar agrot&oacute;xicos, fertilizantes industrializados, antibi&oacute;ticos, horm&ocirc;nios, organismos geneticamente modificados, conservantes, aditivos e irradia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No Brasil, desde 2003, a produ&ccedil;&atilde;o e a comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos org&acirc;nicos s&atilde;o regulamentadas por lei federal (Lei 10.831), mas, pela impossibilidade de se fiscalizar regularmente todos os produtores, &eacute; muito dif&iacute;cil saber se o produto que estamos comprando na feira ou no supermercado &eacute; mesmo org&acirc;nico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todo produto org&acirc;nico deve possuir um selo, obtido por auditoria ou por sistema participativo, que &eacute; uma certifica&ccedil;&atilde;o do Sistema Brasileiro de Avalia&ccedil;&atilde;o da Conformidade Org&acirc;nica (SisOrg), do Mapa, e &eacute; obrigat&oacute;rio desde 1º de janeiro de 2011. Uma exce&ccedil;&atilde;o &eacute; feita para os produtos da agricultura familiar, vendidos em feiras livres e pequenos mercados locais. Neste caso, o produtor deve possuir uma declara&ccedil;&atilde;o de cadastro de produtor org&acirc;nico familiar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa venda direta e sem certifica&ccedil;&atilde;o &eacute; importante a rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a entre consumidores e produtores, e estes devem fazer parte de uma organiza&ccedil;&atilde;o de controle social (OCS) - que pode ser um grupo de agricultores familiares, uma associa&ccedil;&atilde;o, cooperativa ou um cons&oacute;rcio, com ou sem personalidade jur&iacute;dica. A OCS deve garantir o livre acesso dos consumidores e dos &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores &agrave;s propriedades e ao local de produ&ccedil;&atilde;o e deve ser cadastrada em &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores, que pode ser o Mapa, e o consumidor pode pedir a declara&ccedil;&atilde;o de cadastro do produtor, para confirmar sua condi&ccedil;&atilde;o. Nesse sistema, a comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos org&acirc;nicos s&oacute; pode ser feita dentro do munic&iacute;pio produtor ou entre munic&iacute;pios vizinhos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>GARANTIA</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A certifica&ccedil;&atilde;o &eacute; um mecanismo para garantir a proced&ecirc;ncia e a qualidade de um alimento org&acirc;nico,<i> in natura</i> ou processado. A legisla&ccedil;&atilde;o brasileira estabelece tr&ecirc;s mecanismos para certifica&ccedil;&atilde;o: por auditoria, por meio de sistemas participativos de garantia e pelo controle social para a venda direta sem certifica&ccedil;&atilde;o. Todos devem estar registrados no Cadastro Nacional de Produtores Org&acirc;nicos. A auditoria &eacute; feita pelos chamados organismos de avalia&ccedil;&atilde;o da conformidade (OAC), empresas p&uacute;blicas ou privadas, credenciadas pelo Mapa, que fiscalizam desde a planta&ccedil;&atilde;o at&eacute; o processamento e a comercializa&ccedil;&atilde;o e assumem a responsabilidade pelo uso do selo brasileiro. A certificadora tem que ser independente, sem v&iacute;nculo direto com quem produz ou com quem compra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; os sistemas participativos de garantia (SPG) s&atilde;o grupos formados por produtores, consumidores, t&eacute;cnicos e pesquisadores que estabelecem procedimentos de verifica&ccedil;&atilde;o das normas de produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica daqueles produtores que comp&otilde;em o SPG. Esses grupos se caracterizam pela responsabilidade coletiva de seus membros. Para desenvolver suas atividades, um SPG precisa estabelecer um organismo participativo de avalia&ccedil;&atilde;o da conformidade (Opac), pessoa jur&iacute;dica, tamb&eacute;m credenciado e fiscalizado pelo Mapa, respons&aacute;vel legal pelos produtores, pelo manejo adotado na produ&ccedil;&atilde;o e pela documenta&ccedil;&atilde;o do processo de certifica&ccedil;&atilde;o que permite o uso do selo do SisOrg. Para ter o selo brasileiro, produtos industrializados devem respeitar as normas de fabrica&ccedil;&atilde;o, para evitar qualquer contamina&ccedil;&atilde;o do produto com subst&acirc;ncias indesejadas. O produto deve ser composto por no m&iacute;nimo 95 % de ingredientes org&acirc;nicos. Os que t&ecirc;m propor&ccedil;&atilde;o menor s&oacute; podem ser chamados de "produto com ingredientes org&acirc;nicos " e essa propor&ccedil;&atilde;o deve ser de no m&iacute;nimo 70 %. Os com menos de 70 % de ingredientes org&acirc;nicos n&atilde;o podem ser vendidos como produto org&acirc;nico e n&atilde;o podem ter o selo brasileiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ESTRAT&Eacute;GIAS DIFERENCIADAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O selo de certifica&ccedil;&atilde;o de um alimento org&acirc;nico visa fornecer ao consumidor a garantia de que se trata de um produto isento de contamina&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica. Mas n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel garantir a aus&ecirc;ncia total de res&iacute;duos qu&iacute;micos nos produtos org&acirc;nicos, pois existem compostos persistentes no solo que podem causar contamina&ccedil;&atilde;o ambiental. Tamb&eacute;m pode ocorrer deriva&ccedil;&atilde;o por proximidade com propriedades agr&iacute;colas que adotam sistemas convencionais. Por isso, na comercializa&ccedil;&atilde;o de org&acirc;nicos, a participa&ccedil;&atilde;o coletiva de produtores, consumidores e interessados no tema reveste-se de grande import&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, &eacute; importante divulgar informa&ccedil;&otilde;es sobre o produto org&acirc;nico para diferenci&aacute;-lo de uma gama maior, chamada de produtos naturais. Marta Cristina Marjotta-Maistro, especialista em economia agr&aacute;ria da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), assinala que s&atilde;o necess&aacute;rias estrat&eacute;gias que estimulem o entendimento do processo de produ&ccedil;&atilde;o de org&acirc;nicos: "nos pontos de venda, particularmente nos supermercados, &eacute; importante sinalizar claramente onde est&atilde;o esses produtos e buscar, por exemplo, formas de apresenta&ccedil;&atilde;o das embalagens dos org&acirc;nicos que destaquem o conte&uacute;do, distinguindo-os dos outros produtos que est&atilde;o em embalagens de isopor". Marjotta-Maistro destaca ainda a import&acirc;ncia de "estrat&eacute;gias de marketing ambiental, como meio de desenvolver a comunica&ccedil;&atilde;o produtor/consumidor". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um estudo da UFSCar para avaliar a oferta de produtos org&acirc;nicos em dez pontos de comercializa&ccedil;&atilde;o (oito supermercados, uma feira org&acirc;nica e uma feira-livre, localizados em um raio de cinco quil&ocirc;metros do centro da cidade de Campinas, no interior de S&atilde;o Paulo), o pesquisador Felipe Campagna de Gaspari concluiu que n&atilde;o existe clareza quanto ao conceito de org&acirc;nicos e que, em alguns supermercados, diferentemente do que ocorre nas feiras, esses produtos est&atilde;o dispostos no mesmo espa&ccedil;o de pr&eacute;-lavados, selecionados e higienizados, o que dificulta a escolha correta do consumidor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>QUASE UMA DINAMARCA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recentemente, o Minist&eacute;rio da Alimenta&ccedil;&atilde;o, Agricultura e Pesca da Dinamarca lan&ccedil;ou um plano de incentivos para dobrar a &aacute;rea de agricultura org&acirc;nica no pa&iacute;s at&eacute; 2020. No Brasil, dados do Mapa apontam que a &aacute;rea total de produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica j&aacute; chega a quase 750 mil hectares, o que representa pouco mais de 1% dos 70 milh&otilde;es de hectares cultivados no pa&iacute;s. E mais, entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, o n&uacute;mero de agricultores cadastrados como org&acirc;nicos passou de 6.719 para 10.194, ou seja, aumentou cerca de 52%. Aqui a agricultura org&acirc;nica ocupa uma &aacute;rea quatro vezes maior que no pa&iacute;s europeu - at&eacute; porque o Brasil &eacute; quase 200 vezes maior que a Dinamarca -, mas ainda assim esses n&uacute;meros s&atilde;o expressivos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Europa, a inten&ccedil;&atilde;o de compra de alimentos org&acirc;nicos est&aacute; relacionada com preocupa&ccedil;&otilde;es com a sa&uacute;de, o ambiente e com aspectos como sabor, aroma, frescor e pre&ccedil;o. No Brasil, trabalhos publicados na d&eacute;cada de 1990 apontavam que as motiva&ccedil;&otilde;es para compra estavam ligadas mais &agrave; sa&uacute;de do que com quest&otilde;es ambientais. Entretanto, estudos mais recentes apontam mudan&ccedil;a nesse comportamento pois os consumidores parecem preocupados tamb&eacute;m com aspectos sociais e ambientais. Afinal, consumir org&acirc;nicos &eacute; estimular uma agricultura que adota pr&aacute;ticas que conservam o ambiente e que contribuem para a qualidade de vida de quem vive no campo.</font></p>      ]]></body>
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