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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br>   ASTROBIOLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A busca por vida fora da Terra continua em planetas semelhantes ao nosso</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Roberto Belis&aacute;rio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A descoberta aconteceu em maio de 2014. Naquele dia, o astrof&iacute;sico Joseph Twicken trabalhava diante dos computadores do Centro de Opera&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas, perto da ba&iacute;a de S&atilde;o Francisco, na Calif&oacute;rnia, analisando dados recebidos pelo telesc&oacute;pio espacial Kepler sobre a luminosidade de algumas estrelas distantes. Orbitando ao redor do Sol desde 2009, o objetivo do telesc&oacute;pio era procurar planetas semelhantes &agrave; Terra ao redor de estrelas semelhantes ao Sol, com potencial de vida extraterrestre. Ap&oacute;s mais de cinco anos de buscas, Twicken percebeu que finalmente haviam encontrado um desses mundos irm&atilde;os, h&aacute; cerca de 1400 anos-luz da Terra, na dire&ccedil;&atilde;o da constela&ccedil;&atilde;o do Cisne, batizado de Kepler-452b. Nos meses seguintes, sua equipe realizou uma an&aacute;lise mais fina dos dados e c&aacute;lculos sobre as caracter&iacute;sticas do planeta e da estrela, at&eacute; anunciarem a descoberta, em 23 de julho. Quase tudo era parecido com nosso mundo: o tamanho, a quantidade de energia recebida da estrela e at&eacute; o tempo para completar uma volta ao redor dela. E estava na chamada "zona habit&aacute;vel", aquela faixa de dist&acirc;ncia da estrela em que &eacute; poss&iacute;vel existir &aacute;gua l&iacute;quida na superf&iacute;cie. Ap&oacute;s essa descoberta, qual o pr&oacute;ximo passo?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n4/a07fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BIOASSINATURAS DA VIDA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na verdade, a miss&atilde;o Kepler e sua sucessora, a K2, t&ecirc;m um objetivo mais amplo: determinar qu&atilde;o raro ou frequente &eacute; um mundo como o nosso. Para isso, o telesc&oacute;pio comp&ocirc;s uma amostragem de planetas semelhantes &agrave; Terra nas zonas habit&aacute;veis ao redor de estrelas do mesmo tipo que o Sol. As an&aacute;lises dos dados das 111.800 estrelas observadas pelo telesc&oacute;pio j&aacute; confirmaram a ocorr&ecirc;ncia de 1030 planetas extrassolares (exoplanetas), 12 deles dentro da zona habit&aacute;vel. Para saber se esses locais efetivamente possuem vida, os cientistas procuram "bioassinaturas", caracter&iacute;sticas semelhantes as da Terra e que possam ser captadas por instrumentos. O primeiro planeta candidato foi detectado em 2000, a 154 anos-luz daqui. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em entrevista recente para o Canaltech, o pesquisador do N&uacute;cleo de Pesquisa em Astrobiologia, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), Douglas Galante, explicou que existem v&aacute;rias caracter&iacute;sticas que alcan&ccedil;am toda a vida na Terra: ela &eacute; baseada em c&eacute;lulas, usa a &aacute;gua como solvente universal, &eacute; composta por mol&eacute;culas org&acirc;nicas, ou seja, com cadeias de carbono e fundamentada no DNA ou RNA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Assim, uma parte importante da busca por vida fora da Terra procura no espa&ccedil;o mol&eacute;culas org&acirc;nicas, como amino&aacute;cidos e bases nucleicas (componentes do DNA e do RNA), bem como seus precursores (subst&acirc;ncias capazes de form&aacute;-las por rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tais mol&eacute;culas j&aacute; foram encontradas em meteoritos que ca&iacute;ram na Terra, e precursores j&aacute; foram registrados em nebulosas interestelares. Em um cometa, a primeira detec&ccedil;&atilde;o conclusiva de um amino&aacute;cido aconteceu em 2009, quando foi observada glicina em amostras coletadas e trazidas &agrave; Terra pela sonda espacial Stardust, que visitou o cometa Wild 2, em 2004.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SIMULA&Ccedil;&Otilde;ES DO ESPA&Ccedil;O C&Oacute;SMICO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A presen&ccedil;a de materiais org&acirc;nicos precursores da vida em cometas e meteoritos &eacute; importante para a hip&oacute;tese da panspermia, segundo a qual parte das subst&acirc;ncias bioqu&iacute;micas necess&aacute;rias para o surgimento da vida na Terra e em outros planetas pode ter vindo do espa&ccedil;o, atiradas na sua superf&iacute;cie pela queda desses corpos. Para isso, essas subst&acirc;ncias teriam que sobreviver por tempo suficiente em ambientes interestelares, apesar de ali elas estarem sujeitas &agrave; a&ccedil;&atilde;o de raios ultravioletas e raios-X emitidos por estrelas pr&oacute;ximas. Experimentos em laborat&oacute;rio que simulam as condi&ccedil;&otilde;es reinantes no espa&ccedil;o c&oacute;smico indicam que v&aacute;rias dessas mol&eacute;culas s&atilde;o de fato capazes de sobreviver por dezenas de bilh&otilde;es de anos naquelas condi&ccedil;&otilde;es, como demonstrou , Sergio Pilling, da Universidade do Vale do Para&iacute;ba (Univap) em 2011. Os raios-X e ultravioletas foram simulados no Laborat&oacute;rio Nacional de Luz S&iacute;ncrotron (LNLS), que produz esses tipos de raios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo de Pilling faz parte de outro tipo importante de pesquisa na astrobiologia, as simula&ccedil;&otilde;es em laborat&oacute;rio das condi&ccedil;&otilde;es reinantes no espa&ccedil;o c&oacute;smico, na qual se busca compreender como as mol&eacute;culas org&acirc;nicas se formam e podem sobreviver ali. Amino&aacute;cidos e bases nucleicas t&ecirc;m aparecido, por exemplo, em simula&ccedil;&otilde;es em laborat&oacute;rio da atmosfera de Tit&atilde;, o maior sat&eacute;lite de Saturno.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LAGOS SOB O GELO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; v&aacute;rios ind&iacute;cios da exist&ecirc;ncia de oceanos em condi&ccedil;&otilde;es habit&aacute;veis por organismos vivos debaixo das carapa&ccedil;as de gelo existentes na superf&iacute;cie de Europa, um dos maiores sat&eacute;lites de J&uacute;piter. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para tanto, cientistas tentam compreender ambientes terrestres considerados an&aacute;logos, por exemplo lagos subglaciais debaixo do gelo da Ant&aacute;rtida, mantidos l&iacute;quidos pela atividade geot&eacute;rmica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O maior deles &eacute; o lago Vostok, com &aacute;rea de 14 mil km<sup>2</sup>, debaixo de 3770 metros de gelo, que pode abrigar um ecossistema microbiano isolado h&aacute; milh&otilde;es de anos do ambiente exterior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A busca de microrganismos extrem&oacute;filos - capazes de enfrentar ambientes parecidos com o que existe no espa&ccedil;o - &eacute; estender os limites da vida como a conhecemos e assim poder identificar mais locais fora da Terra onde a vida poderia ocorrer, mesmo aquela do mesmo tipo encontrado no nosso planeta. Alguns desses extrem&oacute;filos j&aacute; tiveram sua resist&ecirc;ncia testada no ambiente do pr&oacute;prio espa&ccedil;o c&oacute;smico. Em 2005, um experimento enviou dois tipos de l&iacute;quens ao espa&ccedil;o em um foguete -<i> Rhizocarpon geographicum</i> e <i>Xanthoria elegans.</i> Ap&oacute;s passarem 16 dias no sat&eacute;lite russo Foton-M2, submetidos &agrave; radia&ccedil;&atilde;o c&oacute;smica comum no espa&ccedil;o, chegaram todos vivos de volta &agrave; Terra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Extrem&oacute;filos no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Extrem&oacute;filos s&atilde;o encontrados em locais muito gelados, como na Ant&aacute;rtida, em regi&otilde;es &aacute;ridas, em lugares com alta temperatura, como as fontes geot&eacute;rmicas, em lagos muito salgados ou muito &aacute;cidos etc. Cientistas brasileiros, inseridos no Programa Ant&aacute;rtico Brasileiro (Proantar), v&ecirc;m contribuindo com as pesquisas sobre extrem&oacute;filos que vivem no continente gelado. Mas n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio ir t&atilde;o longe. No territ&oacute;rio nacional h&aacute; ambientes considerados extremos onde s&atilde;o procurados organismos altamente resistentes. Um trabalho de 2013, de pesquisadores da USP e da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp) elencou v&aacute;rios. H&aacute; ambientes hipersalinos em manguezais e lagoas, destacando-se a de Araruama, no Rio de Janeiro. O solo do Cerrado apresenta grande acidez e alta concentra&ccedil;&atilde;o de alum&iacute;nio e ali j&aacute; foi encontrada a bact&eacute;ria<i> Flavobacterium sp.. </i>H&aacute; tamb&eacute;m as &aacute;reas impactadas por polui&ccedil;&atilde;o de metais pesados, como zinco e c&aacute;dmio, jogados na ba&iacute;a de Sepetiba, no Rio de Janeiro - ali foram encontradas v&aacute;rias bact&eacute;rias que crescem em ambientes muito &aacute;cidos.</font></p>      ]]></body>
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