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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PALEONTOLOGIA    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A paleontologia no s&eacute;culo XXI: novas t&eacute;cnicas e interpreta&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Juliana Manso Say&atilde;o Renan<sup>I</sup>; Alfredo Machado Bantim<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professora adjunta do Centro Acad&ecirc;mico de Vit&oacute;ria, Departamento de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias    <br>   <sup>II</sup>Doutorando do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geoci&ecirc;ncias da UFPE</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A paleontologia constitui um ramo da ci&ecirc;ncia que se encarrega de estudar os f&oacute;sseis e entender como se deram as sucess&otilde;es de fauna e flora em nosso planeta, ao longo de milh&otilde;es de anos (1). Para isso, desde os primeiros trabalhos realizados na &aacute;rea, se caracterizou como uma ci&ecirc;ncia primordialmente descritiva. Isso pode ser explicado por uma tend&ecirc;ncia que acontecia no in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, quando a morfologia era tida como a "menina dos olhos " das ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas, direcionando os estudos para descri&ccedil;&otilde;es anat&ocirc;micas e morfol&oacute;gicas detalhadas, incluindo o conhecimento das caracter&iacute;sticas microsc&oacute;picas e das teorias de gera&ccedil;&atilde;o e determina&ccedil;&atilde;o da forma. Na paleontologia n&atilde;o foi diferente, e por mais que algumas t&eacute;cnicas de microscopia tivessem sido empregadas apenas rotineiramente, essas n&atilde;o vingaram at&eacute; muito recentemente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990, a partir de um conhecimento maior a respeito dos organismos pret&eacute;ritos da Terra, que os paleont&oacute;logos se viram com in&uacute;meros debates a respeito dos organismos f&oacute;sseis que estudavam. Apenas descrever, identificar e classificar j&aacute; n&atilde;o era suficiente para saciar sua curiosidade. Come&ccedil;aram ent&atilde;o a buscar t&eacute;cnicas que permitissem entender algumas quest&otilde;es relacionadas com a biologia desses organismos, muitos deles extintos sem deixar descendentes. Dentre elas estavam perguntas relacionadas &agrave; idade dos organismos ao serem fossilizados. Se aqueles animais cresciam r&aacute;pido ou lentamente. Se seu corpo seria capaz de desenvolver determinados movimentos. Em qual ambiente viviam e suas adapta&ccedil;&otilde;es para aquele tipo de vida. Mais recentemente, se perguntaram qual a capacidade e alcance dos &oacute;rg&atilde;os sensoriais dos organismos fossilizados. Para resolver esses dilemas, algumas t&eacute;cnicas oriundas de &aacute;reas correlatas come&ccedil;aram a ser empregadas. Com os novos m&eacute;todos, vieram tamb&eacute;m novas an&aacute;lises e interpreta&ccedil;&otilde;es acerca do conte&uacute;do fossil&iacute;fero. Dentre estas destacamos a paleohistologia, a microscopia eletr&ocirc;nica de varredura, a tomografia computadorizada com a gera&ccedil;&atilde;o de imagens para impress&atilde;o em tr&ecirc;s dimens&otilde;es e, atualmente, a paleometria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora os primeiros estudos envolvendo as t&eacute;cnicas mencionadas acima e suas adapta&ccedil;&otilde;es para sua utiliza&ccedil;&atilde;o com os f&oacute;sseis tenham se originado em pa&iacute;ses da Europa e tamb&eacute;m nos Estados Unidos, atualmente, todas podem ser encontradas em utiliza&ccedil;&atilde;o no Brasil. Aos poucos os pesquisadores nacionais foram direcionando suas pesquisas para uma ou mais de uma dessas t&eacute;cnicas, resultando no surgimento de laborat&oacute;rios especializados, com todos os equipamentos necess&aacute;rios para estudos de cunho paleobio-l&oacute;gico em nosso pa&iacute;s. As principais institui&ccedil;&otilde;es que fazem desse tema suas pesquisas atualmente s&atilde;o: o Museu Nacional ligado &agrave; Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade de S&atilde;o Paulo (USP, campus Ribeir&atilde;o Preto), a Universidade Federal do Cariri (UFCA) e a Universidade Regional do Cariri (Urca).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RECUPERANDO INFORMA&Ccedil;&Otilde;ES PALEOBIOL&Oacute;GICAS DE ORGANISMOS EXTINTOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A paleohistologia est&aacute; mais relacionada ao estudo da composi&ccedil;&atilde;o dos ossos fossilizados (osteohistologia), no entanto tamb&eacute;m pode ser empregada para o estudo de vegetais, principalmente na an&aacute;lise dos tecidos que comp&otilde;em os lenhos, chamada de dendrologia. Atrav&eacute;s dos estudos osteohistol&oacute;gicos &eacute; poss&iacute;vel revelar quatro sinais sobre a biologia dos f&oacute;sseis: ontogenia, filogenia, mec&acirc;nica de deposi&ccedil;&atilde;o dos tecidos e influ&ecirc;ncias ambientais (2). Existe um consenso de que esses sinais se refletem na micromorfologia dos tecidos depositados no osso, a qualquer momento da vida do f&oacute;ssil analisado. Para o emprego dessa t&eacute;cnica &eacute; necess&aacute;rio retirar uma por&ccedil;&atilde;o do osso com o aux&iacute;lio de uma serra diamantada. O fragmento do f&oacute;ssil &eacute; ent&atilde;o envolvido em resina transparente e colado numa l&acirc;mina de vidro. A parte oposta &agrave; l&acirc;mina &eacute; submetida a um desgaste atrav&eacute;s de um equipamento chamado politriz, onde lixas de diferentes granulometrias desbastam o fragmento na resina, at&eacute; que fique muito fina e transparente para ser observada ao microsc&oacute;pio (2).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rios aspectos da hist&oacute;ria de vida de vertebrados extintos s&atilde;o dedut&iacute;veis a partir da microestru-tura do osso fossilizado. Por meio da an&aacute;lise histol&oacute;gica &eacute; poss&iacute;vel inferir as adapta&ccedil;&otilde;es no estilo de vida, os gradientes e estrat&eacute;gias de crescimento e indicar o seu est&aacute;gio ontogen&eacute;tico. A quantidade e o tipo de tecido &oacute;sseo encontrado nessas estruturas f&oacute;sseis s&atilde;o importantes para entender como se deu o seu desenvolvimento e a liga&ccedil;&atilde;o existente com o est&aacute;gio ontogen&eacute;tico. Os ossos podem mostrar marcas de crescimento, mais comumente chamadas de linhas de pausa de crescimento, demonstradas pela deposi&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, mesmo que por dura&ccedil;&atilde;o desconhecida e linhas de polimento. Atrav&eacute;s de suposi&ccedil;&otilde;es bem fundamentadas de ciclicidade de crescimento anual, os registros de marcas de crescimento podem ser quantificados; esta t&eacute;cnica &eacute; denominada esqueletocronologia. Os registros de crescimento est&atilde;o contidos em cada tipo de osso, isso porque cada um est&aacute; ligado a uma determinada taxa de deposi&ccedil;&atilde;o, uma rela&ccedil;&atilde;o conhecida como regra de Amprino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De uma maneira geral, pode-se dividir o tipo de tecido &oacute;sseo em tr&ecirc;s grupos: crescimento r&aacute;pido, composto por osso fibro-la-melar sem linhas de pausa de crescimento; taxas de crescimento intermedi&aacute;rio, indicadas por osso fibro-lamelar com linhas de pausa de crescimento e baixas taxas de crescimento, sendo indicadas por osso lamelar-zonal (3). An&aacute;lises paleohistol&oacute;gicas em ossos constituem, portanto, uma das melhores formas de identificar diferentes est&aacute;gios ontogen&eacute;ticos em popula&ccedil;&otilde;es de organismos extintos tais como: dinossauros, pterossauros (r&eacute;pteis voadores) e f&oacute;sseis de cro-codilomorfos (todos arcossauros).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tudo come&ccedil;ou em 1861 quando Richard Owen, por uma quest&atilde;o de rotina, resolveu retirar uma amostra do osso do dinossauro<i> Scelidosaurusharrisonii</i> Owen, 1861 e realizar uma sec&ccedil;&atilde;o fina ao descrev&ecirc;-lo (4). Apesar da an&aacute;lise da estrutura microsc&oacute;pica do osso fossilizado n&atilde;o ter sido um campo bem desenvolvido, nesses anos iniciais, algumas d&eacute;cadas depois e principalmente no s&eacute;culo seguinte alguns pesquisadores foram considerados pioneiros nesses estudos como: Quekett, Gross, Foote, Enlow, Peabody, de Ricqles e Reid (5). O que nem sempre percebemos &eacute; que embora ossos f&oacute;sseis tenham sido seccionados por s&eacute;culos, eles nunca foram amostrados sistematicamente at&eacute; recentemente (4). Isso fez com que, por muito tempo, todas as pesquisas paleohistol&oacute;gicas tratassem de trabalhos isolados, sendo uma &aacute;rea bastante solit&aacute;ria.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse cen&aacute;rio come&ccedil;ou a se modificar nos anos de 1980 e 1990, quando o paleont&oacute;logo norteamericano John R. Horner e colegas contempor&acirc;neos, como o alem&atilde;o Martin Sander, come&ccedil;aram a utilizar melhores amostras para tentar explicar as idades e taxas metab&oacute;licas dos dinossauros (6). Essa revolu&ccedil;&atilde;o se deu, primordialmente, por Horner coletar seus f&oacute;sseis na regi&atilde;o de Montana (EUA) e ser o curador da cole&ccedil;&atilde;o, se permitindo utilizar sistematicamente esse material para sua pesquisa, o que gerou um procedimento padr&atilde;o para os estudos paleohistol&oacute;gicos (4). Foi ent&atilde;o que, em seus trabalhos, teve acesso a uma varia&ccedil;&atilde;o de tamanhos e idades dos esp&eacute;cimes que analisou, sempre recolhendo amostras do mesmo tipo de osso e do mesmo ponto nos diferentes indiv&iacute;duos (2). Juntamente com esse novo pioneirismo, Anusuya Chinsamy, Jack Horner, Martin Sander e seus alunos, logo aplicaram as novas abordagens para um grande n&uacute;mero de outros grupos de animais f&oacute;sseis como anf&iacute;bios, r&eacute;pteis e aves.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil a tend&ecirc;ncia logo foi seguida e, no in&iacute;cio dos anos 2000, surgiram os primeiros trabalhos independentes de paleohistologia dos f&oacute;sseis nacionais (7). Foi dada uma especial aten&ccedil;&atilde;o aos estudos com arcossauros (pterossauros e crocodilomorfos) e tamb&eacute;m com mam&iacute;feros. Um dos destaques atuais foi a observa&ccedil;&atilde;o da microes-trutura dos ossos do crocodilo marinho<i> Guarinisuchusmunizi,</i> encontrado nas rochas localizadas no litoral do estado de Pernambuco. Nessa pesquisa verificou-se, a partir da an&aacute;lise da t&iacute;bia e do f&ecirc;mur, que essa esp&eacute;cie de crocodilo possu&iacute;a ossos bastante leves e vascu-larizados, o que poderia conferir a esse animal a capacidade de ser um ex&iacute;mio nadador (8). A partir dessa e de outras caracter&iacute;sticas observadas na composi&ccedil;&atilde;o do osso, os autores propuseram que o animal teria a capacidade de ocupar o nicho de predador nas &aacute;guas da costa nordeste do Brasil, ap&oacute;s a grande extin&ccedil;&atilde;o dos dinossauros e dos grandes r&eacute;pteis marinhos. Mais recentemente, uma outra publica&ccedil;&atilde;o de julho de 2015 nos<i> Anais da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, </i>fruto de uma parceria entre pesquisadores brasileiros e chineses, revelou a aus&ecirc;ncia de um tecido depositado na cavidade medular por f&ecirc;meas em &eacute;poca de postura de ovos em um exemplar de pterossauro <i>Kunpengopterus</i> sp. que possu&iacute;a dois ovos em seu interior. O trabalho foi conduzido pelo paleont&oacute;logo chin&ecirc;s Xiaolin Wang e colaboradores e revelou ainda que os pterossauros tinham dois ov&aacute;rios funcionais capazes de gerar ovos simultaneamente e n&atilde;o apenas um como se pensava anteriormente (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mesma t&eacute;cnica utilizada para confeccionar l&acirc;minas de ossos, tamb&eacute;m apresentou excelentes resultados nos estudos das cascas de ovos fossilizados e de dentes de dinossauros, lagartos marinhos e crocodilos f&oacute;sseis. Destacamos que a utiliza&ccedil;&atilde;o dessa t&eacute;cnica nesse caso espec&iacute;fico, juntamente com imagens feitas atrav&eacute;s de microsc&oacute;pio eletr&ocirc;nico de varredura (<a href="/img/revistas/cic/v67n4/a15fig01.jpg">figura 1</a>), permitiu que fosse identificado o grupo de animais ao qual pertenceram fragmentos de cascas e ovos fossilizados, sem a presen&ccedil;a dos esqueletos dos animais que os colocaram. Entre os trabalhos realizados, est&aacute; o que foi publicado no ano passado pelo ent&atilde;o estudante de mestrado Julio Marsola e colegas de diferentes institui&ccedil;&otilde;es brasileiras e estrangeiras, que identificou, a partir da microestrutura da casca, o primeiro ovo fossilizado de um p&aacute;ssaro que viveu no Brasil durante a era Mesozoica (entre 252 e 66 milh&otilde;es de anos atr&aacute;s) (10).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>APLICA&Ccedil;&Atilde;O DA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA NOS F&Oacute;SSEIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tomografia computadorizada &eacute; uma t&eacute;cnica bastante recente, descoberta no ano de 1961 pelo m&eacute;dico neurologista norte-americano William Henry Oldendorf, que realizou as primeiras experi&ecirc;ncias com imagens computadorizadas. Este processo foi modernizado pelo ingl&ecirc;s Godfrey Newbold Hounsfield, que aperfei&ccedil;oou os conhecimentos e desenvolveu uma forma de reconstruir imagens a partir dos raios X por meio da tomografia axial computadorizada. Apesar disso, o primeiro tom&oacute;grafo computadorizado do Brasil foi instalado apenas em 1971, no Hospital Benefic&ecirc;ncia Portuguesa, em S&atilde;o Paulo. Contudo a t&eacute;cnica de tomografia, at&eacute; ent&atilde;o utilizada para fins m&eacute;dicos e de identifica&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as, apenas foi utilizada em outras &aacute;reas a partir da d&eacute;cada de 1980, para aquisi&ccedil;&atilde;o de imagens tridimensionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O aparelho tom&oacute;grafo &eacute; caracterizado basicamente pela parte mais proeminente, o "Gantry", uma moldura circular, rotat&oacute;ria com um tubo de raios-X montado em um lado e um detector no lado oposto. Um feixe de raios-X em formato de leque gira o tubo de raios-X e o detector em torno do paciente ou da amostra analisada. Conforme o aparelho roda, milhares de imagens s&atilde;o tiradas em uma rota&ccedil;&atilde;o resultando em uma imagem de se&ccedil;&atilde;o transversal completa do corpo. Baseado nesses dados &eacute; poss&iacute;vel se criar uma visualiza&ccedil;&atilde;o 3D al&eacute;m de vis&otilde;es de diferentes &acirc;ngulos. Exames de tomografia fornecem imagens bem mais detalhadas do que os de raios-X convencionais, especialmente no caso de vasos sangu&iacute;neos e tecidos moles tais como &oacute;rg&atilde;os internos e m&uacute;sculos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa t&eacute;cnica come&ccedil;ou a ser aplicada em estudos paleontol&oacute;gicos a partir do ano de 1984 quando Glenn C. Conroy e Michael W. Vannier publicaram um trabalho na renomada revista acad&ecirc;mica <i>Science.</i> Em seu trabalho analisaram cr&acirc;nios bem preservados de mam&iacute;feros ungulados do Oligoceno e Mioceno e (de 34 a 23 milh&otilde;es de anos aproximadamente (11). Posteriormente essa t&eacute;cnica passou a ser amplamente utilizada por paleont&oacute;logos, pois fornecia uma nova perspectiva de an&aacute;lise de f&oacute;sseis, podendo ser utilizada como base para diferentes tipos de pesquisas, n&atilde;o somente em estudos de vertebrados, mas tamb&eacute;m aplicada em invertebrados e at&eacute; vegetais f&oacute;sseis. A tomografia computadorizada se tornou ent&atilde;o a principal ferramenta para elucidar a anatomia dos t&aacute;xons f&oacute;sseis, incluindo estudos da caixa craniana e do ouvido interno no caso dos vertebrados (12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os estudos pioneiros no Brasil utilizando a tomografia computadorizada foram realizados por pesquisadores do setor de paleo-vertebrados do Museu Nacional da UFRJ, a partir dos anos 1994 quando S&eacute;rgio Alex Azevedo e colaboradores ressaltaram a import&acirc;ncia do uso da tomografia em vertebrados f&oacute;sseis. Dois anos depois, Alexander Kellner, da mesma institui&ccedil;&atilde;o, aplicou a t&eacute;cnica de tomografia para descrever morfologicamente as cavidades internas de dois cr&acirc;nios de pterossauros do Brasil, um anhanguer&iacute;deo e um tapejar&iacute;deo (13). Ap&oacute;s esses estudos iniciais, diversos grupos de pesquisadores do Brasil come&ccedil;aram a utilizar essa importante t&eacute;cnica em pesquisas paleontol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao utilizar a tomografia na paleontologia, percebeu-se que o mapeamento de imagens 3D e a utiliza&ccedil;&atilde;o de modelos tridimensionais criados em computa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica poderiam tamb&eacute;m contribuir para a manuten&ccedil;&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es paleontol&oacute;gicas, armazenando informa&ccedil;&otilde;es sobre a morfologia de cada exemplar em um novo formato, o 3D digital. Concomitantemente, essa nova t&eacute;cnica de aquisi&ccedil;&atilde;o de dados possibilitou a visualiza&ccedil;&atilde;o de estruturas internas dos f&oacute;sseis sem prepara&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica, diminuindo a probabilidade de ocasionar qualquer tipo de dano nos f&oacute;sseis excepcionais. Al&eacute;m disso, a prototipagem aliada a estudos mais acurados de anatomia, fisiologia e biomec&acirc;nica, gerou uma sub-&aacute;rea dentro da paleontologia e da neurologia, a paleoneurologia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A paleoneurologia &eacute; o estudo da evolu&ccedil;&atilde;o do c&eacute;rebro por meio de an&aacute;lise de<i> endocasts</i> cerebrais, com a finalidade de determinar tra&ccedil;os endocranianos e volumes cerebrais. A paleoneurologia combina t&eacute;cnicas de outros campos de estudo incluindo a paleontologia e arqueologia. F&oacute;sseis de cr&acirc;nios e seus<i> endocasts</i> podem ser comparados entre si, podendo-se tra&ccedil;ar infer&ecirc;ncias sobre a anatomia funcional, fisiologia e filogenia. A paleoneurologia &eacute; em grande parte influenciada pela neuroci&ecirc;ncia como um todo; sem o conhecimento substancial sobre a funcionalidade atual dos c&eacute;rebros e<i> endocasts,</i> seria imposs&iacute;vel fazer infer&ecirc;ncias sobre a funcionalidade dos c&eacute;rebros em f&oacute;sseis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um exemplo da aplica&ccedil;&atilde;o da paleoneurologia em f&oacute;sseis brasileiros, &eacute; o estudo do pesquisador Pablo Rodrigues da UFRGS, publicado este ano, no qual foram obtidas reconstru&ccedil;&otilde;es tridimensionais do cr&acirc;nio e moldes digitais do enc&eacute;falo e orelha interna do cinodonte<i> Brasilitherium riograndensis</i> - encontrado em rochas do per&iacute;odo Tri&aacute;ssico do sul do Brasil - a partir de imagens de tomografias computadorizadas. Nesse trabalho, ele tamb&eacute;m descreveu os aspectos da caixa craniana e a trajet&oacute;ria de alguns vasos cranianos. Ele p&ocirc;de concluir com essa an&aacute;lise que, em compara&ccedil;&atilde;o com outros cinodontes n&atilde;o-mamaliaformes, o molde endocraniano de <i>Brasilitherium</i> possui um aumento do enc&eacute;falo, especialmente dos bulbos olfat&oacute;rios, relativamente maiores do que os de outros cinodontes do per&iacute;odo Tri&aacute;ssico, o que pode representar um aumento na capacidade de ouvir altas frequ&ecirc;ncias (14). Al&eacute;m disso, esse estudo fortaleceu a proposta da evolu&ccedil;&atilde;o do c&eacute;rebro dos mam&iacute;feros, inicialmente associada a press&otilde;es seletivas para melhor acuidade sensorial, em cinodontes pequenos e, possivelmente, noturnos que viveram durante o Mesozoico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESVENDANDO AS CARACTER&Iacute;STICAS MICROESTRUTURAIS DOS FOSSEIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O microsc&oacute;pio eletr&ocirc;nico de varredura (MEV) &eacute; um dos mais importantes instrumentos dispon&iacute;veis para a observa&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise das caracter&iacute;sticas microestruturais de materiais s&oacute;lidos. O primeiro trabalho reconhecido descrevendo o conceito de um MEV &eacute; o de Knoll em 1935. Posteriormente, Von Ardenne, em 1938, construiu um microsc&oacute;pio eletr&ocirc;nico de varredura e transmiss&atilde;o (STEM) adaptando bobinas de varredura a um microsc&oacute;pio eletr&ocirc;nico de transmiss&atilde;o. Desde os primeiros estudos em MEV, o primeiro instrumento comercial apenas foi constru&iacute;do em 1965 e, ap&oacute;s isso, muitos avan&ccedil;os foram obtidos. Atualmente, os modernos microsc&oacute;pios eletr&ocirc;nicos de varredura s&atilde;o equipados com estrutura digital que permite o armazenamento tempor&aacute;rio da imagem para observa&ccedil;&atilde;o ou, at&eacute; mesmo, a transfer&ecirc;ncia por rede para outras partes do planeta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aplica&ccedil;&atilde;o dessa t&eacute;cnica &eacute; primordial para an&aacute;lises micro-estruturais em f&oacute;sseis. O uso do MEV na paleobot&acirc;nica &eacute; o mais utilizado, pois geralmente os f&oacute;sseis de plantas apresentam caracteres epid&eacute;rmicos preservados ou estruturas anat&ocirc;micas tridimensionais, que sao importantes quando a anatomia estom&aacute;tica de uma planta f&oacute;ssil pode ser utilizada para distinguir diferentes grupos entre as plantas. Estudos anat&ocirc;micos sao suficientes para reconhecer a composi&ccedil;&atilde;o de uma pale-oflora (<a href="/img/revistas/cic/v67n4/a15fig01.jpg">Figura 1A</a>). An&aacute;lises estom&aacute;ticas tamb&eacute;m podem ser feitas para distinguir diferentes grupos de plantas (<a href="/img/revistas/cic/v67n4/a15fig01.jpg">Figura 1B</a>). Na maioria dos casos, ao se analisar parte da cut&iacute;cula de uma folha fossilizada, as estruturas preservadas ali s&atilde;o iguais ou bastante semelhantes &agrave;s encontradas nas folhas de vegetais atuais. A palinologia (estudo de p&oacute;lens, esporos) tamb&eacute;m &eacute; auxiliada pelo MEV, quando gr&atilde;os de p&oacute;len apresentam morfologia pol&iacute;nica semelhante, sendo apenas diferenciados em MEV.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, a microscopia eletr&ocirc;nica pode ser utilizada em alguns exemplares de vertebrados f&oacute;sseis, que apresentem alguma preserva&ccedil;&atilde;o de tecido mole. O caso mais famoso no Brasil &eacute; a descoberta de vasos sangu&iacute;neos e fibras musculares preservados em um f&oacute;ssil de dinossauro, a esp&eacute;cie<i> Santanaraptorplacidus</i> Kellner, 1999 encontrada no interior do Cear&aacute;, na bacia do Araripe. Dessa mesma localidade fossil&iacute;fera, outros esp&eacute;cimes de f&oacute;sseis, ao serem analisados sob a &oacute;tica do microsc&oacute;pio eletr&ocirc;nico, apresentaram tecidos moles e estruturas microsc&oacute;picas. Existem peixes com fibras musculares preservadas em concre&ccedil;&otilde;es e parasitas preservados em seus copr&oacute;litos, ocorr&ecirc;ncia de estruturas pilosas (similares a pelos) preservadas em asas de pterossauros, estruturas de colora&ccedil;&atilde;o (me-lanossomos) preservados em penas e plumas e poss&iacute;veis bact&eacute;rias preservadas em uma crista composta por tecido mole de um pte-rossauro tapejar&iacute;deo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DADOS SOBRE A COMPOSI&Ccedil;&Atilde;O DOS F&Oacute;SSEIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma t&eacute;cnica que vem ganhando reconhecimento nos estudos paleontol&oacute;gicos no Brasil e no mundo &eacute; a paleometria. Tendo em vista a constitui&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica geral dos organismos, os f&oacute;sseis podem ser adequadamente estudados por t&eacute;cnicas de paleometria tais como: infravermelho, espectroscopia Raman, difra&ccedil;&atilde;o de raios X e fluorescencia de raios-X, com intuito de identificar e caracterizar os compostos que constituem o material fossilizado. Com o uso da paleometria pode-se elucidar a composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica de esqueletos de vertebrados e invertebrados, al&eacute;m da composi&ccedil;&atilde;o de lenhos e fragmentos de vegetais fossilizados, o que viabiliza a compreens&atilde;o de processos de fossiliza&ccedil;&atilde;o, paleoambientes e mudan&ccedil;as de clima, possibilitando tra&ccedil;ar evidencias adicionais a respeito das condi&ccedil;&otilde;es e processos tafon&ocirc;micos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os principais trabalhos de paleometria no Brasil remetem a estudos na bacia do Araripe. O trabalho pioneiro na utiliza&ccedil;&atilde;o da paleometria, em f&oacute;sseis da bacia do Araripe, foi realizado em 2007 por Ricardo Lima e colaboradores que submeteram &agrave; difra&ccedil;&atilde;o de raios-X e espectroscopia na regi&atilde;o do infravermelho amostras retiradas de escamas f&oacute;sseis de um peixe da esp&eacute;cie<i> Rhacolepis buccalis </i>Agassiz, 1841 preservado em uma concre&ccedil;&atilde;o calc&aacute;ria da forma&ccedil;&atilde;o Romualdo. Com isso, os pesquisadores perceberam que a maior parte da composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica da amostra era similar a de escamas de peixes atuais, concluindo que a fossiliza&ccedil;&atilde;o pouco alterou a composi&ccedil;&atilde;o das escamas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recentemente, em 2014, Adriana Delgado e colaboradores realizaram um trabalho compilando algumas aplica&ccedil;&otilde;es paleo-m&eacute;tricas em diferentes f&oacute;sseis, tais como parte do esqueleto duro de<i> Corumbella werneri</i> Hahn, Hahn, Leonardos, Pflugand Walde 1982, aspectos geoqu&iacute;micos acerca de bivalves de &aacute;gua doce do Grupo Bauru e a preserva&ccedil;&atilde;o excepcional de artr&oacute;podes da forma&ccedil;&atilde;o Crato. Os autores utilizaram reflex&atilde;o difusa no infravermelho (DRIFT) e energia dispersiva de raios-X (EDX) para elucidar os tipos de esqueletog&ecirc;nese na amostra f&oacute;ssil de<i> Corumbella.</i> No caso dos bivalves, a DRIFT revelou-se importante para elucidar aspectos sobre a morte e fossiliza&ccedil;&atilde;o desses organismos. Quanto aos artr&oacute;podes da forma&ccedil;&atilde;o Crato, a an&aacute;lise morfol&oacute;gica com microscopia eletr&ocirc;nica de varredura (MEV) associado com EDX foi mais vi&aacute;vel para compreender o processo de fossiliza&ccedil;&atilde;o e tra&ccedil;ar implica&ccedil;&otilde;es paleoambientais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Lima, F. J. &amp; Bantim, R. A. M. 2013. "Introdu&ccedil;&atilde;o ao estudo dos f&oacute;sseis e os processos envolvidos em sua preserva&ccedil;&atilde;o". In: Say&atilde;o, J. M. (ed) <i>F&oacute;sseis do litoral norte de Pernambuco: evid&ecirc;ncias da extin&ccedil;&atilde;o dos dinossauros.</i> Gr&aacute;fica Provisual, Recife, 96p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Padian, K. &amp; Lamm, E. T. 2013.<i> Bone histology of fossil tetrapods. </i>University of Calif&oacute;rnia press, Los Angeles, 285p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Huttenlocker, A. K.; Woodward, H. N. &amp; Hall, B.K. 2013. "The biology of bone". In: Padian, K. &amp; Lamm, E. T. (eds.) 2013.<i> Bone histology of fossil tetrapods.</i> University of Calif&oacute;rnia press, Los Angeles, 285p: 13-34</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Padian, K. 2013. "Why study the bone microstructure of fossil tetrapods?". In: Padian, K. &amp; Lamm, E.T. 2013.<i> Bone histology of fossil tetrapods.</i> University of Calif&oacute;rnia press, Los Angeles, 285p, 1-11.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Steel, l. 2003. "The John Quekett sections and the earliest pterosaur histological studies".<i> In:</i> Buffetaut, E. &amp; Mazin, J. M. (eds) 2003. "Evolution and palaeobiology of pterosaurs".<i> Geological Society, </i>London, Special Publications, 217, 325-334.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Horner, J. R.; De Ricql&eacute;s, A. J. &amp; Padian, K. 1999. "Variation in skeletochronological indicators of the hadrosaurid dinosaur Hypacrosaurus: implications for age assessement of dinosaurs". <i>Paleobiology,</i> 25: 295-304.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Say&atilde;o, J. M. 2003. " Histovariability in bones of two pterodactyloid pterosaurs from the Santana formation, Araripe basin, Brazil: preliminary results".<i> Geological Society,</i> London,<i> Special Publications,</i> 217: 335-342</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Andrade, R. C. L. P. &amp; Say&atilde;o J. M. 2014. "Paleohistology and lifestyle inferences of a dyrosaurid (Archosauria: Crocodylomorpha) from Para&iacute;ba basin (Northeastern Brazil)".<i> PLoS ONE</i> 9(7): e102189. doi:10.1371/journal.pone.0102189</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Wang, X.; Kellner, A..W..A.; Cheng, X.; Jiang, S.; Wang, Q.; Say&atilde;o, J. M.; Rodrigues, T.; Costa, F. R.; Li, N.; Meng, X. &amp; Zhou, Z. 2015. "Eggshell and histology provide insight on thelLife history of a pterosaur with two functional ovaries".<i> Anais da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias. </i><a href="http://dx.doi.org/10.1590/00013765201520150364" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/00013765201520150364</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Marsola, J. C. A.; Grellet-Tinner, G.; Montefeltro, F. C.; Say&atilde;o, J. M.; Hsiou, A. S. &amp; Langer, M.C. 2014. "The first fossil avian egg from Brazil". <i>Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology,</i> 38:4,563-567,    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Vannier, M. W.; Conroy, G. C.; Marsh, J. L. &amp; Knapp, R. H. 1985. "Three-dimensional cranial surface reconstructions using high-resolution computed tomography".<i> Am. J. Phys. Anthropol.,</i> 67:299-311.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Sobral G., Hipsleya C. A. &amp; M&uuml;ller J. 2012. "Braincase redescription of<i> Dysalotosauruslettowvorbecki</i> (Dinosauria, Ornithopoda) based on computed tomography".<i> Journal of Vertebrate Paleontology,</i> 32(5):1090-1102.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Kellner, A. W. A. 1996. "Description of the braincase of two early cretaceous pterosaurs (Pterodactyloidea) from Brazil".<i> American Museum Novitates,</i> 3175:1-36.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Rodrigues, P. G. 2011. "Reconstitui&ccedil;&otilde;es digitais do enc&eacute;falo e da orelha interna de<i> Brasilitheriumriograndensis</i> Bonaparte et al., 2003, e considera&ccedil;&otilde;es sobre a evolu&ccedil;&atilde;o neurol&oacute;gica e sensorial na transi&ccedil;&atilde;o entre cinodontes n&atilde;o-mamalianos e mam&iacute;feros". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geoci&ecirc;ncias. 220p.    </font></p>      ]]></body><back>
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