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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Divulgação científica: a paleontologia nos museus brasileiros]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PALEONTOLOGIA    <br>   NOT&Iacute;CIAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: a paleontologia nos museus brasileiros</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paulo Manzig</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mestre em divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e cultural pela Unicamp com pesquisa sobre museus de paleontologia</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A not&iacute;cia da descoberta de uma nova esp&eacute;cie de lagarto, de 80 milh&otilde;es de anos, em Cruzeiro do Oeste, no noroeste do Paran&aacute;, em agosto passado, foi acompanhada de outra not&iacute;cia n&atilde;o menos importante. O prefeito da cidade, Valter da Rocha, anunciou a cria&ccedil;&atilde;o de um centro de pesquisa paleontol&oacute;gica. Segundo Rocha, "precisamos criar condi&ccedil;&otilde;es para que a pesquisa possa ser feita aqui mesmo em nossa cidade, promovendo a capacita&ccedil;&atilde;o de pessoal em institui&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o para a fixa&ccedil;&atilde;o dos f&oacute;sseis no seu local de origem". Os f&oacute;sseis, um verdadeiro cemit&eacute;rio de pte-rossauros, foram descobertos pelo agricultor Alexandre Dobruski, em 1971, mas permaneceram ignorados at&eacute; 2012, quando ganharam destaque ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o do livro de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica,<i> Museus &amp; f&oacute;sseis da regi&atilde;o Sul do Brasil</i> (Imprensa da Universidade de Coimbra, 2012). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; significativa a tend&ecirc;ncia de aumento no n&uacute;mero de museus relacionados &agrave; paleontologia, especialmente a partir da d&eacute;cada de 1980. Essa tend&ecirc;ncia coincide com a crescente interioriza&ccedil;&atilde;o das universidades brasileiras e &eacute; poss&iacute;vel que esteja relacionada tamb&eacute;m a um maior interesse da m&iacute;dia por dinossauros, desde o fen&ocirc;meno cinematogr&aacute;fico<i> Jurassic Park,</i> de 1993. Mas, at&eacute; que ponto essas iniciativas s&atilde;o sustent&aacute;veis em longo prazo e s&atilde;o capazes de aumentar o conhecimento do p&uacute;blico sobre paleontologia?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n4/a17fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CEN&Aacute;RIO NACIONAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Atualmente, no Brasil, existem 68 institui&ccedil;&otilde;es com material paleontol&oacute;gico em seu acervo. Dos 3.025 museus catalogados pelo Instituto Brasileiro de Museus, Ibram, em 2011, 2,25% est&atilde;o relacionados com a guarda e exibi&ccedil;&atilde;o de material paleontol&oacute;gico. A distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica desses museus mostra um padr&atilde;o praticamente similar ao padr&atilde;o de distribui&ccedil;&atilde;o da totalidade dos museus brasileiros, ou seja, grande concentra&ccedil;&atilde;o nas regi&otilde;es Sul e Sudeste, destacandose os estados do Rio Grande do Sul, S&atilde;o Paulo e Minas Gerais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maior parte do conte&uacute;do fossil&iacute;fero (32,4%) apresentado em museus est&aacute; inserido em museus de ci&ecirc;ncias naturais. Museus de paleontologia<i> stricto sensu</i> exibem 23,6% desse conte&uacute;do; museus de natureza ecl&eacute;tica, 14,7% e museus de geoci&ecirc;ncias, 13,3%. O restante est&aacute; distribu&iacute;do em museus de ci&ecirc;ncia, de arqueologia e parques tem&aacute;ticos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cria&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia sobre valor cultural e preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural e natural d&aacute; a t&ocirc;nica do trabalho de boa parte das institui&ccedil;&otilde;es brasileiras, a despeito da precariedade que lhes &eacute; imposta devido a diversos fatores, em especial o econ&ocirc;mico, que repercute principalmente na qualidade da expografia, media&ccedil;&atilde;o, contrata&ccedil;&atilde;o de pessoal, servi&ccedil;os b&aacute;sicos de manuten&ccedil;&atilde;o e limpeza, atualiza&ccedil;&atilde;o de acervo, seguran&ccedil;a, entre outros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dos 68 museus com acervo paleontol&oacute;gico, 35% s&atilde;o museus universit&aacute;rios, p&uacute;blicos ou privados, submetidos &agrave; cultura do academicismo cient&iacute;fico. Normalmente, os espa&ccedil;os ocupados por museus universit&aacute;rios s&atilde;o adapta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o adequadas &agrave; finalidade museol&oacute;gica, com recursos humanos compostos por acad&ecirc;micos e estagi&aacute;rios de diversas disciplinas nem sempre relacionadas com as &aacute;reas de museologia, curadoria, expografia e media&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PALEONTOLOGIA NO INTERIOR</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a maior autonomia dada aos munic&iacute;pios pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, possibilitou o crescimento no n&uacute;mero de museus municipais, a maioria constitu&iacute;da por pequenas institui&ccedil;&otilde;es. Dentro do universo da paleontologia, pouco mais de um quarto (27,9%) dos museus s&atilde;o municipais, mas eles ainda s&atilde;o vistos com certo preconceito, algumas vezes justificado, de que a transitoriedade das administra&ccedil;&otilde;es municipais e a precariedade de recursos n&atilde;o garantem a esses espa&ccedil;os a certeza de continuidade que seria desejada. Mas a sua presen&ccedil;a num&eacute;rica no cen&aacute;rio museol&oacute;gico brasileiro n&atilde;o pode ser ignorada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os museus municipais devem ser pensados e respeitados dentro do princ&iacute;pio do direito de cidadania - uma conquista recente da democracia brasileira que acabou chegando tamb&eacute;m ao universo dos f&oacute;sseis - direito este relacionado &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e do patrim&ocirc;nio. O Museu dos Dinossauros, em Peir&oacute;polis, pequena vila situada a 21 quil&ocirc;metros do centro de Uberaba (MG), e o Centro de Pesquisas Paleontol&oacute;gicas  "Llewellyn Ivor Price " anexo ao museu, por exemplo, foram iniciativas da prefeitura de Uberaba, posteriormente transferidas &agrave; administra&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Tri&acirc;ngulo Mineiro (UFTM), e que se transformaram em uma das principais refer&ecirc;ncias em paleontologia no Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa mesma linha, enquadram-se os esfor&ccedil;os da prefeitura de Cruzeiro do Oeste que, com a cria&ccedil;&atilde;o de um centro paleontol&oacute;gico, lan&ccedil;a as bases para um projeto ainda maior, construir em futuro pr&oacute;ximo um museu de refer&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o em geografia f&iacute;sica e paleontologia para a regi&atilde;o noroeste do estado do Paran&aacute;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIOS</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O grande p&uacute;blico demonstra interesse por f&oacute;sseis, especialmente por dinossauros, entretanto, tempo geol&oacute;gico e evolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o conceitos f&aacute;ceis de serem ensinados. Para esse entendimento s&atilde;o necess&aacute;rios artif&iacute;cios did&aacute;ticos capazes de conectar contextos separados por milh&otilde;es de anos e transmitir uma percep&ccedil;&atilde;o, mesmo que vaga, da dimens&atilde;o desse tempo passado, no qual se desenvolveu toda a hist&oacute;ria do planeta Terra, as adapta&ccedil;&otilde;es evolutivas da vida e a brev&iacute;ssima hist&oacute;ria da humanidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n4/a17fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os objetos em exposi&ccedil;&atilde;o nos museus de paleontologia, al&eacute;m de fazerem parte de um mundo natural que foi musealizado, refletem tamb&eacute;m a cultura das pessoas envolvidas no processo de musealiza&ccedil;&atilde;o - desde a coleta at&eacute; os prepativos para exposi&ccedil;&atilde;o. Eles tamb&eacute;m s&atilde;o resultado de uma longa hist&oacute;ria de constru&ccedil;&atilde;o de um conhecimento cient&iacute;fico que permitiu um amadurecimento da percep&ccedil;&atilde;o sobre os f&oacute;sseis no seu contexto temporal (idade) e espacial (ambiente geol&oacute;gico). Enquanto agentes de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, &eacute; fundamental que esses espa&ccedil;os possuam mediadores treinados e capacitados para explorar essas possibilidades de conex&atilde;o entre o objeto exposto e uma diversidade de tantos outros conhecimentos, sempre instigando o esp&iacute;rito de curiosidade do ser humano.</font></p>      ]]></body>
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