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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Público brasileiro pôde acompanhar a maior mostra de Miró já organizada no país]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTISTA DA ESPONTANEIDADE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>P&uacute;blico brasileiro p&ocirc;de acompanhar a maior mostra de Mir&oacute; j&aacute; organizada no pa&iacute;s</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patricia Piacentini</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De 24 de maio a 23 de agosto, S&atilde;o Paulo recebeu 112 obras do artista espanhol Joan Mir&oacute; (1893-1983) na exposi&ccedil;&atilde;o  "A for&ccedil;a da mat&eacute;ria " realizada pelo Instituto Tomie Ohtake em parceria com a Funda&ccedil;&atilde;o Mir&oacute; de Barcelona. A mostra seguiu para Florian&oacute;polis, no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), onde permanecer&aacute; at&eacute; 14 de novembro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na capital paulista, 397.134 pessoas foram conferir a exposi&ccedil;&atilde;o. "Essa &eacute; a maior mostra de Mir&oacute; j&aacute; organizada no Brasil e permite que o p&uacute;blico possa ver mais de 40 pinturas do artista, t&eacute;cnica pela qual seus trabalhos ficaram mais conhecidos. Antes, o que tinha vindo para c&aacute; eram somente gravuras ou poucas pinturas", salienta Julia Lima, pesquisadora e membro do N&uacute;cleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake. Das 112 obras, s&atilde;o 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras e tr&ecirc;s objetos (pontos de partida de esculturas). O conjunto se completa com fotografias sobre a trajet&oacute;ria do artista. "&Eacute; importante notar que essa mostra traz uma sele&ccedil;&atilde;o de 50 anos de produ&ccedil;&atilde;o de Mir&oacute;, o que faz com que o p&uacute;blico possa acompanhar visualmente cada mudan&ccedil;a, cada experimenta&ccedil;&atilde;o, cada salto do trabalho", afirma a pesquisadora.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A exposi&ccedil;&atilde;o foi dividida em tr&ecirc;s grandes blocos: as d&eacute;cadas de 1930 e 1940, com destaque para as pinturas e desenhos da &eacute;poca da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial; 1950 e 1960, onde o p&uacute;blico confere t&eacute;cnicas diversas e que mostra uma fase de experimenta&ccedil;&atilde;o de Mir&oacute;, momento em que ele mostra seu talento nas esculturas; e, finalmente os anos 1970, em que seu trabalho questiona o sentido final da arte, com destaque para a cole&ccedil;&atilde;o de gravuras. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da pintura, Mir&oacute; trabalhou sobre diferentes suportes, como tela, papel, madeira, papel de embrulho, tecido, telas de outros artistas. "Na mostra h&aacute; objetos usados pelo artista como ponto de partida para as esculturas, gravuras (tamb&eacute;m de diversas t&eacute;cnicas - &aacute;gua-tinta, &aacute;gua-forte etc.), desenhos e v&iacute;deos que mostram Mir&oacute; em a&ccedil;&atilde;o e contam do processo criativo do artista", diz Lima.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESCONSTRU&Ccedil;&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Mir&oacute; produziu intensamente durante toda a vida, convivia com as pr&oacute;prias obras no ateli&ecirc; por anos e chegava a destru&iacute;-las ou revisit&aacute;-las, recobrindo com tinta pinturas antigas. Lima afirma que h&aacute; exemplos disso na exposi&ccedil;&atilde;o, inclusive, telas pintadas em 1940 e que foram recobertas quase totalmente com tinta preta em 1974 pelo artista. "Ele sempre falava do desejo de 'destruir' a pintura. No entanto, essa vontade se traduzia numa pr&aacute;tica que criava novos modos de pintar - abandonando o cavalete e partindo para o ch&atilde;o, abdicando da tela e usando qualquer suporte material que encontrasse, abandonando a figura, mas n&atilde;o sem se fixar unicamente em formas e cores".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> S&atilde;o obras bem coloridas com a presen&ccedil;a do amarelo, vermelho, azul, branco, preto, roxo, verde e laranja em toda a sua produ&ccedil;&atilde;o, mesmo nos per&iacute;odos de conflito. "As cores n&atilde;o necessariamente refletiam as emo&ccedil;&otilde;es do artista, mas tinham liga&ccedil;&atilde;o com o contexto em que vivia, um espelho do momento pol&iacute;tico mais do que de seu estado emocional", explica a pesquisadora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O processo de cria&ccedil;&atilde;o de Mir&oacute; busca a espontaneidade do gesto. Ao observar as pinturas do artista espanhol, s&atilde;o comuns as compara&ccedil;&otilde;es com tra&ccedil;os infantis. Segundo a curadora do Instituto Tomie Ohtake, na verdade, isso reflete sua espontaneidade. "Mais do que infantil ou primitivo, o trabalho de Mir&oacute; buscava, sobretudo o espont&acirc;neo. Era uma vontade de criar algo e surpreender a si mesmo com o que havia desenhado ou pintado. Seu objetivo era expressar a simplicidade do infantil por meio de um gesto quase n&atilde;o pensado, um &iacute;mpeto, mas ao mesmo tempo constru&iacute;do com muito cuidado para n&atilde;o se ater a f&oacute;rmulas prontas ou a gestos j&aacute; dominados", finaliza a pesquisadora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n4/a20fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Joan Mir&oacute; - o pintor que queria desaprender</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Joan Mir&oacute; nasceu em Barcelona, Espanha, em 1893. Ainda jovem, adotou uma pintura de colorido intenso, com forte influ&ecirc;ncia do movimento fauvista, que teve como seus principais representantes os artistas Henry Matisse e Maurice de Vlaminck. Em 1920, Mir&oacute; viaja para Paris, cidade que impactou profundamente sua personalidade. Durante todo o per&iacute;odo em que permaneceu na capital francesa, Mir&oacute; n&atilde;o pintou uma &uacute;nica tela. Por&eacute;m, entrou em contato com as artes de vanguarda: conheceu o cubista Pablo Picasso e se impressionou com as ideias do poeta franc&ecirc;s Tristan Tzara, grande agitador do dada&iacute;smo. Fez ainda amizade com o fundador do movimento surrealista, o escritor e poeta franc&ecirc;s Andr&eacute; Breton, Al&eacute;m de trazer pinturas de diversas fases do artista, a mostra teve ainda esculturas e gravuras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mir&oacute; se aproximou tamb&eacute;m de Jo&atilde;o Cabral de Melo Neto quando o escritor brasileiro, autor de<i> Morte e vida severina,</i> foi vice-c&ocirc;nsul em Barcelona no final da d&eacute;cada de 1940 e depois c&ocirc;nsul geral no final dos anos 1960. Cabral, destacando o trabalho de Mir&oacute;, disse que tratava-se de uma "pintura viva onde se destacam dois elementos: rompimento com o paradigma tradicional da pintura renascentista e o desaprender de qualquer habilidade, o que mant&eacute;m a for&ccedil;a do in&eacute;dito".</font></p>      ]]></body>
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