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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br>  MARIANA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desastre ambiental incentiva monitoramento alternativo de ci&ecirc;ncia aberta</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo; Germana Barata</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n1/a03fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fazer uma an&aacute;lise independente dos impactos ambientais do desastre em Mariana, Minas Gerais, esse &eacute; o objetivo do Grupo Independente de Avalia&ccedil;&atilde;o do Impacto Ambiental (Giaia), uma proposta dentro do conceito de ci&ecirc;ncia aberta. "Todos os resultados s&atilde;o disponibilizados em tempo real. Assim, toda a sociedade colabora na discuss&atilde;o. Os nossos resultados geram mais perguntas que respostas, mas &eacute; exatamente assim o caminho cient&iacute;fico", explica a bi&oacute;loga e pesquisadora da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), Viviane Schuch, uma das coordenadoras do Giaia. Os resultados parciais do trabalho do grupo podem ser acessados no site criado pelo grupo (<a href="http://giaia.eco.br" target="_blank">http://giaia.eco.br</a>). Para facilitar a dissemina&ccedil;&atilde;o dos materiais nas comunidades internacionais, todos os documentos e textos foram traduzidos para o ingl&ecirc;s. "Os nossos resultados s&atilde;o preliminares e pontuais, foram gerados a partir de uma investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica ampla e interdisciplinar", conta a bi&oacute;loga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; dif&iacute;cil contabilizar exatamente o n&uacute;mero de colaboradores envolvidos na iniciativa, uma vez que a proposta &eacute; aberta e participativa, lembra Viviane, e, portanto, fluida. Mas ela estima que nos grupos de trabalho consolidados j&aacute; sejam 100 pesquisadores diretamente envolvidos, ligados a v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s, dentre elas as universidades de S&atilde;o Paulo (USP) e de Bras&iacute;lia (UnB), as universidades federais de S&atilde;o Carlos (UFSCar) e de Alagoas (Ufal).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DA INDIGNA&Ccedil;&Atilde;O PARA A&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao contr&aacute;rio das an&aacute;lises sobre a presen&ccedil;a de metais pesados feitas por &oacute;rg&atilde;os do governo como o Servi&ccedil;o Geol&oacute;gico do Brasil (CPRM) e Ag&ecirc;ncia Nacional das &Aacute;guas (ANA), os resultados parciais apurados e disponibilizados pelo grupo apontam &iacute;ndices de mangan&ecirc;s e ars&ecirc;nio acima do preconizado pela legisla&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) 357 que disp&otilde;e sobre a classifica&ccedil;&atilde;o dos corpos de &aacute;gua e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condi&ccedil;&otilde;es e padr&otilde;es de lan&ccedil;amento de efluentes. Nas medi&ccedil;&otilde;es feitas em dezembro em Governador Valadares, por exemplo, a concentra&ccedil;&atilde;o de ars&ecirc;nio estava quatro vezes acima do permitido. Os par&acirc;metros alum&iacute;nio e ferro dissolvido, sel&ecirc;nio total, c&aacute;dmio total, l&iacute;tio total, n&iacute;quel total e zinco total estavam em conformidade com a legisla&ccedil;&atilde;o. J&aacute; an&aacute;lises f&iacute;sico-qu&iacute;micas do Rio Doce e afluentes sob influ&ecirc;ncia dos rejeitos provenientes no rompimento da barragem de Fund&atilde;o conclu&iacute;ram elevada turbidez da &aacute;gua, causada pela grande quantidade de part&iacute;culas em suspens&atilde;o. A turbidez limita a penetra&ccedil;&atilde;o de luz usada pelas algas para fotoss&iacute;ntese, o que afeta a cadeia alimentar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os trabalhos realizados at&eacute; agora contaram com volunt&aacute;rios das comunidades afetadas pelo desastre. "Dentro da nossa proposta cient&iacute;fica cidad&atilde;, toda a sociedade, principalmente a diretamente atingida pelo desastre, pode participar com depoimentos, coleta de dados e amostras, discuss&atilde;o e multiplica&ccedil;&atilde;o dos resultados e economia solid&aacute;ria", afirma Viviane. "O envolvimento da comunidade nas atividades cient&iacute;ficas &eacute; fundamental para expandir a nossa capacidade de coleta de dados; ampliar, disseminar e valorizar o conhecimento cient&iacute;fico; valorizar e empoderar o cidad&atilde;o, al&eacute;m de ampliar o pensamento cr&iacute;tico e gerar insumos pol&iacute;ticos para um poss&iacute;vel debate posterior das consequ&ecirc;ncias do desastre", enfatiza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Wilson Jardim, qu&iacute;mico ambiental da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a iniciativa &eacute; um exerc&iacute;cio de cidadania que deve servir de exemplo. "No entanto, &eacute; importante que o pessoal engajado nestas atividades, as quais exigem um m&iacute;nimo de conhecimento t&eacute;cnico, seja devidamente treinado. O grande erro de um leigo &eacute; que ele 'percebe e avalia' o ambiente de modo heur&iacute;stico, subjetivo, o que muitas vezes n&atilde;o condiz com a realidade". Para padronizar as coletas, o site do Giaia disponibiliza protocolos para recolher amostras para an&aacute;lises de microrganismos do solo, an&aacute;lises isot&oacute;picas e para testes de ecotoxicidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>FINANCIAMENTO </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Numa primeira fase de <i>crowdfunding</i> (verba coletiva captada via internet), o Giaia arrecadou R$90 mil. Segundo Viviane Schuch, o dinheiro ser&aacute; utilizado principalmente para financiar as expedi&ccedil;&otilde;es de coleta de amostras e a remessa das mesmas para os pesquisadores associados. Certamente esse &eacute; um dos grandes desafios para a continuidade do trabalho do grupo porque, a despeito de contar com m&atilde;o de obra volunt&aacute;ria, a pesquisa cient&iacute;fica envolve custos. Para se ter uma ideia de valores, em 24 de maio de 2010, logo ap&oacute;s o derramamento de &oacute;leo da Deepwater Horizon Oil, no Golfo do M&eacute;xico, a British Petroleum (BP) assumiu o compromisso de repassar at&eacute; US$ 500 milh&otilde;es no per&iacute;odo de 10 anos para financiar um programa de investiga&ccedil;&atilde;o independente para estudar o impacto ambiental do vazamento de &oacute;leo no Golfo do M&eacute;xico. Os recursos t&ecirc;m sido repassados para institui&ccedil;&otilde;es como a Louisiana State University, Instituto de Oceanografia da Fl&oacute;rida e para o Instituto do Golfo Norte, um cons&oacute;rcio liderado pela Mississippi State University. Os resultados das pesquisas s&atilde;o divulgados na internet no &acirc;mbito da Iniciativa de Pesquisa para o Golfo do M&eacute;xico (GoMRI). O Giaia teve uma origem bem diferente do GoMRI. O grupo nasceu a partir da mobiliza&ccedil;&atilde;o de um grupo de bi&oacute;logos da USP no Facebook, pouco tempo depois do rompimento das barragens de Fund&atilde;o e Santar&eacute;m, no dia 5 de novembro de 2015. Nesse dia a lama dos reservat&oacute;rios invadiu o distrito de Bento Rodrigues, na cidade hist&oacute;rica de Mariana (MG), causou ao menos 17 mortes e levou milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos de rejeitos da extra&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rios de ferro da mineradora Samarco a percorrerem cerca de 650 quil&ocirc;metros, na bacia do rio Doce, at&eacute; chegar ao mar, no Esp&iacute;rito Santo. Diante de informa&ccedil;&otilde;es conflitantes o grupo passou a ser uma op&ccedil;&atilde;o para gerar informa&ccedil;&otilde;es de forma independente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> At&eacute; o momento, o Giaia firmou parcerias com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico e outras institui&ccedil;&otilde;es e agora se concentra em sua estrutura&ccedil;&atilde;o, consolida&ccedil;&atilde;o dos grupos de trabalho e cria&ccedil;&atilde;o de um ambiente de colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica-cidad&atilde;. "O Giaia &eacute; um enorme desafio", finaliza Viviane.</font></p>      ]]></body>

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