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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A vida universitária após os 70 anos]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br>   APOSENTADORIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A vida universit&aacute;ria ap&oacute;s os 70 anos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Juliana Passos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O prolongamento da carreira dentro da universidade n&atilde;o &eacute; exclusividade de alguns professores. O n&uacute;mero de docentes que continua atuando com idade superior a 65 anos &eacute; de 14.232 em um total de 71,2 mil, de acordo com o &uacute;ltimo censo divulgado pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC) e realizado em 2013. Na faixa dos 60 aos 64 anos s&atilde;o 20.548 em exerc&iacute;cio. Na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), o n&uacute;mero de professores cadastrados no programa S&ecirc;nior &eacute; de 611. Um c&aacute;lculo realizado pela universidade prev&ecirc; que em 2017, 40% dos seus professores estar&atilde;o aptos a se aposentar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 8 de setembro, aos 87 anos, Jos&eacute; Goldemberg assumiu a presid&ecirc;ncias da maior financiadora estadual de pesquisa do pa&iacute;s, a Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp). Ao longo de sua carreira, o f&iacute;sico assumiu diversos cargos administrativos como a presid&ecirc;ncia da Companhia Energ&eacute;tica de S&atilde;o Paulo (CESP); da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) e cargos p&uacute;blicos como secret&aacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e Meio Ambiente, da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Ap&oacute;s mais de seis d&eacute;cadas de atua&ccedil;&atilde;o na universidade n&atilde;o lhe falta inspira&ccedil;&atilde;o. "Sou cientista. Vivo preocupado com novos desafios", diz. A maior disponibilidade tecnol&oacute;gica e o melhor preparo dos alunos, na vis&atilde;o de Goldemberg, tamb&eacute;m tem ajudado o avan&ccedil;o das pesquisas e o aprendizado dele, que se sente aluno dos seus estudantes quando o assunto &eacute; dom&iacute;nio de tecnologia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Goldemberg n&atilde;o gosta de falar em aposentadoria e conta que, desde cedo, j&aacute; tinha para si que jamais iria se aposentar. Para ele, a lei que obriga docentes a se aposentarem aos 70 anos &eacute; muito antiga e de quando a expectativa de vida dos brasileiros estava muito abaixo da idade. Ele v&ecirc; como positiva a possibilidade de amplia&ccedil;&atilde;o para 75 anos, que j&aacute; pode ser aplicada aos ministros do Superior Tribunal Federal (STF), como idade compuls&oacute;ria para aposentadoria. Atualmente, ele tem sete orientandos, &eacute; co-presidente do International Institute For Applied Systems Analysis (IIASA), na &Aacute;ustria, coordena tr&ecirc;s projetos de pesquisa e um de desenvolvimento, &eacute; revisor de v&aacute;rios peri&oacute;dicos e membro do conselho de outros e autor de 22 artigos apenas nos &uacute;ltimos 5 anos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INOVA&Ccedil;&Atilde;O E CRIATIVIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aos 77 anos o f&iacute;sico S&eacute;rgio Mascarenhas, hoje com 87 anos, recebeu o diagn&oacute;stico de que estava com hidrocefalia, um ac&uacute;mulo de l&iacute;quido dentro do cr&acirc;nio que pode causar danos ao c&eacute;rebro, e que seria necess&aacute;rio realizar um exame de perfura&ccedil;&atilde;o para medir a press&atilde;o intracraniana. Incomodado com a ideia de realizar um exame t&atilde;o invasivo, mas o &uacute;nico dispon&iacute;vel para que pudesse responder &agrave; situa&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, ele passou a imaginar uma forma alternativa de exame.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n1/a05fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os primeiros experimentos foram feitos com um bal&atilde;o de anivers&aacute;rio, pedido ao seu neto, inflado dentro de um cr&acirc;nio emprestado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar). Com sensores de medi&ccedil;&atilde;o nas duas partes, ele verificou que os n&uacute;meros de press&atilde;o na bexiga e no cr&acirc;nio coincidiam. A ideia partiu da observa&ccedil;&atilde;o de uma atividade j&aacute; corriqueira para os engenheiros que &eacute; identificar a vibra&ccedil;&atilde;o interna de pilastras de concreto sem ter que furar a constru&ccedil;&atilde;o. O teste simples correu como o esperado e a ideia foi levada para o laborat&oacute;rio. Atualmente o sistema est&aacute; na fase de prot&oacute;tipo e segue sendo desenvolvido pelo Instituto de estudos Avan&ccedil;ados (IEA) da USP em S&atilde;o Carlos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>insight</i> de Mascarenhas veio tr&ecirc;s anos antes dele se aposentar compulsoriamente pela universidade. "Aposentar-se &eacute; um ato de conforma&ccedil;&atilde;o", define. Para ele, &eacute; poss&iacute;vel se aposentar de um emprego, mas imposs&iacute;vel aposentar-se da ci&ecirc;ncia, da educa&ccedil;&atilde;o e do ideal de que uma sociedade melhor &eacute; constru&iacute;da por meio de um trabalho em equipe.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PLENA ATIVIDADE </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois de atender ao pedido de entrevista, Myriam Krasilchik, docente da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da USP, confessa que resolveu fazer os c&aacute;lculos de quantos anos lecionava ap&oacute;s os 70, e j&aacute; se passaram 13. Seu curso de m&eacute;todo do ensino superior continua a ser bastante procurado por alunos de diferentes unidades. Al&eacute;m do prazer da vida universit&aacute;ria e o contato rico com colegas, professores, alunos, Myriam tamb&eacute;m &eacute; motivada por querer "continuar contribuindo com o resultado da minha viv&ecirc;ncia para o aperfei&ccedil;oamento da educa&ccedil;&atilde;o".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A docente diz que h&aacute; fases e em cada uma delas &eacute; poss&iacute;vel contribuir de uma maneira diferente. Ao longo de sua carreira foi conhecendo toda a universidade ao iniciar a participa&ccedil;&atilde;o em comiss&otilde;es, depois foi diretora da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o, vice-reitora e, ap&oacute;s os 70, foi presidente da comiss&atilde;o de planejamento da USP Leste. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aposentado desde 1995, o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Pascoalino Magnavita mant&eacute;m o v&iacute;nculo com a universidade em meio a uma agenda lotada, entre aulas exposi&ccedil;&otilde;es e viagens. O engenheiro civil e doutor em arquitetura, possui uma bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) em seu n&iacute;vel mais alto, ministra aulas e orienta&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O contato com alunos mais jovens e a troca de experi&ecirc;ncias mant&ecirc;m seu &acirc;nimo com a academia. Assim como considera estimulante a experi&ecirc;ncia e criatividade dos alunos, ele tamb&eacute;m considera fundamental e igualmente prazeroso passar uma vis&atilde;o de mundo diferente para os que fogem ao senso comum. "Acho estimulante estar na universidade, onde a gente n&atilde;o ensina o que sabe, mas sim o que pesquisa e estimula os estudantes a pensar diferente". E completa, "Apesar das diferentes sociedades - vivi na sociedade da disciplina e eles vivem na sociedade do controle -, penso de forma jovem, meu pensamento &eacute; contempor&acirc;neo", diz.</font></p>      ]]></body>
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