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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br>   INTELIG&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Dificuldade de identificar e investir em pessoas com altas habilidades pode minar o talento nato</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Victoria Fl&oacute;rio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sucesso de bilheteria, o filme <i>Quem quer ser um milion&aacute;rio</i> (2008), adapta&ccedil;&atilde;o do livro do diplomata indiano Vikas Swarup, conta a hist&oacute;ria de um jovem pobre de Mumbai que tem o curso de sua vida transformado pelo desempenho surpreendente em um programa de audit&oacute;rio. Muitas outras pessoas, excepcionalmente inteligentes, ficaram famosas pela participa&ccedil;&atilde;o destacada nesse tipo de programa, como o brasileiro Ricardo Tadeu de Soares, nos anos 1980, e o norte-americano Christopher Langan, em 2008. Soares, que em 1992 entrou para o livro dos recordes como o advogado mais jovem do mundo (aos 16 anos), &eacute; o presidente da cervejaria subsidi&aacute;ria AB InBev, no M&eacute;xico, desde 2013. Langan, mesmo considerado o homem mais inteligente dos Estados Unidos, n&atilde;o chegou a concluir o ensino superior e, atualmente, faz pesquisa sem filia&ccedil;&atilde;o a institui&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n1/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ambos tidos como pessoas fora dos padr&otilde;es, Soares e Langan trilharam diferentes caminhos, e foram confrontados com desafios e oportunidades. O brasileiro teve apoio familiar, frequentou ambientes acad&ecirc;micos excepcionais ao longo da vida e &eacute; considerado um homem de sucesso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Langan teve uma inf&acirc;ncia muito pobre, pouco suporte familiar e uma base escolar ruim, ou seja, menos condi&ccedil;&otilde;es para desenvolver suas habilidades. Sua pesquisa n&atilde;o &eacute; reconhecida, apesar de seus talentos intelectuais. Malcom Gladwell, autor do <i>bestseller Fora de s&eacute;rie</i> (2008), trata exatamente dessas pessoas fora dos padr&otilde;es, sejam homens de neg&oacute;cio, estrelas do rock ou g&ecirc;nios da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Segundo dados da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional para Crian&ccedil;as Superdotadas nos EUA, entre 6% e 10% da popula&ccedil;&atilde;o de estudantes daquele pa&iacute;s &eacute; de alunos com altas habilidades/superdota&ccedil;&atilde;o, o que representa entre 3 e 5 milh&otilde;es de pessoas (2013-2014). Para os norte-americanos, os dados significam que ajudar as crian&ccedil;as com altas habilidades/ superdota&ccedil;&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de desenvolvimento nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a especialista em educa&ccedil;&atilde;o especial, presidente do Conselho Brasileiro para Superdota&ccedil;&atilde;o (ConBraSD), Suzana Graciela P&eacute;rez Barrera P&eacute;rez, estima que h&aacute; mais de 2,5 milh&otilde;es de alunos com altas habilidades/superdota&ccedil;&atilde;o matriculados nas escolas p&uacute;blicas e privadas da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>IDENTIFICANDO ALTAS HABILIDADES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A educa&ccedil;&atilde;o especial n&atilde;o &eacute; uma modalidade elitista, mas que visa atender ao p&uacute;blico tanto de alunos com altas habilidades/ superdota&ccedil;&atilde;o quanto de portadores de defici&ecirc;ncia e transtornos de desenvolvimento, cada um dentro de suas necessidades espec&iacute;ficas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em setembro de 2015, foi aprovado o projeto de lei para dispor sobre a identifica&ccedil;&atilde;o, o cadastramento e o atendimento aos alunos com altas habilidades ou superdota&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e superior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por&eacute;m, segundo a ConBraSD, o projeto n&atilde;o prev&ecirc; como ser&aacute; feita a identifica&ccedil;&atilde;o dos alunos e corre o risco do esvaziamento de cadastro -assim como aconteceu com o censo escolar que j&aacute; registrava os alunos com altas habilidades/superdota&ccedil;&atilde;o desde 1996 -, caso os professores continuem sem a forma&ccedil;&atilde;o adequada para lidar com a quest&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para valorizar esses talentos especiais &eacute; preciso saber identificar as crian&ccedil;as com altas habilidades/ superdota&ccedil;&atilde;o. De acordo com pesquisa publicada em 2013 pelo Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o de Newfoundland e Labrador, no Canad&aacute;, n&atilde;o h&aacute; um crit&eacute;rio &uacute;nico para incluir ou excluir indiv&iacute;duos dentro do conceito de superdota&ccedil;&atilde;o que pode ser evidenciada em muitos dom&iacute;nios como o lingu&iacute;stico, o l&oacute;gico-matem&aacute;tico, o espacial, o musical, o interpessoal, o tecnol&oacute;gico, nos esportes e at&eacute; na rela&ccedil;&atilde;o com os animais. A maneira como professores podem entender, identificar e lidar com crian&ccedil;as com altas habilidades, ou superdotadas, envolve crit&eacute;rios m&uacute;ltiplos de observa&ccedil;&atilde;o das habilidades cognitivas, como aptid&atilde;o e criatividade, das realiza&ccedil;&otilde;es dos alunos e da opini&atilde;o de pais, professores e colegas sobre o desempenho dessas crian&ccedil;as.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ATENDIMENTO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tanto os alunos com altas habilidades/superdota&ccedil;&atilde;o, como seus familiares e professores t&ecirc;m o direito de serem atendidos no Brasil. Inclusive, a legisla&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; que o atendimento dos alunos seja feito em salas com recursos multifuncionais. Para Suzana, a pol&iacute;tica p&uacute;blica para atender aos alunos com AH/SD &eacute; somente na &aacute;rea educacional. H&aacute; dispositivos que preveem o atendimento: LDB, Pol&iacute;tica Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Especial na Perspectiva da Educa&ccedil;&atilde;o Inclusiva (2008) e, teoricamente, deveria existir um n&uacute;cleo de atividades de altas habilidades/superdota&ccedil;&atilde;o (NAAH/S) em cada capital brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ela conta que esses n&uacute;cleos, criados em 2005 pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), com recursos da Unesco e em parceria com as secretarias de educa&ccedil;&atilde;o dos estados, "funcionam de forma muito irregular, dependendo de interesse e apoio de cada secretaria". Os NAAH/S fariam a identifica&ccedil;&atilde;o e, em alguns deles, tamb&eacute;m o atendimento educacional e capacita&ccedil;&atilde;o de professores. Institui&ccedil;&otilde;es privadas e filantr&oacute;picas tamb&eacute;m realizam atendimento a esses alunos, mas o n&uacute;mero ainda &eacute; pequeno.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Suzana P&eacute;rez esclarece que "a escola deveria trabalhar com os alunos de forma diferenciada, mas n&atilde;o o faz porque h&aacute; poucos profissionais capacitados, visto que nas forma&ccedil;&otilde;es que o MEC oferece para professores de educa&ccedil;&atilde;o especial raramente s&atilde;o oferecidos conte&uacute;dos relativos a altas habilidades/superdota&ccedil;&atilde;o".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Al&eacute;m disso, os professores de aula regular desconhecem o tema e h&aacute; muitos mitos e cren&ccedil;as populares equivocadas e isso faz com que as crian&ccedil;as sequer sejam identificadas. "Por isso, eles continuam invis&iacute;veis e exclu&iacute;dos da educa&ccedil;&atilde;o", lamenta a especialista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Suzana acredita que vincular altas habilidades/superdota&ccedil;&atilde;o e sucesso &eacute; um mito constatado por diversos autores. "A habilidade acima da m&eacute;dia tem um componente gen&eacute;tico, mas tamb&eacute;m um componente ambiental. Ningu&eacute;m desenvolve o potencial se n&atilde;o tiver oportunidade de desenvolv&ecirc;-lo".</font></p>     ]]></body>
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