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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Apresentação: vigiar e resistir: a constituição de praticas e saberes em torno da informação]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VIGIL&Acirc;NCIA    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o - vigiar e resistir: a constitui&ccedil;&atilde;o de praticas e saberes em torno da informa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marta M. Kanashiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soci&oacute;loga, pesquisadora e professora do Laborat&oacute;rio de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor/Unicamp) e l&iacute;der de pesquisa da Rede Lavits junto ao CNPq. Em 2015, realizou uma pesquisa de p&oacute;s-doutorado junto ao Surveillance Studies Centre (Canad&aacute;)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os estudos e pesquisas que tratam sobre vigil&acirc;ncia de pessoas, de dados e monitoramento t&ecirc;m sido realizados por diferentes &aacute;reas do saber e abordando aspectos diversos. Aproximadamente nos &uacute;ltimos vinte anos, alguns desses trabalhos v&ecirc;m sendo reunidos numa &aacute;rea interdisciplinar conhecida como estudos de vigil&acirc;ncia <i>(surveillance studies),</i> em especial em pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Norte e da Europa(1).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abordando a constitui&ccedil;&atilde;o dessa &aacute;rea, GaryT. Marx (2), afirma que os estudos de vigil&acirc;ncia n&atilde;o se voltam exclusivamente para quest&otilde;es urbanas, por exemplo, ou outros assuntos das ci&ecirc;ncias sociais tidos como cl&aacute;ssicos, como estudos de g&ecirc;nero ou quest&otilde;es &eacute;tnicas. Da mesma forma, esses estudos tamb&eacute;m n&atilde;o se baseiam numa perspectiva disciplinar, te&oacute;rica ou metodol&oacute;gica &uacute;nicas. Ainda na tentativa de definir essa &aacute;rea, o autor indica que eles compartilham com as pesquisas sobre tecnologia e sociedade o interesse pelos impactos sociais, econ&ocirc;micos e culturais daquelas tecnologias que se voltam para a informa&ccedil;&atilde;o, e dedicam-se a compreender um conjunto de a&ccedil;&otilde;es e comportamentos que lidam com informa&ccedil;&otilde;es sobre indiv&iacute;duos ou grupos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, apesar dos esfor&ccedil;os para delimitar a &aacute;rea e reunir pesquisas sob o nome estudos de vigil&acirc;ncia, h&aacute; muitos trabalhos dispersos em &aacute;reas como comunica&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncias sociais, arquitetura e urbanismo, geografia, direito, hist&oacute;ria, ci&ecirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o, psicologia, criminologia, filosofia, artes, computa&ccedil;&atilde;o. A Rede Latino-americana de Estudos sobre Vigil&acirc;ncia, Tecnologia e Sociedade (Lavits) (3), fundada em 2009, espelha em seu nome exatamente a tentativa de abrir o interc&acirc;mbio entre pesquisas dispersas que tematizam direta ou indiretamente a vigil&acirc;ncia, mas sem aderir exclusivamente ao nome estudos de vigil&acirc;ncia, como &eacute; o caso do Surveillance Studies Centre (Canad&aacute;) que influenciou sua cria&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Independente da nomea&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea, e dos exemplos que buscam n&atilde;o se restringir a determinadas defini&ccedil;&otilde;es, &eacute; certo que os estudos que tratam do tema vigil&acirc;ncia s&atilde;o emergentes, encontram-se hoje em franca expans&atilde;o, e precisam ser reunidos e dialogar entre si. Numa concep&ccedil;&atilde;o ampliada, eles podem ser compreendidos como aqueles que t&ecirc;m problematizado as pr&aacute;ticas de captura cont&iacute;nua e rotineira de dados, processamento, armazenamento, an&aacute;lise, cruzamento, apropria&ccedil;&atilde;o e gerenciamento de informa&ccedil;&otilde;es. Dedicam-se a analisar discursos e pr&aacute;ticas que atravessam a constru&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o de tecnologias que permitem essas a&ccedil;&otilde;es e que incluem tamb&eacute;m o controle de acesso, a vigil&acirc;ncia, o monitoramento e a identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas, a constru&ccedil;&atilde;o de bancos de dados e perfis sobre a popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De forma geral, as tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TICs) e o aumento da capacidade computacional figuram como centrais nesses estudos. Assim, as c&acirc;meras para monitoramento, os controles de acesso (incluindo a biometria ou n&atilde;o), as etiquetas RFID (identifica&ccedil;&atilde;o por r&aacute;dio frequ&ecirc;ncia) (4) (e a internet das coisas), utiliza&ccedil;&atilde;o da internet para as mais variadas finalidades, o uso de celulares, de <i>smartphones,</i> de dispositivos de geolocaliza&ccedil;&atilde;o, e a constitui&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o do <i>big data</i> s&atilde;o objetos recorrentes das pesquisas. No entanto, ainda que se observe essa recorr&ecirc;ncia, o estudo de determinadas tecnologias n&atilde;o &eacute; definidor exclusivo desse campo que volta-se para pensar, em especial (mas n&atilde;o somente), as transforma&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas que incluem as mudan&ccedil;as no capitalismo, nas racionalidades governamentais, no exerc&iacute;cio do poder, nos modos de ver, de pensar, de sentir, de conhecer. Assim, esses estudos procuram refletir sobre a contemporaneidade, mirando as transforma&ccedil;&otilde;es atravessadas por e constituidoras dessas tecnologias, mas sem recair no determinismo tecnol&oacute;gico ou na afirma&ccedil;&atilde;o de que a tecnologia &eacute; raz&atilde;o ou causa explicativa suficiente para as mudan&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando Gary T. Marx afirma que os estudos de vigil&acirc;ncia n&atilde;o se voltam exclusivamente para determinados temas, &eacute; exatamente porque eles podem ser mesclados com os mais variados assuntos que, nas ci&ecirc;ncias sociais, s&atilde;o considerados cl&aacute;ssicos. Por exemplo, os estudos de g&ecirc;nero podem ser contemplados em pesquisas que se desdobrem tamb&eacute;m sobre o uso de TICs, as constitui&ccedil;&otilde;es de bancos de dados, de perfis e as mudan&ccedil;as no capitalismo, na cultura. No mesmo sentido, h&aacute; in&uacute;meros estudos que se mesclam, dentre muitos outros temas, com cidades, seguran&ccedil;a, trabalho, lazer, consumo, sa&uacute;de, democracia, cidadania, legisla&ccedil;&atilde;o, p&uacute;blico e privado, privacidade, movimentos sociais, resist&ecirc;ncia, poder, est&eacute;tica etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O debate pol&iacute;tico e acad&ecirc;mico sobre o tema foi impulsionado, nos &uacute;ltimos anos, por alguns acontecimentos (que tamb&eacute;m alteraram a pr&oacute;pria forma como se realiza a vigil&acirc;ncia) como o ataque ao World Trade Center, em 2001 e, a partir de ent&atilde;o, o recrudescimento e reelabora&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas e discursos da vigil&acirc;ncia. Nessa mesma d&eacute;cada, assistimos ainda a expans&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do uso de redes sociais e de empresas como Google e Facebook; a reformula&ccedil;&atilde;o de termos de privacidade e condi&ccedil;&otilde;es de uso de servi&ccedil;os baseados na internet (apontando uma nova rela&ccedil;&atilde;o de acesso e utiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es de usu&aacute;rios por parte de empresas); a amplia&ccedil;&atilde;o de ferramentas de marketing e de com&eacute;rcio eletr&ocirc;nico; o acirramento das tens&otilde;es em torno de propriedade intelectual, direito autoral, acesso e compartilhamento de informa&ccedil;&atilde;o. Na d&eacute;cada seguinte, a organiza&ccedil;&atilde;o Wikileaks vazou uma s&eacute;rie de documentos confidenciais e, em seguida, Edward Snowden tornou p&uacute;blicas as informa&ccedil;&otilde;es sobre programas de vigil&acirc;ncia dos Estados Unidos e as formas de atua&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional de Seguran&ccedil;a estadunidense em conex&atilde;o com empresas de internet e telefonia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses acontecimentos que impulsionaram as pesquisas apontam a centralidade da informa&ccedil;&atilde;o e as tens&otilde;es e disputas que a atravessam (e que incluem acesso, vigil&acirc;ncia e propriedade) e sua intensifica&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos anos. Esses processos tornaram-se mais claros com os casos emblem&aacute;ticos de Julian Assange e Edward Snowden, os quais, ao mesmo tempo, podem ser vistos apenas como a precipita&ccedil;&atilde;o de muitos aspectos j&aacute; anunciados por estudiosos — quer sejam aqueles que compreendem a contemporaneidade como "sociedade da informa&ccedil;&atilde;o" (5), como "sociedade de vigil&acirc;ncia" (6), ou "sociedade de controle" (7) entre muitas possibilidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A captura da informa&ccedil;&atilde;o, armazenamento, cruzamento e recombina&ccedil;&atilde;o de dados s&atilde;o movimentos que atravessam as comunica&ccedil;&otilde;es e in&uacute;meras pr&aacute;ticas cotidianas, a constitui&ccedil;&atilde;o de saberes, a cria&ccedil;&atilde;o de conhecimento, os processos de inven&ccedil;&atilde;o, e os modos de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o aspectos que est&atilde;o no cerne das tens&otilde;es e disputas contempor&acirc;neas, envolvendo muitos atores diferentes. A transforma&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o em valor e motor de acumula&ccedil;&atilde;o das sociedades contempor&acirc;neas, ou a centralidade da informa&ccedil;&atilde;o (8) na atualidade nos leva a compreender a informa&ccedil;&atilde;o como quest&atilde;o t&aacute;tica e estrat&eacute;gica crucial para as mais diversas esferas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse panorama, um caminho que nos permite compreender uma parte das tens&otilde;es e conex&otilde;es entre os atores &eacute; seguir a trilha apontada por Foucault (9). Vale retomar que, para o fil&oacute;sofo, na passagem da soberania (na Idade M&eacute;dia) para a disciplina e para o biopoder (a partir do s&eacute;culo XVIII), o direito &agrave; morte — realizado pelo soberano — foi deslocado para um poder que gerencia a vida, e tornou-se uma administra&ccedil;&atilde;o eficaz dos corpos e uma gest&atilde;o calculada da vida pelo Estado. As taxas de nascimento e morte, as taxas de sa&uacute;de, longevidade aparecem como uma s&eacute;rie de interven&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias e controles de Estado que atravessam o corpo, caracterizando o que Foucault chamou de biopol&iacute;tica da popula&ccedil;&atilde;o. "A estat&iacute;stica como a ci&ecirc;ncia do Estado" estava ligada &agrave; captura e deten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre as pessoas por parte do Estado e seus t&eacute;cnicos, e por parte das institui&ccedil;&otilde;es disciplinares como hospitais, escolas, ex&eacute;rcitos e pris&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando hoje nos voltamos para a centralidade da informa&ccedil;&atilde;o, podemos notar que a capacidade de coletar dados, arquivar, monitorar, entender, reconhecer, identificar e classificar j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais uma prerrogativa do Estado (10). Redes sociais como Facebook, corpora&ccedil;&otilde;es como Google, empresas de telefonia, t&ecirc;m uma capacidade de coleta de informa&ccedil;&otilde;es que atravessa uma dimens&atilde;o da vida n&atilde;o capturada pelos mecanismos de Estado durante a era industrial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto o Estado herdou sua coleta de informa&ccedil;&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es disciplinares (no exerc&iacute;cio da biopol&iacute;tica), voltando-se para dimens&otilde;es e esferas da vida como sa&uacute;de, ensino, seguran&ccedil;a, puni&ccedil;&atilde;o e defesa nacional, o mercado das TICs voltou-se para uma captura de dados que pode incluir todos esses aspectos, somando um n&iacute;vel de informa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se relaciona mais &agrave; figura identit&aacute;ria do indiv&iacute;duo, mas a uma dimens&atilde;o fragmentada dos dados que habita as vis&otilde;es de mundo, as d&uacute;vidas e incertezas, os desejos e as aspira&ccedil;&otilde;es muitas vezes ainda n&atilde;o realizados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Haggerty e Ericsson (11) ajudam a compreender melhor essa dimens&atilde;o fragmentanda, a partir da ideia de <i>data double</i> (duplo de dados) que se refere a uma opera&ccedil;&atilde;o realizada pela computa&ccedil;&atilde;o e pela internet. Nela o corpo humano passa a ter uma composi&ccedil;&atilde;o h&iacute;brida, na medida em que aos olhos desses sistemas ele &eacute; desmembrado em informa&ccedil;&otilde;es, e ent&atilde;o reagrupado em diferentes configura&ccedil;&otilde;es por meio de uma s&eacute;rie de fluxos de dados. O resultado &eacute; um corpo <i>"decorporealized'</i> ou um "duplo de dados" <i>(data double)</i> de pura virtualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em suma, esses sistemas n&atilde;o est&atilde;o olhando para o indiv&iacute;duo, mas para o fluxo de dados e de metadados (12). A perfiliza&ccedil;&atilde;o que &eacute; realizada a partir disso opera fragmentos, por exemplo, para realiza&ccedil;&atilde;o de marketing. Nesse caso, o que interessa &eacute; o fragmento que revela a potencialidade de realiza&ccedil;&atilde;o de determinado consumo. Como lembra Fernanda Bruno, a partir de autores como Didier Bigo e Oscar Gandy (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Certamente o Estado tamb&eacute;m investe na captura dessa dimens&atilde;o dos rastros fragmentados (o risco potencial apontado pelos dados), amparando-se na defesa nacional e na seguran&ccedil;a, ou em quest&otilde;es estrat&eacute;gicas e comerciais, para se apropriar dessas informa&ccedil;&otilde;es, mas realiza seu monitoramento e requer informa&ccedil;&otilde;es das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e telefonia (como nos mostrou Snowden), para reunir rastros e reconstituir o indiv&iacute;duo pass&iacute;vel de puni&ccedil;&atilde;o ou encarceramento (dada sua heran&ccedil;a disciplinar), e para obter informa&ccedil;&otilde;es que podem ser politicamente ou comercialmente vantajosas, como nos lembram Assange e Schmidt (14). Trata-se de uma coleta que precisa recorrer aos canais de prospec&ccedil;&atilde;o de dados das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e telefonia, mas que se volta para objetivos que, muitas vezes, se ligam ao indiv&iacute;duo, &agrave; na&ccedil;&atilde;o, &agrave; soberania, &agrave; competi&ccedil;&atilde;o comercial e &agrave; algo que ainda reconhecemos como um todo, talvez mais objetivo. Nesse sentido, ainda que os mecanismos disciplinares e do biopoder estejam ativos, o exerc&iacute;cio do poder ocorre de maneira mais incisiva pela via do controle que imprime as t&aacute;ticas, estrat&eacute;gias e que constitui os saberes de nossa &eacute;poca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir dessa perspectiva, a captura de informa&ccedil;&otilde;es realizada pelo mercado libertou-se do indiv&iacute;duo e das fronteiras, e apenas joga com esses velhos limites. Joga, por exemplo, ao reativar a figura individual que concorda com termos de acesso, de servi&ccedil;o e de privacidade, ao reafirmar essa figura do direito que pouco lhe interessa, ao estimular a constitui&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria e a figura eg&oacute;ica das redes sociais, ao mesmo tempo em que opera a dilui&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo e da identidade, para extra&ccedil;&atilde;o de valor, para troca de informa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o apenas fragmentos de desejos ou aspira&ccedil;&otilde;es, pura subjetividade, virtualidade, potencialidade. Aos olhos dos sistemas o que emerge como objeto &eacute; o dividual e n&atilde;o mais o indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda que sejam apontadas aqui duas perspectivas para a captura de dados, essa divis&atilde;o deve ser compreendida como um esfor&ccedil;o de desconstru&ccedil;&atilde;o de algo muito mais complexo, para tornar vis&iacute;veis os elementos mobilizados a partir de um determinado &acirc;ngulo, as tens&otilde;es e conex&otilde;es entre diferentes atores e as formas como s&atilde;o equacionadas. O cen&aacute;rio caracterizado pelo am&aacute;lgama entre o Estado e o mercado embaralham as pe&ccedil;as desse jogo que Edward Snowden desvelou. Nesse caso, os dados que a Ag&ecirc;ncia Nacional de Seguran&ccedil;a acessou, sem conhecimento dos usu&aacute;rios, foram capturados por empresas de servi&ccedil;o de internet e de telefonia como aVerizon, Microsoft, Yahoo, AOL, Facebook, Google, Apple, Skype, dentre outras (15).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A essa altura &eacute; importante sublinhar o surgimento de novas formas de resist&ecirc;ncia e a contesta&ccedil;&atilde;o do que foi exposto. Por um lado, ela pode ser observada em organiza&ccedil;&otilde;es que debatem e atuam sobre o direito &agrave; privacidade; e nos movimentos que buscam problematizar os mesmos dispositivos e sistemas que servem &agrave; captura de dados, a partir de sua reapropria&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o muitas as possibilidades emergentes, mas em muitos casos esse movimento de reapropria&ccedil;&atilde;o passa pela cultura do fa&ccedil;a voc&ecirc; mesmo, em geral, mencionada como DIY (sigla em ingl&ecirc;s para <i>do it yourself),</i> pela utiliza&ccedil;&atilde;o de software e hardware livres, pela prolifera&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios experimentais em rede (16), por propostas de desviar a fun&ccedil;&atilde;o original de determinada tecnologia e pela ideia da contravigil&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda destacando essas possibilidades de resist&ecirc;ncia, vale mencionar que quest&otilde;es relativas &agrave; privacidade t&ecirc;m sido discutidas por grupos ativistas que realizam oficinas para fazer proliferar o uso de ferramentas que protejam a privacidade dos usu&aacute;rios, como as que possibilitam navega&ccedil;&atilde;o an&ocirc;nima e troca de mensagens criptografadas. Tanto os laborat&oacute;rios experimentais como as oficinas surgem nesse cen&aacute;rio como produtores de conhecimento e de novas alternativas e possibilidades de relacionamento com as tecnologias, em especial de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. Apesar disso, no Brasil, ainda &eacute; muito incomum que ocorram no ambiente acad&ecirc;mico (17), em especial, porque a forma como est&aacute; estruturado esse espa&ccedil;o restringe a incorpora&ccedil;&atilde;o de formas diversas de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Reconhecendo a import&acirc;ncia dessa produ&ccedil;&atilde;o, que inclui ainda artistas que problematizam o tema, a Rede Lavits, mencionada anteriormente, tem buscado, promover o interc&acirc;mbio de conhecimento e o di&aacute;logo entre as produ&ccedil;&otilde;es que ocorrem no meio acad&ecirc;mico, entre artistas e ativistas. Assim, como dito antes, a rede soma &agrave; tentativa de n&atilde;o se restringir a defini&ccedil;&otilde;es de &aacute;rea do saber, a amplia&ccedil;&atilde;o das vozes e saberes vis&iacute;veis no debate.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas experi&ecirc;ncias caminham na contram&atilde;o de falsas e simplistas op&ccedil;&otilde;es que advogam, por exemplo, a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o de redes sociais ou de determinados servi&ccedil;os de email que praticariam uma vigil&acirc;ncia de dados mais pesada e n&atilde;o respeitariam a privacidade. Isso porque n&atilde;o h&aacute; fora desse modo de prospec&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel nos ausentarmos dos sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o e todos estamos inclu&iacute;dos, ainda que n&atilde;o utilizemos determinados servi&ccedil;os. David Golumbia (2015), pesquisador de novas m&iacute;dias e professor na Universidade da Virg&iacute;nia (Estados Unidos), em seu texto <i>Crowdforcing: when what I share isyours</i> (18) aponta como exemplos dessa l&oacute;gica a constitui&ccedil;&atilde;o de um banco de dados gen&eacute;tico da popula&ccedil;&atilde;o da Isl&acirc;ndia, que acaba envolvendo mesmo aqueles que n&atilde;o tiveram seus dados gen&eacute;ticos mapeados. Isso porque o mapeamento de parte da popula&ccedil;&atilde;o islandesa pode guiar valores de planos de sa&uacute;de para todos, "premiando" com descontos aqueles mapeados ou, melhor dizendo, "punindo" com valores maiores aqueles n&atilde;o mapeados. Isso ocorre no Brasil, por exemplo, com seguros de carros que diferenciam aqueles usu&aacute;rios que aceitam instalar no carro um localizador (que rastreia por geolocaliza&ccedil;&atilde;o o carro e pode extrair da&iacute; in&uacute;meras informa&ccedil;&otilde;es) e aqueles que n&atilde;o aceitam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algo similar—em termos de inser&ccedil;&atilde;o nesse sistema, mesmo sem aderir a algumas op&ccedil;&otilde;es — serve para aqueles que n&atilde;o utilizam servi&ccedil;os de email do Google, mas que se comunicam com usu&aacute;rios desse servi&ccedil;o. Afinal, basta isso para que o Google possa coletar informa&ccedil;&otilde;es. O termo <i>crowdforcing</i> real&ccedil;a, dentre outros, esse sentido de press&atilde;o coletiva que torna falsa a op&ccedil;&atilde;o de estar fora de um determinado sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As formas de resist&ecirc;ncia e constru&ccedil;&atilde;o de alternativas s&atilde;o muitas, indo desde o uso de c&acirc;meras de celulares para den&uacute;ncia, at&eacute; os laborat&oacute;rios experimentais, sendo mais ricas e frut&iacute;feras aquelas que buscam as respostas sem se deslocar de onde j&aacute; estamos inseridos. &Eacute; a partir da reapropria&ccedil;&atilde;o da tecnologia e da constru&ccedil;&atilde;o e prolifera&ccedil;&atilde;o de saberes que se pode propor alternativas e n&atilde;o negando a tecnologia ou falsamente se ausentando de alguns sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico da revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i> foi elaborado com o intuito de trazer algumas abordagens sobre o tema da vigil&acirc;ncia, mas sem a pretens&atilde;o de trazer um panorama completo da &aacute;rea. O soci&oacute;logo David Lyon, que desde 1992 trabalha com o tema da vigil&acirc;ncia na contemporaneidade e com uma s&eacute;rie de temas correlatos, como privacidade, transpar&ecirc;ncia, direitos e &eacute; coordenador do Surveillance Studies Centre (Canad&aacute;), problematiza em seu artigo aspectos da vigil&acirc;ncia que se tornaram vis&iacute;veis a partir das revela&ccedil;&otilde;es de Edward Snowden. Dentre eles, o artigo explora a indetermina&ccedil;&atilde;o do limiar entre "vigil&acirc;ncia de massa" sobre uma ampla gama de metadados e a "vigil&acirc;ncia orientada" que distingue determinadas pessoas em meio &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es, e o uso indiscriminado de "metadados" que coloca em primeiro plano a defini&ccedil;&atilde;o de "dados pessoais". O autor busca apontar a vigil&acirc;ncia tamb&eacute;m como resultado de uma racionalidade que se expressa em procedimentos burocr&aacute;ticos (e cotidianos) e mais do que o resultado de um potencial tecnol&oacute;gico, observa-a a partir de suas vincula&ccedil;&otilde;es com uma gest&atilde;o de riscos e da seguran&ccedil;a e com uma clusteriza&ccedil;&atilde;o do consumidor no marketing.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando as revela&ccedil;&otilde;es de Snowdem como um marco importante no cen&aacute;rio da vigil&acirc;ncia, Lyon ainda problematiza o que j&aacute; existia em termos de pesquisa quando esse caso emblem&aacute;tico veio &agrave; tona, balizando e avaliando as contribui&ccedil;&otilde;es e o alcance das pesquisas realizadas no campo dos estudos de vigil&acirc;ncia at&eacute; ent&atilde;o. Al&eacute;m disso, o autor ainda aponta os desafios para pesquisa e a dire&ccedil;&atilde;o que novas contribui&ccedil;&otilde;es podem tomar ap&oacute;s Snowden.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A seguir, o artigo de Fernanda Bruno se volta para os rastreadores de dados presentes na navega&ccedil;&atilde;o na internet, na utiliza&ccedil;&atilde;o de cart&otilde;es de cr&eacute;ditos e outros sistemas digitais para explorar como funcionam os processos de coleta, categoriza&ccedil;&atilde;o e perfiliza&ccedil;&atilde;o <i>(profiling).</i> Para isso, a autora pesquisou empresas que se dedicam exclusivamente &agrave; coleta de dados pessoais na internet e &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de categorias em bancos de dados e de perfis, com intuito de explorar potenciais desejos e capacidade de consumo ou inten&ccedil;&otilde;es de voto. A autora vislumbra nesse cen&aacute;rio a constitui&ccedil;&atilde;o de saberes que buscam legitimar-se com base na afirma&ccedil;&atilde;o da objetividade da coleta de dados e na atribui&ccedil;&atilde;o do estatuto de evid&ecirc;ncia aos rastros digitais, elevando a categoriza&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o de perfis ao patamar de ferramenta ideal para revelar verdades, prever e antecipar futuros. Minera&ccedil;&atilde;o de dados <i>(data mining)</i> e perfiliza&ccedil;&atilde;o e <i>profiling</i> funcionam assim como os <i>precogs </i>de Philip K. Dick em <i>Minority report</i> (1956), prevendo o futuro e deslocando-o para o presente n&atilde;o apenas tornam mais prov&aacute;vel o que &eacute; antecipado, como limitam outros futuros e alternativas poss&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Henrique Parra tamb&eacute;m problematiza a antecipa&ccedil;&atilde;o do futuro e a prospec&ccedil;&atilde;o de dados, mas o faz a partir da tens&atilde;o presente na atualidade entre abertura e controle. Nesse cen&aacute;rio, o enorme fluxo informacional (ou <i>big data)</i> encontra-se no centro da disputa entre o aumento do dinamismo da economia, a capacidade de inova&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e da tecnologia (que muitas vezes pressup&otilde;e a abertura de informa&ccedil;&otilde;es) e a apropria&ccedil;&atilde;o e fechamento das informa&ccedil;&otilde;es pela via dos sistemas de propriedade intelectual. Esse mesmo fluxo &eacute; central tanto para a participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; e para a avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es estatais, como para o exerc&iacute;cio do controle social e de uma l&oacute;gica securit&aacute;ria. Por meio de tr&ecirc;s eixos que se relacionam com a economia e o modo de produ&ccedil;&atilde;o de riquezas, com a ci&ecirc;ncia e o modo de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento, com o Estado e a capacidade de gest&atilde;o, controle e cidadania, o autor traz para o primeiro plano os pontos de contato e tens&atilde;o entre diferentes atores no embate acerca da informa&ccedil;&atilde;o hoje, ao mesmo tempo que problematiza quest&otilde;es contempor&acirc;neas cruciais sobre: participa&ccedil;&atilde;o, transpar&ecirc;ncia, acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e controle social. Parra ainda faz emergir em seu artigo tanto a racionalidade pol&iacute;tica, ao explorar quest&otilde;es relativas &agrave; governamentalidade, como as demandas que esse cen&aacute;rio de vigil&acirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o apresenta no que concerne &agrave; privacidade, ao anonimato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A extra&ccedil;&atilde;o de valor das informa&ccedil;&otilde;es, por meio de sofisticados mecanismos de vigil&acirc;ncia e an&aacute;lise dos dados, &eacute; retomada no artigo de Rafael Evangelista a partir de uma pesquisa sobre sites de p&ocirc;quer. O instigante objeto de pesquisa permite trazer a tona de forma mais expl&iacute;cita os paradoxos, ambiguidades e confus&otilde;es de fronteira (entre lazer e trabalho) que delineiam esses ambientes de extra&ccedil;&atilde;o de valor. Ao mesmo tempo que esses espa&ccedil;os e a atividade de jogar p&ocirc;quer se define como local de lazer, tamb&eacute;m &eacute; um ambiente de trabalho mas na perspectiva, cada vez mais comum na atualidade, que descarta rela&ccedil;&otilde;es salariais e direitos trabalhistas. As pr&aacute;ticas de minera&ccedil;&atilde;o de dados, constitui&ccedil;&atilde;o de perfis, antecipa&ccedil;&atilde;o de cen&aacute;rios futuros e auto-exposi&ccedil;&atilde;o encontram-se, nesse artigo, no centro de decis&otilde;es de investimento e apostas caracterizando uma esp&eacute;cie de vigil&acirc;ncia mercantil, mas acionada dentro dos sentidos de divers&atilde;o e jogo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, Rosa Pedro, Luciana Albuquerque e Ulisses dos Anjos Carvalho discutem algumas das possibilidades de resist&ecirc;ncia e anonimato da atualidade que podem ser analisadas na rela&ccedil;&atilde;o entre as redes e as ruas. Se, por um lado, grupos hackerativistas exploram as possibilidades de resist&ecirc;ncia pela via do anonimato nas redes (tendo como exemplo o grupo Anonymous), outros grupos o fazem pela via do anonimato nas redes com o uso de m&aacute;scaras (como fazem os Black Blocs). N&atilde;o est&aacute; em quest&atilde;o no artigo a validade ou uma avalia&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o desses grupos, mas sim a an&aacute;lise dos sentidos de visibilidade e invisibilidade hoje, temas fundamentais quando se trata de problematizar a vigil&acirc;ncia hoje.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os artigos deste dossi&ecirc; apontam, em conjunto, para alguns dos principais aspectos e elementos que v&ecirc;m sendo problematizados quando o tema &eacute; vigil&acirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es. Incluindo diferentes abordagens te&oacute;ricas e perspectivas anal&iacute;ticas, os artigos procuram explorar desde os modos de funcionamento, constitui&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas e saberes, tens&otilde;es e conflitos, exerc&iacute;cio da vigil&acirc;ncia ou das formas de captura de informa&ccedil;&atilde;o at&eacute; a constitui&ccedil;&atilde;o de novas formas de resist&ecirc;ncia: todos temas fundamentais na contemporaneidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFERENCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Uma publica&ccedil;&atilde;o bastante representativa dessa &aacute;rea &eacute; a <i>Surveillance and Society,</i> uma revista cient&iacute;fica publicada em acesso aberto, desde 2002: <a href="http://library.queensu.ca/ojs/index.php/surveillance-and-society" target="_blank">http://library.queensu.ca/ojs/index.php/surveillance-and-society</a>. Dentre os v&aacute;rios livros e artigos sobre o tema, um panorama geral sobre as pesquisas que t&ecirc;m sido realizadas pode ser encontrado no <i>Routledge handbook of surveillance studies</i> Lyon, D.; Ball, K., Haggerty, K (org.), Nova Iorque e Abingdon: Routledge, 2012.     O livro re&uacute;ne 51 pesquisadores atuando na &aacute;rea, em pa&iacute;ses como Brasil, Canad&aacute;, Estados Unidos, M&eacute;xico, Austr&aacute;lia, Israel, Alemanha, Finl&acirc;ndia, Fran&ccedil;a, Holanda e Reino Unido. O Surveillance Studies Centre, do Departamento de Sociologia, na Universidade de Queen's (Canad&aacute;) representa, por sua vez, um esfor&ccedil;o institucional de reuni&atilde;o das pesquisas sobre o tema <a href="http://www.sscqueens.org/" target="_blank">http://www.sscqueens.org/</a></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Marx, G. T. "'Your papers please': personal and professional encounters with surveillance". <i>In: Routledge handbook of surveillance studies. </i>Lyon, D.; Ball, K., Haggerty, K (org.), Nova Iorque e Abingdon: Routledge, 2012.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. <a href="http://www.lavits.org" target="_blank">http://www.lavits.org</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. RFID &eacute; a sigla em ingl&ecirc;s para identifica&ccedil;&atilde;o por r&aacute;dio frequ&ecirc;ncia. As etiquetas ou <i>tags</i> RFID respondem a sinais de r&aacute;dio enviados por uma base transmissora e podem ter diferentes usos, como localiza&ccedil;&atilde;o de animais, implantes humanos (para uso m&eacute;dico ou hospitalar, existem implantes que cont&ecirc;m toda a informa&ccedil;&atilde;o de um paciente que pode ser lida por um m&eacute;dico), em autom&oacute;veis (para serem localizados), em etiquetas de produtos, medicamentos e livros de bibliotecas para serem administrados, ou em celulares, para <i>check in</i> em avi&otilde;es e hot&eacute;is, ou para a compra de produtos pelo celular. Existem <i>smart cards</i> que possuem RFID. Neste caso, a leitura de informa&ccedil;&otilde;es do cart&atilde;o pode ser feita sem contato f&iacute;sico do cart&atilde;o com a m&aacute;quina leitora, bastando a aproxima&ccedil;&atilde;o do cart&atilde;o do equipamento.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Castells, M. "A era da informa&ccedil;&atilde;o: economia, sociedade e cultura". <i>In: A sociedade em rede.</i> S&atilde;o Paulo: Paz e Terra, 2000. vol. 1</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Lyon, D. <i>Surveillance as social sorting: privacy, risk, and digital discrimination.</i> Psychology Press, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Deleuze, G. <i>"Post-scriptum</i> das sociedades de controle". <i>In: Conversa&ccedil;&otilde;es.</i> Rio de Janeiro, Editora 34, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Santos, L.G. "A informa&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a virada cibern&eacute;tica". <i>In: Revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, internet e socialismo.</i> S&atilde;o Paulo, SP: Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Foucault, M. <i>Vigiar e punir, hist&oacute;ria da viol&ecirc;ncia nas pris&otilde;es.</i> Petr&oacute;polis: Vozes, 2000.    <!-- ref --> Foucault, M. <i>Hist&oacute;ria da sexualidade 1: A vontade de saber. Hist&oacute;ria da sexualidade.</i> (14a ed.) Rio de Janeiro: Graal, 2001.    <!-- ref --> Foucault, M. <i>Em defesa da sociedade.</i> Curso no Coll&egrave;ge de France (1975-1976). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2002.    <!-- ref --> Foucault, M. <i>Seguran&ccedil;a, territ&oacute;rio e popula&ccedil;&atilde;o.</i> Curso no Coll&egrave;ge de France (1977-1978). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2006.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. &Eacute; importante notar que a hist&oacute;ria da cria&ccedil;&atilde;o dos documentos de identidade ajudam a trazer a tona o entrela&ccedil;amento entre processos de identifica&ccedil;&atilde;o e de captura de informa&ccedil;&atilde;o sobre a popula&ccedil;&atilde;o com o exerc&iacute;cio da cidadania, a possibilidade do voto, o uso de sistemas p&uacute;blicos de sa&uacute;de e de educa&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, &eacute; importante afastar aqui qualquer tipo de an&aacute;lise que recaia sobre usos positivos ou negativos, mal&eacute;ficos ou ben&eacute;ficos seja da estat&iacute;stica das popula&ccedil;&otilde;es, dos processos de identifica&ccedil;&atilde;o, ou das possibilidades de coleta de informa&ccedil;&atilde;o. Distante de uma an&aacute;lise que seja manique&iacute;sta, tecnof&oacute;bica ou tecnof&iacute;lica, o objetivo aqui &eacute; vislumbrar a constru&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Haggerty, K.; Ericsson, V. "The surveillant assemblage". <i>In: British Journal of Sociology.</i> Vol. 51, no. 4, december, 2000. p. 605-622.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Kanashiro, M.; Bruno, F.; Evangelista, R.; Firmino, R. "M&aacute;quina da privacidade". In: <i>Revista Rua, no. 19. Volume 2, 2013.</i> Dispon&iacute;vel online <a href="http://www.labeurb.unicamp.br/rua/pages/home/lerArtigo.rua?pdf=1&amp;id=211" target="_blank">http://www.labeurb.unicamp.br/rua/pages/home/lerArtigo.rua?pdf=1&amp;id=211</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Bigo, D. (2009) e Gandy, O. (2002) <i>Apud</i> Bruno, F. <i>M&aacute;quinas de ver, modos de ser: vigil&acirc;ncia, tecnologia e subjetividade.</i> Porto Alegre: Sulina, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Assange, J.; Schmidt, E. <i>Quando o Google encontrou o Wikileaks.</i> S&atilde;o Paulo: Boitempo, 2015.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Destaca-se aqui que os usos das TICs n&atilde;o s&atilde;o &uacute;nicos, e que os mesmos servi&ccedil;os de empresas de internet podem ser reelaborados pelos usu&aacute;rios. Tamb&eacute;m v&aacute;rias formas de resist&ecirc;ncia e constru&ccedil;&atilde;o coletiva de propostas e alternativas t&ecirc;m se dado exatamente vinculadas &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o das TICs. Ainda assim, a perspectiva aqui assumida tem como intuito perscrutar o <i>modus operandi</i> que tensiona esse cen&aacute;rio no sentido de contsruir um movimento dominante, muitas vezes ligado &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de oligop&oacute;lios e de um modo de produ&ccedil;&atilde;o do capitalismo informacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Fonseca (2014) atribui a denomina&ccedil;&atilde;o "laborat&oacute;rios experimentais em rede" para uma s&eacute;rie de experi&ecirc;ncias diferentes que abrigam laborat&oacute;rios comunit&aacute;rios, a cultura DIY (makerspaces), a cultura do conserto e da gambiarra, os hacklabs (laborat&oacute;rios de cultura hacker), os fablabs (laborat&oacute;rios de fabrica&ccedil;&atilde;o digital), os medialabs (laborat&oacute;rios de m&iacute;dia), a cultura do empreendedorismo e da inova&ccedil;&atilde;o, a cultura do <i>open science,</i> dentre outros. Fonseca, F. S. "Redelabs: laborat&oacute;rios experimentais em rede" / Felipe Schmidt Fonseca. - Campinas, SP : &#91;Disserta&ccedil;&atilde;o Unicamp&#93;, 2014.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. &Eacute; importante destacar aqui que existem exce&ccedil;&otilde;es nas quais esses laborat&oacute;rios s&atilde;o desenvolvidos em universidades, como &eacute; o caso do Medialab da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Labics da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Golumbia, D. <i>Crowdforcing: when what I share is yours,</i> &#91;online&#93; 2015 (dispon&iacute;vel online <a href="http://www.uncomputing.org/?p=1658" target="_blank">http://www.uncomputing.org/?p=1658</a>)</font> ]]></body><back>
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